Segunda-feira, Maio 28, 2012

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E se Deus nos tirasse pra dançar?



Hermes C. Fernandes

Hoje estive pensando um pouco mais sobre o episódio em que Mical, de sua janela, desprezou e censurou a Davi enquanto este dançava à frente da Arca da Aliança, em seu cortejo de volta a Jerusalém.

Dissemos num artigo anterior que para Mical, o que lhe dava o direito de julgar seu marido daquela maneira era o senso de valor próprio e o senso de justiça própria.

O primeiro, porque Davi havia lhe atribuído um valor maior do que Saul, pai de Mical, pedira como dote.

E o segundo, porque Mical havia livrado a Davi de ser assassinado pelos servos de seu pai, dando-lhe fuga pela janela de seu quarto.

Foi daquela mesma janela que Mical o desprezou. Ela se achou no direito de fazê-lo.

Fiquei imaginando se essa história não poderia servir como analogia de Cristo e a Sua Igreja.

Como Mical, muitos cristãos se acham no direito de desprezar o que Deus está fazendo do lado de fora dos seus arraias religiosos.

Afinal de contas, Deus lhes atribuiu valor muito maior do que de fato mereciam. O preço pago por sua redenção foi o sangue de Jesus. No caso de Mical, seu dote custou a morte de duzentos filisteus. No caso da Igreja, seu dote custou a morte do Filho de Deus.

O que deveria nos envergonhar, tornou-se no motivo de nossa soberba. Achamo-nos mais importantes do que o resto do mundo.

Da janela de nosso edifício teológico, desprezamos o Deus que dança com o resto da criação. Este Deus não é monopólio de ninguém. Ele é Espírito, e o Espírito é livre para soprar e dançar onde quiser.

Além desse senso de valor próprio, os cristãos também têm nutrido um profundo senso de justiça própria.

Achamos que nossas boas obras foram capazes de nos tornar credores de Deus. Se antes, nós é que tínhamos uma dívida com Ele, agora, Ele é quem nos deve. Concluímos que nossas boas obras fazem com que o preço pago por nós seja devidamente compensado. É como se estivéssemos quites com Deus. Quanta pretensão!

Em lugar de gratidão, vaidade. Em lugar de humildade, presunção.

Até quando os cristãos desprezarão o Seu Deus? Até quando se incomodarão com o que Deus está fazendo para além dos muros eclesiásticos? Até quando censurarão e repudiarão o Deus dançarino?

Tornamo-nos como o irmão mais velho do filho pródigo. Recusamo-nos a participar da festa de arromba promovida pelo Pai por causa do filho que retornou. Só dançamos se a festa for nossa, se o baile for gospel!

O desprezo de Mical a Davi lhe rendeu esterilidade por toda a vida. Até que ponto a igreja cristã também não tem se tornado estéril em nossos dias por desprezar o que Deus está fazendo lá fora?

Só há uma maneira de reverter este quadro de esterilidade espiritual: descer de nossas torres eclesiásticas e aceitar o convite que Cristo nos faz: Quer dançar comigo?

Domingo, Maio 27, 2012

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Espiando pelas frestas da janela...











Por Hermes C. Fernandes


Um dos mais aclamados filmes de Alfred Hitchcock é "Janela Indiscreta". Lançado em 1954, o suspense gira em torno do fotógrafo profissional L.B. Jeffries está confinado em seu apartamento em Greenwich Village, Nova York, por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com uma lente tele-objetiva, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um homem matou sua mulher e escondeu o corpo. Com a ajuda de sua noiva Lisa, Jeff vai tentar provar que está certo.

Outros filmes já usaram a janela como tema e cenário. O último grande sucesso envolvendo o tema foi "Janela Secreta", baseado no bestseller de Stephen King. Estrelado por Johnny Depp, conta a história de um escrito em crise que decide isolar-se em uma cabana, mas passa a ser incomodado por um homem que o acusa de plágio.

De fato, nossa sociedade é fissurada em janelas. Até o sistema operacional de computador mais difundido no mundo é conhecido como "windows" ("janelas", em inglês).

Diferente das portas, que servem de passagem entre um ambiente e outro, as janelas nos oferecem uma vista panorâmica do mundo à nossa volta, preservando porém a nossa privacidade.

Entre as frestas das cortinas e persianas, podemos espiar, sem ser notados.

