Quinta-feira, Junho 30, 2011

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Rompendo com o Igrejismo, abraçando o Reinismo






Por Hermes C. Fernandes

A Igreja do Futuro não pode ser em-si-mesmada, isto é, voltada para si mesma, mas para o mundo, tendo por objetivo primordial a implantação do Reino de Deus. Ela tem que ser reinista, em vez de ser igrejista. '

Assim como o Espírito Santo não chama a atenção para Si, mas para Cristo, a Igreja do Futuro não pretende ser o centro das atenções, mas projeta seus holofotes para a nova humanidade, a ser edificada ao redor do Trono.

A igreja contemporânea (salvo exceções), não passa de uma caricatura mal acabada da verdadeira igreja de Cristo, cujo protótipo pode ser claramente visto nas páginas de Atos dos Apóstolos.

Urge reformularmos nossa concepção eclesiológica.

A igreja enquanto instituição deveria ser vista como a placenta onde a nova humanidade está sendo gestada. Quando chegar a hora do parto, a placenta pra nada mais servirá, e será descartada.

Por isso, não há templos na Sociedade Definitiva vislumbrada por João em Apocalipse.

A igreja é o andaime usado pelo Grande Construtor,que será removido tão logo a obra tenha sido concluída.

A Igreja que perdurará por toda a Eternidade é a Nova Humanidade, a Civilização do Amor, que tem como Cabeça o Novo Adão, Jesus Cristo.

Enquanto a "igreja" insistir em trabalhar voltada para si mesma, e para a manutenção de seus projetos, ela estará fadada a perder a relevância no Mundo. A igreja precisa converter-se ao Mundo, pois foi para o benefício dele que ela foi levantada.

Paradigma Igrejista x Paradigma Reinista

O neologismo “igrejismo” aponta para a concepção eclesiológica vigente em nossos dias, onde a igreja se confunde com o próprio Reino de Deus, e se acha o centro das atividades divinas entre os homens.

O igrejismo é mais do que uma concepção, é uma postura promotora de alienação e sectarismo. A igreja acaba por se tornar um gueto religioso, com sua própria subcultura, repleta de jargões e clichês.

Já o neologismo “reinismo” pretende resgatar uma concepção eclesiológica bíblica e condizente com os anseios da pós-modernidade, onde se mantém a distinção entre o Reino e a Igreja, e o foco deixa de ser as atividades religiosas para ser o agir de Deus na História, envolvendo todas as dimensões da existência humana.

Ser reinista não é apenas pertencer a uma agremiação eclesiástica, mas ser um agente do Reino de Deus, empenhado na transformação do Mundo por intermédio da implementação do conjunto de valores e princípios ensinados por Jesus.

Neste contexto, a igreja é o farol, a humanidade é o navio, e o Reino de Deus é o Porto Seguro.

Um farol não pode apontar sua luz para si mesmo. Seu papel é iluminar o caminho, possibilitando ao navio chegar seguro ao porto. Assim, a igreja tem a missão de ser paradigma civilizatório, a fim de que as nações andem à sua luz. A igreja deve ser uma espécie de microcosmos, de protótipo, de amostra grátis, de plano piloto. Ela, portanto, não é um fim em si mesma.

A Igreja do Futuro deve ser proativa, em vez de reativa. Deve antecipar-se, como fez a mulher que derramou o perfume sobre Jesus. Deve ser vanguardista. O Mundo deve conformar-se aos valores por ela apregoados, e não vice-versa. Ela deve estar sempre um pé à frente, e isso com respeito a qualquer questão de interesse humano. Ela não apenas responde questões pertinentes ao seu tempo, como prevê questões que ainda surgirão, e busca respondê-las ainda antes que se tornem pertinentes.

Embora sua origem seja celestial, ela emerge da realidade em que está inserida. Portanto, ela só pode ser emergente, se for antes, imergente. Ao emergir, ela atrai para si, não os holofotes, mas a responsabilidade por tudo o que diz respeito à condição humana e suas demandas. Por isso, ela é convergente. Sua cosmovisão é ampla e abarca a realidade como um todo, desde a cultura, a educação, as ciências, a justiça social e o meio-ambiente.

Quarta-feira, Junho 29, 2011

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Bipolaridade espiritual



Amo analisar como cristãos compreendem o mundo a seu redor. Claramente se pode diagnosticar a visão de mundo de um cristão ou de qualquer pessoa por máximas que saem de seus lábios. Há alguns dias ouvi de uma pessoa evangélica: "A oração é para o mundo espiritual e o dinheiro é para o mundo material". Minha consciência se afligiu imediatamente, senti uma dor no estômago e não consegui parar de pensar nesta afirmação. Estava diante de alguém que sofria de bipolaridade espiritual.

Qual é o problema desta frase? Fiquei pensando no tipo de cristianismo que este sujeito anda recebendo. Fiquei pensando nos pastores que o ensinam e o doutrinam. Fiquei pensando nas músicas que ele ouve, ou nos livros que lê, se lê. Ou ainda o pior, como ele lê a Bíblia? Enfim, em que Cristo este cristão crê?

Não questiono sua salvação. Mas, fico pensando quão perversa é a forma como alguns ditos seguidores de Jesus vivem e pensam.

Todo problema reside na visão de vida. Há pessoas que entregaram a vida nas mãos do dinheiro, empurraram a vida do Governo de Deus para uma outra coisa. Restringiram o governo de Deus a uma realidade virtual, criaram uma esfera metafísica, translúcida e imaginária, onde Deus atua, e excluíram Deus da própria santidade da vida.

Como se não houvesse espiritualidade na própria vida, a vida como um todo; como se comer, vestir, trabalhar, comercializar, amar, estudar, fossem dimensões autônomas, seres animados, demiurgos, energias cósmicas ou espíritos elementares. Deram tanta autonomia às coisas criadas que a oração não alcança o dinheiro, a deusa fortuna, torna-se senhora, ídolo. Deus não tem competência para lidar com a vida. Não tem competência para lidar com realidade da dimensão humana, ao contrário, está restrito à liturgia eclesiástica, aos coros, ao universo gospel, aos púlpitos. Por isso, para eles, fora da Igreja quem governa é o cão, é Mamom, são os encostos, a corrupção política e a imoralidade.

Ora, este não é o Cristo que creio, não é o Senhor a quem foi dado todo poder nos céus e na terra. Se é Senhor, governa, tem a chave da morte e do inferno, pois é Senhor da Vida. Senhor de toda vida. Não há nada que não esteja sob sua jurisdição, sob égide de seu poder. Tudo se dobra diante dEle, potestades, principados, tudo se curva.

O problema é que a vida foi achatada, segregada, colocada em um gueto, como se espiritualidade fosse uma coisa manca, sem criatividade, sem vitalidade. Um fóssil enterrado à sete palmos de dogmas, cânticos e orações cheirando a mofo. Ora bolas! Que fé é esta? Quem pregou este evangelho? Com certeza não é esta a boa-nova que saiu dos lábios do Messias judeu, não foram estas as palavras que saíram de Sião e espalharam-se por toda terra.

