terça-feira, maio 21, 2013

10

Na Mira dos Caçadores de Almas




Por Hermes C. Fernandes

A igreja cristã contemporânea está enferma. Um vírus chamado “falso profetismo” infiltrou-se em seu organismo e o infectou. Acredito na possibilidade de tal contágio, porém, sem afetar os fundamentos. Deixe-me explicar:

Paulo, o apóstolo, diz que “ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co.3:11). Todas as denominações que professam sua fé em Cristo, têm n’Ele seu único e irremovível fundamento. Por pior e mais letal que seja um vírus, ele é incapaz de afetar a composição genética do organismo. O DNA é o fundamento que não pode ser alterado. Qualquer grupo religioso que confessar que Cristo é o Filho de Deus, vindo ao mundo para salvar a humanidade, pode ser reconhecido como genuinamente cristão.

O problema começa, não no fundamento, mas na edificação das paredes. Embora o fundamento já esteja posto, “veja cada um como edifica sobre ele” (v.10b). Uns poderão levantar um edifício de ouro, outros de madeira, e outros até de palha.

Jamais poderemos culpar a Cristo pela cabeça de porco que alguns ministérios têm edificado sobre Ele. Porém, é mister que se diga que cada obra passará por uma avaliação. Não se vai avaliar a beleza das paredes, mas a sua durabilidade. Afinal de contas, o fruto que produzimos deve permanecer.

Madeira, palha e feno não servem porque são incapazes de resistir ao fogo. Ouro, prata e pedras preciosas são preferidos, não por serem mais apresentáveis, mas por serem resistentes ao tempo, às pressões, às altas temperaturas e à corrozão.

Quem resolve construir com materiais nobres, sabe que sua obra não ficará pronta da noite para o dia, porque tais materiais não são facilmente encontrados. Há que se garimpar, depurar, derreter e depois dar formato a eles. Para quem tem pressa, madeira, palha e feno são sempre abundantes, e podem ser encontrados em qualquer esquina.

Essa é a diferença entre edificar com a sabedoria do alto, e edificar a partir de estratégias humanas. O que precisamos não é de marketing, e sim da exposição do Evangelho de Deus que é poder de Deus para a salvação de todo o crê. Mas logo surgem os falsos profetas, com suas insinuações, do tipo: Bem, se fosse do meu jeito, as coisas seriam diferentes; a igreja cresceria mais rapidamente; haveria mais recursos disponíveis.

O falso profeta se apresenta como um baluarte da eficiência. Para eles, o mais importante é atrair as pessoas, e para isso, apresentam sempre uma mensagem ao gosto do freguês.

Veja a denúncia feita por Ezequiel:
“A minha mão será contra os profetas que têm visões falsas e que adivinham mentira (...) Visto que, sim, visto que andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz, e quando se edifica a parede, rebocam-na de argamassa fraca, portanto dize aos que a rebocam de argamassa fraca que ela cairá. Haverá uma chuva torrencial, e grandes pedras de saraiva cairão, e um vento tempestuoso a fenderá. Caindo a parede, não vos perguntarão: Onde está o reboco de que a rebocaste?” (Ez.13:9a, 10-12)
Nesta visão, os profetas eram responsáveis pela edificação das paredes. Ainda que se use material de primeira, se as paredes não forem devidamente emboçadas, fatalmente cairão. É o emboço que dá firmeza à parede. Não basta que os tijolos estejam bem ajustados , rejuntados e no prumo. Eles têm que estar firmes.

Os profetas de Israel estavam usando argamassa fraca. Que argamassa era essa? O texto revela:

“Assim diz o Senhor Deus: Ai das que cosem pulseiras mágicas para todos os braços, e que fazem véus de diferentes comprimentos para suas cabeças, a fim de caçarem as almas! Caçareis as almas do meu povo mas preservareis as vossas próprias?” (v.18)
A argamassa usada pelos profetas de Israel era uma mistura de misticismo e legalismo, bem semelhante à que temos presenciado em nossos dias. Porém hoje, o misticismo está mais variado, sofisticado e arrojado. Além de pulseiras mágicas, encontramos também outros pontos de contacto, como rosas ungidas, mantos, fogueiras santas, etc.

Os que tais coisas praticam se justificam dizendo que são estratégias para atrair as pessoas a Cristo. Em vez de pescadores de homens, tornaram-se caçadores de almas. O tipo de pesca usada por Cristo como analogia do trabalho de evangelização é a pesca com redes, que dispensa o uso de apetrechos, de iscas e anzóis. Caçadores usam armas e arapucas, pescadores de homens usam apenas redes. Basta lançar a Palavra da Verdade, e as almas virão, como aconteceu no dia de Pentescostes.

O misticismo é, sem dúvida alguma, a marca principal da igreja contemporânea. Mas além dele, também encontramos outro sintoma desta doença que é o ‘falso profetismo’. Trata-se do legalismo.

No texto de Ezequiel, lemos sobre profetizas que faziam véus de diferentes comprimentos para suas cabeças. Tais véus tinham como objetivo vender uma imagem de santidade. Tudo no afã de caçar as almas incautas.

A genuína santidade não tem nada a ver com o comprimento das saias, ou dos cabelos, ou com qualquer outra coisa ligada à aparência. A verdadeira santidade tem mais a ver com o comprimento da língua. Tanto o misticismo quanto o legalismo aprisionam as pessoas. São rebocos feitos de argamassa fraca, que a qualquer momento apodrecerão, fazendo com que a parede se fragilize e se deteriore.

Depois que a parede cai, não adianta acusar o diabo ou a oposição. É o próprio Deus quem Se levanta contra tais profetas, para derrubar-lhes as paredes mal emboçadas.

