Quinta-feira, Setembro 30, 2010

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De quem Deus é cabo eleitoral, afinal?



Hermes C. Fernandes


Que lástima! Às vésperas das eleições, a igreja brasileira se vê completamente dividida. Amizades antigas foram rompidas. Alianças vergonhosas foram engendradas. E quem quer que ainda tenha algum brio, sente-se profundamente frustrado com tudo isso.


Afinal, de quem Deus Se tornou “cabo eleitoral”? Será que Ele Se disporia a bradar do céu: "Este é meu candidato amado, em quem me comprazo... votem nele!"?


O fato é que há muita coisa em jogo! Poder, prestígio, promessas de concessão de rádio e TV, cargos, e… grana, muita grana.  Em nome disso tudo, pastores vendem a alma ao diabo. Vale tudo para angariar os votos dos fiéis. Até usar o santo nome do Senhor em vão.


É claro que como cidadão, tenho simpatia por algumas candidaturas. Mas reivindico o direito de ficar calado. Como líder de uma igreja, tenho a obrigação de manter-me discreto durante o processo eleitoral. Meu papel é estimular o povo à reflexão e ao voto consciente, mas sem jamais tentar manipulá-lo para que vote no que considero a melhor candidatura. Não adianta pressionar. Não manifestarei meu voto, senão, na urna. Aliás, terei que justificar meu voto por estar  morando no Exterior.


O fato de não apoiar uma candidatura não me dá o direito de sair por aí difamando-a, como tenho visto por parte de muitos líderes. Mentiras têm sido espalhadas a partir de púlpitos. Canonizaram Maquiavel! A liderança evangélica brasileira se promiscuiu.

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Espero que você se escandalize com isso! Deus deve estar decepcionado...




Hermes C. Fernandes


No tempo do ministério de Jeremias, havia um povo considerado excêntrico pelos demais habitantes de Judá, que era conhecido como os recabitas.

Os recabitas viviam do lado de fora dos muros, isolados do resto do mundo. Não bebiam vinho, não construíam casas, nem cultivavam a terra. Habitavam em tendas, como os antigos patriarcas hebreus.

Ninguém os levava realmente a sério. De repente, Deus ordena que Jeremias os convide para ir ao Templo em Jerusalém.

“Palavra que do Senhor veio a Jeremias, nos dias de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá: Vai à casa dos recabitas, fala com eles, leva-os à casa do Senhor, a uma das câmaras, e dá-lhes vinho a beber” (Jr.35:1-2).

O profeta deve ter estranhado as orientações que Deus lhe estava dando. Por que oferecer ao recabitas algo que eles certamente recusariam? Que sentido havia em tentá-los?

Quarta-feira, Setembro 29, 2010

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A Igreja e o Trem Fantasma


Carlos Moreira

Quando eu era criança, lembro de ter olhado muitas vezes para aquela “casa mal-assombrada”, de onde um trenzinho entrava com gente eufórica e saía com a mesma moçada apavorada, mas sempre tive medo de me aproximar, pois não sabia o que iria ver, ouvir ou sentir ali dentro. Andar num trem fantasma foi uma das poucas coisas que eu quis fazer quando era pequeno, e não fiz...

 Já adolescente, de férias no Rio de Janeiro, fui certo dia a um parque de diversões e me deparei com a “casinha dos horrores” – o trem fantasma. Era a grande chance, à hora da virada! Meu desejo de entrar foi tamanho que eu não me apercebi nem de outros brinquedos muito mais legais. Corri para a fila, comprei o ingresso e fiquei esperando a minha vez chegar. Não demorou muito e o tão esperado momento aconteceu. Sentei-me sozinho no “vagão” que era feito para duas pessoas. Na minha frente e por trás de mim a meninada gritava com todo entusiasmo, um barulho frenético e ensurdecedor. De repente, um apito anunciou o início da aventura. Durante mais ou menos dois minutos fui submetido a um impressionante espetáculo de horror. Tinha de tudo: múmia em sarcófago, o conde Drácula, lobisomem, morto saindo de caixão, mulheres se arrastando num pântano, gente devorando restos humanos, uma desgraceira sem precedentes! Por fim, veio o final do trajeto, e o trenzinho, envolto em uma nuvem de fumaça, saiu da casa e parou na “estação”.

Como era de se esperar, as reações foram as mais diversas. Pouquíssimas pessoas estavam com ar tranqüilo ou mesmo sorrindo. A grande totalidade era composta de crianças chorando, adolescentes gritando, meninas em polvorosa e até adultos com cara de horror. Eu, todavia, e de forma surpreendente, sentia-me profundamente frustrado, inerte, quase sem sensações. Analisando o fato depois, não sei se minha decepção veio por ter perdido tanto tempo com medo de algo tão infantil, ou porque havia saído quase da mesma forma como tinha entrado. Dizer que não foi legal, seria exagero, mas, de certa forma, foi brochante, e a razão era uma só: eu sabia que tudo ali era apenas ilusão, simulação, representação. Nada era, de fato, real. 

