Terça-feira, Novembro 30, 2010

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Paz ou Espada? Jesus veio trazer divisão nas famílias?


Por Hermes C. Fernandes


Quando falamos sobre a paz que Cristo almeja estabelecer entre gerações, deparamo-nos com certa resistência por parte daqueles que justificam sua intransigência nas palavras do próprio Jesus. 

Confira o que Ele diz:
“Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada. Pois eu vim trazer divisão entre o homem e seu pai, entre a filha e sua mãe, entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os seus próprios familiares” (Mt.10:34-36).
O que Jesus quis dizer com isso, afinal? Esta passagem tem provocado muita confusão na mente de cristãos sinceros.

Ora, se Ele diz que bem-aventurados são os pacificadores, por que agora parece contradizer-Se dizendo que Ele mesmo veio trazer discórdia em vez de paz? E o pior que esta discórdia teria como cenário a família.

Afinal de contas, que história é essa de trazer espada e divisão na família? Aonde é que Ele queria chegar com uma declaração como essa?

Quando um médico prescreve um remédio para o seu paciente, sua intenção é a de curá-lo. Que médico prescreveria um veneno? Porém todo remédio tem seus efeitos colaterais. Basta checar a bula do remédio para verificar os efeitos indesejáveis que o mesmo provoca. Se parássemos para ler algumas dessas bulas, jamais nos automedicaríamos, como é costume de muitos. Há remédios que provocam insônia, enjôo, taquicardia, e outros efeitos que preferiríamos evitar. Mas o médico não vai deixar de prescrevê-los por conta desses efeitos imediatos. O que lhe importa é que seu paciente seja curado, ainda que a médio e longo prazo.

A paz oferecida por Cristo funciona mais ou menos como uma vacina, que uma vez ministrada provoca reações no organismo, semelhantes àquelas do vírus que intenta combater. E é exatamente aí que reside a eficácia da vacina, pois estimula a reação dos anticorpos, provocando assim a cura do organismo. Algo semelhante ocorreu quando aquelas duas mulheres vieram a Salomão disputando um recém-nascido. Cada uma dizia que o filho era seu. Como o sábio rei equacionou o problema? Ordenando que se lhe trouxessem uma espada, e repartisse a criança em dois, dando a metade para cada mulher. Aquela que preferiu abrir mão da criança para poupar-lhe a vida revelou ser a verdadeira mãe. Alguém se atreveria a dizer que a intenção de Salomão era dividir a criança ao meio?

Com tal declaração, Jesus estava deixando Seus discípulos de sobreaviso. O fato de segui-lO, provocaria efeitos colaterais imediatos e momentâneos, que atingiriam inclusive seus relacionamentos familiares. Porém este não seria o resultado final.

Jesus estava apenas revelando os efeitos colaterais imediatos de Sua revolucionária mensagem.

Naquela época, qualquer judeu que se convertesse à fé cristã era considerado traidor, e por isso, era deserdado e espoliado.[1]

Poucos versos antes, Jesus disse: “Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão” (v.21). Repare que isso foi uma previsão e uma prevenção. Em momento algum Jesus estimulou desavença na família. Por conta disso, no afã de estimular Seus discípulos a se manterem fiéis naqueles tempos tempestuosos, Jesus os conclamou a abrir mão de suas próprias vidas.
“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não vem após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á” (vv.37-39).
Observe que tais desavenças familiares seriam efeitos colaterais imediatos, e não os efeitos permanentes da pregação do Evangelho. Haveria perdas, porém, não seriam definitivas. Perde-se agora, pra ganhar depois. Portanto, a paz permanente pode custar para nós um mal entendido provisório. É claro que um familiar que ainda não conheça o amor de Deus, poderá sentir-se desprezado por aquele que o recebeu. Ninguém quer ser preterido. O marido quer ser a pessoa mais importante da vida da esposa, e quando se dá conta de que agora este lugar é ocupado por Cristo, é natural que se sinta enciumado. O mesmo acontece na relação entre pais e filhos. Porém esta sensação tende a diminuir à medida que o convertido passa de demonstrar o amor de Cristo na maneira como conduz seus relacionamentos. E assim, o prejuízo momentâneo resulta em ganhos eternos.

Aos poucos, os pais vão percebendo que seu filho, uma vez convertido a Cristo, tornou-se num filho melhor que antes. O marido ficou mais atencioso. A esposa mais carinhosa. Os pais mais amorosos. E assim, paulatinamente, as coisas vão se adequando, e a crise inicial cede à bonança.

Não se pode julgar um remédio pelos seus efeitos colaterais. O importante é o resultado permanente.

Ao ser questionado por Pedro por haver deixado tudo para segui-lO, Jesus lhe respondeu:

“Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já no presente, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo por vir a vida eterna” (Mc.10:29-30).

Não se trata aqui de uma promessa que só será cumprida na eternidade. Não! Começa “já no presente”. E para que desfrutemos desta paz com as pessoas que estimamos, temos que aprender a cultivá-la.

Por exemplo: se a esposa converteu-se a Cristo, mas o marido não, isso poderá gerar uma crise inicial no casamento. O marido talvez não compreenda o fato de que agora Cristo é a pessoa central da vida de sua esposa. Como reverter isso?

Ouçamos o conselho de Pedro:

“Semelhantemente, vós, mulheres, sede submissas a vossos próprios maridos, para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, pelo procedimento de suas mulheres sejam ganhos sem palavra” (1 Pe.3:1).

