Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

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Eu odeio o culto (show?) que vocês me oferecem!



Que vídeo inconveniente! Como gostaria que fosse exibido em todas as igrejas de nossos dias...

# Esta canção é baseada no primeiro capítulo do livro do profeta Isaías.

Domingo, Janeiro 29, 2012

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Os Donos da Agenda de Deus



















Por Hermes C. Fernandes


Deus agora é refém das agendas feitas por seus empresários. Perdeu Sua soberania! Sabe aquela história de que o vento sopra onde quer, e ninguém sabe de onde vem, nem pra onde vai? Pois é... já era! Agora o vento sopra onde e quando os empresários de Deus determinarem.

Tem quem ache que pode agendar uma audiência com o Criador. Não há mais lugar para surpresas. Agora é tudo com hora marcada e endereço certo. E ai de Deus se não corresponder às expectativas! Corre o risco de perder o trono.

Algumas igrejas oferecem um tipo de cardápio aos seus fiéis, onde há um dia certo para Deus curar, outro para Deus prosperar, e ainda outro para abençoar as famílias. Se o doente vier no dia errado, volta pra casa com sua enfermidade.

Tem até quem agende um dia especial para um encontro com Deus. E se a pessoa morrer antes do tal encontro? Coitada! Vai direto pro beleléu, sem direito a escala.

Perdeu-se completamente a reverência ao sagrado.

Cabe aqui a advertência do sábio Salomão: “Não presumes do dia de amanhã, pois não sabes o que produzirá o dia” (Pv.27:1).

Quanta presunção humana achar que pode impor limites ao agir de Deus!

Tiago ecoa a mesma admoestação:

“E agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. Ora, não sabeis o que acontecerá amanhã. O que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. Vós vos jactais das vossas presunções. Ora, toda jactância tal como esta é maligna.” Tiago 4:13-16

Repare bem: Se não somos donos nem de nossa própria agenda, quanto mais da agenda de Deus. Ele é quem determina os tempos e as horas (Dn.2:21).

Em vez de anunciar que em tal dia Deus vai fazer isso ou aquilo, deveriam anunciar que em tal dia estarão orando em favor de algo, na expectativa de serem atendidos, se for esta a vontade soberana de Deus. Não se trata de falta de fé, mas de total confiança em Deus.

Ele não Se deixa manipular por ninguém!

Lucas registra um episódio interessante que exemplifica isso:

“Naquele mesmo dia chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: Sai, e retira-te daqui. Herodes quer matar-te. Respondeu-lhes Jesus: Ide dizer àquela raposa: Eu expulso demônios, e efetuo cura, hoje e amanhã, e no terceiro dia terminarei. Importa, porém, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte, para que não suceda que morra um profeta fora de Jerusalém.” Lucas 13:31-33

Que petulância dos fariseus! Quem eram eles para tentar apressar Jesus? Pois Ele tem Sua própria agenda a cumprir, e não está disposto a mudar Seu cronograma. Não há ameaças, ou chantagem emocional que possam dissuadi-Lo de seguir a rota programada pelo Pai.

Portanto, deixemos de lado a arrogância religiosa, e submetamo-nos à agenda de Deus, deixando-O à vontade para agir quando, onde e através de quem Ele quiser.

Sábado, Janeiro 28, 2012

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Primavera Árabe: o Egito se rende à mensagem de Cristo!


Seria o cumprimento da profecia? Confira:

"E o SENHOR se dará a conhecer ao Egito, e os egípcios conhecerão ao SENHOR naquele dia, e o adorarão com sacrifícios e ofertas, e farão votos ao SENHOR, e os cumprirão. E ferirá o SENHOR ao Egito, ferirá e o curará; e converter-se-ão ao SENHOR, e mover-se-á às suas orações, e os curará; naquele dia haverá estrada do Egito até à Assíria, e os assírios virão ao Egito, e os egípcios irão à Assíria; e os egípcios servirão com os assírios. Naquele dia Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra. Porque o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança."
Isaías 19:21-25

Difícil foi segurar as lágrimas... Que seja o prenúncio de um genuíno avivamento que há de varrer o mundo islâmico.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

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Há esperança para Sodoma!


Por Hermes C. Fernandes

Há quase três anos, por ocasião da VII Convenção de nossa igreja, preguei um sermão intitulado “Sodoma é aqui”. Expus diante do olhar de uma multidão que razão principal pela qual Deus julgou aquela sociedade não foi de ordem moral, como geralmente se crê. Hoje quero dar sequência àquela mensagem e mostrar o propósito de Deus para a nossa sociedade.

É através do profeta Ezequiel que Deus revela qual foi a “gota d’água” que deflagrou o juízo sobre Sodoma e Gomorra:

“Ora, foi esta a maldade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Elas se ensoberbeceram, e fizeram abominação diante de mim; pelo que, ao ver isso, tirei-as do seu lugar.” Ezequiel 16:49-50


Repare que esta palavra veio como advertência ao povo de Jerusalém, a quem Deus se dirige como “irmã” de Sodoma. Embora aquele povo tenha se degradado moralmente, a ponto de tentar molestar os visitantes celestiais, o que mais aborreceu a Deus foram os pecados de ordem social. Talvez sua promiscuidade fosse apenas um dos sintomas de sua degeneração.

