Segunda-feira, Janeiro 31, 2011

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O Último Salto da Humanidade


















Por Hermes C. Fernandes

Recentemente ganhei um exemplar do filme Distrito 9, que fala da convivência nada pacífica entre humanos e alienígenas, numa espécie de Apartheid cósmico. O filme foi rodado na África do Sul, e me surpreendeu pela sua narrativa incomum e seus efeitos pra lá de especiais, colocando muitos filmes americanos no bolso. O problema é que o filme não estava em DVD, mas em Blu-ray. Por não ter um blu-ray player, fiquei impossibilitado de assisti-lo. Porém, minha curiosidade era tão grande, que acabei alugando um DVD do filme na Blockbuster próxima de minha casa.

A olhos nus, não há qualquer diferença entre um DVD, um CD e um Blu-ray. São mídias muito parecidas. O mesmo tamanho, a mesma textura, o mesmo aspecto exterior. Mas a qualidade é inconfundível. Tudo porque o Blu-ray faz uso de um laser de cor azul-violeta, cujo comprimento de onda lhe permite gravar mais informação num disco do mesmo tamanho usado por tecnologias anteriores, e com altíssima definição e densidade. O DVD usa um laser de cor vermelha.

Sou de uma geração que assistiu ao salto tecnológico dos últimos trinta anos. Lembro perfeitamente da vitrola que havia na sala de nossa casa. Aliás, minha mãe conta que nasci ao som de hinos cristãos tocados na velha vitrola. Lembro do meu deslumbramento quando pela primeira vez vi uma TV colorida numa loja do Ponto Frio em Alcântara, S. Gonçalo, enquanto esperava com minha mãe no ponto de ônibus. Lembro quando trocamos o velho televisor de válvulas por um de transistor. Lembro ainda quando meu pai ganhou seu primeiro vídeo cassete, cujo controle remoto era ligado por um enorme cabo.

Do vinil para o CD foi um salto.

Do VHS para o DVD foi outro grande salto.

Das TVs de válvula para as de transitor, depois para as de plasma e LDC, e agora lançaram a TV LED, cuja espessura é inacreditavelmente fina. Um salto com vara!

Da internet discada para a banda larga, outro salto.

E agora, do DVD para o Blu-ray.

Que bom que teremos um tempo para nos adaptar.

O player já está barateando aqui pelas nossas bandas. Já o encontramos a 99 dólares (cerca de 175 reais). Mas além dele, temos que comprar um cabo especial que custa cerca de 50 dólares. Li que no Brasil já se pode comprar um Blu-ray player por menos de 500 reais.

O fato é que estamos presenciando uma evolução tecnológica sem precedentes. Ninguém fica com um mesmo celular mais que um ano. Tudo evolui. E ninguém quer ficar pra trás, não é mesmo?

Pois vamos aproveitar a analogia que a tecnologia nos oferece para falar de outro tipo de evolução, a espiritual.

Não sou nenhum darwinista, mas devo admitir que haja uma evolução em andamento. Não nos moldes propostos por Darwin, mas naqueles encontrados nas páginas do Livro Sagrado dos cristãos.

O primeiro salto evolucionário se deu quando o homem recebeu o sopro de Deus em suas narinas. Naquele momento, um ser inanimado recebeu vida. O “boneco de barro” se levantou sobre seus próprios pés, fazendo jus à designação científica de Homo Erectus (Gn.2:7). O homem foi formado a partir de matéria pré-existente. A imagem do pó da terra foi escolhida por representar a menor partícula conhecida pelos hebreus. Pode representar moléculas, ou células, ou mesmo DNA. Porém a constituição espiritual do homem advém do sopro da boca de Deus. O que lhe confere o status de imagem e semelhança de Deus não é sua composição química, ou sua constituição biológica, mas o tal sopro recebido da boca do Criador. Por isso, como cristão, não me sinto ameaçado por qualquer teoria que tente explicar a origem física do ser humano. Costumo até dizer que, de fato, o homem tem parentesco com todos os demais seres vivos do planeta, pois têm um ancestral e um destino comuns que a Bíblia chama de “pó da terra”. Leia e confira:

“Disse eu no meu coração: Isso é por causa dos filhos dos homens, para que possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que acontece aos filhos dos homens, isso também acontece aos animais; a mesma coisa lhes acontece. Como morre um, assim morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego, e nenhuma vantagem têm os homens sobre os animais. Tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos são pós, e todos ao pó tornarão” (Ecl. 3:18-20).

Na linguagem da informática, o que nos difere dos animais não é o hardware, mas o software. Em termos morfológicos, até que somos bem parecidos com eles, principalmente com os mamíferos. Repare a maneira como nossos membros e órgãos estão distribuídos no corpo.

O escritor de Eclesiastes nos revela que compartilhamos até o mesmo fôlego. Todos os seres vivos necessitam de oxigênio para viver, mesmo os subaquáticos.

Se assumirmos que o tal “pó da terra” é uma alusão ao DNA, podemos afirmar sem medo de errar que somos todos parentes, pelo menos em se tratando de composição física.

O DNA é o responsável pelas características físicas de todos os seres vivos. Desde um inseto até o maior mamífero, todos são compostos dos mesmos elementos básicos. O que os difere uns dos outros é o código secreto existente em cada célula. Como pode uma bactéria ser formada dos mesmos elementos que compõe o homem? O que os distingue é a forma como esses elementos se arrumam para formar o código, ou melhor, o DNA.

Para facilitar a compreensão, tomemos, por exemplo, algumas letras do nosso alfabeto. Com as letras A, M, O e R, podemos formar a palavra AMOR. Mas se invertermos a ordem das letras, poderemos formar a palavra ROMA. Ora, trata-se de palavras com sentidos completamente diferentes, mas com as mesmas letras. A mesma idéia pode se aplicar ao DNA. Embora todos os seres vivos possuam os mesmos elementos deste código, estes são arrumados em seqüências diferentes.

O DNA é formado pelos nucleotídeos adenina, citosina, timina e guanina, representados por suas iniciais A, C, T e G. Por incrível que pareça, apenas quatro elementos compõem o código da vida!

