segunda-feira, setembro 22, 2014

13

Jogue o legalismo no lixo!



Por Hermes C. Fernandes

Imagina uma criança que acaba de nascer. Ao ser retirada do ventre de sua mãe, a placenta que a protegeu por nove meses também é removida. Uma vez cumprido o seu papel, ela vai parar no lixo, junto com o cordão umbilical através do qual a criança se alimentava.  Depois de limpa do líquido amniótico, a criança é embalada numa manta e colocada num confortável berço. É claro que nada se compara ao ambiente acolhedor do ventre materno. Mas este tempo não voltará jamais. É hora de enfrentar o mundo externo e se preparar para crescer.

Digamos que algum desavisado resolva resgatar a placenta da lixeira para reaproveitá-la. Tal atitude poderia ser considerada sensata? Obviamente que não. Imagine, ainda, se esta pessoa resolvesse levar a placenta para casa e criá-la como se fosse a própria criança. Isso seria o cúmulo do absurdo, concorda?

E se esta pessoa começasse a criticar a mãe que depositou o recém-nascido no berço?
- Que vergonha! Desprezando a placenta que foi tão útil... Como ela poderia ser tão ingrata? Como pode trocar algo natural, acolhedor, protetor, por algo artificial? Essa mãe está muito moderninha para o meu gosto.
É claro que ninguém em sã consciência pensaria desta maneira. Todavia, tem sido assim que muitos têm se portado com relação às estruturas, estratégias e modelos eclesiásticos.

De um tempo para cá, tenho sido duramente criticado por posturas consideradas pós-modernas. Há até quem faça aquele comentário maldoso, do tipo, “já não se faz pastores como antigamente”. Tomando emprestada uma fala de Ed René Kivitz, não se faz pastores como antigamente, pelo simples fato de já não se fazer pastores PARA antigamente.  

Modelos servem como placentas. Depois de cumpridos o seu papel, devem ser descartados. Não devemos fidelidade a tais estruturas, mas a Deus somente e aos Seus propósitos.

A igreja dos Gálatas estava voltando à lixeira em busca de placenta e do cordão umbilical; trocaram a graça genuína pelos ritos ultrapassados exigidos pela Lei Mosaica.

Infelizmente, muitos pararam no tempo, tornando-se reféns de um saudosismo nada saudável. Tiraram o foco da criança recém-nascida para a placenta que já não serve para nada. Criam a placenta, enquanto lançam a criança no lixo.

Não se pode querer criar a criança juntamente com a placenta, assim como não se pode conciliar a liberdade da graça com as demandas da Lei. O máximo que a Lei oferece ao pássaro enjaulado é um passeio matinal, mas sem sair da gaiola. Isso, quando não corta as suas asas. A graça abre a gaiola e convida o pássaro a voar. Tenho percebido, por parte de algumas denominações, um empenho de conciliar uma coisa à outra. Algumas parecem tão descoladas no formato, na linguagem, mas escondem por trás disso o mesmo veneno legalista. Tudo não passa de uma passeio sem sair da gaiola. 

Depois de conhecer o gostinho da liberdade, nunca mais o pássaro quer saber de viver engaiolado. Não faria sentido armar um alçapão para tentar capturá-lo novamente. É isso que fazemos quando recorremos a expedientes que são contrários ao espírito da graça. É o mesmo que tentar misturar água e óleo. Se você experimentou a liberdade da graça, redobre os seus cuidados com os alçapões. Querem lhe recapturar! Fique esperto!

Paulo denuncia alguns que se infiltraram no meio da igreja para espionar a liberdade que os irmãos tinham em Cristo e os reduzir à escravidão. O apóstolo dos gentios declara que em momento algum submeteu-se a eles para que isso não comprometesse a integridade do evangelho (Gl.2:4-5).

Em sua epístola aos Colossenses, ele reage duramente ao assédio destes porta-vozes do legalismo:
"Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo (...) Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados (...) Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão (...) Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." Colossenses 2:8, 14-16, 18, 20-23
Ou somos frios ou quentes. Ou vivemos sob a égide da graça ou nos rendemos à opressão da Lei. Deus não tolera mornidão.

Sempre estive ciente dos riscos envolvidos. Porém, prefiro corrê-los a viver aquém daquilo que me tem sido revelado.  Como disse Soren Kierkegaard, "ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se.”