Pois bem, pensando nesta experiência, e analisando o que tenho visto durante estes mais de 30 anos no dito “mundo eclesiástico”, cheguei à triste conclusão: a “igreja” dos nossos dias é muito parecida com um trem fantasma.

Terça-feira, Setembro 28, 2010

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A nova dívida que adquirimos ao sermos salvos pela graça


Por Hermes C. Fernandes

"Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. De sorte que, quanto está em mim, estou pronto para vos anunciar o evangelho, também a vós que estais em Roma”. Romanos 1:14-15

Paulo, como apóstolo da Graça de Deus, sabia que sua dívida com Deus havia sido quitada na Cruz. Entretanto, ele reconhece uma nova dívida, contraída no momento em que o Senhor o salvou e o constituiu “apóstolo” aos gentios. Da mesma maneira, todos tínhamos uma dívida com o passado, e agora, temos uma dívida com o futuro. Tínhamos uma dívida com Deus, e agora, temos uma dívida com o mundo. De onde veio essa consciência em Paulo? Ele mesmo responde: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna” (1 Tm. 1:12-16). Paulo sabia que o Senhor o escolhera e salvara para que seu testemunho servisse de modelo à todos quanto fossem alcançados pelo Evangelho.

Pregar o Evangelho não era algo facultativo, mas uma obrigação. “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada. Nesse caso, qual é o meu galardão? É que, evangelizando, proponha, de graça, o evangelho, para não me valer do direito que ele me dá. Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele” (1 Co. 9:16-23). Não importava o preço que teria que ser pago, Paulo estava disposto a tudo para cumprir sua missão. Nem mesmo sua vida era tida por valiosa, em comparação à sua missão.“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At.20:24).

Apesar de ser uma “obrigação”, Paulo cumpria com “alegria” o seu ministério. Não era apenas uma obrigação, mas uma “graça”, um privilégio.

Segunda-feira, Setembro 27, 2010

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Se não subverte, acaba subvertido!

As mudanças radicais no mundo ocidental tem levado muita gente a reexaminar o modo como a igreja existia dentro da cristandade. Muitos tem prestado crescente atenção às vozes que vem das margens, tanto dentro quanto fora do mundo ocidental. Essas vozes (juntamente com Rahner, Hauerwas e Willimon) apontam que a igreja da cristandade havia se tornado uma igreja profundamente comprometida. Aqui três dessas vozes serão brevemente analisadas.

A primeira nasceu na América Latina e encontra sua expressão nas obras dos teólogos da libertação. A teologia da libertação sustenta que a igreja da cristandade ocidental (bem como o modelo de “Nova Cristandade” de Jacques Maritain na América Latina) é uma igreja maculada pelo sangue dos oprimidos. Ao associar-se aos detentores do poder, a própria igreja tornou-se um dos opressores, recusando-se de modo ativo ou passivo a engajar-se em determinadas atividades ou diálogos. O fato de que muitos cristãos ocidentais se mostrem incapazes de ver o elo entre libertação e fé revela o quanto domesticaram o evangelho que começou como “boas novas” para os pobres. Uma das consequências disso é que muitos revolucionários sociais e guerreiros da liberdade acabaram abandonando a igreja, pois “não encontraram na instituição qualquer possibilidade de concretizarem o seu comprometimento, vendo-se muitas vezes obrigados a assumir uma postura de oposição à igreja como sociedade”.

Sábado, Setembro 25, 2010

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Deus vai julgar o Brasil se Dilma for eleita?


No dia 31 de agosto passado, o canal da Primeira Igreja Batista de Curitiba, no YouTube, postou um vídeo, de pouco mais de 11 minutos, onde é mostrado um trecho de um dos cultos daquela igreja, onde o Pastor titular, Paschoal Piragine Junior, se pronuncia acerca das eleições 2010.

Nesse pronunciamento o pastor aconselha os seus ouvintes a não votarem nos candidatos do PT, Partido dos Trabalhadores, porque os mesmos haveriam firmado um acordo, comprometendo-se, caso eleitos, a votarem afirmativamente em projetos de lei que comportam em seu bojo questões polêmicas como o direito da mulher ao aborto, o casamento homossexual, a lei da mordaça, entre outros. Tais questões o Pr. Pascoal qualifica como “iniquidade”. No mesmo vídeo o pastor dá a sua definição para o termo: “...iniqüidade é quando a gente ‘tá’ tão acostumado ao pecado, que o pecado, a gente não tem mais vergonha de cometê-lo e ele passa a ser algo tremendamente natural na nossa vida, e a Bíblia diz que quando a iniquidade chega, ou seja, o coração do homem ‘tá’ tão endurecido, que ele não se envergonha mais do pecado, ele não pode reconhecer nem que aqui alguma determinada ação é pecado, é tempo que Deus tem que julgar a sua terra, que julgar o seu povo, que julgar a nação”.

