terça-feira, setembro 16, 2014

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A vergonhosa indústria gospel de boatos




Por Hermes C. Fernandes

É constrangedor constatar a que ponto o arraial gospel brasileiro chegou. Os que se dizem portadores da verdade libertadora do evangelho agora recorrem à mentira deslavada para assegurar a eleição de seus candidatos no próximo pleito.

No início desta semana, surgiu a notícia de que uma mãe teria confessado ser lésbica e amante de sua própria filha. Isso se alastrou como fogo em capim seco. A cada vez que a notícia fake era compartilhada, comentários do tipo "isso é o fim do mundo" vinham acompanhados de mensagens de apelo para que a igreja se manifestasse contrária a esta deturpação da família apoiando candidatos evangélicos, arautos dos valores familiares. 

Logo que li a notícia, tive a impressão que se tratava de mais um boato, mas preferi não me manifestar. Até que hoje chegou-me outro artigo revelando que a notícia se tratava mesmo de um hoax. 

Mesmo compartilhando a informação, sei que será impossível desfazer o mal que esta mentira causou, divulgando inclusive a foto de mãe e filha que nada têm a ver com isso. 

Outra notícia fake que se alastrou pela internet afirmava que durante entrevista à rádio CBN, o deputado federal Jean Wyllys, desafeto dos ilustres deputados da bancada evangélica, teria afirmado que a pedofilia teria papel fundamental no desenvolvimento sexual da criança. Ele teria dito em cadeia nacional de rádio: “Precisamos abrir nossas mentes. O pedófilo pode ter papel fundamental no desenvolvimento sexual do menino, ensinando uma sexualidade sadia e livre de preconceitos. A etimologia da palavra pedófilo em grego quer dizer ‘Amigo da criança.”

Obviamente, o texto gerou revolta entre as pessoas mais conservadoras. No período em que houve uma grande disputa entre Wyllys e o deputado Marco Feliciano dentro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), o boato ganhou força avassaladora.

A própria CBN veio a público denunciar a calúnia que vem circulando nas redes sociais contra o deputado do PSOL. Segundo a emissora, tal declaração nunca foi feita na CBN.

O referido deputado também negou que tenha dado tal declaração, e afirmou tratar-se de uma campanha difamatória contra ele. 

Não é a primeira vez que o deputado enfrenta uma onda de difamações como esta. Além de ser acusado de apoiar a pedofilia, é possível encontrar textos afirmando que Wyllys teria dito que cristãos são doentes, que a Bíblia é uma piada, entre outras acusações.

O fato de discordarmos de algum posicionamento de alguém não nos confere o direito de difamá-lo. A verdade jamais precisou recorrer à mentira. Aliás, segundo Jesus, o pai da mentira é ninguém menos que o diabo. Portanto, quem assim procede faz-se filho do dito cujo. 

Antes de compartilhar algo em suas redes sociais, procure saber as fontes. Mesmo que tenha sido divulgado por algum grande canal, não significa que seja verdadeiro.

Será que Jesus espalharia boatos contra Herodes e Pilatos para fazer prevalecer a verdade do evangelho?

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Em seus passos em quem votaria Jesus?



Confesso que passei este período eleitoral quase que inteiramente evitando tocar no ponto nevrálgico chamado POLÍTICA...confesso que tentei, mas não consegui! Foi mais forte do que eu e preciso expressar em poucas (se possível) e neutras linhas (será possível?) um pouco do que vislumbram meus olhos e meu coração.

Ouvi alguém dizer que para política, religião e futebol não é necessário utilizar a razão e sim a paixão. Será mesmo?

Em relação à questão religião já ensaiei alguma coisa aqui no blog, quanto à questão futebolística me divirto muito, adoro implicar com qualquer um que não seja são paulino, adoro deixar alguns ardorosos torcedores irritados e nervosos (sim, às vezes eu provoco além da medida – sou ré confessa dessa prática), mas quanto à política, realmente me sinto pisando em ovos.

Creio que podemos e devemos ser pessoas informadas, a alienação política é um dos grandes causadores desse caos que hoje chamamos de GOVERNO em nosso país.

