Sábado, Dezembro 31, 2011

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2012: Ano de quê mesmo?



Por Hermes C. Fernandes

Todos os anos é a mesma coisa. Os líderes eclesiásticos anunciam a "palavra profética" que guiará seus ministérios durante o decorrer do novo ano. Geralmente são frases de efeito tais como "Ano da Dupla Honra", "Ano da Conquista", "Ano da Multiplicação", "Ano da Restituição", etc.

Eles bem que poderiam ser um pouco mais criativos, lançando frases como "Ano da Humildade","Ano do Amor ao próximo", ou "Ano do Perdão", e admitir que não se trata de palavras proféticas, mas tão-somente de slogans cujo objetivo é atrair o interesse das pessoas para os seus ministérios. Tudo não passa de marketing.

Mas quem se sentiria atraído por tais slogans? Quem está interessado em servir ao semelhante, perdoar os inimigos, andar humildemente? Todos querem mesmo é ter suas necessidades supridas, seus desejos saciados, seus sonhos realizados.

Enquanto isso, entidades seculares lançam campanhas de conscientização contra o racismo, a corrupção, a devastação do meio-ambiente, etc. A Igreja Católica, por seu turno, lança campanhas falando de solidariedade, fraternidade e até de ecologia.

Se a igreja evangélica não der uma guinada de 180 graus, vai acabar perdendo o pouco que lhe resta de credibilidade e pertinência.

O fato é que, tornamo-nos agremiações religiosas anacrônicas, centradas em seu próprio umbigo, indiferentes às demandas da sociedade. Só damos a cara a tapa quando o assunto é de ordem moral, como o homossexualismo. Não estamos preocupados com a corrupção crônica de nossa sociedade, nem com questões éticas e sociais. Nossas marchas são sempre com a intenção de demonstrarmos nosso capital político, a fim de barganharmos com os poderes constituídos. Não somos boca para os mudos, nem mãos estendidas para os excluídos.

As igrejas deixaram de ser voz profética em favor do oprimido, para tornarem-se franquias de ministérios megalomaníacos, cuja mensagem é pasteurizada, os cultos padronizados, e os obreiros (cópias fiéis de seus líderes) produzidos em série numa escala industrial. Por isso, sucursais (não congregações) pipocam a dois por um em todo território nacional.

O mundo nos menospreza, e não sem razão. Deveríamos nos envergonhar desse triunfalismo infantil e barato, voltando-nos para fora de nós mesmos, isso é, na direção do outro, de suas necessidades, de seus questionamentos.

Em Sua primeira aparição pública após o batismo, Jesus escolheu uma passagem das Escrituras e leu-a em plena sinagoga, usando-a como anúncio de intenção do Seu ministério:

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres. Enviou-me para proclamar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, para libertar os oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor." Lucas 4:18-19

Infelizmente, fazemos uma leitura espiritualizada desta passagem, perdendo sua essência subversiva e revolucionária. Os pobres em questão não eram pobres espirituais, e sim vítimas daquele sistema corroído pela injustiça. Além de pobres, Jesus também os chama de cativos, cegos e oprimidos. Aquele era o anúncio da chegada de um novo tempo, chamado de "Ano aceitável do Senhor". Tratava-se da proclamação da chegada do Reino de Deus, em que vigoraria a graça, e que priorizaria os excluídos e marginalizados pelo sistema.

Acabando de ler essa passagem, Jesus "fechando o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Os olhos de todos na sinagoga estavam direcionados para ele. Então começou a dizer: Hoje se cumpriu esta Escritura que acabastes de ouvir" (vv.20-21).

Aquele "ano aceitável" ainda não terminou. Independentemente do calendário a que estamos submetidos, aquela palavra não perdeu sua vigência. É sob ela que a igreja cristã deve avançar, ignorando agendas políticas e ideológicas, e promovendo a subversão reinista.*

O problema não é adotarmos slogans, lemas anuais, ou coisa parecida. O problema é perdermos o foco, voltando-nos para nossos projetos pessoais em detrimento do projeto do Reino. A igreja Reina, à qual sirvo como bispo, também adota lemas anuais. O deste ano é "Escolhidos para acolher os esquecidos". Com este lema, queremos enfatizar o fato de que, se fomos escolhidos, não foi para viver em função de nós mesmos, e sim, para abraçar os rejeitados. A escolha soberana de Deus não deve ser vista apenas como um privilégio, mas como um voto de confiança. Porém, para nós, este não é o "Ano dos Escolhidos" ou coisa parecida. Mas continua sendo o "Ano aceitável do Senhor".

Espero que esta reflexão contribua para o amadurecimento da igreja cristã no Brasil.

Tenham todos um 2012 surpreendente, repleto de amor, sinceridade, perdão, fidelidade, e todas as virtudes  impressas em nosso caráter pelo Espírito da Graça.

* reinista = alusivo ao reino de Deus

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

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Não desperdice mais um ano de sua vida!


Mais do que nunca, esta mensagem é atual e pertinente.
Feliz 2000 e sempre!

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Oração Subversiva para 2012



“Quando orarmos pelos famintos, vamos lembrar de alimentá-los. Quando orarmos sobre aborto, vamos acolher mães solteiras e adotar crianças abandonadas. Quando agradecermos pela criação, vamos plantar um jardim e comprar frutas e verduras de agricultores locais. Quando lembrarmos do pobre, vamos reinventar nosso dinheiro em programas de micro-empréstimos. Quando orarmos por paz, vamos transformar nossas espadas em enxadas e transformar orçamentos militares em programas de estímulo social. Quando orarmos por um fim ao crime, vamos visitar aqueles que estão nas prisões. Quando orarmos por almas perdidas, vamos ser graciosos às almas que tem nos feito mal. (Pense nisso na próxima vez que algum louco cortar seu carro numa rodovia!)" 