Do ponto de vista material, Sodoma era uma sociedade em franca ascendência, a ponto de atrair imigrantes como Ló e sua família. Porém, da perspectiva espiritual, Sodoma era uma sociedade miserável, atolada na soberba e no egoísmo.

Não há nada de intrinsecamente errado em ser próspero. Não foi disso que Deus a acusou. Seu erro era não saber compartilhar com os mais pobres e necessitados. Imagino que uns poucos acumulavam a maior parte da riqueza gerada por aquela sociedade, e a maioria, soma de todas as minorias, era desprezada e excluída do bolo. Deus não poderia fazer vista grossa àquilo.

Nem mesmo a intercessão de Abraão foi capaz de impedir que o juízo de Deus golpeasse a arrogância de seus habitantes.

Sodoma e sua irmã gêmea, Gomorra, entraram pra história como arquétipos de sociedades fadadas a serem consumidas pelo ardor do zelo divino.

Séculos se passaram, e agora Deus tratava de julgar Seu próprio povo. Jerusalém que se via como a cidade do grande Rei, terra santa, povo exclusivo, também se degenerara e seguia a passos largos para um fim semelhante ao de Sodoma. Para que se sentisse bem consigo mesma, Jerusalém tinha como referência de iniquidade duas outras sociedades, uma separada pelo tempo e a outro pelo espaço. Sodoma já não exisita há vários séculos. Era apenas uma referência histórica. Mas bem perto dali, havia outra cidade reputada pelo moradores de Jerusalém como merecedora do juízo divino. Refiro-me à Samaria, nova capital de Israel, o reino do norte. No imaginário popular, Samaria era símbolo de perversão, de impureza, de injustiça. “Não somos como eles!”, diria um judeu daquele tempo.

Deus, então, resolve tocar em sua maior ferida: o orgulho:

“Samaria não cometeu metade de teus pecados. Multiplicaste as tuas abominações mais do que elas, e justificaste a tuas irmãs, com todas as abominações que fizeste. Sofre a tua vergonha, tu que julgaste a tuas irmãs, pelos teus pecados, que cometeste mais abomináveis do que os delas; mais justas são do que tu. Envergonha-te logo também, e sofre a tua vergonha, pois justificaste a tuas irmãs.” Ezequiel 16:51-52


Perto de vocês, os pecados de Sodoma e Samaria são fichinhas! Vocês deveriam se envergonhar!

Comparadas a vocês, elas são justas! Era exatamente isso que Deus estava dizendo.

Ezequiel não foi o único profeta a tocar nesta ferida. Veja o que diz Jeremias:

“Porque maior é a iniqüidade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma, a qual foi subvertida como num momento, sem que mãos lhe tocassem.” Lamentações 4:6


Chegou a um ponto em que Jerusalém tornou-se a réplica de Sodoma, ou mesmo a sua extensão. Basta dizer que em Apocalipse lemos que a cidade onde Jesus fora crucificado “espiritualmente se chama Sodoma e Egito” (Ap. 11:8). Triste quando nos tornamos naquilo que tanto combatemos. Jerusalém reencarnou Sodoma!


Tenho a nítida impressão de que a igreja cristã deste século está incorrendo no mesmo erro dos moradores de Jerusalém. Achamo-nos tão santos, que sentimo-nos confortáveis diante da degradação que há no mundo, seja de ordem moral ou social. Oramos como aquele fariseu da parábola de Jesus, que ficava se comparando com o publicano que orava ao seu lado, dizendo: Não sou como ele, Senhor!

Paulo já havia detectado esta tendência na igreja dos coríntios, quando os repreendeu dizendo:


“Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade, e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios…” (1 Co.5:1a). E aos crentes judeus em Roma, ele escreve: “Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, pois te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro, porque tu que julgas, fazes o mesmo (…) Tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, pensas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? (…) e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” Romanos 2:1,3,19-24

Como a igreja ousa apontar as mazelas do mundo, se ela mesma tem se tornado naquilo que tanto condena?

O fato de Deus insistir em fazer da igreja o cenário onde Sua glória se manifesta só complica as coisas para ela. Não significa que Deus esteja endossando seus descaminhos.

“Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina. Portanto continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá. Ai dos que profundamente escondem do Senhor o seu propósito, e fazem as suas obras às escuras, e dizem: Quem nos vê? E quem nos conhece? Vós a tudo perverteis!” Isaías 29:14-16a


Quando caminhou entre os homens, Jesus escolheu Cafarnaum para morar e para ser cenário da maioria dos Seus milagres. Antes que seus moradores se sentissem melhores do que os de outras vilas, Jesus advertiu:

“E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Porém eu vos digo que no dia do juízo haverá menos rigor para os de Sodoma, do que para ti.” Mateus 11:23-24


É claro que isso não significa que Cafarnaum seria alvo de bolas de fogo vindas do céu, como ocorreu com Sodoma. Porém, Deus não faria vista grossa para com seus pecados. Aquela geração que presenciou tão grandes sinais seria julgada por Deus com rigor maior do que o usado para com os habitantes de Sodoma. Tal rigor também se aplicaria a qualquer sociedade que, em tendo a oportunidade de ouvir a verdade do Evangelho, a recusasse deliberadamente. Veja a advertência que Jesus faz ao comissionar Seus discípulos:

“Quando entrardes numa cidade, e vos receberem, comei do que vos oferecerem. Curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus. Mas quando entrardes numa cidade, e não vos receberem, saindo por suas ruas, dizei: Até o pó que da vossa cidade se nos pegou sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, que já o reino de Deus é chegado a vós. Digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade.” Lucas 10:8-12


Cada geração e cada sociedade serão julgadas de acordo com a oportunidade que houverem recebido. Este princípio está claro nas palavras do próprio Cristo: “A qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá” (Lc.12:48b).

Em Lucas 11:32, Jesus admoesta àquela geração, comparando sua postura ante àquilo que havia recebido, com a postura dos ninivitas contemporâneos de Jonas: “Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; pois se converteam com a pregação de Jonas, e aqui está quem é maior do que Jonas.”


Portanto, não somos melhores por aquilo que recebemos, porém, seremos mais cobrados por isso.
No dia do juízo, quando Cristo assentar-se para julgar os homens, todas as gerações convergirão diante d’Ele para prestar-Lhe contas. O que temos feito com aquilo que d’Ele recebemos?

Antes de apontar o dedo para os que se acham ‘fora da igreja’, como se fôssemos melhores do que eles, lembremo-nos que o juízo de Deus começa pela Sua própria casa (1 Pe.4:17). Diante da luz, nossa pretensa santidade será exposta. Nossa vaidade sucumbirá. Nossos argumentos serão calados.

O que nos torna piores do que aqueles que julgamos ser os remanescentes de Sodoma é justamente o fato de não nos importamos com eles. Só haverá esperança caso um deles se tornem um de nós. É assim que pensam muitos de nós.

Há esperança para Sodoma?


Ora, se Sodoma tornou-se arquétipo da sociedade humana como um todo, em franca decadência moral, ética e social, haveria alguma esperança para ela?

Em Judas 1:7 lemos que Sodoma e Gomorra “foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.” Seria isso sinônimo de total desesperança?

Como apagar um fogo eterno? Como impedir que toda uma sociedade seja consumida por ele? Haveria alguma esperença para os habitantes de Sodoma?

Primeiro, precisamos descobrir a natureza deste “fogo”. Não se trata de fogo literal, pois se fosse, ainda veríamos a fumaça de Sodoma e Gomorra. “Fogo” é uma metáfora para a ira justa de Deus contra a iniquidade. Este furor divino não visa aniquilar, mas purificar. Quando diz que o fogo é eterno não está se referindo à duração de suas chamas, mas à duração de seu efeito. O sábio pregador de Eclesiastes afirma que “tudo quanto Deus faz durará eternamente” (Ecl.3:14). Nada que tenha sua origem em Deus foi feito para acabar. O fogo é eterno porque tem sua origem em Deus, e seus efeitos são irreversíveis.

Isso, porém, não significa que a ira de Deus permaneça sobre alguém ou sobre uma sociedade eternamente. O salmista declara veementemente: “Porque a sua ira dura só um momento” (Sl. 30:5). Em contrapartida, “a sua misericórdia dura para sempre” (Sl.106:1). Também lemos que “compassivo e piedoso é o Senhor, lento para a cólera, e abundante em amor. Não repreenderá perpetuamente, nem para sempre conservará a sua ira” (Sl.103:8-9). Às vezes parece que temos pregado o oposto disso, como se a ira de Deus durasse para sempre, enquanto que a Sua misericórdia abrangesse apenas um curto espaço de tempo.

Como, então, podemos explicar algumas passagens, como as que se seguem?

“E outra vez disseram: Aleluia! E a fumaça dela sobe para todo o sempre” (Ap.19:3). Esta passagem fala do juízo que desceria sobre a Grande Babilônia, nome pelo qual Jerusalém é conhecida no livro de Apocalipse. No ano 70 d.C. a cidade foi sitiada, invadida e incendiada pelo romanos. Dizer que sua fumaça subiria para sempre é uma hipérbole que visa enfatizar o fim dramático que teria a cidade que rejeitara a paz oferecida por Jesus. Não se pode fazer uma leitura literal do texto. Se assim fosse, ainda veríamos a fumaça enegrecendo os céus da Palestina.

