Quinta-feira, Março 31, 2011

26

Ao meu detrator com amor



Pela graça de Deus, sou o que sou. Não me escondo atrás de um pseudônimo. Basta procurar no Facebook, MySpace, Orkut, Twitter, e você vai encontrar meus perfis com fartura de fotos.

Não ataco ninguém e depois me faço de vítima.

Embora more no exterior, jamais aleguei que fosse por motivo de perseguição.

Não instigo o ódio entre grupos oponentes.

Não uso a fé cristã para difundir meus preconceitos e posicionamento político.

Não rezo na cartilha de algum filósofo falastrão boca-suja nacionalista sensacionalista tabagista (não necessariamente nesta ordem).

Não uso categorias ultrapassadas para rotular ninguém, nem promover caça às bruxas.

Não pertenço ao passado, mas estou profundamente comprometido com o futuro.

Nunca ataco pessoas, mas me dou o direito de divergir de suas ideias, sempre respeitosamente. Já debati em rede nacional com pessoas das quais discordo de muitos dos seus posicionamentos, tais como Silas Malafaia, R.R.Soares, Augustus Nicodemos, dentre outros, mas sempre com decoro e buscando honrá-los como seres humanos e representantes de parcela do povo cristão. Mesmo quando usei de humor ou ironia, procurei manter o nível. Nunca os xinguei ou detratei, nem duvidei de sua seriedade.

Detesto jargões.

Lido com as críticas numa boa, mas detesto covardia. Tudo o que escrevo, assino embaixo. Se fosse pra usar o anonimato, eu o usaria quando fizesse algum bem, pra que o louvor fosse dado a Deus. Pelo menos, foi isso que aprendi com Jesus: O que sua mão esquerda fizesse, a direita não deveria tomar conhecimento.

Não sou liberal, nem do ponto de vista teológico, nem político. Também não me considero conservador, embora alguns dos meus melhores amigos o sejam. Não sou comunista, tão pouco capitalista. Não me encaixo em nenhuma destas categorias. Sou reinista!

Entre os meus autores favoritos há gente como Agostinho, Calvino, Lutero, Bonhoeffer, mas também não me furto o direito de garimpar sabedoria em obras de Rubem Alves, Phillip Yancey, Tony Campolo, e até em obras de autores seculares. Se quiser me condenar por ler autores seculares, terá que condenar Paulo, que não apenas os lia, como também os citava em seus sermões.

De fato, recebi uma condecoração de um órgão ligado à ONU. Nunca exibi a medalha, nem mesmo emoldurei o certificado de vice-presidente do comitê pela paz. Para não ser deselegante com os que me contemplaram, publiquei uma pequena reportagem em meu blog.

Não sou maçom.

Não me auto-intitulei bispo, nem mesmo faço questão de ser chamado assim. Fui sagrado dentro da tradição episcopal, da qual fazem parte homens como Robson Cavalcanti e Paulo Garcia. Apesar de ter sucessão apostólica, nunca fiz uso disso como credencial.

Jamais defendi o homossexualismo como estilo de vida, mas também nunca defendi a homofobia, ou qualquer outra prática preconceituosa. Quanto ao rapaz que você alegou ter se desviado depois que passou a ler nossos artigos aqui e no Genizah, deixando de ser um valoroso defensor do conservadorismo fundamentalista para tornar-se num homossexual assumido, deixe-lhe dizer algo: O Espírito Santo trabalha onde as máscaras caem, e as pessoas se expõem de maneira franca, aberta, para que sejam transformadas de glória em glória. Certamente ele não se tornou homossexual, mas apenas revelou o que estava oculto aos olhos dos outros. Não o julgo. Espero que Aquele que começou nele a boa obra a aperfeiçoe até o dia de Jesus Cristo. Porém, não acho correto atribuir culpa a quem quer que seja. Você preferiria que ele se mantivesse enrustido, como muitos que tentam vender uma imagem de santidade, mas que de santos não têm nada? Não são poucos os que se disfarçam por trás de uma retórica ultra-conservadora, como ele mesmo fazia. Quantas vezes ele comentou no meu blog, me detonando. Até de anticristo fui chamado. Jamais o ataquei por isso.

Também não apoiei qualquer candidatura, uma vez que isso contraria os dítames de nosso ministério. A reportagem do Jornal O Globo, e de outros periódicos, mentiu. Apenas aceitamos ao convite de um candidato à prefeitura do Rio para ouvir sua proposta num lugar neutro, isto é, fora da igreja. Pergunte a um membro da REINA, igreja da qual sou bispo, qual a nossa postura quanto a isso. Muitas vezes sou chamado de intransigente por isso. Não tive culpa se um dia depois de nosso encontro, nossa foto estava estampada na primeira pagina dos principais jornais do Rio e de SP, alegando que havíamos hipotecado apoio ao dito cujo.

A propósito, muito obrigado pelas cerca de trinta visitas que seu blog me enviou, desde que publicou o artigo me detratando. Sinto em lhe dizer que não retribuirei.

Para terminar, quero dizer que, seja você quem for, eu o amo. Não estou fazendo média. Nem querendo parecer melhor que você, porque, definitivamente, não o sou. Espero que um dia tenhamos a oportunidade de nos encontrar pessoalmente, tomarmos um bom café, discutirmos teologia e construirmos uma amizade duradoura. Se tiver perfil no orkut ou facebook, me adicione. Pode ser que isso seja um bom começo…

P.S.: Da próxima vez que quiser alevancar sua audiência falando de alguém, consulte fontes fidedignas, ou então, deixe pra publicar seu artigo num "primeiro de abril".

* Aos meus leitores que nada tem a ver com isso, meu pedido de desculpas. Não é do meu feitio ficar me defendendo, mas não é fácil ver pessoas usando de mentiras para tentar minar a credibilidade de nosso trabalho. Portanto, não estou defendendo minha reputação em si, mas o trabalho de mais de duas décadas de ministério e quatro anos de blogagem. Obrigado pela paciência e carinho demonstrados nos comentários.