Deixe a placenta na lixeira. Ela já não tem préstimo algum. Já, já, vai começar a cheirar mal. Esqueçamos das coisas que ficaram para trás e avancemos para as que estão diante de nós. Da mesma maneira como descartamos a placenta, vai chegar a hora de aposentarmos o berço, e pouco mais adiante, trocaremos a mamadeira por talheres, as fraudas por roupas cujos números serão alterados ano após ano, até que cheguemos à estatura de perfeita varonilidade.

Deixando de lado o rock, apelo a um conhecido enredo de samba:

"Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!" E que ninguém se atreva a querer cortá-las...

Prefiro a vertigem que a liberdade provoca ao insuportável jugo da Lei.

sexta-feira, setembro 19, 2014

1

Jesus visita o templo no dia das eleições



Por Hermes C. Fernandes

Era um domingo como outro qualquer. O Nazareno se dirigia ao templo em Jerusalém montado num jumentinho tomado emprestado por seus discípulos. Apesar do clima festivo, havia uma tensão no ar. Incólume, Jesus adentrava os portões da cidade sem chamar atenção. Em vez de um tapete improvisado de mantos para recebê-lo, um tapete de ‘santinhos’ de candidatos forravam a estrada. Em vez de palmas para saudá-lo, bandeiras e cartazes exibindo sorrisos falsos de quem disputava os votos da sofrida população da Judeia. Uns gritavam: Herodes! Este é o homem que reconstruiu o templo e vai nos restituir a glória roubada! Outros bradavam: Pilatos!  Pilatos! O homem das mãos limpas!

Indiferente ao que acontecia, Jesus seguia em Sua marcha rumo ao templo. Afinal, aquilo era apenas uma demonstração de democracia. Mas ao chegar lá, tem uma desagradável surpresa. O pátio do templo estava tomado de cabos eleitorais de ambos os candidatos. Até os sacerdotes se prestavam a gritar o nome de seu candidato, ameaçando seus fiéis, caso não votassem naquele que seria o escolhido por Deus para defender os valores da família.

Um deles, ligado ao partido dos saduceus, dizia exaltado:

- Como vocês poderiam votar em alguém como Herodes? Vocês se esqueceram da matança dos inocentes patrocinada por seu pai? Tal pai, tal filho. Não é porque reformou o templo que deve merecer nosso voto. É melhor confiar num romano de mãos limpas, alguém que esteja 100% em sintonia com César e vai destinar mais recursos para Jerusalém. Herodes não passa de um rei postiço. Além de ser um adúltero que tomou a esposa do próprio irmão, ele vai legalizar o aborto, tirar os soldados romanos das ruas, facilitando a ação de ladrões e assaltantes. Nossa cidade vai se transformar num caos.

Outro ligado aos fariseus vociferava:

- Pilatos, aquele enrustido, não merece nosso voto. Ele vai trazer os bacanais romanos para Jerusalém. Vai encher nossa cidade de eunucos. Antes dele, não havia tanta prostituição em nossas ruas. Herodes vai defender a família. Não deem ouvidos às calúnias que espalham por aí. Olhem ao redor! Reparem na suntuosidade deste templo. Nem no tempo de Salomão, ele foi tão luxuoso. Uma das sete maravilhas do mundo! Devemos isso a Herodes! Além do mais, Pilatos vai aumentar os impostos e coibir qualquer manifestação popular.

Descendo do jumentinho, Jesus muniu-se de um chicote e saiu em direção ao pátio, derrubando mesas, dispersando os cabos eleitorais e bradando:

- A minha casa é casa de oração. Como se atrevem a transformá-la num curral eleitoral? Estendam suas bandeiras lá fora. Discursem nas praças e mercados, mas não usem minha casa como palanque.


Herodes que já se dirigia ao templo para discursar, vendo a confusão, deu meia-volta e retornou para o palácio. Pilatos, ao tomar conhecimento do ocorrido, nutriu grande respeito pelo rabino da Galileia. Já os sacerdotes começaram a tramar uma maneira de calar aquela voz incômoda que denunciava sua ganância e interesses mesquinhos. Diziam entre si: - Quem aquele defensorzinho de prostitutas pensa que é? Ele vai se arrepender de ter atravessado o nosso caminho. 


terça-feira, setembro 16, 2014

45

A vergonhosa indústria gospel de boatos




Por Hermes C. Fernandes

É constrangedor constatar a que ponto o arraial gospel brasileiro chegou. Os que se dizem portadores da verdade libertadora do evangelho agora recorrem à mentira deslavada para assegurar a eleição de seus candidatos no próximo pleito.