Repare no que diz o texto:
“Portanto, assim diz o Senhor Deus: Aí vou eu contra as vossas pulseiras mágicas, com que vós ali caçais as almas como aves, e as arrancarei de vossos braços; soltarei as almas que vós caçais como aves. Rasgarei os vossos véus, e livrarei o meu povo das vossas mãos; nunca mais estará ao vosso alcance para ser caçado. Então sabereis que eu sou o Senhor” (vv.20-21).
Não importa o sucesso momentâneo que um ministério alcance, se estiver baseado na falsidade, na mentira, no roubo, na extorsão, na traição, a parede um dia virá a baixo. Deus mesmo a derribará.

O fundamento permanecerá intacto, e sobre ele, o próprio Deus reedificará.


2

Posição de dormir revela muito sobre você e seu estado de espírito



Tudo aquilo que evitamos expor sobre nossas emoções no dia a dia acaba sendo revelado inconscientemente enquanto dormimos, segundo o psicólogo e mestre em cognição e linguagem João Oliveira, autor de "Saiba Quem Está à Sua Frente" (Ed. Wak). "O estado de espírito e até mesmo os traços de personalidade são expostos, porque é o inconsciente está no comando", afirma ele.

Identifique, a seguir, qual das posições você tem escolhido para dormir com maior frequência ultimamente e entenda o que ela pode revelar sobre você e seu momento na vida.

De bruços com os braços abertos: relaxante e sem tensões no corpo, a posição revela que os grandes problemas diários não afetam de maneira relevante o sono dessa pessoa, segundo o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo, autor de "Linguagem Corporal: Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais" (Ed. Summus). "Quanto mais abertos estiverem os braços e mais relaxada a pessoa estiver, mais extrovertida ela é e maior sua facilidade de se relacionar e fazer amizades", diz. Quem dorme nessa posição, geralmente, é ousado, mas pode ser internamente nervoso e não gostar de críticas ou situações extremas, segundo pesquisa realizada pelo professor Chris Idzikowski, diretor do instituto britânico de pesquisa do sono Sleep Assessment and Advisory Service, que analisou as seis principais posições do sono e suas relações com a personalidade.

De bruços com as mãos embaixo do rosto: pode significar que a pessoa está passando por um momento muito delicado em sua vida, segundo o psicólogo e mestre em cognição e linguagem João Oliveira, autor de "Saiba Quem Está à Sua Frente" (Ed. Wak). "É alguém que gostaria de expor suas verdades, mas teme que possa ser prejudicado. O medo impera no dia a dia", afirma. Para o doutor em semiótica Rubens Kignel, autor do livro "O Corpo no Limite da Comunicação" (Ed. Summus) tendemos a dormir de barriga para baixo quando algo nos ameaça, pois, assim, protegemos nossos órgãos principais e mais vulneráveis, como o coração.
Posição fetal: essa é a postura mais frequente entre as pessoas, adotada por 41% dos mil participantes da pesquisa sobre posições do sono e personalidade realizada pelo professor Chris Idzikowski. Segundo o estudo, a posição fetal revela pessoas que passam a impressão de serem duronas, mas sensíveis interiormente. Podem ser tímidos quando conhecem alguém, mas logo relaxam. Como sinaliza proteção, a posição também pode ser reflexo de uma preocupação com o momento em que vive ou a necessidade de ser apoiada pelos demais, segundo o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo. "Em alguns casos, a pessoa está diante de um conflito pontual e não sabe como resolver", afirma. Para o mestre em cognição e linguagem João Oliveira, além de busca por afeto, a posição revela insegurança. "As pressões do cotidiano podem gerar ansiedade e a carência de afeto leva a uma necessidade de acolhimento", afirma.

Barriga para cima com os braços cruzados: deitar-se com o abdome para cima, com as pernas próximas umas às outras e os braços em cima do peito e cruzados são sinais de proteção, de acordo com o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo. "Quanto mais cruzados estiverem os braços, mais defensiva é a pessoa", afirma. Segundo ele, se, além disso, as mãos estiverem fechadas, é sinal de que a pessoa passa por momento de extrema tensão em sua vida.

Barriga para cima e mãos entrelaçadas atrás da cabeça: a típica posição de quando se dá um cochilo em uma rede na praia também costuma ser usada na cama quando se está mais tranquilo, disposto e sem receios. As pessoas que costumam dormir assim gostam de contatos informais e de fazer amizades, têm alto nível de autoconfiança e tendência a serem folgadas, segundo o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo. "É alguém que gosta de liderar e manter o domínio sobre tudo que ocorre ao seu redor. Costuma se considerar superior do que os demais e, em alguns casos, pode ser arrogante", diz. Essa autoconfiança, segundo ele, muitas vezes leva ao desejo de ser o centro das relações e à imposição de sua vontade sobre todos. "É uma pessoa teimosa e que sabe atingir os objetivos que traça", diz Camargo.

Barriga para cima e braços abertos: segundo pesquisa do especialista em sono Chris Idzikowski, pessoas que dormem desse modo são ótimos amigos, porque estão sempre dispostos a ouvir e a oferecer ajuda. O estudo mostrou que elas geralmente não gostam de ser o centro das atenções. Para o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo, a posição é frequente entre pessoas que têm facilidade de manter contatos com aqueles que estão ao seu redor, são receptivas e sabem agir com equilíbrio, mas que sentem necessidade de dominar as situações. Segundo ele, expor o abdome é sinal de confiança. "Quanto mais aberta a pessoa fica na cama, mas relaxada está, sinal de que sabe lidar com as tensões diárias e não leva preocupações para a cama", diz ele.