Já disse Platão:
“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política. Simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”
 Em meio a essa corrida insana dos últimos dias de campanha eleitoral, vendo pastores utilizando suas ovelhas como massa de manobra e curral eleitoral, vendo a demonização de um único partido (do qual não sou filiada e muito menos simpatizante nos dias de hoje), enfim, vendo tanto lixo sendo dito e defendido em nome Dele, deparei-me com a seguinte questão: o que Jesus faria como eleitor brasileiro, em quem votaria? Comecei a divagar sobre o tema, com medo de me aprofundar, com medo de também demonizar, com medo de escrever muita besteira (talvez cometa todos esses erros, afinal de contas, o post ainda não chegou ao fim...) 

Mas enfim, tentarei ir ao cerne da questão: como Jesus se comportaria numa eleição? Você pode argumentar: “Roberta, não há como saber... Cristo não vivenciou um regime democrático.”. Sim, isto é fato público e notório. O mesmo viveu em meio ao domínio do Império Romano. 

Temos, então, uma questão a ser debatida: Jesus vivia debaixo do domínio político e econômico de Roma, os primeiros cristãos também viveram tal domínio e, sejamos francos, já ouve em toda história maior iniquidade institucionalizada do que o deslumbrante e cruel Império Romano? Aquilo que dizem que acontecerá em nosso país, caso o partido “X” se perpetue no poder, seria fichinha diante daquilo vivenciado por Cristo e seus discípulos em sua contemporaneidade. 

 Me pergunto e te pergunto: O evangelho deixou de florescer? Os planos de Deus foram frustrados porque “A” ou “B” estavam governando? 

Parece uma interrogação simplista e que leva a um comportamento alienante, mas na verdade quero deixar explícito que o cerne da nossa fé não deve estar baseado em quem está governando, pois o poder está na verdade do evangelho [Rm 1:16] e não em nenhuma estrutura humana. Muitas vezes a intervenção do homem é mais maléfica do que beneficiante, que nos diga o “apoio” de Constantino instituindo o cristianismo como religião oficial do Império Romano, e introduzindo tantas deturpações na essência do caminhar cristão. 

Ouso questionar: será a intenção de alguns transformar o país num grande gueto gospel? Será essa a razão dessa caça às bruxas sem muita reflexão e seriedade? 

Não vejo Jesus incitando seus seguidores a tomarem pontos estratégicos de poder no governo de sua época, não que isso seja pecado ou proibido, podemos e devemos ocupar lugares de projeção nos mais diversos setores da sociedade, desde que sejamos VOCACIONADOS para tal projeto e não com o intuito de praticar proselitismo e defender interesses de uma parcela da população. 

Pelo pouco que compreendo da mensagem do evangelho: o Reino deve ser anunciado a TODOS, que venha o Teu Reino [Lc. 11:2], assim Jesus nos ensinou. Que venha o Reino que é Dele e que também é nosso sobre TODOS os setores de nossas vidas e sociedade. 

Mas voltando à pergunta inicial: em seus passos, em quem votaria Jesus? Sinceramente, não sei te responder. Mas posso afirmar que o Jesus com o qual caminho e a quem busco conhecer diariamente respeita a individualidade e nos deu uma palavra que é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho [Sl 119:105]. Além disso, suas palavras são de que estaria conosco todos os dias, até a consumação dos séculos [Mt 28:20] e isto inclui dias de eleições também. 

Tendo Jesus como companhia e sua palavra como guia, creio que estou habilitada a fazer escolhas sensatas. Simples assim? Sim...pelo menos acho que seja assim. 

 Desejosa por andar na verdade, 

 Roberta Lima (Via Meninas do Reino)

sexta-feira, setembro 12, 2014

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Neurocientistas afirmam que é possível reescrever más lembranças



As emoções relacionadas a lembranças podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado pareçam melhores, e coisas boas pareçam piores, descobriram cientistas do Japão e dos Estados Unidos, que deram detalhes de seu estudo em artigo publicado nesta quarta-feira (27) na revista científica britânica Nature.

De acordo com eles, a descoberta do mecanismo por trás do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doenças mentais, como a depressão ou o Distúrbio de Estresse Pós-traumático (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiquiátrico.

“Estas descobertas validam o sucesso da psicoterapia atual, ao revelarem seu mecanismo subjacente”, explicou à AFP, em Tóquio, o chefe das pesquisas, Susumu Tonegawa.

A equipe de cientistas, formada a partir de uma colaboração entre o Instituto RIKEN, do Japão, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, usaram a optogenética – uma nova técnica de controle cerebral que usa a luz – para compreender melhor o que acontece quando pensamos no passado.