No início desta semana, surgiu a notícia de que uma mãe teria confessado ser lésbica e amante de sua própria filha. Isso se alastrou como fogo em capim seco. A cada vez que a notícia fake era compartilhada, comentários do tipo "isso é o fim do mundo" vinham acompanhados de mensagens de apelo para que a igreja se manifestasse contrária a esta deturpação da família apoiando candidatos evangélicos, arautos dos valores familiares. 

Logo que li a notícia, tive a impressão que se tratava de mais um boato, mas preferi não me manifestar. Até que hoje chegou-me outro artigo revelando que a notícia se tratava mesmo de um hoax. 

Mesmo compartilhando a informação, sei que será impossível desfazer o mal que esta mentira causou, divulgando inclusive a foto de mãe e filha que nada têm a ver com isso. 

Outra notícia fake que se alastrou pela internet afirmava que durante entrevista à rádio CBN, o deputado federal Jean Wyllys, desafeto dos ilustres deputados da bancada evangélica, teria afirmado que a pedofilia teria papel fundamental no desenvolvimento sexual da criança. Ele teria dito em cadeia nacional de rádio: “Precisamos abrir nossas mentes. O pedófilo pode ter papel fundamental no desenvolvimento sexual do menino, ensinando uma sexualidade sadia e livre de preconceitos. A etimologia da palavra pedófilo em grego quer dizer ‘Amigo da criança.”

Obviamente, o texto gerou revolta entre as pessoas mais conservadoras. No período em que houve uma grande disputa entre Wyllys e o deputado Marco Feliciano dentro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), o boato ganhou força avassaladora.

A própria CBN veio a público denunciar a calúnia que vem circulando nas redes sociais contra o deputado do PSOL. Segundo a emissora, tal declaração nunca foi feita na CBN.

O referido deputado também negou que tenha dado tal declaração, e afirmou tratar-se de uma campanha difamatória contra ele. 

Não é a primeira vez que o deputado enfrenta uma onda de difamações como esta. Além de ser acusado de apoiar a pedofilia, é possível encontrar textos afirmando que Wyllys teria dito que cristãos são doentes, que a Bíblia é uma piada, entre outras acusações.

O fato de discordarmos do posicionamento de alguém não nos confere o direito de difamá-lo. A verdade jamais precisou recorrer à mentira. Aliás, segundo Jesus, o pai da mentira é ninguém menos que o diabo. Portanto, quem assim procede faz-se filho do dito cujo. 

Antes de compartilhar algo em suas redes sociais, procure saber as fontes. Mesmo que tenha sido divulgado por algum grande canal, não significa que seja verdadeiro.

Será que Jesus espalharia boatos contra Herodes e Pilatos para fazer prevalecer a verdade do evangelho?

12

Em seus passos em quem votaria Jesus?



Confesso que passei este período eleitoral quase que inteiramente evitando tocar no ponto nevrálgico chamado POLÍTICA...confesso que tentei, mas não consegui! Foi mais forte do que eu e preciso expressar em poucas (se possível) e neutras linhas (será possível?) um pouco do que vislumbram meus olhos e meu coração.

Ouvi alguém dizer que para política, religião e futebol não é necessário utilizar a razão e sim a paixão. Será mesmo?

Em relação à questão religião já ensaiei alguma coisa aqui no blog, quanto à questão futebolística me divirto muito, adoro implicar com qualquer um que não seja são paulino, adoro deixar alguns ardorosos torcedores irritados e nervosos (sim, às vezes eu provoco além da medida – sou ré confessa dessa prática), mas quanto à política, realmente me sinto pisando em ovos.

Creio que podemos e devemos ser pessoas informadas, a alienação política é um dos grandes causadores desse caos que hoje chamamos de GOVERNO em nosso país.

Já disse Platão:
“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política. Simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”
 Em meio a essa corrida insana dos últimos dias de campanha eleitoral, vendo pastores utilizando suas ovelhas como massa de manobra e curral eleitoral, vendo a demonização de um único partido (do qual não sou filiada e muito menos simpatizante nos dias de hoje), enfim, vendo tanto lixo sendo dito e defendido em nome Dele, deparei-me com a seguinte questão: o que Jesus faria como eleitor brasileiro, em quem votaria? Comecei a divagar sobre o tema, com medo de me aprofundar, com medo de também demonizar, com medo de escrever muita besteira (talvez cometa todos esses erros, afinal de contas, o post ainda não chegou ao fim...) 