É interessante que um dos mitos judaicos sobre a formação do primeiro homem diz que Deus tomou quatro porções de terra provindas dos quatro cantos do Mundo. Tudo isso pode indicar que haja uma congruência entre o relato bíblico e os postulados científicos.

Se em vez de genes, assumirmos que o “pó da terra” seja uma alusão ao mundo atômico? Ora, o corpo humano é composto de células, trilhões delas, que surgiram a partir da fusão de duas células, o espermatozóide e o óvulo. E de que são feitas as células? De moléculas. Todos os seres, animados ou inanimados, são feitos de moléculas. A diferença é que nos seres vivos, as moléculas produzem células, enquanto nos inanimados não. Entretanto, todos são feitos de moléculas. E de que são feitas as moléculas? De átomos. Estes são os tijolos da Criação. Tudo o que Deus criou no Universo, desde as estrelas até a mais singela flor, é feito desse “tijolo” chamado átomo.

E por incrível que pareça, só há 92 tipos de átomos em toda a natureza. E como pode haver tamanha variação na obra de Deus? Como exclamou o salmista: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras!” (Sl.104:24a). Tudo depende das combinações que houver entre esses 92 tipos de átomos. São como letras de um alfabeto. Em nosso alfabeto existem apenas 26 letras, mas com elas pode-se escrever qualquer coisa: desde as mais aterrorizantes manchetes de jornais, até as boas-novas do Evangelho.

A partir daí, podemos concluir que o parentesco do homem não se limita aos seres vivos, mas também abrange toda a matéria existente no Universo. Olhando por este ângulo, parece razoável que Francisco de Assis se dirigisse ao Sol e à Lua, chamando-os de irmãos.

Apesar disso, o homem foi elevado à condição de coroa da criação (Sl.8:3-6). Deus lhe conferiu o domínio sobre a Terra, instituindo-o como seu representante. Coube-lhe, entre outras coisas, cuidar e desenvolver a Terra, classificar e catalogar os demais seres vivos, dando-lhes nomes, e multiplicar-se. Portanto, a cultura, a ciência e o sexo são anteriores à Queda.

Para que cumprisse seu mandato cultural, o homem necessitaria desenvolver seu potencial latente, aprendendo a lidar com as diversas situações ao longo de sua jornada existencial. Tal conhecimento deveria ser obtido através de sua comunhão com o Criador e de sua experiência com a criação. Em vez de saltos, o homem teria que desenvolver-se passo a passo. Porém surgiu a possibilidade de um atalho. Uma árvore se erguia no centro do jardim.



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A Era das Estrelas Gospel está chegando ao fim



Por Hermes C. Fernandes

Não sou saudosista. Mas devo admitir que foi-se o tempo em que o púlpito não era palco nem palanque, e a congregação não era platéia, nem tampouco o pastor era considerado um showman. Foi-se o tempo em que cantores que se dedicavam a louvar a Deus não tinham fã clube, e nem sabiam o que significa tietagem após sua apresentação. Mesmo porque, não havia performance, e sim, culto. Todos os holofotes eram voltados para Cristo. E os únicos aplausos que esperava ouvir vinham dos céus.

O sonho de conquistar o mundo para Cristo foi substituído pelo sonho de tornar-se num mega-star gospel.

O dinheiro antes investido para enviar missionários ao campo, agora é usado para pagar vultuosos cachês a estas estrelas, que além disso, ainda exigem regalias, tais como, hotel cinco estrelas, carro de luxo com chofer, comidas requintadas (eu disse, requintadas, não requentadas!), etc.

Mas tudo isso está prestes a acabar. O mercado gospel está ficando saturado. Ninguém suporta mais patrocinar os projetos megalomaníacos dessas estrelas.

Cada vez mais, os cristãos estão se conscientizando de que seu papel não é o de manter esta indústria religiosa, que se apresenta como ministérios, e sim, de trabalhar pela transformação do mundo.

Chega de fogueiras santas! Chega de fogueiras de vaidade!

Chega de estratégias evangelísticas mirabulantes. Que o importante seja o que é certo, e não o que certo.

Chega de busca por títulos e fama. Que se busque servir em vez de ser servido.

Voltemos ao velho e bom Evangelho, sem invencionices. Voltemos ao discipulado, sem a pressão pela multiplicação. Deixemos que Ele acrescente em número, enquanto nós focamos a qualidade de nossa vivência cristã.

E que os milagres aconteçam em ambientes domésticos e seculares, no dia-a-dia, e não à granel, no atacado, como tem sido anunciado nos programas neo-pentecostais.

Está chegando o tempo em que o Evangelho será espalhado por toda a Terra, não através de eventos extraordinários, marchas, cruzadas, mas através de gente anônima, ilustres desconhecidos, que ofuscarão o brilho daqueles que se acham indispensáveis na expansão do Reino de Deus, e isso, sem chamar a atenção para si.

Viva o novo tempo!

Domingo, Janeiro 30, 2011

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IMPACTANTE! O clamor que vem do FUTURO!

Sábado, Janeiro 29, 2011

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Dando o sangue pela subversão reinista


Por Hermes C. Fernandes

Eram meados dos anos 80. Como líder do grupo jovem de minha igreja, decidi levá-los a hospital psiquiátrico em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. Jamais poderia supor o que me aconteceria naquela tarde de domingo.

Pessoas consideradas loucas transitavam livremente pelo hospital, enquanto eu e os jovens tentávamos organizar o que seria um mini-culto no pátio com a devida autorização da direção.

Enquanto falava sobre o amor que Deus tinha pelo ser humano, um homem completamente nu se aproximou. Não sei porque os responsáveis pela segurança não o impediram de fazê-lo. Afinal, havia moças de família entre nós. Todos ficamos visivelmente constrangidos. 

Fingi que não o vi, e continuei a minha pregação, enquanto ele assistia em completo silêncio.