Não adianta argumentar, discutir, ou mesmo brigar, pra tentar convencer o outro acerca do Evangelho. Deve-se, antes, ganhar pelo procedimento, sem a necessidade de palavras. Este princípio pode ser aplicado a qualquer relacionamento, e não apenas o conjugal.

Nossas boas obras devem preceder qualquer argumentação. Chegará o momento em que os argumentos contrários cederão, e quem nos rebatia passará a pedir que lhe exponhamos a razão de nosso procedimento. Pedro admoesta: “Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe.3:15b).

Se quisermos cultivar a paz em nossos relacionamentos, temos que abrir mão de termos sempre a razão. Na hora da discussão a melhor saída é o silêncio. Porém, quando nos pedirem qualquer explicação, devemos dá-la com mansidão, sem impor nossos pontos de vista.

Deve-se, também, evitar questões que produzem contendas. Paulo nos aconselha a rejeitar “as questões insensatas e absurdas, sabendo que produzem contendas”. Pois, “ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com todos” (2 Tm.2:23-24a).

Se levássemos a sério tais instruções bíblicas, certamente evitaríamos a destruição de muitos relacionamentos, inclusive entre pais e filhos. Não usemos, portanto, passagens isoladas das Escrituras como justificativa para nossa intransigência.


[1] Hebreus 10:34


Este é mais um capítulo de nossos livro sobre o conflito de gerações. Conto com a opinião e sugestão de vocês. Obrigado.

1

Cara a cara, olho no olho



"Encontro de dois.
Olho no olho.
Cara a cara.
E quando estiveres perto 
eu arrancarei 
os seus olhos 
e os colocarei no lugar dos meus.
E tu arrancarás
os meus olhos
e os colocará no lugar dos teus.
Então, eu te olharei com teus olhos 
e tu me olharás com os meus."

(Fernando Pessoa)

Segunda-feira, Novembro 29, 2010

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Viciado em gaiola



Hermes C. Fernandes

Havia um homem que apreciava o ar puro e refrescante da madrugada, por isso, apesar do perigo, dormia sempre de janela aberta. Um dia, logo cedo, ouviu o cantar de uma passarinho. Olhou pela janela e não conseguiu avistá-lo. Aquele canto se destacava dos demais. No outro dia, a mesma coisa. Até que um dia se deu conta de que aquele pássaro estava preso numa gaiola na casa do vizinho. Imaginou como deveria ser triste viver numa casa onde as janelas estavam sempre fechadas. Infelizmente, nada podia fazer para ajudar aquele triste pássaro. Mesmo preso, mal tratado, desnutrido, o pássaro jamais se negou a cantar.

Um dia, para a surpresa daquele homem, o pássaro amanheceu na sua janela, depois de ter escapado da jaula onde vivia. Percendo que ele era manso, aproximou-se, ofereceu-lhe o dedo indicador, e ele, sem receio, subiu nele como se fosse um puleiro. Nascia ali uma amizade. Vendo-o desnutrido, o homem ofereceu-lhe ração. Por ter sido criado numa gaiola, o passarinho não estava pronto para a liberdade. Por isso, aquele homem usou os poucos recursos que tinha para comprar uma linda e espaçosa gaiola. Colocando-o lá, propos em seu coração mantê-la com a porta sempre aberta. Assim, ele teria liberdade de voar e voltar sempre que tivesse fome. Ali ele teria liberdade e segurança, alimento e refúgio. 

Havia outros pássaros na casa. Todos dentro de um único viveiro. Mas aquele pássaro fora colocado à parte. Todos os dias pela manhã, ouvia-se um coral de passarinhos. Canários, coleiros, trinca-ferros, uniam-se para encher aquela casa de alegria matinal. Um dia, porém, aquele homem percebeu que o pássaro criado à parte, naquela gaiola sempre aberta, negava-se a cantar. Por que será? Talvez por sentir-se isolado. Será? O homem, então, experimentou colocá-lo por alguns dias no viveiro com os outros. Ele pareceu muito alegre. Batia asas. E até emitia algum som. Mas não cantava.

Seu novo dono não parava em casa. Tinha que trabalhar dia após dia. Chegava quando os pássaros já estavam dormindo e saía pra trabalhar muito cedo. Seu antigo dono era difirente. Apesar de não lhe dar comida, e mantê-lo aprisionado numa gaiola sem muito espaço, pelo menos estava sempre por perto. Talvez por isso não lhe negasse o canto. Ele acostumou-se a cantar sempre sob pressão, estando triste ou alegre.

Certo dia, enquanto o homem saíra pra trabalhar, o pássaro aproveitou a porta aberta e voou. Não quis voltar pra seu antigo dono, talvez por vergonha, ou por não ter tão boas lembranças de lá. Saiu em busca de uma nova gaiola. Em vez disso, deparou-se com um alçapão. Com fome, acabou caindo na armadilha. Puseram nele uma colheira de identificação, apararam suas asas, e colocaram-no numa linda gaiola de ouro e todas as semanas o levam para exibi-lo numa feira de pássaros. Será que agora ele vai cantar?  Pelo menos desta vez ele terá sempre uma platéia ávida por ouvir seu canto.

Quanto ao homem que o acolhera, mesmo sentindo saudade do pássaro, contentou-se com os que viviam no viveiro. Esses jamais lhe negaram o canto.  

Sábado, Novembro 27, 2010

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Nem foram necessários ATOS PATÉTICOS para negociar a rendição dos traficantes do Alemão



Hermes C. Fernandes

Partiu de um pastor a ideia de se propor rendição por parte dos traficantes escondidos no Complexo do Alemão. A princípio, muitos acharam uma proposta meramente romântica. Porém, era a única capaz de evitar que o episódio terminasse com um banho de sangue.