Barriga para cima e braços ao longo do corpo: são pessoas geralmente quietas e reservadas, que fogem da agitação e impõem a si e aos outros padrões elevados, segundo pesquisa do professor Chris Idzikowski, diretor de um centro de pesquisa sobre o sono em Londres. O psicólogo João Oliveira também acredita que se trata de alguém organizado e altamente rígido consigo mesmo. "A austeridade pode ser a sua marca principal. Essas pessoas acabam sofrendo muito com a realidade bagunçada que têm de enfrentar todos os dias. Geralmente são muito caladas, pois temem se expor", afirma. Dormir com os pés unidos e as mãos coladas ao corpo também costuma revelar um alto grau de tensão, o que significa que a pessoa nem sempre relaxa diante das mais diversas situações do cotidiano e tende a levar a vida muito a sério, segundo o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo. "É alguém que não gosta de conflitos e tende a ser constante em suas posições", diz.

De lado com as mãos para frente: são pessoas abertas, mas que podem ser desconfiadas e cínicas, segundo pesquisa do especialista em sono Chris Idzikowski. O estudo mostra também que elas costumam demorar para tomar decisões mas, quando tomam, dificilmente mudam de ideia. Segundo o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo, é alguém com bom controle das emoções e que sabe manter a distância entre os demais. A posição dos braços pode ser interpretada como alguém de personalidade sonhadora, que deseja alcançar algo em sua frente. Para o psicólogo João Oliveira, trata-se de uma pessoa que se coloca à frente das outras, provavelmente invadindo o espaço alheio, e não teme consequências.

De lado com os braços ao longo do corpo: são pessoas sociáveis, porém podem ser ingênuas e se deixarem levar facilmente, segundo pesquisa do professor Chris Idzikowski. Para o especialista em linguagem corporal João Oliveira, é uma pessoa organizada e altamente rígida consigo. Para o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo, a posição mostra que a pessoa é tensa e um pouco rígida. Se houver muita tensão muscular nos braços e pernas, é sinal de dificuldade para relaxar diante dos fatos mais simples do cotidiano. "Como ela não relaxa durante a noite, a tensão do período noturno é levada para os relacionamentos cotidianos", afirma Camargo.



Cobrindo todo o corpo: pode estar fazendo quase 40 graus, mas a pessoa não consegue dormir sem estar coberta até a cabeça, levando o lençol até o próprio rosto e deixando apenas o nariz de fora? Isso é sinal de uma busca extrema por proteção, de acordo com especialistas em linguagem corporal. Segundo o psicólogo e mestre em linguagem corporal João Oliveira, trata-se de alguém que vive um misto de medo e carência em excesso na vida.


Dormir agarrado ao travesseiro: pode ser sinal de que a pessoa vive um momento que necessita de apoio e carinho e se sente insegura, segundo o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo. Abraçar o próprio corpo ao dormir ou até mesmo bicho de pelúcia também têm o mesmo significado. "Essa pessoa se sente sozinha no mundo e, mesmo tendo alguém ao seu lado, não se julga compreendido e aceito", afirma o psicólogo e mestre em linguagem corporal João Oliveira.


Esparramado pela cama na diagonal: sozinho ou acompanhado, é alguém que faz questão de ocupar o maior espaço possível da cama e acaba dormindo deitado na diagonal. "Quem gosta de utilizar todos os espaços possíveis da cama geralmente é extrovertido e confiante", afirma o especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo. Em alguns casos, segundo ele, pode ser sinal de alguém que não tem noção de limites e sente dificuldade de respeitar o espaço dos demais.

E você? Como dorme?


Por Andrezza Czech no UOL Mulher (Vi no Controle Remoto)

domingo, maio 19, 2013

4

Amor à vida




"Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo despreza a sua vida, 
guardá-la-á para a vida eterna". 

João 12:25


Por Hermes C. Fernandes

Segundo o diagnóstico dos reformadores do século XVI, o problema central do ser humano era a justiça própria. Foi a partir dessa conclusão, que eles estabeleceram a “Justificação pela fé” como a bandeira principal do cristianismo protestante.

Se fosse possível ao homem salvar-se mediante boas obras, isso retroalimentaria seu orgulho, cativando-o para sempre em um ciclo do pecado. Somente a graça seria capaz de romper com este ciclo, pois a mesma seria um golpe desferido por Deus no orgulho humano, salvando-o de si mesmo.

Embora concorde com as doutrinas defendidas pelo protestantismo histórico, acredito que houve um erro de diagnóstico. O problema humano não repousa sobre a justiça própria. Na verdade, a justiça própria equivale a um remédio errado que foi ministrado em cima de um sintoma.

Sabemos, pelas Escrituras, que o problema humano se chama “pecado”. Ainda que o conceito seja exclusivo das religiões originárias em Abraão (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), todas as outras religiões concordam que alguma coisa esteja errada com o ser humano. E todas elas, exceto o cristianismo bíblico, acreditam que o remédio para isso é a justiça própria. Para superar sua alienação espiritual, o homem teria que praticar boas obras, que expressassem seu senso de justiça e retidão.

De acordo com as Escrituras, nossas boas obras são como trapos de imundícia (Is.64:4). Era assim que se chamava o pano usado pelas mulheres para conter o fluxo menstrual. Em outras palavras, nossas boas obras são uma tentativa inútil de conter nossa hemorragia espiritual. E por melhores que sejam, estão sempre manchadas pelo nosso pecado. Por isso, a salvação não poderia ser pelas obras, pois elas estariam manchadas pelo nosso orgulho e vaidade.

Quando os reformadores se aperceberam disso, resolveram combater a justiça própria, mostrando aos homens que a única maneira de serem salvos é confiar na justiça divina, demonstrada na Cruz, onde Cristo recebeu nossos pecados e suas conseqüências, e nos imputou Sua justiça e santidade. Aos olhos de Deus, tornamo-nos justos, a despeito de nossas obras, quando reconhecemos nossa bancarrota, e nos fiamos na justiça de Seu Filho Jesus. É pela fé, e tão somente por ela, que Sua justiça é computada em nossa conta.

Até aí, tudo bem. Não há o que rebater. Basta ler Romanos, Gálatas, e toda a Bíblia, para dar-se conta de que a justificação pela fé é uma doutrina imprescindível e inegociável.

