Sábado, Julho 31, 2010

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O mundo conspira contra mim. Será?

Temos a mania de transferir para os outros a razão de nossas frustrações. É mais fácil, menos doloroso, dizer que alguém é responsável por nossas agruras, do que encarar a realidade e enfrentar os desafios propostos pela vida.

Uma vez, quando Jesus encontrou um homem que já fazia 38 anos que estava paralítico, perguntou se ele queria ficar curado. O homem, que estava à beira do tanque de Betesda, onde qualquer um que ali entrasse após um movimento periódico das águas ficaria curado de qualquer enfermidade (era o que se acreditava), não disse que sim. Disse apenas que não tinha ninguém que o ajudasse a ir para o tanque quando as águas se moviam. Transferiu para outros a causa da frustração que ele tinha.

Nós fazemos isso o tempo todo. No caso do paralítico de Betesda, é como se ele dissesse: “a culpa por eu estar aqui é dos outros, que não me ajudam”. E talvez fosse mesmo. Com certeza os outros estavam sendo egoístas e não ajudavam aquele homem.

Sejamos francos, a vida é, às vezes, muito cruel. E as pessoas são, muitas vezes, muito egoístas. O problema está em ficar a vida toda se lamentado disso. Ficar se lamuriando, se lamentando e posando de vítima de uma conspiração das pessoas contra você não vai resolver nada. É preciso reconhecer, também, que boa parte dos nossos reveses é causada por nossas próprias decisões mal tomadas.

Isso é o que Henri Nouwen chama de “complexo do ferido”, quando a pessoa passa o tempo todo se queixando daqueles que o feriram, que não o ajudaram, que o abandonaram. Esse autor, um cristão admirável, escreveu que as pessoas que nós mais amamos, aquelas que nos rodeiam, em algum momento vão nos machucar. Elas são humanas. Assim, em vez de ficar se lamentando continuamente, é preciso compreender que os relacionamentos por vezes nos frustram e até nos machucam e perceber a segurança que há no relacionamento com Deus, e receber o Seu abraço.

Ficar envolto em queixumes pode nos levar à paralisia. Ficamos paralisados em nossa vida, seja pela raiva, pelo ressentimento, pela mágoa, pelo desânimo, pela frustração. Falta-nos a coragem para perdoar quem nos feriu. Falta-nos ânimo para tomar as rédeas da nossa vida e prosseguir. Somos tomados pela letargia.

A resposta de Jesus para aquele paralítico queixoso foi incisiva: “levante-se, tome sua cama e anda!”.

Acredito que para aqueles que estão também paralisados por suas queixas e lamúrias diante da vida, revoltados com tudo e com todos, sempre lançando a culpa de seus fracassos nos outros, a palavra de Jesus é a mesma: “levante-se, toma a sua vida e prossiga!”. Às vezes é necessário levar um chacoalhão desses para acordar e se levantar. É preciso encarar os fatos, levantar a cabeça, tomar as rédeas da vida, como uma pessoa adulta, e avançar, prosseguir. Ficar fazendo manha como uma eterna criança não vai resolver. Penso que Deus nos quer maduros em nossa fé e capazes de enfrentar a vida, com todas as suas vicissitudes.

Quinta-feira, Julho 29, 2010

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Cá entre nós #21 - O que dá sentido à vida

Terça-feira, Julho 27, 2010

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Contra-corrente


A superioridade que eles sentem
e exercem de forma arrogante,
se soma à certeza absoluta
da inferioridade do restante.

Entortam sua sensibilidade,
desdenham o alheio sofrimento
e, em sua sub-humanidade,
a própria crueldade é seu tormento.

Do outro lado é plantada a ignorância
e desejos impossíveis de consumo
fazem o povo de idiota ou de criança
e destróem a esperança em outro rumo.

Os poucos com acesso a demais
desfrutam do roubado à maioria,
alegando direitos tão boçais
que é clara e evidente a hipocrisia.

Usufruir de privilégios, ostentações,
que egoísmo, que vergonha, que maldade!
Apenas desejar tais condições
já demonstra o grau primário da vontade.

Se cada um quisesse e tomasse para si
da vida só o que lhe fosse necessário
ruiria o sistema do egoísmo, e aí
o mundo poderia ser mais solidário.

Com humildade e com dignidade
escolhe a humanidade o mal e o bem,
é preciso trabalhar a sociedade
pra que não se abandone mais ninguém

Se ainda não vivo um mundo assim,
não posso simplesmente ignorar,
não dá pra ver a vida só pra mim,
se quero ter valor no trabalhar.

Sem me conformar, muito menos aderir,
faço meu olhar bem mais profundo.
Observar, absorver, analisar, refletir
e expor tudo em meu trabalho sobre o mundo.

E se e quando eu for de arrasto na corrente poderosa
quero saber que eu andei ao contrário da corrente,
que não vivi atrás de uma vida cor de rosa,
ignorando a injustiça e o sofrer de tanta gente.

Quero saber que lutei o quanto pude,
que não me rendi a pressões nem seduções;
que mantive em minha vida a atitude
de não desejar mais do que preciso
e estar sempre solidário às multidões.

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A melhor definição de DEUS



Assisti no Pavablog e gostei demais.

Segunda-feira, Julho 26, 2010

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Quando a Graça capacita os incapazes...

No dia 08 de fevereiro de 2009, uma multidão acompanhou emocionada a consagração de Rayane, minha filha especial e primogênita.
Desde os dezoito anos, tem demonstrado o desejo de trabalhar na igreja ao lado de seus pais e irmãos.

Apesar de suas limitações, ela não tem medido esforços, e muitas vezes tem surpreendido a todos. Quer recebendo as pessoas com carinho, ou ajudando em outras tarefas, principalmente animando o período de louvor, Rayane tem sido um instrumento da graça de Deus. Quem duvida de sua capacidade em trabalhar para Deus precisava vê-la subindo morro, comprimentando a todos, até traficantes fortemente armados, com seu singelo sorriso, e visitando famílias ao lado dos seus pais.

Rayane e meu encontro com a Graça

Ela foi o instrumento de Deus através do qual, há quinze anos, eu pude conhecer a Sua surpreendente graça.

Aos vinte e cinco anos, meu ministério sofreu uma reviravolta. Deus presenteara a mim e a minha esposa Tânia com uma filha especial. Aos cinco anos, Rayane jamais andara ou falara. Depois de recorrer a vários especialistas, ouvimos de uma médica boliviana na ABBR do Jardim Botânico que nossa filha jamais andaria. Isso embaralhou minha cabeça. Como eu poderia continuar pregando o Evangelho, se minha própria filha era impossibilitada de andar? Como as pessoas dariam crédito à minha pregação?

Numa manhã de sábado acordei com um forte desejo de orar. Pedi à minha esposa que não queria ser interrompido. Tranquei-me no quarto comecei a me desabafar com Deus.

Minhas palavras foram mais ou menos assim: - Senhor, não é justo que minha filha continue assim. Lembra de tudo o que tenho feito pela Tua obra. Lembra que tenho gasto toda minha juventude pra Ti. Lembra dos meus sacrifícios. Meu pai tem dedicado trinta anos de sua vida em Tua obra. Até quando, Senhor, minha filha será a vergonha do meu ministério? Era como se eu estivesse cobrando de Deus a sua cura, respaldado em meus méritos pessoais.

De repente, senti que algo estava acontecendo. Calei-me, e aguardei. Uma voz doce e suave dirigiu-se ao meu coração: - Desde quando suas boas obras lhe dão o direito de me cobrar alguma coisa? Eu não lhe devo nada. E o que eu faço na vida do homem, não é por seus méritos, mas pela minha Graça.

O conceito de graça desafiava meu entendimento e contrariava boa parte daquilo que havia aprendido acerca das coisas de Deus. Mesmo relutante, abri minha Bíblia, e comecei a ler a carta de Paulo aos Romanos. A sensação que eu tinha era de que vendas haviam sido retiradas dos meus olhos. Estava tudo ali. E eu, nascido e criado na igreja, pastor há oito anos, ainda não havia percebido. Foi, de fato, uma revelação. Escamas caíram dos meus olhos. Uma indizível alegria tomou de assalto o meu coração.