Deve-se ter cuidado com as janelas! Daniel, em seu exílio na Babilônia, abria as janelas do seu quarto para que pudesse orar voltado para Jerusalém. Porém, não podia imaginar que seus acusadores o espreitavam, aproveitando a visão proporcionada por suas janelas, buscando motivos para acusá-lo perante o rei, e assim, destituí-lo do cargo que tanto cobiçavam (Dn.6:10).

Às vezes, também serve pra fuga, como fez Paulo dentro de uma cesta, ajudado por irmãos (2 Co.11:33). Também ajuda na circulação de ar. Imagine o que seria da Arca de Noé sem uma janela!

Alguns a usam para sentar em seu parapeito, correndo o risco de cair, como aconteceu com Êutico, enquanto cochilou ouvindo a pregação de Paulo (At.20:9). Minha mãe conta que quando eu tinha 4 anos, sentei-me da janela de nosso apartamento no terceiro andar, e pra me tirar dali, ela teve que se aproximar silenciosamente para não me assustar.

Dentre todas as histórias bíblicas envolvendo janelas, nenhuma chama tanta minha atenção quanto a de Davi e Mical.

Mical era filha de Saul, antecessor e oponente de Davi. Foi usada pelo próprio pai como armadilha para enredar a Davi (1 Sm.18:20-21). O dote exigido por Saul por sua filha era de cem prepúcios de filisteus. Em vez de ser morto pelos filisteus, como esperava Saul, Davi trouxe não apenas cem, mas duzentos prepúcios.

Nenhuma mulher custou tanto a um homem! Os duzentos filisteus não perderam só o prepúcio, mas também a própria vida. Pelo menos, Mical estava apaixonada por Davi.

Numa ocasião em que seu pai intentava tirar a vida de Davi, Mical providenciou sua fuga através da janela do seu quarto (1 Sm.19:12). Tomando uma estátua, deitou-a na cama e a cobriu. Resultado: enganou o próprio pai para salvar a pele de seu amado.

Mas em vez de dizer que fizera aquilo por amor, Mical contou ao seu pai que havia sido ameaçada de morte por Davi, piorando ainda mais a situação. Parecia que entre Mical e Davi as contas estavam ajustadas. Ela lhe havia custado tanto, porém, em um momento crucial, salvou sua vida.

O tempo passou, Saul morreu, e Davi ascendeu ao trono de Israel. Uma de suas mais importantes empreitadas foi trazer de volta para Jerusalém a Arca da Aliança. Em uma procissão festiva, Davi vinha à frente do povo, dançando euforicamente.

Em vez de juntar-se à multidão naquela santa folia, Mical preferiu assistir da janela de seus aposentos, a mesma que ela usara para livrar a Davi. Se ela apenas assistisse, não haveria qualquer problema. Porém, a liberdade com que Davi dançava e louvava a Deus a incomodou. Pra ela, tudo não passava de exibicionismo.

O que, na opinião de Mical, lhe dava o direito de censurá-lo? Acredito que haja duas respostas:

1 - O senso de valor próprio - Afinal de contas, ela lhe havia custado muito caro, e isso parecia apontar para o alto valor que possuía. Muitos cristãos imaginam que o alto preço pago por Jesus pela nossa salvação revela o quão valiosos somos. E por conta disso, acham que têm o direito de sair julgando todos à sua volta. É como se ninguém mais tivesse valor tão alto. Mas a verdade é que o custo alto pago por Jesus não revela nosso valor, e sim a gravidade de nossos pecados. Quando um Juiz estabelece o valor de uma fiança, não o faz com base no valor do criminoso, mas na gravidade do seu crime. Não possuímos um valor intríssico, que nos coloque acima dos demais. O único valor que temos é o que nos foi atribuído, sem qualquer explicação, exceto o amor de Deus. Portanto, não temos o direito de julgar ninguém.

2 - O senso de justiça própria - Mical poderia imaginar que o fato de haver salvo Davi das mãos de seu pai, conferia-lhe o direito de julgá-lo. Muitas pessoas respaldam suas ações numa espécie de contabilidade, onde cada boa ação lhes dá o direito de cobrar da parte beneficiada. São motivadas sempre por interesses excusos. Quando agem como benfeitores, na verdade, estão agindo como credores.

Será que o fato de um dia haver ajudado a Davi, ou mesmo o fato de seu dote ter custado tão caro, davam-lhe o direito de desprezar e criticar seu marido?

A janela era ao mesmo tempo, o cenário e a testemunha do que ela havia feito por Davi. A mesma janela usada para ajudar, agora era usada para criticar e emitir juízo.