De repente, ele me interrompeu, dizendo não crer em nada daquilo que eu estava pregando. Embaraço, tentei prosseguir em meu raciocínio, mas ele novamente me interrompeu, dizendo algo mais ou menos assim:

- Como posso crer no que você diz? Se é verdade que vocês estão aqui porque nos amam, por que vocês me vêem nu, e não fazem nada. Você está aí, todo perequetado, bem vestido, enquanto eu estou aqui com frio. Agora vem me dizer que Jesus me ama? Que vocês se importam? Tudo não passa é de balela!

Depois desta, não dava pra continuar pregando. Seu argumento conseguiu me calar. A vontade que tive foi de tirar minha roupa ali mesmo, e vesti-lo, para que soubesse o quanto nos importávamos com seu estado.

Chegando à igreja, reuni os jovens, inclusive os que não puderam ir comigo, e os desafiei:

- Se é verdade aquilo que pregamos, então vamos nos mobilizar e na próxima semana, levaremos roupas para os internos daquela instituição.

Este episódio foi crucial para a formação de minha consciência social. Não basta pregar com palavras, temos que pregar com nossas obras. Não basta apontar o dedo e chamar os homens de pecadores, temos que estender a mão e demonstrar o quanto nos importamos com sua condição.

Hoje, dia 29 de Janeiro, nossa igreja no Rio estará promovendo mais um dia dos braços estendidos. Através desta singela campanha, já conseguimos levar centenas de pessoas para doar sangue no Hemorio. Desta vez, nosso objetivo é ajudar às milhares de vítimas da tragédia na região serrana do Rio. 

Caso você esteja lendo este post ainda pela manhã, e more no Rio, quero convidá-lo a estar conosco ali. Não se trata de proselitismo, mas de um gesto de amor. Se você é pastor ou líder de uma comunidade, eu o encorajo a promover algo semelhante. Mesmo que isso não se reverta em novos membros para sua igreja, ou traga qualquer benefício palpável, saiba que aos olhos de Deus, bem como aos olhos dos homens, a mensagem anunciada em sua igreja terá maior credibilidade. 

Infelizmente, desta vez eu e minha esposa não poderemos participar pessoalmente, por conta da distância, devido ao fato de estarmos residindo no Exterior. Mas estaremos orando para que através desse gesto muitas vidas sejam poupadas.

Parabéns Wilton pela iniciativa. Parabéns povo reinista pela coragem e pelo comprometimento com a mensagem subversiva do Amor. 




Sexta-feira, Janeiro 28, 2011

3

Por tudo aquilo que já pequei...



Nascer de Novo
Dani Black (Bruna Caram)


É como se o tempo que eu levei
pra saber tudo o que sei
provasse eu não saber nada.

Por todo o caminho que andei
pra cada passo que dei
voltar ao início da estrada.

E desfazendo cada defeito
desvendando um jeito
desenhando a saída.

Que é pra viagem
ser só de ida,
mas sem haver despedida.

Te ter é como nascer de novo
não reconhecer nada ao redor
desatar o nó, quebrar a casca do ovo
a dura carapaça da dor.

Por tudo aquilo que já pequei
e cada ato que errei
é como estar perdoada.

E livre do que então carreguei
cada cilada em que entrei
de cada porta fechada.

Viver trilhando o caminho certo
é olhar mais de perto
o universo em mim.

Que é pra poder seguir adiante
não me sentir mais distante.

Te ter é como nascer de novo
não reconhecer nada ao redor
desatar o nó, quebrar a casca do ovo
a dura carapaça da dor.

Tenha paciência comigo
Saiba que ainda estou
Sem ver onde piso, é repentino e sem aviso
A terra perdida à pele, a paixão ardida…

Te ter é como nascer de novo
celebra o que em mim é maior
minha nova instância: descobrir a todo instante
cada nuance do que é o amor.



Via: A Trilha

Quarta-feira, Janeiro 26, 2011

5

Combatendo a raiz do desespero humano



















Por Hermes C. Fernandes


Eis a genealogia do desespero humano: a morte gera o medo, o medo gera a ansiedade, e a ansiedade gera a depressão.

Quando nos convertemos a Cristo, o pavor da morte é neutralizado, e a ansiedade fica órfã. E mesmo em sua orfandade, ela ainda é forte o bastante para gerar a depressão.

Como lidar com a ansiedade? Como livrar-se da inquietação da alma?

O mesmo antídoto usado contra o medo da morte deve ser usado para tratar da ansiedade: o Amor.

Quando nos sentimos amados por Deus, sabemos que somos importantes para Ele. Deus Se importa com aqueles a quem ama. Foi para isso que Jesus chamou a atenção dos Seus discípulos: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu; não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros, e, contudo, o vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida? Quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Observai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Portanto, não andeis ansiosos, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Pois os gentios procuram todas estas coisas. De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas elas. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.[1]


A ansiedade faz com que invertamos nossas prioridades. Passamos a atribuir maior valor àquilo que não tem tanto valor. Fazemos do meio, um fim em si mesmo. O alimento passa a ser mais importante do que a vida. A roupa tem mais valor do que o corpo. O sexo se torna mais importante do que o companheirismo. O salário mais importante do que a vocação profissional. E assim por diante.

Cristo nos conclama a observar o mundo à nossa volta, percebendo os cuidados que Ele dispensa à criação. Ele cuida dos pássaros, dos animais selvagens, dos insetos, dos peixes, e até das minúsculas bactérias. Se o homem é a coroa da criação, como Deus não Se importaria com ele?

Cristo nos convida a descansar em Seu Amor providencial. Não há nada a temer. O amanhã pertence a Ele. Pra quê sofrer por antecipação? Enquanto nos preocupamos em demasia com o futuro, deixamos de viver o dia chamado “Hoje”.

Atribui-se a John Lenon a seguinte frase: “A vida é o que se passa, enquanto nos ocupamos com outras coisas”.

Quando enxergamos a vida com as lentes do amor, deixamos de priorizar nossas próprias necessidades, para priorizar o Reino de Deus e a sua justiça.

