sexta-feira, abril 18, 2014

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Como queria ter estado lá...

quinta-feira, abril 17, 2014

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Páscoa: Travessia e Travessuras da Humanidade




Por Hermes C. Fernandes


A Páscoa é celebrada por duas das principais religiões monoteístas do mundo, a saber, o judaísmo e o cristianismo. Para os judeus, é comemoração de sua saída do Egito, depois de mais de 400 anos de escravidão. Para os cristãos é a comemoração da morte e ressurreição de Cristo, através das quais somos libertos da escravidão do pecado e da morte. Gostaria de sugerir uma interpretação que englobasse ambas as celebrações, baseada no sentido original da palavra. “Páscoa” (Pesach, em hebraico) significa literalmente “Passagem”, ou “Travessia”.

Desde os primórdios da civilização, a humanidade tem sido desafiada a atravessar fronteiras que delimitam não apenas sua morada, mas também sua compreensão de Deus, da vida e da realidade como um todo (cosmovisão). Esta “travessia” tem sido instigada pelo próprio Deus, e patrocinada pelo Cordeiro cuja vida foi entregue antes da fundação do Mundo. É este “Cordeiro” o elo entre ambras celebrações, a judaica e a cristã.

O cordeiro que cada família hebréia teve que sacrificar antes de deixar o Egito tipificava o Cordeiro de Deus que remove o pecado do mundo, e que, para os cristãos, é ninguém menos que Jesus de Nazaré, Unigênito de Deus, engendrado pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem judia chamada Miriam (Maria).

Foi Sua entrega anterior ao start da história que garantiu que Ele mesmo seria o guia da humanidade em sua travessia rumo à maturidade. Deus sabia que nesta travessia, o homem faria muitas travessuras. Somente o sangue de Seu Unigênito seria capaz de impedir que tais travessuras nos fizessem atolar em nossa travessia.

João refere-se a isso ao declarar:”Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram sobre ela (…) A luz verdadeira que ilumina a todos os homens estava vindo ao mundo” (Jo.1:4-5,9).

Apesar das trevas que insistem em cobrir os povos, Cristo tem sido o farol que tem guiado a civilização humana nesta travessia. Não há sociedade em que não encontremos Seus rastros de luz. No dizer de Paulo, ainda que Deus “nos tempos passados”, tenha deixado andar todas as nações “em seus próprios caminhos”, “contudo, não deixou de dar testemunho de si mesmo” (At.14:16-17). Em outro sermão, desta vez pregado no centro do saber filosófico, Paulo diz que Deus, “de um só fez todas as nações dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação. Deus fez isto para que o buscassem, e talvez, tateando, o pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós” (At.17:26-27).

Podemos encontrar lampejos de Sua presença entre os povos pré-colombianos nas Américas, entre os ameríndios nas ilhas do pacífico, e até entre os esquimós nas geleiras. Se Deus nos houvesse deixado entregues à própria sorte, há muito teríamos nos auto-extinguido.

Esta “travessia” tem sido feita em etapas, nas quais a humanidade tem sido conduzida a uma compreensão mais madura acerca de Deus.

No início da saga humana, nossa busca primordial era por sobrevivência. Nesta etapa de nossa travessia enxergávamos Deus como o Supremo Provedor. A Terra era um jardim de onde coletávamos aquilo de que necessitávemos para sobreviver. Não tínhamos ideia de quão vasta era a Terra para além do território em que vivíamos. Aquele era o nosso jardim, nosso lar, cenário da comunhão entre nós e Aquele Ser que nos havia criado.

Tão logo comemos daquele fruto que nos tinha sido vetado, vimo-nos expulsos do conforto daquele jardim, e partimos em nossa peregrinação pelo mundo. Expostos a todo perigo, nossa busca passou a ser por segurança. Desenvolvemos clãs, tribos, e mais tardiamente, nações. Nossa compreensão de Deus atribuiu-Lhe o caráter de Protetor, guerreiro, e não apenas provedor. Daí surgiu o politeísmo. Cada tribo desenvolveu sua compreensão particular acerca da divindade. E quando guerreavam, era como se seus deuses também guerreassem. Quando perdiam uma batalha, achavam que seu deus não estava satisfeito e deveria receber algo em troca, alguma oferta, para que lhes garantisse o êxito da próxima batalha. Surgia a religião. Não demorou para que pessoas se destacassem como mediadoras entre a divindade e os demais.