Começar a agir em nossas orações de maneira séria é lembrar o motivo pelo qual oramos – porque qualquer coisa digna de ser feita está além das nossas forças para serem feitas sozinhas. Clamamos a Deus porque sabemos que precisamos de ajuda. Mas Deus escolhe trabalhar em e através de nós. Temos um Deus que não quer mudar o mundo sem nós.” 



Shane Claiborne via Juliano Fabricio)

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Aonde você quer chegar em 2012?

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

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Retrospectivas e Perspectivas para o Novo Ano



Hermes C. Fernandes

Praticamente todos os canais de TV promovem em sua programação de fim de ano uma retrospectiva dos principais fatos que marcaram o ano que se encerra. Pena que a maioria dos fatos não é nada animadora. Tragédias, chacinas, cataclismos naturais, corrupção do poder público, são alguns exemplos de notícias que permeiam as retrospectivas jornalísticas do ano.

Haveria algum sentido subjacente nesse mosaico de notícias? Alguma mensagem subliminar que a divindade intenta nos enviar?

Como cristãos, nosso desafio é interpretar os fatos em busca daquilo que Deus deseja nos dizer. Afinal, nem uma folha cai da árvore, sem que haja a permissão de Deus.

É fácil identificar a presença de Deus nos episódios felizes que a vida proporciona. Quem não consegue enxergar Deus no nascimento de uma criança? E quanto aos episódios infelizes? Poderíamos identificá-lO também lá? O sábio Salomão nos desafia a reconhecê-lO em todos os nossos caminhos (Pv.3:6).

Estamos sempre buscando um sentido, um significado para as coisas que nos acontecem. Não nos damos por satisfeitos em assistir à trama da vida sem entender o seu enredo. E a busca por sentido nada mais é do que a busca por Deus.

Onde está Deus?

Alguns preferem deixar Deus de fora disso tudo. Se aceitássemos esta possibilidade, seríamos deístas em vez de teístas. Deus seria apenas um expectador da história, que mesmo com o estômago embrulhado pelas cenas que vê, nada poderia fazer para alterar seu enredo.

O Deus da Bíblia não é um mero expectador. Ele é o Senhor das circunstâncias. Se não for assim, a vida simplesmente não tem qualquer sentido. Tudo é contingente.

Somos como crianças que vasculham o céu, buscando na forma das nuvens alguma silhueta familiar. Às vezes vemos a figura de uma pomba, e logo, pensamos em paz. Outras vezes vemos a figura de um cão, e pensamos na amizade. Estamos sempre fazendo conexões entre figuras e valores. Não há como evitar. É isso que nos faz humanos.

Saberíamos distinguir a figura divina no mosaico dos fatos que nos aconteceram neste ano que termina? Como reconhecê-lO em todos os nossos caminhos? Acho que sei quem pode nos dar uma boa dica! Ninguém menos que Paulo, o apóstolo prisioneiro.

Ao escrever para os cristãos de Filipos, Paulo faz uma releitura dos principais fatos que lhe acometeram naqueles dias:

“E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior avanço do evangelho” (Fp.1:12).

Que “coisas” foram essas? Será que Paulo havia ganhado na loteria? Ou conseguira um bom emprego no fórum romano? Não! Paulo fora preso, acusado injustamente de sedição. E em vez de assumir uma postura de vítima diante dos irmãos, ele busca reanimá-los, apresentando um propósito para que aquilo lhe acontecera. Ele não está muito preocupado em apresentar “porquês”, e sim “pra quês”. Talvez não houvesse uma razão plausível, mas havia um propósito divino.

Ele prossegue: “Muitos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas cadeias, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (v.14).

Nosso problema é que achamos que somos o centro do Universo, e por conta disso, temos a impressão de que tudo conspira contra nós. Mas quando enxergamos as coisas sob outra perspectiva, percebendo que tudo o que acontece visa o bem comum, chegamos à mesma conclusão a que chegou Paulo: “Todas as coisas cooperam em conjunto para aqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o seu propósito” (Rm.8:28).

Desta perspectiva, Paulo percebeu o bem que sua prisão injusta estava produzindo na vida de outros. Por causa do ânimo redobrado de muitos irmãos, o evangelho estava avançando.

É claro que havia efeitos colaterais indesejáveis. Enquanto alguns recobravam ânimo estimulados pelo exemplo de Paulo, outros se aproveitavam para pregar a Cristo por motivos sórdidos, tais como inveja e porfia. “Mas que importa?”, conclui o apóstolo, “contanto que Cristo, de qualquer modo, seja anunciado, ou por pretexto ou de verdade” (v.18).

Temos que perder a mentalidade de vítima, e enxergarmos o propósito de Deus até nas injustiças que sofremos. E quantos aos “efeitos colaterais”, deixemos que Deus cuide disso, como melhor Lhe convier.

Não se pode mudar o passado, mas pode-se fazer uma releitura em busca de um sentido que faça jus aos propósitos de Deus.

* PERSPECTIVAS PARA O NOVO ANO


Mas quanto ao futuro? Qual deve ser nossa postura? O que será que ele nos reserva? Paulo responde: “A minha ardente expectativa e esperança é de...” (v.20).