Eles descobriram que sentimentos acolhedores ou de medo intenso, provocados pela interação entre o hipocampo – o ‘confessionário’ do cérebro – e a amígdala – o local onde seria codificada a positividade ou a negatividade – são mais flexíveis do que se pensava. “Depende da intensidade da prevalência (do aspecto bom ou ruim). Há uma competição entre as duas forças de conexão dos circuitos”, explicou Tonegawa.

Os cientistas injetaram em dois grupos de camundongos machos proteínas de uma alga sensível à luz, permitindo a eles identificar a formação de uma nova memória na medida em que acontecia e, com isso, usar pulsos de luz para reativá-la quando quisessem. Eles permitiram a um grupo de roedores brincar com as fêmeas, criando uma memória positiva. O outro grupo levou um pequeno, porém desagradável, choque elétrico no chão.

Em seguida, os cientistas reativaram artificialmente a memória, usando os pulsos de luz, efetivamente fazendo os roedores se lembrarem do que tinha acontecido com eles.

Enquanto os ratinhos “lembravam” o evento, eles vivenciavam a experiência oposta: as cobaias com a memória positiva levavam um choque, enquanto aqueles com a memória dolorosa eram conduzidos a fêmeas.

Tonegawa explicou que sua equipe descobriu que a emoção da nova experiência subjugou a emoção original, reescrevendo a forma como o animal se sentiu a respeito.

Os cientistas esperam que suas descobertas possam abrir novas possibilidades para tratar distúrbios do humor, como depressão ou estresse pós-traumático, uma condição mais presente em determinados segmentos da sociedade, como os militares, em que as pessoas vivenciaram eventos particularmente trágicos ou de risco de morte.

“No futuro, eu gostaria de pensar que, com a nova tecnologia, seremos capazes de controlar os neurônios no cérebro sem fios e sem ferramentas intrusivas, como os eletrodos”, disse Tonegawa, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1987. “Poderíamos fazer prevalecer as lembranças boas sobre as ruins”, afirmou.

Em um comentário também publicado na Nature, os cientistas especializados em cognição Tomonori Takeuchi e Richard Morris, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, disseram que o estudo representa uma inovação na exploração de mecanismos da memória, embora a optogenética tenha limitações como uma ferramenta para fazer isso.

“Mas a engenharia molecular está lançando luz sobre nossa compreensão das redes de memória fisiológica subjacente”, escreveram.

Via "A arte de amadurecer"

O que a Neurociência descobre agora, o Evangelho já anuncia desde seus primórdios. Nem sequer há a necessidade de uma intervenção artificial, bastando tão somente que se experimente o que os apóstolos chamaram de metanoia (traduzida em nossas Bíblias como "Arrependimento"). Metanoia é muito mais do que sentir tristeza pelo que fez ou deixou de fazer. Trata-se de ressignificar a própria vida, isto é, atribuir novos significados a eventos passados, e acenar para o futuro com a firme disposição de fazer diferente. 

quinta-feira, setembro 11, 2014

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O Doador de Memórias - Um filme para não esquecer




Por Hermes C. Fernandes


O Doador de Memórias (The Giver) é um filme de ficção científica e drama, dirigido por Phillip Noyce e produzido pela Walden Media. O filme é estrelado por Brenton Thwaites, Meryl Streep, Jeff Bridges e Taylor Swift. É baseado no livro homônimo da escritora norte-americana Lois Lowry.

Engana-se quem pensa tratar-se de mais um desses filmes adolescentes do tipo "Jogo Vorazes" e "Divergente". Não vá em busca de muita ação e romance, você poderá se decepcionar. Trata-se de um drama de aspirações filosóficas complexas, onde o papel do Estado é questionado, nossa visão de mundo é posta em xeque.

Uma pequena comunidade vive em um mundo aparentemente ideal, sem doenças, guerras, racismo, tristezas, mas também sem sentimentos. Cada membro desta comunidade, depois de exaustivamente observado pelos anciãos desde seu nascimento, ao completar certa idade, é encarregado de uma função específica de acordo com a vocação revelada em sua trajetória. As pessoas atuam na profissão escolhida pelos anciãos, não fazem sexo (os bebês são criados artificialmente) e moram num mundo literalmente em preto e branco. Para complicar ainda mais a situação, os habitantes não têm memórias, portanto, desconhecem sua própria história. Apenas uma pessoa é encarregada de armazenar as memórias coletivas, de forma a poupar os demais habitantes do sofrimento e guiá-los com sabedoria. De tempos em tempos esta tarefa muda de mãos e desta vez, o jovem Jonas foi o escolhido para a árdua tarefa, e precisará passar por um duro treinamento, apesar do espírito rebelde e contrário ao sistema. Curioso, Jonas acaba por descobrir que algo ocorreu no passado para que o mundo se tornasse nessa falsa utopia, e uma verdadeira distopia.