Quando descansamos nos cuidados d'Ele, nosso sono é tranqüilo e reparador. Mesmo quando fugia de seu filho Absalão, que intentava matá-lo, Davi foi capaz de declarar: “Eu me deito e durmo; acordo, porque o Senhor me sustenta”[2]. Em outro Salmo, ele diz: “Em paz me deitarei e dormirei, pois só tu, ó Senhor, me fazes habitar em segurança”.[3] O salmista sabia que “aos seus amados, Ele dá enquanto dormem”.[4]


A vida não é como um aparelho de vídeo-cassete, que basta apertar um botão pra fazer avançar o filme, ou um outro pra rebobinar a fita. A ansiedade faz com que percamos a paciência de esperar a conclusão de um processo. Queremos saber o final da história, enquanto ela ainda está em andamento.

Lembremo-nos de que “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus”.[5] Deus não abandonará Sua obra, antes que ela seja concluída. E nada, absolutamente nada, é capaz de fazer com que Ele altere Seu cronograma. Pois “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”.[6]


A melhor coisa a se fazer é confiar e descansar. De outra maneira, estaremos provocando o Senhor, e nos rebelando contra Ele. Cabe aqui a exortação do Espírito Santos, encontrada na epístola aos Hebreus:

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama HOJE, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado. Temo-nos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a confiança que desde o princípio tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, com na provocação (...) Procuremos, portanto, entrar naquele descanso, para ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência”.[7]

Não há alternativa! Temos que confiar no amor e no zelo de Deus por Seu povo. Se deixarmos de confiar, estaremos desperdiçando o dia chamado “Hoje”, em favor de um amanhã incerto.
Ele é responsável por nossa vida, e por todos os nossos amanhãs.

Nas palavras de Pedro, devemos lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós.[8] E como podemos lançar sobre Ele nossa ansiedade? Vejamos a recomendação de Paulo:

“Não andeis ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e pela súplica, com ações de graças, sejam as vossas petições conhecidas diante de Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus”.[9]


A oração é o mecanismo através do qual nos livramos da ansiedade. Nossa confiança em Deus precisa ser verbalizada. Orando, externamos nossas inquietações. A oração não visa mudar Deus, e sim, mudar a maneira como vemos a vida. Os planos de Deus não são alterados quando oramos. Quem precisa ser transformado somos nós, e não Deus.

Orar é verbalizar. Suplicar é recorrer à misericórdia de Deus. Tudo isso precisa ser acompanhado de ações de graças. Não devemos deixar pra agradecer depois de recebermos a resposta de nossas orações. Se não formos capazes de agradecer, enquanto pedimos, sairemos da oração ainda tomados pela ansiedade. Será que Deus me ouviu? Será que Ele me responderá? São questões inquietantes, e que atentam contra a fé. Não podemos duvidar dos cuidados de Deus. Aquilo que pedimos está nos planos de Deus. Ele decidiu lhe abençoar, me antes de você nascer. Entretanto, para que isso redundasse em ações de graças, Ele decidiu que lhe abençoaria em resposta às suas orações. As ações de graças validam nossas orações. A oração com ações de graças é a válvula pela qual somos livres das pressões e inquietações da vida.

Diante do túmulo de Lázaro, antes mesmo de ordenar que ele voltasse à vida, Jesus orou: “Pai, graças te dou porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves”.[10] Este é o padrão de uma oração que nos livra das inquietações e angústias diante da morte e da vida.

Não basta declarar nosso amor a Deus. Devemos afirmar o quanto nos sentimos amados por Ele, e isso, o fazemos através de ações de graças.

[1] Mateus 6:25-34[2] Salmo 3:5[3] Salmo 4:8[4] Salmo 127:2b[5] Filipenses 1:6b[6] Eclesiastes 3:1[7] Hebreus 3:12-15, 4:11[8] 1 Pedro 5:7[9] Colossenses 4:6-7[10] João 11:41b-42a

Segunda-feira, Janeiro 24, 2011

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Conheça a Igreja Apostólica do Reino da Berinjela em Pó

berinjela 
Por Hermes C. Fernandes


Semana passada minha esposa descobriu mais uma receita ‘milagrosa’ para emagrecer. Trata-se do pó da berinjela. Segundo um vídeo que assistimos no youtube, bastaria levar a berinjela ao forno, assá-la bem, deixando-a desitradar-se, e depois moê-la. Daí, é só misturar o pó da berinjela a qualquer suco e tomar esperando o milagre.

A pedido dela, fui ao supermercado comprar 1 kg. de berinjela. Não fiquei muito animado quando vi que o preço dela aqui nos Estados Unidos é bem maior que no Brasil. Mas tudo bem. Pelo menos me ajudaria a livrar-me de alguns centímetros de barriga.

Fizemos tudo como pesquisamos na internet. Misturamos o pó ao suco de uva e tomamos. Já faz mais de uma semana, e ainda aguardamos o tal milagre.

Resolvi pesquisar um pouco mais e deparei-me com a razão pela qual a berinjela parecia não fazer muito efeito para nós.

Além do tal pó, o candidato ao emagrecimento deve seguir uma rigorosa dieta e fazer exercícios e caminhadas diários.

Êpa! Peraí… quer dizer que eu tenho que caminhar trinta minutos todos os dias, deixar de comer as iguarias que tanto aprecio, freqüentar uma academia, e no fim… é a berinjela que recebe as glórias?

E que tal se eu fizer todas essas coisas, sem precisar ter o trabalhão de moer berinjela? Será que eu não terei os mesmos resultados?

Pois da primeira vez que emagreci, perdi trinta quilos sem precisar recorrer a qualquer fórmula mágica. Apenas caminhando, fazendo ergométrica e comendo menos.

Onde é que quero chegar com esta analogia? (não sei se todos perceberam, mas é uma analogia tirada da vida real).

Ontem postei um artigo falando dos ministérios enganadores que seguem prosperando, sem que isso signifique que tenham a aprovação divina.

Logo recebi o comentário de alguém achando que eu estava me referindo a uma determinada denominação. Postando como anônimo, defendeu sua igreja declarando que foi lá que teve sua vida transformada, foi curado, alcançou prosperidade, tal e coisa, coisa e tal… Muita gente parte do mesmo raciocínio. Ora, se tem tanta gente sendo beneficiada, então, deve ser de Deus, e não pode ser criticada. Se está sempre lotada, é porque Deus aprovou. Será?