Jesus criou uma escola da vida, do carisma, da criatividade, de homens que coloriram o mundo com a vitalidade, que proclamavam liberdade na terra, como no Ano do Jubileu, onde prisões eram abertas e cartas de alforria eram distribuídas.

Até quando veremos cristãos restringindo todo potencial criativo de Deus ao gueto de uma espiritualidade quase esotérica, mística e hermética. Até quando se pode tolerar um mundo animado por Gaia, regido por avatares, energias cósmicas?

Ora, o mesmo Deus que criou, criou com palavras, com decretos, para por meio de sua ordem sustentasse toda existência em torno do que Ele é. Toda existência deve reverenciá-lo e reconhecê-lo como Senhor de toda Vida.

"Fez a lua para marcar o tempo; o sol conhece a hora do seu ocaso. Dispões as trevas, e vem a noite, na qual vagueiam os animais da selva. Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento; em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis.Sai o homem para o seu trabalho e para o seu encargo até à tarde. Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas" (Salmo 104:19-24).

Por: Igor Miguel - Ultimato (Via Emeurgência)

Domingo, Junho 26, 2011

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Teorias de Conspiração: Illuminati, Maçonaria, Nova Ordem Mundial e etc.
















Por Hermes C. Fernandes

Os Illuminati e a Maçonaria dominam o mundo e estão por trás da nova ordem mundial! A vacina contra a gripe suína é uma farsa e visa coibir o aumento da população mundial. Os americanos capturaram extraterrestres e os mantém vivos numa base secreta chamada Área 51. John Lennon foi assassinado pela CIA. Michael Jackson foi vítima de conspiração da indústria fonográfica. A Xuxa fez pacto com o diabo. Estas são algumas das teorias de conspiração mais conhecidas em nossos dias.

Recentemente deparei-me com alguns artigos e vídeos sobre tais teorias. Algumas chegam a ser plausíveis, nos levando a refletir sobre muita coisa que temos visto na mídia em geral. Outras, porém, além de improváveis, revelam a criatividade mórbida de quem as inventa.

Não duvido de que muito daquilo que nos é contado nas aulas de história nada mais é do que a versão de quem venceu a guerra. Também não duvido que muitos dos dirigentes das nações não passem de marionetes nas mãos das elites. Creio que entre os famosos haja quem tenha feito pactos demoníacos para alcançar o sucesso. Enfim, tudo isso me parece factível, ainda que não seja provado.

O que me incomoda é que tem muita gente se deixando levar por uma onda de factóides conspiratórios, empreendendo uma verdadeira caça às bruxas. Em vez de se preocupar em construir uma sociedade mais justa e transparente, ficam a espreitar em busca de sinais que evidenciem alguma conspiração. Se a logomarca de uma empresa tem um forma geométrica triangular, logo é considerada satanista, simplesmente porque o triângulo lembra pirâmide, usada em cultos ocultistas. Se vêem um arco-íris, lá vêm as suspeitas de que tenha alguma ligação com a agenda gay. Isso acaba se tornando uma obsessão. Produtos são boicotados por sua pseudo-ligação com o ocultismo. Lendas urbanas são engendradas, como aquela que diz que o McDonald's patrocina o satanismo, ou que a chegada do homem à Lua foi uma farsa, ou que o Elvis ainda vive escondido em alguma ilha do Pacífico.

Pelo amor de Deus! Será que não percebem que isso atenta contra nossa saúde espiritual e emocional?

Não ouso negar que algumas de tais teorias não procedam. Porém isso não pode me distrair do foco. Tenho que prosseguir impulsionado pela certeza de que Deus tem o controle de tudo, inclusive das tentativas humanas ou satânicas de frustar Seus planos.

Tenho que acreditar que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o Seu propósito (Rm.8:28).

Esta era a certeza que norteava a igreja primitiva. Logo na primeira perseguição que sofrera, a igreja se reuniu e em oração declarou:
"Ó Soberano, tu fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há! Tu falaste pelo Espírito Santo por boca do teu servo, nosso pai Davi: ‘Por que se enfurecem as nações, e os povos conspiram em vão? Os reis da terra se levantam, e os governantes se reúnem contra o Senhor e contra o seu Ungido’. De fato, Herodes e Pôncio Pilatos reuniram-se com os gentios e com os povos de Israel nesta cidade, para conspirar contra o teu santo servo Jesus, a quem ungiste. Fizeram o que o teu poder e a tua vontade haviam decidido de antemão que acontecesse. Agora, Senhor, considera as ameaças deles e capacita os teus servos para anunciarem a tua palavra corajosamente” (At.5:24-29).
Que há conspirações, certamente que há. Mas elas não nos podem demover de nosso propósito central. Há uma conspiração maior do que aquelas engendradas pelos poderosos deste mundo: a conspiração do Reino de Deus.

A passagem usada pelos cristãos primitivos nesta oração foi registrada originalmente no Salmo 2. Na continuidade do salmo, Davi relata a reação de Deus diante das conspirações dos poderosos:
“Do seu trono nos céus o Senhor põe-se a rir e caçoa deles” (Salmos 2:4).
Em outras palavras, Deus não os leva a sério. Se de fato há treze famílias na terra que detém o poder sobre os governos e instituições financeiras, por mais poderosos que sejam, Deus acha graça e caçoa deles. Nem os Illuminati, nem o Priorado de Sião, ou a fraternidade “Skull and Bones”, devem despertar em nós outra reação que não seja riso. Não passam de um monte de gente boba, estúpida, tentando assegurar seu poder no mundo, mas cujo destino já está selado (1 Co.2:6).

Lembre-se que Ele é quem “remove reis e estabelece reis” (Dn.2:21). Não vou gastar o resto da minha vida preocupado com quem será a besta do Apocalipse ou o Anticristo. Na mesma passagem em que João alerta a igreja sobre o espírito do Anticristo, ele ressalta: “Vós sois de Deus, e já o vencestes, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1 Jo.4:4).

Mesmo a Besta do Apocalipse está submetida a autoridade do Rei dos reis. Por isso a Escritura afirma que o próprio Deus pôs no coração dos reis que a seguem “o realizarem o intento dele, concordando dar à besta o poder de reinar, até que se cumpram as palavras de Deus” (Ap.17:17). Isso nos traz segurança. Nosso Deus não é um fantoche nas mãos dos homens, tampouco é pego de surpresa por suas conspirações. Ele tem Sua própria Agenda!

Não sou eu quem vai perder tempo ouvindo discos rodando ao contrário atrás de mensagens subliminares.
Parem de ver o chifre do diabo em tudo e comecem a ver a providência divina conspirando pelo estebelecimento do Reino de Deus entre as nações.

