Terça-feira, Agosto 31, 2010

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Onde Edir Macedo está com a cabeça?







Assista a este pronunciamento de Edir Macedo e responda: Merece ou não uma resposta à altura?

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ÉDUCASSÃO....é co nóis, memo.

A Evolução da Educação:

Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.

Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder).
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

É triste! Muito triste...

Enquanto isso, o governo federal instala máquinas de camisinhas nas escolas públicas, para que cada aluno tenha direito a pelo menos vinte preservativos por mês.

Segunda-feira, Agosto 30, 2010

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Com o futuro não se brinca! Vote com seriedade

Mais uma eleição se avizinha e duas opiniões antagônicas e radicais têm sido adotadas por muitos cristãos. Dois extremos que precisam ser evitados para que a igreja não caia no fosso entre a alienação e o comprometimento.

De um lado estão os que se envolvem no processo, apoiando candidatos indicados pela liderança da igreja. Qualquer que ouse questionar é reputado por rebelde.

Do outro lado estão os que defendem o distanciamento da igreja do processo político eleitoral.

Há que se buscar o ponto de equilíbrio. A igreja, enquanto instituição, deve manter-se isenta, permitindo que seus membros exerçam cabalmente sua cidadania. Porém isso não lhe tira a responsabilidade de orientá-los quanto ao uso consciente do direito de votar.

Não confundamos isenção com alienação, nem engajamento com comprometimento.

Uma igreja pode engajar-se no processo de conscientização, desempenhando o papel de agente politizador. Mas jamais deve comprometer-se com qualquer que seja a ideologia, partido ou candidatura, sob pena do prejuízo de seu papel profético.

Cada membro deve ser estimulado a pensar por si mesmo, e fazer suas próprias escolhas. Portanto, a função da igreja é pedagógica, não ideológica.

A despeito disso, um número cada vez mais expressivo de cristãos tem se engajado em campanhas políticas. Uns até movidos por ideais (ainda que ingenuamente), outros por interesses pessoais.

Aproveitando-se disso, candidatos ávidos pelos votos dos fiéis assediam sistematicamente as igrejas durante a época de eleições.

O que para alguns líderes pode ser traduzido como provisão de Deus em tempo de crise, para outros menos ingênuos, tal assédio revela o caráter oportunista e desonesto de nossa classe política, e por isso, deve ser rechaçado.

Para fazer a ponte entre pastores e políticos surge a figura do pulpiteiro, geralmente alguém pertencente ao meio evangélico ou egresso dele, e que domina o evangeliquês. Num País de 46 milhões de evangélicos, o pulpiteiro pode pesar mais para uma candidatura do que o marketeiro profissional.

Mesmo alguns líderes tidos como referência ética no meio, acabam cedendo ao assédio do pulpiteiro. A lógica é simples: se a maioria se beneficia disso, por que ficar de fora? Que mal haveria em aceitar uma oferta generosa para apoiar publicamente um candidato?

Ademais, parece mais simples (e conveniente) apontar um candidato, do que ensinar o povo a votar com consciência.

Não é debalde que durante esta época muitas igrejas concluem suas obras, adquirem equipamento novo de som, ou aquela tão sonhada propriedade para a construção do novo templo. É também nesta época que muitos líderes eclesiásticos desfilam de carro novo, ou anunciam à igreja que depois de tanto tempo de trabalho ininterruptos, finalmente sairá em férias com a família logo após os festejos de fim de ano.
O que está em jogo, afinal?

Não é apenas a postura ética que escorre pelo ralo da conveniência. Um candidato capaz de oferecer propina (este é o nome correto) em troca de votos, do que será capaz depois de eleito?

E mais: de onde ele consegue tanto dinheiro para bancar esta compra de votos no atacado? Que grupos estariam por trás de sua candidatura? Que interesses têm?

Portanto, líderes que se rendem (ou se vendem) às propostas destes políticos estão cometendo traição. Traem seu povo, sua consciência, seus votos ministeriais, e o pior, seu Deus.

Deveriam ler atentamente a advertência proferida pelos lábios do profeta Isaías:

“Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas”. Isaías 1:23

Está na hora de darmos um basta nesta famigerada prática. Púlpito não é palanque, e igreja não é curral eleitoral, mas aprisco das ovelhas de Cristo.

Pastores, preparem-se para prestar contas ao dono da Igreja. Deus não os terá por inocentes. Portanto, “apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade, não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa de glória” (1 Pe. 5:2-4).

Embora reconheçamos a postura antiética e vexatória de muitos líderes no que tange à política, não podemos nos afastar do processo político, mas nos engajar no afã de produzir entre as ovelhas de Cristo uma consciência política sadia e honrosa.

Cidadania celestial e cidadania terrena não são necessariamente excludentes. Como cristãos comprometidos com o futuro da humanidade, precisamos encarnar os valores e princípios do reino de Deus e expressá-los através de nossa conduta no processo político/eleitoral.

Movido exclusivamente por este interesse, resolvemos assumir a responsabilidade pela produção de uma pequena cartilha para os cristãos. Chamamo-la de Cartilha Reinista pelo Voto Consciente, pois não está vinculado a qualquer denominação, e sim aos ideais do Reino de Deus e a sua justiça.

Hermes C. Fernandes no Genizah

Click aqui para conhecer a cartilha

Domingo, Agosto 29, 2010

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Como se conjuga o verbo "ser igreja"

O verbo "Ser Igreja". Talvez não seja fácil conjugá-lo nem também explicá-lo, por ir além das imponentes catedrais ou das simples residências, onde a igreja costuma historicamente se reunir; por extrapolar os formatos litúrgicos, quer mais ou menos solenes, a que a igreja costuma frequentemente se deter; por não se limitar a apenas um momento ou a um dia sagrado, como a igreja costuma tradicionalmente guardar; por independer das estruturas organizacionais e hierárquicas a que a igreja costuma fortemente se adequar; por não resumir a audição a apenas um elemento humano falando em nome de Deus, como a igreja costuma atentamente ouvir; por não está necessariamente ligado a um nome ou denominação, como a igreja costuma alegremente se apresentar; e até por se espelhar no simples exemplo de vida de Jesus mais do que nos regimentos institucionais internos ou nos conceitos teológicos humanos, nos quais, a igreja, ao longo do tempo, resolveu fortemente se embasar.

É como se tivéssemos que, de repente, passar a conjugar um verbo cujo sentido aceitamos, com as melhores intenções buscamos praticar, mas que pelo simples fato de termos nascido num contexto que o verbaliza de forma inconscientemente inadequada, desgastada pelo tempo e corrompida pelas idéias, não conseguimos, tornando-se assim difícil de entender.

Como, então, viver sem dia e local específicos para se cultuar? Ou sem uma ordem litúrgica para se ocupar? Ou ainda sem estrutura para se organizar, ou hierarquia para se empoderar? Onde estariam os especialistas para dar orientação? Ou, os guias para conduzir a celebração? A quem prestar contas? Quem seria a tão falada cobertura espiritual? E que tal a expressão "guarda-chuvas"? É como se tivéssemos nascido numa caixa, da qual viver fora parece ser não só inadequado ou talvez inaceitável, mas simplesmente impossível e abominável ao Pai.

De fato, conjugar o verbo ‘Ser igreja’ é algo muito mais simples do que aquilo que temos aprendido com as nossas elucubrações religiosas milenares. Mesmo sendo difícil conseguir ‘sair da caixa’ e, em seguida, viver fora dela, para aqueles que o conseguem, um imenso oceano se abre à frente como se antes vivessem na medida de um pequeno aquário. O culto passa a acontecer todo dia e em todo lugar, das mais cotidianas das situações às reuniões mais solenes. O senso de pertencimento passa a extrapolar os listões de membresia e os guetos das igrejas chamadas locais, enxergando-se melhor o reino de Deus.

O evangelismo deixa de ser um plano de conquista de novos adeptos para tornar-se um testemunho de vida diário, com atitudes e, se necessário, com palavras, objetivando tão somente transmitir o crucial plano de amor do Pai para a vida do filho perdido.

A ação social deixa de ser um desencargo de consciência através de uma transferência financeira para uma ONG ou instituição religiosa, para tornar-se responsabilidade pessoal com os menos favorecidos que estão mais próximos. O discipulado passa a ser um ensino no caminho muito mais do que sobre o caminho, prazeroso privilégio voltado primeiramente aos nossos próprios filhos no convívio do lar. As relações líderes/liderados passam a ter base muito mais numa autoridade de vida cheia do Espírito, que gera serviço, do que em cargos eclesiásticos outorgados por instituições, que produzem controle e manipulação. Os métodos, sistemas e modelos estruturais ou organizacionais perdem a sua razão de ser, passando a valer muito mais o sentido de organismo, pelo simples fato de estarmos juntos, em encontros mais amigáveis e familiares do que solenes, e que acontecem nos mais diversos lugares, como residências, empresas, escolas, condomínios, hospitais, velórios, restaurantes, lanchonetes, praças de alimentação, quando espontaneamente os dons se manifestam e todos cuidam uns dos outros, orando, aconselhando, confessando, perdoando, socorrendo, amando, hospedando, encorajando, liderando, ensinando, exortando, profetizando, ofertando, e muito mais, num processo de edificação mútua tão bem relatada no novo testamento, mas nem sempre enxergada por nós, face à cegueira causada pela nossa indesejada e real religiosidade.

A forma de conjugação do verbo está escrita, embora tenhamos imensa dificuldade em lê-la. Talvez porque exija, em alguns momentos, a possível inexistência de, por exemplo, um período de louvor. O que seria, então, dos dirigentes? Ou da pregação. O que seria dos pastores? Ou do estudo bíblico? O que seria dos mestres da Palavra? Ou do ofertório? O que seria do movimento financeiro? E por que também não perguntar: o que seria de nós, se dependemos muitas vezes de cada um desses elementos? Conseguindo conjugar o tal verbo, certamente cada um dos ministros de louvor ou da Palavra, ou nós mesmos, seríamos simplesmente, igreja.