Ao fim da festa, "voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele, e lhe disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre um vadio qualquer" (2 Sm.6:20).
O preço pago por Mical por esta conduta indiscreta e repleto de juízo foi mais mais caro do que o preço que Davi pagou por seu dote.

O episódio se encerra com a seguinte sentença: "E Mical, filha de Saul, não teve filhos, até o dia da sua morte" (v.23).

Tal qual Mical, muitos fazem o bem a espera do momento certo para cobrar. Outros se acham no direito de nos criticar e censurar, por um dia nos ter feito algum bem. Por conta disto, muitos têm se tornado espiritualmente estéreis e infrutíferos.

Se fecharmos a janela indiscreta do preconceito, do julgamento precipitado, Deus nos abrirá as janelas dos céus, e nos derramará Suas bênçãos, tornando-nos frutíferos em toda boa obra.

Sexta-feira, Maio 25, 2012

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O que mudou em mim nesses 25 anos


Por Hermes C. Fernandes

Vinte e cinco anos se passaram desde que assumi o pastorado de minha primeira igreja. Se ainda sou o mesmo? Definitivamente, não.  Mudei. Isso é inegável. Uns quilos a mais, cabelos a menos... Não é nada disso. Quer saber em quê eu realmente mudei? Lá vai...

Primeiro, adquiri conhecimento. Ao longo deste um quarto de século, li muitos livros. Pesquisei. Estudei. Conheço a Bíblia um pouco mais hoje. Meu vocabulário aumentou. Frequentei uma faculdade de Psicologia. Recebi dois doutorados honoris causa em Escatologia e Ciência da religião. Escrevi 18 livros (entre livros e revistas de estudos).

Segundo, adquiri experiência. Foram sete igrejas pastoreadas no Brasil e uma nos Estados Unidos. Percorri vários países. Preguei em muitos congressos, cruzadas, convenções. Fui eleito bispo primaz da Igreja Reina aos 31 anos (Aliás, tudo na minha vida foi sempre precoce). Apresentei programas de TV e rádio. Participei de muitos debates. Descobri a internet...

Terceiro, conheci muita gente. Muitos conhecidos, alguns discípulos, e poucos, pouquíssimos amigos. Porém, cada um acrescentou algo em mim. Mesmo os meus desafetos (que nem são tantos assim...).

Quarto, perdi a ingenuidade. Não sou mais aquele menino que acreditava em qualquer coisa. Muitas vezes deixei-me levar pela aparência. Apostei em quem não devia apostar. Precipitei-me, não raras vezes. Mas um dia a gente cresce, e começa a encarar a vida como ela realmente é. Hoje, sou mais precavido. Meu lema é amar a todos, confiar em alguns e não fazer injustiça a ninguém.

Quinto, abandonei a presunção de que um dia eu alcançaria a perfeição. Foram muitas as camadas que tive que perfurar em minha armadura, até reencontrar a minha humanidade. Não sou candidato a anjo, muito menos a Deus.  Sou apenas um ser humano, cheio de contradições e ambiguidades, buscando cumprir o propósito da minha existência.

Julgava-me revestido da armadura de Deus, mas na verdade vestia a armadura de Saul.  Achei que seria o próximo Billy Graham. Considerava a fama como a coroação de um ministério, e queria alcançá-la a qualquer preço. Sonhava ver meu nome estampado nas manchetes dos jornais, ser cortejado por políticos, ter artistas consagrados no rol de membros da minha igreja. Hoje rio de minhas pretensões infantis. Jamais conheci alguém que se saciasse numa miragem.

Por favor, poupe-me de comparações. Não quero parecer com ninguém. Mas confio que o Espírito Santo há de concluir em mim a Sua obra, tornando-me mais parecido com Jesus.

Aprendi que minha carne não merece qualquer confiança. Por isso, procuro mantê-la com rédeas curtas. Sei da minha propensão ao orgulho. Daí a necessidade de ser confrontado com minhas inegáveis fraquezas. Ninguém precisa dar-se o trabalho de apontá-la. Eu as conheço melhor do que ninguém. Se quiser falar de mim, não se esqueça de me chamar pra conversa. Sei coisas a meu respeito que ninguém sabe. Coisas que me servem de lembrete, pra que eu jamais me envaideça, mantendo a crista sempre baixa, e dependendo da graça de Deus para continuar.