Eu e Tânia resolvemos marcar um culto de ação de graças pela vida de Rayane. Pela primeira vez, expus publicamente o problema de nossa filha. Até aquele dia, eu sempre orientava minha esposa a manter nossa filha fora dos olhares curiosos dos irmãos da igreja. Elas costumavam se sentar no último banco, e antes que o culto terminasse, Tânia a levava para meu gabinete.

Dias depois, num culto de Domingo a noite, no momento do ofertório, minha esposa tirou da bolsa uma oferta. De repente, Rayane tomou o dinheiro de sua mão, levantou-se, e foi caminhando até a frente do púlpito. Todos ficaram pasmados, inclusive eu. Alguns, emocionados, começaram a chorar. E eu, com a voz embargada, não sabia como reagir àquilo que Deus fazia diante dos meus olhos. Minha filha, finalmente, caminhava pela primeira vez, sem jamais sequer ter engatinhado!

A partir desta experiência, nosso ministério sofreu uma guinada radical, e hoje está estabelecido sobre o tripé: graça, reino e amor.

Rayane foi eleita como a mascote da Militância Reinista, que reúne centenas de obreiros voluntários espalhados pelo Rio de Janeiro e fora dele, e que além de atuarem em nossas congregações locais, também atuam no Projeto Tesouro Escondido, braço social da REINA.

Não houve quem não chorasse, emocionado no momento da consagração. Logo após, Rayane ajudou aos demais obreiros em suas tarefas, devidamente uniformizada.

O que tenho aprendido com Rayane

Aprendi a vencer pelo silêncio, a não me preocupar em provar nada pra ninguém.

Rayane me mostrou que é da fraqueza que Deus tira a fortaleza. Que a vergonha de hoje, é a glória de amanhã. Sem qualquer palavra, Rayane nos tem transmitido o mais belo sermão de amor e graça. Ela é o que é. Frágil, doce, sincera, espontânea.

Aprendi com minha filha que Deus usa os incapazes aos olhos humanos para confundir os que se acham detentores da razão. Aprendi que o importante não é ter a última palavra, e sim, dar o primeiro passo em direção ao outro, ainda que seja para pedir perdão.

Obrigado, filha. Obrigado, Senhor, por nos ter confiado uma vida tão preciosa.

Quando o mundo me decepcionar, olharei para seus olhos puros e meigos, e recobrarei meu ânimo e esperança de um mundo melhor.

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O que é o Reino de Deus, afinal?

Domingo, Julho 25, 2010

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Família: Razões pra celebrar ou lamentar?

Após atravessar o Mar Vermelho com os pés secos, depois de séculos de escravidão no Egito, o povo Hebreu tinha motivos de sobre pra comemorar. Mirian, irmã mais velha de Moisés, tomou um tamborim, e liderou o cortejo de mulheres, que cantavam e dançavam em celebração.

Embora todos tivessem razão de celebrar, Mirian tinha razões extras. Creio que enquanto dançava, sua mente foi remetida a um episódio do qual foi coadjuvante, ocorrido oitenta anos antes.

Não fosse aquele acontecimento, talvez não houvesse razão pra que Israel comemorasse sua libertação.

Mirian ainda era uma menina quando sua mãe deu à luz um menino. Àquela época, Faraó, o rei do Egito, decretou que todos os meninos hebreus recém-nascidos deveriam morrer. O receio de Faraó era que a multiplicação dos hebreus colocasse em risco a soberania do Egito.

“Vendo que o menino era formoso, escondeu-o por três meses” (Êx.2:2). Nada como o instinto materno! Porém, por ser muito chorão, o menino acabava chamando a atenção dos transeuntes. O que fazer? Se as autoridades soubessem de sua existência, o matariam. E se alguém os denunciasse? Talvez toda a família fosse executada, por não obedecer a um decreto real.

“Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo, tomou um cesto de juncos, e o revestiu de betume e piche. Então pôs nele o menino, e o largou entre os juncos à beira do rio” (Êx.2:3).

Por mais insana que parecesse a idéia, era a única que ocorreu à mãe do menino. Lançá-lo ao rio lhe parecia melhor do que vê-lo sendo partido ao meio. Porém antes de entregá-lo às águas, sua mãe lhe preparou um cesto. Provavelmente o acolchoou, proveu um pequeno lençol para que o protegesse. Mas além disso, o mais importante: ela impermeabilizou o cesto. Forrou-o de betume por dentro e por fora, para que as águas não se infiltrassem e matassem o menino afogado.

O menino tinha que ser mantido seco. Embora ela não soubesse, mas seria ele o líder que conduziria o seu povo pelo Mar Vermelho com os pés à seco.

O que estava em jogo era muito mais do que a vida de um infante. Era o futuro de um povo, e quiçá, o futuro e a salvação de toda a humanidade.

Enquanto Mirian tocava seu tamborim, ela se lembrou de quando teve que acompanhar o cesto açoitado pelas correntezas do Nilo, ou de um de seus afluentes.

Não sabemos se por ordem de sua mãe, ou por iniciativa própria. O fato é que ela não desgrudou os olhos do cesto que continha seu irmão ainda sem nome.

Agora eram duas vidas em risco. As margens do Rio poderiam reservar surpresas desagradáveis, como por exemplo, os famosos crocodilos do Nilo.

De repente, o cesto estaciona preso aos juncos. Justamente nessa hora, a filha de Faraó desceu para se lavar no rio. Enquanto se banhava, avistou o cesto, e pediu que um de suas criadas o trouxessem a ela. “Abrindo-o, viu o menino. Ele chorava, e ela teve compaixão dele, e disse: Este é menino dos hebreus” (v.6). Provavelmente, ela reconheceu que era um hebreuzinho, por causa da circuncisão a que eram submetidos no oitavo dia de nascido.

E agora? O que fazer? Entregar aos soldados para executá-lo? O texto diz que ela se encheu de compaixão. O próprio Deus despertou nela este que é um dos mais belos sentimentos a aflorar no coração humano.

Em vez de entregá-lo, ela resolveu criá-lo. Porém, surge um novo dilema: como amamentá-lo, se não tenho leite?

A menina Mirian, que acompanhara todo o trajeto do cesto, aproximou-se e sugeriu: “Queres que eu vá chamar uma ama dentre as hebréias, que crie este menino para ti?” (v.7). A provisão divina promoveu o reencontro entre o menino e sua mãe, permitindo que ela não só o amamentasse como também o criasse. E ainda por cima, recebeu salário para isso!

“Sendo o menino já grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou. Ela lhe pôs o nome de Moisés, e disse: Das águas o tirei” (v.10). Este é o único caso na Bíblia ( pelo menos, que eu saiba...) onde alguém só recebeu um nome depois de grande. Talvez sua mãe tenha evitado dar-lhe um nome, para que não tivesse um vínculo afetivo mais forte com o menino. Era uma maneira de se precaver, já que sabia que teria que devolvê-lo à filha de Faraó.

Moisés, o menino tirado das águas, seria o homem através de quem Deus livraria Seu povo pelas águas.

Veja quantas razões havia no coração de Mirian para festejar a passagem pelo Mar.

E se o cesto não houvesse sido devidamente impermeabilizado? Se as águas se infiltrassem no cesto, afogando o menino que seria o libertador de Israel?

Vale aqui uma reflexão: será que temos permitido que haja alguma infiltração indesejada em nossa família? Temos cuidado devidamente de nossos filhos? Já nos ocorreu que eles representam o futuro?

Assim como a mãe de Moisés, tentamos mantê-los escondidos do mundo, até que, de repente, eles crescem. Se fosse possível, nós os colocaríamos numa redoma (falo por mim!). Gostaríamos de poupá-los de tudo de mal que o mundo oferece, de todas as dores e decepções. Mas chega o momento em que temos que lançá-los ao rio. Temos que entregá-los às águas do rio da vida. Deixar que sejam levados por suas correntes.

Isso é inevitável! Resta saber se temos depositado nossos filhos num cesto betumado, com suas frestas devidamente tapadas.

Esse “cesto” pode representar a educação que temos dado, os valores e princípios que temos passado.

E mais: mesmo depois de entregá-los à vida, há que se acompanhá-los, ainda que à distância, como fez Mirian.

Com quem nossos filhos têm andado? Quem tem sido suas influências? Que sites têm visitado na internet?

De quantas dores seríamos poupados se tão-somente nos precavêssemos, preparando o cesto, acompanhando-o em sua travessia pelo rio?