Mas enfim, tentarei ir ao cerne da questão: como Jesus se comportaria numa eleição? Você pode argumentar: “Roberta, não há como saber... Cristo não vivenciou um regime democrático.”. Sim, isto é fato público e notório. O mesmo viveu em meio ao domínio do Império Romano. 

Temos, então, uma questão a ser debatida: Jesus vivia debaixo do domínio político e econômico de Roma, os primeiros cristãos também viveram tal domínio e, sejamos francos, já ouve em toda história maior iniquidade institucionalizada do que o deslumbrante e cruel Império Romano? Aquilo que dizem que acontecerá em nosso país, caso o partido “X” se perpetue no poder, seria fichinha diante daquilo vivenciado por Cristo e seus discípulos em sua contemporaneidade. 

 Me pergunto e te pergunto: O evangelho deixou de florescer? Os planos de Deus foram frustrados porque “A” ou “B” estavam governando? 

Parece uma interrogação simplista e que leva a um comportamento alienante, mas na verdade quero deixar explícito que o cerne da nossa fé não deve estar baseado em quem está governando, pois o poder está na verdade do evangelho [Rm 1:16] e não em nenhuma estrutura humana. Muitas vezes a intervenção do homem é mais maléfica do que beneficiante, que nos diga o “apoio” de Constantino instituindo o cristianismo como religião oficial do Império Romano, e introduzindo tantas deturpações na essência do caminhar cristão. 

Ouso questionar: será a intenção de alguns transformar o país num grande gueto gospel? Será essa a razão dessa caça às bruxas sem muita reflexão e seriedade? 

Não vejo Jesus incitando seus seguidores a tomarem pontos estratégicos de poder no governo de sua época, não que isso seja pecado ou proibido, podemos e devemos ocupar lugares de projeção nos mais diversos setores da sociedade, desde que sejamos VOCACIONADOS para tal projeto e não com o intuito de praticar proselitismo e defender interesses de uma parcela da população. 

Pelo pouco que compreendo da mensagem do evangelho: o Reino deve ser anunciado a TODOS, que venha o Teu Reino [Lc. 11:2], assim Jesus nos ensinou. Que venha o Reino que é Dele e que também é nosso sobre TODOS os setores de nossas vidas e sociedade. 

Mas voltando à pergunta inicial: em seus passos, em quem votaria Jesus? Sinceramente, não sei te responder. Mas posso afirmar que o Jesus com o qual caminho e a quem busco conhecer diariamente respeita a individualidade e nos deu uma palavra que é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho [Sl 119:105]. Além disso, suas palavras são de que estaria conosco todos os dias, até a consumação dos séculos [Mt 28:20] e isto inclui dias de eleições também. 

Tendo Jesus como companhia e sua palavra como guia, creio que estou habilitada a fazer escolhas sensatas. Simples assim? Sim...pelo menos acho que seja assim. 

 Desejosa por andar na verdade, 

 Roberta Lima (Via Meninas do Reino)

sexta-feira, setembro 12, 2014

0

Neurocientistas afirmam que é possível reescrever más lembranças



As emoções relacionadas a lembranças podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado pareçam melhores, e coisas boas pareçam piores, descobriram cientistas do Japão e dos Estados Unidos, que deram detalhes de seu estudo em artigo publicado nesta quarta-feira (27) na revista científica britânica Nature.

De acordo com eles, a descoberta do mecanismo por trás do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doenças mentais, como a depressão ou o Distúrbio de Estresse Pós-traumático (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiquiátrico.

“Estas descobertas validam o sucesso da psicoterapia atual, ao revelarem seu mecanismo subjacente”, explicou à AFP, em Tóquio, o chefe das pesquisas, Susumu Tonegawa.

A equipe de cientistas, formada a partir de uma colaboração entre o Instituto RIKEN, do Japão, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, usaram a optogenética – uma nova técnica de controle cerebral que usa a luz – para compreender melhor o que acontece quando pensamos no passado.

Eles descobriram que sentimentos acolhedores ou de medo intenso, provocados pela interação entre o hipocampo – o ‘confessionário’ do cérebro – e a amígdala – o local onde seria codificada a positividade ou a negatividade – são mais flexíveis do que se pensava. “Depende da intensidade da prevalência (do aspecto bom ou ruim). Há uma competição entre as duas forças de conexão dos circuitos”, explicou Tonegawa.