Habitando entre nós, Jesus provou saber muito bem conjugar este verbo. Mesmo antes dos acontecimentos relatados no livro de Atos, Ele costumava estar sempre à mesa com irmãos para desfrutar de ceias fartas de alimento, comunhão e amizade, sempre regadas a um bom vinho, elemento que ele aproveitou do cotidiano judeu, para utilizar como símbolo, juntamente com o pão, a fim de que, até a Sua volta, recordássemos e anunciássemos o Seu sacrifício na cruz "todas as vezes" que nos reuníssemos. Naquela mesma ocasião, com os doze primeiros discípulos dessa eterna comunidade, ele nos deixava o exemplo.

No dia em que um reconhecido pastor, ao tentar me elogiar, afirmou que eu sabia "fazer igreja" muito bem, a minha boca calou e o meu coração se incomodou diante do seu grande equívoco. Não deixava de lembrar que certamente essa é uma tarefa do Espírito, não minha. Com o tempo, tal inquietação teve resposta no meu coração descobrindo que, primeiro, existe uma caixa; segundo, que é possível sair dela, apesar de um forte preço; e, terceiro, que como a ideia por si só traduz, é maravilhosamente libertador. Aprendi a não querer inconscientemente ser o Espírito Santo, na tentativa de ‘fazer igreja’, mas a buscar a Sua ajuda para conseguir conjugar o verbo ‘Ser Igreja’.

Augusto Guedes

Sábado, Agosto 28, 2010

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Fé evangélica: um cadáver e uma autópsia

Ingmar Bergman deixou filmes inesquecíveis. Em “O Sétimo Selo” ficou a afirmação instigante: “A fé é uma aflição dolorosa... é como amar uma pessoa que está no escuro e não sai quando a chamamos”. No espírito, a intangível e incurável angústia da fé, um cético e incrédulo que crê apenas no vazio e por isso mesmo não sofre, não se aflige, diria outro. A fé ensina a não nos darmos por satisfeitos com os sucessos materiais e nem com satisfações imediatas. Igrejas cheias – mas de gente sem fé, sem esperança, que entra pela porta da frente em multidões e em ondas sai pela porta dos fundos – denunciam as desconfianças sobre um cristianismo sem essência, falsificado na religião com propósito, prosperidade, sucesso numérico (de olho no dinheiro dos fiéis). Afirmam um cristianismo copiado da experiência inicial da igreja mediterrânica contaminada pela prestidigitação, curandeirismo, magia e superstição; por assombrações, almas penadas, espíritos imundos, orações esotéricas e carismas reluzentes, mas sem amor (“ágape”), combatidos pelos apóstolos de Cristo (1Co 12,13,14). Nele não há lugar para Paulo ou Lutero, pregadores da fé incondicional e da graça.

Muitos se servem da fé condicionada, pragmática, como anestésico, droga comercializada, e entregam-se à alienação (“allienus”: ficar fora de si, não exercer o papel de pessoa consciente). Para alguns, a fé não é assim, quando se pedem soluções definitivas para atacar estruturalmente a onda de violência, de corrupção, de injustiça social que grassa no país e no mundo. Trilhamos para um futuro com rastros de sangue e vidas inocentes ceifadas pelo despreparo e pelo descaso ou inconsciência.

O cristianismo simbólico, carismático, dispensa a fé incondicional, desconhecendo a esperança ética de transformações. Para muitos evangélicos, preocupados com a prosperidade e solução para tudo, vale o dito: "Entre Deus e o dinheiro, o segundo é o primeiro" (LeonardoBoff). Não é inclusiva, a fé neoevangélica. Não considera a luta da mulher por direitos iguais; despreza as minorias sexuais oprimidas e as alija da vida de fé; esquece as crianças sob forte risco social, que morrem como moscas nas periferias das metrópoles e são condenadas à marginalização perpétua. Crianças de hoje também levam armas de fogo para as salas de aula.

Esta sociedade (somos 15% evangélicos, 75% católicos, 10% outros credos, segundo o IBGE/2000) ignora as consequências da pobreza e miséria enquanto paga o preço, aliviando-se por meio do consumismo compulsivo. Drogaditos, alcoolistas, no mesmo plano de abandono e desespero, marcam a realidade presente. Jovens evangélicos ou carismáticos servem à alienação nos louvores gospel, na pele tremida pela oração esotérica. Enquanto isso, ocupam altares em busca de espaço e sucesso, olhos estrábicos à violência absurda que não se quer combater. Na fuga religiosa, o púlpito e a mesa da comunhão, alimentadores da fé, são substituídos por palcos, ofertórios compulsórios, promessas jamais cumpridas. Deus é bajulado com louvação insincera; não há lugar para a oração íntima, indignação, denúncia no novo culto pentecostalizado. Todos querem ser ricos e bem-sucedidos sob o favor da grana idolatrada: ter e aparecer! Almejam a prosperidade pessoal e nada mais. Pregadores anunciam igrejas e crentes ricos como sinais da bem-aventurança eterna.

O mundo das desigualdades sociais e regionais em nosso país está aí. A concentração do poder, do saber, da renda e da propriedade, das drogas, da violência, da fome, da cegueira espiritual e das falsas propostas religiosas estão aí e não se vê. “Em tudo isso, é curioso notar que a fé sem ética está morta (cf. Tiago). E uma vez morta, só nos resta fazer sua autópsia e torcer pelo seu breve sepultamento, para então renascer líderes que com integridade cumpram sua missão amando a Deus e a este povo sofrido!”, como disse o pastor Eduardo Pedreira.

A fé bíblica implica em fidelidade (“emunah”, “pistis”, acompanham o sentido: “o justo viverá pela fé”, Hb 2.4, Rm 1.17, Gl 3.11; não se pode traduzir como sentimento de favorecimento subjetivo e íntimo). A fé incondicional constitui o essencial da atitude de Cristo diante da cruz, no sofrimento ético contra o desespero e a angústia diante das injustiças. Cristo reconhece-se como parte do povo bíblico e seu sofrimento quando entregou-se à fé (“emunah”) na esperança do cumprimento das promessas de realização do desígnio divino contra o domínio da morte. Um mundo novo é possível. O reino chega através dos sofrimentos, da indignação, da recusa ética da injustiça. Jesus teve que amargar o fracasso total de seu empreendimento, na morte, para juntar seu povo na missão de Deus na luta pela salvação e libertação da humanidade em todos os tempos. Jesus teve fé no que anunciava!

Derval Dasilio  (Via Emeurgência)

Quinta-feira, Agosto 26, 2010

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O pão seco de uma religiosidade egoísta

Quando Jesus multiplicou o pão e alimentou uma multidão, ele olhava para além da fome física. Havia uma fome naquela multidão que só seria saciada com um outro tipo de pão. É uma fome que todos nós temos, mas não é apenas do pão que perece, não é apenas de comida, nem uma sede só de bebida. É mais. É como aquela saudade de tudo o que ainda não vi, como cantou Renato Russo. É como uma ânsia pelo transcendente que não se explica, apenas se sente. É como aquele sentimento tão bem poetizado por Agostinho, o Santo: “Fizeste-nos para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti”.

A questão é: as pessoas querem realmente o pão que sacia essa fome? Ou será que buscam soluções que não passam de um arremedo formado por uma religiosidade medieval? Será que em vez de buscarem o Pão da Vida, querem mesmo é um naco de um pãozinho seco que é oferecido facilmente, mas que não alimenta a alma nem dá sentido a vida, apenas mata a fome por um instante e depois se quer mais.

Em outras palavras, será que as pessoas querem mesmo Jesus e sua mensagem, ou querem um deus que resolva seus problemas e as ajude a se darem bem sem muito esforço?

A parte mais visível, mais midiática, da igreja brasileira conseguiu vender um cristianismo medieval pré-reforma. Naquela época as pessoas pagavam para terem um lugar no céu, para conseguirem o favor divino, acreditavam em relíquias, etc. Pois hoje há uma multidão que lota auditórios disposta a pagar para conseguir um emprego sem muita dificuldade, para passar no concurso sem muito estudo, para ter uma doença curada sem nenhum tratamento. Estão dispostos a pagar o que for necessário para serem considerados filhos preferidos de Deus.

Não querem saber do Deus de amor, mas querem muito saber do deus de milagres, ainda que se tenha que pagar por eles. Mercantilizaram a fé. O produto maior desse comércio diabólico é deus. Não Deus, o Deus de Jesus, o Deus dos Evangelhos, mas um deus, um deusinho caprichoso, que aceita suborno para abençoar seus filhos. O Deus de Jesus não aceita suborno!

Deus não tem filhos preferidos. Deus nos ama a todos igualmente, com a mesma intensidade, com o mesmo amor. Porque vou exigir que Ele dê mais atenção para mim, então? Oração não é convencer a Deus do que é o melhor a fazer. Oração é derramar-se diante de Deus, para ser transformado por Ele, e não para transformá-lo. Oração é uma conversa entre um filho e um Pai, de maneira desinteressada, em que o filho se contenta em simplesmente ter a presença discreta do Pai.

A proposta de vida que Jesus traz não é a de uma religiosidade mágica que livrará as pessoas das agruras a todos impostas. Ele reprova aqueles que o seguem por causa do pão. Fica insatisfeito com isso. Seu discurso é que se alimentem do Pão da Vida que desceu do céu. Que tenham comunhão com ele e com sua mensagem, que tenham o seu caráter, o caráter de Cristo. Isso seria se alimentar do Pão da Vida.

Infelizmente é grande a multidão que, em vez do Pão da Vida, prefere o pão seco de uma religiosidade egoísta, que de cristã só tem o nome.

Marcio Rosa

Terça-feira, Agosto 24, 2010

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Um atestado de idiotice!

Segunda-feira, Agosto 23, 2010

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Como é possível uma amizade duradoura entre seres tão diferentes?



Prepara-se para se emocionar.