Só tem perspectivas firmes quanto ao futuro quem consegue discernir o agir de Deus em restrospectiva de sua própria vida.

Todos temos o direito de ter expectativas e esperança quanto ao futuro. Entretanto, a maioria nutre expectativas concernentes à aquisição de bens materiais, ou à realização profissional ou ministerial. Mas qual deveria ser nossa “ardente expectativa” quanto à nossa postura diante da vida?

Deixe que Paulo conclua seu pensamento: “A minha ardente expectativa e esperança é de em nada ser confundido, mas ter muita coragem para que agora e sempre, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte” (v.20).

Em 2012 tudo pode acontecer. Há um leque quase infinito de possibilidades. Por isso não me impressiono com as prognosticações dos adivinhos, que geralmente são generalizações. Quem não sabe, por exemplo, que no próximo ano vai morrer alguém famoso? Quem não sabe que haverá atentados terroristas? Ou que o mundo vai enfrentar uma grande crise financeira? Afirmar isso é “chover no molhado”.

Prefiro manter a expectativa da surpresa. Por isso Deus não tem interesse de nos revelar o futuro em minúcias. Ele não quer estragar a surpresa.

Nem sei se estarei vivo no fim do próximo ano. Em vez de expectativas de realizações, nossa ardente expectativa deve girar em torno de nossa postura diante da vida. Haja o que houver, não quero ser confundido. Quero continuar enxergando Deus em todas as coisas. Quero enfrentar a vida de peito aberto, com coragem e ousadia, “agora e sempre”. A única coisa de que eu faço a mais absoluta questão, é que Cristo seja engrandecido no enredo da minha vida, seja pela vida ou pela morte. Afinal de contas, para mim o viver é Cristo!

Não importa o que o futuro nos reserva, e sim a maneira como nos portaremos diante do que vier. No dizer de Paulo, "o que é mais importante" é portar-se "dignamente conforme o evangelho de Cristo" (v.27). Isso é que faz toda a diferença.

E o que não entendermos agora, quando chegarmos à eternidade, e a fita for rebobinada, finalmente entenderemos, e glorificaremos o nome d’Aquele que nos conduziu na empoeirada estrada da existência.

Terça-feira, Dezembro 27, 2011

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Fafá de Belém manda um recado para as estrelas gospel


Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

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Como a opinião que os filhos têm dos pais muda com o tempo

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O que está por trás da febre dos megatemplos




Por Hermes C. Fernandes



A revista Época da última semana trouxe uma reportagem sobre a construção de megatemplos no Brasil. Abaixo, reproduzo um trecho da matéria:

Megatemplos são construídos em todo o país e por várias religiões: a Igreja Católica inaugurará em 2012 o Santuário Mãe de Deus, para 100 mil pessoas, em São Paulo. Em Belo Horizonte, Minas Gerais, a Catedral Cristo Rei vai abrigar até 25 mil pessoas quando for consagrada, em três anos. Entre os evangélicos, várias denominações prometem inaugurar suas megaconstruções. Em Guarulhos, na Grande São Paulo, a Igreja Mundial do Reino de Deus planeja construir a Cidade de Deus, para 150 mil pessoas. No Recife, a Assembleia de Deus conclui o projeto de um templo para 30 mil pessoas. Em Belo Horizonte, a Igreja Batista de Lagoinha planeja acolher num mesmo teto 35 mil pessoas. “Os brasileiros têm necessidade de grandes basílicas e catedrais, de lugares grandes para congregar e orar”, diz o padre Marcelo Rossi, criador do Santuário Mãe de Deus (Para ler mais, clique aqui).

O que estaria por trás desta febre que, diga-se de passagem, é um fenômeno global? Por que igrejas investem cada vez mais em megatemplos, às vezes chamados de catedrais? No artigo abaixo, escrito por mim há algum tempo, proponho uma reflexão crítica deste fenômeno.

Pra que servem as catedrais?

Catedral, sonho de consumo de nove em cada dez pastores. Construir uma tornou-se a maior realização de um ministério. Imagine construir várias?

Afinal, pra que servem as catedrais? Deus não habita em templos feitos por mãos humanas. Não importa o quão suntuosos sejam. Ele não se impressiona com luxo, com colunas revestidas de ouro, com cadeiras acolchoadas, com piso acarpetado, ar-condicionado central, etc.

Então, por que as construímos? É na glória de Deus que pensamos? Não! Queremos rivalizar com os Shopping Centers. Deus não pode perder pra Mamon, não é verdade? Sem contar que a concorrência com outras igrejas é muito forte, e não podemos ficar pra trás.

As pessoas não estão em busca da verdade, e sim da conveniência. Elas não buscam relacionamentos, mas conforto. Elas não se interessam em adoração genuína, mas em entretenimento. Elas não querem Deus, mas um gênio da lâmpada que resolva todos os seus problemas. Elas não querem a Videira Verdadeira, mas apenas um deus quebra-galho. Então, vamos dar o que elas procuram! Se pedirem um bezerro de ouro para adorar, vamos atendê-las sem pestanejar. Caso contrário, corremos o risco de perdê-las para outras igrejas (ou seria para outros currais religiosos?)

É a lei da oferta e da procura.

Quanto desperdício de recursos!