Os cientistas injetaram em dois grupos de camundongos machos proteínas de uma alga sensível à luz, permitindo a eles identificar a formação de uma nova memória na medida em que acontecia e, com isso, usar pulsos de luz para reativá-la quando quisessem. Eles permitiram a um grupo de roedores brincar com as fêmeas, criando uma memória positiva. O outro grupo levou um pequeno, porém desagradável, choque elétrico no chão.

Em seguida, os cientistas reativaram artificialmente a memória, usando os pulsos de luz, efetivamente fazendo os roedores se lembrarem do que tinha acontecido com eles.

Enquanto os ratinhos “lembravam” o evento, eles vivenciavam a experiência oposta: as cobaias com a memória positiva levavam um choque, enquanto aqueles com a memória dolorosa eram conduzidos a fêmeas.

Tonegawa explicou que sua equipe descobriu que a emoção da nova experiência subjugou a emoção original, reescrevendo a forma como o animal se sentiu a respeito.

Os cientistas esperam que suas descobertas possam abrir novas possibilidades para tratar distúrbios do humor, como depressão ou estresse pós-traumático, uma condição mais presente em determinados segmentos da sociedade, como os militares, em que as pessoas vivenciaram eventos particularmente trágicos ou de risco de morte.

“No futuro, eu gostaria de pensar que, com a nova tecnologia, seremos capazes de controlar os neurônios no cérebro sem fios e sem ferramentas intrusivas, como os eletrodos”, disse Tonegawa, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1987. “Poderíamos fazer prevalecer as lembranças boas sobre as ruins”, afirmou.

Em um comentário também publicado na Nature, os cientistas especializados em cognição Tomonori Takeuchi e Richard Morris, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, disseram que o estudo representa uma inovação na exploração de mecanismos da memória, embora a optogenética tenha limitações como uma ferramenta para fazer isso.

“Mas a engenharia molecular está lançando luz sobre nossa compreensão das redes de memória fisiológica subjacente”, escreveram.

Via "A arte de amadurecer"

O que a Neurociência descobre agora, o Evangelho já anuncia desde seus primórdios. Nem sequer há a necessidade de uma intervenção artificial, bastando tão somente que se experimente o que os apóstolos chamaram de metanoia (traduzida em nossas Bíblias como "Arrependimento"). Metanoia é muito mais do que sentir tristeza pelo que fez ou deixou de fazer. Trata-se de ressignificar a própria vida, isto é, atribuir novos significados a eventos passados, e acenar para o futuro com a firme disposição de fazer diferente. 

quinta-feira, setembro 11, 2014

0

O Doador de Memórias - Um filme para não esquecer




Por Hermes C. Fernandes


O Doador de Memórias (The Giver) é um filme de ficção científica e drama, dirigido por Phillip Noyce e produzido pela Walden Media. O filme é estrelado por Brenton Thwaites, Meryl Streep, Jeff Bridges e Taylor Swift. É baseado no livro homônimo da escritora norte-americana Lois Lowry.

Engana-se quem pensa tratar-se de mais um desses filmes adolescentes do tipo "Jogo Vorazes" e "Divergente". Não vá em busca de muita ação e romance, você poderá se decepcionar. Trata-se de um drama de aspirações filosóficas complexas, onde o papel do Estado é questionado, nossa visão de mundo é posta em xeque.

Uma pequena comunidade vive em um mundo aparentemente ideal, sem doenças, guerras, racismo, tristezas, mas também sem sentimentos. Cada membro desta comunidade, depois de exaustivamente observado pelos anciãos desde seu nascimento, ao completar certa idade, é encarregado de uma função específica de acordo com a vocação revelada em sua trajetória. As pessoas atuam na profissão escolhida pelos anciãos, não fazem sexo (os bebês são criados artificialmente) e moram num mundo literalmente em preto e branco. Para complicar ainda mais a situação, os habitantes não têm memórias, portanto, desconhecem sua própria história. Apenas uma pessoa é encarregada de armazenar as memórias coletivas, de forma a poupar os demais habitantes do sofrimento e guiá-los com sabedoria. De tempos em tempos esta tarefa muda de mãos e desta vez, o jovem Jonas foi o escolhido para a árdua tarefa, e precisará passar por um duro treinamento, apesar do espírito rebelde e contrário ao sistema. Curioso, Jonas acaba por descobrir que algo ocorreu no passado para que o mundo se tornasse nessa falsa utopia, e uma verdadeira distopia.