Imagine se a igreja primitiva se negasse a usar as estradas construídas pelo Império Romano, alegando que aquilo era obra do diabo!

Custou anos até que os crentes permitissem que a TV entrasse em suas casas. Pregadores vociferavam de seus púlpitos, ameaçando os crentes com a perda da salvação, caso deixassem que o olho de Satanás entrasse em seus lares.

Tudo isso é meninice, e se quisermos cumprir nossa missão temos que deixar as coisas de menino.
Sinceramente, acho que a maior cartada que o inimigo tem dado para coibir o avanço da igreja tem sido justamente esta: distrair-nos com suas teorias de conspiração.

Paulo recusou-se a se deixar distrair. A leitura que fazia dos fatos era sempre ressaltando a soberania de Deus e a maneira como as coisas se encaixavam para bem-suceder Seus propósitos eternos.

Imagine se Paulo pensasse como muitos crentes de nossos dias. Ele escreveria da prisão dizendo: Irmãos, o diabo é muito sujo. Olha o que ele fez comigo, usando aqueles judeus para me acusar injustamente, e pressionar os romanos a me prenderem. Tudo foi uma conspiração! Orem e denunciem para abrir os olhos dos outros irmãos.

Mas em vez disso, veja o que ele escreve de dentro da prisão:
“E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior avanço do evangelho. De maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriada e de todos os demais. Muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas cadeias, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (Fp.1:12-14).
Bem que Jesus advertiu que se nossos olhos fossem bons, tudo ao nosso redor seria luz. O que nos difere do incrédulo não é o fato de nos sucederem coisas boas, enquanto a eles somente coisas más. O que nos difere é a leitura que fazemos da realidade. Temos a certeza de que Deus orquestra todas as coisas, de maneira que, até as que são aparentemente ruins, se tornam revestidas de um novo significado, à medida que nos conduzem na direção da concretização dos propósitos divinos.

Os irmãos de José conspiraram contra ele, mas muito acima de seus planos mesquinhos estava a conspiração divina para elevá-lo ao segundo posto mais importante do Egito, e assim, ajudar a preservar a linhagem da qual viria o Filho de Deus (Gn.45:5-8).

Os presidentes e sátrapas da Babilônia conspiraram contra Daniel, armando um flagrante que forçaria o rei a lançá-lo na cova dos leões. Porém, acima de suas conspirações estava a conspiração divina para elevar ainda mais a Daniel naquele reino. O texto que relata este episódio termina dizendo: “Foi assim que Daniel prosperou no reinado de Dario, e no reinado de Ciro, o persa” (Dn.6:28).

Não sejamos ingênuos, mas também não sejamos obcecados. Mantenhamos nossos olhos fitos no autor e consumador de nossa fé, e não deixemos que nenhuma teoria de conspiração nos distraia do foco.

Em tempo, não me importo com quem está por trás das conspirações, mas com quem está acima de todas elas. 

* Publicado originalmente em 07/07/2010

Sábado, Junho 25, 2011

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Entrevista de John Piper a Rick Warren sobre "Depravação Total".

Segunda-feira, Junho 20, 2011

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O Deus Jardineiro

Eu e minha esposa num parque em Altamonte Spring, Florida


Por Rubem Alves


Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra". A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria."(Clique aqui para você ler um texto sobre jardins)

Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.


O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.

Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.

Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.

Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constróem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!

Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.


Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:


"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."


Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso." (O retorno eterno, p 65).

Rubens Alves (Título original: Jardim)

Domingo, Junho 19, 2011

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O Reino de Deus na História: A maior zebra de todos os tempos!



Por Hermes C. Fernandes

Zebra é uma gíria comum em esportes, sobretudo no futebol, para justificar um resultado tido como impossível de ocorrrer. Uma equipe forte ser batida por uma fraca é a marca registrada, popularizada nos tempos áureos da loteria esportiva, quando no Programa Globo Esporte, surgia a informação dos resultados.  Quando eventualmente, o placar era inesperado, a Zebra aparecia e dizia: Zebra!!!!!!!!

A origem do nome vem do jogo do bicho, que não tem a zebra entre os vinte e cinco animais a serem sorteados. Ou seja, era impossível sortear a zebra. Por isso, tornou comum dizer “deu zebra”, quando uma equipe favorita perde.

A História está repleta de eventos que poderiam ser considerados verdadeiras zebras. Quem diria que o exército de Napoleão seria vencido pelo rigoroso inverno em sua batalha contra a Rússia? A máquina de guerra napoleônica rendeu-se à fúria da natureza.

Quem diria que aquele garotinho fantasiado de pastor de ovelhas, derrubaria o brutamontes Golias com uma funda de caçar passarinho?

Pelo jeito, nosso Deus gosta muito de zebras!

No dizer de Paulo, “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante ele” (1 Co.1:27-29).

O próprio Paulo foi uma grande zebra! Sozinho fez mais do que os outros apóstolos juntos. Ele testifica: “Pois eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou, e a sua graça para comigo não foi vã. Antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Co.15:9-10).

Mais a maior zebra da história ainda está pra acontecer. Porém, já foi prenunciada por Cristo, Seus apóstolos e profetas.

Aquele Galileu que entrou em Jerusalém montado em um jumentinho (parente próximo da zebra), continua cavalgando pela trilha da história, deixando no mundo um rastro de sucessivas vitórias. Não se enganem, meus amigos. O cavaleiro fiel que desfila nas páginas do Apocalipse, “saiu vencendo e pra vencer!” Ele é a zebra de todos os séculos.

Não disperdicem suas fichas apostando nos poderosos deste mundo, que estão em franco declínio (por favor leia 1 Co.2:6). Apostem n’Aquele que deve reinar “até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés”(1 Co.15:25). Todas as estruturas de poder virão ao chão. As ideologias sobre as quais estão fundadas entrarão em colapso. Porém a Verdade de Deus prevalecerá na História.

Aquela pedra vista em sonho pelo rei Nabudonosor, arremessada do céu contra os impérios deste mundo, está em franca expansão, e aos poucos, discretamente, está se tornando numa grandiosamente montanha, destina a tomar toda a Terra (Leia e compare Daniel 2:34-45, Mateus 16:17-18 e 21:44). A semente de mostarda vai se transformando numa frondosa árvore. A pitada de fermento vai levedando toda a massa (Mt.13:31-33).

E finalmente, será Dia Perfeito (Pv.4:18)! Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai.

A aposta está feita! Minhas últimas fichas estão lançadas na vitória de Cristo, não apenas na partida final da História, mas também nas eliminatórias, nas quartas e oitavas de final. E creia no que digo: Não haverá prorrogação! Nem vitória por pênalti. Será no tempo regulamentar.

Sábado, Junho 18, 2011

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Jesus, cópia de mitos? Zeitgeist Desmascarado

Sexta-feira, Junho 17, 2011

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Cristãos verdadeiros ou apenas zumbis engravatados?



"Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Assim declara aquele que tem os sete espíritos de Deus e as estrelas: Conheço as tuas obras, que tens fama de estar vivo, mas de fato, estás morto. Sê alerta! E fortalece o que ainda resta e estava prestes a morrer; porque não tenho encontrado integridade em tuas obras diante do meu Deus. Portanto, lembra-te daquilo que tens recebido e ouvido; obedece e arrepende-te. Porquanto se não estiveres vigilante, virei como ladrão, e tu não saberás a que hora virei contra ti. Contudo, têm em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes; elas caminharão comigo, vestidas de branco, pois são dignas. Deste modo, o vencedor andará trajado com vestes brancas, e de modo algum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrario, reconhecerei o seu nome na presença do meu pai e dos seus anjos. Aquele que tem ouvidos compreenda o que o Espírito revela às igrejas." Apocalipse 3.1-10

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Tenho observado que ao longo dos anos, tem havido sempre a atualização cinematográfica dos filmes classificados de terror e suspense, que tem como principais personagens o serial killer, Drácula ou vampiros, lobisomens, e os famosos zumbis. Filmes como Van Helsing, Homens de preto, Blade, Drácula, A volta dos mortos vivos, Eu sou a lenda, Zumbilândia, como também o filme nacional do cineasta gaúcho Davi de Oliveira “Porto dos Mortos”, ganham diariamente a atenção dos fãs do gênero, que esgotam os ingressos admirados com a inclusão tecnológica e a contextualização dos seres à realidade atual.

Deixando de lado os temíveis vampiros, o Drácula, o serial killer e o lobisomem, quero ater-me à preservada figura do zumbi, palavra que a principio pode confundir com o herói escravo do XVIII século, Zumbi dos Palmares. Refiro-me aos zumbis do tradicional vodu haitiano. “Zumbi ou zumbie”, no vodu haitiano é simplesmente um morto vivo, corpo sem alma a que se desenvolve a vida para ser empregado em trabalhos físicos.

A igreja de Sardes orgulhava-se de sua produção de lã e tinturaria. Era o centro de adoração à deusa Cibele (deusa da religião de mistérios cuja imoralidade e degeneração eram notáveis). Apesar de haver alguns naquela igreja que ainda permaneciam fiéis a Deus, retendo a fé e a vida piedosa como princípios fundamentais de sua religião. A maioria esmagadora estava insensível à espiritualidade, ao compromisso cristão. A falta de dedicação era notável. O ponto de apoio espiritual dos cristãos de Sardes era o inicio glorioso daquela igreja. Porém o Senhor conhecia as suas obras: conheço as tuas obras, que tens nome de quem vives, mas de fato estás morto. Estaria Deus falando a uma igreja de zumbis?

Nas tradições vodu, um zumbi é: Um ser humano a quem um bokor (sacerdote ou sacerdotisa) roubou o ti-bon-ange (alma menor). Este roubo é feito mediante técnicas de magia negra quando a pessoa está morrendo. Imediatamente depois de morrer o ti-bon-ange é conservado em uma garrafa pelo ladrão, que a partir desse momento tem controle absoluto do corpo da pessoa morta. Esta carece de pensamento e controle autônomo, de modo que pode ser manejada como um escravo total e absoluto por parte do ladrão. Com o passar do tempo, o zumbi vai deteriorando-se, como se apodrecesse, e finalmente seu corpo acaba por morrer também. O conceito do zumbi serve também como referência à servidão ou desgaste físico e doença.

Os zumbis são frequentemente temas de filmes, videogames, canções, livros e outras manifestações populares. Há uma comunidade no Brasil denominada “Zumbis Corporation” onde o tema zumbis/sobrevivência é debatido. Os membros dessa comunidade levam o assunto a serio. Mito ou realidade, esse tema permanece de alguma forma, crescente no imaginário popular.

O que Cristo veio propor à humanidade? Segundo o apostolo Paulo, o cristão é alguém que morreu para o mundo e agora vive para Deus.

"Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que atua agora nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nos andávamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus que é rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando vós mortos em delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus. Para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vos; é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas." Efésios 2.1-10

O verdadeiro cristão não é um zumbi. Alguém que morreu espiritualmente e foi reanimado para continuar entre os vivos, como vivo (embora permaneça morto). Cristo não veio nos reanimar, ele veio nos ressuscitar; gerar-nos outra vez; Fazer de nós novas criaturas, Seres dotados de uma nova mentalidade para o oficio do bem.

Zumbis não tem sentimento. Não pensam criticamente, nem defendem suas convicções. Temos, como a igreja de Sardes, muitos zumbis entre nós, que não conseguem entender ainda a razão de sua existência; o propósito da manifestação do amor de Deus em favor deles. Nem sabem se foram ressuscitados ou apenas reanimados.

Não é difícil diferenciar um cristão genuíno de um zumbi com nome de cristão. O zumbi não sabe pra onde vai, o que faz; se está vivo ou morto; suas ações são aparentemente desconexas e desprovidas de responsabilidades, não avalia consequências, o que ele faz é somente com base no momento. O verdadeiro cristão em contrapartida reconhece sua filiação com o Deus pai. Sabe que um preço foi pago pela sua ressurreição espiritual e física no futuro. Sabe de suas responsabilidades como filho de Deus e como servo de Cristo. Manifesta o amor que por Deus lhe foi comunicado em questões espirituais e físicas. Sabe enfrentar as tribulações da vida, na certeza de que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o seu propósito.

AQUI VALE A ANÁLISE: O QUE TEMOS SIDO?

Cristãos verdadeiros, ou apenas zumbis engravatados?


Quinta-feira, Junho 16, 2011

2

Mentes organizam, corações mobilizam!

Algumas igrejas destacam-se por possuírem características muito peculiares. Muitas delas direcionam todos os seus esforços para manterem sua membresia. As programações visam apenas o bem-estar de seus membros, que a cada dia vão se tornando comodistas inveterados. Por isso, a preocupação de sua liderança é se o culto vai agradar. Se ele não agrada, a solução é mudar a liturgia, o estilo de música, os músicos ou até mesmo o pastor. Caso contrário, correm o sério risco de perder a tão protegida membresia. O mais interessante é que igrejas assim não se preocupam com os de fora; a prioridade é manter a máquina funcionando. Outras, no entanto, buscam caminhos diferentes: seus programas e estratégias visam o alcance de novos membros. Porém, o interesse está naquilo que eles têm a oferecer. A força motriz não é o “ide” de Mateus 28.19, e sim o tilintar da moeda em seus gazofilácios.