Uma coisa que não entendo é que a maioria daqueles que constroem catedrais, acredita e ensina que o Mundo está prestes a acabar. Ora, não haveria aí um incoerência? Se a Vinda de Cristo está às portas, que sentido faria gastar milhões na construção de algo de que "não vai ficar pedra sobre pedra" (conforme a crença deles)? Não seria mais sábio gastar os mesmos recursos para salvar vidas? Que tal investir em missões em vez de em luxo desnecessário?

Não lembro ter ouvido de Jesus nenhuma orientação para que construíssimos catedrais. Será que os evangelistas se esqueceram de anotar o “ide por todo mundo, construindo catedrais”?

Onde era a catedral em que Jesus costumava pregar?

“Olhai os lírios do campo”! Bradava o Mestre, enquanto pregava a céu aberto.

Esta era a Sua Catedral.

Seu púlpito eram os outeiros, e às vezes algum barco emprestado. Seu sistema de som era o vento que amplificava a Sua voz, fazendo-a soar aos ouvidos atentos das multidões. Seu carpete era a relva, onde as pessoas se sentavam para ouvi-Lo. As ruas empoeiradas eram seus corredores. O céu estrelado ou ensolarado era a abóbada de Sua Catedral. Os galhos das árvores eram os camarotes de onde os pássaros e pessoas importantes gostavam de assisti-Lo.

Pra que servem catedrais?

Não me refiro às catedrais medievais, verdadeiros monumentos culturais, repletos de arte sacra, provendo ambientes reverentes propícios à adoração. Refiro-me às catedrais de hoje em dia, construídas em série, cuja finalidade não é outra senão alimentar a nossa vaidade e justificar nossa ganância.

Que tal voltarmos a freqüentar a mesma catedral de onde Jesus proclamava o Evangelho? Que tal nos reunir à beira da praia, e juntos adorarmos a Deus enquanto assistimos ao pôr-do-sol? Que tal voltar a sentir o cheiro da relva molhada, enquanto desfrutamos da comunhão entre irmãos, e ouvimos a doce voz do Mestre sussurrando em nossos ouvidos através do vento?

Imagine se o povo de Deus fosse conhecido como o povo da natureza, como aqueles que enxergam os eternos atributos de Deus nas coisas criadas.

Enquanto nos trancamos nas catedrais, estamos perdendo o espetáculo da vida.

Sonho com o dia em que os cristãos voltarão a se reunir nos parques, a orar nos jardins (como fazia Jesus); participarão da Ceia do Senhor em contato com natureza.

Em vez de ar-condicionado, ar puro. Em vez de refletores, os luminares criados por Deus (sol, lua, estrelas). Nossos cultos teriam a participação especial do coral dos pássaros. Nossos santuários seriam enfeitados por lírios, aqueles cuja glória ofusca a de Salomão.

Desculpem o devaneio... é só um sonho.

P.S.: Originalmente, "catedral" era o lugar da "cátedra" (cadeira) do bispo. Não importava se o lugar era suntuoso ou rústico. Infelizmente, o termo foi corrompido, passando a significar um lugar amplo, que geralmente serve de Sede para uma denominação.