Por conta deste meu reencontro com a minha humanidade, aprendi a ser mais humilde e compassivo. Sei das minhas limitações, e as reconheço em outros seres humanos que me cercam. Não devo exigir deles o que não sou capaz de fazer. Antes, devo amá-los incondicional e despretensiosamente. Ademais, quanto menos expectativa colocamos nas pessoas, mais chance damos para que nos surpreendam.

Devo honrar os que me precederam, realçando suas qualidades, e não seus defeitos (que se parecem muito com os meus). Devo trabalhar pelos que me sucederão, sem colocar sobre os seus ombros expectativas sobre-humanas. Porém, encorajando-os a irem além.

Quanto aos meus contemporâneos, espero servi-los com os dons que Deus graciosamente concedeu-me, provendo-lhes um ambiente de aceitação e graça, sem ufanismo, rivalidade e ilusões.

Apesar de ter mudado tanto, há algo que se mantém inalterado: minha paixão. Paixão por Deus, por Seu Reino e sua justiça, pela humanidade e pela minha família. É esta paixão que me faz prosseguir sem perder as esperanças. Ela me impede de aderir ao cinismo, de encarar o púlpito como meu ganha-pão, de vender meus valores e princípios por um prato de lentilha (tenha o tempero que tiver!). Espero que o Senhor preserve em mim este sentimento até o final de minha carreira. Que a chama que um dia ardeu no coração de meu pai, possa ser transmitida para os meus filhos, netos e bisnetos. Que o sonho que nos move contagie a todos quantos nos acompanharem nesta jornada.

Por fim, faço minhas as palavras de Paulo, “que ninguém pense de mim mais do que em mim vê e de mim ouve” (2 Co.12:6b).

Christus victor, semper invictus!

Quinta-feira, Maio 24, 2012

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Deus é narcisista ou carente?




Por Hermes C. Fernandes

Um dos nomes pelos quais Deus Se apresenta nas Escrituras é El Shadday, que significa "O Auto-suficiente", isto é, "Aquele que de nada carece", ou ainda "Pleno em Si mesmo". Ora, se Ele não tem qualquer carência, por que exige que O amemos? E ainda, por que ordena que O adoremos?

Creio que nosso amor e nossa adoração não Lhe acrescentem nada. Ele é perfeito. Também não estamos servindo a um Deus que busque auto-afirmação, ou que Se contente em ser bajulado. Ele sabe exatamente quem Ele é. Então, por que Ele não ordenou apenas que amássemos aos nossos semelhantes? E por que o amor a Ele deve vir em primeiro lugar? Isso não demonstraria algum tipo de narcisismo divino? Algum capricho injustificável? Não! Não posso aceitar tal hipótese. Deve haver alguma razão plausível para isso.

Quando me apaixonei por minha esposa (já vai fazer 23 anos!), comecei a apreciar o que ela apreciava. Aos poucos, até meu gosto musical mudou. Quando amamos alguém de todo o nosso coração, passamos amar o que ele ama.

As Escrituras dizem que Deus ama a justiça e aborrece a iniqüidade (Is.61:8). E somente amando-O de todo o nosso coração, amaremos o que Ele ama, e detestaremos o que Ele detesta (Sl.97:10). Nosso coração passa a bater no compasso do coração de Deus. Não seria por isso mesmo que Davi era chamado de "Homem segundo o coração de Deus"?

E quanto à adoração? Por que devemos adorá-lO?

As mesmas Escrituras dizem que o adorador se torna semelhante ao seu ídolo (Sl.115:8). Basta verificar a tendência que nossos jovens têm de copiar seus ídolos pop.

Toda adoração começa pela contemplação e admiração. Quanto mais contemplamos a beleza de Seu caráter santo e justo, mais O admiramos. E quanto mais O admiramos, mais O adoramos, e buscamos, ainda que inconscientemente, nos assemelhar a Ele.

E quanto o louvor? Há um distinção entre louvor e adoração. Nós O adoramos pelo que Ele é, e O louvamos pelo que Ele faz. Ora, Deus não carece de elogios. O próprio Jesus afirmou que não buscava glória dos homens. Então, por que devemos louvá-lO? Para que jamais nos esqueçamos de Suas obras, e assim, permaneçamos fiéis a Ele. O que Ele fez no passado não pode cair no esquecimento, mas deve ser constantemente relembrado através de louvores e ações de graça. Ao recordarmos Sua obra, despertamos em nós a esperança de um futuro promissor. Afinal, Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Há uma continuidade em Suas obras, pois visam a execução de um propósito muito mais abrangente, que culminará na restauração de todas as coisas.