Os modelos ora citados criam dois tipos de “crentes-consumidores”: os eclesiásticos e os decepcionados. Os eclesiásticos são os que sugam da igreja; pessoas que não vivem sem ela. Em sua grande maioria, são frequentadores assíduos de suas atividades. Cantam em conjuntos e até fazem parte de algum departamento que lhes possa interessar. Mas o que os move é a busca pela satisfação pessoal. Já os consumidores decepcionados, com o tempo descobrem que adquiriram um produto que não satisfará para sempre as suas necessidades. Decepcionam-se com a igreja e, consequentemente, se afastam de Deus.

O que os dois tipos têm em comum? Programas e estratégias. Logicamente, para que elas se tornem atividades efetivas são necessárias mentes para organizá-las. Qualquer pastor que se preze falaria com orgulho se em sua igreja existissem tais mentes. Pessoas capazes, bem preparadas física e psicologicamente, instruídas, aptas a ensinar. Gente inserida na comunidade, com visão e percepção das tendências socioculturais. O problema é que se tudo isso existir sem amor, não há valor algum! Programas, estratégias, grupos pequenos ou grandes, ministérios, departamentos... seriam como címbalos retumbantes. O maior de todos os valores do evangelho é a transformação de pessoas. Quando Jesus curava um aleijado, ele finalmente podia ir para casa. Aleijados não frequentavam lugares de gente saudável (como igrejas, por exemplo). Jesus, além de curar, transformava a realidade de todos.

Podemos ter os melhores planejamentos estratégicos, mas se não proclamarmos um evangelho transformador, significa que não entendemos nada do que Cristo nos mandou fazer. E então, corremos o risco de fazer parte de uma das igrejas descritas no início. Por isto, relembro a frase-título desta reflexão: “Mentes organizam, corações mobilizam!”. As mentes são necessárias para a organização de nossas dinâmicas ministeriais. No entanto, corações sensíveis mobilizam pessoas a se renderem ao Senhor Jesus.

Que Deus nos ensine a colocar mentes e corações ao seu dispor.


Geovane Porto

Ultimato (Via Emeurgência)

Quarta-feira, Junho 15, 2011

5

Extra, extra! A maior notícia de todos os tempos!





Por Hermes C. Fernandes




Do quê se trata?


DO REINO DE DEUS
“É chegado a vós o Reino de Deus.” Lucas 10:9a


Por quê?


DEUS TEM O DIREITO DE GOVERNAR SUA CRIAÇÃO
“Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existem e foram criadas.” Apocalipse 4:11


Pra quê?


* PARA OBEDIÊNCIA DAS NAÇÕES
“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora, e foi dado a conhecer pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé.” Romanos 16:25-26

* PARA RESTAURAÇÃO DA TERRA
“Te darei por aliança do povo, para restaurares a terra, e lhe dares em herança as herdades assoladas.” Isaías 49:8b


* PARA DESTRUIR TODA ESTRUTURA DE PODER INJUSTA
“Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os regerás com vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.” Salmos 2:8-9


“Então virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver destruído todo domínio, e toda autoridade e todo poder. Pois convém que ele reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser destruído é a morte.” 1 Coríntios 15:24-26


De quem?


* DE DEUS, O PAI
“Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre.” Mateus 6:13b


Pra quem?


* PARA NÓS, SEU POVO
“O reino e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo. O seu reino será um reino eterno, e todos domínios o servirão e lhe obedecerão.” Daniel 7:27


Por quem?


* POR JESUS CRISTO
“Os que recebem a abundância da graça, e o dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” Romanos 5:17b


De onde?


* NÃO É DESTE MUNDO
“O meu reino não é deste mundo.” João 18:36a


* DO CÉU
“Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra pertence à terra, e fala como alguém da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.” João 3:31


Pra onde?


* PARA O MUNDO
“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.” Apocalipse 11:15b


Quando?


* MANIFESTOU-SE NA PLENITUDE DOS TEMPOS
“E desvendou-nos o mistério da sua vontade (...) de fazer convergir em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.” Efésios 1:9a,10


* QUANDO SE DEU A PLENITUDE DOS TEMPOS?
“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” Gálatas 4:4


Desde quando?


* DESDE A FUNDAÇÃO DO MUNDO
“Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está prepa-rado desde a fundação do mundo.” Mateus 25:34b


Até quando?


* POR TODA A ETERNIDADE
“Foi-lhe dado o domínio, a honra e o reino; todos os povos, nações e línguas o adoraram. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino o único que não será destruído.” Daniel 7:14


Como…


* SER CIDADÃO DESTE REINO?
“Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus (...) aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3:3a,5b


Quanto...


* CUSTOU NOSSO INGRESSO NO REINO DE DEUS?
Ele nos arrebatou do império das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados (...) havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus”. Colossenses 1:13-14, 20


Qual…


* A MISSÃO DOS CIDADÃOS DO REINO?
“De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” 2 Coríntios 5:20


“Portanto, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos com tremos. Beijai o Filho, para que não se ire, e pereçais no vosso caminho, pois em breve se inflamará a sua ira. Bem-aventurados todos aqueles que nele se refugiam.” Salmos 2:10-12

EXTRA! EXTRA!

“Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia BOAS NOVAS, que proclama a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O TEU DEUS REINA.”
Isaías 52:7

Segunda-feira, Junho 13, 2011

6

Que grande farsa somos!


Por Alex Carrari



Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” Mt 15.7-9

Salvo alguns que não se dobraram a baal, somos todos uns canalhas. Eu, você, nós todos somos uma grande farsa, a maior de todas as farsas. E sabe por quê?


Organizamos nossas vidas de modo que tenhamos o mínimo dispêndio com a garantia do maior e melhor retorno. Fingimos que somos de outra estirpe, a dos filhos prediletos. Como filhos prediletos, queremos ser restituídos, queremos de volta o que é nosso. Rejeitamos todo mal, declaramos a nossa vitória, quebramos todas as correntes, exigimos nossa benção, sacudimos o inferno, não por sermos de Espírito libertário, muito menos altruístas; reagimos às ameaças negativas do “no mundo tereis aflições”como bons invólucros do espírito do capitalismo, do que é nosso e ninguém tasca, sendo essa nossa ética gospelizante. 


Dos nossos guetos, claustros protegidos por hostes angélicas imaginárias, estabelecemo-nos nas estatísticas do emergente mercado com produtos alinhados com o exigente gosto do consumidor evangélico. “Enfim uma linha de produtos com a nossa cara” declara a perua de Jesus. A cruz da vergonha, símbolo de assombro, pedestal do maldito, foi estampada com alegres cores e as vendas alavancaram. O peixinho antes solitário na rabeira dos carros agora endossa Filipenses 4.13, assim, não se dá satisfação para o significado de um ao passo que ninguém se atenta para o versículo anterior do outro. Podemos então astutamente declarar “tudo posso naquele que me fortalece” depurando nossa ganância, afinando o mau senso de que temos o rei na barriga. Na cara dura agradecemos a Deus por nossos sonhos de consumo se realizarem, mesmo que uma pequena – ou grande dependendo da gula do fiel – barganha tenha sido requerida para a liberação das bênçãos. A campanha dos vinte e um dias de Daniel não costuma falhar com aqueles que são, digamos mais liberais nas contribuições. Jesus é nosso chapa, e Deus dá honra a quem tem honra é o ditado e pretexto.