Domingo, Agosto 22, 2010

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E eu que só queria uma Bíblia...

Na semana passada minha sobrinha fez aniversário. Pensei em lhe dar uma Bíblia de presente e entrei numa dessas “quitandas” evangélicas (vendem de tudo, meu Deus!). Há tempos eu já percebo que “Bíblia” virou um bom negócio. Mais do que as já tradicionais bíblias de estudo, como a Shedd, a Pentecostal, a Scofield, a de Genebra… agora parece que o foco é mais o “nicho de mercado”. Há bíblias para todo tipo de gente e “tribos”.

Acabei não comprando a bíblia… mas o espanto com tantos títulos e “opções” me levou a certas inquietações, conclusões e risadas. Vejamos apenas algumas dessas bíblias:

Bíblia com Orientações de Saúde Física, Emocional e Espiritual

O que é isso? Será que vem com guia de malhação, receitas diet e light, do tipo “tenha sua barriguinha tanquinho em 15 dias”? Ou com o catálogo de psicólogos de algum plano de saúde?

Mais interessante é saber que é “comentada” por Silas Malafaia e sua esposa…

A Bíblia do Pregador

Se você não prega, esqueça! Essa bíblia não serve pra você!

Mas se você é um desses pastores que não tempo de realmente estudar a Palavra e quiser uma bíblia com quase 2.000 esboços prontinhos… achou! Acabaram seus problemas. Chega daquela canseira de preparar mensagem toda semana… Se você prega, em média, 3 mensagens por semana (que é geralmente o que um pastor de igreja local prega) você terá nada mais nada menos que 666 (opa!!!) semanas sem se preocupar… Besta é quem não aproveita essa “vantagem”!

A Bíblia de Estudo em Cores

Cuidado se for daltônico…

Bíblia de Estudo Profético

É a Bíblia do “Deixados para Trás”, assinada por Tim LaHaye, o “profeta” preferido da turma dispensacionalista. Você descobrirá o sentido “profético” por trás de cada palavrinha do texto sagrado, até mesmo aqueles que não tinham a mínima idéia que seriam interpretados assim…

Deveria vir com o aviso: “Em caso de arrebatamento, esta Bíblia ficará sem dono.”

Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira

Para todos aqueles que se interessam por geopolítica infernal, auto-ajuda evangélica, conselhos sábios do genial vended… ops, profeta Morris Cerullo e do televisivo Silas Malafaia.

Segundo a publicidade da própria editora: “A Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira foi projetada para levá-lo a uma nova posição de poder e vitória em todas as áreas da sua vida, embora o foco esteja em duas áreas: a batalha espiritual e a vitória financeira.”

Sem comentários…

Quanto à vitória financeira… pergunte aos editores… eles venceram bastante!!!

Bíblia da Mulher

Que legal! Afinal de contas nada mais justo que uma bíblia da mulher pra tirar o ranço de livro machista.

E também não devemos deixar de pensar que as mulheres são maioria em nossas igrejas… belo mercado!

A bíblia ideal para substituir as “infernais novelas”. Pare de ver TV e vá ler a Bíblia, deveria ser o slogan desta bíblia.

Bíblia da Mulher que Ora

É porque essa aí de cima só lê a bíblia, mas esquece de orar… deve ser isso, né?

Sem comentários…

Bíblia da Mulher Vitoriosa

Assinada por Elizete Malafaia (mulher do já vitorioso – pelo menos financeiramente – Silas Malafaia)

Esqueça as duas bíblias aí de cima…

Não basta ler a bíblia e orar… tem que ser vitoriosa… e isso só com os produtos da Central Gospel.

Bíblia do Homem

Aleluia!

A gente estava perdendo de 3 x 0

Tá começando a virada… 3 x 1

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal

O que mais me chamou a atenção nesta bíblia é a propaganda:

“Ao ler a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal você vai descobrir com muito mais profundidade verdades eternas contidas nos textos bíblicos, enxergar a relevância delas para sua vida e, principalmente, poder aplicá-las à sua própria vida, permitindo assim, uma maior comunhão com o Criador.”

Ou seja… esta é A bíblia… as outras não servem tanto… deve ser isso, né?

Bíblia A Rocha

Confesso que apesar de todas as outras esquisitices aí de cima… nenhuma me chocou mais que essa, por sua propaganda simplesmente absurda:

Bíblia A Rocha: A Bíblia que Conduz às Escolhas Corretas

Como assim???

Ah! Entendi… é que as outras só nos levam às escolhas erradas…

E pensar que eu só queria uma simples Bíblia…



Texto de José Barbosa Junior (Via Crer é também pensar)




Comentário de Hermes Fernandes: A Bíblia? Sem comentários... rs

Sábado, Agosto 21, 2010

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Como explicar a genialidade deste homem?



Rick Renstrom - Foi considerado um dos mais rápidos e virtuosos guitarristas do mundo.

Atualmente faz parte da banda de metal cristão ROB ROCK.

Repare em sua mãos. Ele nasceu com deficiência, mas isso não foi obstáculo para seu talento. Uma verdadeira lição pra que só sabe reclamar da vida.

Fonte: Blog da Rádio Alternativa FM

Sexta-feira, Agosto 20, 2010

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Para que serve o púlpito dos cristãos?

Primeiramente precisamos definir o que é púlpito. Praticamente todas as igrejas protestantes utilizam esse móvel chamado púlpito para que os preletores pastores preguem. Ele encontra-se no centro da plataforma, geralmente elevada, dando assim uma conotação de autoridade e centralidade.

O púlpito surgiu nos templos pagãos, sendo oficializado na Idade Média pela Igreja Católica como, de fato, o local propício para a pregação.

Na Reforma Protestante o altar foi praticamente removido, deixando toda a atenção dedicada ao púlpito, reforçando ainda mais a centralidade da pregação. Portanto, isso tudo quer dizer que nem Jesus, nem os apóstolos, muito menos os pais da Igreja pregaram em púlpitos.

A palavra púlpito vem do latim pulpitum, traduzindo, palco.

Então, para que fique claro, o púlpito em si não tem importância nenhuma no que diz respeito a pregação do Evangelho, mesmo porque a Nova Aliança não é mais focada em templos, altares, púlpitos ou plataformas, mas na ação do Espírito Santo nos crentes em Cristo Jesus.

Portanto, o púlpito ao qual me refiro não é aquele de madeira utilizado nos templos, mas qualquer oportunidade em que compartilhamos das Boas Novas.

Sendo assim, comecemos pelo mais fácil: Para que o púlpito não serve.

Para jogadas de poder, principalmente político: De fato, nenhuma barganha, nenhum privilégio e nenhuma bandeira, por mais pura que seja, justifica a abertura do púlpito a politicagem. A igreja precisa de uma vez por todas posicionar-se contra qualquer manobra política que a envolva. Mas obviamente que um cristão maduro nutrirá uma consciência política com relação à escolha de seus governantes.

Para seminários de auto-ajuda ou palestras motivacionais: Os pastores de hoje em dia, mesmo que sem intenção acabam caindo nos discursos de auto-ajuda. Sete passos, doze chaves, cinco pedras. Isso tudo é filosofia barata, que não serve para o amadurecimento de um crente, apenas mais muletas e sonhos ilusórios. Preguem a ajuda que vem do alto!

Para barganhas financeiras: Assunto já muito batido por vários escritores e blogueiros, mas sempre válido. Precisamos acabar de uma vez por todas com as pregações que ensinam o crente a barganhar com Deus, entregar o dízimo ou dar oferta não é moeda de troca com o Todo-Poderoso, que nunca mendigaria moeda nenhuma, e quando precisou tirou dinheiro da boca de um peixe. Nesse balaio entram os seguidores de São Malaquias, a deturpadíssima lei da semeadura, o medo de ser infiel com seu dízimo, os desafios sobre ofertas. Ensinem o que a bíblia diz, ofertem com liberalidade e plena consciência de que isso é um gesto de amor.

Para pastorear seu grande rebanho: Muitos e muitos pastores bem intencionados tem caído no erro crasso de tentar resolver os problemas dos membros da sua congregação através das pregações, podemos chamar de pastoreio à distância. Palavras direcionadas e expectativas de reações das pessoas nos apelos acabam levando pastores à loucura. Se um membro tem problema, chame-o e resolva, não submeta a igreja toda aos problemas dos outros.

Para stand-up comedy: Essa é nova, mas é velha ao mesmo tempo. Muitos pastores estão se achando os comediantes da vez. Cheios de piadas, situações inusitadas, histórias ridículas confidenciadas em seus gabinetes, ilustrações toscas. A platéia cai na gargalhada, e sai do culto lembrando mais das anedotas do que da Palavra de Deus. Amigos, deixem as piadas para os comediantes e procurem que a congregação saia dos cultos lembrando apenas da maravilhosa palavra de Deus.

Para sua própria terapia: Por mais tentador que seja, é ridículo o quanto nossos líderes usam do púlpito para aliviar suas frustrações cotidianas. Travestem seus relatos com o manto da “transparência” de vida e mais falam de si mesmos do que de Deus. Gente, eu garanto, a bíblia já tem exemplos suficientes.

A lista poderia ser bem mais extensa, mas acredito que esses são os pontos principais, que tem levado nossos púlpitos a serem usados de maneira errônea, e até mesmo impedindo o agir pleno de Deus pela nossa meninice.

Então, o que devemos falar, afinal, nos púlpitos?

A Palavra de Deus, pura e simples, profunda e ao mesmo tempo feita para as crianças. A fé vem pelo ouvir, e o ouvir da Palavra de Deus, não de histórias, anedotas, piadas, lamúrias. Jesus usava parábolas pois ainda haviam muitas coisas encobertas aos seus discípulos, que ainda careciam do Espírito Santo. Mas nós, os que cremos, recebemos o dom de Deus, temos a unção para que tudo nos seja claro como a luz do dia.

Parafraseando o apóstolo Paulo, prega a Palavra!