O jovem constata que toda aquela aparente harmonia é fruto da ignorância. As pessoas nem sequer são capazes de enxergar as cores, sendo privados de sentimentos comuns à humanidade. Todos os dias, assim que acordam, submetem-se a um medicamento convencidas de que estão sendo poupados de todo e qualquer sofrimento. Diferentemente de outros filmes de ficção, "O Doador de Memórias" não tem propriamente vilões, mas apenas pessoas convencidas de quem suas decisões, apesar de questionáveis, visam o melhor para a comunidade.

Definitivamente, não é uma película para nos fazer saltar da cadeira tomados de fortes emoções. Até há momentos bem emocionantes, porém, o mérito dele é nos fazer refletir. Somos levados a pensar sobre o mundo em que vivemos e o mundo que queremos. Será que é nessa direção que estamos caminhando? Será que o preço pela harmonia é a nossa liberdade? Teremos que abdicar daquilo que nos torna humanos?

Muitos dos elementos apresentados no filme já são incipientes em nossos dias. Não perdemos a memória, todavia, somos constantemente expostos à versão da história contada pelos vencedores. Portanto, trata-se de uma memória fake. Nem tudo é como nos contaram. De quê, afinal, estamos sendo poupados? E de quê jamais deveríamos ser privados?

Tal qual na trama cinematográfica, tornamo-nos daltônicos, ao menos, metaforicamente. Enxergamos a vida com a cores que nos são permitidas ver. A liberdade que tanto prezamos não passa de um embuste, pois somos condicionados a dar sempre as mesmas respostas. Tornamos-nos desconcertantemente previsíveis. E nem nos damos conta de quanto isso dói. Estamos, por assim dizer, anestesiados. 

A droga que nos prescreveram é-nos ministrada diuturnamente, quer pela mídia, quer pela religião, ou mesmo pelas instituições de ensino.

E quando alguém ousa romper com os padrões, apontando-nos cores que ainda não logramos ver, logo o tachamos de herege ou coisa bem pior. 

Interessante que uma das primeiras coisas cuja cor foi vislumbrada por Jonas foi uma maçã, fruto geralmente associado àquilo que em teologia chamamos de "A Queda". O fruto que prometia abrir nossos olhos, cegou-nos. A promessa de que seríamos como Deus mostrou-se falsa. A vida desbotou-se de seu colorido original. 

Na conversa travada entre o tutor de Jonas, aquele que lhe transmitiria do dom das memórias perdidas, e a principal anciã, zelosa pela manutenção do status quo, ele lhe apresenta a tríade paulina das coisas mais importantes de que jamais poderíamos abrir mão: a fé, a esperança e o amor.  Sem estes elementos, o mundo perde não apenas suas cores, mas também seus sabores, seus odores, sua essência. 

Posso enxergar em Jonas um tipo de Cristo, o rebelde que nos conclama a romper com a distopia imposta pelo sistema e avançar para além de suas fronteiras, vislumbrando e desbravando a utopia do reino de Deus.

Um mundo indolor, da maneira como tem sido sonhado por muitos, também seria um mundo incolor, inodoro, insosso, enfim, completamente sem graça. Mas não exatamente isso que encerra a utopia do reino? Deixe-me explicar: Só há duas maneiras de ser poupado da dor: ser curado daquilo que a provoca ou simplesmente perder a sensibilidade. A proposta do reino de Deus pode ser resumida na promessa de que "Deus limpará dos olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap.21:4). Não seremos poupados da dor pela via da perda da sensibilidade, do anestesiamento, mas pelo fato de que tudo o que a provoca terá sido definitivamente banido de nosso mundo. E quando diz que não haverá lembrança das coisas passadas, não se trata de uma amnésia coletiva, e sim de que nossa memória teria sido curada dor. Uma vez compreendendo os propósitos por trás dos fatos, mesmo os mais dolorosos, sua lembrança já não nos perturbará. Se os registros de nossa mente fossem apagados, não haveria razão para expressarmos nossas ações de graça Àquele que nos conduziu desde nosso doloroso parto até a glória definitiva.