Portanto, Ele não carece de ser amado. Porém, nós que precisamos amá-lO, a fim de aprendermos a amar a justiça, e tudo quanto Ele ama: nosso semelhante, nossos inimigos, e a criação como um todo. Ele não necessita ser adorado. Porém nós necessitamos adorá-lO, a fim de nos tornarmos semelhantes a Ele. Ele não necessita ser louvado, mas nós precisamos louvá-lO, a fim de não perdermos de vista Seus maravilhosos feitos, e Suas extraordinárias promessas.

Por isso, amemos, adoremos e louvemos ao nosso Deus, de todo o nosso coração, de todo nosso entendimento, e com todas as nossas forças.

Quarta-feira, Maio 23, 2012

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Não basta criticar... temos que orar.



Por Hermes C. Fernandes

“Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda piedade e honestidade.” Paulo em 1 Timóteo 2:1-2

Parece que eu posso ouvir o apóstolo Paulo alterando o seu tom de voz, para tornar enfática a sua exortação. Se quisermos ter uma vida sossegada, tranqüila, precisamos gastar mais tempo diante do Trono, intercedendo por aqueles em quem Deus tem investido autoridade. Não se trata aqui de algo banal, ou de importância secundária. Paulo tratou disso como prioridade para o povo de Deus. “Antes de tudo”, troveja Paulo. Qualquer medida adotada por eles pode afetar em cheio nossa vida e das pessoas que amamos.

Quem é que cumpre à risca esse mandamento hoje em dia? Quem é que está preocupado em orar pelos governantes de nossa pátria? Poucos são os que se entregam a tão honrosa atividade. É mais fácil criticar, caluniar, difamar, do que simplesmente orar.

É claro que, no exercício de nossa cidadania, temos o direito de criticar, discordar, e até protestar contra alguma arbitrariedade, ou injustiça praticada por nossos governantes. Porém, precisamos exercer também a nossa cidadania celestial, orando por eles, para que Deus lhes conceda a sabedoria necessária para cumprir a contento o seu mandato.

Convém lembrar que as autoridades constituídas, quer sejam crentes ou não, são ministros de Deus (Rm.13:1-7). É Deus quem as constitui, como também é Ele quem as depõe.

Devemos orar para que homens de bem sejam elevados à posição de destaque dentro do cenário político brasileiro. Precisamos ter gente comprometida com os valores do Reino de Deus ocupando lugares não apenas no poder executivo, mas também no legislativo e no judiciário. Não me refiro a crentes, mas a pessoas que, independente de seu credo, vivam a práxis da justiça e da verdade.

Que Deus levante homens e mulheres como José, Daniel, Moisés, Ester, Débora, Gideão, e tantos outros, para conduzir nosso país a um tempo de paz, prosperidade e desenvolvimento.

Não podemos deixar de orar também pelas autoridades médicas e científicas; sobretudo, por aqueles que estão envolvidos em pesquisas de novos remédios para o combate ao câncer, a Aids e a outras pestes que assolam a humanidade. Muitas das novas descobertas científicas surgem por insight. Depois de anos de pesquisa, de repente, alguém tem uma idéia genial, e resolve fazer experimentos em laboratório, até concluir que aquele insight era o que faltava. Estou certo de que é o próprio Deus, que pela Sua graça comum, assopra aos ouvidos dos cientistas, para que encontrem as respostas que buscam.

Oremos também pelas autoridades militares que velam pela manutenção da paz , e pela soberania do estado brasileiro.

Oremos por aqueles que tem nas mãos o que hoje é chamado de “o quarto poder”: a mídia. Os donos de concessões de televisão, de revistas, jornais, sites, como também os jornalistas, os apresentadores de TV, os radialistas, os escritores seculares, os autores de filmes e novelas, os formadores de opinião em geral, devem figurar na pauta de nossas orações.

E por fim, jamais deixemos de rogar a Deus em favor das autoridades eclesiásticas. Cada pastor, bispo, sacerdote, deve ser alvo de nossas constantes orações. Mesmo que discordemos de alguns deles em sua doutrina, ou na ênfase de seus ministérios, não temos o direito de agirmos com negligência, deixando de orar para que Deus os ilumine o entendimento, e lhes conduza pelas veredas da justiça e da verdade (Col.4:3).