Outra passagem interessante é a que diz: “Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, e sobre as árvores do campo, e sobre os frutos da terra; e acender-se-á, e não se apagará” (Jer.7:20). Aqui Deus adverte os moradores de Jerusalém para que se arrependam, porque o juízo era iminente. Este texto deixa claro que o “fogo” é, de fato, uma alusão à ira de Deus contra a injustiça dos homens.

Noutra passagem encontrada no livro de Isaías, lemos: “Nem de noite nem de dia se apagará; para sempre a sua fumaça subirá; de geração em geração será assolada; pelos séculos dos séculos ninguém passará por ela” (Is. 34:10). Neste texto em particular, Deus adverter às nações inimigas de Israel, entre elas, Edom. É dito que seus ribeiros se transformariam em piche, e o seu pó em enxofre (v.9). Mais uma vez estamos diante de uma hipérbole, figura de linguagem fartamente encontrada nas profecias e na literatura apocalíptica dos judeus.

O próprio Jesus fez uso desta linguagem, tão familiar aos Seus contemporâenos. Ele diz: “Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso?” (Lc.12:49). Seria até cômico fazer uma leitura literal aqui. Imagine: Jesus, um incendiário!

Mesmo o juízo traz em seu bojo a misericórdia divina. Não confundamos “ira” com “ódio”, que é o oposto de amor. Mesmo que esteja irado devido à injustiça que temos praticado, Ele jamais deixou de nos amar. Ira tem a ver com a reação de Deus ante à injustiça. Amor tem a ver com Sua essência. Uma coisa é o que Ele sente, outra o que Ele é. Deus não é ira. Deus é Amor!

Nenhuma sociedade está irremediavelmente perdida. Nem mesmo Sodoma, seja a de ontem, ou seja a de hoje.

Retornando à primeira passagem que consideramos nesta reflexão, encontramos uma inusitada promessa:

Todavia, farei voltar os cativos delas; os cativos de Sodoma e suas filhas, os cativos de Samaria e suas filhas, e os cativos do teu exílio entre elas, para que sofras a tua vergonha, e sejas envergonhada por tudo o que fizeste, dando-lhes tu consolação. Quando tuas irmãs, Sodoma e suas filhas, tornarem ao seu primeiro estado, e Samaria e suas filhas tornarem ao seu primeiro estado, também e tuas filhas tornareis ao vosso primeiro estado. Nem mesmo Sodoma, tua irmã, foi mencionada pela tua boca, no dia das tuas soberbas” (Ez. 16:53-56).


Quem diria que um dia até Sodoma seria restaurada, voltando ao seu primeiro estado? A execução da ira divina tem seu papel redentivo. Mas quem tem a última palavra é a misericórdia. Por isso Tiago declara: “A misericórdia triunfa sobre o juízo!” (Tg.2:13b).


Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

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Esse endoidou de vez!



Por Hermes C. Fernandes

“E propôs-lhes esta parábola: O campo de um homem rico produziu com abundância. Então ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: LOUCO, esta noite te pedirão a tua alma. Então o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” (Lc.12:16-21).


Jesus contou esta parábola na ocasião em que fora procurado por um homem que disputava uma herança com seu irmão. Em vez de tomar partido, Jesus lhe chama a atenção pela avareza de seu coração, e diz que a vida do homem não consistia na abundância dos bens que possuía.


Imagine dois irmãos que cresceram juntos, receberam a mesma educação, e que deveriam se amar, agora, depois da partida de seu pai, tornam-se inimigos. Tiago estava certo ao perguntar: “De onde vem as guerras e contendas entre vós? Não vêm disto, dos prazer que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, mas nada tendes. Matais e invejais, mas não podeis obter o que desejais...” (Tg.4:1-2a). Tudo isso porque insistimos no erro de amar as coisas e usar as pessoas para obter o que desejamos. Que revolução experimentaríamos em nossa sociedade se aprendêssemos a usar as coisas e a amar as pessoas!

Desde cedo em nossas vidas, aprendemos a comparar o que temos com o que os outros possuem. Daí nasce a inveja, a competitividade e as desavenças. Quem não lembra do momento em que a família se reunia para abrir os presentes de natal? A gente abria o presente mirando o presente do irmão, e se perguntando a razão do dele parecer maior que o nosso.

A grama do vizinho sempre parece mais verde que a nossa. Ficamos mais incomodados com o sucesso alheio do que o nosso próprio fracasso. E tem gente que se atreve a recorrer a Deus em busca de uma explicação, ou mesmo de uma restituição. Acham que Deus tem a obrigação de repartir todas coisas igualmente. Foi exatamente o que aquele homem fez, e acabou ouvindo de Jesus: “Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?”

Compete aos homens repartirem entre si. A terra e todas as suas riquezas estão aí para serem compartilhadas e não concentradas em poucas mãos. Não é o governo, nem qualquer instituição humana que deve intrometer-se nisso. É a consciência transformada pela graça que nos estimula a repartir nosso pão. O que precisamos não é de novas leis que nos obriguem a isso, mas de novas referências que nos estimulem a isso.