O Pr. Antonio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra, e presidente da ONG "Rio de Paz". Leia aqui a proposta de rendição do Rio da Paz.

Coube à José Júnior, coordenador do AfroReggae, acompanhado de amigos, incluindo um pastor chamado Rogério, ir ao encontro do traficantes para propor-lhes a rendição.

Acabo de ler no Jornal "O Globo" que a rendição já começou, e um dos que se entregaram foi Diego Raimundo da Silva dos Santos, vulgo Mister M, braço direito do chefe do tráfico do Alemão, Luciano Martiniano da Silva, vulgo Pezão.  Mister M é acusado de ter participado da morte de Antônio Ferreira, o Tota, que controlava o tráfico na favela em 2008. Segundo o Jornal O DIA, dezesseis bandidos acabam de se render sem armas. 

Agradeço a Deus por homens como o Rev. Antonio Carlos e o Pr. Rogério, que tiveram a sensibilidade necessária para intervir na situação com proposta e ação concretas. O Rev. Antonio tem promovido muitos manifestos contra a violência que impera em nossa cidade, porém sabe que tais manifestos só teriam alguma eficácia se seguidos de ações efetivas. 

Fiquei esperando que alguém tivesse a ideia de chamar algum pastor exorcista para tentar resolver o problema lançando o paletó ungido de algum helicóptero, ou que algum outro pastor promovesse ATOS PROFÉTICOS insanos que ridicularizassem ainda mais a fé evangélica. Graças a Deus até o momento, que eu saiba, ninguém lançou mão de tais 'armas espirituais'. 

Oro e torço para que estes traficantes não apenas se rendam à polícia, mas sobretudo, se rendam ao amor de Cristo.

Só espero que esta rendição não seja uma estratégia do tipo "boi de piranha", para distrair as autoridades enquanto outros escapam ilesos. 

Sexta-feira, Novembro 26, 2010

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TERROR NO RIO: Perguntas que não querem calar



Por Hermes C. Fernande

Por que os mesmos líderes evangélicos que durante a campanha eleitoral vieram a público defender seu posionamento contra o homossexualismo e o aborto ainda não se manifestaram quanto ao campo de batalha em que se tornou o Rio de Janeiro? 

Por que muitos pastores estão mais preocupados em ter que cancelar seus cultos do que propriamente com o bem-estar de seus membros? 

Por que muitos crentes preferem aludir ao fim do mundo como justificação para a situação em que chegou nossa cidade? Será que teremos um Apocalipse Carioca? E o que tem acontecido no Iraque e em outros lugares de conflito no mundo seria o quê? Não seria este um argumento escapista? Nunca houve conflitos como esse em outras épocas? Se o que está acontecendo no Rio é um sinal dos tempos, o que teria sido a segunda guerra mundial? 

Por que a presença maciça da igreja evangélica na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão e em outras comunidades dominadas pelo tráfico não tem sido capaz de reverter o quadro? Seria isso fruto de uma mensagem escapista? 

Por que há tantos filhos de crentes envolvidos no crime? Até onde a teologia da prosperidade teria responsabilidade no aumento da criminalidade, uma vez que supervaloriza a posse de bens materiais?

Por que tantos crentes acham que as coisas podem ser resolvidas através de algum tipo de marcha ou manifestação pública? E quanto àqueles que acreditam no poder de atos proféticos? 

Por que a polícia permitiu que os bandidos fugissem para o complexo do alemão? Por que o poder público resolveu invadir duas grandes favelas na Zona Norte do Rio, e não a Rocinha? Seria por ser na Zona Sul, próximo de onde moram os governantes, seus amigos e familiares?

Por que parte da população parece desejar um derramamento de sangue em vez da prisão e julgamento dos criminosos? 

Por que os governantes gostam de posar de heróis como se eles mesmos não tivessem responsabilidade pelo aumento da criminalidade nos últimos anos? Onde eles estavam enquanto a cidade se favelava? Será que alguns deles seriam também usuários de drogas? E seus filhos?

De onde vêm as ordens capazes de unir facções arquiinimigas para aterrorizar o Estado do Rio? Se vêm dos líderes dessas facções que estão atrás das grades, quem as facilita? Como teriam acesso a celulares se estão em presídios de segurança máxima?

De onde vêm as armas pesadas usadas pelo traficantes? Quem facilita sua entrada no País? Quem estaria por trás de tudo isso? Quais as motivações, interesses e intenções inconfessáveis que não são reveladas pela Mídia? Quem coloca a arma na mão do bandido? Quem financia o crime? Não seriam muitas das mãos que agora aplaudem a tomada da Vila Cruzeiro? 

A teologia que abraçamos nos faz pessoas mais compassivas ou ufanistas? Nos aliena ou nos impulsiona em favor do outro? De que lado nos colocamos, do Poder Público, dos bandidos ou da população indefesa?

Se você gostaria de sugerir mais alguma pergunta ou responder a algumas das que estão expostas aqui, poste um comentário. Perguntar não ofende... ou será que ofende?

Quinta-feira, Novembro 25, 2010

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Rio: Só o amor vence o terror!