Terça-feira, Maio 22, 2012

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Devo, não nego...



Esta semana completo 25 anos de ministério pastoral. No dia 26 de Maio de 1987, assumi interinamente a direção da Igreja no Bairro do Engenho Novo, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Fazendo uma retrospectiva, vejo o quanto valeu a pena. Apesar do desgaste, tanto físico, quanto emocional, sinto-me renovado, de maneira que faço minhas as palavras de Calebe a Josué: Qual era a minha força então, tal é minha força hoje.

Sou devedor tanto dos que me incentivaram, quanto dos que me criticaram. Sou devedor tanto dos genuínos amigos, que até hoje caminham comigo, quanto daqueles que se aproximaram apenas com a intenção de se beneficiarem, e que hoje, optaram por me deixar.

Reconheço minha dívida! Sem meus aliados e opositores, jamais teria sobrevivido.

Sou devedor dos que me antecederam, preparando-me o caminho. Daqueles sobre cujos ombros posso enxergar melhor o que está por vir.

Sou devedor dos meus contemporâneos, pois são testemunhas do meu caminhar.

Sou devedor dos que me sucederão, das próximas gerações, dos que hão de dar continuidade ao meu legado. É para eles que existo.

E sobretudo, sou devedor d'Aquele que me tem sustentado com Sua graça e sabedoria. Daquele que sanou minha dívida de pecado, e me fez contrair uma dívida eterna de gratidão.

Domingo, Maio 20, 2012

7

Carta aberta a Xuxa Meneghel (vítima de abusos sexuais na infância)



Xuxa, mais uma vez você nos surpreendeu. Desta vez, não pelo seu carisma incontestável, mas pela sua coragem em revelar em rede nacional o drama vivido em sua infância. Você deu voz a milhares de crianças que têm sofrido abusos. São baixinhos indefesos, que crescerão levando na alma feridas profundas que jamais se cicatrizarão. A maioria sofre calada, com medo de ser mal-interpretada, julgada e até castigada. Muitas delas sofrem abusos perpetrados pelos próprios pais, tios, primos e parentes próximos. É muito triste.

Mas você mostrou que é possível superar isso. Você é o exemplo de quem deu a volta por cima, e agora, usa sua influência para denunciar um dos maiores pecados de nossa sociedade.

Choramos juntos contigo, Xuxa. Sentimos um pouco da sua dor. Comovemo-nos diante da sua fragilidade. Não se preocupe com a repercussão deste depoimento. Quem já lhe admirava, passou a lhe admirar muito mais. Sua biografia foi dramaticamente enriquecida. Muitos além do entretenimento, hoje você nos brindou com uma lição de vida

Talvez você tenha se perguntado muitas vezes a razão de Deus ter permitido tudo isso. Mas acho que você já sabe a resposta.

Há uma passagem da Bíblia em que o apóstolo São Paulo diz que todas as aflições pelas quais passamos, habilitam-nos a consolar os que por elas igualmente passam. Eu sempre percebi que você era muito mais do que uma animadora de auditório, ou uma estrela da TV. Bastava prestar atenção nos seus olhos, no seu sorriso, para se dar conta da empatia entre você e seu público. Todos lhe chamam “rainha”, mas no fundo percebem que você é um dos nossos. Você é de carne, osso e lágrimas. Não é uma deusa. Nem um ídolo. Mas um ser humano, cujo coração for enternecido pelo amor, e cujo caráter foi forjado pelo sofrimento, amores e desamores, alegrias e frustrações. Hoje o Brasil descobriu que Maria da Graça Meneghel é um ser humano muito maior do que a personagem que aprendemos a amar nas últimas três décadas.

A propósito, obrigado por ter divertido meus filhos por tantos anos. Por alegrar nossas manhãs e tardes. Mas sobretudo, obrigado por expor-se desta maneira, dando-nos esperança de que nem tudo está perdido. Vítimas não precisam necessariamente fazer outras vítimas. O ciclo pode ser quebrado. O amor é infinitamente mais forte que qualquer terror que nos tenha sido imposto.

Que o mesmo Deus que, sem chamar atenção, tem lhe conduzido ao longo de sua vida, possa tomar-lhe pelas mãos e guiá-la nesta nova etapa que só está iniciando.

De um ex-colega do Colégio Itu em Bento Ribeiro,

Hermes C. Fernandes

* Espero que tenha conseguido um tempinho para ler meu livro "Amor Radical", que enviei-lhe recentemente.