Quando algumas tribos resolveram se reunir, somar forças contra um inimigo comum, surgia uma nação. Com isso, também surgia o sincretismo, reunindo elementos de ambas as religiões numa teologia e cosmovisão únicas. Nesta etapa da travessia, nossa busca passou a ser por Poder. Surgiam os impérios e sua sede de domínio. Povos menores eram conquistados e assimilados. O deus territorial adorado por cada tribo era substituído por panteões, onde os deuses disputavam a lealdade de seus povos. Cada deus passou a ser visto como responsável por uma área específica da realidade. Surgiram deuses da agricultura, da fertilidade, da guerra, etc. Entretanto, sempre havia um lugar de honra dedicado ao “Deus dos deuses”, tivesse o nome que fosse. Esta visão de Deus nos ajudou a estabelecer a ordem civil, impedindo-nos de sermos dissolvidos num caos social. O rei era visto como o representante dos deuses, e às vezes era identificado como um deles. Seus decretos tinham peso de ordens divinas, que não podiam ser contestadas.

Logo, surgiram os abusos. Povos dominados eram escravizados. Impostos insuportáveis eram exigidos de seu próprio povo. Isso nos empurrou para uma próxima fase de nossa travessia. Os injustiçados e dominados passaram a buscar Independência. Ninguém mais suportava o jugo dos dominadores. Havia um clamor que subia incessantemente ao céu. A compreensão acerca de Deus evoluiu mais uma vez. Ele agora era visto não apenas como o Soberano, Rei dos reis, mas também como o Juíz da causa dos oprimidos, e o seu Libertador. Um Deus que desdenha dos panteões criados pela imaginação humana, e intervém em favor dos desprezados. Um Deus que não se dobra aos caprichos dos dominadores, mas que pauta Suas ações na justiça. Um Deus que promulga leis as quais até os maiorais dentre o povo devem se submeter. Um Deus que nos convida à liberdade consciente, assistida pela responsabilidade. Foi, de fato, um grande salto na compreensão da humanidade acerca de Deus. Porém, a travessia não terminou.

Em cada nova etapa de sua travessia, a humanidade faz suas travessuras. Aos poucos, passamos a enxergar a lei como um fim em si mesmo. A Lei Moral foi cedendo espaço às leis da física. O Universo tornou-se como um relógio, onde leis fixas regem seu funcionamento. Esquecemo-nos do Relojoeiro. A chegada da Era da Razão, com seu paradigma cartesiano, declarou nossa autonomia de Deus. A fé tornou-se obsoleta. A relatividade, antes confinada ao campo da física, agora era aplicada também às questões morais e éticas. Embora neglicenciado por Sua criatura, Deus não a abandonou à própria sorte, mas acompanhou de perto sua chegada à adolescência.

Nessa busca por autonomia, aportamos em mais uma escala de nossa travessia: o Individualismo. O velho lema dos mosqueteiros, “Um por todos e todos por um”, foi substituído pelo “Cada um por si…”. A reação ao fato de que o mundo funciona como uma máquina, é o desejo de transcender o papel de mera engranagem. Cada indivíduo passou a se ver como o centro do Universo. Tudo deve funcionar para seu próprio bem, independente do que isso venha proporcionar ao semelhante. Esta é a era do bem-estar. Cada consciência estabelece sua própria escala de valores. O que é certo para um, não é necessariamente certo para o outro, e vice-versa. O importante é sentir-se bem consigo mesmo. É desse narcismo/egocentrismo que emerge a Teologia da Prosperidade, em que as pessoas são estimuladas a buscar sua própria fatia do bolo. Surgem igrejas pra todo gosto, com suas teologias ajustáveis às demandas de uma sociedade individualista e consumista. A mensagem que dizia “negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” foi descartada e em seu lugar impera a mensagem da auto-estima, do amor próprio. Chegamos a um terreno pantanoso em nossa travessia.