Sexta-feira, Setembro 24, 2010

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A Revolução do Amor no Haiti



Bravo! Esses meninos estão fazendo um estrago! Eu e seu pai, Gerson Ortega, temos amigos em comum, entre eles, o Rev. William Paul Mikler.

Que bem faz à nossa alma ouvir música com qualidade e relevância. Quem quiser conferir de perto o trabalho missional desses rapazes, visite seu site.

Quinta-feira, Setembro 23, 2010

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O desafio de traduzir a Bíblia para mais de 6 mil idiomas

Vonette Bright, eu e Bob Creson, presidente da Wycliffe
Ontem tive o privilégio de participar de uma celebração no Wycliffe Bible Translators. Esta organização é responsável pela tradução da Bíblia em cerca de 700 idiomas. Há cerca de 7 mil línguas faladas no Mundo. Portanto, apenas 10% delas dispõem da Palavra de Deus traduzida. O desafio é deveras grande. Atualmente, a Wycliffe está trabalhando na tradução em mais de 1300 idiomas. Há ainda outras 2200 línguas em que os projetos de tradução ainda não começaram. O número de pessoas que falam esses idiomas ultrapassa a casa dos 350 milhões!

O motivo da celebração foi a tradução das Escrituras em mais 25 idiomas. Foi emocionante assistir a procissão de pessoas que trabalharam da tradução vestidas a caráter, empunhando a bandeira do país e a bíblia traduzida.

Quem pensa que essas traduções são feitas num ambiente aconchegante de um escritório, diante de um laptop da Apple, está redondamente enganado. A Google ainda não dispõe de ferramentas para isso. rs

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O que é servir a Cristo onde não há liberdade religiosa

Quarta-feira, Setembro 22, 2010

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Sobre cristianismo e revolução

Por  J.L.Tejo

Em outra postagem tenho falado da necessidade de como, se quisermos chegar à verdade, ou ao mais próximo possível dela, devemos passar por cima de subjetivismos. Deixar que preconceitos pessoais ofusquem o raciocínio é andar em círculos. Não se avança. Nesse sentido, acho muito oportuna a frase de Nietzsche, sobre as convicções serem mais inimigas da verdade que a mentira. Pois o "convicto" não se preocupa com a verdade, tão-somente com a verdade dele. O método dialético, que como marxista eu professo, é radicalmente diferente disso. Analisamos o todo para chegar às partes e vice-versa, cônscios das contradições que permeiam toda estrutura social, toda relação humana, toda atividade humana, que permeiam, enfim, o próprio homem enquanto ser histórico, social e espiritual.

Causa-me estranheza intelectuais negarem, por exemplo, o aspecto revolucionário do cristianismo em seu nascedouro. Partem para o arrolamento dos crimes da Inquisição, da pedofilia da Igreja, da perversão dos Bórgias etc etc. E ficam nisso. Ora, não há organização humana que seja isenta de desvios, por melhor intencionada que seja sua filosofia. Homens estão situados num contexto histórico-material, e como tal fazem sua História, não livremente (e sim sob as circunstâncias legadas e transmitidas do passado, diz Marx no 18 Brumário), mas fazem. No erro e no acerto. Em qualquer caso, o cristianismo não se reduz à Igreja Católica.

Negar o aspecto revolucionário do cristianismo em seus primórdios é negar a História.

Terça-feira, Setembro 21, 2010

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Será este o casamento do futuro?

Em algum lugar ao redor do mundo, em algum tempo no futuro, um escriturário está cumprindo o seu expediente no balcão de um Cartório de Registro Civil:
“O próximo, por favor.”
“Bom Dia. Nós queremos dar entrada nos papéis para o casamento.”
“Nomes?”
“Pedro da Silva Pereira e João da Silva Pereira.”
“Silva Pereira? Vocês são parentes? Posso ver que se parecem fisicamente.”
“Sim. Somos irmãos.”
“Irmãos? Mas vocês não podem se casar!”
“E por que não? A lei já não contempla o matrimônio de casais do mesmo gênero? Sabemos, inclusive, que muitos têm tido seus registros aqui neste tabelionato.”
“Sim, milhares! Mas nós nunca tivemos casamentos entre irmãos. Isto seria incesto!”
“Incesto? Não! O senhor está equivocado. Nós não somos gays.”
“Não são gays? Então, por que querem se casar?
“Pelos benefícios financeiros, é claro. E, além disso, nós nos amamos, e não temos nenhuma outra pessoa em vista para o casamento.”
“Infelizmente, senhores, nós somente lavramos o registro de casamento de gays e lésbicas para quem a igualdade de proteção legal tem sido negada anteriormente pelas autoridades judiciárias. Se vocês não são gays, podem se casar com mulheres!”
“Um momento! Um homem gay tem todo o direito de casar-se com uma mulher, assim como eu também tenho. Entretanto, simplesmente porque eu sou hetero, não quer dizer que eu queira casar-me com uma mulher. Eu quero me casar com João, meu irmão.”