By the way: Obrigado pelas correções. Desde que escrevi este texto, não tive a oportunidade de revisá-lo. Para os que pegaram o bonde andando, esta é uma resposta sucinta a mais de um detrator. Alguns fizeram afirmações precipitadas, outros publicaram insinuações maldosas. Não costumo pleteiar em causa própria, mas ao dar-me conta de que era meu trabalho que estava sendo colocado em xeque, resolvi dar uma breve resposta. Não citei os nomes envolvidos por não querer expô-los. Somente quem houvesse tido acesso aos seus escritos saberia de quem estou falando. Quando ao filósofo a quem chamo de falastrão, talvez tenha exagerado na ironia. Não quis ofendê-lo. Não respondo por tudo o que é escrito no Genizah, mas apenas por artigos assinados por mim. Em tempo, se eu pretendesse surfar na popularidade de algum Pelé da filosofia, ou de algum Maradona da direita cristã, eu simplesmente mencionaria seus nomes. Portanto, esta acusação também não procede. Se encontrar mais algum erro de português ou digitação, queira avisar-me pra que seja corrigido (ou seria corregido?). Aproveite pra corrigir seu texto também. "Ideia" perdeu o acento.

6

IMAGENS INDECENTES E CHOCANTES: "O Brasil está virando uma Sodoma!"


Quarta-feira, Março 30, 2011

3

Quatro Homens e um Segredo


Por Hermes C. Fernandes

Voltando ao texto:

“Chegando estes leprosos à entrada do arraial, entraram numa tenda. Comeram e beberam e, tomando dali prata, ouro e vestes, foram-se e os esconderam. Voltaram, entraram em outra tenda, e dali também tomaram alguma coisa, e a esconderam. Então disseram uns para os outros: Não fazemos bem. Este dia é dia de boas novas, e nos calamos. Se esperarmos até a luz da manhã, algum castigo nos sobrevirá. Pelo que vamos e o anunciemos à casa do rei” (vv.8-9).

Duas opções se descortinavam ante seus olhos:


# Guardar segredo


#Partilhar a boa nova

Não fosse a súbita crise de consciência, aqueles homens teriam guardado segredo pelo resto de suas vidas. Por que deveriam compartilhar a boa nova com aquela gente que os tinha rejeitado por tanto tempo?

A igreja cristã é detentora da mais importante mensagem de todos os tempos. Apesar de nem sempre saber as implicações e aplicações dessa mensagem.

E o que ela tem feito? Guardado segredo.

Os princípios contidos no Evangelho poderiam mudar drasticamente a história da civilização humana, se tão-somente fossem compartilhados com o mundo.

O que a igreja precisa saber é que ela existe em função do mundo. Assim como Deus escolheu a Abraão e a sua descendência, para que por meio dele todas as famílias da terra fossem beneficiadas, Deus escolheu a igreja para ser o canal que trará a restauração do mundo.

Temos falhado no cumprimento de nossa missão. Tornamo-nos um fim em nós mesmos. Vivemos em função de nossas próprias necessidades e da manutenção de nossos projetos pessoais.

Se a igreja continuar assim, ensimesmada (voltada para si mesma), ela experimentará uma processo de implosão. Ou ela se volta para o mundo, ou será implodida.

Por isso, tantas denominações têm perdido a relevância, e conseqüentemente, seus membros.

O projeto original de Deus é que a igreja se torne uma referência para o mundo. Ela é uma espécie de amostra grátis, de workshop do reino de Deus. Sua vocação é a de ser paradigma civilizatório. Mas em vez disso, ela se tornou num gueto religioso, repleto de gente ensimesmada.

Conscientes dos riscos que corriam, aqueles leprosos resolveram, unânimes, anunciar a boa nova ao rei.


“Assim, vieram e bradaram aos porteiros da cidade, e lhes anunciaram: Fomos ao arraial dos siros e lá não havia ninguém, nem voz de homem, porém só os cavalos e os jumentos atados, e as tendas como estavam” (v.10).

É claro que o rei não deu crédito àquele anúncio. Ele achou que podia ser uma armadilha dos siros. Por isso, aconselhado por um dos seus servos, enviou cinco cavaleiros para que investigassem e constatassem o fato.


“Foram após eles até o Jordão, e todo o caminho estava cheio de roupas e de objetos que os siros, apressando-se, lançaram fora. Voltaram os mensageiros e o anunciaram ao rei. Então saiu o povo e saqueou o arraial dos siros. Assim houve uma medida de farinha por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, conforme a palavra do Senhor” (vv.15-16).

Quantos mensageiros do mundo têm entrado em nossos arraiais, para constatar se de fato há coerência entre o que anunciamos e a realidade!

O mundo espera encontrar em nós, no mínimo, coerência entre o que pregamos e o que vivemos. Não podemos ser um microcosmo do mundo, reproduzindo seus vícios e mazelas. Antes, temos que ser uma referência, um sinal vivo da presença do Reino. A igreja deve promover um ambiente acolhedor, onde as pessoas sejam estimuladas ao exercício da livre iniciativa, à partilha de seus bens, à vivência comunitária.

E quanto àquele capitão que havia duvidado da palavra profética de Eliseu?


“Ora, o rei havia colocado à porta o capitão em cujo braço se apoiava, e o povo o atropelou na porta, e ele morreu, como dissera o homem de Deus, o que falou quando o rei descera a ele” (v.17).

Este é o destino de quem se atreve a duvidar dos propósitos de Deus. Acaba sendo atropelado pela história.
Não é a incredulidade humana que vai impedir a execução dos propósitos divinos. Quem crê, participa. Quem duvida, assiste.

Nossa vocação, enquanto seguidores de Cristo, é de ser protagonistas, e não meros expectadores da história.