Às vezes, os pais não querem ser chatos, pois sabem que os filhos necessitam de um pouco de privacidade. Mas lembre-se: Não foi a mãe de Moisés que acompanhou o cesto. Foi sua irmã. E aqui há um princípio bíblico muito importante: os irmãos devem cuidar uns dos outros. Não podemos incorrer no mesmo erro de Caim, quando perguntado por Deus acerca de Abel, respondeu: Sou eu guardador do meu irmão?

Entre irmãos, deve haver confiança, cumplicidade sadia, acompanhamento, cuidado mútuo.

Lá na frente, quando presenciarmos um grande feito realizado por Deus através de nosso filho ou irmão, teremos motivos para celebrar.

Infelizmente, muitos pais e irmãos só encontram motivos para se envergonhar e lamentar a sorte de seus filhos e irmãos.

Não adianta acusar A ou B. Temos que proceder com responsabilidade agora, preparando o cesto, acompanhando de perto a sua trajetória, e nos oferecendo como “amas de peito”, isto é, alguém com quem nossos entes queridos sempre poderão contar, seja entre os juncos no rio, ou nos pátios dos palácios.

Sábado, Julho 24, 2010

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Olho por Olho!

Conhecida como Lei do talião, uma das mais antigas leis existentes consiste na justa reciprocidade do crime e da pena. Esta lei é freqüentemente simbolizada pela expressão olho por olho, dente por dente. Seu nome se deriva do latim Lex Talionis, que poderia ser traduzido com “Lei do tal qual”.

Os primeiros indícios extra-bíblicos da lei do talião foram encontrados no Código de Hamurabi, em 1730 a.C., no reino da Babilônia. Essa lei permite evitar que as pessoas façam justiça elas mesmas, introduzindo, assim, um início de ordem na sociedade com relação ao tratamento de crimes e delitos.

Apesar de muitos acreditarem que tal lei incentivava a vingança, a verdade é que ela objetivava impor limites à vingança. Ninguém poderia causar ao seu ofensor um dano maior do que havia sofrido. Se perdera um olho, não poderia requerer dois olhos, e assim por diante.

Encerra a idéia de correspondência de correlação e semelhança entre o mal causado a alguém e o castigo imposto a quem o causou: para tal crime, tal e qual pena.

E quando o dano não era premeditado? Por exemplo, quando se tirava a vida de alguém acidentalmente. A distinção entre crime culposo e crime doloso pode ser encontrada nas páginas das Escrituras. O crime doloso é aquele em que a pessoa tinha o firme propósito de matar (assassinato). Houve premeditação, planejamento. Já no crime culposo não há a intenção, porém, permanece a culpa.

Um exemplo clássico é quando acontece um acidente automobilístico numa via pública em que o motorista estava em alta velocidade, e alguém atravessou na frente do carro sem olhar.

Como a Lei Mosaica lidava com esta distinção?

Em Números 35 lemos que Deus ordenou a Moisés que separasse seis cidades para que se tornassem refúgio para pessoas que houvessem cometido um crime acidental.

De acordo com a Lei, se uma pessoa fosse assassinada, sua família constituía um dos seus membros como “vingador do sangue”, a quem cabia encontrar o homicida, e requerer o sangue da vítima. Mas se o homicídio fosse sem dolo, o homicida podia buscar asilo em uma dessas cidades refúgio. Enquanto estivesse ali, o vingador do sangue não poderia matá-lo. Ele estava protegido, à espera de um julgamento imparcial.

Era uma espécie de habeas corpus. Em vez de ser preso ou morto, o homicida acidental era mantido em liberdade, porém, restrito aos limites da cidade refúgio. Se ele saísse, já não teria qualquer proteção contra o vingador do sangue.

A Lei previa que se o Sumo Sacerdote morresse, o réu estaria livre para deixar a cidade refúgio e voltar para o seio de sua família, pois seu crime teria prescrevido.

O cargo de Sumo Sacerdote era vitalício, e, portanto, geralmente demorava anos até que ele morresse, e assim, o réu pudesse ser liberado sem qualquer pena a cumprir. Era o tempo necessário para que o crime prescrevesse.

Ora, sabemos que a Lei Mosaica continha sombras e tipos de uma realidade que só se manifestaria com a chegada de Cristo ao Mundo.

Esta lei, em particular, é rica em analogias à obra realizada por Cristo. Todos somos igualmente réus perante o tribunal de Deus. E mais: somos considerados homicidas. Aos olhos de Deus, homicida não é apenas aquele que tira a vida de seu semelhante, mas também aquele que nutre ódio em seu coração (1 Jo.3:15). Assim como Paulo, que antes de tornar-se apóstolo, era “blasfemo e perseguidor e injuriador” (1 Tm.1:13), nós também alcançamos misericórdia, porque tudo o que fizemos e todo sentimento maligno que nutrimos anteriormente, foi “ignorantemente, na incredulidade” (v.14). E que bom que Deus não leva em conta o tempo da ignorância.

Quando Cristo, ao ser crucificado suplicou, dizendo: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem”, estava pensando em cada um de nós. Estávamos todos “separados da vida de Deus pela ignorância” (Ef.4:18). Nesse estado, aonde poderíamos nos refugiar? O que poderia representar as “cidades refúgio”?

Paulo afirma que antes que Cristo viesse, “estávamos guardados debaixo da lei” (Gl.3:23). A mesma lei que nos acusava, também nos protegia. Quantas vezes a mesma polícia que prende o autor de um crime, o defende para que não seja linchado pela turba revoltada?

A Lei Mosaica com seus rituais, cerimônias, festas, tinha como objetivo nos dar refúgio, enquanto ainda pesasse qualquer acusação contra nós perante o Juiz Divino. Porém, há que se observar um detalhe determinante para entendermos melhor a alegoria proposta nesta lei: A morte do Sumo Sacerdote liberava o réu de todas as acusações.

Quem é o nosso Sumo Sacerdote? Deixemos que as Escrituras nos respondam:

“Convinha-nos tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” (Hb.7:26). Quem seria o tal sumo sacerdote “mais sublime que os céus?” O mesmo autor responde: “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, o Filho de Deus” (Hb.4:14).

Ao morrer naquela cruz, Cristo, nosso Sumo Sacerdote, nos libertou de todas as acusações que pesavam contra nós. Estamos, finalmente, livres!

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei” (Gl.4:4-5).

Diante disso, por que permaneceríamos refugiados?

O texto em Números diz que Moisés foi orientado por Deus a separar seis cidades para refúgio, sendo três aquém do Jordão, e as outras três do outro lado, já na terra prometida. Talvez isso nos indique que assim como houve um refúgio provido pela Lei do lado de lá do Jordão, isto é, ainda na Antiga Aliança, ainda hoje há “cidades refúgio” do lado de cá, já na Nova Aliança.

Quem sabe essas cidades refúgio não são um símbolo do papel desempenhado pela igreja cristã ao longo de sua existência. Não me refiro à igreja como Corpo Místico de Cristo, mas como instituição religiosa. Quem não se sente protegido dentro dela? Nela encontramos o afago dos irmãos, um ambiente acolhedor, uma zona de conforto dentro de um mundo conturbado.

Mas se Cristo, nosso Sumo Sacerdote já morreu por nossos pecados, por que razão nos manteríamos circunscritos às nossas cidades refúgio?

Aliás, o termo ekklesia (igreja, em grego) significa “tirados pra fora”. Não fomos chamados por Deus para viver refugiados, asilados em nossos guetos religiosos. Deus nos envia ao mundo, tal qual enviou Seu único Filho Jesus.

Deixemos, portanto, nossa zona de conforto, e caminhemos pelas estradas deste mundo, cumprindo assim nossa vocação de “sal da terra” e “luz do mundo”.

E quanto ao “vingador de sangue”? Uma vez que já não resta acusação contra nós, estamos definitivamente livres. Ademais, maior é o que está em nós, do que o que está no mundo. Que nossas igrejas deixem de ser “cidades refúgio” para ser “quartéis generais” onde nos reunamos para cultuar a Deus, e buscar Sua orientação para enfrentarmos os desafios da vida, alcançarmos o mundo e expandirmos o Seu reino.

Sexta-feira, Julho 23, 2010

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Grande Comissão ou grande omissão?

grande comissão hermes fernandes Para quem não está acostumado a termos teológicos, chamamos de “Grande Comissão” a ordem dada por Cristo aos Seus discípulos antes de Sua ascensão, registrada em Mateus 28:18-20:

“Chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. E certamente estou convosco todos os dias, até a consumação do século.”