Quem tem sido nossa referência de sucesso? Em quem nos espelhamos? Muitos cristãos sinceros elegeram Bill Gates, considerado o homem mais rico do mundo, como o alvo a ser perseguido. – Quero ser como ele quando crescer! Diriam alguns. Outros elegeram os pastores das megaigrejas, que aparecem com freqüência na TV. Outros elegeram personagens revolucionários da história, como Che Guevara, Gandhi ou Mandela. Outros preferem grandes nomes do cinema ou dos esportes. Todos têm em comum a fama e o sucesso naquilo que se propuseram fazer, seja no campo empresarial, político, cultural ou religioso. E quem não almeja o sucesso? Quem não gostaria de ser reconhecido, ter seu nome nos anais da história, exibir troféus e medalhas, ter suas pegadas gravadas na calçada da fama?

Nesta parábola contada por Jesus, é-nos apresentado um homem que sem dúvida poderia ser tomado como exemplo de sucesso em nossa sociedade capitalista. Naquele ano, seu campo produziu em abundância (Lc.12:16). Para os ouvintes imediatos de Jesus, aquilo era sinônimo de sucesso. Ele já era rico, e agora ficara mais rico ainda. Teria coisa melhor que isso? Por causa de seu ininterrupto sucesso, “ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens”. Para ele, seu único problema era logístico. Onde armazenar tudo aquilo? Em momento algum ele considerou repartir seus frutos com outros. Seu objetivo era amealhar, concentrar, preservar e desfrutar sua riqueza.

Nossa sociedade capitalista vive num círculo vicioso. Quanto mais produz, mais necessita de consumo. As pessoas são bombardeadas de propagandas que as estimulam a acumular bens, até que não tenham mais onde guardar.

Aqui nos Estados Unidos as pessoas usam suas garagens para guardar o que já não cabe mais dentro da casa. Quando a garagem já não comporta, elas fazem uma “garage sale”*, ou simplesmente jogam fora. É comum ver televisores, computadores e outros bens de consumo jogados no lixo.

Se o consumo cai, a produção é afetada, e isso acaba provocando demissões e desemprego. Para manter o pique da produção, o governo estimula as empresas a exportarem.

O século XXI deverá ser caracterizado como o século do desperdício. Para manter a economia aquecida, as pessoas compram o que não precisam. Novas tecnologias surgem, e com elas, novas necessidades. A roda não pode parar!

As pessoas são levadas a acreditar que a aquisição e o acúmulo de bens, além de produzir conforto material, também elevam seu status, garantindo-lhes realização e satisfação.

Vendo seus celeiros abarrotados, aquele homem convidou sua alma para uma conferência:
“Então direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga.”

Quem não almeja este estado de espírito? Quem não quer se realizar profissionalmente? Garantir uma aposentadoria regalada? Este é o sonho de consumo de onze em cada dez pessoas. E em certo sentido, não há nada de errado com isso. O livro de Eclesiastes está aí para justificar tal postura.

Então, por que Jesus encerra a parábola dizendo que Deus o chamou de louco?

“Mas Deus lhe disse: LOUCO, esta noite te pedirão a tua alma. Então o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”


Sua farta colheita lhe garantia o que vender por muitos anos. Seus grãos estavam bem guardados e prontos para serem consumidos. Seus armazéns estavam prontos para serem concorridos por uma clientela exigente.

Era hora de descansar e deixar que seus empregados trabalhassem na venda de seus produtos. O que ele não esperava era que naquela noite alguém pediria sua alma.

Se pedissem trigo, ele tinha de sobra. Se pedissem vinho, ele tinha estocado. Se pedissem azeite, idem. Mas que estória era essa de pedir sua alma?

Este tem sido o preço pago por nossa sociedade em seu afã de acumular bens. Nossa alma está hipotecada. Nossa cama confortável é incapaz de nos garantir um sono tranqüilo. Nossa geladeira abastecida é incapaz de garantir que tenhamos um momento de comunhão à mesa com nossa família. Nossa lareira é incapaz de aquecer o frio que nos faz tremer por dentro. Nossas TV’s de LCD podem até nos distrair, mas não podem preencher o vazio de nossa alma. Nossas férias não podem nos prover genuíno descanso.

Nossa alma foi negociada juntamente com os produtos e serviços que oferecemos. E a reboque, nossa família tem sido preterida, os verdadeiros amigos desprezados e trocados por colegas do mesmo ramo. Chega um momento em que já não temos com quem compartilhar nossas realizações e ficamos a sós com nossa alma. Tentamos, então, driblar nossa consciência, tranqüilizando nossa alma, convencendo-a de que valeu a pena todo o sacrifício. Noites mal dormidas, casamento destruído, filhos perdidos no mundo, tudo isso foi o preço que tivemos que pagar por algo que desse maior prazer à nossa própria alma. Mas ela ainda não está convencida. Ela sabe que no fim, ela mesma será o preço final que teremos que pagar. Por isso Deus o chama de louco. Ele negociara o inegociável.