A Justificação pela Fé estanca a hemorragia provocada pelo pecado, mas não nos cura de nossa anemia.

É importante combater a justiça própria, pois ela nada mais é do que um placebo, um “me-engana-que-eu-gosto”. É importante estancar a hemorragia, em vez de tentar contê-la com boas obras. Mas acima de tudo, é importante restaurar a saúde espiritual do ser humano. E pra isso, tem-se que combater o pecado. E o que seria o “pecado”? Ora, o termo “pecado” significa “errar o alvo”. Mas acerca de quê alvo estamos falando? Qual o alvo original estabelecido por Deus à criatura humana?

Essa resposta pode ser encontrada nos dois principais mandamentos de Deus. Eles se constituem no alvo de nossa existência.
“...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mt.22:37-40).
Eis o alvo! Fomos feitos para o amor. E o alvo deste amor é Deus, e, por conseguinte, nossos semelhantes. Porém, ao cair, o homem desvirtuou o alvo, e introduziu um novo alvo: seu próprio eu.

Quem disse que Deus ordenou que o homem amasse a si mesmo? O amor próprio é a essência do pecado. É o próprio pecado. Deus jamais nos ordenaria que pecássemos. Ao dizer que deveríamos amar a nosso próximo como a nós mesmos, ele não está endossando o amor próprio, mas condenando-o. Com efeito, Ele disse: O amor que vocês nutrem por si mesmos, devem dedicar aos outros em vez de a si. O “amor próprio” aqui entra apenas como um referencial, e não como algo louvável e que deva ser estimulado.

As religiões aparam os ramos, e eles continuam a frutificar. O golpe desferido pelos reformadores atingiu o tronco da árvore, e não a sua raiz. Urge desferirmos um golpe na raiz da árvore, o amor próprio.

Todos os pecados têm no amor próprio seu ponto de partida.

Por exemplo: a mentira. Geralmente, a mentira visa a autopromoção ou a autopreservação. O indivíduo mente para promover-se, exagerando em seus dotes, enfatizando suas proezas. Ou mente para proteger-se. Portanto, a mentira é filha do amor próprio.

E o adultério? Quem se entrega a uma relação adúltera busca por autossatisfação, sem importar com a dor que causará ao seu cônjuge e filhos.

Autopromoção, autopreservação e autossatisfação são os principais alvos estabelecidos pelo amor próprio.

Há ainda a filha caçula do amor próprio, a autoestima, um nome mais sofisticado para o velho orgulho. E há ainda o sobrinho do amor próprio, a autoajuda, tão em voga em nossos dias. Em vez de buscar ajuda do alto, o homem pós-moderno prefere acreditar em seu próprio potencial para resolver todos os seus problemas.

O antídoto para a justiça própria é a graça. Através dela a justiça humana é desbancada, e em seu lugar é entronizada a justiça de Deus. E qual seria o antídoto para a o amor próprio? O antídoto para o amor próprio é a cruz.

Os reformadores protestantes enfatizaram a morte de Jesus em nosso lugar, mas se esqueceram de dar igual ênfase à nossa co-crucificação. Dizer que Jesus morreu por nós é a mais pura verdade, mas não expressa toda a verdade. Ele morreu por nós, mas nós também fomos crucificados com Ele. O apóstolo Paulo conjuga com maestria essas duas verdades:
“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu” (2 Coríntios 5:14-15).
O amor revelado na Cruz deve constranger-nos a ponto de não mais vivermos para nós. A Cruz é um golpe fatal no amor próprio.

Paulo compreendeu isso perfeitamente: “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2:20).

Onde foi parar a autoestima de Jesus? Como Ele pôde entregar-Se de tal maneira por gente que sequer merecia?

Jesus estabeleceu um novo referencial de amor. Antes da Cruz, a referência mais eloquente que o homem tinha era o amor próprio. Mas agora, Jesus o desbancou, entregando-Se por nós sem reservas. E é este o tipo de amor que devemos dispensar aos nossos semelhantes.

Pela Cruz, somos salvos não apenas da condenação do inferno, ou da ira divina, mas somos salvos de nós mesmos.

Pelas pisaduras de Cristo, fomos curados de nossa hemorragia e de nossa anemia espiritual. Agora somos instados a amar a Deus sobre todas as coisas e aos nossos semelhantes da maneira como Ele nos amou, e não como a nós mesmos.

Tudo isso sugere que o que a igreja cristã necessita não é de mais uma reforma, nos moldes do século XVI, mas de uma revolução de amor, onde o amor próprio seja deposto, e em seu lugar seja entronizado o Novo Mandamento de Jesus.

sábado, maio 18, 2013

15

Hora de acabar com a farra dos lobos!




Por Hermes C. Fernandes

Paulo jamais experimentara uma despedida como aquela. Os irmãos efésios simplesmente não admitiam sua partida. Embora tenha passado apenas dois anos ali, sua dedicação em tempo integral criou um forte laço de amor entre eles.

Sua consciência estava tranquila, pois em suas próprias palavras, nada que útil fosse, deixou de anunciar e ensinar "publicamente e nas casas" (At.20:20). Repare nisso: todo o ministério de Paulo junto aos efésios se dava num ambiente aberto, sem segredos, sem mistério. Era nesse ambiente aberto que Paulo lhes anunciara todo o conselho de Deus (v.27). Ele jamais deixara nada para uma ocasião especial, pois sabia que a qualquer momento Deus o requisitaria para outro lugar, e por isso, queria estar inocente do sangue daquela gente.

Agora, ele tinha que convencê-los de que era "compelido pelo Espírito" que ia para Jerusalém, mesmo sabendo que o que o esperava eram prisões e tribulações. Mas tudo bem! Afinal de contas, Paulo não tinha sua vida por preciosa, desde cumprisse com alegria o ministério que recebera do Senhor, dando testemunho da graça de Deus.