Terça-feira, Março 29, 2011

4

Se correr o bicho pega...






Por Hermes C. Fernandes

O relato bíblico é simplesmente surpreendente:

“Quatro homens leprosos estavam à entrada da porta, os quais disseram uns aos outros: Para que estaremos nós aqui assentados até morrermos? Se dissermos: Entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos aí. Se ficarmos aqui, também morreremos. Portanto, vamo-nos ao arraial siro e nos rendamos. Se nos deixarem viver, viveremos; se nos matarem, tão-somente morreremos” (vv.3-4). Em outras palavras, a conclusão a que esses leprosos chegaram foi “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. O que fazer? Esperar pela morte? Antes de avançarmos no texto, precisamos refletir um pouco mais sobre a situação daqueles homens.

Eram leprosos. Isso significa que eram rejeitados pela sociedade. Viviam fora dos limites urbanos, isolados do resto do mundo. Haviam sido abandonados pela família. E estavam morrendo à prestação. Não sabemos em que grau a lepra se encontrava neles. Se já haviam perdido alguma parte do corpo. Se já estavam em estado terminal. Só sabemos que eram lembretes físicos e visíveis do estado espiritual em que se encontrava aquela sociedade. Eram como zumbis, mortos-vivos, em estado de putrefação antes da morte.

Apesar de sua condição mórbida, eles não perderam o poder de reflexão.

- O que é que estamos fazendo aqui? Não faz sentido ficarmos na porta da cidade, na zona fronteiriça. Ou entramos de vez, ou saímos de vez. Mas se entrarmos, não teremos o que comer. Se ficarmos parados, morreremos do mesmo jeito. Que tal sairmos em direção ao cerco e vermos o que acontece? O pior que pode acontecer é nos matarem; mas já vamos morrer de qualquer jeito. Vamos esperar pra ver, ou vamos fazer alguma coisa?

No crepúsculo, enquanto o rei se preparava pra dormir, o capitão perdia o sono pensando nas palavras do velho profeta, e a população faminta desfalecia, aqueles quatro homens deixaram a porta da cidade e saíram ao encontro de seus destinos.

Àquelas horas do dia, enquanto anoitecia, dificilmente um siro conseguiria alvejá-los com suas flechas. Quando chegaram na entrada do arraial siro... surpresa! Aonde foram parar os siros? O arraial estava abandonado. Havia roupas espalhadas pelo caminho. Os cavalos e jumentos estavam devidamente amarrados. Dentro das tendas, havia muita comida. Alguns pratos foram deixados ainda cheios. Tudo indicava que eles saíram correndo por algum motivo misterioso.

Todos os bens que haviam sido interceptados por eles, e impedidos que chegasse a Samaria, estavam ali. Mercadorias de diversas partes do mundo. Especiarias, tecidos, animais, perfumes, tudo ali, para deleite dos soldados siros.

Imagino aqueles quatro homens assustados, olhando uns para os outros, e dizendo: - Estamos ricos!

O relato bíblico explica que enquanto eles caminhavam, “o Senhor fizera ouvir no arraial dos siros um ruído de carros e de cavalos, como o ruído de um grande exército, de maneira que disseram uns aos outros: Vede, o rei de Israel alugou os reis dos heteus e os reis dos egípcios, para virem contra nós. Pelo que se levantaram e fugiram...” (vv.6-7a).

Cada passo daqueles quatro leprosos ecoava como o trote de uma imensa cavalaria.

Alguns podem entender que Deus pregou uma peça nos siros, uma espécie de pegadinha. Mas prefiro entender que Deus simplesmente conferiu àqueles quatro homens a repercussão na dimensão exata de sua iniciativa.

Talvez aquele som tenha sido dos exércitos celestiais que marchavam juntamente com eles.

O fato é que eles furaram o bloqueio imposto pela Síria. Se quisermos desbaratar bloqueios de qualquer ordem, temos que incentivar a livre iniciativa. As pessoas não podem simplesmente esperar o socorro dos céus. Elas devem agir. O socorro virá na medida em que elas se dispuserem a marchar.

Os exércitos celestiais marcham ao lado de quem caminha.

Não podemos usar nossa condição física, econômica ou mesmo, espiritual, como desculpa para nossa inércia e apatia.

A igreja cristã tem se mantido por muito tempo à porta da cidade. Ficamos acostumados a viver na zona fronteiriça.

Aqueles quatro homens podem representar o alcance do Evangelho de Cristo. O fato de serem leprosos aponta para a maneira preconceituosa com que o mundo nos vê. Nossa mensagem é “escândalo” para quem busca sinais, e “loucura” pra quem busca sabedoria (1 Co. 1:20-24).

Porém, um dia o mundo perceberá que “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (v.25).

Somos a igreja de Cristo, os “tirados para fora”. Os que saíram ao encontro dos bens antes interceptados pelos principados e potestades. Nossa vocação é furar os bloqueios promovidos por estruturas injustas, sejam de origem ideológica, política ou espiritual, ou uma combinação de todas essas.

Pena que a igreja não sabe o poder de que está investida. Se soubesse, não continuaria à porta da cidade, inerte, de braços cruzados, à espera do pior. E quando digo ‘igreja’, refiro-me ao povo em si, e não às estruturas eclesiásticas.

Esta Mensagem continua...


Não pegue o bonde andando... Leia também o post anterior.

Segunda-feira, Março 28, 2011

3

Conheça os Devoradores do Futuro





Por Hermes C. Fernandes


Em 2 Reis, lemos o relato do cerco sofrido por Samaria nos dias de Eliseu:“Depois disto Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército, subiu e cercou a Samaria. Houve grande fome em Samaria, porque a cercaram até que se vendeu a cabeça de um jumento por oitenta siclos de prata, e a quarta parte de um cabo de cebola selvagem por cinco siclos de prata” (6:24-25).