Ao ver-nos atolados nesse tremedal, ou mesmo afundando na areia movediça do individualismo, o Espírito de Deus, enviado para guiar-nos em nossa travessia rumo à Terra Prometida, nos introduz à uma nova etapa: a Honestidade/Avaliação. Somos confrontados com o resultado de nossas próprias escolhas. Em que nos tornamos? Que legado deixaremos para a posteridade? Temos que admitir que nossa civilização está definhando. Produzimos regimes totalitários, ideologias excludentes, escravidão, segregação, destruição do meio-ambiente, exploração econômica, duas Guerras Mundiais, terrorismo, religiões que não sabem co-existir respeitosamente, pornografia, etc. E o pior é que quanto mais tentamos reagir, mais parecemos afundar. Definitivamente, precisamos de ajuda de fora. Temos que voltar ao ponto de partida e descobrir onde erramos como civilização. Chegou a hora de repensar cada uma de nossas posturas, e nos abrir ao diálogo. Ninguém está só. O individualismo é uma farsa. Todos dependemos uns dos outros. E o que afeta ao nosso semelhante, também nos afeta a todos. Se formos, de fato, honestos em nossa avaliação, seremos conduzidos a um estágio de humildade. Teremos que reconhecer que erramos e que precisamos de uma mudança radical. Caso contrário, nos auto-destruiremos.

O sétimo estágio de nossa travessia é o da Reconciliação. Primeiro, com a fonte primeva da existência, DEUS. Uma vez reconciliados com o Criador, estamos prontos a nos reconciliar com toda a criação, incluindo nossos parceiros de jornada (todos os seres humanos), os seres vivos em sua totalidade (tudo o que tem fôlego), e todas as demais coisas, visíveis e invisíveis. Os profetas hebreus chamavam este estágio de Shalom (Paz).

Foi por isso que o Cordeiro Se deixou imolar antes mesmo da fundação do cosmos. “Foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus” (Cl.1:19-20).

A Terra Prometida que almejamos não é um pedaço de chão em algum lugar do Universo, mas o Universo como um todo, concebido por uma consciência renovada pelo Espírito de Deus. Ao fim de nossa travessia, tomaremos nossos tamborins, como fez Miriam, a cantaremos e dançaremos na presença do Cordeiro. Ação de graças haverá em nossos lábios, quando o cosmos inteiro for visto como sacramento eucarístico, e Deus for tudo em todos (1 Co.15:28).

Desejo a todos uma bem-sucedida TRAVESSIA.

Feliz Páscoa!


Postado originalmente em 1/4/10

quarta-feira, abril 16, 2014

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Somos a geração que celebra sua própria ignorância















Por Hermes C. Fernandes

Sob Josias, Judá experimentou um genuíno reavivamento espiritual, sem precedentes na história de Israel.

Com a morte de seu pai Amom, Josias assumiu precocemente o trono de Jerusalém aos oito anos. Provavelmente tenha sido uma espécie de marionete durante seus primeiros anos de reinado. Mas aos dezesseis, algo inusitado aconteceu. O texto bíblico se limita a dizer que Josias “começou a buscar o Deus de Davi” (2 Cr.34:3). Não sabemos ao certo o que o levou a isso. Talvez, de tanto ouvir histórias sobre as proezas de Davi, Josias tenha se despertado a buscar o Deus a que ele servia. Mas o inesperado despertamento deflagrou uma série de eventos que provocaria uma profunda reforma espiritual em todo o Israel.

Sempre que alguém começa a buscar a Deus, coisas começam a acontecer. Seu súbito fervor espiritual fez com que Josias percebesse que algo estava errado na religiosidade popular de sua época. Judá e todo o Israel haviam se corrompido de tal maneira, que abandonaram o Deus de seus pais, para adorar os ídolos das nações. Esta corrupção começou ainda com Salomão, que permitira o culto aos deuses das mulheres que desposara de outros povos. Toda a sabedoria daquele rei não o impediu de tamanha tolice. Sorrateiramente, o culto aos ídolos se instalou em Israel, substituindo a adoração ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

À medida que Josias buscava a Deus, se enojava de tudo aquilo. Se Israel quisesse voltar aos tempos áureos, teria que abandonar a idolatria, e buscar a Deus. Por isso, Josias empreendeu uma purificação nos territórios de Judá. “Sob sua direção foram derrubados os altares dos baalins; fez em pedaços os altares do incenso, que estavam acima deles, quebrou e reduziu a pó os postes-ídolos, as imagens de escultura e de fundição...” (v.4).

Toda busca autêntica de Deus deve promover purificação em nossas vidas. Ídolos precisam ser derribados. E não me refiro às imagens de esculturas, pois as mesmas são apenas sombra dos verdadeiros ídolos que se instalam no coração humano.