Chegara a hora da despedida! Nunca mais aquele povo o veria novamente. Olhando para os que ficariam responsáveis pelo rebanho, Paulo diz: "Olhai por vós, e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue" (v.28).

A coisa é séria! Cuidar do rebanho de Deus é a melhor declaração de amor que podemos fazer a Ele. Por isso, quando Pedro respondia que amava ao Senhor, Jesus lhe dizia: Apascenta minhas ovelhas! O rebanho não é meu, não é da igreja A, B ou C. O rebanho é do Senhor, e foi comprado com o sangue de Deus! Se escandalizou com esta expressão, volte a ler o texto e verifique se não é isso que diz ali: Sangue de Deus.

Naquele momento de impasse, Paulo embarga a voz, engole seco, e diz: "Sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho" (v.29).


Se ele pudesse, certamente ficaria por ali mesmo, para afugentar esses lobos cruéis, que certamente já espreitavam o rebanho, esperando apenas pela sua saída.

A crueldade é a primeira característica desses lobos. Por isso, eles não poupam o rebanho. Não se satisfazendo só com a lã, querem também sua carne, seu sangue, sua alma.

Esses lobos não viriam de fora, mas emergiriam de dentro do próprio rebanho, falando coisas perversas com uma única finalidade: "atrair os discípulos após si" (v.30). Não eram lobos vira-latas, mas lobos com pedigree.

Em vez de atrair as pessoas a Cristo, preferem atraí-las a si, com seu carisma, com sua atenção, com seu amor fingido, com palavras elogiosas e falsas. Pena que as pessoas sejam tão propensas a acreditar nesses lobos. Escrevendo a Tito, Paulo os apresenta como "insubordinados, faladores vãos, e enganadores" (1:10). O que fazer com eles? Deixá-los à vontade para que se sirvam das ovelhinhas de Jesus? Definitivamente, não! "É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância" (v.11).

Já que não dá pra evitar a aproximação desses lobos cruéis, vamos colocar focinheiras neles, para que não devorem as ovelhas de Deus. Vamos mostrar para esses lobos, que a igreja de Cristo não lhes servirá mais de playground. Chega de se divertirem às custas do rebanho de Deus. Vamos colocá-los para jejuar. Se quiserem se alimentar, terão que mudar seu cardápio. Ovelhas, não mais!

E para tapar-lhes a boca, temos que denunciá-los, expor suas intenções, revelar suas estratégias. Não podemos nos calar, pois isso seria fatal. Em outras passagens, Paulo se refere a esses maus obreiros como cães. Eu diria mais: cães raivosos. Quando não matam a ovelha, transmitem-lhe raiva. A gravidade da situação era tamanha, que Paulo conclama os efésios a se lembrarem que durante três anos ele não cessou de admoestá-los com lágrimas noite e dia.

Não brinque com coisa séria! Famílias inteiras têm sido devoradas por esses lobos vorazes.

Que nossa admoestação seja, ao mesmo tempo, um cajado para resgatar as ovelhas que já estiverem na boca desses lobos, e uma vara impiedosa para colocá-los pra correr.

Um último aviso para você, lobo cara-de-pau: Desista das ovelhas do Senhor! Se quiser, fique de longe babando, mas não se atreva a se aproximar, caso contrário, você experimentará a fúria do Bom Pastor.

Está dito!

sexta-feira, maio 17, 2013

17

Carta de um gay expulso da igreja



Prezado pastor,

Sou um rapaz inteligente, gentil, bem educado, sensível... e gay. Na adolescência tentei me interessar por garotas, mas não rolou. Toda vez que me aproximava de uma menina, sentia um misto de repulsa e nojo. E o pior é que elas se interessavam por mim. Sempre tive um bom papo, e isso deixava as garotas iludidas. Eu as queria como amigas, mas não como namoradas. Acabei me apaixonando por um colega de escola. Foi uma tortura. Não queria aceitar aquilo. Eu sabia do desgosto que daria à minha mãezinha. Por isso, jamais tive a coragem de me declarar a ele. As vezes penso que ele deve ter sacado por causa dos meus olhares.

Um dia resolvi entrar numa igreja. Gostei demais do culto. As pessoas eram tão alegres, simpáticas, receptivas. Pensei comigo mesmo: aqui eu serei aceito. Quem sabe eu possa mudar...

Fui me envolvendo com as atividades da igreja. O pastor parecia gente muito boa. Me chamou pra participar do grupo de dança, contanto que eu me batizasse. Como eu gostava muito de dançar, achei que seria legal ser batizado.

Comecei a ser mais cuidadoso pra não dar na pinta, entende? Tentei engrossar minha voz, evitar aqueles trejeitos típicos que denunciassem minha tendência.

Mas quando começava a dançar, eu me soltava. Quando dava por mim, já havia requebrado.

Um dia o pastor me chamou para uma conversa. Disse que percebera algo estranho em mim e que eu precisava me consertar se quisesse continuar na igreja. Eu disse que era impressão dele. Foi então que resolvi me aproximar de uma menina que era integrante do grupo de louvor. Começamos a namorar. O pastor demonstrava estar muito orgulhoso de mim. Ela era muito especial, bonita, inteligente e super-talentosa. A gente se beijava, se abraçava, mas aos poucos ela foi percebendo que eu não passava muito disso. Eu nem me sentia excitado. Mas tentava disfarçar. Dizia que eu não queria dar lugar à carne pra não pecar.

Um dia o pastor pregou uma mensagem sobre confissão dos pecados. Ele disse que se nós não confessássemos uns aos outros não poderíamos ficar curados. Aquela pregação me tocou muito. Chorava como criança. Depois da mensagem ele chamou quem quisesse ir à frente para confessar seus pecados. Foi o momento mais difícil da minha vida. Mas resolvi tomar coragem, me levantei e encarei a congregação. 