Com o bloqueio da cidade, ninguém entrava, ninguém saía. Os mercadores ficaram proibidos de comercializarem lá. À medida que os recursos ficavam escassos, se tornavam cada vez mais caros. É o que hoje chamamos de inflação. O que antes não tinha qualquer valor (a cabeça de um jumento, por exemplo), agora era vendido à peso de prata. Com a falta de cebolas, vendia-se até seu cabo, e isso, em partes. As pessoas perderam o senso de valor.

Como atribuímos valor a algo? Por que algumas coisas são tão caras, enquanto outras parecidas são baratas? A resposta está na chamada lei da oferta e procura. Se algo é oferecido (oferta), porém não há demanda suficiente (procura), seu preço tende a cair. Mas se algo é procurado, porém está em falta no mercado, seu preço tende a encarecer.

Van Gogh morreu sem ter vendido um quadro sequer. Porém, depois de sua morte, ao ser descoberto com um gênio da arte, seus quadros passaram a figurar entre os mais caros do mundo. Valor não é intrínseco, mas atribuído. E infelizmente, só damos valor a certas coisas quando as perdemos. Daí a frase: “Eu era feliz, mas não sabia.” A ausência, a indisponibilidade ou a escassez, nos fazem atribuir excessivo valor a algo.

Se estivéssemos sedentos, perambulando pelo deserto, daríamos qualquer coisa por um copo d’água. A mesma água que antes desperdiçávamos lavando nossa calçada, ou em banhos demorados, agora valeria mais que todo ouro deste mundo.

A privação de bens de primeira necessidade pode provocar reações bizarras e inusitadas.

Sábado, Março 26, 2011

3

Quando precisamos de um tempo de refrigério...



Não é fácil ser líder. Muito além do glamour, dos holofotes, do poder exercido, ser líder é ter a responsabilidade de conduzir as pessoas a lugares em que jamais iriam sozinhas. Tem-se que lidar constantemente com pressões e cobranças. Há que se ter jogo de cintura e muita força de vontade para prosseguir. O desgaste é inevitável. Às vezes nos sentimos como Moisés, guiando seu povo no meio de um deserto abrasador. Os dias vão passando, e a paisagem parece ser a mesma. Será que estamos andando em círculo? Ou tomamos a direção errada? E quanto às promessas feitas por Deus, quando se cumprirão? 

Quando este cenário desértico dará lugar à terra que mana leite e mel?

Que líder jamais pensou em desistir? Apesar da posição que ocupamos, não somos super-homens. De vez em quando, necessitamos de uma parada para nos recompor, renovar as energias.

Mesmo o povo hebreu, em sua jornada de quarenta anos pelo deserto, precisou recarregar as baterias nos oásis que Deus proveu.

Com isso em vista, sentimo-nos impulsionados a promover um evento cujo propósito seja o de trazer refrigério para aqueles que Deus tem constituído líderes de seu povo.

Se você sente como se estivesse atravessando um deserto, e suas forças se esvaem, não desperdice esta oportunidade. Venha participar do I OÁSIS, que acontecerá entre os dias 18 e 20 de Maio, na cidade de Orlando, Flórida. Entre os preletores, estão alguns dos mais importantes líderes da igreja brasileira da atualidade, entre eles:

Antonio Carlos Costa - Pastor da Presbiteriana da Barra, Presidente da ONG "Rio de Paz".
Carlos Alberto Bezerra Jr.- Médico, Deputado Estadual por SP, pastor da Comunidade da Graça
Geremias do Couto - Pastor da Assembleia de Deus, representante da Associação Billy Graham no Brasil
Luciano Manga - Pastor da Igreja Vineyard/Rio, ex-Oficina G3
Bené Gomes - Líder do Ministério Koinonya de Louvor
Pedrão Litwinczuk - Pastor da Comunidade Batista do Rio, participou do reality show "No Limite" na Rede Globo
Hermes C. Fernandes - Bispo da REINA e presidente do Instituto Igreja do Futuro
Ezequiel Amarante - Cantor canadense de Hip Hop cristão

Eles estarão trabalhando o tema: “Renovando as energias para continuar avançando rumo ao futuro”.

Além de preleções preciosas, você terá oportunidade de fazer novas amizades, intercâmbio com outros ministérios de todos os Estados Unidos, Canadá e Brasil. Além disso, você vai desfrutar de momentos maravilhosos com seu cônjuge e familiares, caso queira trazê-los. Conseguimos um desconto mais que especial com o International Palms Resort, o maior hotel de Orlando. Cada quarto duplo vai sair por 59.00! O que significa menos de 30 dólares por pessoa! E mais: cada participante da conferência poderá chegar três dias antes, e partir três dias depois, num total de nove noites pelo mesmo preço promocional. Você poderá aproveitar para visitar os parques de Orlando com a sua família.

O International Palms Resort fica na International Drive, avenida cheia de lojas, restaurantes e parques como o Universal Studios, Sea World e Wet’n Wild. Não perca esta oportunidade.

Faça sua inscrição já e garanta sua vaga e certificado.

Visite o site: www.oasisconferencia.com e siga as instruções, ou ligue agora mesmo para (407) 745-0971 ou (407) 690-1260.

Este evento está sendo organizado pelo Instituto Igreja do Futuro, pela Hope World Missions Ministry e pela Associação de Ministros Evangélicos da Florida Central.

Contamos com você!

P.S. Ajude-nos a divulgar o evento, reenviando esta carta por e-mail para os seus contatos. O evento é destinado não apenas a pastores, mas também líderes de departamentos, empresários, comerciantes, profissionais liberais e seminaristas.

Sexta-feira, Março 25, 2011

2

Gemidos - Hermes Fernandes (Voz & Violão)





A terra treme
Os mares rujem
Nossos tesouros viraram ferrugem
De nossa cidade restaram escombros
Nossa coragem tornou-se assombro

Os ventos são Seus mensageiros
anunciando “tudo é passageiro”
Desta mudança, o que virá?
Nossa lembrança, como apagar?