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CLAMOR URGENTE PELO RIO



São 14h desta quinta-feira. Está para ocorrer um banho de sangue no Rio de Janeiro. Provavelmente veremos cenas que marcarão nossa vida. Os hospitais estão de prontidão para receber as vítimas. Há um clima de expectativa  na cidade. Nunca tantos estiveram tão ansiosos por uma solução a qualquer preço para o problema da violência do narcotráfico. Civis inocentes devem perecer. Execuções podem ocorrer. Policiais perecer. O que nos cabe fazer? Sugiro as seguintes coisas:
1. Montarmos uma espécie de relógio de oração a partir de agora -a fim de clamarmos a Deus por paz- sem que haja custo alto de vidas inocentes, execuções extra-judiciais e policiais mortos. Peço que os pastores separem tempo nos cultos desta semana para a intercessão pela segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Através do twitter e facebook, vamos firmar o compromisso de -cada um de nós separar 5 minutos para oração pelo Rio-, de tal maneira que, não fiquemos um minuto sequer, nas próximas 48 horas, sem cobertura de intercessão pela cidade. Caso você queira participar, diga o dia e a hora em que estará orando a fim de que nos organizemos. A senha para o Twitter (hashtag) é #clamorio.
2. Estarmos de prontidão para entrarmos em ação imediatamente, caso ocorra claro desrespeito às leis do país, à Declaração Universal dos Direitos Humanos  e à santidade da vida humana.
3. Organizarmos um mutirão caso seja necessário socorro aos parentes de vítima.
A igreja está diante de uma oportunidade única de glorificar a Deus mediante a expressão de fé e amor. Somos o seu povo. Somos os cristãos. As circunstâncias demandam a presença de uma igreja relevante, num dos piores momentos da história do Rio de Janeiro. 

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Lamento pelo Rio... Ah! Rio...
















Ah! Rio
Hoje não te vejo Rio...
Te vejo mar
Mar de violência, rubra cor
A invadir porta e janela
Destruir quem te faz bela
Insistir no medo e dor.

Ah! Rio
Hoje não te vejo encanto
Te vejo espanto
Espanto ao te ver sangrar
O sangue dos inocentes
O som que se faz silente
Um triste silenciar.

Ah! Rio
Hoje não te vejo enredo
Te vejo medo
Medo do próprio filho
Que ao parir, sem condições
Entregaste aos arrastões
E aos cliques do gatilho

Ah! Rio
Hoje não te vejo esperto
Te vejo incerto
Incerto como teu jeito
Refém de tua própria gente
Que explode a dor latente
De quem já não tem direito

Ah! Rio
Hoje não te vejo horto
Te vejo morto
Morto em tua alegria
Triste em tua vida alegre
Infelizmente entregue
À dura melancolia.

Hoje ... eu não Rio... só choro!


Por José Barbosa Junior em 23/11/2010  (Via Crer é Pensar)

Quarta-feira, Novembro 24, 2010

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A dois passos (pra trás) do Paraíso




“É próprio da natureza que nos sintamos freqüentemente mais perto
das gerações distantes do que da geração imediatamente antes de nós.” 
Igor Stravinsky


Por Hermes C. Fernandes

O conflito entre gerações remonta tempos imemoráveis da raça humana. De acordo com o relato bíblico, começou já na primeira célula famíliar. Apesar da ordem de "crescer e multiplicar" ter sido dada ainda no Paraíso, os filhos de Adão e Eva nasceram depois de terem sido expulsos de lá. Portanto, desconheciam a dimensão relacional existente entre Deus e o homem antes da Queda. Portanto, a família original relatada nas Escrituras nos serve de arquétipo no qual está inserida seminalmente grande parte dos dramas que seriam vividos pelas famílias humanas ao longo das eras.

Imagino quantas vezes Caim e Abel ouviram seus pais contarem das maravilhas do Éden. Quão frustrante deveria ser não poder retornar àquele cenário perfeito, onde os animais lhes eram sujeitos, os rios cristalinos, os aromas indescritíveis, e a natureza harmoniosa, sem espinhos e abrolhos para lhes machucar os pés. Agora seus filhos teriam que aprender a conviver com o perigo constante, e desenvolver atividades que antes não existiam (mesmo porque não eram necessárias). Através deles a humanidade dava um salto rumo ao futuro, abandonando o extrativismo vegetal original, para abraçar a agricultura e a pecuária.

Abel, o primeiro pastor, não obteve know-how de seu pai, acostumado a colher frutas das árvores do Paraíso. Já a atividade desenvolvida por Caim parecia mais próxima daquela que seu pai exercera antes da queda. A profissão de Caim era, por assim dizer, o upgrade da de seu pai.  Mas Abel, o caçula, desenvolveu algo totalmente novo. O mais próximo que Adão esteve de sua atividade foi ter dado nome aos bichos. Caim era a extensão de seu pai. Abel representava o novo. Portanto, a rixa entre eles configurava um conflito de gerações.


Geralmente, os pais querem ver suas vidas recapituladas nos filhos. É como ter uma segunda chance, revivendo cada fase, reeditando os acertos e evitando os erros. Queremos que nossos filhos façam a mesma jornada, percorram a mesma estrada, apreciem os mesmos cenários e cheguem aos mesmos destinos.