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Uma resposta a Stephen Hawking: Não se pode explicar o universo sem Deus



Não restam dúvidas de que Stephen Hawking é intelectualmente destemido como um herói da Física. E em seu último livro, o notável físico propõe uma audaciosa mudança na crença religiosa tradicional na criação divina do universo.

Conforme Hawking, as leis da física, não a vontade de Deus, proveem a explicação real de como a vida na Terra veio a existir. O Big Bang, ele argumenta, foi a inevitável consequência daquelas leis ‘porque há uma lei como a gravidade, o universo pode e quis criar a si mesmo do nada.’

Desafortunadamente, enquanto o argumento de Hawking está sendo saudado como controverso e revolucionário, ele dificilmente seria novo.

Por anos, outros cientistas tem feito afirmações semelhantes, sustentando que o assombroso, a criativadade sofisticada do mundo ao nosso redor, pode ser interpretado somente com referência às leis físicas, assim como a gravidade.

Isto é uma abordagem simplista, ainda que em nosso época secularizada seja a única que aparenta ter ressonância com um ceticismo público.

Mas, como cientista e cristão simultaneamente, eu gostaria de dizer que a afirmação de Hawking é equivocada. Ele nos pede para escolher entre Deus e as leis físicas, como se eles estivessem necessariamente em conflito mútuo.

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Encontrando Deus na obra de Saramago


Por Zé Luís

Ato falho é aquela situação onde revelamos, de forma espontânea, o mais sigilosos segredos. Conta-se que isso é um ato do inconsciente. Um exemplo clássico é a do sujeito que troca o nome, e acaba chamando a esposa pelo nome da amante.

Quando li o angustiante “Ensaio sobre a cegueira” de Saramago, ateu ferrenho, notei algo em um de seus personagens: a mulher do médico é a única capaz de ver quando a epidemia de cegueira branca domina todo o país(se você não o leu, e pretende, talvez haja aqui alguns spoilers que atrapalhem quando fizer isso. Por exemplo, no livro inteiro, não existe o nome dos personagens, e sim, sua posição social, ou, o que representam na ordem em que se apresentam na história).

Segunda-feira, Setembro 20, 2010

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Criação, salvação e o futuro do cosmos



Tradicionalmente, a teologia sistemática divide as matérias do seu conteúdo em unidades estanques. Tal divisão é feita com uma intenção didática, que pode ser boa. Na prática, porém, há alguns problemas. Um deles tem a ver com o uso que se faz da Bíblia. Ao se separar um capítulo, procura-se ajuntar os textos que falam sobre aquele tema. Só que os autores bíblicos não tinham essa preocupação. Em vez disso, escreviam com uma liberdade impressionante, e não raro combinavam temas que, séculos mais tarde, foram separados por teólogos no esforço de sistematizar o ensino bíblico. Um exemplo é o que a Bíblia fala sobre a criação, a salvação e a escatologia. Ela não trata de tais temas isoladamente.

Domingo, Setembro 19, 2010

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Se o custo do discipulado é alto, já imaginou o custo do não-discipulado?



Em 1937, o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer publicou seu famoso livro “O Custo do Discipulado”. Uma exposição do Sermão do Monte, na qual ele comenta o que significa seguir a Cristo. O contexto era a Alemanha no início do nazismo. Sua preocupação era combater o que ele chamou de “graça barata”, essa graça que oferece perdão sem arrependimento, comunhão sem confissão, discipulado sem cruz. Uma graça que não implica obediência e submissão a Cristo. Seu compromisso com Cristo e sua cruz o levou a morte prematura em abril de 1945.

“O Custo do Discipulado” é um livro que precisa ser lido pelos cristãos brasileiros do século 21, com sua fé secularizada, sua moral relativizada, sua ética minimalista e sua espiritualidade privada e narcisista. A “graça barata” tem nos levado a conceber um cristianismo medíocre e uma espiritualidade que não expressa a nobreza do reino de Deus.

A fé cristã não é o produto de uma subcultura religiosa. Também não é apenas um conjunto de dogmas e doutrinas que afirmamos crer. É , antes de tudo, um chamado de Cristo para segui-lo. Um chamado para tomar, cada um, a sua cruz de renúncia ao pecado e obediência sincera a tudo quanto Cristo nos ensinou e ordenou.

Sábado, Setembro 18, 2010

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Há lugar pra IMAGINAÇÃO no CRISTIANISMO?



“Ver o mundo num grão de areia, e ver o céu numa flor selvagem, segurar o infinito na palma de suas mãos, e a eternidade em uma hora.” William Blake

Nos últimos anos, a imaginação tem-se tornado foco de meus estudos acadêmicos. Fiz pesquisas, li muitos artigos científicos e livros, escrevi textos e participei de eventos em que centenas de interessados se reuniam para debater e compartilhar seus achados sobre essa faculdade tão preciosa na vida humana: a imaginação.

