terça-feira, novembro 30, 2010

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Paz ou Espada? Jesus veio trazer divisão nas famílias?


Por Hermes C. Fernandes


Quando falamos sobre a paz que Cristo almeja estabelecer entre gerações, deparamo-nos com certa resistência por parte daqueles que justificam sua intransigência nas palavras do próprio Jesus. 

Confira o que Ele diz:
“Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada. Pois eu vim trazer divisão entre o homem e seu pai, entre a filha e sua mãe, entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os seus próprios familiares” (Mt.10:34-36).
O que Jesus quis dizer com isso, afinal? Esta passagem tem provocado muita confusão na mente de cristãos sinceros.

Ora, se Ele diz que bem-aventurados são os pacificadores, por que agora parece contradizer-Se dizendo que Ele mesmo veio trazer discórdia em vez de paz? E o pior que esta discórdia teria como cenário a família.

Afinal de contas, que história é essa de trazer espada e divisão na família? Aonde é que Ele queria chegar com uma declaração como essa?

Quando um médico prescreve um remédio para o seu paciente, sua intenção é a de curá-lo. Que médico prescreveria um veneno? Porém todo remédio tem seus efeitos colaterais. Basta checar a bula do remédio para verificar os efeitos indesejáveis que o mesmo provoca. Se parássemos para ler algumas dessas bulas, jamais nos automedicaríamos, como é costume de muitos. Há remédios que provocam insônia, enjôo, taquicardia, e outros efeitos que preferiríamos evitar. Mas o médico não vai deixar de prescrevê-los por conta desses efeitos imediatos. O que lhe importa é que seu paciente seja curado, ainda que a médio e longo prazo.

A paz oferecida por Cristo funciona mais ou menos como uma vacina, que uma vez ministrada provoca reações no organismo, semelhantes àquelas do vírus que intenta combater. E é exatamente aí que reside a eficácia da vacina, pois estimula a reação dos anticorpos, provocando assim a cura do organismo. Algo semelhante ocorreu quando aquelas duas mulheres vieram a Salomão disputando um recém-nascido. Cada uma dizia que o filho era seu. Como o sábio rei equacionou o problema? Ordenando que se lhe trouxessem uma espada, e repartisse a criança em dois, dando a metade para cada mulher. Aquela que preferiu abrir mão da criança para poupar-lhe a vida revelou ser a verdadeira mãe. Alguém se atreveria a dizer que a intenção de Salomão era dividir a criança ao meio?

Com tal declaração, Jesus estava deixando Seus discípulos de sobreaviso. O fato de segui-lO, provocaria efeitos colaterais imediatos e momentâneos, que atingiriam inclusive seus relacionamentos familiares. Porém este não seria o resultado final.

Jesus estava apenas revelando os efeitos colaterais imediatos de Sua revolucionária mensagem.

Naquela época, qualquer judeu que se convertesse à fé cristã era considerado traidor, e por isso, era deserdado e espoliado.[1]

Poucos versos antes, Jesus disse: “Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão” (v.21). Repare que isso foi uma previsão e uma prevenção. Em momento algum Jesus estimulou desavença na família. Por conta disso, no afã de estimular Seus discípulos a se manterem fiéis naqueles tempos tempestuosos, Jesus os conclamou a abrir mão de suas próprias vidas.
“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não vem após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á” (vv.37-39).
Observe que tais desavenças familiares seriam efeitos colaterais imediatos, e não os efeitos permanentes da pregação do Evangelho. Haveria perdas, porém, não seriam definitivas. Perde-se agora, pra ganhar depois. Portanto, a paz permanente pode custar para nós um mal entendido provisório. É claro que um familiar que ainda não conheça o amor de Deus, poderá sentir-se desprezado por aquele que o recebeu. Ninguém quer ser preterido. O marido quer ser a pessoa mais importante da vida da esposa, e quando se dá conta de que agora este lugar é ocupado por Cristo, é natural que se sinta enciumado. O mesmo acontece na relação entre pais e filhos. Porém esta sensação tende a diminuir à medida que o convertido passa de demonstrar o amor de Cristo na maneira como conduz seus relacionamentos. E assim, o prejuízo momentâneo resulta em ganhos eternos.

Aos poucos, os pais vão percebendo que seu filho, uma vez convertido a Cristo, tornou-se num filho melhor que antes. O marido ficou mais atencioso. A esposa mais carinhosa. Os pais mais amorosos. E assim, paulatinamente, as coisas vão se adequando, e a crise inicial cede à bonança.

Não se pode julgar um remédio pelos seus efeitos colaterais. O importante é o resultado permanente.