Lembro-me quando pedi que meu pai me desse uma mesada. Eu tinha apenas oito anos. Todos os meus colegas da escola recebiam mesadas. Enquanto eles podiam gastar na cantina da escola, eu tinha que me contentar com a merenda que minha mãe preparava. Era constrangedor. Em vez de mesada, meu pai me presenteou com uma caixa de engraxate. Por ter sido sapateiro na juventude, meu pai achou que seria bom que eu começasse a trabalhar cedo, tal qual ocorreu com ele, engraxando sapatos. À época, meu pai era pastor de uma grande igreja na Zona Norte do Rio. Como o templo estava em obra, meus préstimos eram constantemente requisitados. Durante os cultos, lavava os carros no estacionamento da igreja, e na saída, oferecia-me para engraxar os sapatos. Mesmo constrangido, sentia-me orgulhoso por ganhar meu próprio dinheiro fazendo o que meu pai fazia quando tinha minha idade. 

Um dos fatores que mais colabora pela ruptura entre gerações é o fato de viverem em épocas, ambientes e circunstâncias diferentes. É difícil para um jovem da geração Y enxergar o Mundo com as mesmas lentes de seus pais da geração X. Cada geração desenvolve sua própria cosmovisão. Para quem viveu o tempo da ditadura militar no Brasil, por exemplo, a liberdade política é um bem valiosíssimo. Mas os filhos dessa geração já não lhe atribuem tanto valor.  

Valores antes estimados, agora se tornam desprezíveis. O que antes era considerado obsceno, agora é cada vez mais comum. E para acentuar a diferença entre eles, os pais sempre defendem que as coisas eram melhores “no seu tempo”. O que dá aos filhos a chance de revidar, afirmando que seus pais já estão ultrapassados, e não compreendem as demandas do “seu tempo”.

Ora, por que o ‘tempo’ dos pais não pode ser considerado o ‘tempo’ dos filhos?

É até plausível referir-se ao tempo dos seus avós, quando os mesmos já não estão vivos. Mas enquanto estamos vivos, vivemos o nosso tempo, aqui e agora.

Portanto, o meu tempo se confunde com o tempo dos meus filhos. Ainda que tenha havido uma evolução no pensamento, ou uma revolução tecnológica, todavia estou vivo, e sou parte de tudo isso. Posso até referir-me ao tempo da minha adolescência, ou aos meus dias de juventude, mas seria sábio evitar dizer “no meu tempo...” Evitando isso, também evitaremos comparações tolas, do tipo: No meu tempo as coisas eram melhores. Veja a recomendação bíblica acerca disso:

“Não digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois nunca com sabedoria isto perguntarias.” Eclesiastes 7:10.

A Blitz, banda que fez enorme sucesso nos anos 80, cantava uma canção cujo refrão dizia: "Estou a dois passos do paraíso. Não sei se vou voltar. Estou a dois passos do paraíso. Talvez eu fique, eu fique por lá". Voltar ao paraíso seria retornar ao passado. Por mais dourado que tenha sido, não é possível revivê-lo. Não há como voltar ao passado. O Paraíso nos foi vetado. Nossas fantasias se desvaneceram. O cenário no qual criamos nossos filhos é o mundo real, com suas tragédias e comédias. Portanto, deixemos o Paraíso onde sempre esteve, e avancemos em direção ao futuro, com todas as suas demandas, frustrações e realizações. 

Portanto, é hora de nos reinventarmos. Tempo de aprendermos com aqueles a quem educamos.

Estamos no trajeto entre o Paraíso Perdido e a Nova Jerusalém, a sociedade redimida, a nova humanidade.[1] Não distraiamos nossos filhos fazendo-os pensar que tudo era melhor ‘em nosso tempo’.




[1] A igreja de Cristo é a Nova Jerusalém em seu estado embrionário. É o útero no qual a nova humanidade está sendo gerada.




Estou contando com a participação de todos os meus leitores para a finalização do meu livro sobre o conflito de gerações. Vamos lá, pessoal. Dê sua opinião. Me ajude a levantar questões, a ver as coisas sob outra perspectiva, etc. O texto não está pronto. Vou modificando-o de acordo com os insights que surgirem. Por isso, vale a pena lê-lo novamente de quando em quando, e observar a maneira como vai evoluindo.

Terça-feira, Novembro 23, 2010

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Transpondo o abismo entre gerações - Introdução



Por Hermes C. Fernandes 

Por que decidi escrever sobre este tema? Primeiro, porque tenho visto uma preocupação crescente no meio empresarial e acadêmico acerca dos conflitos entre gerações. Seminários, congressos, workshops acontecem em todo o País e no Exterior, reunindo sociólogos, antropólogos, psicólogos, pedagogos e profissionais da área de recursos humanos em busca de respostas que expliquem e ofereçam ferramentas para melhor lidar com esta realidade. E segundo, porque anacronicamente, a igreja cristã tem se mostrado apática quanto ao tema, enquanto vai perdendo a sua relevância a cada nova geração que emerge.

O fato inegável é que a igreja está envelhecendo! O número de jovens que evadem das igrejas a cada ano é assustador. E o dado mais preocupante é que a maioria deles nasceu em berço cristão. Há mais jovens de origem cristã deixando a igreja, do que jovens de outras origens ingressando nela, engrossando as fileiras dos chamados desigrejados. Muitas famílias cristãs se vêem impotentes diante desta realidade. O abismo entre gerações começa em casa, e se agiganta na igreja, no mercado e na academia.[1] 

Enquanto são pequenos é fácil conduzir os filhos à igreja, mas quando chegam à adolescência, vêm os questionamentos, a rebeldia típica dessa fase, e o poder atrativo do mundo. De repente, os pais se sentem na ponta de um cabo de guerra. Os colegas, a cultura pop, e os hormônios estão na outra ponta, disputando a lealdade dos seus filhos. E à medida que perdem os jovens, as igrejas também perdem sua influência na sociedade. Para impedir isso, muitas igrejas têm lançado mão de programas voltados para o público juvenil. Algumas igrejas chegam a se transformar em verdadeiros clubes noturnos, oferecendo eventos dançantes com música cristã contemporânea. Outras utilizam o pátio do templo para a prática de skate, bike, e outros esportes radicais. Será que tais estratégias têm sido eficazes e suficientes? Será que bastaria mudar a estrutura do culto para atrair uma audiência mais jovem? Por que nossos filhos se mantém tão indiferentes em relação à nossa fé?