A pós-modernidade tem seus próprios altares. E não se pode conciliar o buscar a Deus com idolatria de qualquer espécie. Seja sob o manto do consumismo, do narcisismo, do egoísmo, ou qualquer outro “ismo” que ocupe o lugar devido unicamente a Deus.

Depois que o terreno estava limpo, era hora de ocupá-lo com a verdadeira adoração. E não foi fácil promover aquela limpeza. Foram necessários dez anos, pois a idolatria já havia se enraizado na alma daquele povo.

“No décimo oitavo ano do seu reinado, havendo purificado a terra e a casa”, Josias enviou homens para restaurarem o templo do Senhor seu Deus (v.8).

Toda purificação deve ser seguida de ocupação. Pensamentos lascivos devem ser substituídos por pensamentos puros. Hábitos perniciosos devem ceder lugar a hábitos saudáveis. Limpar o terreno sem ocupá-lo é deixá-lo a mercê de seus antigos ocupantes. Eles certamente voltarão, como advertiu Jesus.

O culto a Deus, já há muito abandonado, deveria ser restaurado. E o primeiro passo seria reparar o templo construído por Salomão. Restaurar o templo significa reestruturar nossa espiritualidade.

Josias recrutou pessoas devidamente capacitadas para o empreendimento. Administradores, superintendentes, carpinteiros, pedreiros, engenheiros, e até músicos, se engajaram na obra.

Três etapas já haviam sido vencidas: a busca, a purificação e a restauração da vida espiritual de Israel. Mas faltavam ainda algumas importantes etapas.

Num belo dia, Hilquias, o sacerdote, tirava as ofertas do gazofilácio do templo, quando, de repente, deparou-se com algo inesperado: um livro. Quem o havia colocado ali, ninguém sabe. Mesmo sendo sacerdote, Hilquias não estava familiarizado com aquele livro. Ao abrir o rolo, percebeu que se tratava de uma relíquia: a Lei do Senhor, os cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco, cuja autoria é creditada a Moisés.

Hilquias entregou o misterioso livro a Safã, que por sua vez levou-o ao rei, e leu-o perante ele.
“Ouvindo o rei as palavras da lei, rasgou as suas vestes. O rei deu estas ordens (...): Ide, consultai ao Senhor por mim e pelos que restam em Israel e em Judá, sobre as palavras deste livro que se achou. Grande é o furor do Senhor, que se derramou sobre nós, porque nossos pais não guardaram a palavra do Senhor, para fazerem conforme tudo o que está escrito neste livro” (vv.19,21).
Josias ficou notadamente consternado, pois sabia que todo o mal que acontecera ao seu povo ao longo de muitos anos, devia-se ao abandono dos princípios revelados naquele Livro. E agora, o que fazer? Consultem ao Senhor, ordenou Josias aos sacerdotes. E o que eles fizeram? Foram a uma profetiza conhecida em Jerusalém. Hulda era considerada uma espécie de porta-voz de Deus, um oráculo divino.

Mas se ela era tão íntima assim de Deus, por que não revelou a existência de tal livro? Por que manteve o povo na ignorância por tanto tempo? Por que não demonstrou qualquer incômodo com a superstição que imperava em seu povo? Tenho minhas dúvidas quanto à autenticidade de seu ministério profético.

Ao ser consultada pelos sacerdotes enviados pelo rei, Hulda profetizou:
“Assim diz o Senhor: Trarei mal sobre este lugar, e sobre os seus habitantes, a saber: Todas as maldições que estão escritas no livro que se leu perante o rei de Judá...” (v.24).
Que conveniente, não? Hulda se viu ameaçada pela redescoberta do livro. E sabe por quê? Porque construíra sua reputação em cima da ignorância das pessoas. Em vez de simplesmente opor-se ao livro, transformando-o em um rival, Hulda prefere usar outro artifício: fingir aliar-se a ele, e ao mesmo tempo, realçar algo nele que causasse terror e talvez desinteresse do seu conteúdo por parte do povo.

É claro que havia maldições proferidas nele. E quanto às bênçãos destinadas àqueles que se submetessem à sua autoridade? E quanto às promessas de Deus feitas a Abraão e à sua descendência?