Comer a carne e beber o sangue do Filho do Homem é demais para nosso paladar requintado, queremos os manjares de Nabucodonozor, basta obedecer o Cristo em outra instância – que não a de tomar a cruz diária – e comeremos do melhor desta terra. A promessa concreta que é “Cristo em nós esperança da glória”, que permeia a história do Antigo e Novo Testamento, foi dissolvida, perdeu seu caráter e virou qualquer coisa, quem tiver a mais criativa imaginação que molde e determine a sua. Deus é Deus de promessa “mer mão” vocifera em saltos histéricos o pastor que se gabou de comprar um jato pela “pequena bagatela” de doze milhões de reais com o dinheiro sabe de quem?

O mandamento era ide e fazei discípulos, e o que fizemos? Cínico proselitismo. E sabe por quê? Porque somos uma farsa e já percebemos isso, nossa casa caiu. Então arregimentamos novas “almas” para compor uma sofisticada logística do entretenimento em que o evangelho é servido via fast food, e a igreja para não ir a bancarrota por causa de sua insipidez importa fórmulas de crescimento, franquias norte-americanas compondo o pacote camisetas, canecas, bonés, manuais de auto-ajuda e sermões previamente arranjados. Somos uma farsa denunciada por nossos projetos megalomaníacos, mega-templos – com loja de conveniência e chafariz –, marcha para Jesus – ufanismo quantitativo –, assistência social – desencargo de consciência e escape do sentimento de culpa por sermos avarentos e egoístas –, descaso com missões – o que importa são as almas –, discipulado – catecismo de cacoetes, novas manias e antigas neuroses.

Criamos uma bem guardada resistência às histórias de sofrimento alheio quando o assunto é padecer pela causa do Cristo. A emoção corre solta durante o testemunho do missionário, e dura até no máximo a primeira oração da próxima reunião, quando o mundo volta a girar em torno do centro da terra, o umbigo das nossas panças bem forradas. Histórias como da pequena Nina de dois anos que vive com seus pais missionários embrenhada nas matas entre os ribeirinhos do amazonas, que está vomitando a dias com suspeita de algum parasita ter tomado sua barriga, é exemplo sabe pra que? Sabe qual a grande lição que guardamos das crianças ribeirinhas que adquirem doenças desconhecidas por comerem peixes contaminados por não terem outra opção? Que Deus é bondoso conosco e nos garante comida limpa e mesa farta – afinal o justo não mendiga o pão. Que esse é um forte indício para acolhermos nossos bens de consumo e agradecer a Deus por nossos filhos estarem a salvo dos perigos da pobreza. 


No caso de sermos acusados por nossa própria consciência – o juiz que Deus nos colocou no íntimo – de que algo nessa trama não se harmoniza com as palavras do Nazareno, somos confortados com saídas bem satisfatórias, tipo: Deus tem um propósito nisso, ou, foram predestinados para esse fim, ou ainda, não chegou o tempo de Deus na vida desses coitados. O drama de Nina é um dentre tantos dramas contados por aí sobre os que pagam um alto preço por proclamar a rude cruz com todas as suas implicações, que deveria deixar-nos envergonhados por habitarmos em belas e espaçosas casas, por termos comida boa, roupa nova, plano de saúde, igreja com banco confortável, projetos, sonhos, canecas, bonés e camisas floridas estilo Rick Warren.
Deveríamos nos arrepender por comermos contra-filé e tomarmos Coca dietenquanto nas eiras do norte e nordeste comunidades inteiras comem bife de cacto não sem antes beber a água. Nossa cara deveria enrubescer por um missionário ter seu sustento – que é ínfimo, migalhas que caem da mesa de seus donos – ser desconsiderado como prioridade porque outros projetos institucionais são de maior importância e urgência. Por projetos institucionais entenda a construção do mega-templo, o aumento do salário de parlamentar do pastor, o gasto com propaganda midiática da denominação, a manutenção do conforto dominical do contribuinte-consumidor, importação de produtos da franquia, etc.

Julgamos ser assunto de primeira ordem a conservação do excedente dos nossos luxos e prazeres inúteis. Morreremos pela boca, já que com a boca distorcemos o discurso do Cristo para satisfazer nossos prazeres e deleites quando pedimos o que não se deve pedir. Pedimos mal e nos prostramos sobre a proposta do tentador que habita em nós. Queremos tudo e tudo nos será dado se prostrados adorarmos o lado enegrecido da nossa alma. Desconfiados de que amanhã o maná não cairá, estocamos hoje o da semana e quando percebemos que a sobra azedou fazemos caridade com a comida que já não presta. 


Não há em nosso discurso e prática, equivalente lingüístico nem espaço físico para o nós, tampouco para o nosso. É o meu milagre, a minha vitória, a minha benção, eumeu, eumeumeuminhameuminha... É só crer e não duvidar que hoje o meu milagre vai chegar.

Do conselho de Paulo “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” só consideramos o que do outro eu também almejo, seus bens de consumo. Com a cara lavada somos gratos a Deus por nosso padrão de vida estar se elevando ao passo que indiretamente afirmamos que Deus faz acepção de pessoas, já que pra mim aqui no sudeste é prometido uma terra que mana leite e mel, enquanto no norte e nordeste outros comem cacto não sem antes beber a água.


Somos a maior farsa de todas, pois, corrompemos a maior história de todas. Por conveniência dizemos coisas que o Cristo não disse e omitimos outras que ele disse. Caso nossa estabilidade e tranqüilidade – que com muito custo conquistamos domingo a pós domingo, mensagem após mensagem, louvor após louvor, dízimo após dízimo – seja de alguma forma ameaçada sacamos logo de uma fala de Jesus e entoamos um mântra para amarrar todo mal. Assim proclamamos, por uma questão muito mais de fazer novos prosélitos e mostrar que detemos o monopólio da verdade do que propriamente amor ao outro, um Jesus que nunca conhecemos.


Diógenes circula com uma lanterna no meio dos crentes em pleno meio dia procurando algum sábio sem que o possa achar.


Os sábios não estão entre nós, estão existencialmente no exílio, onde até as pedras estão clamando. Elias não fazia a menor idéia, mas sete mil ainda não tinham se dobrado, pois estes estavam fora do grande eixo, não possuíam nome nem imagem. Deus não esta no templo. Deus clama no deserto e o batista lhe empresta a voz.

O sal se tornou insípido. A luz está colocada de baixo do alqueire. A casa foi construída na areia. O Cristo está à porta, mas não lhe abrimos passagem. E juramos de pé junto com base nas estatísticas que estamos certos.