Nem o lar de pastores e líderes cristãos proeminentes tem escapado deste conflito. Recentemente o filho adotivo de um famoso bispo brasileiro protagonizou um episódio escandaloso em que aparece em vídeos postados no Youtube fazendo gestos obscenos e indicando simpatia com símbolos satanistas. Apesar da suposta criação cristã que recebera, rebelou-se, tornando um motivo de constrangimento para sua família e toda a direção da igreja. Infelizmente, este não é um caso isolado. Até o mais importante evangelista do século XX não foi poupado de assistir à derrocada de seu filho, que deixou a igreja para entregar-se às drogas. Felizmente, Frank Graham, filho de Billy Graham, retornou ao caminho, tornando-se hoje no sucessor do legado ministerial de seu pai. Somente aos 22 anos teve um encontro real com Cristo, e hoje é o herdeiro do ministério de seu pai. Um caso muito conhecido nos Estados Unidos é o de Ronald David Roberts, filho primogênito do famoso evangelista Oral Roberts [2], que depois de assumir sua homossexualidade, suicidou-se com um tiro no coração. Outro caso mais recente que tem repercutido na mídia é o de Katy Perry, filha de pastores pentecostais, que recebeu uma criação rigída, chegando a cantar no coral da igreja, e hoje está entre as principais estrelas da música pop mundial. Canções que fazem apologia ao homossexualismo feminino estão em seu repertório, para vergonha de seus pais. Numa recente entrevista à revista Rolling Stone, Perry declarou que apesar de sua conduta mundana, ainda cultiva o hábito de falar em línguas. Fica a pergunta: o que estaria acontecendo com os filhos dos pastores? Talvez alguns deles se perguntem: Onde foi que eu errei?[3]

Seria tudo isso sintomático? Tenho conversado com vários pastores, tanto americanos, quanto brasileiros, que têm atravessado momentos dificultosos em seu relacionamento com os filhos. Um deles, pastor americano, desabou em lágrimas sentado comigo num restaurante enquanto confessava seu desgosto por ver seu filho abandonando a fé cristã depois de decidir tornar-se um cineasta. Sei de casos de filhos de pastores presos aqui nos Estados Unidos por tráfico de entorpecentes. Drogas, rebeldia, promiscuidade são alguns dos sintomas de algo que está acontecendo em muitas famílias pastorais e que precisa ser tratado. De fato, não é fácil ser filho de pastor. Eu que o diga! Sou filho e neto de pastores. Sei da pressão a que são submetidos… Da cobrança… Do dever de serem exemplo para os demais jovens da igreja. Alguns acabam herdando o púlpito de seus pais. Outros preferem traçar seus próprios caminhos, negando-se a viver à sombra do pai.

Se assumirmos como sintomático o que tem acontecido a muitos filhos de pastores, teremos que examinar o que estaria por trás deste fenômeno, para que, então, buscássemos o remédio. Poderíamos simplesmente espiritualizar tal fenômeno, apontando como remédio a oração e demais disciplinas espirituais. Porém, sugiro que o diagnóstico seja mais complexo que isso, e que envolva, entra outros fatores, o tal “conflito de gerações”. Se estiver certo em minha conclusão, qual seria a melhor forma de lidar com isso?

Desde os fervescentes anos 50, o abismo entre as gerações parece ter aumentado significativamente. Cada nova geração parece pretender romper com todos os valores e paradigmas da anterior. O que parecia um movimento ingênuo no tempo da brilhantina, tomou proporções inimagináveis. O jovem de hoje pensa: - Ora, se meu pai pôde rebelar-se contra meu avô, por que eu não posso rebelar-me contra ele? De repente, o pai que era considerado o super-herói do filho, passa a ser visto como vilão, ou quando não, um mero coadjuvante, ou ainda pior, figurante. A comunicação entre pais e filhos tornou-se quase impossível. Cada geração elabora seu próprio dialeto. É possível superar as diferenças? Como reconquistar nossos filhos? Como voltar a ser seu mentor? Ou ainda: como nos reaproximar de nossos pais, sem reavivar velhas questões? Seria esse um fenômeno relativamente recente? Seria um sinal dos tempos? Como era nos tempos bíblicos?

Se amamos a nossos filhos, e nutrimos alguma esperança quanto ao futuro da humanidade, devemos lutar para que este abismo seja aterrado. Com isto em vista, sentimo-nos desafiados a escrever este livro, em que tratamos exclusivamente do conflito geracional, que engloba tanto a relação entre pais e filhos, como também entre veteranos e recém-chegados, tanto no ministério, como na vida empresarial, social e cultural.