Texto de Matheus Soares  Fonte: Entendes?

Quinta-feira, Agosto 19, 2010

1

O controvertido Evangelho da Prosperidade

2

Preocupado com o futuro dos meus filhos

Eu estou muito preocupado com o futuro de meus filhos. Estou realmente preocupado em que espécie de mundo eles crescerão, em que espécie de sociedade eles viverão dentro de algumas décadas.

De maneira nenhuma minha preocupação se baseia na direção que a humanidade esta dando ao meio ambiente ou quanto restará de natureza preservada no planeta. Não, não é esta a causa de minha preocupação, apesar de entender a importância deste assunto.

O que realmente me preocupa quanto ao futuro dos meus filhos é o fato de a Igreja estar fracassando em sua missão, de a Igreja falhar em seu principal propósito que é o de implantar o Reino de Deus na terra.
Sim, a missão da Igreja, “a grande comissão”, é ir por todo o mundo e espalhar a Boa, a Excelente Notícia. E qual é esta Notícia afinal? Que o Reino de Deus já está operante entre nós e é uma realidade por causa do Amor de Deus, que podemos proclamar a Utopia do Reino como uma possibilidade, que as obra do Nazareno continuam, maiores ainda, em e através de nós.

Sim e mais, a excelente notícia de que podemos ser, aqui e agora, nesta terra, a imagem e semelhança, ainda que por espelhos embaçados, deste Deus Pai. Sim, que podemos como Ele amar e orar pelos nossos inimigos. Sim, que podemos combater o mal com bem, que podemos suportar o peso e pagar o preço da opção por nosso Deus. Sim, que podemos estender a mão ao caído e podemos ter a mão a nós estendida se caídos, e sermos realmente próximos de todos que estejam próximos. E tudo isto simplesmente porque o Reino de Deus já esta introduzido entre nós. E desta maneira, o Reino entre nós, a Igreja, somos o modelo da Utopia do Reino, possível e real, para a sociedade.

Mas não é o que temos visto infelizmente. A Igreja nitidamente falha em ser o modelo deste Reino de Deus entre os homens, nesta sua suprema missão, e nossa sociedade dia a dia se corrompe, seus costumes deterioram e o amor diminui porque não enxergam na Igreja padrões de excelência a serem imitados.

A função da Igreja é introduzir o sal, é providenciar a conservação da humanidade (no seu pleno sentido). Sim, a Igreja tem falhado porque deixou de salgar, deixou de conservar os homens, por conseguinte a sociedade e, perante ela a igreja se tornou insípida, sem graças, sem apelo, sem obras e sem verdades (porque não as tem vivificado). E assim, sem o Sal, rapidamente esta sociedade se corrompe, se deteriora velozmente sua humanidade.

A igreja tem falhado não porque tenha deixado de apregoar uma mensagem, mas por simplesmente torná-la só e apenas uma mensagem e não um padrão de vida e comportamento moral. Tem falhado não porque não esteja fazendo prosélitos por toda a parte, mas por torná-los piores do que eram, mais religiosos porém menos humanos. Tem falhado não porque esteja tendo vergonha ou timidez, mas porque tem coragem de fazer publicamente as mesmas obras com os mesmos fins mundanos de seus contemporâneos pagãos e assim expõem o Evangelho ao escárnio e desdém dos que por Ele deveriam estar encantados. Tem falhado porque deixou a erva daninha, raiz de todos os males, ser plantada no bom solo de Deus, em seu lugar central, amando este mundo e as coisas que nele há, seus valores, seus princípios, seu culto ao ego.

Somos hoje Laudicéia, ricos miseráveis, visionários cegos, vestidos de nossa nudez.

É por isto que estou preocupado com o futuro de meus filhos. Que tipo de sociedade sem Deus a Igreja esta ajudando a criar (porque não se distingue Deus nela)? Que tipo de homens sem amor, piedade e misericórdia serão seus contemporâneos por causa de nosso fracasso como luz do mundo (porque não irradiamos tal luz, ninguém pode vê-la)? Que tipo de Igreja existirá dentro de algumas décadas se os valores não forem cambiados?

Isto para mim é assunto de primeira pauta, de total relevância, importância, gravidade e urgência.

E me recuso a não acreditar na Utopia do Reino, eu me recuso a não acreditar que o bem prevalecerá, eu me recuso terminantemente não acreditar no poder Reparador de Deus, mas me dou o direito de abrir o meu coração hoje e dizer que eu estou muito preocupado com o futuro de meus filhos.

Sergio Giorgini Junior

Quarta-feira, Agosto 18, 2010

2

Cá entre nós #24 - EXTRAVASA!




Terça-feira, Agosto 17, 2010

3

Elvis: O rei da música louvando ao Rei dos reis



Neste dia 16 de Agosto, completou-se 33 anos da morte do maior fenômeno da música popular de todos os tempos.

Domingo, Agosto 15, 2010

9

Cadê você? Quando a solidão bate à porta

Na canção melancólica “Me Chama”, do Lobão, um quarentão solitário – quem sabe? – questiona-se aflito por não saber onde anda o seu amor?

“Chove lá fora e aqui, faz tanto frio...
Me dá vontade de saber.
Aonde está você, me telefona.
Me chama, me chama, me chama...”


Solidão é coisa doída. Dói na alma de quem sente como ferro sendo encravado na carne. E me veio a doideira: Sentiria Deus solidão? Saudade? Melancolia? Essas coisas de gente – dor de cotovelo, de consciência, de coração?

Sei não. Papo para teólogo, filósofo, da moçada que procura mistérios, que está mais interessada nas perguntas do que nas respostas...

Mas no “paraíso”, aberta a consciência de Adão e Eva, degustado o “fruto” da “arvore do bem e do mal”, descoberta as percepções do ser, o mundo já não era apenas feito de lírios e rosas, pois lá também estavam os cardos e abrolhos. Sim, perdeu-se a inocência do amor desprovido de reclames, de compensações, de trocas, tudo ficou triste, frio, feio...

Aí Adão cantou “ tá tudo cinza sem você, tá tão vazio, e a “tarde” fica sem porquês “... Mas foi Deus quem disse “aonde está você?”. A fala de Adão era pura amargura de alma, comiseração de “escolhido”caído, choramingo de neném abandonado. Falta mesmo, saudade que doeu no peito, sentiu Deus, pois naquela tarde, daquele dia, o encontro de sempre foi diferente. Sim, foi diferente, e dali para frente, jamais foi o mesmo. “Aonde está você?”, diz o texto de Gênesis 3, “me telefona. Me chama, me chama, me chama...”. Mas Adão estava surtado com as demandas da “queda”, buscava um jeito de por a culpa em alguém, já começa a construir as teologias da terra...

Mas era necessário por tudo aquilo de volta ao “Caminho”. Aí, a letra se fez verbo, o verbo ser fez carne, a carne se fez sangue, o sangue se fez vida, a vida produziu semente e a semente se espalhou pela terra. Sim, por conta de tudo isto, não só o entardecer ganhou nova significação no coração humano, mas todo dia, todo hora, todo lugar, uma vez que “o vento sopra onde quer”. “Nem no monte, nem em Jerusalém, pois o Pai procura aqueles que o adorem em Espírito e em verdade”.

Ontem foi um dia “danado”. Punk mesmo! Dia onde a gente sente que de tudo ficou no meio de um grande nada. Á noite, quando deitei na minha cama, e as lágrimas rolaram pelo rosto, vi todos os meus dias diante dos meus olhos. Ao fundo havia uma enorme retro-escavadeira tentando me esmagar entre duas lâminas frias de aço. Meus ossos estalavam e eu dizia com voz sôfrega: “pare”. Mas mesmo todas as minhas forças contra ela eram nada. Foi quando os “castelos” ruíram, os sonhos se partiram, e eu fiquei catatônico, olhando o teto esbranquiçado do quarto qual louza de escola em primeiro dia de aula, onde tudo ainda estar por se fazer. Naquele instante, creia-me, me deu uma vontade louca de gritar: “aonde está você”. Era como se tudo fosse apenas nada...

A esta altura, eu já sei que por vezes o mundo fica cinzento, e a chuva cai nas ribanceiras da alma, alaga os córregos do coração, sufoca a fala, e até os pensamentos. É que quando “Ele” sai de cena, a vida fica sem porquês.... Eis a grande tragédia humana: o dia da indisponibilidade de Deus, o dia em que o telefone está ocupado, e você fica apenas repetindo, como um mantra, “Aonde está você”...

Sola Gratia !

Sábado, Agosto 14, 2010

3

Fé ou Fezes?

Melhor ainda do que começar bem, é terminar bem, o que é uma proeza reservada a poucos. Talvez durante uma busca minuciosa, consigamos garimpar esta jóia rara. Abraão foi um digno representante desta espécime que hoje se encontra em agonizante extinção. Mesmo quando admitimos que as nossas co...nquistas foram movidas pela fé, encontramos um modo de nos gloriarmos nelas.

Se a fé é dom de Deus, quanto menor for a nossa interferência, melhor. A mente tendenciosa chegar a conclusões desastrosas, como ocorreu aos israelitas: "Abraão era um só; no entanto, possuiu esta terra; ora, sendo nós muitos, certamente, esta terra nos foi dada em possessão" (Ezequiel 33.24).

Desculpe a cacofonia forçada, mas o cálculo deles era mais ou menos o seguinte:

Abraão sozinho = Uma Fé.

Somando todos nós = Muitas fezes.


Cuidado, este tipo de cálculo cheira sempre mal. Seria comparar um frasco de perfume francês com uma tonelada de estrume de vaca.

Quando um milagre da germinação parece ter ocorrido em árvores secas, os frutos, por mais deliciosos que sejam, apodrecem. Uma árvore torta corre o perigo de imaginar que foi capaz de produzí-los por si mesma. Com o tempo valorizamos mais o resultado do que a motivação. Resultado, que depende da seiva ser pura ou venenosa. A medição é feita na raiz e não na folha.