Dois milênios se passaram… será que a igreja tem feito o dever de casa? Será que nossa agenda se ajusta à Grande Comissão, ou seria melhor definida como a Grande Omissão?

Antes de responder a esta questão, vamos tentar compreender melhor a natureza desta comissão.

Primeiro, há que se compreender que para cumpri-la, a igreja teria que depender da atuação do Espírito Santo. A Grande Comissão foi confiada aos discípulos no último discurso de Jesus. De acordo com o relato de Lucas, Jesus garantiu que os discípulos receberiam uma habilidade especial ao descer sobre eles o Espírito Santo, e que lhes conferiria o status de testemunhas, começando por Jerusalém, alcançando toda a Judéia, Samaria e “até os confins da terra” (At.1:8).

Portanto, sem a presença do Espírito, jamais seríamos capazes de concluir esta obra. E mais, o conteúdo da mensagem poderia diluir-se com o passar dos anos. Por isso Jesus afirmou: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo.14:26). Havia, de fato, coisas sobre as quais Jesus não havia tratado ainda com Seus discípulos, e que caberia ao Espírito revelá-las. Jesus confessou: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (Jo.16:12-13a). Portanto, a atuação do Espírito na igreja seria capacitadora, pedagógica e, por isso mesmo, imprescindível. Precisamos aprender a depender mais d'Ele e menos de nossas estratégias.

Para que o Espírito nos fosse outorgado, Cristo teria que ser exaltado à destra do Pai, e isso equivaleria a receber toda a autoridade no céu e na terra. Como Ele mesmo disse: “Convém que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós; mas, se eu for, eu o enviarei” (Jo.16:7).

Engana-se quem pensa que após ser assunto ao céu, Jesus assentou-se num trono mais parecido com uma cadeira de balanço, e que esteja esperando pra receber autoridade do Pai somente num milênio. Não! A única garantia que temos que seremos bem sucedidos no cumprimento da Grande Comissão é o fato de Jesus estar reinando.

A Grande Comissão é o meio através do qual Seu governo é estendido a todas as nações (Rm.16:26).

A palavra grega traduzida por reino é “basileia”, que poderia ser traduzida como império, isto é, um reino em franca expansão. Não se trata de anexar novos territórios, mas alcançar novas consciências, levando-as a reconhecê-Lo como o Senhor de toda a Criação.

Isaías profetizou acerca disso: “Do aumento do seu governo e paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is.9:7).

A cada passo que a igreja dá em sua marcha triunfal, o Reino de Cristo se expande. Vidas são reconciliadas com Deus. Sociedades inteiras são transformadas. Era isso que os puritanos e avivalistas dos três últimos séculos chamavam de “avivamento”.

Não tem nada a ver com povoar o céu. Tem a ver com encher a terra do conhecimento da glória de Deus (Is.11:9).

Cristo não está esperando um sinal do Pai pra começar a reinar. Ele reina agora, e “convém que ele reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1 Co.15:25).

No cumprimento da Grande Comissão, os discípulos de Jesus subvertem a ordem, e por onde passem, declaram o Senhorio de Cristo. Por isso, dizia-se acerca deles: “Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui” (At.17:6b).

Interessante notar que o verbo “alvoroçar” tem a mesma origem do verbo “alvorecer”. É justamente isso que os discípulos de Jesus fazem ao subverter a ordem, anunciar a chegada da alvorada, do Reino de Deus. À medida que caminham pelos rincões da Terra, trazem consigo o alvorecer do novo dia. Cumpre-se, então, o que diz Probérvios 4:18: “A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”.

Se tudo isso é verdade, por que temos a impressão de que a igreja tem falhado em sua missão?

A resposta não é tão simples, mas me atrevo a apontar uma das razões: Limitamos a grande comissão à tarefa de ganhar almas, isto é, fazer prosélitos.

Até a expressão “ganhar almas” soa estranha. “Todas as almas são minhas”, disse o Senhor (Ez.18:4). Como podemos ganhar pra Ele o que já foi comprado com Seu próprio sangue?

Examine as palavras usadas por Jesus na Grande Comissão. Em momento algum fala de “ganhar almas”, e sim de “fazer discípulos”.

Imagine se toda mãe achasse que seu papel seria tão-somente parir. Depois de cortado o cordão umbilical, a criança seria entregue à própria sorte.

Ser mãe é muito mais do que dar a luz. É também amamentar, educar, guiar, ser exemplo. Paulo toma esta analogia ao escrever aos Gálatas: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl.4:19).

A igreja não é só uma maternidade onde novas vidas são geradas. É mais que isso. É uma espécie de fábrica de que “cristos” em série. Aliás, o termo “cristão”, embora pareça estar no superlativo, significa literalmente “pequenos cristos”.

Discipular é reproduzir cópias do Mestre. Ele é, por assim dizer, nosso protótipo, nosso referencial.

Mas como fazê-lo? Ensinado-os a guardar tudo quanto Ele disse. Já ouvi de alguns que sermões como o das bem-aventuranças não servem para nós, gentios, pois teriam sido destinados exclusivamente aos judeus. Há até um ultra-dispensacionalismo que ensina que somente os escritos de Paulo são válidos hoje. Tudo isso não passa de aberração doutrinária que deve sofrer nosso repúdio. Uns focam a obra expiatória de Cristo na Cruz, e se esquecem de Seus ensinamentos. Outros enfatizam-nO como Mestre e O negligenciam como Salvador.

Se quisermos cumprir a Grande Comissão, temos que pregar o Evangelho integralmente, sem tirar nem por. Tudo o que Ele ensinou é para hoje, é para sempre. No dizer de Paulo, “toda Escritura ( e isso inclui o Antigo e o Novo Testamentos, os sinópticos, as epístolas, etc.) é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Tm.3:16-17).

Nosso dever não é preparar ninguém pra vida após a morte. É preparar os homens para toda a boa obra aqui. Mesmo porque depois da morte “não há obra, nem projetos” (Ec.9:10).

Portanto, discipular é preparar vidas para reproduzir Jesus neste mundo. É lançar as bases de uma nova civilização, pautada na ética do Reino de Deus e em sua justiça.

Domingo, Julho 18, 2010

3

Na Ceia do Senhor não há balança

Só há dois tipos de convertidos: Os que conhecem a Palavra e os que estão conhecendo. Há o resto: gentios amantes do mundo; inalcançados; futuros convertidos; os jamais arrependidos; os agregados à igreja, os adesistas de última moda; os hipócritas; os lobos em pele de cordeiro; os vendilhões da fé; e todos os demais que não tiveram as escamas retiradas dos olhos.

Na mesa do Senhor há pão e vinho. Mas há outras coisas. Há o candelabro e há a Palavra.

A luz é a presença do Espírito do Deus Vivo em nossas vidas. A libertação da escuridão. A Palavra é a revelação do Caráter de Deus, Seus desejos para as nossas vidas e o testemunho de Suas Alianças e do encontro de homens com o Insondável.

Com esta Luz, dada pela Graça de Deus, vemos o mundo diferente. Com a Palavra, entendemos as intenções do Senhor para as nossas vidas.

De posse destes tesouros, o convertido assentado à mesa do Senhor é convidado à ceia.

O Anfitrião nos convida a encher o nosso prato das suas bênçãos, misericórdias e frutos.

Somos convidados a experimentar o amor, a alegria, a paz, a paciência, a amabilidade, a bondade, a caridade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio.

O Senhor nos convida a encher os nossos pratos, a viver a abundância destes alimentos que nos são dados e que nos levam ao caminho da santidade e à intimidade com o Ele.

Nós que O amamos, obedecemos.

Mas nem todos fazem assim. Muitos entre os convidados à mesa são glutões das bênçãos e promessas, mas olham os demais pratos com o receio dos que freqüentam um restaurante a quilo. Olham para os alimentos da santidade, mas preocupam-se com o seu peso. Ponderam o custo destas escolhas para suas vidas, seus negócios, suas paixões; ou simplesmente agem conforme a sua conveniência e gosto e se esquecem do convite do Pai.