É este mesmo Cristo, a quem o profeta se refere como "homem de dores" (Is.53:3), que recusou tomar a mistura oferecida pelos soldados romanos que visava amenizar sua dor. A dor, afinal, é não uma maldição, mas uma bênção, porquanto nos alerte de que algo esteja errado em nosso organismo. Da mesma forma, nossas memórias são uma bênção, desde que nos sirvam de mestre e não de carcereiro e algoz. 

quarta-feira, setembro 10, 2014

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Cristãos em defesa dos homossexuais





Por Hermes C. Fernandes

Ficou escandalizado com o título do artigo? 


Pois muito mais escandalizados ficaram os detratores daquela mulher pega em flagrante adultério, ao serem desarmados pela pergunta de Jesus. 

Que Deus é contrário ao adultério, não pode haver qualquer dúvida. Ele corrompe relações, destrói lares, e de quebra, destroça a alma. Jamais encontraremos Jesus dizendo uma só palavra em apoio a este tão danoso pecado. Entretanto, lá estava Ele, se entrometendo em questão alheia, em defesa de uma adúltera. 

Seu argumento foi imbatível: Quem não tivesse pecado, que se atrevesse a atirar a primeira pedra. Não duvido que alguns dos que se dispunham a executá-la sumariamente, haviam tido caso com ela. Talvez, o  que os motivasse fosse uma espécie de “queima de arquivo”. Outros nem sequer a conheciam, mas em nome da moral e dos bons costumes, muniram-se de pedras. Todos, porém, tinham algo em comum: o pecado. Nem todos eram adúlteros, mas alguns eram corruptos, outros difamadores, alguns mentirosos, outros dissimuladores, e por aí vai… Jesus os desmontou! 

Mas será que valia a pena expor-se daquela maneira por uma despudorada? 

A bem da verdade, Jesus nunca se preocupou com a opinião pública. Se fosse hoje, alguém o classificaria de liberal, ou coisa semelhante. Do ponto de vista do marketing, defender aquela mulher era cometer suicídio. Sua popularidade cairia. Sua moral seria questionada. Sua imagem maculada. 

Às favas com a imagem! Muito maior valor tinha aquela vida! 

E se fosse hoje? Se Jesus flagrasse um homossexual prestes a ser linchado, Ele igualmente o defenderia? Os ‘puritanos’ dirão que não! 

Bicha tem mesmo é que morrer!” Dá para acreditar que já ouvi isso da boca de gente que diz servir a Deus? Defendemos o direito dos fetos à vida, mas somos insensíveis ao ponto de não defendermos o mesmo direito para os homossexuais. Em vez disso, preferimos nos entrincheirar contra a comunidade gay, apontando o seu pecado, e nos fazendo seu inimigo número 1. Há, inclusive, razões políticas para isso. Boa parte dos deputados que formam a bancada evangélica foi eleita em cima da “ameaça” do que eles chamam de ditadura homossexual. 

Enquanto isso, o número de homossexuais assassinados em nossas cidades cresce drasticamente. Será que um ativista gay pararia pra ouvir nossa mensagem, enquanto nos posicionamos contra suas reivindicações? 

Não estou aqui afirmando que tais reivindicações sejam justas ou não. Caberá à sociedade com um todo julgá-las. Mas talvez, se fizéssemos manifestações que denunciassem a violência sofrida por eles, ganharíamos seu coração, e assim, eles se disporiam a nos ouvir. 

Semelhante àquela mulher adúltera, os homossexuais já têm muitos acusadores. Que nos posicionemos ao lado de Jesus para defendê-los, em vez de ao lado de seus detratores para persegui-los! 

Não estou, com isso, endossando qualquer estilo de vida promíscuo, tão nocivo à dignidade e saúde humanas. Assim como Jesus não endossou o adultério. Pecado é pecado, e ponto. Não há o que negociar. Porém, quem estabeleceu uma hierarquia para os pecados foi a religião, não Jesus. A prática homossexual é tão pecaminosa quanto mentir ao declarar seu imposto de renda. Antes de apedrejá-los, pense nisso. 

O que os gays precisam é de alguém que os ame, os acolha, em vez de acusá-los e rechaçá-los. 