Disse mais ou menos assim: Irmãos, estou com vocês há vários meses e me sinto parte desta família. Vocês me acolheram, confiaram em mim, me fizeram sentir uma pessoa querida e amada. Por isso, acho que não é justo continuar escondendo algo. Irmãos, tenho tido uma luta muito grande com a minha carne. Evito pensar nisso. Tenho tentado mudar. Mas o fato é que eu sou gay.

O pastor me interrompeu e me mandou de volta ao meu lugar. Ninguém mais se atreveu fazer outra confissão depois da minha.

De repente, aquelas pessoas que pareciam me amar tanto revelaram um lado que eu desconhecia. Após o culto, se afastaram de mim. A única palavra que ouvi do pastor foi: Que vergonha!

Na outra semana recebi a notícia de que deveria me afastar de todas as atividades da igreja. Fui proibido de participar da Ceia do Senhor.

Não tive alternativa. Me afastei da igreja e voltei para o mundão. Já pensei em me matar. Minha mãe não sabe a razão porque saí da igreja.

Ninguém me visitou, nem me telefonou. Eu me senti um lixo.

Mas o que mais me revoltou é que descobri algo muito sério sobre meu ex-pastor. Um colega meu me garantiu que ele se envolveu em um caso com outro homem, que também é pastor e casado (a esposa dele é tão bonita!). Isso foi um choque pra mim. Ele parecia tão feliz com a esposa. Meu colega me contou que o casamento deles é só de fachada. Não há amor. Ela até disse pra alguém que sente nojo do próprio marido. A esposa dele sempre me pareceu muito masculina...deixa pra lá. Pelo jeito estão casados por conveniência. Tudo não passa de aparência.

Que hipocrisia! Me puseram pra fora da igreja porque confessei minha fraqueza. Mas este pastor continua enganando o rebanho. Parece que já teve caso com outro obreiro da igreja. Uma vez reparei um olhar que ele lançou sobre um irmão lá da igreja. Pensei que ele estivesse só brincando. Hoje vejo que era verdade.
Será que um dia ele terá a coragem que eu tive pra confessar sua fraqueza? E que direito ele tinha de me colocar pra fora ?

Não sei se devo procurar alguém e contar o que sei. Talvez pensem que quero me vingar pelo que ele fez comigo.

Ainda estou muito magoado, mas quero voltar pra igreja. Recentemente voltei a orar, e estou decidido que não vou me promiscuir. Tenho pedido a Deus pra me dar força pra vencer meus impulsos.

Minha ex-namorada andou me ligando e dizendo que me perdoou. Ela não tem esperança de voltar pra mim, mas gostaria de ser minha amiga. Achei isso incrível da parte dela. Ela admira tanto aquele pastor, mas não sabe que ele é um enganador.

Não vou enganar filha de ninguém. Quero apenas servir a Jesus com meus talentos, sem ter que usar máscaras. Obrigado por me ouvir, pastor. Ore por mim.

***
Lamentável saber que esta carta retrata o dilema de muitos. A igreja precisa redescobrir a graça, acolhendo indistintamente a todos com amor. Hoje, dia 17 de Maio, quando se celebra no Brasil o Dia contra a Homofobia, minha oração é para que sejamos menos hipócritas e mais complacentes, não apenas com os que vivem tal dilema, mas com todos os seres humanos, independentemente de sua etnia, comportamento, poder aquisitivo, ou credo religioso. 

quinta-feira, maio 16, 2013

23

Quando Deus dá asas a cobra





Por Hermes C. Fernandes

Serpentes. Só a menção deste nome já causa arrepios em muita gente. Na primeira vez que morei na Flórida, tive que expulsar uma serpente que invadira nosso quintal. Vali-me do báculo episcopal que havia recebido em minha sagração a bispo. Recentemente, uma serpente negra, muito parecida com aquela que enfrentei, apareceu em nosso jardim. Tânia, minha esposa, tentou espantá-la, porém em vão. Sorte a nossa que essas serpentes negras, tão comuns nesta região da América, não são peçonhentas. Bem diferentes daquelas que, segundo a tradição, foram expulsas da Irlanda por Patrício, bispo cristão que viveu entre 385 e 461 d. C. Até hoje não há cobras em território irlandês. Segundo a lenda, a Irlanda era infestada de serpentes, até o dia em que Patrício as expulsou.

Geralmente, acredita-se que sonhar com serpentes indica que alguém está sendo traído. Eu mesmo passei por uma experiência destas.

Havia um pastor em nosso ministério em quem eu confiava cegamente. Eu o tinha como um filho, e um dos possíveis candidatos à minha sucessão. Minha confiança nele era tão grande, que deixei-o à frente da igreja que eu mais amava. Prestes a viajar para o Exterior, tive uma sensação horrível, e temi que algo fosse acontecer durante essa viagem. Convidei-o a ir à minha casa, e chamando-o ao meu quintal, disse-lhe o quanto confiava nele, e pedi para que, caso algo me acontecesse, ele jamais deixasse apagar a chama da mensagem da graça e do reino de Deus (ênfases em nosso ministério). Com lágrimas nos olhos, eu o abracei como um pai ao filho. Naquele momento, minha mente foi remetida a um sonho que havia tido dias antes. Sonhei que aquele mesmo quintal onde nos abraçamos, estava infestado de serpentes. Uma grande, e muitas pequenas. Não comentei o sonho com ele, mas senti que aquele abraço poderia encontrar paralelo com o beijo dado por Judas em Jesus. Tempos depois, esse mesmo pastor agiu traiçoeiramente contra o meu ministério, expondo-me publicamente com acusações infundadas. Infelizmente, ele não se arrependeu do que fez, embora lhe tivéssemos dado chance para tal, mas provocou a divisão de uma das nossas principais igrejas (que eu mesmo havia iniciado anos antes), contagiando aquele povo que tanto amávamos, provocando-o contra nós e o nosso ministério. Foi um dos momentos mais dolorosos que passei em toda a minha vida. Já havia sido traído antes, mas não por alguém que eu considerava um filho. Embora o tenha perdoado, confesso que ainda dói, principalmente quando lembro das lágrimas dos meus filhos diante daquela injustiça. A hemorragia se estancou, mas a ferida ainda está inflamada. Alguns dos que aderiram à rebelião, se arrependeram depois, procurando-me com pedidos de perdão, pois caíram em si e perceberam o que havia por trás de tudo aquilo: orgulho e ganância, tão característicos da natureza humana.