Alex Carrari em Herdeiros do Deserto em um dos textos proféticos mais pertinentes que li nos últimos meses. Título original: "Somos uma grande farsa". 

3

Daltonismo espiritual
















Por Hermes C. Fernandes

Os poderes das trevas prometeram ao homem que tão logo comesse do fruto que lhe fora vetado por Deus, seus olhos se abririam. Ledo engano. Tal atitude de desobediência acarretou-lhe verdadeira cegueira espiritual. De fato, seus olhos se abriram, mas para a maldade.

Até então, o homem só conhecia o bem. Nada que acontecesse à sua volta era tido por mal. Toda a criação era boa. Ele a enxergava com as lentes do amor de Deus. Mas agora, o mundo lhe parecia tenebroso e assustador. O homem passava a enxergar também o mal. Seu foco saiu da luz para as sombras. Não por ter ocorrido uma mudança na criação à sua volta. A mudança mais significativa aconteceu em seu coração, termo usado pela Bíblia para “consciência”. Com o coração corrompido, a consciência cauterizada, o ser humano passaria a fazer uma leitura dualista da realidade. Se antes tudo era bom, agora, a criação era dividida entre coisas boas e más. Daí o surgimento da esfera conhecida como inconsciente. O homem precisaria de um porão para a sua alma, onde pudesse armazenar muitas de suas experiências, principalmente aquelas que não gostaria de lembrar.

O afastamento da luz produz sombras, e a sua completa ausência produz trevas.

Foi o contato com os poderes das trevas, representados pela serpente, que o desviou da comunhão com seu Criador, mergulhando-o nas densas trevas da ignorância e da maldade.

Surgia então o dualismo. O “BEM” original fora substituído pelo binômio “bem/mal”. Até os animais passaram a ser classificados entre ‘puros’ e ‘impuros’.As cores vivas da natureza ficaram como que desbotadas, e homem tornou-se espiritualmente daltônico.[1]

Cristo Se entregou em sacrifício na Cruz para reverter isso. Por meio do mais nobre gesto de amor, Cristo desvenda nossos olhos, fazendo com que a criação recupere a sua santidade original. De maneira que Paulo pôde declarar: “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os corrompidos e descrentes. Antes a sua mente como a sua consciência estão contaminados” (Tt.1:15). O sangue de Cristo tem o poder de purificar nossa consciência (Hb.9:14), e assim, transformar nossa cosmovisão[2]. Passamos a enxergar a criação como ela realmente é: boa.

Alguns crentes primitivos, ignorantes acerca da obra reparadora da Cruz, ainda se submetiam às categorias da Lei, classificando a criação entre aquilo que era santo, e o que era profano, puro e impuro. Paulo diz que tais crentes estavam se apostatando da fé, “dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm cauterizada a própria consciência, que proíbem casamento (por classificarem o sexo como algo impuro), e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de suarem deles com ações de graças; por que tudo o que Deus criou é BOM, e não há nada que rejeitar” (1 Tm.4:1-4).

A vida recupera seu colorido original quando a enxergamos sob o prisma da Cruz. Não há nada profano, mal, vulgar. Tudo é santo à medida que serve ao propósito para o qual foi criado. Profanar algo é pervertê-lo, usando-o para o mal, e assim, atribuindo-lhe um significado maligno.

O que torna algo santo é a sua relação com o Criador. Uma vez que todas as coisas que há no céu e na terra foram reconciliadas com Ele por meio de Sua Cruz (Col.1:20), logo, concluímos que tudo é santo. Afinal, “dele e por ele e para ele são todas as coisas” (Rm.11:36). A harmonia entre o Criador e a criação promove a santificação de tudo quanto existe.

Deve ter sido um choque para Pedro, quando o Senhor lhe apareceu em visão, ordenando que ele matasse e comesse animais que eram vetados pela dieta prescrita na Lei Mosaica. Ao esquivar-se da ordem dada pelo Senhor, alegando que jamais havia ingerido coisa imunda, Pedro ouviu do Senhor: “Não faças imundo ao que Deus purificou” (At.10:15). Com efeito, Cristo resgatou a santidade original da criação.

Será que após a Cruz, a carne de porco se tornou menos danosa à saúde humana? Acredito que não. A purificação aqui é de caráter subjetivo, e não objetivo. Como vemos, desde que comeu da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, o homem teve a sua consciência danificada. A partir daí, a realidade passou a dividir-se entre coisas puras e impuras, santas e profanas, espirituais e materiais. Mas na Cruz, todo dualismo se desfaz. Céu e Terra se unem novamente para aqueles cuja consciência fora purificada pelo sangue do Cordeiro. Na verdade, Céu e Terra jamais se separaram objetivamente. Assim como nunca houve, objetivamente, coisas puras e coisas imundas. Tais distinções eram frutos da consciência corrompida pela vaidade. É Paulo quem nos garante: “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda. Mas se alguém a tem por imunda, então para esse é imunda” (Rm.14:14). E mais:“Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os corrompidos e descrentes. Antes a sua mente como a sua consciência estão contaminadas” (Tt.1:15).

[1] Daltonismo - Espécie de cegueira que nos impede de enxergar as cores

[2] Cosmovisão – Maneira como vemos o mundo.

Domingo, Junho 12, 2011

3

Como ir para o céu antes de morrer


Dallas Willard, juntamente com Richard Foster e Eugene Peterson são os autores dos comentários da Bíblia Renovare. Eu recomendo fortemente o vídeo.




 O evangelho não é... Eis aqui o que você precisa saber e fazer para ir para o Céu depois de morrer. O Evangelho de Jesus trata de como ir para o Céu ANTES de morrer. Não a toa o Novo Testamento frequentemente nos trata como se já estivessemos mortos. Isto porque fizemos a transição de uma vida por nossa conta, para uma vida que O próprio Deus está vivendo em Seu Reino.