Não é o fim dos tempos
Como alguém sugere
Seus pensamentos não há quem altere

A natureza está gestante
A hora do parto virá num instante
Tragédias são as contrações
a despertarem os corações
Em sua defesa quem clamará?
e com gentileza a conduzirá?
Os seus gemidos se intensificam
nossos anseios se multiplicam

Afinal… o que será?

Nosso futuro não será abortado
Todo este mundo será restaurado
Estou seguro, Deus não volta atrás
Em um segundo, Ele pode, Ele faz

Mas Ele conta com aquele que crê
que em meio a tragédia é capaz de ver

Disposto a trabalhar
sem duvidar
que o Renovo virá
e não tardará
o Renovo virá
Não tardará

O Supremo Obstetra
o parto fará
Novo céu, nova terra
à luz trará

O Amor entre os povos
triunfará
A Justiça do Reino
se implantará

Autor: Hermes C. Fernandes

Quinta-feira, Março 24, 2011

1

Até que me provem o contrário, somos todos hipócritas



Por Geremias do Couto

Por favor, não me tenha por agressivo. O que descrevo nas linhas abaixo é apenas o retrato em preto e branco daquilo que realmente somos. Em minha já longa estrada é o que mais vejo no meio religioso. Até os verdadeiros santos admitem que são hipócritas. Somos o nosso próprio arquétipo. Mas se você é daqueles que "já alcançou grau elevado" acima dos simples mortais siga adiante e nem se dê ao trabalho de ler o texto. Ele foi escrito para os que estão na terra, os que choram pelas suas graves deficiências, os que não gostariam de ser o que são, cheios de falhas, mas ao mesmo tempo se encantam quando se veem abraçados pela graça, que os eleva à condição de pecadores maltrapilhos assentados à mesa no banquete do Grande Rei. É para esses, incluindo a mim, que o texto foi escrito, não para você.

Somos hipócritas quando usamos o nosso verdadeiro perfil nas redes virtuais para "vender" credibilidade, mas não nos causa nenhum asco usar "fakes" de toda ordem para expor a podridão do nosso coração.

Somos hipócritas quando em nossos discursos aparentamos usar e enaltecer a graça, mas, ao contrário, em nossa prática valorizamos com desavergonhada idolatria o sistema religioso.

Somos hipócritas quando usamos a fé em nossos mais diversos relacionamentos para ganhar a confiança, mas, na verdade, o nosso interesse é mesmo construir um reino estritamente pessoal.

Somos hipócritas quando exteriormente demonstramos simpatia por alguém, até com um sorriso maroto nos lábios, enquanto, por dentro, o nosso autêntico desejo é comer-lhe o fígado.

Somos hipócritas quando vestimos uma roupa que não nos cabe e nem nos pertence e queremos com isso que as pessoas acreditem que somos aquilo que não somos.

Somos hipócritas quando usamos a graça como desculpa para pecar, mas não nos submetemos a ela para resistir ao pecado.

Somos hipócritas quando dizemos alto e bom som que os nossos feitos são para a glória de Deus, mas nossa linguagem, em sua mais arguta sutileza, demonstra que, no fundo, são mesmo para a nossa glória.

Somos hipócritas quando criticamos o comercialismo sem escrúpulo que grassa desavergonhadamente no meio evangélico, mas adotamos ao mesmo tempo, ainda que em menor escala, o mesmo comportamento, como "caixeiros-viajantes" pelo país.

Somos hipócritas quando nos tornamos a palmatória do mundo em nome de aparente santidade,  mas na verdade isso não passa de biombo para esconder as próprias fragilidades.

Somos hipócritas quando, para demonstrar zelo pela Casa de Deus, não nos constrangemos em expor os "grandes" pecados alheios, enquanto em nossa vida pessoal nos olvidamos dos "pequenos" pecados, que praticamos cada dia.

Somos hipócritas quando desprezamos a integridade e passamos a defender o erro em nome de suposta fidelidade.

Somos hipócritas quando, para aparentar nobreza de caráter, subjugamo-nos à lei, vilipendiamos a graça e, por causa disso, alimentamos cada vez mais o nosso complexo de culpa.

Somos hipócritas quando, em nome de suposta educação, deixamos de ser o que somos com o temor de nos tornarmos desagradáveis.

Somos hipócritas quando, em nome de interesses próprios, abrimos mão de convicções espirituais para receber benefícios de uma circunstância.

Somos hipócritas quando em nossa itinerância tornamos a nossa pregação mecanicista, como se fosse o mero repetir de uma gravação, simplesmente para agregar valor ao "produto" que vamos vender ao final da reunião.

 remédio contra a hipocrisia? Ela é parte de nossa natureza, que abriga também outros sentimentos nada confortáveis. Lutar contra a hipocrisia em nossa força carnal de nada adianta. Submetê-la ao legalismo da opressão religiosa só faz aprofundá-la. Nosso conforto é simplesmente submeter-nos sem reservas à bendita e doce graça do nosso amado Jesus para que ela seja a força motriz a moldar o nosso caráter e para onde possamos correr todas as vezes em que a hipocrisia, ou qualquer outro maléfico sentimento, aflorar em nossos relacionamentos. Se você é honesto, há de concordar que isso ocorrerá com certa frequência, mas a graça estará ali como o seu abrigo nas horas do fracasso. Chegará um tempo em que esses sentimentos já não terão domínio sobre o seu coração, ainda que vez ou outra queiram manifestar as suas unhas afiadas.

Mas, por favor: não se sobreponha à graça. Ela é suficiente.


O Pr. Geremias do Couto é um dos preletores do I OÁSIS - Conferência Internacional de Líderes Cristãos que acontecerá entre os dias 18 e 20 de Maio em Orlando, Florida. Para saber mais sobre o evento, acesse: www.oasisconferencia.com

Quarta-feira, Março 23, 2011

7

Tudo novo, de novo?