Hulda profetiza o óbvio. Ela prevê o que já estava acontecendo. Ela denuncia uma idolatria que já havia sido banida. Portanto, sua profecia estava fora do prazo de validade. Para completar, Hulda aproveita para fazer uma média com o rei. Quem sabe fosse eleita o oráculo oficial do reino?
“Ao rei de Judá, que vos enviou a consultar ao Senhor, assim direis: Assim diz o Senhor, Deus de Israel, quanto às palavras que ouviste: Como o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo as suas palavras contra este lugar e contra os seus habitantes, e te humilhaste perante mim, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor. Agora te ajuntarei a teus pais, e tu serás recolhido ao teu sepulcro em paz, e os teus olhos não verão o mal que hei de trazer sobre este lugar e sobre os seus habitantes...” (vv.27-28).
Uau! Que profecia era essa? Hulda poderia escrever um livro com o título “Como transformar uma má notícia numa notícia boa?” Ela “puxa o saco” do rei, e ao mesmo tempo anuncia a sua morte. E o faz como se estivesse dando a melhor notícia de todos os tempos. Mas a reforma começada por Josias ainda estava na metade. Se ele desse crédito àquela profecia de araque, suas reformas seriam interrompidas. A quem interessaria isso?

Josias nem sequer se deu o trabalho de comentar as profecias atrapalhadas de Hulda. Chegara a hora da quinta etapa:
“Então o rei mandou reunir todos os anciãos de Judá e Jerusalém. Subiu o rei à casa do Senhor com os homens de Judá, os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, os levitas e todo o povo, desde o maior até o menor. Leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro da aliança, que se tinha achado na casa do Senhor” (v. 30).
Será que Hulda assistiu de camarote? Acho que não. Quando a verdade é descoberta, ela tem que se compartilhada. E esta é a quinta etapa da reforma promovida por Josias. Não se pode ocultar a verdade por muito tempo. Não existem verdades inconvenientes.

Quem a encontrou tem o dever de compartilhá-la. Não agir assim equivale a ser infiel.

Em sua despedida dos efésios, Paulo declarou: “Portanto, hoje vos declaro que estou inocente do sangue de todos. Pois nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At.20:26-27).
Ai de quem detém a verdade pela injustiça (Rm.1:18)! Ai dos que só anunciam a parte da verdade que lhes é conveniente, mantendo assim as pessoas na ignorância.

Após a leitura das Escrituras, Josias deu o sexto passo:
“O rei pôs-se em pé em seu lugar, e fez uma aliança perante o Senhor, para andar após o Senhor, e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, de todo o seu coração, e de toda a sua alma, cumprindo as palavras da aliança, que estavam escritas naquele livro” (v.31).
Não basta conhecer a verdade e compartilhá-la com os outros. É necessário comprometer-se com a verdade. Josias, diante de todo o seu povo, renovou sua aliança com o Deus da Palavra.

A verdade não nos é revelada para matar a curiosidade. Ela exige que nos comprometamos com ela nos termos da aliança proposta por Deus. Não podemos escolher apenas aquilo que nos agrada, e sim, nos submeter a toda a vontade de Deus revelada em Sua Palavra (à luz da compreensão da Nova Aliança).

Agora sim, o povo de Judá estava pronto para a sétima etapa da reforma espiritual iniciada por Josias.

Recapitulando:

1 – Busca
2 – Purificação
3 – Restauração da espiritualidade
4 – Redescoberta da verdade das Escrituras
5 – Compartilhamento da verdade
6 – Comprometimento com a verdade
7 - E finalmente, a celebração da verdade.

Redescobrindo as Escrituras, Josias e seu povo redescobriram o prazer de celebrar.

O relato bíblico diz que “Josias celebrou a páscoa ao Senhor em Jerusalém, e mataram o cordeiro da páscoa no décimo quarto dia do primeiro mês (conforme prescrevia a Lei) (...) Nunca se celebrara em Israel uma páscoa como essa, desde os dias do profeta Samuel: e nenhum dos reis de Israel celebrou tal páscoa como a que celebrou Josias com os sacerdotes e levitas, e todo o Judá e Israel que ali se acharam, e os habitantes de Jerusalém” (Cap.35, vv.1 e 18).