Alguns comensais são hipócritas. Enchem os pratos dos outros, mas empurram os alimentos que parecem mais duros, para os cantos, com todo o disfarce. Usam lindos guardanapos, bordados e vistosos. Agem como se fossem os mais íntimos dos convidados do Anfitrião. Alguns ainda exigem dos outros a prova daquilo que nem sequer estava à mesa. Trazem para o consumo alheio receitas amargas de sua própria lavra. Querem assentar-se nos lugares de honra. Fazem pouco da Palavra já escrita. “Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu vou beber?”

Devemos ter audácia e encher nossos pratos, sem olhar para a balança, sem o temor do preço. Não podemos esquecer que o nosso Anfitrião já pagou o preço devido e sabe o que é melhor para nós. A audácia será recompensada por Sua Santa Providência, não sentiremos todo o peso das escolhas feitas por Deus para as nossas vidas. O Senhor nos sustentará. Levantaremos mais fortes desta mesa, prontos para levar para o mundo o alimento de que o mundo precisa.

Tudo o que nos falta é audácia!



Texto de Danilo Fernandes, extraído de seu excelente blog Genizah

Sexta-feira, Julho 16, 2010

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O Direito de não perdoar

Quarta-feira, Julho 14, 2010

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Elvis Presley cantando "Oh Happy Day"



Já que ontem foi o dia mundial do Rock, que tal ouvirmos o rei do rock louvando ao Rei dos reis?

Segunda-feira, Julho 12, 2010

16

Bruno, o Levita e o Valor da Vida

A Bíblia conta a história de um levita, em Juízes 19, que saiu errante com sua concubina e tendo chegado em Gibeá, passou ali a noite. Depois de permanecer na praça, um homem velho efraimita que morava em Gibeá lhe deu guarida. Porém, os moradores daquela região cercaram a casa, insistiram e tomaram sua companheira (do levita) e abusaram dela sexualmente até ao amanhecer. Não resistindo, veio a falecer. Seu companheiro a esquartejou e enviou pedaços de seu corpo às doze tribos. O ocorrido causou grande indignação dos filhos de Israel para com os habitantes de Gibeá e houve guerra entre eles.

Alguns, hoje, advogam que aquele levita estava fora do plano de Deus e por isso tudo aquilo sobreveio a ele. Nossas teologias igrejeiras têm a teimosa mania de relacionar toda as tragédias aos pecados das vítimas. Esquecem que o contexto (capítulos 17 a 21) fala de um período de apostasia, de um povo que servia a Deus, mas deixou-se corromper pelos costumes pagãos e enfoca a violência de uma gente sem rei e sem lei (v.1). Naquele tempo todos faziam o que queriam porque Sansão teve o seu ministério encurtado por conta de sua desobediência e foi ceifado cedo, antes de cumprir seu tempo de juiz. O peregrino não queria passar a noite em cidades que não fossem de Israel, por isso escolheu aquela cidade, mas infelizmente Gibeá estava tomada da violência e crueldade, típicas dos antigos moradores cananeus. Em Lucas 13.1-5, o Senhor Jesus mostra claramente que homens bons e maus morrem de igual modo, e todos devem se arrepender igualmente. Ele próprio não tinha pecado e morreu tragicamente numa Cruz para nos salvar. E o que dizer dos apóstolos, cuja história relata que morreram todos martirizados? E Estevão? E Paulo? E Policarpo? e Jonh Huss?

Assisti, no Jornal Hoje, um lamentável levantamento de quanto o jogador Bruno, goleiro do Flamengo, clube carioca, poderia acumular de riquezas se continuasse jogando. Disse o especialista que se permanecesse no Brasil, acumularia 40 milhões de reais e se fosse transferido para o exterior poderia chegar aos 100 milhões. Esta é a realidade da sociedade e do mundo em que vivemos. Em pleno processo investigativo, onde o esportista é suspeito de haver mandado matar uma ex-namorada, a rede Globo de Televisão teve a brilhante ideia de calcular quanto o homem perderá em dinheiro. Alguém na emissora citada poderia citar quanto vale a vida da Eliza? A dor dos pais dela? As consequencias sobre a vida da criança que hoje completa cinco meses de vida? Os resultados psicológicos na vida dos participantes desse crime bárbaro, como o adolescente que presenciou toda a cena e confessou que não consegue deixar de ver Eliza?

Quanto vale a vida? Quanto vale uma alma para o Reino de Deus? Ou vamos brincar de determinismo agora e dizer que foi assim porque não era para ela ser salva mesmo, afinal era uma "modelo" ou que participou de filmes adultos e por isso mereceu esse tipo de morte? Morte descrita com requinte de crueldade, nem mesmo visto nos filmes de Mel Gibson. Disse o delegado que as últimas palavras da moça teriam sido: "Eu não aguento mais apanhar". Ninguém diz isso sem antes ser maltratada como um verme, um bicho. Li nos muitos jornais de nosso país que os criminosos teriam desossado o corpo (como um animal, um boi de frigorífico), dado sua carne para cães de raça rottweiler e depois concretado os ossos para não serem descobertos.

A investigação ainda corre, mas quero chamar a atenção para o que o ser humano sem Deus é capaz de fazer. E agora não importa tanto se o Bruno foi abandonado pelos pais quando bebê e criado pelos avós. Conheço muita gente abandonada em portas de casas de estranhos que crescem e são pessoas de bem. Os calvinistas estão certos quando falam de depravação total ou os arministas quando alegam que foi parcial? E por que a Igreja é tão omissa enquanto o assunto comove a nação inteira e não se pronuncia contra ou a favor? Alguém pode alegar que não pediram nossa opinião e por isso não nos metemos em questões que não nos dizem respeito.

Sou muitíssimo a favor de que a igreja ore pelo mundo, pelas pessoas, pela salvação, pelas autoridades, pelos reis da terra, pela paz de Israel e de Jerusalém, mas também sou a favor de que a igreja vá a público para dizer que é contra esse tipo de violência, contra o pecado, contra a corrupção, contra as fichas sujas dos políticos e das convenções das igrejas evangélicas, inclusive. Não uma igreja que sai às ruas para fazer movimento com som de trio elétrico para chamar atenção para sua denominação e sua suposta influência na sociedade, enquanto seus líderes são presos não por amor a Cristo, mas por outras causas desprezíveis. Não sou a favor de uma igreja que marcha de um lado para o outro da cidade, mas não marcha para o Céu.

Neste ano de eleições, infelizmente, temos que reconhecer que boa parte de nossos políticos nada fazem para o bem-estar da sociedade. A maioria deles defende os interesses de suas denominações, dá títulos de cidadania a pastores que estão em eminência e coloca nome de cristãos destacados, segundo seus interesses particulares, em ruas de suas cidades, enquanto deveriam criar e votar leis mais justas, contra a violência e a desigualdade social. Quanto custa um mandato político? Quanto custa ser eleito? Quanto vale um voto? Quanto vale a vida da concunbina do levita errante? Quanto vale a vida da Eliza? Quanto vale a vida do nenen? E a do menor infrator? E a do Bruno? Quanto vale a vida dos executores? Quanto vale uma alma?

Eliza não era mais pecadora que qualquer outro cidadão para merecer uma morte bárbara. O ser humano é mau desde sua mocidade e é capaz de praticar os crimes mais hediondos e inimagináveis. Somente o Evangelho de Jesus poderia converter os moradores de Gibeá. As leis não vão extinguir o pecado, mas com certeza vão impedir o avanço da barbarie. E quem sabe as emissoras de televisão e os formadores de opinião teriam um coração mais humano, mais solidário, e repensassem o ser humano em termos de vida e não de valores.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

Domingo, Julho 11, 2010

6

Consumidos por um Sonho de Consumo

Sábado, Julho 10, 2010

6

Autor da Minha Fé - Logos



Esta canção marcou o início do meu ministério em meados dos anos 80. É difícil ouvi-la e não lembrar de todos os que passaram pela minha vida e que um dia reencontrarei na glória eterna.

Saudade....

Nos reencontraremos com o Senhor nos ares!

5

Protesto contra os apologetas de plantão

Definitivamente precisamos nos levantar contra os blogueiros apologéticos. Cito nomes mesmo sem medo de processos porque Gizuz me livraria de todos! São eles, o Subversivo do cara do Púlpito Cristão, o outro gordinho tal de Renato Vargens, o discípulo dele o Pastor Márcio de Souza, O Genizah, o Bispo Hermes Fernandes, o cristão confuso com aquela sagazinha do "zoin". Essas gentinha já passou do limiar da inconveniência. Todos os dias postam dezenas de coisas contra a teologia mais sadia que existe que é a belíssima e fundamentada teologia da prosperidade. Eu enquanto pastor, devo defender meu salário quero dizer ponto de vista sobre as ditas altas arrecadações feitas entre os meus amigos mais abastados.