O que fazer alguém que não tem com quem conversar, senão com sua própria alma? Ela fora tudo o que lhe restara. Mas naquela noite, ela seria pedida.

“Então, o que tens preparado, para quem será?”, pergunta o Criador.

Sendo aquela a sua última noite, de que serviria todos os seus bens? Embora esta seja uma questão pertinente, não é a que fora levantada por Jesus.

Não se trata de não poder desfrutar dos bens adquiridos, e sim, para quem seriam deixados.
Afinal, para quem estamos trabalhando o tempo inteiro?

Você já viu um caminhão de mudanças seguindo um carro fúnebre? Ou mesmo um caixão com gavetas? Ora, se não podemos levar nada deste mundo, para quem estamos deixando o fruto do nosso trabalho?


“Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele” (1 Tm.6:7).


Quantas pessoas têm sido abençoadas através daquilo que produzimos? Quantas serão beneficiadas quando deixarmos este mundo? Deixaremos apenas uma herança, ou também um legado?

Em vez de nos deixarmos consumir por um sonho de consumo, abracemos o sonho de deixarmos nossa contribuição particular por um mundo mais justo. Toda vez que estabelecemos um sonho de consumo como alvo de nossa existência, é a nossa alma que é consumida. Aos poucos ela é carcomida pela avareza e pelo auto-engano.

Não negocie sua alma. Não a penhore. É um preço que você não poderá cobrir depois.

Jesus termina Sua parábola dizendo que semelhante àquele homem “é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”.


O problema não é ajuntar, e sim, ajuntar para si. Cristo nos convida a ajuntar terouros no céu, e assim tornarmo-nos ricos para com Deus.

Como enviar uma remessa para o céu? Pelo que eu sabia, não há bancos por lá.

Jean Paul Sartre, o filósofo existencialista francês, diz que “o inferno é o outro”. Como ateu que era, Sartre não acreditava em céu nem inferno. Mas ele entendia que o abismo que nos separa do outro é tão grande, que seria impossível transpô-lo. Por isso, para ele a figura do outro era a representação do mais profundo abismo, o inferno. Na contramão deste tipo de existencialismo, o Evangelho parece nos indicar que o outro é o céu. Voltar-nos para o próximo é voltar-nos para Deus. Deixar nosso egoísmo para viver em função do bem comum é vivenciar o céu aqui na terra.

Toda vez que investimos em nosso próximo, estamos depositando em nossa conta celestial. Quando usamos os recursos de que dispomos em prol do futuro da humanidade, estamos depositando no banco do céu.

Por isso Paulo ordena que os ricos não ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, e que façam o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, e que, assim, acumulem para si mesmos um BOM FUNDAMENTO PARA O FUTURO (1 Tm.6:17-19).

Quando nossa voz se calar, nosso legado falará por nós. Partiremos deste mundo, mas deixaremos um bom fundamento para o futuro, para que as próximas gerações edifiquem sobre ele.

Pensar apenas no aqui e agora é loucura aos olhos de Deus. Trabalhar visando apenas nosso aprazimento é no mínimo insensatez. Mas enfocar nossos esforços no bem comum é sabedoria do alto.

Se vivermos tais princípios de sabedoria, a única coisa que deixaremos além de um legado, será saudade

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

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Um Deus de Surpresas em um Mundo de Certezas






















Por Hermes C. Fernandes


Houve tempo em que o ser humano enxergava a vida como algo sagrado, e o futuro como algo inusitado, repleto de mistério. Aí residia a beleza da vida. Tudo podia acontecer. Por isso, o homem se agarrava à divindade, em busca de alguma garantia.


Não havia planejamento familiar. De repente...pimba! a mulher se engravidava. E por nove meses, ninguém sabia o sexo da criança. Até que... surpresa!


Com o advento da ciência, o homem se viu capaz de fazer certas previsões.


Baseados em dados estatísticos adquiridos em pesquisas pré-liminares, pode-se prever quem será o candidato eleito. Com um aparelho de ultra-som, pode-se saber o sexo do nenê. Satélites meteorológicos dizem com certa precisão se vai chover ou fazer sol nos próximos dias. Finalmente, o homem parece ter se tornado senhor do seu próprio destino. Nada mais o apanharia de surpresa.



Tudo ia bem, até que se descobriu a mecânica quântica. As postulações newtonianas de que pela ciência as leis da natureza poderiam ser decodificadas, tornando-a previsível e domesticável caíram por terra. No mundo subatômico nada é previsível. Não há como determinar a posição exata de uma partícula. Aliás, o que é partícula em uma primeira olhada, pode ser onda na segunda verificação. Até a ordem temporal é subvertida.



Surpresa! As descobertas da física quântica foram permitidas por Deus para que a presunção humana fosse desbancada, e o homem redescobrisse o valor da surpresa.