Por Hermes C. Fernandes

“Uma geração vai, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre. Nasce o sol e põe-se o sol, e volta ao lugar de onde nasceu. O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. Todos os ribeiros vão para o mar, contudo o mar não se enche. Ao lugar para onde os ribeiros correm, para ali tornam a ir. Todas as coisas são canseiras, mais do que ninguém o pode declarar. Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir. O que foi, isso é o que há de ser, e os se fez, isso se tornará a fazer; nada há novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. Não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também não haverá lembrança entre os que hão de vir depois delas” (Ecl.1:4-11).

Todos almejam uma vida cheia de novidades. Infelizmente, nem todas as expectativas são alcançadas. Às vezes temos a impressão de que cada novo ano também traz algumas reprises. Mais um Carnaval, mais uma Páscoa, e logo, logo, estaremos no meio do ano novamente, e dali pro final do ano, é um pulo! Mais um Verão, seguido de um Outono, que prepara o caminho de mais um Inverno, uma Primavera, e lá vem o Verão de novo... O moinho da existência segue rodando incessantemente.

A rotina produz canseira, enfado, desânimo. Tudo parece repetir-se num ciclo interminável de idas e vindas. Vemos as mesmas coisas, ouvimos as mesmas sentenças. Conclusão: “Nada há novo debaixo do sol”.

Aos poucos percebemos os quão previsíveis as pessoas são. Mesmo quando somos pegos de surpresa por uma traição, por um abandono, sabemos que não é a primeira vez, nem será a última que isso nos acontece. Portanto, até o que deveria nos surpreender se torna claramente previsível.

A dor de hoje cairá no esquecimento, mais cedo ou mais tarde. Daqui a cem anos não terá qualquer relevância. Bendita seja a capacidade que Deus nos deu de esquecer.

Haveria como romper com esse ciclo de monotonia?

Será que tudo estaria condenado a ser como antes? Estaríamos fadados a assistir a uma eterna reprise?

O ser humano aspira pelo novo. Somos todos como os atenienses contemporâneos de Paulo, que“de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir a última novidade” (At.17:21).

Queremos o novo! Mas um ‘novo’ que permaneça ‘novo’ por toda a eternidade. Um ‘novo’ que não envelheça, que não perca o frescor, que vença as demandas do tempo, que não se deixe corroer pela ferrugem ou pelas traças.

Onde encontrar o ‘novo’, se não há nada novo debaixo do Sol?

Mesmo correndo o risco de parecer lugar comum, atrevo-me a dizer que só o encontraremos em Deus! Naquele que diz: “Vede, as primeiras coisas se cumpriram, e novas coisas eu vos anuncio; antes que venham à luz, vo-las faço ouvir” (Is.42:9).

Ora, para que o novo entre em cena, as primeiras coisas devem se cumprir. O velho só sai de cena, após cumprir o propósito de sua existência. Será a partir dele que o novo emergirá.

A grama que foi aparada seca-se e se transforma em adubo para o solo, propiciando o aparecimento de uma nova grama, verde e robusta. O papel dela é se decompor, tornar-se adubo. Se ela não se decompõe, não resta alternativa a não ser removê-la. O feno é o que restou da grama que foi arrancada, e que se negou a decompor-se. Se ele não for removido, sufocará a grama emergente. O aparecimento da nova grama depende da remoção do feno: “Quando o feno for removido, e aparecerem os renovos...” (Pv.27:25).

As coisas passadas são como gramas arrancadas pela raiz. Ou se decompõem, ou devem ser removidas. Não deixe que seu passado comprometa seu futuro.

Repare com que veemência Deus nos exorta quanto a isso:

“Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Vede, eu faço uma nova coisa, que está saindo à luz; não a percebeis? Porei um caminho no deserto, e rios no ermo”(Is.43:18-19).

Sempre existiram ‘caminhos’, como também sempre houve ‘deserto’. A novidade está no fato de Deus pôr ‘caminhos no deserto’. O novo não tem que ser, necessariamente, novo em si mesmo.

Deus não precisaria criar uma nova figura geométrica, diferente do quadrado, do triângulo ou do retângulo, pra dizer que fez algo novo. Deus pode simplesmente fazer algo já conhecido, mas em condições inéditas.

Por exemplo: recentemente li a notícia de que a NASA pretende construir, num futuro próximo, um elevador que ligue a Terra à Lua, para transportar suprimentos para uma eventual base lunar. Do ponto de vista científico, isso é algo absolutamente novo, que chega a soar como ficção, algo não factível. Não há nada de novo em um elevador. A maioria de nós usa elevadores regularmente. Também não há nada de novo com respeito à Lua. Ela é uma velha conhecida nossa. Mas um elevador que ligue a Terra à Lua é algo absolutamente inusitado, novo.

Ao criar a música, Deus fez com que houvesse exatamente sete notas e suas variações em menor, dissonantes e sustenidos. Jamais haverá outras notas além das que já existem.

Entretanto, com um número limitado de acordes, pode-se compor inúmeras canções, desde populares até sinfonias. A seqüência das notas, bem como o ritmo e a harmonia é que vão trazer uma melodia inédita.

Pense nas cores. Todo o espectro de cores se deve à mistura de apenas três cores primárias: o azul, o vermelho e o amarelo. Com apenas três cores, Deus pintou todo o Universo com uma infinidade de tons.

O novo de Deus pode acontecer no campo das conexões. Coisas que já existem podem experimentar uma nova conexão, uma nova interação, com outras coisas que também já existem.

Isso se dá, por exemplo, com nossos neurônios. Eles são os mesmos desde que nascemos, porém as conexões entre eles são constantemente revistas. Algumas se perdem, outras novas são feitas ao longo da vida. Graças a essas conexões é que mantemos as lembranças, as informações.