A serpente não é apenas símbolo de traição, como também é símbolo da malignidade de nossa própria natureza. Por isso, o salmista exclama: “Desviam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nascem, proferindo mentiras. Têm veneno semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos” (Sl.58:3-4). Não era em vão que Jesus se dirigia carinhosamente aos religiosos hipócritas de Sua época, chamando-os de “serpentes, raça de víboras!” (Mt.23:33).

A figura da serpente habita o imaginário popular, deixando de ser apenas um réptil asqueroso e rastejante para tornar-se num poderoso arquétipo. A palavra 'arquétipo' (grego archétypon) pode ser traduzida por "modelo", "padrão", ou "tipo primitivo". De acordo com Carl Jung, pai da Psicologia Analítica, os arquétipos "são as partes herdadas da psiquê", padrões de estruturação do que Jung denominou de inconsciente coletivo. Assim como temos uma herança biológica, também teríamos uma herança psíquica. Estruturas com as quais já nascemos. Cada nova geração assenta num novo tijolo neste muro psíquico.

A serpente é um desses arquétipos que acompanham a humanidade desde os primórdios.

Nas páginas das Escrituras, ela aparece pela primeira vez como aquela que tenta o primeiro casal, fazendo-os comer do fruto que Deus havia proibido. A partir deste episódio fatídico, a serpente passou a habitar no inconsciente coletivo da humanidade, alimentando-se do pó produzido pelo caminhar do homem, conforme Deus havia sentenciado.


Com o passar do tempo, a serpente foi evoluindo. Conquanto tenha perdido a habilidade de andar, passando a rastejar, ela acabou por desenvolver a habilidade de voar. A serpente do Éden ganhou asas, deixando de ser um réptil rastejante, para ser um dragão alado.

Ou não é isso que lemos em Apocalipse?

“E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, que engana a todo o mundo” (Ap.12:9).

Pelo jeito, o diabo conseguiu dar um upgrade na imagem construída no imaginário popular. Mas não deixou de ser o enganador-mor, inspirador de toda dissensão entre os homens; aquele que entra sorrateiramente, sem ser percebido, e ali semeia a discórdia, o ódio, o ressentimento.

O mesmo Deus que permitiu que a serpente se infiltrasse no Paraíso sem ser notada, também permitiu que ela criasse asas, tornando-se assim o príncipe das potestades do ar. Porém, suas asas são como as de Ícarus. Na medida em que tenta se elevar, elas vão derretendo, como asas de cera. O mesmo orgulho que o impulsiona para cima, torna maior o seu tombo. Por isso, ele é precipitado das alturas. Lá não é seu lugar. Todos quanto o seguirem, juntamente cairão.

Embora dotado de asas, o pavão sabe como disfarçá-las. Sabe como entrar num ambiente sem chamar a atenção para si.

Daí a preocupação de Paulo com os fiéis de Corinto:

“Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Pois se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais...” (2 Co.11:3-4).

Como pessoas que experimentaram a graça de Deus podem dar ouvido a qualquer espírito? Deixam a simplicidade do genuíno Evangelho da Graça por aquilo que foi gerado em corações doentes, cheios de amargura, vaidade e ganância.

Sem dúvida, o temor de Paulo era justificável. “E não é de admirar, pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transformem em ministros da justiça. O fim deles será conforme as suas obras” (vv.14-15).

Tais obreiros fraudulentos não sabem o que estão entesourando para si. Veja a exortação que lhes é destinada: “Não te alegres, tu, toda a Filístia, por estar quebrada a vara que te feria; da raiz da cobra sairá um basilisco, e o seu fruto será uma serpente venenosa e voadora” (Is.14:29). Os filisteus festejavam por terem se livrado do domínio de quem os conquistara. Mas não sabiam que estavam chocando ovos de serpente. O mesmo se deu com Israel quando apostatou-se. Isaías os denunciou: “Ninguém há que clame pela justiça; ninguém comparece em juízo pela verdade. Confiam na vaidade, e andam falando mentiras; concebem o mal, e produzem iniqüidade. Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha. Aquele que comer dos ovos deles morrerá, e se um dos ovos é quebrado, sai dele uma víbora” (Is.59:4-5).

Deixe que a serpente exiba suas novas asas. Deixe que sua boca se encha de arrogância. Deixe que se gabe de suas conquistas. O Senhor a julgará!

A mentira será revelada! O que estiver escondido virá à tona. Seus ovos eclodirão, e deles sairão seus filhotes que igualmente o trairão.

É praticamente impossível caminhar pelos corredores do mundo cristão sem se deparar com tais serpentes. Elas estão por aí, em nossos púlpitos, exibindo credenciais pastorais e diplomas de doutorado em divindade. O temor de Paulo nos assombra.

Como sobreviver às suas investidas? Como resistir ao seu encantamento? Como escapar de seu carisma e simpatia?

Se voltarmos à simplicidade do Evangelho, seu veneno perderá sua nocividade.