Vamos lá. O silas Malafaia por exemplo (Meu exemplo), arrecadou cerca de R$5.000.000,00 somente divulgando a palavra de deus. As pessoas o condenaram porque associado com nosso grande guru Cerullo foram instruídos divinamente a vender bíblias que custariam R$35,00 na gráfica por R$900,00. Ora o que é isso senão a valorização da Palavra?

O outro lá condenou o Bispo Macedo pela universal pagar pelo horário noturno da record 20 vezes mais do que se pagaria normalmente. Esse eu explico: A IURD é generosa e entende que é dando que se recebe. Daí resolveu por simples caridade oferta pra Rede record a mera bagatela divulgada pela TV do diabo, a impronunciável.

Bem seja lá como for, devemos calar a boca dos leões, dos blogueiros que se dizem donos da verdade. Eu enquanto pastor consagrado pelo Apóstolo Ramirinho rogo que aqueles que andam por aí falando mal de nosso jeito extravagante de arrecadar sejam amaldiçoados com 7 anos de azar e eu profetizo um bug no blogger e no wordpress somente pra quem ousar levantar a voz contra os ungidos de deus.

Agradeço a oportunidade em nome de Gizuz e aproveito para praguejar contra o editor desse blog o @oemergente que anda dizendo que o que posto é sarcasmo gospel, ironia, humor... não é, não é e não é... pra mostrar que não tenho ressentimentos e como prova do meu IMENSO amor por ele, o presentearei com o mais novo cd de André Valadão e a coletânea das músicas de sua adorável irmã a 36ª dama na ordem da dinastia diante do trono Mariana Valadão!

É bença pura, sem mistura!

Pr. Batatinha (Via Santos e Profanos)

OBS: Pastor Batatinha é um personagem do blog. É responsável por manter os hereges vivos por aqui). É tudo ironia gente, sarcasmo puro, humor.

Sexta-feira, Julho 09, 2010

3

O Sucesso segundo Deus

Basta entrar numa livraria, secular ou cristã, procurar as prateleiras de livros de auto-ajuda, para lá encontrar inúmeros títulos sobre sucesso.

"Como alcançar sucesso", "Sucesso não é acidente", "Sucesso é ser feliz", "Sucesso não acontece por acaso", "7 passos para o Sucesso", são alguns dos títulos que você poderá encontrar.

A maioria oferece um tipo de receita de bolo, com passos e ingredientes necessários para se obter sucesso.

Até aí, tudo bem. Vamos relevar...

O problema não está na receita em si, mas na definição de sucesso. O que é "sucesso", afinal?

Na ótica do mundo, sucesso pode ser considerado êxito profissional, aquisição de bens de consumo, realização conjugal, etc.

Que definição as Escrituras nos dariam? O que seria "sucesso" na ótica divina?

E mais: Qual seria o aferidor usado por Deus para medir nosso sucesso? Será que Ele se impressionaria com nossas realizações?

Poderíamos mensurar o sucesso de alguém pelo carro que dirige? Ora, o carro zero de hoje, será a lata-velha de amanhã. Não é em vão que se diz que o sucesso é efêmero, fugaz. Se nossa definição de sucesso se ativer à aquisição de bens, ou mesmo à fama, então tal ditado deve ser confirmado. A celebridade de hoje, poderá cair no esquecimento amanhã. O Retiro dos Artistas, situada em Jacarepaguá, RJ, está cheia de exemplos disso. Gente que foi sucesso um dia, e hoje está abandonada até pela família. Não fosse o belíssimo trabalho realizado por aquela instituição, muitos estariam, não apenas fadados ao esquecimento da população, mas entregues à miséria.

Haveria, então, um sucesso que não fosse passageiro? A resposta é sim!

E se estivermos interessados nesse sucesso, temos que recorrer às Escrituras em busca de sua definição.

Antes de definir "sucesso" na ótica divina, destaquemos dois exemplos bíblicos de sucesso, um segundo Deus, e outro segundo o mundo.

Comecemos pelo exemplo de sucesso segundo Deus: Moisés.

O escritor de Hebreus diz que "pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó. Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que, por algum tempo, ter o gozo do pecado. Teve por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egido, porque tinha em vista a recompensa" (Hb.11:24-26).

Quem, em sua sã consciência, recusaria participar da linha sucessória de Faraó? Em termos populares, Moisés estava com a faca e o queijo na mão. Como filho da filha de Faraó, ele era forte candidato ao trono da maior potência do mundo de então. Entretanto, ele abriu mão de tudo isso.

Passou quarenta anos peregrinando com os hebreus pelo deserto do Sinai. Ao morrer, sequer teve uma sepultura digna, como as dos faraós.

É sabido pelos arqueólogos que as famosas pirâmides egípcias foram construídas como gigantescos sarcófagos para os monarcas do Egito. Nelas eram depositados, não apenas o corpo do rei, mas também todos os seus tesouros. Quanto maior a pirâmide em que fosse sepultado, maior o sucesso que aquele Faraó havia alcançado durante sua gestão como soberado do Egito.

Porém, Moisés sequer teve uma sepultura. O texto bíblico apenas indica que o próprio Deus o sepultou, mas seu corpo jamais foi localizado.

Moisés trocou o cetro egípcio por um cajado rústico de pastor. Trocou a vida cômoda dos palácios por uma vida nômade. Alguém se atreveria a dizer que Moisés não obteve sucesso aos olhos de Deus?

A propósito, qual era o nome do Faraó contemporâneo de Moisés?

Alguns milênios se passaram, e pouquíssimas pessoas sabem o nome daquele monarca. Porém, tantos judeus, quanto muçulmanos e cristãos honram o grande libertador e legislador que foi Moisés.

Seu nome e sua obra jamais serão esquecidos. Até os ateus reconhecem em Moisés uma das mais importantes e emblemáticas figuras da História. Portanto, podemos afirmar que Moisés foi um homem de sucesso.

Como poderíamos definir "sucesso"?

Ou ainda, como Deus mediria nosso sucesso? Qual o critério pelo qual alguém é considerado bem-sucedido para Deus?

É notório que o apóstolo mais bem-sucedido foi Paulo. Ninguém fez tanto em tão pouco tempo. Foi seu empenho que proporcionou que o cristianismo avançasse para além das fronteiras judaicas.

É o mesmo apóstolo que nos revela que o sucesso de alguém é medido pelo número de ações de graça que são dirigidas acerca a Deus.

Ao conclamar a igreja de Corinto a participar da oferta que estava sendo levantada para ajudar os cristãos em Jerusalém, Paulo os estimula, dizendo: "Em tudo sereis enriquecidos para toda a generosidade, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus. A ministração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também transborda em muitas graças, que se dão a Deus. Visto que esta ministração prova que sois obedientes, e seguis o evangelho de Cristo, eles louvarão a Deus. E também louvarão a Deus pela liberalidade das vossas dádivas para com eles, e para com todos. E orarão com grande afeto por vós, por causa da execelente graça que Deus vos deu" (2 Co. 9:11-14).

Para o mundo, o sucesso é medido por aquilo que conseguimos amealhar, pelas riquezas que concentramos em nossas mãos. Para Deus, o sucesso é medido por aquilo que conseguimos distribuir, fazendo com que ações de graça pela nossa vida cheguem constantemente a Ele.

Pouco importa para Deus a marca do carro que dirigimos. O que importa são as pessoas a quem oferecemos carona, ou a quem socorremos em nosso veículo. O que importa não é quantos cômodos há em nossa casa, e sim quantas pessoas temos hospedado nela. Não importa a grife de nossas roupas, mas aqueles a quem agasalhamos.

Não há oração mais eficaz do que aquela regada de ações de graça.

Quantas pessoas têm se dirigido a Deus em ações de graça pela sua vida? Para quantos sua vida representa o dom dos céus?

A tradição protestante não admite que se faça oração por aqueles que já morreram. Mas nada nos impede de continuar agradecendo a Deus por alguém que já partiu deste mundo.

Quando leio um bom livro de um autor que viveu séculos atrás, eu louvo a Deus por sua vida, e pelo legado que ele deixou.