Tanto as Escrituras, quanto a Ciência, testificam que tudo o que há no Universo surgiu em um só instante. Sem embargo, não há nada novo. Os átomos que hoje formam nosso corpo, já existiam muito antes de nós, e estiveram presentes em tantos outros corpos, mesmo os inanimados. A obra de Criação terminou a bilhões de anos. A Ciência chama de Big Bang, a Teologia chama de Fiat Lux, ou “Haja Luz”. Os seis dias de Gênesis representam o tempo usado por Deus para organizar Sua obra. Deus não precisaria mais do que uma fração de um milionésimo de segundo para criar todas as partículas de que o Universo é formado. A partir daí, Deus está promovendo novas interações entre Suas criaturas (Gn.2:4).

É assim que tudo funciona no Universo de Deus. Nada se perde, tudo se renova ad infitinum.

Tudo o que existe está sendo renovado ininterruptamente.

Um exemplo disso é o nosso corpo: a cada segundo, nosso corpo está se renovando, transformando-se mais rapidamente do que quando trocamos de roupa. Estudos comprovam que trocamos 98% dos átomos de nosso corpo em menos de um ano. Nós desenvolvemos um novo fígado a cada 6 semanas, uma nova pele uma vez por mês, um novo revestimento do estômago a cada 5 dias, um novo esqueleto a cada três meses. Mesmo as células do cérebro com as quais pensamos não são as mesmas do ano passado. Portanto, nosso corpo atual não é o mesmo que utilizamos enquanto aprendíamos a andar. A cada sete anos todas as células do nosso corpo são repostas.

Uma nova conexão requer novas interações. Cada parte deve contribuir efetivamente para que algo novo possa emergir. Assim, o filho gerado é fruto da interação entre dois seres distintos.

Portanto, toda renovação é fruto de conexão e interação.

Há, porém, dois tipos de renovação, uma relativa ao conteúdo, e outra à forma:


# Reformulação

# Reformatação


Reformular é alterar a fórmula. Os ingredientes já existem, mas a mistura entre eles produz algo novo. Portanto, a reformulação se dá no conteúdo, e não na embalagem.

Já a reformatação nada mais é do que dar um novo formato ao algo já existente. Pode-se alterar a forma de algo, sem alterar sua essência.

Pode-se, por exemplo, apresentar o Evangelho numa roupagem nova, reformatado, sem adulterar seu conteúdo. Como também pode-se apresentar uma mensagem contrário ao espírito do Evangelho, mas com uma roupagem cristã, para enganar os menos precavidos.

O Evangelho do Reino, dado o seu caráter inovador, propõe a renovação das estruturas sociais. Os elementos são os mesmos, porém a interação entre eles é radicalmente transformada, de maneira a corrigir eventuais injustiças, produzindo o bem-estar comum.

Em Isaías 61:4 é dito que os que forem restaurados em seus corações pelo anúncio da boa-nova do Reino, “reedificarão as ruínas antigas, e restaurarão os lugares há muito devastados; renovarão as cidades arruinadas, devastadas de geração em geração”.


Para que seja possível a renovação social e coletiva, é necessário que os indivíduos, de per si, sejam restaurados, renovados em seu modo de pensar.


Paulo ressalta isso em Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Conformar-se é adequar-se a uma forma preexistente, encaixar-se dentro de um molde preestabelecido. Com estas palavras, Paulo está denunciando a tentativa do mundo em nos enquadrar em seus padrões de moral, conduta e relacionamentos. Em vez de sermos conformados, somos desafiados a sermos transformados pela renovação da nossa mente.

Transformar é transpor as formas vigentes, e assumir uma nova formatação. Aqui jaz uma importante diferença entre as propostas do Evangelho e das religiões. A transformação promovida pelo Evangelho começa pela reformulação da mente. Tudo deve começar no homem interior. Eis a fórmula da transformação: "O que se une ao Senhor é um só espírito com Ele" (1 Co.6:17). Os ingredientes: nosso espírito e o Espírito de Cristo. A interação entre eles gerará uma Nova Criatura, com um novo pensar, e conseqüentemente, um novo agir (Ver Ef.2:15; 4:22-24; Col.3:9-10).

O indivíduo precisa passar por uma renovação plena, que inclui uma reformulação espiritual, e uma reformatação comportamental. Paradigmas têm que ser substituídos, conceitos e posicionamentos precisam ser reavaliados, a fim de que se possa ser instrumento de renovação da sociedade.

E quando nossas forças físicas faltarem,nossa conexão com Deus nos renderá a renovação de nosso ânimo, do nosso entusiasmo pela vida. Nas palavras de Paulo, “ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co.4:16).

Segunda-feira, Março 21, 2011

2

O Raiar de um Novo Dia para a Humanidade





















Por Hermes C. Fernandes


Jesus introduz uma perspectiva revolucionária capaz de sacudir os alicerces sobre os quais nossa sociedade foi erigida. Ele substitui o antigo mandamento do amor por um novo e subversivo mandamento, onde a referência já não é o amor próprio, mas o amor de Cristo.

O amor próprio nos serviu como uma vela acesa durante uma noite longa e escura. Mas com o raiar do dia, já não faz sentido manter a vela acesa.

É sobre isso que João fala em sua primeira epístola:


“Amados, não vos escrevo novo, mas um mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. Contudo vos escrevo novo mandamento, que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:7-8).


O que João diz aqui pode parecer contraditório. Afinal de contas, trata-se de um ‘novo’ ou um ‘antigo’ mandamento? Veja, o mandamento é o mesmo: amar ao próximo. Entretanto, o referencial é que mudou. Em vez de amá-lo como a si mesmo, deve-se amá-lo como Jesus nos amou.