Domingo, Dezembro 25, 2011

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Natal: Subversão de Deus



Por José Barbosa Junior
As músicas de Natal (e eu gosto muito delas!) sempre nos pintam um quadro majestoso do nascimento de Jesus. Dá para ver os anjos enchendo de luz o céu, uma estrela mais brilhante que o normal, parece que o clima era todo propício para O acontecimento, quase numa perspectiva hollywoodiana dos fatos. Muita luz, muita festa, gente importante, afinal, era ninguém menos do que o próprio Deus que ali encarnava… não poderia haver quadro mais rico e belo!
Porém, ao me deparar com as narrativas com que o texto sagrado nos brinda, um sorriso maroto me vem e a expressão sai com uma naturalidade assustadora: “Deus é um brincalhão!” Toda a lógica de um “mega evento” é subvertida pelas “personagens” desse acontecimento que toda a cristandade comemora: o Natal!
Em primeiro lugar, um anjo aparece a um velho sacerdote. Engraçado isso: o primeiro a saber é alguém que em breve “perderá seu posto”. O anúncio da vinda do messias é o fim do sacerdócio como até então se conhecia. Santa ironia! O sacerdote emudece, sua esposa engravida, o filho saltitante desde o ventre será aquele que anunciará o fim da velha ordem. Sua mensagem será simples, mas demolidora: O Reino de Deus chegou! O velho sacerdote já não será mais a ponte entre Deus e o povo. Sua alegria é saber do fim do seu ofício!
Entra em cena uma jovem, provavelmente uma adolescente. Seu nome: Maria! Como cantaria bem mais tarde o poeta, “Maria, Maria é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta… quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida!” No quadro muitas vezes visto em presépios, pinturas e imagens, está uma adolescente grávida, ainda não casada… e com um “noivo” prestes a deixá-la por causa dessa gravidez. Uma adolescente disposta a enfrentar tudo por causa de uma “revelação”. Mas não deixa de ser, para quem vê, uma simples adolescente grávida sem estar casada. Nada bom!
O homem que pensava em deixar a adolescente também não  era um sujeito importante. Morava em Nazaré, pequena aldeia da Galiléia, lugar de gente pobre, que saiu de sua terra para tentar a vida no pequeno povoado. Mesmo sendo descendente do grande Rei Davi, era na terra pobre e de onde nada se esperava que morava e trabalhava este rapaz. E ainda pior, por conta de um decreto do então imperador, ainda teve que viver momentos de “retirante”… com sua noiva adolescente, grávida, à tiracolo. Um pobre carpinteiro, trabalhador braçal, morador do “fim do mundo”. Eu não o convidaria para fazer parte da grande história da humanidade!
O lugar. Não é uma personagem, mas o lugar onde a cena se dá há de ser mencionado: um estábulo! Lugar de animais, fétido, rústico, pobre também. A história que até agora já envolveu um sacerdote prestes a perder seu ofício, uma adolescente grávida e um retirante pobre tem como pano de fundo uma estrebaria… como imaginar algo bom de um “quadro” desses?
Mas nada há de tão ruim que não possa piorar: o menino nasceu! Ali, envolto em faixas, foi colocado sobre uma manjedoura (isso mesmo, um cocho para se dar comida aos animais). E os anjos (personagens divinos da história) diziam que o tal menino era o cumprimento de toda a profecia que permeava o povo: o Messias havia chegado! Deus fazendo morada entre os homens. O verbo se fazia gente, disse um outro poeta.
E, como se não bastassem todas essas pessoas pobres, toda essa cena insólita, a quem mais foi anunciado o “acontecimento”? A uns pobres pastores, que, de madrugada, guardavam seus rebanhos. Os pastores eram gente da “base da pirâmide” social. Gente desqualificada para ser testemunha de um grande acontecimento, muito mais na presença de um “Rei”. Provavelmente analfabetos, tinham como companheiras as ovelhas e alguns outros animais. Não deviam entender nada de profecias, de religião, de rituais. Gente mais “do povo” impossível! E lá foram eles, convidados pelos anjos para testemunharem A cena!
Algum tempo mais tarde, outros visitantes apareceram. Tudo indica que o cenário já era outro, mas as pessoas eram as mesmas: a adolescente, agora mãe; o jovem carpinteiro da cidade do interior e o menino, que crescia e mal sabia que já era motivo de inveja e planos de assassinato. Esses visitantes tinham algo de muito estranho em toda essa história: não eram da mesma religião! Não esperavam o  “messias”! Nem sequer sabe-se se adoravam ao “Deus verdadeiro”. Eram magos! Estudavam as estrelas… sim… astrólogos! Do oriente! Há algo de muito errado nestes visitantes! Como assim? Homens que não conhecem “a verdade” podem adorar aquele que é A verdade? Será que A verdade revelada em uma pessoa era maior que a verdade até então revelada em meras palavras? De qualquer forma, mais uma vez há uma subversão no quadro: homens de outros povos, de outros “deuses”, de outras “práticas” estão ali, adorando o menino, dando-lhe presentes. E voltam para as suas terras, ainda magos, ainda estudiosos das estrelas…
Um sacerdote em processo de “des-sacerdotização”; um bebê que se agita desde a barriga da mãe; uma adolescente grávida; um pobre carpinteiro do “fim do mundo”; um lugar fétido e pobre; uma criança indefesa; a ralé da sociedade; e, por fim, magos astrólogos do oriente. Se quisesse ainda poderíamos colocar um casal de velhos: ele, que só esperava ver o menino para morrer, e ela, viúva de 84 anos, que nada mais fazia na vida a não ser ficar no templo…
Sinceramente, continuo sorrindo diante do absurdo que é o “quadro” do nascimento de Jesus. Pura subversão de um Deus que pouco se importa com a “apresentação” e ama gente que provavelmente eu e você não convidaríamos para tal espetáculo! O Reinado de Deus chegou, porque seu Rei desembarcou em e por meio de tanta gente desqualificada e despreparada. O Reino é subversivo, o quadro é subversivo, o Evangelho é a subversão!
Natal é Deus quebrando paradigmas, dogmas, leis, ritos, fronteiras, barreiras. Natal é Deus na sua mais pura e bela subversão… seu amor!
Feliz Natal!
 José Barbosa Junior, no Crer é também é pensar

Sábado, Dezembro 24, 2011

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O Natal segundo Charlie Brown

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

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Porque inventei o Natal


Por Guilherme de Carvalho


Me lembro de curtir natais maravilhosos em família desde pequeno. Sempre havia nozes, passas (eu detestava isso...) presentes (ah, disso eu gostava!) Jesus, Belém, neve, parentes distantes, papai noel... Eu não sabia bem se era uma festa cristã ou não; só sabia que era bom.

Daí várias igrejas descobriram que a origem da festa de Natal era pagã. Fomos informados de que o 25 de dezembro fora o dia do solstício de inverno no hemisfério norte, que era a data de adoração ao deus-sol, que Jesus não nasceu nessa data, que a Igreja Católica pegou a data para combater a idolatria, etc. Daí, como bons crentes e anticatólicos, abolimos o natal. Nada de paganismo. Nada de presentes, neve (bem, isso não tinha mesmo), parentes, Belém, papai noel, nozes...

Não estou certo de que nos livramos do paganismo com isso. Sim, me livrei das passas mas, tristemente, as nozes foram embora junto!

Será então que crente não pode fazer festa? "Ora, pode sim" - me disseram. "O cristão tem duas festas para comemorar: a data do seu batismo e a ceia do Senhor". Daí acabou tudo: até a páscoa "foi pro saco". A princípio engoli a resposta, mas logo o barco começou a fazer água; "será que vão sumir com o dia do meu aniversário?"

Daí pra frente, graças a Deus, começou o caminho de volta. Aprendi que a ceia e o batismo não são "datas comemorativas". Hoje entendo que são sacramentos, e não meras lembranças. Portanto, não servem como substitutos para festas religiosas ou seculares.