Paulo havia sobrevivido a um naufrágio, e estava aquecendo-se ao redor de uma fogueira juntamente com os demais sobreviventes e alguns nativos da Ilha onde encontraram socorro. De repente, uma serpente salta da fogueira e se lhe apega a mão. Os nativos sabiam que era uma espécie ultra-venenosa, e ficaram esperando pelo momento em que ele cairia morto. Paulo simplesmente sacudiu a serpente, devolvendo-a ao fogo. As horas se passaram, e ele sequer queixou-se de mal estar. Apesar de ter sido julgado mal, de ter sido acusado injustamente, Paulo não deu ouvidos a nada disso, e prosseguiu em seu caminho (At.28:1-5).

Não se preocupe com o que digam a seu respeito. Não tente provar nada a ninguém. Sacode a serpente! Devolva-a ao fogo de onde saiu, e siga em frente. Só não vale prosseguir com a serpente apegada à sua mão.

Jesus garantiu a Seus discípulos que eles segurariam em serpentes, e elas não lhes faria mal algum (Mc.16:18). Estamos vacinados contra o seu veneno. No final, a verdade sempre prevalece. Podemos segurar em serpentes, mas não deixar que elas nos segurem.

Ele nos deu poder para pisarmos serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada, absolutamente nada nos fará dano algum (Lc.10:19).

Na finalização de sua carta aos Romanos, Paulo os admoesta e lhes apresenta uma promessa:

“Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes. Desviai-vos deles. Pois os tais não servem a Cristo nosso Senhor, mas ao seu ventre. Com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos incautos (...) O Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés” (Rm.16:17-18,20a).

Que assim seja!


Publicado originalmente em 08/10/2009

quarta-feira, maio 15, 2013

1

Cientistas americanos clonam embrião humano pela primeira vez


Óvulo de doadora com núcleo de célula de pele (Foto: Divulgação/OHSU)

Pesquisadores usaram técnica semelhante à da utilizada na ovelha Dolly. Linha de pesquisa buscava resultado há mais de 15 anos.

Depois de mais de 15 anos de fracassos de cientistas de todo o mundo, além de um caso de fraude, cientistas finalmente criaram células-tronco humanas com a mesma técnica que produziu a ovelha clonada Dolly, em 1996.
A equipe liderada por Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon, nos EUA, publicou artigo a respeito na revista "Cell", nesta quarta-feira (15)
Como informa a agência Reuters, para chegar ao resultado, os pesquisadores transplantaram material genético de células adultas em óvulos cujo DNA havia sido removido. Eles cultivaram células de seis embriões criados, em dois casos, a partir de DNA de amostras das peles de uma criança com uma doença genética, e, nos outros quatro casos, de fetos saudáveis.
Em cada um dos casos, o DNA foi inserido em óvulos não fertilizados doados e, após a aplicação de uma sequência de técnicas, foi verificada a replicação das células.
O procedimento, segundo a "Cell", abre uma nova frente para a medicina com células-tronco, que tem sido prejudicada por desafios técnicos, bem como questões éticas.
Até agora, as fontes mais naturais de células-tronco humanas eram embriões humanos, cuja utilização em pesquisa cria dilemas éticos. Para determinados setores, um óvulo fecundado deve ser tratado como um ser humano e, por isso, não pode ser descartado. A técnica divulgada nesta quarta-feira usa óvulos humanos não fertilizados, e, assim, não se enquadraria nessa discussão.
Eliminar a necessidade de embriões humanos pode aumentar as tentativas de utilização de células-tronco e suas descendentes para substituir células danificadas ou destruídas por problemas cardíacos, mal de Parkinson, esclerose múltipla, lesões na medula e outras doenças devastadoras.
Clonagem
A técnica, no entanto, também poderia ressuscitar os temores da clonagem reprodutiva, ou produzir cópias genéticas de indivíduos vivos (ou mortos). Mesmo antes de o estudo ser publicado, um grupo britânico chamado Human Genetics Alert protestou contra a pesquisa.
"Os cientistas, finalmente, entregaram o bebê que pretensos clonadores humanos têm estado à espera: um método confiável para criar embriões humanos clonados", disse o dr. David King, diretor do grupo. "Isso torna imperativo que nós criemos uma proibição legal internacional sobre a clonagem humana, antes que mais pesquisas como essa apareçam. É irresponsável ao extremo a publicação desta pesquisa."
Entre os cientistas, no entanto, o fato de a técnica ter funcionado está sendo saudado como um avanço, como afirmou o biólogo especializado em células-tronco George Daley, do Harvard Stem Cell Institute. "Isso representa uma conquista inigualável. Eles tiveram sucesso onde muitas outras equipes fracassaram, inclusive a minha."
  •  
Cientistas criam células-tronco humanas por meio de clonagem (Foto: Divulgação/OHSU)Montagem mostra diferentes estágios do processo
descrito pelos cientistas na 'Cell'
(Foto: Divulgação/OHSU)
Fraude
Entre os que fracassaram na utilização da técnica está o biólogo Hwang Woo-suk, da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul.
Em 2005, Hwang e sua equipe foram manchete em todo o mundo quando anunciaram, na revista "Science", que haviam criado células-tronco embrionárias humanas por meio de transferência nuclear, a mesma técnica que os cientistas de Oregon usaram. A alegação de Hwang acabou sendo desmentida, tornando-se um dos casos mais famosos de fraude científica na última década.
Se o feito da equipe de Oregon se mantiver e puder ser replicado por cientistas em outros laboratórios, o método oferecerá uma terceira, e potencialmente superior, forma de se produzir células-tronco embrionárias.
A pesquisa com células-tronco decolou em 1998, quando cientistas liderados por Jamie Thomson, da norte-americana University of Wisconsin, anunciaram que conseguiram cultivar células a partir de embriões humanos de alguns dias obtidos em clínicas de fertilização, chamadas de blastocistos.
Como os blastocistos eram destruídos quando as células-tronco eram removidas, grupos que acreditam que a vida começa na concepção promoveram intensos protestos. Em 2001, o presidente norte-americano George W. Bush proibiu financiamento público federal nos EUA para pesquisa que criaria mais blastocistos.
Fonte: G1