Para quem se preocupa com a folha Deus diz: Se "derramais sangue; porventura, haveis de possuir a terra?" (Ezequiel 33.25).

A árvore de natal é bonita, mas é morta. Enfeitar um coração amargo com foguetório litúrgico não garante o seu plantio em boa terra. É preciso tratá-la por dentro para que não morda a isca que o diabo coloca no seu anzol. Um começo ardendo em fé humilde e dependência de Deus é substituído pelo aparato, pelo poder político, e pela subserviência. "Vós vos estribais sobre a vossa espada, cometeis abominações, e contamina cada um a mulher do seu próximo; e possuireis a terra?".

A grandiosidade, a fama e o crescimento numérico alcançado por um sistema religioso é todo o seu galardão. Conquistas terrestres embrulhadas para presente formam a única recompensa de uma religiosidade regida por padrões e métodos empresariais.

Assim diz o Senhor: "Tornarei a terra em desolação e espanto, e será humilhado o orgulho do seu poder" (v.29).

Ubirajara Crespo




Comentário de Hermes Fernandes: Ao ler este precioso artigo, lembrei de uma situação verídica ocorrida com um pastor que conheci em minha adolescência. Ele perguntou ao povo na congregação: - Quantos aqui têm fé? Obviamente que todos responderam que eram dotados do tal dom. Pelo que ele disse: - Então,vamos reunir as nossas fezes e lançá-las em Jesus". E o pior é que ele sequer percebeu a bobagem que havia dito.

Quinta-feira, Agosto 12, 2010

6

O lado escuro do ser

“Dark Side of the Moon” é, sem dúvida, o melhor trabalho do Pink Floyd. Lançado em 1973 tornou-se o terceiro disco mais vendido de todos os tempos, ficando 14 anos consecutivos entre os melhores na parada da Billboard.

Eu, que sempre fui apaixonado pela banda, tive contato com o álbum aos 11 anos de idade, mas só vim entender sua proposta tempos mais tarde... Em suma, tratava-se de um disco conceitual que buscava abordar temas existenciais da década de 1970, entre eles: tempo, dinheiro, drogas, loucura, guerra e morte.

Sem muitos rigores, “Dark Side of the Moon” poderia ser traduzido como “O Lado Escuro da Lua”. Não sei se é mito, mas conta-se que a inspiração para o título veio de uma afirmação do guitarrista Syd Barrett, um dos pioneiros do grupo, que de certa feita afirmou: “todo mundo pode ver a face clara da lua; mas quem pode ver o seu lado escuro?”.

Não é sem motivo que a frase de Barrett sempre me fez lembrar da “Parábola do Publicano e do Fariseu”. De forma livre, “amplificada” por alguns comentários próprios, transcrevi o texto tomando por base a narrativa do Evangelho.

O Fariseu e o PublicanoLucas 18:9-14

Jesus apresentou essa estória a algumas pessoas que se achavam boas e que por isso pensavam ser capaz de promover sua própria salvação, desprezando assim aos demais.

Dois homens se dirigiram ao templo para um momento de oração. Um deles era um simulacro religioso. O outro, gente comum, gente como a gente.

O primeiro, uma espécie de traficante do sagrado, posicionou-se num lugar de destaque e, em voz alta, fez um discurso fraudulento, eloqüente, de si, para si mesmo.

Na sua apologia, tratava de feitos “reluzentes” e agradecia por não ser como os “normais”. Já perto do fim da reza vazia, olhou para trás e viu ao fundo a figura desbotada do homem que com ele viera pelo caminho.

Não satisfeito pelo incômodo já causado ao Divino, para arrematar a pantomima, passou então a comparar-se a “triste figura” dizendo: “Deus, quero ainda te agradecer por não ser como este desqualificado, recebedor de propinas, homem de conluios, adúltero, pois, como bem sabes, sou ser religioso, íntegro nos meus caminhos, jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de todos os meus bens”.

E continuou Jesus... O segundo homem, por outro lado, perfilava-se cabisbaixo e introspecto. Encharcado de dores e dramas, achando-se indigno de aproximar-se do altar, preferiu ficar à porta do templo. Com voz baixa e embargada, recitava sua oração como um mantra e dizia: “Deus, sê propício a mim pecador”.

De fato, ali estava alguém com muitas contradições, um filho da terra, caminhante da vida. Tinha nos pés a poeira da miséria humana, era um escrevente de histórias desconexas e protagonista de muitos equívocos.

O absurdo da parábola, entretanto, e contra toda lógica, é a maneira singular como Deus trata os dramas da alma humana...

E continuou Jesus... Estes dois homens vieram a esta catedral em busca de uma aproximação com o sagrado. Um veio movido pelo desejo de exibir seus “experimentos” religiosos; o outro tragado pela necessidade de ter uma experiência com o transcendente.

O primeiro é reflexo da perpetuação da religião sem significados, calcada em exterioridades, produtora de ritos ocos, portadora de palavras de lisonjas, mas incapaz de materializar algo de concreto na vida. Munido de supostas boas obras, imaginava ter o seu proceder autenticado pelo céu e, em função disso, percebia-se tão reluzente como a lua cheia.

Eis a desgraça perpetrada pela religião: a produção de manequins travestidos de “espiritualidade”, arquétipos da fé institucionalizada. Na sua insensatez, vomitou o que de pior havia em seu ser, expurgou sombras profundas sobre o altar. O que para ele parecia ser luz, para Deus eram apenas trevas.

O segundo homem, por sua vez, é um ser em transformação, que tem na reconstrução de sua consciência seu melhor momento existencial. Percebendo a si mesmo, enxergou-se portador de muitas mazelas. Nem ousou comparar-se a nada em baixo na terra, nem se deu ao desplante de requerer qualquer vantagem do céu. Despido de suas máscaras, nada pediu, a não ser um pouco de paz e perdão.

E Jesus concluiu... Ambos vieram em busca de justificação, mas apenas o segundo foi saciado de sua ânsia de vida. O outro, por sua vez, auto-justificado, indulgente consigo mesmo, portador de uma mente cauterizada pela caducidade da “letra morta”, possuidor de um coração pedrado pelas futilidades da existência, tornou para seu caminhar cheio de si mesmo e esvaziado da presença de algo sagrado.

O que expôs as suas trevas, revestiu-se de luz. O que forjou para si a luz, encobriu-se de sombras, injetou veneno na alma e mergulhou em profunda escuridão.

Nos Bailes da Vida...


Tenho uma questão para nós: quando andamos pela rua, ou estamos no trabalho, sentados no cinema, ou em casa com a família, qual lado nosso está evidente: o iluminado ou o escuro? O que vaza através de nossa alma: luz ou trevas? Quem somos de fato: seres performáticos ou andarilhos nus? Commodity de gente, ou humanos singulares?

A pergunta é simplista, mas tem seus porquês... É que no mundo pós-moderno fomos obrigados a viver baseados na “cultura da imagem” a qual, alterando nossos valores, fez-nos existir na perspectiva da “sociedade da aparência”. Desprovidos de conteúdos, nos revestimos de opulência ótica para camuflar nossa miséria ética. Parecer é nosso sonho de consumo! Ser, a agonia-nossa-de-cada-dia.

Deus ama a luz, pois tudo o que é luz traduz-se em vida. Por isso Jesus disse que a nossa luz deveria brilhar em meio aos homens. A afirmação, contudo, está para além de nossa hermenêutica simplória. É que luz, em nossos conceitos, está associada apenas a coisas boas, ações meritocráticas – dar esmola a velhinhos, visitar pessoas enfermas, ir a velórios, e até algumas tidas como “espirituais”, como dar o “dízimo”.

Luz, na perspectiva de Jesus, é tudo aquilo que irradia verdade e vida. Tanto boas obras, tiradas do tesouro do coração, que pela via da reconciliação foi pacificado, como também medos, dores, angústias e contradições. Todas estas matizes, ao vir à luz, revelam em nós o que em nós é verdade e, por assim ser, aniquilam a possibilidade de virmos a nos constituir estelionato existencial.

É assim que pulsões, taras, síndromes, ódios e todas as sombras incrustadas em nossos labirintos profundos se desgrudam de nós, pois tudo o que não produzir saúde e paz acabará sendo expurgado pela luz. Alegoricamente, seria como abrir as janelas de um velho porão para que os raios de sol pudessem entrar. Luz, que tudo revela, lançada sobre a alma, dissipa toda escuridão. Só assim os “ambientes interiores” podem, novamente, reencontrar a paz e a alegria de existir.

Por isso, creia-me, o pior tipo de falsificação sócio-existencial é aquela que tenta produzir luz artificial, e isto com vistas a camuflar a imensa escuridão que há em nós. A sedução para produzir esse tipo de “luz” nos projetará apenas como hologramas caricaturados, e, por fim, acabará nos levando a não reconhecer o que, de fato, somos: “metamorfose ambulante”.

Conclusão

O que eu aprendi com a parábola do Publicano e do Fariseu é que Deus é capaz de ver o lado escuro das pessoas, mas, ainda assim, continua amando-as profundamente. Para Ele, toda escuridão desaguada sobre a luz acaba transformando-se em vida, pois inicia no ser o processo de construção de uma nova consciência, uma “reinvenção” de nós mesmos, de dentro para fora, e isso, no desdobrar da vida, produz uma espiritualidade saudável e uma existência sustentável.

Syd Barrett tinha razão, pois qualquer um pode ver o lado claro da lua. Qualquer um pode ver o que é aparente, opulente ou reluzente. Isso, todavia, tratado da perspectiva dos seres humanos, pode revelar que, não raro, aquilo que parecia ser luz, é trevas, e, aquilo que parecia ser trevas, sendo ressignificado, pode transformar-se em luz.

É certo que Deus sabe que nossa matéria é feita de contradições e nosso coração de ambigüidades. No fundo, somos substância composta de bem e mal, ternura e tormento, sombras e silêncio. Um dia, todavia, seremos como Ele é...