E se tais igrejas não passarem de “pó de berinjela”?  A pessoa que lá chega, deposita sua fé em Deus, busca, ora, e eventualmente é alcançada, mas em vez de reconhecer em Cristo a fonte única das bênçãos, prefere creditá-las à tal igreja, à ‘fogueira santa’, ou ao bispo, pastor ou apóstolo.

Desde os tempos apostólicos, já havia quem pregasse a Cristo com motivações excusas. Nem mesmo Jesus os coibiu, e ainda impediu Seus discípulos que o fizesse (Mc.9:38-40). Paulo chega a dizer que não se importava, desde que Cristo fosse anunciado (Fp.1:15-18). Porém, isso não significa que Jesus ou Paulo estivessem endossando a pregação de tais homens. Em vez disso, Paulo nos admoesta a quem não recebamos quem quer que pregue um evangelho que vá além do genuíno (Gl.1:6-9). E mais: se abraçamos outro evangelho, consequentemente recebemos ‘outro espírito’ (2 Co.11:4). E é aí que mora o perigo. Muita gente tem recebido outro espírito, achando tratar-se do Espírito Santo de Deus. Será por isso que em algumas igrejas, pessoas recebem supostamente o Espírito Santo na quarta-feira, e quando chegam na tal “sessão do descarrego”, manifestam demônios?

Não duvido que nesses ambientes haja pessoas sinceras, e que têm sido alvo das misericórdias de Deus. Porém, os créditos por qualquer benefício deve ser dado ao Senhor. As Escrituras são enfáticas em dizer que Ele não divide Sua glória com ninguém.

A prova bíblica de que sinais miraculosos nem sempre significam aprovação divina pode ser encontrada em Isaías 29:13-16. Leia atentamente:
“Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina. Portanto, continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá. Ai dos que profundamente escondem do Senhor o seu propósito, e fazem as suas obras às escruas, e dizem: Quem nos vê? E quem nos conhece? Vós a tudo perverteis! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Nada sabe.”
Confesso que não me impressiono com sinais externos, do tipo, curas, exorcismo, prosperidade. Acredito que o próprio diabo posa promover tais sinais com a intenção de manter as pessoas cativas no erro. Mas quando me deparo com o milagre da conversão, cálo-me reverentemente. Só Deus é capaz de transformar o caráter de alguém. E sinceramente, creio que haja gente realmente convertida em qualquer lugar onde o nome de Jesus seja professado. Este é o maior de todos os milagres. Porém, não deve ser creditado à instituição, mas exclusivamente a Cristo.

Pessoas realmente convertidas não conseguem ficar muito tempo onde o que tem sido pregado não corresponda ao testemunho do Espírito Santo em seu coração. E Este, por Sua vez, testifica acerca da Verdade do Evangelho, e não das convenções e doutrinas humanas.

Chega o momento em que só resta ao convertido uma opção: sair em busca de pastos verdadeiramente verdejantes; romper com o sistema eclesiástico do qual tornou-se prisioneiro, e encontrar um lugar saudável onde possa congregar livremente.

Quem quiser contentar-se com o “pó de berinjela”, sinta-se à vontade.

Sábado, Janeiro 22, 2011

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Decifrando os mistérios da Bíblia


Por Hermes C. Fernandes





“Agora vemos em espelho, de maneira obscura; então veremos face a face. Agora conheço em parte então conhecerei como também sou conhecido” (1 Coríntios 13:12).

Naquela época, os espelhos não eram tão polidos quanto hoje. A imagem refletida no metal era distorcida pela sua superfície irregular. Por isso, era necessário que se buscasse uma posição de onde se pudesse ver com mais precisão.

As Escrituras Sagradas nos servem como espelho através do qual podemos ter um vislumbre de Deus.

O que podemos
ver num espelho? Qualquer coisa para o qual ele esteja voltado. Assim é com as Escrituras. Ao lê-las, podemos enxergar através delas nossas próprias deformidades. Suas páginas revelam a ambigüidade da natureza humana, capaz de proezas e crueldades, virtudes e vícios.

A Bíblia não esconde nem maquia as vicissitudes de seus heróis. O mesmo Davi que derrota Golias, se rende ao encanto da mulher alheia, e acaba cometendo adultério seguido de homicídio. O mesmo Abraão que se dispõe a oferecer o próprio filho em sacrifício a Deus, omite do rei do Egito a informação de que Sara era sua esposa. Podemos nos ver em cada personagem bíblico. Cada situação que enfrentamos em nosso cotidiano encontra paralelo em suas histórias.

Por isso, Tiago nos exorta:

“Se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla no espelho o seu rosto natural e, depois de se contemplar a si mesmo, vai-se e logo se esquece de como era” (Tg.1:23-24).

Portanto, ler a Bíblia é encontrar-se consigo mesmo. É enxergar sua silhueta emergindo de suas páginas.

Mas quando posicionamos o mesmo espelho na direção de Cristo, vemos Sua glória nele revelada. É como posicionar um espelho na direção do sol. Toda a glória do astro rei pode ser refletida num caco de vidro.

A melhor maneira de se ler o texto sagrado é mantendo os olhos em Jesus. Ele é a nossa Pedra de Roseta*, a chave interpretativa das Escrituras. Tudo aponta para Ele. Desde os sacrifícios exigidos pela Lei, passando pelas festas instituídas por Deus, aos acontecimentos épicos narrados no Antigo Testamento, tudo tem o objetivo de nos revelar a figura central das Escrituras: JESUS CRISTO. Portanto, deve-se ler a Bíblia a partir de Jesus.

Não são as Escrituras que são perfeitas, mas a imagem que elas se propõem refletir. Se fizermos uma leitura crítica, poderemos encontrar dados não tão precisos, como por exemplo, onde o morcego é classificado como ave. Mas se nos posicionarmos corretamente diante deste espelho, poderemos ver claramente a perfeição d’Aquele que a inspirou, ao mesmo tempo em que perceberemos nossas debilidades.