Outro exemplo de conflito geracional é a transição de uma gestão pastoral à outra, principalmente quando se trata de um pastor ancião que passar o bastão a um mais jovem. Quantas igrejas têm sofrido amargamente com a sucessão de pastores? Seminaristas aprendem homilética, hermenêutica, teologia sistemática, história eclesiástica, e tantas outras matérias igualmente importantes para o desempenho do seu ministério. Mas não tenho conhecimento de qualquer seminário que ensine a arte de suceder outro ministro. Se por um lado encontramos veteranos que se negam a ceder espaço aos que estão chegando ao ministério, por outro encontramos novatos ávidos por oportunidade, mas que se negam a reconhecer e a honrar os que lhes antecedem. De uma gestão pastoral a outra, a igreja sofre uma reviravolta. Como atenuar esse tipo de crise?

Assuntos como comunicação, honrar as gerações que nos precederam, preparar o caminho para as que nos sucederem, famílias e igrejas voltadas para o futuro, são alguns sobre os quais nos debruçamos nesta singela obra.

[1] Mais assustador ainda é constatar que é cada vez mais comum encontrarmos detentos com nomes bíblicos nas cadeias públicas do País. Moisés, Davi, Samuel, Abraão são alguns dos nomes recebidos de seus pais, porém substituídos por codinomes mais sugestivos no mundo do crime.[2] O evangelista Oral Roberts começou em uma humilde tenda de avivamento e depois fundou um ministério que administrava milhões de dólares, além de criar uma universidade que leva seu nome. [3] “Onde foi que eu errei?” Este era o bordão de um personagem protagonizado por Jorge Dória em um programa humorístico da TV brasileira e expressava a desilusão de um pai que havia criado o filho na expectativa de que fosse um garanhão, ao se dar conta de que seu filho era gay. Talvez por não ser considerado politicamente correto, o quadro acabou extinto. 

Bem gente, conto com você para melhorar esta introdução. Lembrem-se, é apenas uma INTRODUÇÃO. Os assuntos serão desenvolvidos ao longo da obra. Preciso de sugestões. E quanto ao título do livro, o que acham de "Transpondo o abismo entre gerações"?

Segunda-feira, Novembro 22, 2010

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Conferência de Líderes nos EUA



Rev. Jonathas Moreira e eu.
Desta vez, não me atrevi a pregar sem um intérprete
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No último sábado, dia 20 de novembro, fui preletor convidado de uma conferência de líderes cristãos americanos afro-descendentes (Leadership Summit). A conferência aconteceu no Palm Beach Convention Center entre os dias 17 de 20 na sofisticada cidade de West Palm Beach, Flórida.

Foi sobremodo gratificante assistir aos preletores que lá estiveram, como também às apresentações de dança e música. Entre os palestrantes, estavam Dr. Joel Laurore de Tulsa, Oklahoma, Dra. Cheryl Philipps de Washington DC, William Harrel Jr. do Harlem, New York, Dr. Haywood Nicholas Williams de Riviera Beach e Pra. Linda Collymore de West Palm Beach. As apresentações musicais dispensam comentários. Não há como não se emocionar com a musicalidade negra americana. Os corais nos fazem arrepiar até o último fio de cabelo.

Já havia estado em igrejas afro-descendentes antes, mas já fazia muitos anos. A maneira como eles participam da pregação é simplesmente ímpar. Quem não está acostumado se assusta ao ver o pregador sendo interrompido com gritos do tipo “É isso aí, pregador!”, “vamos lá… queremos mais…”. Sem qualquer cerimônia, eles se levantam, miram seus olhos, e dizem: “Come on, preacher!”

Confesso que sempre tive certa resistência à ideia de igrejas étnicas. Eu era praticamente o único branco lá. Mas em nenhum momento fui discriminado. Todos me acolheram com tanto amor. Fiquei pensando que talvez a provisão de Deus tenha permitido tal ‘segregação’, para que o tesouro cultural do qual eles são guardiões jamais se perdesse. A maneira como adoram ao Senhor é tão peculiar, que certamente correria o risco de se dissolver numa igreja  multicultural.

Num certo momento, não pude conter as lágrimas enquanto os ouvia cantar no estilo conhecido como “spiritual”. Imaginei o background de onde emergiu toda essa inspiração. O sofrimento nos barcos negreiros. As injustiças da escravidão. O preconceito do qual ainda hoje são vítimas.

Ao lado da Pra. Collymore e do Bispo Haywood Williams
Senti-me privilegiado, não apenas por ter sido convidado como preletor do evento, mas também por ter assistido àquele espetáculo de amor a Cristo. Coincidentemente, o dia selecionado para mim foi justamente aquele em que se comemora no Brasil o Dia da Consciência Negra. Abaixo uma 'amostra grátis' da genuína música gospel:

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Que tal me ajudar a escrever meu próximo livro?


Há pouco mais de três anos comecei a escrever um livro sobre o abismo entre gerações,e  a maneira como o Evangelho lida com esta questão. Depois de já ter vários capítulos em andamento, resolvi dar uma parada pra tomar fôlego. A reportagem especial feita pelo Jornal da Globo nos últimos dias me inspirou a retomar o projeto e terminá-lo. 

Porém, ocorreu-me a seguinte ideia: Que tal convidar os leitores do blog a participarem da composição da obra? Seria uma experiência única e interessantíssima... Ao término da obra, ela será enviada para várias editoras para apreciação. As pessoas que toparem me ajudar nesta empreitada terão seus nomes incluídos na página de agradecimento do livro. 

De quê preciso? Ideias e questões envolvendo o assunto "conflito de gerações". Se você também tiver alguma experiência nesta área, poderá compartilhá-la, concedendo-me a devida permissão para incluí-la na obra, se este for o caso. Dados de pesquisas também são bem-vindos. Meu foco é o conflito de gerações na família, no mercado e na igreja. Apesar de o projeto já estar delineado, meu objetivo é enriquecê-lo com a participação dos meus leitores. 