Como bom protestante [rs], acerquei-me do tema com muita resistência e desconfiança no início, pois a imaginação parecia sempre estar associada a heresia, idolatria ou até mesmo alienação política e social. Naquele instante nem me ocorria que, na verdade, a imaginação estava comigo o tempo todo, desde a infância, nas primeiras leituras das histórias bíblicas, nos romances que li, nas canções que aprendia a cantar e depois a fazer.

Quinta-feira, Setembro 16, 2010

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Religião e política não se misturam... Espiritualidade e política, sim.



As eleições de outubro se aproximam e, com elas, a chance de as urnas levarem o país a uma renovação na forma de se fazer política. Mas, também, cresce a possibilidade de chegarem ao poder aqueles que farão do cargo o trampolim para a corrupção, o desvio de recursos públicos e o enriquecimento ilícito. Isso faz com que, para um número cada vez maior de brasileiros, o termo “política” nada mais seja do que um sinônimo de desonestidade.

Diante de um cenário assim, duas são as grandes tendências dos cristãos no contexto brasileiro. A primeira é caracterizada pela omissão. Para os que fazem tal opção, a Igreja não deve se envolver com política, ou mesmo falar sobre ela. Nessa ótica, o papel dos cristãos é trabalhar arduamente para a “salvação das almas”, uma vez que tudo que vemos e ouvimos acerca da política é fruto dos últimos dias anunciados por Jesus – além disso, o próprio Cristo disse que seus filhos não são deste mundo.

Quarta-feira, Setembro 15, 2010

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A bênção da DESILUSÃO

Muitas pessoas buscam segurança na religião. Mas segurança, como uma forma de blindagem contra todos os percalços da vida é uma ilusão. E há muita gente iludida. Vendedores de ilusões não faltam, prometendo uma vida sem nenhum incidente, livramentos no último momento, uma vida realmente blindada. Como se Deus fosse um Super-Homem, sempre a aparecer no último momento para nos livrar a cara. Mas isso é uma ilusão.

Por isso é que é preciso se desiludir. Nesse caso, desiludir-se é uma coisa boa. Não é algo confortável, mas necessário e bom. Mas por não ser confortável, muitos preferem continuar na ilusão. Como aqueles que tiveram a opção de tomar a pílula vermelha e sair da Matrix (no célebre filme de mesmo nome), ou seja, sair do domínio de um mundo irreal, virtual e ilusório. Quem viu o filme, se lembra que alguns decidiram continuar num mundo de mentira. A pílula azul era para continuar na ilusão. A pílula vermelha significava a dolorosa caminhada do conhecimento e da maturidade.

Terça-feira, Setembro 14, 2010

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CSI: Deus está nos detalhes

crime sceneOs lençóis estavam todos no chão. Uma bagunça. Algo acontecera ali. O corpo sumira. E sem corpo, não há crime. Onde o puseram? perguntava acerca daquele a quem tanto ela amava.

Ainda era madrugada, e ela não quis esperar amanhecer. Foi correndo ao sepulcro onde Jesus havia sido enterrado. Sua missão era embalsamá-lo. Mas lá chegando, deparou-se com o que parecia a cena de um crime. A enorme pedra do sepulcro fora removida (João 20:1-9).

Confusa, sem conseguir raciocinar direito, Maria foi correndo avisar a Pedro e João. Sua conclusão era que alguém havia levado os restos mortais de Jesus. Alguma providência deveria ser tomada. Talvez, as autoridades devessem ser notificadas.

Mas nada poderia ser feito sem que antes Pedro e João investigassem por si mesmos a tal cena do crime.

Segunda-feira, Setembro 13, 2010

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O leão, o jumento e os pastores políticos

Este post destoa, a princípio, do pensamento geral das lideranças evangélicas de nosso tempo. Digo a princípio, porque no meu entender há dois tipos de exercício da política: representação e ação política. Para mim a atuação política de um pastor diante de seu rebanho é muito mais valiosa que sua representação solitária em uma casa legislativa. Trocar as funções ministeriais pela representação política é desprezar e pisar no mandamento do Senhor.

Um Pastor com chamada de Deus é semelhante ao profeta novo que apareceu em Betel para anunciar o nascimento de Josias, da Casa de Davi, diante do Rei Jeroboão, profetizando contra o altar. E estendendo o Rei a mão contra o profeta, sua mão secou-se imediatamente. Humilhado, pediu oração ao profeta, e sua mão ficou curada. E disso Rei ao profeta novo: Vem comigo a minha casa e conforta-te. e dar-te-ei um presente.

Porém o profeta disse: Ainda que me desses a metade da sua casa, não iria contigo, nem comeria pão, nem beberia água neste lugar, porque assim me ordenou o Senhor: Não comerás pão, nem beberás água, nem voltareis pelo caminho por onde foste. E o profeta se foi, voltando por outro caminho.

E morava em Betel um profeta velho. E o profeta velho, muito experiente nas palavras, albardou o jumento e foi à procura do varão de Deus. E encontrando-o sentado à sombra de um carvalho, perguntou:

--É tu o homem de Deus que veio de Judá?