Enquanto a física clássica, defendida por Newton, se atreve a falar da realidade, a física quântica, mais humilde, fala de probabilidades. A realidade não é o que parece ser. O que existe são ondas de probabilidades ou ondas de matéria. Todas as leis da física quântica são expressas em termos dessas probabilidades. O próprio fundamento da visão mecanicista - o conceito de realidade da matéria - foi posto abaixo, pois no nível subatômico os materiais sólidos dissolvem-se em padrões de probabilidades semelhantes a ondas.


Suscito aqui uma questão: nossa ralação com Deus e com o futuro se baseia em certezas ou em surpresas?


Ora, sabemos pela Bíblia que a relação do homem com Deus só é possível mediante a fé. E qual seria a definição bíblica de fé?


“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.”Hebreus 11:1


A princípio, fica claro que nossa relação com Deus deve ser pautada na certeza. Mas certeza de quê? Será que tal certeza suprimiria qualquer possibilidade de surpresa? Basta avançarmos no famoso texto conhecido como galeria dos heróis da fé, pra nos darmos conta de que a certeza da fé não descarta uma caminhada com Deus repleta de surpresas.


“Pela fé Abraão, sendo chamado para um lugar que havia de receber por herança, obedeceu e saiu, sem saber para onde ia” (Hb.11:8). A fé do patriarca fez com ele se dispusesse a deixar sua zona de conforto, para sair ao encontro do desconhecido. A vida pela fé é uma vida de aventura radical.


Somos informados que Abraão “esperava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor”(v.10). Então, ele esperava por algo, e tinha certeza de que se concretizaria, fosse em seu tempo de vida, ou das próximas gerações. Esta era a sua certeza. Quando se fala de surpresas, fala-se de incertezas.


A vida de fé também é uma vida de incertezas. Não sabemos o que nos aguarda na próxima curva da estrada. Temos um vislumbre do que nos espera no final, mas não do que nos espera no caminho.


Vivemos a dialética entre certezas e surpresas. A síntese resultante desta dialética é a fé. Fé é a confiança absoluta n’Aquele que nos guia pela estrada da existência. Não é simplesmente crer em fatos, mas crer em uma Pessoa. É arriscar tudo em Seu caráter fidedigno. Como fez Sara, que“teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa” (v.11b). E não apenas crer no caráter divino, como também em Sua capacidade em cumprir o que prometera. Paulo diz que Abraão“não duvidou da promessa de Deus, deixando-se levar pela incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para cumprir” (Rm.4:20-21).


Às vezes Deus nos revela o “quê”, mas não nos revela os pormenores, o “como”, ou o “quando”. E isso para que não percamos o prazer proporcionado pela surpresa. Tudo indica que Deus Se alegra em nos surpreender. Ele não quer que nosso relacionamento com Ele caia na mesmice, na monotonia, e assim, se torne entediante. Antes o estresse da expectativa do inesperado, do que o tédio produzido pelo previsível. Por isso, Deus não cabe dentro de padrões. Ele é absolutamente imprevisível! Querer prever Suas ações baseado em episódios anteriores é, no mínimo, uma completa idiotice.


Ele não costuma ser repetitivo, redundante. Quantas vezes Ele abriu o Mar? Apenas uma. De outra feita, Ele preferiu andar por cima das águas. Ele sempre surpreende. Impossível prever Seus movimento!


Tal como o marido, que para manter acesa a chama da paixão, procura surpreender sua amada de tempo em tempo. Não há veneno mais prejudicial para o casamento do que a monotonia. E não há antídoto mais poderoso do que a surpresa. Pergunte a uma esposa que foi surpreendida com um bouquet de flores em uma data qualquer.


A vida com Cristo é sempre repleta de surpresas. Durante Sua trajetória neste mundo, Ele sempre surpreendeu Seus seguidores, e até Seus opositores. Ele nunca dava a resposta que as pessoas esperavam receber. Suas parábolas eram cheias de suspense.



Será que o filho pródigo esperava ser recebido com festa pelo seu pai? Será que o homem moribundo esperava ser socorrido logo por um samaritano?


Os apóstolos também aprenderam desde cedo que Deus é um Deus de surpresas. Ou será que Pedro esperava que Cornélio fosse repentinamente cheio do Espírito enquanto ele ainda pregava?


Até piada, se contarmos o final, perde a graça!


Deus usualmente mantém certo suspense para não estragar a surpresa. E não falo apenas de surpresas agradáveis. A vida também nos reserva surpresas desagradáveis. E quando Deus mantém o segredo referente a isso, Ele deseja nos poupar de um sofrimento antecipado.


Em sua despedida dos efésios, Paulo declarou:


“E agora, compelido pelo Espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer. Somente sei o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações” (At.20:22-23).


Paulo não tinha idéia dos pormenores daquilo que o esperava. Ele não podia supor que seria confundido com um terrorista egípcio em Jerusalém, e que isso lhe renderia uma prisão injusta (At.21:38). Ele não podia imaginar que seria alvo da conspiração de judeus que se dispuseram a jejuar até que sua vida fosse ceifada (At.23:12). Ele jamais preveria passar por um naufrágio (At.27:13-44). Tudo isso é apenas um resumo do que Paulo teve que passar depois de despedir-se dos anciãos de Éfeso. Será que Deus foi injusto em lhe poupar de saber dos detalhes de tudo quanto sofreria por amor à causa de Cristo? Absolutamente, não.