Ao ser questionado por Pedro por haver deixado tudo para segui-lO, Jesus lhe respondeu:

“Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já no presente, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo por vir a vida eterna” (Mc.10:29-30).

Não se trata aqui de uma promessa que só será cumprida na eternidade. Não! Começa “já no presente”. E para que desfrutemos desta paz com as pessoas que estimamos, temos que aprender a cultivá-la.

Por exemplo: se a esposa converteu-se a Cristo, mas o marido não, isso poderá gerar uma crise inicial no casamento. O marido talvez não compreenda o fato de que agora Cristo é a pessoa central da vida de sua esposa. Como reverter isso?

Ouçamos o conselho de Pedro:

“Semelhantemente, vós, mulheres, sede submissas a vossos próprios maridos, para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, pelo procedimento de suas mulheres sejam ganhos sem palavra” (1 Pe.3:1).

Não adianta argumentar, discutir, ou mesmo brigar, pra tentar convencer o outro acerca do Evangelho. Deve-se, antes, ganhar pelo procedimento, sem a necessidade de palavras. Este princípio pode ser aplicado a qualquer relacionamento, e não apenas o conjugal.

Nossas boas obras devem preceder qualquer argumentação. Chegará o momento em que os argumentos contrários cederão, e quem nos rebatia passará a pedir que lhe exponhamos a razão de nosso procedimento. Pedro admoesta: “Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe.3:15b).

Se quisermos cultivar a paz em nossos relacionamentos, temos que abrir mão de termos sempre a razão. Na hora da discussão a melhor saída é o silêncio. Porém, quando nos pedirem qualquer explicação, devemos dá-la com mansidão, sem impor nossos pontos de vista.

Deve-se, também, evitar questões que produzem contendas. Paulo nos aconselha a rejeitar “as questões insensatas e absurdas, sabendo que produzem contendas”. Pois, “ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com todos” (2 Tm.2:23-24a).

Se levássemos a sério tais instruções bíblicas, certamente evitaríamos a destruição de muitos relacionamentos, inclusive entre pais e filhos. Não usemos, portanto, passagens isoladas das Escrituras como justificativa para nossa intransigência.


[1] Hebreus 10:34


Este é mais um capítulo de nossos livro sobre o conflito de gerações. Conto com a opinião e sugestão de vocês. Obrigado.

3 comentários:

  1. Barbosa6:00 PM

    IRMÃO HERMES GRAÇA E PAZ.
    No livro de João 17.21 diz: Para que todos sejam um,como tu,ó Pai,o és em mim,e eu,em ti,;que também eles sejam um em nós,para que o mundo creia que tu me enviaste.
    "O PROPÓSITO DE DEUS,É PARA QUE TODOS SEJA UM" propósito de DEUS,é para que todos sejam um".
    A união em favor da qual Jesus Cristo orou não era a união de igrejas e organizações,mas espiritual,baseada na permanência em Cristo;amor a Cristo;separação do mundo; santificação na Verdade;receber a Verdade da Palavra e crer nela;obediência à palavra;e o desejo de levar a salvação aos perdidos. Faltando algum desses fatores,não pode haver a Verdadeira unidade que Jesus Cristo pediu em oração; ler João 17.23,26,14,16,17,19,6,8,17,21,23.
    Jesus Cristo de Nazaré nãO ora para que seus seguidores "se torne um",mas que "seja um". Trata-se do subjuntivo presente e significa "continuamente ser um". União essa que baseia no relacionamento que todos eles têm com o Pai e o Filho,e na mesma atitude basilar que têm para com o mundo,a Palavra Viva de salvação e a necessidade de alcançar os perdidos; ler I João 1.7.
    Jesus tinha em mente algo muito mais do que reuniões de unificação de união artificial,o seu propósito de Jesus,é uma união espiritual de coração,propósito,mente e vontade dos que estão totalmente dedicados a Cristo,à Palavra e à santidade; ler Efésios 4.3.
    No versículo 22 no capítulo 17 de João diz: E eu dei-lhes a glória que a mim me deste,para que sejam um,como nós somos um.
    A "glória" de Jesus Cristo foi sua vida de serviço abnegação e sua morte na cruz a fim de redimir a raça humana. Semelhantemente,a "glória do cristão é o caminho do serviço hulmide e de carregar a sua cruz; ler Lucas 9.23. A humilde,a abnegação,o serviço e a disposição de sofrer por Cristo,garantirão a Verdaderia unidade dos cristãos,que levará à glória eterna Verdadeira.

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  2. Seus textos tem sido realmente edificantes. Parabéns pelo blog.

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  3. Anônimo12:40 PM

    Verdade..

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