Depois tive uma crise de calendário. Dando aulas de introdução histórica ao Novo Testamento no seminário, descobri que há boas evidências de que Jesus nasceu no final do ano mesmo. E mais: sua chegada foi anunciada por fenômenos astronômicos que os reis do oriente (que não eram judeus) interpretaram como um sinal divino. Como isso teria ocorrido sem que Deus usasse elementos de sua cultura e de sua religião?

Sim, nada disso bastaria para justificar a comemoração do Natal. O que me levou a retomar o Natal foi uma constatação muito mais prosaica: a de que o fim do ano sem Natal fica mais triste. E a única tristeza que faz bem é a do arrependimento. Para que servem datas comemorativas? Para relembrar o que não deve ser esquecido. Data de festa a gente inventa. E a gente inventa quando há algo de importante. Ora, o nascimento de Jesus não foi importante? Como é que podemos comemorar nossos aniversários sem nenhum sentimento de culpa e não podemos comemorar o aniversário da encarnação do Verbo? Se o Natal não existisse, teria que ser inventado!

Foi então que eu inventei o Natal. E decidi inventá-lo exatamente no dia 25 de Dezembro (já que não sabemos o dia certo em que ele nasceu). Porque escolhi essa data?

1. Para enfatizar que não existe nenhum deus-sol, mas apenas o Deus de Jesus Cristo;
2. Para lançar confusão sobre essa versão midiática pagã e melosa de Natal, que quer falar em Paz sem falar em Jesus Cristo;
3. Para contrariar todas as formas de cristianismo legalista, que se dedicam a coar mosquitos e engolir camelos;
4. Para alegrar às minhas duas filhinhas.

Com certeza há outras boas razões para fazer isso. Mas, sinceramente, considero a razão número 4 perfeitamente suficiente. Afinal, Deus não gosta de tristeza.

Se na sua vida não tem Natal, então invente!



Guilherme de Carvalho

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Você já montou sua Árvore de Natal?



Um amigo do facebook postou uma foto com uma enorme pilha de fraldas descartáveis, tendo uma árvore de natal ao lado. Foi o suficiente para que várias pessoas postassem seus protestos e argumentos contrários ao uso de árvores natalinas.

Um deles escreveu o seguinte comentário: "Não plantarás nenhuma árvore como asera, ao pé do altar do Senhor teu Deus, que fizeres. Deuteronômio 16:21 Jesus te ama..."

A frase "Jesus te ama" suou como se estivesse dirigindo-se a um não converso.

Apesar de ser evidente a falta de conexão entre uma coisa e outra, preferi conferir a resposta do meu amigo Felipe Barros:

O texto de Deuteronômio se refere ao sacrifício e abstenções da páscoa .... um mandamento para que o povo não se voltasse aos rituais pagãos, feitos em torno da árvore plantada no altar pagão. Agora, se porque uma árvore foi usada em um ritual pagão significa que temos que bani-la de nossas vidas ou casas, precisamos banir os gatos que eram adorados pelos antigos egípcios, as vacas, adoradas pelos hindús e todos as árvores, animais, astros ou objetos que foram frutos de adoração pagã, dentre eles o mar, o sol, a lua etc, etc, etc. Existem várias lendas em torno da criação da árvore de natal. Uma delas, a mais divulgada inclusive, seria que Matinho Lutero (1483-1546), autor da Reforma Protestante do século XVI, olhava pro céu através de um pinheiro na estrada, e viu o céu estrelado sobre a copa das árvores e entre as folhas. Levou um galho pra casa, chamou seus filhos e o decorou com velas acesas fincadas nas pontas dos ramos. Usou papéís coloridos para enfeitar e compôr o que tinha visto do lado de fora. Nascia assim a árvore de Natal. Ele apenas queria mostrar a seus filhos como havia sido a noite do nascimento de Cristo.

Apreciei muito a resposta, e por isso, resolvi postá-la aqui. Apesar de toda confusão ao redor do assunto, não vejo qualquer mal em montar um pinheiro de natal em casa, ou mesmo na igreja. Ontem, ao chegar do culto, encontrei nossa árvore montada, decorada e iluminada. Gosto da atmosfera natalina, cheia de luzes, guirlandas,  bolas coloridas, presépios, etc. Isso sempre me remete à minha infância.  E quem não teve infância, que atire a primeira pedra!

Quanto a mim, ninguém ouse me censurar. Não abro mão da liberdade que tenho em Cristo.

Sei não... acho que aquela pilha de fraldas bem que serviria para aqueles que se preocupam com questões tão infantis... Tanta coisa pra se preocupar... Crianças sob a marquise... Famílias desestruturadas... Injustiças... Fome... E a gente se preocupando com a árvore de natal alheia.

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Tatuagem: pecado ou não?


Tabu, religiosidade, moda, legalismo, pressão social, enfim, seja lá qual for o contexto, discutir sobre esse assunto (tatuagem) ainda é muito polêmico, seja no meio cristão ou mesmo secular. Tenho uma tatuagem, acho algumas tatuagens bem bonitas, porem sempre tive cautela e receio em relação à prática. Meu principal receio: Arrepender. No meio cristão vários são os argumentos utilizados para atacar a prática da tatuagem e os principais e mais polêmicas são retirados de textos bíblicos.

E que argumentos seriam esses? Seriam eles sólidos?