--Eu sou.

--Então vem comigo à minha casa e come pão.

-- Não Posso. O Senhor me disse que não.

-- Ah! também sou profeta como tu, e um anjo me falou pela palavra do Senhor dizendo: "Faze-o voltar contigo para tua casa, para que coma pão e beba água." Mentindo.

E sucedeu que depois que comeu pão e bebeu água, o homem de Deus, o profeta novo, foi -se embora montado no jumento. E um leão o encontrou no caminho e o matou. E tanto o jumento quanto o leão estavam junto ao cadáver, quando foi encontrado.

Como contextualiza bem o momento político atual com este trágico acontecimento do passado, que está registrado em no capítulo 13 do primeiro Livro dos Reis. Ele traz um alerta aos homens de Deus que hoje estão assentados à sombra do carvalho. À sombra da ociosidade. Orgulhosos das conquistas que já fizeram à frente do ministério. A sombra do carvalho é muito parecida com o terraço do palácio onde Davi estava, já cheio de tantas vitórias, no dia da tentação.

É à sombra deste carvalho que muitos homens de Deus, pastores, evangelistas e bispos, têm sido tentados de uns 15 anos para cá. Ali naquela penumbra, escondidos do sol, tem se ouvido muitos convites semelhantes, convincentes, baseados em discursos de profetas velhos cheios de argumentos ardilosos... Olha eu também sou pastor, bispo, homem de Deus como você, seu lugar não é no Deserto, você precisa ir para Brasília - para defender o "POVO", a Igreja Evangélica... volta, vem comer o pão e beber a água do Planalto!

De onde está vindo os muitos escândalos, contradições, fisiologismo, de homens que antes andavam calçados com os sapatos do evangelho, e os trocaram pelos "jumentos" do secularismo. Há muitas Igrejas de luto, olhando o que restou dos homens que antes cuidavam do rebanho do Senhor: cadáveres espirituais cercados de leões e jumentos.

A representação política está ao alcance de os todos cidadãos deste país. Mas não para o homem que tem uma chamada real para o santo ministério do Senhor. Se voltar atrás, a alma do Senhor não terá mais prazer nele. É sempre bom lembrar disso.



João Cruzué (Via Olhar Cristão)


Título original: À sombra do Carvalho

Domingo, Setembro 12, 2010

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A revolução da tecnologia touchscreen em 2014

De tempos em tempos, empresas de tecnologia apresentam vídeos conceituais que tentam nos adiantar como será o mundo no futuro. Lousas digitais, carros que dispensam o condutor e TVs de alta qualidade, finas e dobráveis são algumas das apostas dos futurólogos. Entre tantas promessas, uma parece onipresente: as telas sensíveis ao toque.

Os suecos do Astonishing Tribe, uma empresa especializada em design e interfaces digitais, produziram um vídeo que pretende revelar como se dará a adaptação do ser humano à invasão da tecnologia touchscreen -- que já está em marcha, diga-se. Para eles, as telas sensíveis ao toque serão totalmente maleáveis e terão um impressionante poder de conexão e compartilhamento de conteúdo.

Confira as imagens a seguir:



Fonte: Veja

Sábado, Setembro 11, 2010

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PASTOR BOMBA: Queimar ou não o Alcorão, eis a questão!

Hoje faz 9 anos que a nação americana  foi ultrajada no maior atentado terrorista de sua história. Milhares de pessoas tiveram suas vidas ceifadas na queda das torres gêmeas em NY, e nos outros dois atentados subsequentes. Tive o prazer de subir em uma das torres em 1991, e o desprazer de ver o enorme buraco que restou dela quando voltei a Manhattan em 2006.

Não se enganem. A ferida aberta no orgulho americano ainda sangra.

Recentemente foi anunciada a construção de uma mesquita vizinha ao lugar dos atentados. Houve manifestações de descontentamento em todo o País. Sem dar ouvidos à opinião pública, tanto o prefeito de Nova York, que é judeu, quanto o presidente dos EUA, apoiaram a ideia da construção do lugar de adoração para os muçulmanos. O que muitos desconhecem é que na cultura islâmica, sempre que se obtem uma vitória militar, constrói-se uma mesquita em comemoração, equivalendo ao hábito que os romanos tinham de edificar um arco do triunfo para comemorar seus êxitos militares. Ainda que não seja esta a intenção, há que se considerar a repercussão negativa que este empreendimento geraria.

Sexta-feira, Setembro 10, 2010

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Narcisismo pra lá de metro... Pastores Metrossexuais

"Narcisismo descreve a característica de personalidade de paixão por si mesmo. A palavra é derivada da Mitologia Grega. Narciso era um jovem e belo rapaz que rejeitou a ninfa Eco, que desesperadamente o desejava. Como punição, foi amaldiçoado de forma a apaixonar-se incontrolavelmente por sua própria imagem refletida na água. Incapaz de levar a termos sua paixão, Narciso suicidou-se por afogamento." (Fonte: wikipédia)

Qualquer correspondência com fatos da vida real, principalmente os que envolvem em especial pastores, pregadores e ensinadores evangélicos da atualidade, não é mera coincidência.