Agradeço aos céus pelo pai exemplar que tive, mesmo tendo deixado o mundo há quase oito anos. Embora ele não tenha deixado um grande patrimônio para a família, seu maior legado foi seu exemplo de vida, e assim como Abel, mesmo depois de morto, seu testemunho não perdeu a eloqüência.

Escrevendo para os cristãos de Tessalônica, Paulo diz: "Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do vosso trabalho de amor e da vossa firmeza de esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai (...) De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis..." (1 Ts. 1:2-3,7a). Um pouco mais adiante, nesta mesma epístola, Paulo exclama: "Que ação de graças poderemos dar a Deus por vós, por todo o gozo com que nos regozijamos por vossa causa diante do nosso Deus...?" (3:9).

Paulo não poupou elogios aos irmãos daquela cidade. Aquela poderia ser considerada uma igreja padrão, exemplo para as demais, digna de que por ela se oferecessem ações de graça a Deus.

Conhecendo este princípio, Paulo não se inibe em pedir: "Ajudando-nos também vós com orações por nós, para que por muitas pessoas sejam dadas graças a nosso respeito..." (2 Co.1:11a). E mais adiante ele arremata: "Tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, torne abundantes as ações de graça para a glória de Deus" (4:15).

Em vez de ficarmos por aí, rogando que os irmãos sempre orem por nós, que tal se nos tornarmos motivos de gratidão da parte deles para com Deus? Não será preciso pedir. Eles mesmos, expontaneamente, se lembrarão de nós quando estiverem ante o trono da graça, e agradecerão por nossas vidas.

Isso é sucesso! Que se multiplique o número de ações de graça pela sua vida! E quanto mais formos bênção na vida de outros, mais o Senhor terá prazer em manifestar em e através de nós as Suas bênçãos.

Antes de esperar que outros agradeçam a Deus por sua vida, pare um pouco para pensar, e lembre-se daqueles que têm sido bênçãos em sua vida. Agradeça a Deus por eles.

Quinta-feira, Julho 08, 2010

5

Como administrar melhor nosso tempo

Como administrar algo sobre o qual não temos qualquer controle?

Se você sabe, por exemplo, o quanto vai ganhar no final do mês, você pode fazer um planejamento de gastos, para não se individar, nem ter dificuldades para pagar suas contas. Mas quanto ao tempo, como administrá-lo? Se ao menos soubéssemos quanto tempo ainda nos resta!

É justamente por saber que o futuro é imprevisível, que devemos administrar da melhor maneira o tempo presente.

Do passado, a gente adquire experiência. Do futuro, a gente nutre expectativas. E do presente a gente busca tirar o melhor proveito, para que não tenhamos do que nos arrepender amanhã.

* O Passado

O passado deve ser considerado como um professor, cujas lições devem ser aprendidas e utilizadas no presente e no futuro. Porém, não há como reviver ou recuperar o tempo perdido. Há algo no passado que deve ser esquecido, deixado para trás. Não devemos, por exemplo, permitir que nossos fracassos passados nos impeçam de tentar novamente. Nem viver reféns da saudade de sucessos passados.

Porém, aprende-se muito, tanto com os acertos, quanto com os erros. Suas lições devem ser constantemente relembradas e aplicadas para se evitar fracassos futuros.

O sábio Salomão nos adverte:

“Não digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Pois nunca com sabedoria isto perguntarias.”
Eclesiastes 7:10

O saudosismo nos prende a um passado impossível de se reviver. Já a culpa nos prende a um passado impossível de se consertar. Temos que adotar a mesma postura de Paulo ao dizer: “Mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo” (Fp.3:13b-14a).

Se quisermos avançar rumo a um futuro promissor, temos que ser alunos do passado, mas jamais seu refém.

* O Futuro

Nossa relação com o futuro deve ser de planejamento e expectativa. Porém, deve-se ter cuidado para que nosso planejamento não se torne em presunção, e nossa expectativa não se torne em ansiedade. Tiago nos deixa uma importante advertência:

“E agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. Ora, não sabeis o que acontecerá amanhã. O que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.” Tiago 4:13-15

Portanto, todos os nossos planos devem ser submetidos ao crivo do Senhor. Temos o direito de planejar e de nos preparar para o que virá. Mas não podemos ser presunçosos. “Ao homem pertecem os planos do coração, mas do Senhor procede a resposta da língua” (Pv.16:1). “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (Pv.16:9).
É a vontade de Deus que deve sempre prevalecer em nossas vidas.

Antes de executarmos qualquer plano, por melhor que seja, devemos consultar ao Senhor, buscando descobrir o que Lhe é agradável (Ef.5:10).

Alguém já disse que “quem falha em planejar, está planejando falhar”. Não se pode brincar com o futuro. Pois antes que a gente perceba, ele se torna presente...e, finalmente, passado. Por isso, é melhor planejar, do que sacrificar o que jamais poderemos reaver.

Se Deus fosse contrário ao planejamento, as Escrituras não diriam: “Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus planos serão estabelecidos” (Pv.16:3).

Assim como planejamento pode tornar-se presunção, se não o submetermos a Deus, nossas expectativas quanto ao futuro podem tornar-se ansiedade.

Todo ansioso deseja que as coisas ocorram antes do tempo deter-minado. A expectativa é gerada pela certeza de um futuro melhor. A ansiedade é filha das incertezas.
Jesus disse:

“Qual de vós poderá, com as suas preocupações, acrescentar uma única hora ao curso da sua vida? (...) Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã.” Mateus 6:27,34a

A cura para a ansiedade é a fé. É pela fé que sabemos que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ecl.3:1). Portanto, não adianta tentar apressar as coisas. No tempo certo determinado por Deus, elas acontecerão.

Pedro declara em sua epístola:

“Humilhai-vos, portanto, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte. Lançai sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”
1 Pedro 5:6-7

Assim como há um tempo para a humilhar-nos perante Deus, há o tempo de sermos exaltados por Ele.

* Vivendo o Hoje

O salmista afirma: “Todos os dias que foram ordenados para mim, no teu livro foram escritos quando nenhum deles havia ainda” (Sl.139:16b). O Senhor conhece o futuro tão bem quanto o presente e o passado. Nossos dias já foram previamente ordenados.

Porém, isso não significa que devemos viver pródiga e irresponsavelmente. Lembremo-nos que “Deus pede conta do que passou” (Ec.3:15b).

Assim como fazemos com os recursos financeiros, devemos “contabilizar” o tempo. Deveríamos fazer a mesma oração do salmista: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio” (Sl.90:12). Neste texto “contar” significa “contabilizar” ou “administrar”. Portanto, temos que aprender a administrar nossos dias, a fim de que nos tornemos sábios.

O tempo não nos foi dado para ser gasto, mas para ser aproveitado. Tempo gasto é tempo disperdiçado com atividades infrutíferas ou danosas. Tempo aproveitado é aquele em que usamos cada oportunidade para fazer o bem.

“E não nos cansemos de fazer o bem, pois a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” Gálatas 6:9-10

É triste olhar para trás, e verificar o quanto tempo já desperdiçamos. Quando jovens, achamos que temos todo o tempo do mundo, e por isso, não nos preocupamos e aproveitá-lo bem.

Observe o conselho que a Bíblia dá aos mais jovens:

“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento.”

Eclesiastes 12:1

Quando menos esperamos, a velhice chega, e nosso tempo neste mundo se abrevia. Infelizmente, muitos parecem estar dormindo, e com isso, estão “matando” o tempo. Para esses, vale a recomendação de Paulo: “E fazei isto, conhecendo o tempo. Já é hora de despertarmos do sono” (Rm.13:11a).

Quem mata o tempo, pode estar ferindo a eternidade.

Em outras palavras, a maneira como gastamos nosso tempo, vai determinar o galardão que receberemos na eternidade.

Afinal, “todos devemos comparecer perante o tribunal de Crsito, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2 Co.5:10).

“Portanto”
recomenda o apóstolo, “vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo” (Ef.5:15-16a).

9

Você sabia por que o lenço no túmulo de Jesus estava dobrado?

Por que Jesus dobrou o lenço que cobria sua cabeça no sepulcro depois de sua ressurreição? Eu nunca havia detido minha atenção a esse detalhe.

Em João 20.7, está relatado que aquele lenço que foi colocado sobre a face de Jesus, não foi apenas deixado de lado como os lençóis no túmulo. A Bíblia reserva um versículo inteiro para nos contar que o lenço fora dobrado cuidadosamente e colocado na cabeceira do túmulo de pedra.