Acho que a simples polêmica em torno desse tema já nos desperta para ler o artigo, além disso, antes de formarmos opinião sobre algo específico é sempre bom avaliarmos a questão pelos mais diversos ângulos possíveis. Então, que seja proveitosa e esclarecedora sua leitura.

FATOS SOBRE TATUAGEM QUE NÃO PODEM SER DESPREZADOS

“Sabe o que é? Estou com dúvida sobre se posso ou não fazer uma tatuagem. O que o senhor, pastor, me aconselha?” 

Claro que não, seu idiota! Se você ainda tem dúvidas, está mais do que claro que NÃO DEVE fazer. Mas como vira e mexe ainda sou obrigado a responder este tipo de pergunta, gostaria de fazer uma reflexão objetiva e definitiva sobre tatuagens.

1) Dói. Então se sua tolerância à dor é baixa, não se arrisque.
2) Não sai. Por mais moderno que sejam os lasers prometidos pelo seu dermatologista, sempre ficam pequenas cicatrizes (algumas nem tão pequenas assim).
3) Não conseguirá trabalhar em qualquer lugar. Claro que isto está mudando, principalmente nos grandes centros. Mas ainda não é a realidade na maior parte do Brasil.
4) Três de cada cinco pessoas que fazem tatuagem se arrependem nos dois primeiros anos. Portanto pense bem antes de tatuar o nome da sua namorada ou a cara da sua mãe. Do jeito que as pessoas não andam levando relacionamentos a sério, nem depois de casado tá dando pra tatuar o nome “dela”. E a cara da sua mãe ficará horrível em forma de tatuagem. Fica parecendo aquelas fotos pintadas que se colocam em túmulos.

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE TATUAGENS - Na verdade a Bíblia não diz nada. E ao mesmo tempo diz tudo. Tanto os legalistas que são radicalmente contra tatuagem, quanto os liberais extremistas, tentam forçar a amizade utilizando textos ao pé da letra, sem levar em consideração o contexto. Pois analisemos algumas passagens bíblicas:

PASSAGENS BÍBLICAS UTILIZADAS EM REFERÊNCIA A TATUAGENS 

“Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor.” (Levítico 19:28) 

Esta passagem é utilizada por boa parte dos radicais que adoram estuprar o contexto da palavra de Deus. Conforme está escrito, tanto o fazer lacerações quanto o imprimir marcas, referem-se especificamente ao culto aos mortos. Portanto, como nem toda tatuagem refere-se a adoração de defuntos, não dá para generalizar. Outro ponto importante é que no mesmo capítulo, especificamente no versículo 27, há outra afirmação interessante: 

“Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem desfigurareis os cantos da vossa barba.” (Levítico 19:27). 

Percebe como o mesmo texto que ordena que não sejam impressas “marcas” sobre a pele também ordena que está vetado os cortes de cabelo do tipo “cuia” e também o barbear-se adequadamente? Por que um versículo deve ser levado ao pé da letra e o imediatamente anterior a ele não? Paulo explica isso na carta aos Gálatas, discorrendo acerca daqueles que queriam guardar a circuncisão mesmo após conhecerem a Cristo:

“E de novo testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei.” (Gálatas 5:3)

Então ou pega o pacote completo da Lei ou aceita de uma vez que somos chamados pela graça. Esta graça não implica em ausência de responsabilidades, mas em consciência transformada. Quem faz, deve saber o porquê e estar plenamente ciente de que prestará contas por suas ações.

O segundo argumento bíblico utilizado é de que nosso corpo é o TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO e, portanto, não devemos profaná-lo. Juro que gostaria de saber de onde provém este conceito. Mas vamos lá! Primeiramente é importante observar bem o texto em que a expressão “templo do Espírito” aparece:

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19)

Está explícito no texto como Paulo refere-se ao ESPÍRITO QUE HABITA EM “VÓS”. Na realidade nosso corpo não pode ser chamado individualmente de templo do Espírito, pois segundo explica mais detalhadamente o apóstolo Pedro:

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” (1 Pedro 2:4)

Somo pedras. Parte da edificação que é chamada de TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO. Individualmente não passamos de meras pedras. Apenas coletivamente somos EDIFICAÇÃO. O mais interessante é como esta edificação é composta por pedras de todos os formatos e tamanhos. É fundamental que cada um encontre seu lugar, onde há ajuste perfeito entre as partes próximas, de modo a compor o todo. A beleza da igreja de Cristo está na diversidade e não na uniformidade. Assim, não serão cores, impressas ou de nascença, que farão com que esta edificação espiritual seja profanada. Além de que, há milhares de outras pequenas coisas moralmente aceitas que podem denegrir igualmente a “beleza” do corpo que é uma pedra viva. Exemplos? Lá vai alguns:

Comer demais, comer coisas que não são saudáveis, desnutrir-se por privar-se de coisas que não são saudáveis, maquiagem definitiva, silicone nos seios, lipoaspiração, vida sedentária, beber refrigerante demais, não beber água suficiente, tomar sol em demasia sem usar protetor solar… Dá pra citar milhares de pequenas coisas que detonam com nosso corpo. Muito mais do que uma tatuagem.

A proposição bíblica fundamental para todo aquele que deseja seguir a Cristo é EQUILÍBRIO. Deus nos criou para comermos de todas as árvores do jardim. Basta termos moderação e compreendermos claramente quais os LIMITES estabelecidos. O problema é que geralmente as pessoas só conhecem seus limites depois de ultrapassá-los. Se você for tolo e fizer isto com tatuagens, será tarde demais. Portanto, MODERAÇÃO É BEM VINDA!