Mas, para o hoje, para o agora, a proposta é vivermos na luz! Viver a vida que tem que ser existencializada na integralidade do que somos. Se for assim, parafraseando Nietzsche, nunca nos renderemos à encenação, como se estivéssemos num baile de máscaras. No palco da nossa vida, os holofotes jamais produzirão dissimulações, pois, como atores desta grande “peça”, nos comprometemos a representar apenas aquilo que, de fato, revela o que o ser é.

Por isso, fuja de toda a possibilidade de se tornar um personagem num teatro de marionetes, pois, saiba, seu significado existencial é ser “barro encarnado”, sangue e suor, mas seu destino eterno é, ressignificada sua consciência, passar de existente a gente, transmutar-se do não ser ao ser de fato.

E não se esqueça: você foi convidado a sentar à mesa, apreciar o cardápio e degustar tudo o que lhe vier como vida, e isso com coração agradecido. Não se furte a nada, pois luz e trevas lhe sobrevirão, dias de sol e de escuridade, mas, com toda certeza “tudo valerá a pena se a alma não for pequena”. E quem entender diferente disto, penso eu, ainda não compreendeu o porquê de Deus gerar seres humanos sobre a Terra.

S o l a   G r a t i a !

Quarta-feira, Agosto 11, 2010

3

Deixem a igreja em paz!

Terça-feira, Agosto 10, 2010

5

Devemos abandonar a Terra imediatamente, diz o físico Stephen Hawking

De acordo com a opinião do físico Stephen Hawking, só haveria uma maneira de evitarmos a extinção da humanidade: abandonar a Terra nos próximos 100 anos.

"Eu vejo grandes perigos para a raça humana." A solução, segundo ele, é abandonar o planeta e se espalhar pelo espaço.

Em entrevista ao site "Big Think", Hawking, que ocupa a cátedra antes ocupada por Einstein, disse que existem muitas ameaças atualmente: guerras, a exploração excessiva dos recursos naturais e a quantidade exagerada de gente vivendo no planeta.

Além disso, ele aponta outro risco:"Se alienígenas nos visitassem agora, o resultado seria muito parecido com o que aconteceu quando Colombo chegou à América: não foi nada bom para os povos nativos".

"Esses alienígenas avançados talvez sejam nômades, procurando conquistar e colonizar quaisquer planetas que eles consigam alcançar."

Apesar destes prognósticos aterrorizantes, ele se diz otimista: "Fizemos muito progresso nos últimos cem anos. Se quisermos ir além dos próximos cem, o futuro é o espaço."

O problema são as distâncias: a estrela mais próxima da Terra, depois do Sol, está a mais de quatro anos-luz (espaçonaves atuais levariam 50 mil anos para chegar lá).

Hawking é preciso no diagnóstico, mas não o é no prognóstico. Como cristãos, cremos na providência divina, e na responsabilidade da igreja em conscientizar a humanidade quanto aos cuidados devidos à criação. É possível reverter o quadro caótico em que nosso planeta se encontra.

Alguns cristãos poderão simplesmente dizer: Não temos com que nos preocupar. Afinal, este planeta está destinado a acabar mesmo. Nosso destino são as moradas celestiais.

Apesar de respeitar tal posicionamento, confesso que ele me causa certo incômodo, que beira à indignação.

Basta um exame mais acurado das Escrituras para concluir que esta postura não recebe seu endosso.

Veja, por exemplo, o que diz o salmista:

"Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens" (Sl.115:16).

Este pequeno planeta do sistema solar foi confiado à raça humana e tem sido compartilhado com milhares de espécies animais e vegetais. Deus não o fez para a destruição. E por isso, vai requerer de nós os devidos cuidados para com ele e sua biodiversidade.

Engana-se quem pensa que Deus planeja riscá-lo do mapa cósmico. Em vez disso, a ira de Deus é destinada àqueles que "destroem a terra" (Faço questão que você verifique o texto: Ap.11:18). Em vez de cuidar, conservar e desenvolver com responsabilidade os recursos naturais, em nossa ânsia consumista, estamos destruindo a Terra. Consumimos mais recursos naturais do que a natureza é capaz de repôr.

Posso garantir, fiado na providência, que esta terra sobreviverá a todos os cataclismos que porventura a atingirem. O sábio Salomão é quem declara: "Uma geração vai, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre" (Ec.1:4).

Não é a terra que corre riscos de ser extinta, e sim a humanidade. Tornamo-nos numa espécie de praga apocalíptica. De nada adiantará mudarmos de planeta, se não mudarmos de atitude. Qualquer planeta que colonizarmos será igualmente depredado por nossa ganância. Por isso, concluo que não há porque temer uma invasão alienígena. Dificilmente uma civilização extraterrestre nos superaria neste quesito.

Os cataclismos nada mais são do que a reação enfurecida da natureza à gestão humana. No dizer de Paulo, são gemidos da criação submetida à nossa vaidade (Rm.8:20-22).

Deus que livre o Universo de ser colonizado pelo homem. Já não é suficiente o que estamos fazendo ao nosso próprio lar?

Só há uma maneira de se evitar o pior. O homem precisa converter-se ao Criador, e assim, amar e cuidar da criação. Somente a fé em um Deus Criador é capaz de resgatar a sacralidade de Sua obra. Quem ama o Criador, cuida da criação.


Domingo, Agosto 08, 2010

12

A vergonha dos pulpiteiros

POLÍTICA E IGREJA hermes fernandes É sempre a mesma novela. E do tipo que não vale a pena ver de novo. Chega ano eleitoral, e logo a igreja se vê assediada por candidatos em busca de votos. Geralmente, a crítica de quem não concorda com o engajamento político/partidário da igreja é dirigida aos candidatos e aos pastores. E de fato, chega a ser vergonhoso a maneira como nossos púlpitos têm sido profanados, e os votos das ovelhas negociados.
Mas há algo que passa despercebido por muitos. Quem estaria por trás dos bastidores de toda esta promiscuidade? Teríamos que inventar uma nomenclatura para designar o agente intermediário entre o púlpito e o palanque. Já que existe o marketeiro (profissional de marketing que conduz a campanha política), que tal chamarmos este elemento de “pulpiteiro” ?
De onde surgem os pulpiteiros? Na maioria das vezes de dentro das próprias igrejas. Pode ser um obreiro, ou simplesmente um membro que pareça bem intencionado, que preocupado com o “de$envolvimento” da obra, trata de buscar recursos para incrementá-la.
O papo segue sempre a mesma linha.
- Pastor, nossa igreja precisa crescer, dar uma arrancada. E o senhor sabe… os irmãos aqui são pobres… Precisamos de recursos de fora. Por falar nisso, conheço um político muito boa praça que tem um coração aberto pra obra do Senhor. O que o senhor acha de trazê-lo aqui qualquer hora dessas? Ele até me falou que gostaria de patrocinar a laje do templo. O que o senhor me diz?
Imaginemos que o pastor seja um homem de bem, que não queira se vender. Ele poderia responder mais ou menos assim:
- Meu irmão, não queremos nos envolver com isso. Não acho legal ceder nosso púlpito a candidatos. Sabe como é… questão de princípios.
Daí, nosso pulpiteiro responde:
- Que isso, pastor? Deixa disso. Sabe aquela igreja ali na esquina? Veja como cresceu rapidamente de um tempo pra cá. Eles apoiaram o atual prefeito em sua candidatura, e ganharam um terreno pra construir o novo templo. Não adianta querer ser muito certinho. Além do mais, o irmão Fulano (já chamando o candidato de “irmão”) me confidenciou que gostaria muito de lhe dar um carro novo pra lhe ajudar na evangelização. Disse até que iria com o senhor na agência, e que o senhor poderia escolher o modelo que lhe agradasse. Isso é bênça, pastor! Aproveita. Todos os pastores desta área estão de carro novo, só o senhor com este fusquinha velho. As pessoas comentam… Tá pegando mal…
A partir daqui, a conversa toma outro rumo. Os votos das ovelhas são negociados em troca de instrumentos novos pra igreja, cargo no gabinete do político para o filho do pastor, e às vezes, uma oferta generosa, entregue discretamente no gabinete pastoral.
Ora, se o pastor ganha com isso, imagine quanto ganha o pulpiteiro?
É também ele quem orienta o candidato para não cometer gafes no púlpito. Dá dica de versículos bíblicos, ensina os jargões e trejeitos dos crentes, e até a orar. Não duvido que haja quem ensine candidatos a falar em línguas… Tudo para angariar a confiança e os votos dos irmãozinhos.
Alguns são tão insistentes que quando o pastor se recusa a ceder seu púlpito, chegam quase a implorar para que pelo menos apresente o candidato durante o culto, e que permita a panfletagem do lado de fora da igreja.
Há pulpiteiros que recebem do pastor plenos poderes para falar em seu nome. E aí o perigo redobra. Outros, mesmo não recebendo qualquer procuração, falam e negociam em nome da igreja.
A figura do pulpiteiro nos remete Geazi, o discípulo ganancioso de Eliseu.
Quando o profeta se recusou a receber os presentes de Naamã, Geazi ficou inconformado, e disse:
“Meu senhor poupou a este siro Naamã, não aceitando o que ele trouze. Tão certo como vive o Senhor, hei de correr atrás dele, e obter alguma coisa” (2 Reis 5:20b).
Na concepção de Geazi, Eliseu havia passado um atestado de idiotice, simplesmente por não haver aceitado o que o general estrangeiro lhe oferecera. Assim são vistos os pastores que preferem manter-se distantes das campanhas eleitorais. Muitas vezes são recriminados pelos próprios membros da igreja.
Geazi conseguiu mais do que queria. Além dos bens que recebera de Naamã, foi contaminado com a lepra da qual o general havia sido curado. E de acordo com a palavra do profeta, aquela enfermidade se pegaria a ele e à sua descendência para sempre.
A pior de todas as lepras é a lepra ética. Homens corruptos geram filhos corrompidos.
Naamã não era corrupto. Ele sequer percebeu que estava sendo vítima da avareza de Geazi, que por sua vez, falava em nome do profeta sem o seu consentimento.
Pastores, tomem cuidado com os Geazis que rondam nossas igrejas. Talvez estejam usando seu nome para obter vantagens pra si. Não cedam seus púlpitos. Não o profanem, transformando-o em palanque. Não peçam voto pra ninguém. Não indiquem. Se quiserem manifestar sua opinião, façam fora do ambiente do templo. Mas não usem de suas prerrogativas como líderes para influenciar os crentes a votarem em seu candidato predileto. Isso não é ético. E chega mesmo a ser imoral.
Se um pulpiteiro lhe procurar, não ceda à pressão, não tente argumentar com ele, nem lhe dê esperança.
Faça as pazes com o seu travesseiro. Dê aos membros de sua igreja a oportunidade de exercerem sua cidadania livremente.