À medida que for escrevendo, vou publicando os capítulos para apreciação dos meus leitores aqui no blog. Por esses dias, publicarei o primeiro deles. A propósito, estou precisando de um título para o livro. Alguém tem uma ideia? As sugestões poderão ser postadas nos comentários ou enviadas por e-mail, bastando clicar lá em cima na janela "contato". Conto com todos vocês e espero um feedback.

Domingo, Novembro 21, 2010

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Geração Y - Nosso desafio missional






Por Hermes C. Fernandes

Recentemente, foi lançado nos Estados Unidos o livro Millennial Make-over, escrito por Morley Winograd e Michael Hais. Com base numa teoria de gerações, eles sustentam que, desde 1828, a história americana tem sido atingida por transformações profundas a cada quarenta anos, o equivalente à uma geração.


Segundo os autores, ao término de um ciclo geracional, surge uma geração dinâmica, com características opostas às da anterior. Nesse papel, se revezariam as gerações “idealistas” (assim chamadas por serem radicais e contestadoras), e as gerações “cívicas” (mais conservadoras, flexíveis e pragmáticas).

Acredita-se que a mesma teoria poderia ser aplicada em outros contextos, incluindo o Brasil.

Cada geração é distinguida por um nome específico. Por exemplo: a geração baby-boom. Este termo é utilizado para descrever as pessoas nascidas após a Segunda Guerra Mundial (1946-1964), devido ao grande salto nas taxas de natalidade dessa época. Os baby boomers foram a primeira geração que cresceu em frente à TV. Eles puderam compartilhar eventos culturais e marcos com todas as pessoas no seu grupo de idade, independentemente de onde elas estavam. Esses momentos compartilhados ajudaram a estabelecer um vínculo de geração sem precedentes. Outro elemento cultural que distinguiu os boomers dos seus pais foi o rock and roll. Artistas como Elvis Presley e, posteriormente, Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones tomaram conta das ondas sonoras e deram aos boomers a identidade de uma geração.

Outro exemplo é a geração X, popularizada pela Legião Urbana como a geração coca-cola. Era a geração dos seriados enlatados, made in USA. Uma geração que perdeu o idealismo dos que a precederam, tornando-se cínica e desesperançosa. Cazuza foi uma das vozes que cantou a desesperança de sua geração. Em uma de suas canções, ele dizia: "Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder." Aqueles que foram os ícones da geração anterior, ou tiveram morte trágica, ou simplesmente se adequaram ao status quo. Por essas e outras, a geração X não tinha em quem se inspirar para lutar pela transformação do seu mundo. Era uma geração órfã de referenciais.

Agora, entra em cena a chamada "geração do milênio", também chamada de Geração Y, formada pelos nascidos entre 1982 e 2003. "É uma geração segura, com boa auto-estima, criada por pais atenciosos, que foram os primeiros a colocar no carro o adesivo ‘cuidado: bebê a bordo’. É uma geração que cresceu amiga dos pais", diz Michael Hais. Entre as suas peculiaridades, destacamos: é a mais numerosa da história, a mais miscigenada e a primeira a ter quantidade igual de homens e mulheres formados na universidade.

Mas sem dúvida, de todas as marcas da atual geração, a mais decisiva é a tecnologia. A geração do milênio é a primeira a crescer no mundo da internet – e isso está na base da mudança que está emergindo. Primeiro, porque a atual geração, graças à internet, é a que mais tem contato com os amigos, a que mais compartilha informação (pelo Orkut, por exemplo) e, por causa disso, desenvolveu um sentimento coletivo sem precedentes na História recente da civilização. Segundo, porque a internet está mudando as relações de poder na sociedade ao descentralizar a informação.

Terceiro, porque toda guinada na história recente só acontece quando se dá a combinação de uma geração dinâmica com uma novidade na tecnologia da comunicação.

Em 1860, foi a maravilha do telégrafo que ajudou a divulgar as idéias abolicionistas. Em 1896, o telégrafo se juntou à novidade do telefone, e os republicanos derrotaram a aristocracia agrária, inaugurando a era industrial e urbana. Em 1932, o rádio, que chegou a ser conhecido como "telégrafo sem fio", parecia feito sob encomenda para a voz de veludo do democrata Franklin Roosevelt, que faria história com seu New Deal, tirando os Estados Unidos de sua maior crise econômica. Em 1968, quase 57 milhões de lares americanos já tinham uma TV, o que ajudou a criar a identidade da geração baby-boom. Pelo que tudo indica, é a internet a grande novidade tecnológica que vai impulsionar as mudanças aspiradas pela geração emergente.

A eleição de Barack Obama, cuja campanha foi feita tendo como carro-chefe a internet, comprova a guinada profetizada pelos autores de Millennial Make-over. Foi o comparecimento em massa da geração do Milênio às urnas, que garantiu a eleição do primeiro presidente negro da história americana.

Espero, sinceramente, que os líderes cristãos estejam atentos a essas mudanças, e mudem seus paradigmas. A Geração Y é um grande desafio pra todos nós, pais, educadores, políticos e líderes. Perder o trem da história poderá custar muito caro pra todos nós.

A charge usada na apresentação deste artigo foi encontrada no site Charges Protestantes, e ilustra bem o lado descolado e despojado da Geração Y. Este lado é mais notável nos Estados Unidos, onde muitos jovens apreciam andar com as calças caindo.