Creiam-me. Longe de mim querer parecer politicamente correto ou mesmo promover algum tipo de proselitismo. 

Possivelmente este artigo desagradará tanto a gregos, quanto a troianos. Porém, minha consciência se tranquiliza por saber que estou saindo em defesa da vida, e não de uma prática ou de uma agenda política. 

Não posso me calar enquanto a cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil por conta de sua opção sexual. Ora, se a prática homossexual é pecado, a homofobia também o é. 

terça-feira, setembro 09, 2014

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PROFISSÃO: PASTOR OU IMPOSTOR?



Por Hermes C. Fernandes

Não se enganem, senhores! O que estas fábricas de pastores estão entornando no mercado religioso não são, de fato, pastores, mas apenas robocops dos púlpitos, programados para repetir a ladainha dos seus mentores; papagaios de pirata, desprovidos de personalidade, treinados para reproduzir não apenas a mensagem de seus líderes, mas também seu tom de voz, seus trejeitos e cacoetes. São peões de obra em ministérios megalomaníacos, cuja missão é animar auditório, produzir gente robotizada,  bater metas financeiras que banquem os projetos pessoais de seus gurus.  São gerentes de franquias que só oferecem fastfood religioso. Seu guia não é a Bíblia, mas livros de autoajuda que abundam no mercado literário gospel. Em vez de se atualizarem teologicamente, preferem buscar modelos que dão certo, que garantam rentabilidade e crescimento vertiginoso. O que importa, afinal, não é o que é certo, mas o que dá certo. Maquiavel é o seu patrono.

Pastores não são feitos no atacado. Não são montados com peças pré-fabricadas como numa linha de produção da Ford. Antes, são feitos artesanalmente, um a um, pelo supremo oleiro, modelados e levados ao forno das provações. Não são provenientes dos seminários, mas do discipulado. Não estão preocupados em demonstrar erudição bíblica citando de cor versículos que justifiquem suas preferências doutrinárias. Preferem demonstrar amor no trato com o seu semelhante. Em vez de citar passagens bíblicas, buscam encarná-las em seu viver diário. Não incitam o ódio entre os diversos grupos humanos, mas patrocinam o diálogo respeitoso entre eles, mesmo não concordando com suas práticas. Não almejam dominar, mas servir. Nem mandar, mas ser exemplo. Não escondem suas limitações, disfarçando-as num discurso moralista, mas assumem-nas,  deixando claro que ainda estão em fase de acabamento.  Em vez de fingir perfeição, pautam pela coerência. Em vez de perseguirem o sucesso a qualquer custo, esmeram-se para ser fiéis.

A palavra chave do ministério pastoral não é glamour, mas renúncia. O pastor genuíno não almeja ser carregado num andor, e sim, carregar sua própria cruz. Sua obsessão não são os holofotes, mas fazer com que Cristo cresça enquanto ele diminua até desaparecer.

Quando dois pastores se encontram, não perguntam quanto tem sido arrecado em seus cultos e sim quantas vidas têm sido alcançadas pelo amor de Cristo.  Não competem entre si para ver quem atinge maior popularidade. Não se cartam de suas conquistas materiais. Não contam vantagens para se sobressaírem  Em vez disso, buscam estimular uns aos outros com suas experiências obtidas com suor e lágrimas, na dependência da graça de Deus.

Mesmo em seus dias de folga ou de férias, pastores de verdade não deixam de ser pastores. Eles tiram férias do púlpito, mas não tiram férias de Deus e de Sua obra. Estão sempre disponíveis, com seus celulares ligados para atender a qualquer pessoa que lhe recorra em busca de socorro. O púlpito que usa não é pedestal ou vitrine de onde exibe seus dotes, mas “altar” onde oferece sua vida em sacrifício por amor ao rebanho que lhe foi confiado. Ocupá-lo é muito mais que um dever, um privilégio, um prazer inigualável, um voto de confiança dado por Aquele que o chamou.

Ao cuidar do rebanho, o pastor declara seu amor por Cristo, consciente de que um dia terá que prestar contas de cada uma de suas ovelhas, da maior à menor, da mais rica à mais pobre. Ele não as trata de acordo com a contribuição que dão, mas de acordo com alto preço pago por suas almas na Cruz.