Há muitos nos "palcos da fé", se afogando em caprichos, excessos de vaidade, paixão e culto a si mesmos. É o Ministério Evangélico Narcisista em plena atividade, e com tanta força, ao ponto de influenciar a criação de outro ministério cristão evangélico, o Ministério Evangélico Metrosexual.

O ministro metrosexual é aquele que valoriza excessivamente a aparência, não se preocupando com o que os outros pensam ou falam ao seu respeito. Gasta muito tempo e dinheiro em clínicas de beleza, fazendo a unha, tratando da pele, dando um "grau" na sobrancelha, cuidando do cabelo (com direito a tintura, chapinha e tudo mais).

O ministro "metro", não dispensa de forma alguma, quando necessário, uma boa lipoaspiração, nem uma cirurgia estética corretora.

É um assíduo frequentador de academias e investe pesado em cremes, perfumes e shampoos. Na hora de se arrumar (principalmente para pregar) não dispensa uma boa maquiagem, um brilho nos lábios, um lápis nos olhos, aquele toque nos cílios, e uma bela lente de contato.

Seu vestuário é um verdadeiro show. Tons vivos, vibrantes, berrantes, "chegueis" e cintilantes, são a sua marca registrada.

Os sapatos são bicolores, tricolores e multicores. Quanto mais brilhosos, melhor (ops, tenho um preto verniz!).

Recebi a informação, de que o Ministério Evangélico Narcisista (MEN) e o Ministério Evangélico Metrosexual (MEM) estão credenciando novos obreiros e ministros. Trata-se de entidades evangélicas interdenominacionais, sem nenhuma dificuldade em receber ministros das várias confissões e tendências teológicas (tradicionais, históricos, reformados, pentecostais, neopentecostais, ultrapentecostais, etc.)

Calma, não estou julgando ninguém pela aparência, mas apenas relatando os fatos.





Pr. Altair Germano 

Terça-feira, Setembro 07, 2010

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Bispo Macedo escapa da morte





Segunda-feira, Setembro 06, 2010

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Beatles: Depois de muita procura, Ringo Starr afirma ter encontrado Deus

Ringo Starr, dos BEATLES, finalmente encontrou uma religião, enquanto se prepara para completar 70 anos - ele tem procurado por Deus desde os anos sessenta.

O baterista celebrou o seu aniversário em julho (07), e está certo de que depois de anos de excessos no Fab Four, ele finalmente encontrou o caminho da luz.

Ele diz, "Eu sinto que quanto mais velho eu fico, mais eu aprendo a lidar com a vida. Estou nessa procura há muito tempo, ela é na verdade sobre descobrir a si mesmo".

"Para mim, Deus está na minha vida. Eu não escondo isso. Eu acho que a busca começou nos anos sessenta. Eu me perdi do caminho por muitos anos e consegui voltar, graças a Deus."

A nova fé de STARR chega após 40 anos de quando o colega de banda JOHN LENNON disse que os BEATLES eram "mais populares que Jesus" - causando tumulto nos países cristãos por todo o mundo.

Fonte desta matéria (em inglês): Contact Music (Via Whiplash)

Aguardemos mais detalhes sobre esta conversão anunciada. Como fã dos Beatles, confesso que ficaria muito contente em saber que pelo menos um deles abraçou o Evangelho de Jesus.

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Por Amor à Justiça - III

Há um conceito, presente na teologia cristã, que nos leva a alternativas de reconciliação entre poder sem amor e amor sem poder. É o conceito de justiça.

A recusa em reconhecer as reivindicações da justiça como universais e invioláveis, cobrou um alto preço, no correr da história, à política e à teologia em termos da própria integridade da igreja. Por exemplo, a teologia de Albrecht Ritschl sofreu deste erro. Ritschl contrapôs poder sem amor e amor sem poder. Fazendo assim, criou um sistema teológico que contrastou o Deus de poder do Antigo Testamento ao Deus de amor do Novo Testamento. No processo abandonou o conceito do julgamento de Deus e retribuição aos pecadores, adotou uma visão universalista de salvação e passou a ver na igreja um amor moral que nada de substantivo apresenta.

Sábado, Setembro 04, 2010

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A superficialidade de Piragine (Nossa Santa Alienação Evangélica)

Esta semana um vídeo “bombou” na internet. O recebi de vários amigos, várias lists, comunidades no Orkut, twitter... por isso quero comentá-lo. É um vídeo onde o pastor da Primeira Igreja Batista de Curitiba, Paschoal Piragine Jr, recomenda de forma enfática que os cristãos não votem em quaisquer candidatos do PT. Faço minha crítica ao vídeo.