A Páscoa foi a primeira festa instituída por Deus em Israel. À medida que a Palavra foi negligenciada, a Páscoa e as demais festas perderam o significado original. Celebrava-se mecanicamente, só para cumprir um ritual religioso. Porém, não havia vida, fervor, alegria. Era uma celebração oca.

A verdadeira celebração emerge de consciências gratas e comprometidas com a verdade de Deus.

Vivemos dias semelhantes àqueles. As pessoas celebram o que não conhecem. Buscam experiências sensoriais extravagantes, como arrepios, histeria, etc. Porém, as pessoas não sabem o que estão celebrando.

Festas cristãs como o Natal e a Páscoa, se descaracterizam completamente. O Cordeiro Pascoal deu lugar ao coelho. As ervas amargas foram substituídas por ovos de chocolate. Jesus foi ofuscado por Papai Noel. Nossos cultos se tornaram em celebrações desprovidas de sentido. As pessoas pulam, gritam, dançam, e saem comentando: Que cultaço! Mas não se falou da cruz, do reino, da graça. Então, o que está sendo celebrado?

Estamos invertendo a ordem das coisas. Queremos começar pela celebração, quando esta nada mais é do que a coroação da busca, que teve que passar por outras etapas, como a purificação, a restauração da espiritualidade, a descoberta e o comprometimento com a Palavra, etc.

Fizemos da celebração um fim em si mesmo. Confundimos show, espetáculo, com celebração. Urge retomarmos o caminho de volta, buscando ao Senhor e restaurando nosso relacionamento com Ele. Aí sim, teremos razão de sobre para celebrar.

segunda-feira, abril 14, 2014

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Quanto durará o inferno?


Seria o inferno eterno tanto quanto o céu? Como se sentiriam os que gozassem da glória eterna sabendo que pessoas amadas estariam sendo torturadas eternamente no inferno? Assista a mensagem abaixo e tire suas próprias conclusões.

sábado, abril 12, 2014

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INFERNO - A verdade sobre a mais aterrorizante doutrina cristã





Depois de muito relutar, resolvi publicar uma das mais controversas mensagens que preguei em todo o meu ministério. Assistam e preparem-se para a segunda parte que publicarei em seguida.



Não se precipite em avaliar. Assista até o fim e tire suas próprias conclusões.

sexta-feira, abril 11, 2014

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Ao meu pai com amor



Meu pai,

Antes de tudo, quero lhe agradecer por visitar meus sonhos. Por vários anos depois de sua partida, ficava triste cada vez que sonhava com o senhor. Isso me deixava tão confuso. Eu deveria comemorar por ter a oportunidade de revê-lo, mas em vez disso, sentia uma angústia inexplicável. Quanta culpa senti por isso. Só recentemente, pude perceber a razão da minha tristeza: a consciência de que aquilo era apenas um sonho e que, ao acordar, o senhor não estaria ali. Porém, ainda mais recentemente, comecei a imaginar que do jeito que o senhor era convincente, brincalhão e amoroso, talvez o senhor tenha conseguido uma liberação especial do céu para frequentar meus sonhos. A partir daí, toda vez que recebo sua visita onírica, sinto indizível alegria.  É como se Deus houvesse fechado a porta de comunicação entre o mundo dos vivos e o mundo dos que partiram, porém, deixou-nos aberta a janela dos sonhos. Se pudesse escolher, preferiria revê-lo em meus sonhos todas as noites e até nas sonecas de domingo à tarde. E já que Deus nos fez a concessão de ver, sem querer abusar, gostaria muito que Ele também nos concedesse bater um bom papo. 

Tenho saudade de ouvir sua voz, pai. Rouca, firme e cansada de tanto pregar, mas sempre cheia de graça e ternura. Saudade de suas brincadeiras. Pena que as gravações que tenho em casa são só de suas pregações. Tenho medo de me esquecer do som de suas gargalhadas. De quando implicava com minha mãe e meus irmãos. 

Lembro-me que em um de nossas últimas conversas, o senhor apontou para o céu estrelado e me disse: "Está vendo aquelas estrelas? Minha mente as alcança, mas meu corpo não acompanha." O que me consola é saber que agora sua mente está livre para alcançar as estrelas. 

Estou certo de que ao deixar a presente era, o senhor foi ao encontro do futuro e lá se reencontrou conosco, conheceu seus netos e bisnetos e saudou àqueles que o antecederam na jornada da existência.