O privilégio de servir a Deus no pastorado é tão grande que estou certo de que se necessário fosse, um pastor verdadeiro se disporia a pagar qualquer preço. Não por esperar retorno, visto não ser um investimento. Mas exclusivamente por amor. Não são poucos os pastores que são obrigados a trabalhar em serviços seculares por não quererem onerar a igreja. Outros, por se dedicarem em tempo integral, são mantidos pela igreja.  Ambos são igualmente honrados, pois não servem a Deus por dinheiro. Porque quem assim o fizer, servirá ao diabo por um salário maior.

Apesar de a classe estar tão desvalorizada, sinto-me honrado por ter sido escolhido para o desempenho deste serviço.  Se há muitos falsos pastores no mercado religioso atual, há também inúmeros pastores segundo o coração de Deus que sofrem na pele todo tipo de discriminação e preconceito por causa daqueles.  Esses santos homens de Deus devem ser honrados e amados tanto por seu rebanho quanto por seus colegas de ministério.

Que Deus levante cada vez mais homens comprometidos com o Seu Reino e Sua justiça, que amem a Deus e ao Seu rebanho muito mais que à sua própria vida. 

domingo, setembro 07, 2014

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Eu não queria estar na pele de Marina



Por Hermes C. Fernandes


Onde Marina Silva resolveu se meter? Evangélicos a acusam de ser condescendente com a agenda gay e o aborto. A comunidade LGBT olha com desconfiança por suas posições consideradas ambíguas acerca de temas que lhes são caros, tais como o casamento gay. Ruralistas temem por seu histórico em defesa do meio-ambiente. Ambientalistas se retraem por sua aproximação dos setores agropecuários. Trabalhadores sentem-se desconfortáveis por vê-la flertando com seus patrões. Empresários temem por sua ideologia esquerdista. Progressistas se sentem constrangidos ao vê-la elogiando o legado deixado por Fernando Henrique. Conservadores sentem calafrios ao assistir seu testemunho acerca dos esforços de Lula no combate à pobreza. Apesar de tudo isso, Marina segue em linha ascendente rumo à rampa do Planalto. 

Como explicar tal fenômeno? Certos apoios que Marina tem recebido lhe rendem mais dor de cabeça do que dividendos para sua campanha. Não duvido que alguns que resolveram manifestar-se por ela, ainda que no segundo turno, tenham a pretensão de atrapalhá-la junto a outros setores considerados rivais. 

Eu realmente não queria estar na pele de Marina. Mas não vejo em condição de julgá-la, pois não estou em seu coração. Mas, considerando o que tenho observado dela nos últimos anos, arrisco afirmar que seu único compromisso é com a sua consciência. Se não o é, deveria ser. Rótulos não lhe cabem. Preconceito é preconceito, mesmo quando vindo daqueles que mais foram vítimas dele. Gays deveriam ovacioná-la ao saber do quanto ela perde no meio daqueles que professam sua fé ao colocar-se favorável às suas demandas. Evangélicos deveriam louvá-la por reconhecer que mesmo sofrendo ataques por parte de 'irmãos', em momento algum renegou sua fé. 

Confesso que ainda estou aberto. Não decidi em quem votar, e mesmo que houvesse decidido, não o anunciaria aqui. Mas devo salientar que minha decisão não será baseada em preceitos religiosos ou ideológicos. Estou propenso a votar em quem inspire esperança no tão sofrido povo brasileiro. Pouco me importa por quais ideologias se pretenda pautar seu discurso e práxis governamental. Estou bem mais preocupado com ideais que sinalizem e evoquem o tão anunciado reino de Deus, em que justiça e paz sejam finalmente conjugados, e a corrupção seja banida em vez de varrida para debaixo do tapete de nossas conveniências. 

Abomino ardis usados em época de campanha no afã de destruir oponentes pela via da difamação e calúnia. Quem os usa deveria ser afastado da vida pública para sempre. 

Política deveria ser feita com integridade, transparência e idealismo. Quem joga sujo para levar o título, certamente jogará sujo enquanto estiver no poder. Como dizia Gandhi, "o que destrói a humanidade é a política sem princípios, o prazer sem compromisso, a riqueza sem trabalho, a sabedoria sem caráter, os negócios sem moral, a ciência sem humanidade e a oração sem amor."

Sigo em minha torcida para que o povo brasileiro, o mesmo que saiu às ruas em Junho do ano passado, possa sair às urnas de maneira consciente, deixando desempregada esta cambada de políticos profissionais cuja intenção jamais foi outra senão a de se locupletar da máquina pública.