Via Genizah

Sábado, Junho 11, 2011

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Quando a igreja se torna num cativeiro



Por Antognoni Misael
A igreja é um organismo vivo e indispensável na vida do cristão. Nela vemos a representação do corpo de Cristo cujos importantes membros desempenham papéis diferenciados sem que haja um mais especial que o outro, o que os torna interdependentes entre si. O autor de Hebreus (Hb 10.25) reitera a relevância ratificando que congregar é mais que uma opção, mas sim uma ordenança. Só que hoje congregar pode ser um exercício de simpatia, afinal tem igrejas pra todos os gostos, das mais variadas formas. Igreja simples, luxuosa, rica, pobre, moderna, antiga, gigante, pequenina, com área de lazer, estacionamento gigantesco, igreja rural e até igreja residencial, haja igreja! O que me chama atenção é que diante de tanta diferença teológica, denominacional, financeira, social, o “algo” de comum que muito permeia entre tantas é a noção de prisão.
Foucault (filósofo francês com grande contribuição para o campo da história, mal visto por parte de alguns dos teólogos) em sua obra História da Loucura (1960), projeta seu olhar através de outros ângulos e ao analisar a invenção da prisão, a qual nascia não do progresso da humanização decorrente dos ideais da Revolução Francesa, mas da sofisticação das formas de dominação e exercício da violência, proporcionou, a meu ver, uma sacada incrível que vem abalar as formas de interpretação até então experimentadas. Enquanto tantos discutiam a liberdade, igualdade, fraternidade, Foucault passeava a vista nos novos métodos de reclusão e nas sofisticadas maneiras de inculcar, dominar e aprisionar alguém. Esta ousada e arriscada maneira de ver a cena partiu da influencia do pensamento de Foucault.
Inicio uma análise da tal prisão citando parte da canção “Liberdade para Amar” de Sérgio Pimenta (um dos maiores compositores da música evangélica):
“Vamos fazer o amor,
Vamos dar uma flor,
Tentativas de buscar sentido.
Vamos unir as mãos
Ao fingir-nos de irmãos,
Coreografia de aflitos”
Até parecia que Pimenta conhecia o pensamento foucaultiano ao abordar primeiramente as práticas (performances) ao invés dos corações das pessoas, pondo em xeque a superficialidade de um amor que ainda está preso a mesquinhesas, a momentos, e a falsas verdades. Quem nunca ouviu num culto: “pegue na mão do seu irmão, diga que o ama”; “levante as mãos e diga que adora ao Senhor”; “dê um brado de vitória”… Alguém comanda os sentidos e intenções com livre acesso as ações da eclésia – dominação total não acha? Um fantoche preso a um sistema de práticas, e como disse Pimenta, pode representar “coreogragias de aflitos” se a vida não corresponder aos momentos de religiosidade.
Foi ao re-ouvir “Liberdade para Amar” que pude pensar: “a igreja deve ser este lugar de liberdade, de paz, desprendimento com os interesses e com as fisgas do egocentrismo”. Mas às vezes acontece o contrário, ela (igreja) se torna uma das mais nocivas prisões, não só de simples “marionetismo de culto”, mas de ideias e de conceitos bizarros onde muita gente ainda permanece aprisionado. Alguns que pude perceber são:
Acomodação tradicional – gente que nasce e cresce na igreja e pela tradição e antiguidade imagina que já é crente salvo (alguns não passam de mau caráter). Preso no comodismo e no convencimento, criticam outras religiões ao dizerem que velam por tradições e doutrinas de homens… Mas há muitos assim dentro da igreja evangélica – não tiraram ainda a trave do olho.
Crença num Deus estático – “Quando eu cheguei aqui o Senhor já estava”. Esta frase reproduz uma ideia de ambiência divina onde Deus aguarda pacientemente os queridos irmãos chegarem ao templo para cultuar. Dentro do templo não se pode rir, conversar, entrar de bermuda, jogar um play station, tocar um instrumental, pois ali é recinto sagrado e Deus permanece sempre observando com ar de repreensão quem ultrapassar os limites de irreverência podendo castigá-los.
Prisão do guarda-roupa – roupa profana para os dias de semana, roupa santa para os domingos à noite. Aliás, o melhor pra Deus tem que rolar no domingo pois é o dia especial e merece roupa especial. Camisa de clube, roupa de academia, biquíni de veraneio são vestimentas profanas que só devem ser usadas de tempos em tempos, apenas quando nenhum crente vir, pois é sinal de mundanismo.
Dízimo de holofote – sempre dá um jeito de se fazer percebido nos dias em que dizima, pois reforçará uma imagem de cristão comprometido.
Adoração viciada em carga de eletricidade – o culto só é bom quando algo de elétrico ocorre. Seja uma pregação fervorosa ou um louvor ministrado com fervor. “Aleluia” e “Glória a Deus” jamais é dado pelo silêncio de Deus, e sim pelos barulhos dos homens.
Coreografias de aflitos – sempre nos momentos de louvor é importante levantar as mãos, glorificar em alto som e se “estabanar” de quebrantamento, mostrando ter sentido a presença redundante de Deus naquele culto. Nos hinos de comunhão gosta de sair apertando a mão de todos dizendo que os ama, mas no dia-dia não oferece uma carona.
Teleguiado de pecado – é o faro de buscar defeitos inveja em relação ao próximo. Pessoas com esse dom (do diabo) já entram na igreja dando um 360 graus e formatando informações grotescas antes de iniciar o culto, tipo: “aposto que o irmãozinho da frente trai a esposa”, “ o cabelo da ministrante hoje está ridículo”, “putz, aquele homossexual veio ao culto de novo”, “não aguento olhar a cara da irmã fulana”, “um dia compro um carro melhor do que o de sicrano”,“tô de saco cheio desse meu pastor, era melhor estar em casa”.
Cultômetro – acontece demais. Gente que tem a sina de medir a vida espiritual dos outros pela frequencia nos cultos. Quando encontram um pouco assíduo faz uma auto-demostração de crente fiel, assíduo e complementa com as previsíveis falas “apareça mais na igreja irmão, deviou?”, “o amado está brigado com Deus?”
O sagrado paletó – essa prisão é antiga e burlesca. Aprenderam desejar a autoridade, o status, o poder. E nada melhor do que um paletó pra representar esses signos. Esta é uma forma de hierarquizar um ambiente que deveria ser de liberdade. Mas não. Usa paletó quem é pastor, diácono, presbítero, evangelista, apostolo, profeta, e os cambau metido a isso tudo. Um Reverendo não usar paletó, para alguns prisioneiros da religião, é um pecado e desconsideração a Deus – enquanto uns arregaçam as mangas e vão a ceara trabalhar incansavelmente, outros almejam caros e luxuosos ternos para exibirem seu poderio visual, ministerial e farisaico.
Lugar do poder – é de praxe em algumas igrejas (principalmente as pentecostais) por trás do púlpito existirem dezenas de poltronas reservadas a gente “importante” (e haja gente querendo sentar ali): presbíteros, pastores, evangelísticas, apóstolos e até políticos (corruptos). Essa violência simbólica faz com que a platéia seja obrigada a olhar durante todo o culto para seus líderes como autoridades espirituais e dignas de respeito – não por que são íntegros em si, mas por que estão num posto maior. Ali não se está a esquerda ou direita de Jesus, mas aquele lugar (que às vezes vira praça de conversa ou palco de cochilo) ainda representa o sonho de consumo de muitos fracos na fé que querem ser reconhecidos e estarem, como dizem os Neopentecostais, em lugares altos…acima das pessoas comuns.
OBS: Tais notas só servem para quem ainda se considera preso a estas invenções que ocorreram no âmbito da igreja. Se já está liberto desses conceitos, desconsidere o que escrevi.
Título Original: Cativeiro Religioso