Não há como isolar uma imagem num espelho, apagando o seu background. Quando fitamos nele, vemos também o pano de fundo, o ambiente à nossa volta. Da mesma forma, ao lermos uma passagem escriturística, devemos considerar seu contexto histórico. Não basta ler suas linhas; temos que investigar suas entrelinhas. Não é em vão que Jesus nos orienta a investigá-las. Uma leitura superficial é incapaz de revelar-nos o Deus que Se oculta nas entrelinhas.

Se cremos numa revelação progressiva como acreditavam os reformadores, temos que supor que esse espelho vai ficando cada vez mais polido, até encontrar seu auge nas páginas neo-testamentárias. O que antes era obscuro, agora está mais límpido e claro. As sombras, os ritos e os tipos do Antigo Testamento cedem lugar à realidade revelada pela luz de Cristo Jesus (Cl.2:17; Jo.1:17).

Não vá às Escrituras como quem vai a uma cartomante, ou quem consulta ao horóscopo. Abri-la aleatoriamente não nos trará qualquer benefício. Também não vá em busca de dados científicos precisos. Abra suas páginas em busca de Cristo, e você o encontrará. "São elas que testificam de mim", garantiu Jesus.

* A Pedra de Roseta (foto acima) é um bloco de granito negro encontrado no Egito em 1799 por soldados do exército de Napolão Bonaparte. A sua importância se deve ao fato de que, à época de seu estudo, no século XIX, proporcionou aos investigadores um mesmo texto escrito em hieróglifos (escrita egípcia antiga), em egípcio demótico e em grego clássico. Como o grego era uma língua então bem conhecida, a pedra serviu como chave para decifração dos hieróglifos egípcios, que por séculos se mantiveram como uma incógnita. Por causa desta importante achado, milhares de textos egípcios puderam ser interpretados, decifrando a história desconhecida do antigo Egito, e muitas vezes comprovando a acuridade dos textos bíblicos.

Sexta-feira, Janeiro 21, 2011

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Filhos da sanguessuga!







Por Hermes C. Fernandes


"A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam, quatro que nunca dizem: Basta. A sepultura, a madre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo, que nunca dizem: Basta”. Provérbios 30:15-16

Que vergonha!

Como Sansão, temos sido expostos publicamente ao vitupério, para que o mundo se divirta às nossas custas. Fomos de um extremo ao outro: de heróis da fé a bobos da corte. Deitamos no colo de Dalila, permitindo que ela passasse sua afiada navalha em nossa honra. Dentro da simbologia bíblica, “cabelos” significam honra. É preferível ter a navalha em nossa própria carne, a tê-la em nossa honra.

Tivemos nossos olhos vazados, e fomos empregados no moinho dos filisteus. De inimigo "número um" do pecado, da injustiça e da corrupção, tornamo-nos na força motriz que mantém seu moinho em movimento. O sistema contra o qual lutávamos nos domesticou. Perdemos a ferocidade. E agora, inofensivos, somos expostos no Templo de Dagon, ridicularizados por aqueles que antes nos temiam e respeitavam.

Temos sido pegos com a mão na botija! Flagrados fazendo o que sempre condenamos com tanta veemência. Dinheiro na cueca, na meia, na Bíblia, na alma. A Besta do Apocalipse nos etiquetou.

Resta-nos o último pedido! Alguém se candidata a fazê-lo?

Quem se colocará entre os pilares do templo de Dagon?

Quem diria que um dia teríamos que orar, pedindo: Só mais uma vez, Senhor! Volta a dar-nos a força que  tínhamos. Hoje temos força política, mas não temos força moral, muito menos espiritual.

De acordo com Salomão, a sanguessuga é mãe de gêmeos homônimos. Suas crias são conhecidas com o sugestivo nome de “Dá”. Elas são comparadas à três coisas que nunca se fartam, e quatro que jamais dizem “basta”: a sepultura, a madre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo, que em sua fúria, jamais se sacia.

Dá e Dá são a “igreja”(com “i” minúsculo, mesmo) e as instituições públicas, que numa relação incestuosa, geram cada vez mais sanguessugas, ávidas de poder, fama e dinheiro. Talvez hoje, Salomão as chamasse de "Toma lá" e "Dá cá".

A sepultura é aquela que recebe o cadáver, e o decompõe. Não há excessão: todos os que nela são colocados se corrompem (nos dois sentidos). A sepultura é semelhante às filhas da sanguessuga.

No caso em questão, a sepultura é a igreja evangélica institucionalizada, que tornou-se o ambiente onde cadáveres vivos, verdadeiros zumbis, estão se decompondo em plena luz do dia. A ética é relativizada e flexibilizada de acordo com os mais excusos interesses. Engole-se camelos, enquanto mosquitos são cuidadosamente coados.

A madre estéril é a igreja que já não gera filhos, pois vive de adesões, e não mais de conversões. Dada a sua esterilidade, ela “adota” filhos, que às vésperas das eleições, forjam conversões, para conquistar os votos dos irmãos desavisados.

A terra, por sua vez, tem um incrível poder de absorção. Não importa o volume de água, ela sempre o absorve. Assim, a igreja evangélica vem absorvendo as práticas do mundo, sob o pretexto de contextualizar-se, tornando-se menos intransigente, e mais atraente aos olhos do mundo, principalmente dos poderosos.

O fogo voraz não pode ser detido. Por onde passa, deixa um lastro de destruição e prejuízo. Tal é o apetite das filhas da sanguessuga.

São subproduto da relação incestuosa entre igreja e Estado.

Não bastasse a exploração que tem sido feita nos púlpitos, por profeteiros da hora, servos de Mamom, pastores agora trocam seus púlpitos por palanques, e o templo pelo plenário. E pior, negociam sua unção, por um apetitoso prato de lentilhas.

Os votos dos crentes tornaram-se moeda de troca. A honra da Igreja é vendida por alguns milheiros de tijolos, sacos de cimento, instrumentos musicais, carro, propriedades e cargos públicos para o pastor e seus familiares, etc.

Seria esta a igreja que em Apocalipse causa náuseas em Jesus? Não estaria ela prestes a ser vomitada? Ou seria esta a que Jesus ameaça tomar-lhe o candeeiro?