A chegada do novo dia faz desnecessária outra referência de amor que não seja aquela demonstrada na Cruz. Qualquer outra referência é ofuscada pela a maior e mais contundente prova de amor de que se tem notícia. E é este amor que nos constrange para que deixemos de viver para nós mesmos, e vivamos em função d’Ele e do bem-estar dos nossos semelhantes. Paulo diz que “o amor de Cristo nos constrange (...) E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si” (2 Co.5:14a,15a).

Diferente da luz proporcionada pela vela, que alumia apenas em um pequeno raio, a luz solar é capaz de dissipar todas as trevas, tornando noite em dia.

Quando arrebatados do império das trevas para o reino do Filho do Amor de Deus, somos batizados, imersos em Seu amor. No dizer de Paulo, “o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm.5:5). É um caminho sem volta. O sol que acaba de nascer, jamais se porá novamente. Deixamos de viver para nós mesmos, para viver em função do objeto amado, nesse caso, Deus e nossos semelhantes.

O amor próprio deve ser dissipado. O vento do Espírito deve apagá-lo, para que em seu lugar possa arder o genuíno amor de Deus.

Ora, se deixamos de nos amar, por que razão deveríamos cuidar de nossa saúde, aparência, finanças e tudo o que diz respeito ao nosso bem-estar particular? Será que deveríamos nos tornar pessoas relaxadas? Isso glorificaria a Deus? Não! Absolutamente. Só que agora, nossas motivações são outras.

Deixar de amar a si mesmo para amar a Deus e a seus semelhantes não significa deixar de viver, ou mesmo preferir morrer. O que nos motiva agora é a busca pela glória de Deus e pelo bem comum.

Vejamos o exemplo de Paulo, registrado em sua carta aos Filipenses:


“A minha ardente expectativa e esperança é de em nada ser confundido, mas ter muita coragem para que agora e sempre, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp.1:20-21).


Repare nisso: a única coisa de que Paulo fazia a mais absoluta questão era que Cristo fosse engrandecido através dele, não importava se pela sua vida ou pela sua morte. Paulo não temia a morte. Ela tinha consciência de que a deixar este mundo era lucro.

Ora, se morrer é lucro, por que não devemos todos desejar a morte? Porque não buscamos por lucro. Viver em função daquilo que nos é vantajoso é guiar-se pelo amor próprio, e não pelo amor à Deus e aos nossos semelhantes.

Paulo prossegue em seu raciocínio:


“Mas, se o viver na carne trouxer fruto para a minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; mas julgo mais necessário, POR AMOR DE VÓS, permanecer na carne. E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para o vosso progresso e gozo na fé” (Fp.1:22-25).


À luz desta perspectiva, podemos concluir que todo bem que procuramos para nós mesmos, deve ser motivado pelo bem que isso vá causar aos nossos semelhantes.

Por exemplo: sou pai de três lindos filhos. Eu poderia pensar: se não devo amar a minha própria vida, então, por que não posso fumar? Que mal haveria nisso? Isso apressaria minha passagem para o mundo porvir. Porém, pensando assim, eu estaria me suicidando à prestações, e dando um péssimo exemplos aos meus filhos a quem devo amar incondicionalmente. Portanto, é por amor a eles que devo me cuidar. Eles precisam de mim por muito tempo nesta vida.

Se pretendo ficar muito tempo neste mundo, para poder servir aos meus semelhantes, devo me cuidar, praticar exercícios, alimentar-me bem, abandonar qualquer vício prejudicial à saúde, etc.

E quanto à busca por estabilidade financeira? Haveria alguma justificativa plausível à parte do amor próprio? Óbvio que sim! É Paulo quem de novo nos oferece uma razão em linha com o novo mandamento:


“Aquele que furtava, não furte mais, antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado” (Ef.4:28).


Eis a razão porque devemos trabalhar e buscar estabilidade financeira: ter o que repartir com quem precisa. Não é pecado ser rico. Pecado é fazer da riqueza um fim em si mesmo. Lembre-se que “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Tm.6:10a). As coisas estão aí para serem usadas, e não amadas. As pessoas que devem ser amadas! Usemos as coisas para beneficiar as pessoas, e não usemos as pessoas para adquirir as coisas.

Vale aqui a advertência paulina:


“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as cosias para delas gozarmos; que façam o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos um bom fundamento para o futuro” (1 Tm.6:17-19a).


Se quisermos garantir um futuro promissor para nós e para o resto da humanidade, temos que mudar nosso paradigma, apagar a vela do amor próprio, e receber com gratidão o raiar do Sol da Justiça e do Amor trazendo o novo dia.

Embora novo dia já tenha raiado, estamos aguardando o momento em que ele atingirá o seu apogeu, o que costumo chama de meio-dia profético, quando já não haverá mais sombras.

Urge despertarmos do nosso sono indolente e aprendermos a praticar o novo mandamento do amor. Não basta dizer que ama, tem que expressar esse amor em gestos e atitudes. Temos que aprender a repartir nosso pão, a viver em função do nosso semelhante, e não em função de nosso aprazimento pessoal.

Trata-se da prática do jejum prescrito em Isaías 58. Quando repartirmos nosso pão com o faminto, recolhermos em casa os sem-teto, vestirmos o nu, e deixarmos de nos esconder do nosso próximo, cumprir-se-á a promessa: “Então romperá a tua luz como a alva (...) se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita, então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” (Is.58:8a,10).

O novo dia começou na Cruz, com a maior demonstração de amor de todas as Eras. A Igreja Primitiva vivenciou, durante o tempo de tribulação, a madrugada do novo dia, quando Jesus lhes parecia como a Estrela da Manhã. Somos convidados a vivenciar a alvorada desse Dia chamado Hoje, e aguardar pelo momento em que o Sol se posicionará no centro do Céu, dissipando as sombras, e trazendo avaliação e juízo a todas as obras. Quando isso se der, não apenas nossas obras serão julgadas, mas também as motivações que as produziram.