E a faço isto com muita tranqüilidade, por três motivos: primeiro por gostar de ouvir o Pr. Piragine, logo não se trata de criticar alguém por quem já nutro uma antipatia, o que tornaria a coisa muito mais fácil; segundo, porque apesar de por muitos anos ter militado pelo PT (mesmo sem nunca ter me filiado), hoje nem sequer voto em Dilma, ou no governador (aqui no Rio do PMDB, mas apoiado pela legenda) Sérgio Cabral. Logo, também não é um contraponto de um “petista melindrado” com as falas do pastor; e terceiro e último: sou batista, assim como o Pr. Piragine.

Em primeiro lugar gostaria de dizer que há algo de bom nisso: a igreja acordar pra sua participação política, não como massa de manobra, mas como força de conscientização. O problema é quando essa conscientização é feita em forma de “mensagem” e não em forma de “debate”. Um pastor falando do púlpito, sem que haja um espaço democrático de discussão do que foi dito, pode parecer manipulação, e não conscientização.

Mas achei superficial! Além de apelativo!

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Amor, Poder e Justiça - II

Com a queda do governo militar brasileiro ressurgiu entre os evangélicos brasileiros a discussão sobre a responsabilidade política da comunidade cristã. Foi e é importante para o cristianismo brasileiro que tal discussão se faça, mas ainda faltam aos pronunciamentos evangélicos consciência e maturidade da responsabilidade política que devem ter. A comunidade evangélica ainda tem que ultrapassar a espiritualidade privatizada em direção ao compromisso social efetivo e prático.

Paul Tillich em seu trabalho Amor, Poder e Justiça [1] pode nos ajudar a entender o caminho a percorrer na construção desse diálogo da espiritualidade com a política. Para ele, toda e qualquer política tem sempre uma mesma essência, que é o uso do poder. [2]

“L’être, c’est le pouvoir de l’être. Mais même dans son emploi métaphorique, le pouvoir suppose um objet sur lequel il peut exercer et démontrer son pouvoir”. [3]

Por isso, o poder determina os caminhos da sociedade. E que será chamado de poder político porque recorre à autoridade social instituída e possibilita ao Estado exercer coerção em nome do direito dos cidadãos.

Sexta-feira, Setembro 03, 2010

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Política e espiritualidade: a justiça enquanto mediação do amor e do poder

Em 1977, morei a metade do ano em Lisboa. Era o terceiro ano da revolução dos cravos e o país vivia o caos. Em meio daquela confusão de partidos e propostas políticas, o humor e a criatividade dos anarquistas portugueses era um caso à parte. E entre as histórias que divulgavam, havia uma que pode servir de introdução ao tema de nossa conferência. Contavam eles que certa vez uma criança perguntou ao pai:

Papai, o que é a política?
Ao que o pai respondeu:

Eu trago o dinheiro para casa, por isso sou o capitalismo. A tua mãe controla o dinheiro, portanto é o governo. O vovô quer que tudo funcione a contento, por isso é o sindicato. Nossa empregada é a classe operária. E como estamos preocupados com você, para que esteja bem, você é o povo. E o teu irmãozinho é o futuro. Entendeu?

Quinta-feira, Setembro 02, 2010

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Por um fio… A aventura para tirar minha habilitação nos EUA

drive license Ontem tive um dia atípico. Saí cedo de casa para tirar minha driver license (carteira de motorista). Já estou aqui há quase um ano e meio, e só agora pude cuidar disso. O que me preocupou foi assistir a uma palestra dirigida por advogados especializados em Imigração para os pastores brasileiros aqui da Flórida. Quando os ouvi dizer que se alguém fosse pego dirigindo sem habilitação poderia ser deportado, saí dali determinado a não deixar passar mais nem uma semana sem resolver o problema. Não foi displicência minha. Eu já havia tentado tirar minha habilitação antes, mas me negaram porque meu processo de mudança de status em meu visto ainda não havia terminado. Evitando cometer qualquer deslize, continuei a dirigir apenas com minha carteira do Brasil. As regras aqui sempre mudam. Da outra vez que morei na Flórida, soube que podia dirigir com a habilitação do Brasil por seis meses. Agora soube que o tempo regular é de trinta dias. E o pior é que desde que aqui cheguei em Abril do ano passado, já fui parado duas vezes pela polícia. Na primeira vez, estava numa estrada federal, viajando com minha família e chovia muito. Fui parado porque as lâmpadas que deviam iluminar minha placa estavam queimadas. Talvez tenham se queimado por causa da chuva. Como eu estava recente aqui, não tive problema com a habilitação. O policial foi até compreensivo e me liberou sem multa. Já na segunda vez que fui abordado, estava estacionando no banco, e um policial de moto parou ao meu lado e pediu minha habilitação. Muito educado, me disse que eu havia feito retorno em um lugar proibido. Aquela rua estava em obras, e não observei isso. Foi ele que me disse que eu não poderia estar dirigindo sem a habilitação do estado da Flórida depois de trinta dias que estivesse aqui. Vendo minha situação e desinformação, também quebrou meu galho e me liberou, sem nem ao menos me multar. Em pensar que ele poderia ter me deportado…