Se a igreja evangélica perder seu candeeiro, passará a funcionar na clandestinidade espiritual. Seu Alvará celestial terá sido cassado.

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Ou que ele nos tire a tempo desta nova Babilônia que começa a configurar-se.

Não foi com isso que sonharam os Reformadores. Não era esta a igreja que Jesus tinha em mente, quando afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

A Igreja dos sonhos de Deus é bem diferente da Sanguessuga e suas filhas. Enquanto estas jamais dizem "basta", a genuína Igreja é a que declara em uníssono com Paulo: "A Tua Graça me basta!"

Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

3

TRAGÉDIA NO RIO: Ajuda que vem do alto


AviaoTAM




Por Hermes C. Fernandes



Finalmente os governos americano e brasileiro autorizaram que as doações feitas aqui nos Estados Unidos fossem transportadas para o Brasil, e encaminhadas às vítimas da tragédia na região serrana do Rio. A TAM,  maior empresa aérea brasileira, dispôs-se a liberar dois de seus aviões de carga para fazer o transporte de algumas toneladas de alimentos, água, roupa e material de higiene pessoal.

Louvo a Deus pela vida de alguns pastores de nossa região que arregaçaram as mangas para arrecadar donativos. Entre eles, quero destacar meus amigos, o casal Fernando e Sylvia da Igreja Seara, Wesley Porto da Presbiteriana Nova Esperança, e Jonathas Moreira da World Hope Mission. Outros pastores também somaram esforços, desafiando seu povo a engajar-se nesta luta.

Fomos contatos por uma empresa de Tampa, Florida, cujos funcionários se mobilizaram para ajudar. Segundo Gisa Solano, representante internacional de vendas da empresa America II Electronics, a iniciativa partiu do seu diretor, o sr. Joe Stern. Alguns dos seus funcionários tinham parentes e familiares que haviam sido vítimas da tragédia. Oferecemo-lhes uma lista dos ítens mais necessários, tais como água e comida enlatada. A princípio, a empresa queria que seus donativos fossem encaminhados para nossa igreja no Rio, e de lá fossem distribuídos para as vítimas das enchentes. Infelizmente, não foi possível conseguir tal liberação da TAM e dos governos. Em vez disso, as toneladas de donativos serão entregues à Cruz Vermelha do Brasil, que por sua vez, garantirá que cheguem às mãos de que realmente necessita. Cremos piamente na idoneidade dos funcionários da Cruz Vermelha, e, por isso, não nos opusemos.

Creio que Deus tem tocados em muitos corações ao redor do mundo, para que estendam suas mãos em socorro à nossa gente sofrida. Não importa a nacionalidade, ou o credo, ou a raça. Nessas horas, a única coisa que importa é “importar-se”. O amor ao semelhante está acima de qualquer outra questão, seja política, religiosa ou cultural.

Quarta-feira, Janeiro 19, 2011

3

John Piper - Faça Guerra!





Encontrei no site da igreja quadrangular pastoreada pelo meu amigo Pr. Gildo de Carvalho.

Segunda-feira, Janeiro 17, 2011

6

O Cristo Genérico (versão estendida)



Cristo Genérico: Milhões matariam por ele.
Jesus Autêntico: Milhões morreriam por Ele.

Cristo Genérico: Os fins justificam os meios.
Jesus Autêntico: Decreta os fins e estabelece os meios.

Cristo Genérico: A auto-estima acima de tudo.
Jesus Autêntico: O Amor acima de tudo.

Cristo Genérico: Os interesses pessoais como prioridade.
Jesus Autêntico: O Reino de Deus e a Sua Justiça.

Cristo Genérico: Multiplicar para concentrar recursos.
Jesus Autêntico: Compartilhar para espalhar recursos.

O Cristo Genérico é encontrado nas prateleiras dos mercados da fé.
O Jesus Autêntico é encontrado em nosso semelhante, principalmente
nos marginalizados, nos excluídos, nos famintos.

O Cristo Genérico é um aliado dos poderes constituídos
O Jesus Autêntico Se solidariza com os oprimidos

O Cristo Genérico está disponível nas catedrais.
O Jesus Autêntico não se acomoda na suntuosidade dos templos.

O Cristo Genérico busca ser bajulado.
O Jesus Autêntico é honrado quando colocamos em prática o que Ele ensinou.

O Cristo Genérico se contenta com mãos erguidas aos céus em louvor.
O Jesus Autêntico procura por mãos estendidas ao próximo em amor.

Um é adepto do marketing e está sempre preocupado com o que dá certo.
O Outro  não está nem aí para imagem, e Se preocupa com o que é certo.

Um adora os holofotes dos palcos.
O Outro prefere a discrição dos bastidores.

Um aponta o dedo para acusar.
O Outro estende o braço para ajudar.

Um busca quem o defenda diante dos homens.
O Outro procura quem defenda a causa dos oprimidos.

Um é aclamado por quem deseja cabeça e não cauda.
O Outro é amado por quem prefere servir a ser servido.






Por Hermes C. Fernandes

Sexta-feira, Janeiro 14, 2011

28

Teólogos discutem as causas da tragédia na Região Serrana



Por Hermes C. Fernandes

Uma reunião emergencial é convocada pelo conselho de teólogos da cidade. Teólogos de diversas correntes  se reunem para debater as causas espirituais da tragédia que atingiu a região serrana do Rio, provocando a morte de centenas de pessoas. Um deles toma a palavra e afirma com convicção:

- Meu caros colegas, a razão pela qual sobreveio tão grande mal sobre elas é que estas cidades foram fundadas por um imperador promíscuo. Só há uma maneira de quebrar esta maldição: façamos um ato profético de troca de nome e refundação de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. Sugiro que passem a chamar-se respectivamente, Igrejópolis, Cristópolis e Nova Jerusalém, e que sobrevoemos cada uma delas derramando vasos de unção vinda de Israel.

Percebendo o clima de rejeição provocado por sua proposta, o tal teólogo preferiu pedir licença e deixar a conferência, levando consigo uns três ou quatro companheiros.