3

Homenagem aos Pais

Sexta-feira, Agosto 06, 2010

5

Quero ver rir de Deus nessas situações!



Tradução: Avelar Jr.
Regina Spektor - "Rindo com"

Ninguém ri de Deus em um hospital
Ninguém ri de Deus em uma guerra
Ninguém está rindo de Deus quando está passando fome, frio ou é muito pobre

Ninguém ri de Deus quando o médico liga depois de alguns exames de rotina
Ninguém está rindo de Deus quando ficou muito tarde
E o seu filho ainda não voltou da festa
Ninguém ri de Deus quando seu avião começa a tremer incontrolavelmente
Ninguém está rindo de Deus quando vê a pessoa que ama
De mãos dadas com alguém e espera estar enganado

Ninguém ri de Deus, quando a polícia bate em sua porta
E diz "Temos más notícias, senhor!"
Ninguém está rindo de Deus quando há fome, incêndio ou inundação

Mas Deus pode ser engraçado
Em um coquetel, quando se ouve uma boa piada sobre Ele
Ou quando os loucos dizem que "Ele nos odeia"
E ficam tão vermelhos que parece que vão se engasgar

Deus pode ser engraçado
Quando lhe é dito que ele lhe dará dinheiro se você ora do jeito certo
E quando é apresentado como um gênio que faz magia como Houdini
Ou concede desejos como o Grilo Falante e Papai Noel
Deus pode ser tão divertido
Ha ha
Ha ha

Ninguém ri de Deus em um hospital
Ninguém ri de Deus em uma guerra
Ninguém está rindo de Deus perdeu tudo que tinha
E não sabe por quê

Ninguém ri de Deus no dia em que percebe que a última visão que terá
são dois olhos cheios de ódio
Ninguém está rindo de Deus quando está dizendo adeus

Mas Deus pode ser engraçado
Em um coquetel, quando se ouve uma boa piada sobre Ele
Ou quando os loucos dizem que "Ele nos odeia"
E ficam tão vermelhos que parece que vão se engasgar

Deus pode ser engraçado
Quando lhe é dito que ele lhe dará dinheiro se você ora do jeito certo
E quando é apresentado como um gênio que faz magia como Houdini
Ou concede desejos como o Grilo Falante e Papai Noel
Deus pode ser tão divertido

Ninguém ri de Deus em um hospital / Ninguém ri de Deus em uma guerra (3x)
Ninguém está rindo de Deus quando está passando fome, frio ou é muito pobre

Ninguém está rindo de Deus (4x)
Estamos todos rindo com Deus




Em Não Obrigado, divulgação Genizah

Quinta-feira, Agosto 05, 2010

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A importância do Cristianismo na História da Ciência

A era medieval na Europa viu a instituição da universidade, que teria um papel importante no desenvolvimento da ciência moderna. A princípio, os monges trabalhavam em mosteiros, dedicando-se incansavelmente ao resgate do conhecimento clássico destruído quando os bárbaros invadiram o império romano e espalharam o caos por todo o continente. Por vários séculos, os mosteiros foram as únicas instituições da Europa onde se adquiria, preservava e transmitia o conhecimento.

Então, as igrejas começaram a construir escolas primeiro fundamentais e depois secundárias. Por fim, aprimoraram-se até que, no século XII, as primeiras universidades foram fundadas em Bolonha e Paris. Oxford e Cambridge foram fundadas no início do século XIII, seguidas pelas universidades de Roma, Nápoles, Salamanca, Sevilha, Praga, Viena, Colônia e Heidelberg. Essas instituições talvez estivessem afiliadas à Igreja, mas sua administração e funcionamento eram independentes. O currículo era teológico e secular, de modo que o novo conhecimento científico dos tempos modernos poderia ser adaptado. Como mostra Alvin Schmidt [Under the Influence: How Cristianity Transformed the Civilization, 2001], muitas das primeiras faculdades e universidades dos Estados Unidos – Havard, o College of William and Mary, Yale, Northwestern, Princeton, Dartmouth, Brown – começaram como instituições cristãs.

Robert Grosseteste, bispo franciscano que foi o primeiro chanceler da Universidade de Oxford, propôs que o acúmulo de conhecimento se desse por meio de um método indutivo e experimental. Alguns anos depois, Francis Bacon – um religioso devoto que escreveu tratados sobre os salmos e a oração – usou o método indutivo para registrar resultados experimentais. Bacon afirmava que, por meio do poder de descoberta dado por Deus, o homem podia cumprir o mandato divino de estabelecer seu domínio sobre a criação e até restaurar um novo tipo de Éden. Hoje, Bacon é considerado o fundador do método científico, o “inventor da invenção”. Foi sob os auspícios da igreja que as primeiras instituições de pesquisa médica e os primeiros observatórios foram construídos. Da Idade Média ao Iluminismo, um período de vários séculos, a Igreja fez mais pela ciência ocidental do que qualquer outra instituição.

Dinesh D'Souza, em A Verdade Sobre o Cristianismo, Thomas Nelson Brasil, 2008, p. 117-118.


Comentários pessoais (Eliel Vieira): Ouvi recentemente a acusação de um ateu de que a Teologia nunca gerou nada de proveitoso a oferecer às pessoas. À parte desta acusação pressupor o ateísmo (pois, se Deus existe, então é a Teologia está provendo, sim, discussões proveitosas às pessoas), ela simplesmente negligencia toda a importância que a Igreja Cristã exerceu ao longo da história naquilo que hoje conhecemos como “ciência”. A acusação de que a Igreja limitou e atrasou o conhecimento é infundada quando a confrontamos com o pequeno resumo histórico feito acima por D’Souza. Foi a fé em Deus que impulsionou o avanço do conhecimento das pessoas durante praticamente 15 séculos. Roda d’água, moinho de vento, chaminé, óculos e relógio mecânico são apenas algumas das invenções muito úteis para a civilização medieval que surgiram em mosteiros. Os ateus estão certos quando dizem que o mundo seria outro sem a crença em Deus, ou sem o cristianismo. Eu só imagino o quão arcaico este mundo seria...

Título Original: Dinesh D'Souza, Sobre a importância da Igreja na História da Ciência (Via Blog de Eliel Vieira)

Quarta-feira, Agosto 04, 2010

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Nada mais injusto que a INGRATIDÃO

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O Deus dos subversivos

Jesus é a materialização subversiva do caráter de Deus. Ele esteve entre nós para mudar pra sempre a dinâmica da vida humana. É lógico afirmar que ainda hoje não entendemos essa postura divina. Criamos pontos de vista a respeito de Cristo que nos distancia ainda mais da centralidade de sua mensagem. Jesus foi subversivo do inicio ao fim, e assim foi porque amou até a morte. E a forma como Jesus amou rompeu com a lógica utilitarista dos judeus, porque Ele amou sem se importar com o tempo, lugar, ou muito menos com o tipo de gente para quem dispensava o seu amor. Enquanto os judeus se moviam mediante dádivas e direitos, Jesus era movido pela força inerente a si mesmo: a força subversiva do amor.

Não seria subversivo o fato de curar um doente no sábado, sabendo que o sábado era o dia mais sagrado para os judeus e por isso nada, nem mesmo uma cura poderia ser realizada? Existe algo mais subversivo para um judeu do que aproximar-se de uma mulher para lhe pedir um favor com o agravante maior dela ser samaritana? Jesus causou polêmica porque ninguém entendia como um homem poderia agir de maneira tão irreverente. Além disso, não existia a idéia de culpa no discurso do Mestre, mesmo diante do pecador Jesus não condenava e nem julgava. A possibilidade contínua da existência sempre foi a sua escolha.

Sobre isso, David Bosch ressalta que “somos desafiados a deixar que Jesus nos inspire para prolongar a lógica de seu próprio ministério de uma maneira imaginosa e criativa em meio a condições históricas mudadas”. Estamos em outro retrato da história humana, todavia a necessidade de se importar com o outro ainda é primordial. A questão é que não cuidamos devidamente e muito menos somos criativos nesse cuidado. Não adianta dizer que nos importamos com pessoas se a nossa atitude no cotidiano não demonstra nosso afeto por elas. Nossa preocupação por quem sofre nas enchentes, nos tsunamis, quase sempre não retrata nossa preocupação por quem está sofrendo bem perto de nós.

Ademais, com nosso descaso habitual corremos o risco de, consciente ou inconscientemente, sermos aliados aos sistemas e classes que oprimem e exploram as pessoas, porque quem não ama, explora. Por isso, é tempo de materializarmos a expressão subversiva do caráter de Deus. É tempo de retomarmos nossa dimensão revolucionária. Tempo de voltarmos a amar sem condicionamentos, sem dádivas e direitos.

Ivan Cordeiro (Título Original: O caráter subversivo de Deus)

Terça-feira, Agosto 03, 2010

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O que fizemos pra merecer tanto amor?

Domingo, Agosto 01, 2010

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O mundo tenta salvar uma mulher

Uma mulher, entre tantas no mundo que passam apuros terríveis, ficam mutiladas, corre o risco de morrer.

– Quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Dessa forma, conta a Bíblia, Jesus desafiou um grupo de pessoas e as convenceu a não matar a pedradas uma mulher adúltera, como estavam prestes a fazer. As cenas, embora ambientadas 2 mil anos atrás, são bastante atuais. No lugar de Jesus, porém, são anônimos, políticos e celebridades de todo o mundo a bradar pela vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma iraniana condenada pela Justiça de seu país, em pleno século 21, a morrer apedrejada.


Aos 43 anos, Sakineh é acusada de cometer adultério com dois homens e, desde maio de 2006, divide uma cela com outras 25 mulheres acusadas de homicídio na prisão de Tabriz, no noroeste do Irã. Originalmente, ela havia sido sentenciada a receber 99 chicotadas (o que já foi executado), mas seu caso foi reaberto quando a Justiça iraniana a acusou de ter matado o marido. Ela foi inocentada desse crime, mas a pena relativa ao adultério foi revista, e a iraniana acabou sentenciada à pena capital, em 2007.

– Durante o trajeto de 15 minutos até o tribunal, ela estava apenas preocupada com os filhos, mas não estava esperando nada perto de apedrejamento. Por dias, ela parecia um fantasma, vagando em choque, mas quando voltou a si, só chorava. Eu não a vi sem chorar até o último dia em que passei com ela na prisão – relatou a ativista política Shahnaz Gholami, antiga companheira de prisão de Sakineh.

Documentos obtidos pelo Comitê Iraniano contra o Apedrejamento mostram que dois dos cinco juízes que trataram do caso de Sakineh concluíram não haver evidências de adultério.

– É chocante. Ela foi sentenciada a morrer apedrejada porque três juízes acham, apenas acham, que ela teve um relacionamento fora do casamento – disse Mayram Namazie, do comitê.

O anúncio de que a aplicação da pena poderia ser iminente despertou uma grande mobilização internacional, e países como França, Grã-Bretanha e EUA criticaram a decisão de Teerã. Um abaixo-assinado aberto há cerca de um mês na internet deu impulso mundial à campanha. O documento conta com mais de 540 mil assinaturas. Diante de tanta exposição, as autoridades iranianas mudaram o método de execução, para enforcamento. Os prisioneiros no corredor da morte são informados de quando serão mortos somente pouco antes da execução, aumentando seu sofrimento e o da família. Às vezes, seus advogados não são informados sobre a data com 48 horas de antecedência, como determina a lei iraniana.

Após proibir os filhos de Sakineh de falar com a imprensa e impedir a mídia do país de repercutir o caso, o governo do Irã foi atrás do advogado da iraniana, o conhecido ativista dos direitos humanos Mohammad Mostafai. Ele está desaparecido desde o início da semana, após as autoridades de Teerã terem emitido um mandado de prisão contra ele.

Desde 2006, sete mulheres morreram por apedrejamento

Mesmo que o apedrejamento tenha sido suspenso, Sakineh não era a única nesta situação no corredor da morte iraniano – ao menos 11 pessoas estão na fila para serem apedrejadas no Irã, oito delas mulheres, segundo a Anistia Internacional. Desde 2006, sete mulheres foram mortas dessa forma no país.

A retirada do apedrejamento do sistema legal iraniano é uma reivindicação de longa data, inclusive da parte de alguns líderes religiosos, que consideram esse método de execução prejudicial à imagem do Islã. Sob o governo de Mahmoud Ahmadinejad, contudo, a violação dos direitos humanos no Irã só piorou, uma vez que a ala mais conservadora tomou conta do Judiciário, garante a advogada e ativista de direitos humanos Mehrangiz Kar, que durante 22 anos advogou no Irã:

– O apedrejamento surgiu no Irã como método de execução penal apenas em 1979, com a Revolução Islâmica. Antes disso nunca houve um caso de apedrejamento em nosso país, ao contrário do que muitas pessoas possam pensar.

Nesta sexta-feira, o Comitê Iraniano contra o Apedrejamento divulgou mensagens de Sakineh, agradecendo ao mundo pela mobilização em seu favor. Ela também compartilhou seu pesadelo:

– Todas as noites antes de dormir, eu penso: quem vai jogar as pedras em mim?


Teerã (Via Amigo de Cristo)

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Inception (A Origem) e o conflito entre sonhos e realidade

a origem hermes fernandes Esta semana fui ao cinema com meus pimpolhos. Minhas filhas assistiram ao novo filme de seu astro predileto, Zac Efron, enquanto eu e meu filho assistimos ao extraordinário “Inception”, com Leonardo DiCaprio (“A Origem”).

Desde Matrix não assisti a um filme tão inovador em seu conceito. Tanto o roteiro (genial, diga-se de passagem), quanto a direção e os efeitos especiais, são de tirar o fôlego de qualquer cinéfilo.

A trama gira em torno de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), que lidera um grupo que invade os sonhos de pessoas poderosas para roubar informações secretas de seus subconscientes. Depois de falhar em uma missão, Cobb tem a chance de se redimir, ao ser contratado para uma missão arrojada e inédita; desta vez, não para roubar idéias e pensamentos, mas para implantá-los. É a esse processo que chamam de Inception, e cuja realização parecia ser impossível.

O filme vale-se de teorias ligadas à psicanálise de Freud, e à psicologia profunda de Carl Jung. Foi Sigmund Freud que chegou à conclusão de que no inconsciente é muito difícil distinguir a fantasia da lembrança. Suas descobertas instigaram Jung, inicialmente seu discípulo, a investigar o mundo dos sonhos e os seus significados. Em uma de suas acertivas, Freud conclui: “O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”.

No filme, para implantar uma ideia no subconsciente do herdeiro de um império empresarial, Cobb e sua equipe têm que mergulhar nas camadas mais profundas de seu inconsciente. Enquanto viaja na primeira classe de um avião, o empresário é induzido a sonhar. Durante o sonho, situações inusitas acontecem, e ele é induzido a ter outro sonho dentro daquele sonho, e depois, outro sonho mais. Inception se mostra um quebra-cabeça mental extremamente original, experimental e pra lá de engenhoso. Cobb, por sua vez, tem sérios e antigos conflitos e sua ex-esposa Mal, que suicidou-se por confundir realidade e fantasia, é a personificação de seu turbulento passado. Se você pudesse escolher, iria preferir viver em um universo de sonhos ou em seu mundo real? Após perder sua família, ele tenta reencontrá-la não só em suas lembranças, mas principalmente nos induzidos (e perigosos) sonhos. Quando morrem em um sonho, os corpos reais despertam, a não ser que o sonho seja muito profundo, o que poderá levar a mente do ladrão de segredos a uma espécie de limbo, enquanto seu corpo vegeta no mundo real. Há que se prestar muita atenção para não se perder o fio da meada.

Pode-se também classificá-lo como um filme existencialista, que traz como principal dilema, viver na crueza do mundo real, ou se isolar em seu próprio universo fantasioso. Mas qual dos mundos é de fato real? Qual é sonho? Como distingui-los? Estas são questões pertinentes levantadas na película.

Não se trata de questões banais ou meramente fantasiosas. Pode ser aplicada a cada pessoa com conflitos externos, que cria seu próprio universo, no qual dita suas próprias regras. É claro que o filme não se propõe trazer resposta a essas perguntas, mas nos instiga a fazer nossas próprias conjecturas. O filme propõe, por assim dizer, uma busca pelo auto-conhecimento.

Além da abordagem psicanalítica e existencialista do filme, há também uma clara, ferrenha, porém sutil crítica ao capitalismo, e à maneira como as pessoas são manipuladas por este sistema baseado no lucro. O que que a propaganda faz senão uma espécie de “inception”? Todos os dias somos expostos a um bombardeio de anúncios, que tenta nos induzir a sonhar com coisas de que jamais necessitamos. De maneira sutil somos levados a adotar ideologias cujos objetivos inconfessáveis são de nos tornar meros fantoches nas mãos de corporações e governos poderosos.

Não foi igualmente a isso que Jesus foi exposto no episódio que conhecemos como “A tentação no deserto”?

Apesar de o inimigo de nossas almas não poder ler nossa mente, ele tem a habilidade de plantar ideias, de assentar tijolo a tijolo, até que haja construído uma verdadeira fortaleza de racicínios e altivez (2 Co.10:4), contra as quais temos que lutar.

Assim como o corpo possui um mecanismo de defesa, de maneira que quando corpos estranhos o invadem, cria anticorpos para combatê-los, no ambiente psíquico ocorre coisa similar. Esta é a razão porque Cobb e seus comparsas sempre se vêem em apuros durante sua incursão em sonhos alheios.

Usando uma abordagem bíblica, a única maneira de criarmos “anticorpos” às ideias que o mundo tenta implantar em nossas mentes é seguindo à risca a admoestação de Paulo:

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp.4:8).

Em vez de sujeitar-nos à incersão de ideias e pensamentos malévolos e potencialmente destrutivos, devemos submeter-nos inteiramente à Palavra. Temos que dar uma faxina periódica em nossa mente, uma espécie de varredura como aqueles que fazemos em nosso computador quando acionamos o antivírus. Veja se não é esta a advertência feita por Tiago, irmão de Jesus:

“Pelo que, despojando-vos de toda impureza e de todo vestígio do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tg.1:21).

Uma vez tendo nossa alma salva (alma = psiquê em grego), limpa das ameaças viróticas, temos que reformatá-la, para que assim experimentaremos qual seja a “boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Rm.12:2).

A partir daí, resta-nos buscar estar próximos de pessoas que despertem o melhor, e não o pior que há em nós (2 Pe.3:1b), e ainda, procurar ‘infectar’ os demais, não com ideias e ideologias, mas com os ideais do Reino de Deus. Não podemos entrar no inconsciente de ninguém, mas podemos instigá-los a sonhar acordados. Aliás, esta é uma das atribuições do Espírito Santo: levar-nos a sonhar (Joel 2:28).