O jovem constata que toda aquela aparente harmonia é fruto da ignorância. As pessoas nem sequer são capazes de enxergar as cores, sendo privados de sentimentos comuns à humanidade. Todos os dias, assim que acordam, submetem-se a um medicamento convencidas de que estão sendo poupados de todo e qualquer sofrimento. Diferentemente de outros filmes de ficção, "O Doador de Memórias" não tem propriamente vilões, mas apenas pessoas convencidas de quem suas decisões, apesar de questionáveis, visam o melhor para a comunidade.

Definitivamente, não é uma película para nos fazer saltar da cadeira tomados de fortes emoções. Até há momentos bem emocionantes, porém, o mérito dele é nos fazer refletir. Somos levados a pensar sobre o mundo em que vivemos e o mundo que queremos. Será que é nessa direção que estamos caminhando? Será que o preço pela harmonia é a nossa liberdade? Teremos que abdicar daquilo que nos torna humanos?

Muitos dos elementos apresentados no filme já são incipientes em nossos dias. Não perdemos a memória, todavia, somos constantemente expostos à versão da história contada pelos vencedores. Portanto, trata-se de uma memória fake. Nem tudo é como nos contaram. De quê, afinal, estamos sendo poupados? E de quê jamais deveríamos ser privados?

Tal qual na trama cinematográfica, tornamo-nos daltônicos, ao menos, metaforicamente. Enxergamos a vida com a cores que nos são permitidas ver. A liberdade que tanto prezamos não passa de um embuste, pois somos condicionados a dar sempre as mesmas respostas. Tornamos-nos desconcertantemente previsíveis. E nem nos damos conta de quanto isso dói. Estamos, por assim dizer, anestesiados. 

A droga que nos prescreveram é-nos ministrada diuturnamente, quer pela mídia, quer pela religião, ou mesmo pelas instituições de ensino.

E quando alguém ousa romper com os padrões, apontando-nos cores que ainda não logramos ver, logo o tachamos de herege ou coisa bem pior. 

Interessante que uma das primeiras coisas cuja cor foi vislumbrada por Jonas foi uma maçã, fruto geralmente associado àquilo que em teologia chamamos de "A Queda". O fruto que prometia abrir nossos olhos, cegou-nos. A promessa de que seríamos como Deus mostrou-se falsa. A vida desbotou-se de seu colorido original. 

Na conversa travada entre o tutor de Jonas, aquele que lhe transmitiria do dom das memórias perdidas, e a principal anciã, zelosa pela manutenção do status quo, ele lhe apresenta a tríade paulina das coisas mais importantes de que jamais poderíamos abrir mão: a fé, a esperança e o amor.  Sem estes elementos, o mundo perde não apenas suas cores, mas também seus sabores, seus odores, sua essência. 

Posso enxergar em Jonas um tipo de Cristo, o rebelde que nos conclama a romper com a distopia imposta pelo sistema e avançar para além de suas fronteiras, vislumbrando e desbravando a utopia do reino de Deus.

Um mundo indolor, da maneira como tem sido sonhado por muitos, também seria um mundo incolor, inodoro, insosso, enfim, completamente sem graça. Mas não exatamente isso que encerra a utopia do reino? Deixe-me explicar: Só há duas maneiras de ser poupado da dor: ser curado daquilo que a provoca ou simplesmente perder a sensibilidade. A proposta do reino de Deus pode ser resumida na promessa de que "Deus limpará dos olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap.21:4). Não seremos poupados da dor pela via da perda da sensibilidade, do anestesiamento, mas pelo fato de que tudo o que a provoca terá sido definitivamente banido de nosso mundo. E quando diz que não haverá lembrança das coisas passadas, não se trata de uma amnésia coletiva, e sim de que nossa memória teria sido curada dor. Uma vez compreendendo os propósitos por trás dos fatos, mesmo os mais dolorosos, sua lembrança já não nos perturbará. Se os registros de nossa mente fossem apagados, não haveria razão para expressarmos nossas ações de graça Àquele que nos conduziu desde nosso doloroso parto até a glória definitiva.