E pra encerrar, o terceiro argumento mais utilizado pelos que procuram justificativas bíblicas para condenar tatuagens:

“Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem!” (Mateus 18:7)

Este talvez seja o argumento mais fraco, porém tem seus fundamentos. Pensem comigo: o que vem a ser literalmente um escândalo? Penso que seja aquilo que destrói pessoas, afastando-as da fé em Cristo e da sã doutrina. Assim sendo, uma tatuagem realmente até pode ser chamada de escândalo, de acordo com o contexto de cada um. Uma família pode criar aversão à fé do filho simplesmente porque discorda das decisões que este toma ao tatuar-se por pressão social da igreja que faz parte. Pode parecer idiotice, mas já vi dúzias de pessoas tatuarem até mesmo a logomarca da igreja.

No entanto, este argumento não qualifica tatuagens como proibidas, pois nem todas provocam necessariamente escândalos. Cabe a cada um discernir o quanto é conveniente e lícito tatuar-se. Cada um precisa assumir a responsabilidade por suas ações, levando em conta não apenas estes poucos textos bíblicos citados, mas também toda a mensagem do evangelho. Sabendo que cada um prestará contas pessoalmente ao próprio Deus.

Não seja burro. Na dúvida, NÃO FAÇA!

E na certeza, procure um profissional competente.

“e tudo o que não provém da fé é pecado.” (Romanos 14:23b)

Ariovaldo Jr. (Via Vivendo pela Graça)

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O Natal na ótica subversiva de Maria, mãe de Jesus



Por Hermes C. Fernandes


É claro que a figura central do Natal é Cristo. José, Maria, os Magos, os pastores de Belém, e até os anjos, são apenas coadjuvantes nesta história de esperança para a humanidade. Cada um deles reagiu de maneira diferente à chegada do Redentor ao Mundo. Os pastores anunciaram a todos. Os anjos cantaram nas alturas. Os Magos O presentearam. E Maria, o que fez? Qual teria sido a reação daquela que hospedou em seu ventre o Filho de Deus?


Somente Lucas preocupou-se em relatar o cântico com que Maria expressou sua felicidade e expectativa com a chegada do Messias prometido. Seu cântico ficou conhecido como Magnificat:


"A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva; desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço agiu valorosamente; dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos. Auxiliou a Israel seu servo, recordando-se da sua misericórdia; como falou a nossos pais, para com Abraão e a sua descendência, para sempre."  Lucas 1:46-55



Embora tivesse "sangue azul", pois pertencia à dinastia de Davi, Maria viveu na simplicidade e no anonimato, casada com um operário braçal. O trono antes ocupado por seus ancestrais, agora era ocupado por um rei marionete do império romano, cujo nome era Herodes. Seu povo vivia sob a tirania imperial. Maria era virgem, mas não ingênua. Humilde, mas não idiota. Santa, não alienada. 



A imagem que construiu-se de Maria não faz jus à sua postura subversiva expressada neste cântico. A jovem desposada com José era uma adolescente questionadora, com um espírito rebelde e revolucionário. Sua alma anelava por mudanças. Ao receber o anúncio trazido por Gabriel, ela soube que o ente gerado em seu ventre era a resposta aos seus anelos. 


Como que vislumbrando o futuro, Maria declarou profeticamente que Deus havia deposto os poderosos do trono, e elevado os humildes. Ela fala como alguém que vivia além do seu próprio tempo. Era como se fosse uma visitante proveniente do futuro. Pra ela, tais fatos não aconteceriam um dia, mas já teriam acontecido. Deus já teria enchido de bens os famintos, e despedido vazios os ricos. Se isso não é uma revolução social, o que é, então? Os defensores do status quo preferem espiritualizar passagens como esta, para que se encaixem em sua agenda ideológica e política. Porém, a jovem Maria não está falando de coisas estritamente espirituais, mas concretas, abrangendo a realidade sócio-econômica, política e cultural. 


O nascimento de Jesus anunciava que o tempo havia sido subvertido, e o futuro invadira o presente. Aquele que Se apresenta como o Princípio e o Fim, agora vive em nosso meio. A ordem predominante teria que ser colapsada para dar vazão ao Reino de Deus. A revolução há muito esperada fora deflagrada, e aquele seria, definitivamente, um caminho sem volta. Nunca mais o mundo seria como antes. 


Como todo subversivo que ameaça o establishment, Maria teve que exilar-se com seu filho e esposo no Egito, onde viveram na clandestinidade até o momento designado por Deus.


Pelo cântico que compôs, dá para inferir que valores Maria teria transmitido para seu Filho. 


Com o tempo, o cristianismo deixou sua marginalidade essencial, para tornar-se em religião oficial. Maria deixou de ser vista como subversiva, para tornar-se numa espécia de padroeira do status quo. Domesticaram a mãe do Salvador.  Desproveram-na de sua rebeldia. Tornaram-na inofensiva. O mesmo fizeram com a igreja cristã, que deu as costas aos pobres, humildes e oprimidos, para aliar-se aos poderosos.


Se quisermos ver as profecias de Maria cumpridas, temos que dar meia-volta, trair nossos laços com os interesses econômicos e políticos, e abraçar nossa vocação subversiva. Se Maria estava certa, e de fato, anteviu o futuro, isso eventualmente acontecerá. E quando ocorrer, o Natal passará a ser celebrado como uma data revolucionária, como é a celebração da revolução francesa ou da inconfidência mineira.