Já que Jesus é a nossa vida, posso parafrasear o Zeca Pagodinho, dizendo: “Deixo Cristo me levar, Cristo leva eu...”


Sejam quais forem as surpresas desagradáveis que nos aconteçam, temos a certeza de que após essas acentuadas curvas na estrada da vida, surpresas maravilhosas estão a nos aguardar.


Minha única certeza é que no final teremos surpresa.


“As coisas que o olho não viu...”, surpresa!


“...e o ouvido não ouviu...”, surpresa!


“...e não subiram ao coração do homem...”, surpresa!


“...são as que Deus preparou para os que o amam” (1 Co.2:9).


Você tem idéia do que nos espera no final da estrada? Não? Nem eu! Você imagina, por exemplo, quem você vai encontrar do outro lado? Não? Nem eu! E não me arrisco a dar qualquer palpite.


Será que Estêvão, o primeiro mártir cristão, esperava encontrar Paulo na eternidade? Por isso, não temos o direito de apontar quem é ou não escolhido por Deus à salvação.


Pode ter certeza... teremos surpresas.


Onde está o Espírito do Senhor, aí há surpresas. Ele nos conduz de surpresa em surpresa, até a Surpresa Final.




Publicado originalmente em 18/02/2010

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Jesus sabotou o ENEM!




Por Paulinho Alves


Recentemente tivemos um grande problema com a prova do ENEM e isso causou grande revolta na população jovem brasileira, principalmente, quem foi prejudicado. O ENEM envolve milhares de jovens, cada um com seu sonho, mas um em comum que é ingressar em uma universidade, se formar, ter um bom emprego etc. 

Na época de Jesus, existia o ENEM judaico para se tornar um RABI (mestre), mas era bem complicado. Os rabinos (mestres) eram os caras! Muitos queriam ser um rabino, mas para entrar numa escola de rabi era preciso ser um seguidor/discipulo, uma tarefa muito importante na época. Era uma honra e um privilégio ser discípulo, fazer parte dessa escola de rabinos. Era tanto que existia um ditado judaico que dizia: “Que eu fique coberto pela poeira do meu rabino.”

Entenda o processo dos candidatos do ENEM judaico: 

1. Logo na infância, a criança entrava na escola judaica para aprender e decorar o Pentateuco, ou seja, os primeiros 5 livros da bíblia que são Genesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio. 
2. Com dez para onze anos, se a criança tivesse tudo em mente, ela passava por outro processo: Estudar e até mesmo decorar todo o velho testamento, 39 livros. 
3. Na adolescência, era hora de ver se o candidato era bom o bastante: ele passava por uma prova, o grande ENEM, onde o rabino fazia perguntas sobre tudo o que o aluno deveria ter estudado por toda sua vida (leis, histórias, profecias etc) para avaliar e concluir se o jovem era ou não capaz de o seguir.  
4. Se passasse na avaliação do rabino, o candidato, então, se tornaria um rabino mais tarde; se não passasse, deveria voltar para o seu povo a fim de cuidar dos negócios da família (atividade cultural praticada na época). 

Jesus era um rabi e para segui-lo não poderia ser diferente. Mas Ele quis sabotar o ENEM judaico, revolucionando todo o processo empregado há muito tempo. Jesus surpreendeu não só os mestres das leis, mas toda a sociedade, pois, ao contrario dos outros rabinos, Ele não esperou alguém se preparar para segui-lo. Muito pelo contrario! Ele vai ao encontro dos primeiros alunos! Pedro era um pescador e não tinha estudado para se tornar um rabi, mas foi o primeiro a ser chamado pelo grande mestre.

Acredito que o propósito de Jesus com tudo isso era mostrar que, para segui-lo, não era preciso passar por avaliações! Todos tinham acesso ao mestre fosse pescador, cobrador de impostos, médicos, enfim, Jesus queria apenas uma atitude: coração disposto. 

É impressionante saber que Jesus nos aceita independente do que sabemos a seu respeito. É impressionante saber que Jesus quer chamar a todos: mestres e analfabetos, instruídos ou não, pobres e ricos. É impressionante o que Jesus fez com doze homens que não eram exemplos acadêmicos, mas tiveram o coração disposto. Se com doze simples homens Jesus fez o que fez, imagina o que Ele pode fazer hoje com quem se dispuser!

Jesus não quer de nós o que a sociedade exige. Ele apenas quer o nosso coração disposto a amar a Deus e ao próximo compartilhando tudo o que somos, toda nossa bagagem, aprendizados, recursos etc. A escola de Jesus se chama Reino e nesse lugar tem espaço para todos! 

Ah! As inscrições estão abertas! ;-)

Paulinho Alves