Depois de alguns murmurinhos, outro teólogo se levanta e com voz impostada diz:

- Senhores, tudo isso é apenas prenúncio do fim do mundo. Nada há que possamos fazer para reverter isso. As coisas vão ficar cada vez pior, até que Jesus volte para nos remover deste mundo e entregá-lo de vez ao diabo.

Sua palavra foi interrompida por aplausos. Esta parecia a melhor resposta a ser dada para tentar explicar a situação, e com isso, impedir que sua cátedra fosse desacreditada.

Fazendo sinal de silêncio, outro teólogo toma a palavra e afirma como que sussurrando:

- Meus nobres companheiros, Deus não tem nada a ver com isso. Ele está tão surpreendido com a tragédia quanto cada um de nós. Ele até poderia ter evitado se tão somente tivesse conhecimento prévio dela. Mas vocês sabem… Ele só conhece o que se pode conhecer. O futuro lhe é um incógnita. Por isso, não o responsabilizemos por isso.

Seu discurso foi interrompido por outro teólogo, que vociferava:

- Quanta bobagem! Deus é Soberano! Ele mesmo provocou tudo isso! E quem somos nós para discutir sobre Seus desígnios! Estas cidades estão sob o juízo divino. Assim como todo o Estado do Rio de Janeiro, com sua prostituição infantil, seus carnavais, suas oferendas a Iemanjá e sua corrupção política e policial.

O clima esquentou na reunião. Ninguém conseguia entender o que o outro dizia. Uns gritavam: É o fim do mundo! O outro: Jesus está voltando!

De repente, entra na sala outro teólogo com sua roupa imunda de lama. Todos se calam pra saber o que se passou e qual a posição daquele colega atrasado.

Com a voz rouca e embargada, o teólogo se desculpa:

- Queridos, perdoem-me o atraso. É que eu estava ajudando a socorrer as vítimas. Não tive tempo nem de banhar-me para a reunião.

- E qual sua posição acerca desta tragédia? perguntou o que presidia a mesa.

Pelo que respondeu:

- Nada tenho a declarar. 

Depois de alguns segundos de silêncio, ele completou:

- Estou liberado? Posso retornar ao meu trabalho?

5

Por uma igreja mais vulnerável diante das tragédias






Por Hermes C. Fernandes



Até onde vai o espírito triunfalista dos crentes atuais? Aprendemos que o poder de Deus nos faz invulneráveis, gente sobrehumana, intocável, imune a qualquer sofrimento. E se por uma desventura formos vítimas de alguma enfermidade, ou cataclismo, as únicas explicações possíveis é a nossa falta de fé ou o nosso pecado. O pseudo-evangelho nos propõe viver numa espécie de redoma, que acaba se revelando como uma frágil bolha que a qualquer momento pode estourar.

Como explicar que uma pessoa que fez bem a tanta gente, possa ter sua vida ceifada num acidente trágico? Como encontrar sentido na tragédia provocada pelas chuvas na região serrana do Rio? Os mortos já somam centenas no que está sendo considerado o maior cataclismo natural da história do Brasil.

Por que Deus permite tais coisas? Por sermos 'justos', não deveríamos ser poupados do juízo que cai sobre os ímpios?

Quem pensa assim demonstra não ter entendido nada do Evangelho de Jesus Cristo. Deus jamais nos prometeu tornar-nos invulneráveis. Basta uma rápida averiguada na história da igreja, para dar-nos conta das inúmeras perseguições e tragédias que a abateram ao longo dos séculos.

E isso só aconteceu pelo fato dos cristãos exporem suas vidas, transitando por lugares suscetíveis a todo tipo de males, para ir ao encontro do necessitado, do sofredor. Eu diria que a vulnerabilidade é uma de nossas principais características como seguidores de Cristo. E é justamente aí que reside nossa força. Não foi debalde que Paulo declarou que o poder de Deus se encaixa perfeitamente em nossa fraqueza.

Hoje as igrejas buscam estabelecer-se nos lugares mais privilegiados. Seu público alvo prioritário é a classe média alta. Buscam esses lugares para obterem prestígio social e dinheiro. E quando investem em comunidades mais pobres, seu objetivo é angariar votos para seus políticos, e usar suas obras sociais como justificativa para levantar mais dinheiro da classe abastada.

Bem-aventurado é quem perde sua vida no serviço aos mais necessitados. Bem-aventurado é quem expõe sua própria vida por amor despretensiosamente. Bem-aventurado é quem não faz de sua obra uma vitrine através do qual possa gloriar-se e obter alguma vantagem.

Bem-aventurados os que "da fraqueza tiram força" (Hb.11:34), que escolheram como seu habitat "desertos e montes", "covas e cavernas", favelas e ruínas, e onde quer que haja quem necessite de socorro. Esses são aqueles de quem o mundo não é digno!

O mundo não será impactado por uma igreja triunfalista, formada de crentes insensíveis, mimados e pirracentos, que só sabem contar vantagens como se fossem testemunhos. O mundo será transtornado por uma igreja vulnerável, que desça de seu pedestal em direção à miséria, ao desespero, e às mais profundas carências humanas. Uma igreja que se compadeça, em vez de buscar desculpas teológicas para sua letargia e frigidez. Uma igreja que não se preocupe em teodicéias mirabulantes para tentar explicar a razão das tragédias frente à realidade de um Deus amoroso e todo-poderoso. Em vez disso, se mete em meio à tragédia para revelar num gesto a face neglicenciada do Deus todo-amoroso. Deus não carece de advogados, mas está recrutando embaixadores do Seu amor.

A tragédia ocorrida na região serrana do Rio é mais uma oportunidade de expressarmos o amor de Deus. Saiamos ao encontro dessa gente sofrida, não com o dedo em riste, mas com as mãos estendidas, sem que isso seja mais uma estratégia proselitista. Deixemos que nosso amor pregue por nós. Que ele seja como aquele arco-íris que se insinua acima das montanhas, anunciando a chegada da bonança. 

Que nesse cenário de desgraça, o único dedo estendido seja o dedo-de-deus, pico montanhoso que tornou-se símbolo da cidade de Teresópolis, e que tem o formato de um dedo apontando para o céu.