É este mesmo Cristo, a quem o profeta se refere como "homem de dores" (Is.53:3), que recusou tomar a mistura oferecida pelos soldados romanos que visava amenizar sua dor. A dor, afinal, é não uma maldição, mas uma bênção, porquanto nos alerte de que algo esteja errado em nosso organismo. Da mesma forma, nossas memórias são uma bênção, desde que nos sirvam de mestre e não de carcereiro e algoz. 

quarta-feira, setembro 10, 2014

44

Cristãos em defesa dos homossexuais





Por Hermes C. Fernandes

Ficou escandalizado com o título do artigo? 


Pois muito mais escandalizados ficaram os detratores daquela mulher pega em flagrante adultério, ao serem desarmados pela pergunta de Jesus. 

Que Deus é contrário ao adultério, não pode haver qualquer dúvida. Ele corrompe relações, destrói lares, e de quebra, destroça a alma. Jamais encontraremos Jesus dizendo uma só palavra em apoio a este tão danoso pecado. Entretanto, lá estava Ele, se entrometendo em questão alheia, em defesa de uma adúltera. 

Seu argumento foi imbatível: Quem não tivesse pecado, que se atrevesse a atirar a primeira pedra. Não duvido que alguns dos que se dispunham a executá-la sumariamente, haviam tido caso com ela. Talvez, o  que os motivasse fosse uma espécie de “queima de arquivo”. Outros nem sequer a conheciam, mas em nome da moral e dos bons costumes, muniram-se de pedras. Todos, porém, tinham algo em comum: o pecado. Nem todos eram adúlteros, mas alguns eram corruptos, outros difamadores, alguns mentirosos, outros dissimuladores, e por aí vai… Jesus os desmontou! 

Mas será que valia a pena expor-se daquela maneira por uma despudorada? 

A bem da verdade, Jesus nunca se preocupou com a opinião pública. Se fosse hoje, alguém o classificaria de liberal, ou coisa semelhante. Do ponto de vista do marketing, defender aquela mulher era cometer suicídio. Sua popularidade cairia. Sua moral seria questionada. Sua imagem maculada. 

Às favas com a imagem! Muito maior valor tinha aquela vida! 

E se fosse hoje? Se Jesus flagrasse um homossexual prestes a ser linchado, Ele igualmente o defenderia? Os ‘puritanos’ dirão que não! 

Bicha tem mesmo é que morrer!” Dá para acreditar que já ouvi isso da boca de gente que diz servir a Deus? Defendemos o direito dos fetos à vida, mas somos insensíveis ao ponto de não defendermos o mesmo direito para os homossexuais. Em vez disso, preferimos nos entrincheirar contra a comunidade gay, apontando o seu pecado, e nos fazendo seu inimigo número 1. Há, inclusive, razões políticas para isso. Boa parte dos deputados que formam a bancada evangélica foi eleita em cima da “ameaça” do que eles chamam de ditadura homossexual. 

Enquanto isso, o número de homossexuais assassinados em nossas cidades cresce drasticamente. Será que um ativista gay pararia pra ouvir nossa mensagem, enquanto nos posicionamos contra suas reivindicações? 

Não estou aqui afirmando que tais reivindicações sejam justas ou não. Caberá à sociedade com um todo julgá-las. Mas talvez, se fizéssemos manifestações que denunciassem a violência sofrida por eles, ganharíamos seu coração, e assim, eles se disporiam a nos ouvir. 

Semelhante àquela mulher adúltera, os homossexuais já têm muitos acusadores. Que nos posicionemos ao lado de Jesus para defendê-los, em vez de ao lado de seus detratores para persegui-los! 

Não estou, com isso, endossando qualquer estilo de vida promíscuo, tão nocivo à dignidade e saúde humanas. Assim como Jesus não endossou o adultério. Pecado é pecado, e ponto. Não há o que negociar. Porém, quem estabeleceu uma hierarquia para os pecados foi a religião, não Jesus. A prática homossexual é tão pecaminosa quanto mentir ao declarar seu imposto de renda. Antes de apedrejá-los, pense nisso. 

O que os gays precisam é de alguém que os ame, os acolha, em vez de acusá-los e rechaçá-los. 

Creiam-me. Longe de mim querer parecer politicamente correto ou mesmo promover algum tipo de proselitismo. 

Possivelmente este artigo desagradará tanto a gregos, quanto a troianos. Porém, minha consciência se tranquiliza por saber que estou saindo em defesa da vida, e não de uma prática ou de uma agenda política. 

Não posso me calar enquanto a cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil por conta de sua opção sexual. Ora, se a prática homossexual é pecado, a homofobia também o é.