A dor da ausência insiste em nós. Que bom que o senhor foi poupado dela. Foi sua partida que me levou a repensar muita coisa acerca da eternidade, fazendo-me romper com a ideia do estado intermediário e a acreditar que ao deixarmos o tempo e o espaço, somos remetidos diretamente ao dia do Senhor, reencontrando imediatamente todos dos quais nos despedimos ao partir. Que consolo isso me gerou. O senhor vive no futuro para estou a caminhar. 

Muito do que hoje eu ensino nada mais é do que a elaboração daquilo que me veio por insight enquanto lhe ouvia pregar. Devo-lhe tudo, pai. 

Obrigado pela oportunidade que o senhor me deu de lhe expor o que Deus havia revelado ao meu coração pouco antes do senhor partir. Jamais me esquecerei de ouvi-lo concordar com a doutrina que abracei. 

Sei que no início foi difícil, tumultuado, desconsertante. Mas o senhor soube me ouvir. E ainda me confiou a responsabilidade de falar da graça de Deus para minha avó em seu leito de morte.

Meu maior orgulho era ouvir das pessoas o quanto eu parecia com o senhor. Apesar disso, acho que jamais chegarei à sua estatura espiritual. Mas sigo me perguntando a cada novo passo que tenho que dar: o que meu velho pai faria?

Isso tem abalizado minha conduta tanto no ministério, quanto na condução da minha família. Foi graças a isso que pude me manter de pé toda vez que fui vítima da ingratidão de alguns. Como poderia me esquecer do seu exemplo e do amor com que o senhor tratava aqueles que não lhe eram fiéis? 

Alguns tomaram seus ensinos, misturaram a todo tipo de prática e interesses escusos e fizeram fortunas. Sinceramente, acho que não entenderam bem o que o senhor intentava passar-lhes. Porém, outros se mantiveram fiéis, trabalhando pelo reino de Deus e não na construção de impérios particulares.

Nossa família continua unida, pai. Aprendemos com o senhor que família que ora unida, permanece unida. Minha mãe, sua fiel companheira, meus irmãos Elias, Odissea, Odília, Mirilayne e Júnior são exemplos para seus filhos. Seus netos Rayane, Rhuan, Revelyn, Carolina, Esther, Alexandre, Jonathan, Vitória, Gustavo, Pedro Cecílio, Gabriel, Milena, Mikaela e Nicole são presentes de Deus para nós e aprenderam a se orgulhar do avô que tiveram. Seus genros e noras, Tânia, Flávia, Alexandre, Jorge, Rodrigo e Jociléia também têm sido bênçãos na vida de seus filhos e netos.

Dia desses, pai, levei minha filha caçula para ser matriculada no curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Niterói. Enquanto ela preenchia os papéis, lembrei de quantas vezes atravessei a Baía da Guanabara acompanhado do senhor e de minha mãe. Agora, todos os dias minha filha toma a mesma barca que o senhor e mamãe tomavam para vir ao Rio fazer a obra missionária. 

Foi com o senhor que aprendi a perdoar, a me calar diante das acusações, a estender as mãos a quem me caluniou, a orar pelos inimigos e desejar que sejam abençoados. Foi com o senhor que aprendi a ser firme em meus posicionamentos, a não me render aos modismos doutrinários, a não reagir às provocações. Foi com o senhor que aprendi a ser solidário com os sofredores, a respeitar os de crença diferente da minha. Foi com o senhor que aprendi que a igreja não deve se restringir ao espaço do templo, mas deve sair às ruas e clamar por paz e justiça. Foi com o senhor que aprendi que mais poderosa mensagem jamais pregada é o amor. Foi com o senhor que aprendi a promover o bem, sem fazer alarde, pedindo que as pessoas não divulgassem. 

Espero poder transmitir às próximas gerações tudo o que recebi dos seus lábios, pai, e assim, fazer com que esta chama que um dia ardeu em seu peito, e que hoje arde em meu, possa arder no peito dos seus netos e bisnetos, alcançando até a última geração que precederá a manifestação do Rei.

Te amarei para sempre, pai.

P.S. - Não deixe de aparecer com mais frequência em meus sonhos.


quarta-feira, abril 09, 2014

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Calçada da Fama - Hermes C. Fernandes





Reflexão sobre a repercussão de nossas ações hoje e no futuro próximo e longínquo.