Bem cedo pela manhã de domingo, Maria Madalena veio à tumba e descobriu que a pedra havia sido removida da entrada. Ela correu e encontrou Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus tanto amara (João), e disse ela: "Eles tiraram o corpo do Senhor, e eu não sei para onde eles o levaram."

Pedro e o outro discípulo correram ao túmulo para ver. O outro discípulo passou à frente de Pedro e lá primeiro chegou. Ele parou e observou os lençóis, mas ele não entrou. Então Simão Pedro chegou e entrou. Ele também notou os lençóis ali deixados, enquanto o lenço que cobrira a face de Jesus estava dobrado e colocado em um lado.

Isso é importante? Definitivamente. Isso é significante? Sim.

Para poder entender a significância do lenço dobrado, você tem que entender um pouco a respeito da tradição hebraica daquela época.

O lenço dobrado tem a ver com o Amo e o Servo, e todo menino judeu conhecia a tradição.

Quando o Servo colocava a mesa de jantar para o seu Amo, ele buscava ter certeza em fazê-lo exatamente da maneira que seu Amo queria.

A mesa era colocada perfeitamente e o Servo esperaria fora da visão do Amo até que o mesmo terminasse a refeição. O Servo não se atreveria nunca tocar a mesa antes que o Amo tivesse terminado a refeição.

Se o Amo tivesse terminado a refeição, ele se levantaria, limparia seus dedos e sua boca, limparia sua barba, embolaria seu lenço e o jogaria sobre a mesa. Naquele tempo, o lenço embolado queria dizer: "Eu terminei".

Poucos sabem disso:

Se o Amo se levantasse e deixasse o lenço dobrado ou enrolado ao lado do prato, o Servo não ousaria em tocar a mesa, porque o lenço nesta situação queria dizer:

“Eu voltarei!"

Um pequeno detalhe, pelo qual o recado nos foi dado claramente! Jesus também usou as "tradições" para passar um recado: Ele vai voltar. O lenço ainda está dobrado! O banquete ainda não terminou, ou melhor, vai ser realizado mesmo lá no céu! Maranata!


A-BD (Via Assem-bereia)

Terça-feira, Julho 06, 2010

0

Mais do que Coexistência, precisamos de Comunhão

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Você já pecou hoje?

Não somos pecadores porque pecamos... mas pecamos porque somos pecadores. A Bíblia diz que o pecado nos rodeia de perto, e isso nós sabemos muito bem. Entendemos como pecado, tudo aquilo que a Palavra chama de pecado. Hoje quero pensar com você sobre um tipo de pecado praticado diariamente pela esmagadora maioria dos crentes.

Leia as palavras do apóstolo Tiago e decida você mesmo, qual o nome podemos dar a esse pecado.

"Aquele, pois que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado." Tg 4.17

Qual é o nosso problema? Por acharmos que não estamos fazendo o mal, temos por encerrada nossa devoção. Mas a Palavra não pára por aí. A Bíblia declara categoricamente que "aquele que sabe fazer o bem e não faz, peca"!! Não fazer o mal é a metade da verdade, ou seja, uma mentira inteira. Não fazer o mal e fazer o bem é a verdade por completo. Vou lhe dar um exemplo do absurdo do descaso a que chegamos. No capítulo doze de Romanos e versículo treze, está escrito:

"Comunicai com os santos nas suas necessidades..."

Sabe o que fizeram com esse versiculo? Deram a seguinte explicação: "Se você estiver passando por necessidade, comunique aos santos"... Imagine o irmãozinho passando necessidades e ter que agir como mendigo na igreja, pedindo pelo amor de Deus que o ajudem!!? A Bíbllia nunca quis dizer isso, muito pelo contrário. O que o texto está dizendo é que devemos compartilhar com os santos em suas necessidades. Quando a Bíblia diz que é melhor coisa dar do que receber, está simplesmente reafirmando uma lógica humana. É horrível pedir. Não parece, mas exige-se muito mais fé de quem recebe do que o contrário. Ao receber, deve-se estar com o coração limpo para não deixar a tristeza de precisar tomar conta da alma. Não bastasse a humilhação de não ter para dar, ter de se expor ao ridículo para pedir, o miserável do irmão ainda é acusado de incrédulo. Para justificar sua irresponsabilidade social, a igreja ataca os necessitados com a máxima de que, se tivessem fé realmente não estariam onde estão e teriam pra contribuir.

Chego à conclusão que precisamos de menos fé e mais responsabilidade social. Menos fé e mais pão. Menos fé, e mais agasalho. Menos fé e mais remédio. Fé demais não cheira bem, lembra do filme? O discurso do juízo final já está revelado na Bíblia pelo próprio Senhor Jesus. E pra quem imagina palavras de condenação inéditas proferidas pelo Juiz, enganou-se, Ele já deixou o discursso pronto há dois mil anos. Leia:

"Tive fome, não e me deste de comer; tive sede, e não me deste de beber, era estrangeiro, e não me hospedastes; estive nu, e não me vestistes; adoeci, e não me visitastes; estive na prisão, e não fostes ver-me" (Mt 25.42-43).

Você já pecou hoje?

Domingo, Julho 04, 2010

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O sol brilhar de novo em mim



Passos lentos, música hiperlegal do novo CD da banda Aeroilis. O clip foi montado a partir de um vídeo de Nuno Rocha. Assisti no Pavablog, gostei e postei.

Sábado, Julho 03, 2010

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Perdoados para perdoar...

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Os discursos ausentes

Para Harold Bloom, a personalidade é uma invenção de Shakespeare; para Derrida, o indivíduo é uma ilusão criada pela intersecção do corpo com o discurso das estruturas de poder. Em alguma medida todos que estudam o assunto concordam que foram necessários milênios de evolução cultural para que o conceito de indivíduo saísse pela primeira vez do oceano indiferenciado da cultura da coletividade. Os gregos lhe deram pernas e o Renascimento moveu-se de paixão por ele, mas foi o capitalismo de livre-mercado – o mundo em que vivemos – que colocou finalmente o indivíduo acima de todos os outros deuses.

Esse lento despertar do indivíduo de seu sono no seio coletivo está refletido no próprio fio narrativo da Bíblia. No Pentateuco e, em grande medida, nas crônicas históricas, a coletividade prevalece de forma muito evidente sobre o indivíduo. Os mandamentos e as promessas, as injunções e as ameaças, dizem respeito ao povo como um todo e requerem coletiva obediência1. Mesmo notáveis como Moisés, Abraão e Davi são celebrados menos pelos seus traços de personalidade do que pelo seu papel na sustentação e fixação do caráter da comunidade. Num certo sentido só existe o coletivo: os méritos de Israel são medidos pelo desempenho do grupo, e todos são castigados pelo erro de uns poucos.

Então, em algum momento da história e talvez sob a influência transversal dos gregos, os profetas abandonam a ênfase tradicional na responsabilidade coletiva e começam a enfatizar a responsabilidade individual. A justiça divina passa a ser compreendida de uma nova maneira, e nela os filhos deixam de ser punidos pelas transgressões dos pais. Deus deixa de visitar as gerações e a massa indistinta dos “filhos de Israel” e passa a procurar homem a homem um coração contrito em que possa reclinar a cabeça.

O ensino de Jesus surge num momento em que o conceito de responsabilidade individual já está bastante desenvolvido no tecido cultural de Israel. O Filho do Homem, por um lado, reforça ao extremo essa tendência, denunciando os abusos da religiosidade coletiva-institucional e requerendo de cada um o posicionamento e o engajamento que o distinga da ilusão da massa. Por outro lado, Jesus reverte por completo o alvo e o fim da individualidade, deixando claro que o indivíduo só encontra realização, significado e verdadeira satisfação no serviço voluntário e não-condicionado do próximo. O conceito de metanoia, como apresentado por Jesus e pelo seu precursor, diz respeito a esse duplo despertar do humano para sua individualidade e para seu destino glorioso no seio do Outro. Porque para Jesus só existe o indivíduo, mas a qualidade da relação do indivíduo com Deus e consigo mesmo tem uma única medida, a da qualidade da sua relação com o outro. “Sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, a mim o fizestes”.

Dos discursos ausentes de Atos e do Novo Testamento, o mais revelador – tanto da mentalidade da comunidade original quanto da nossa – talvez seja o apelo ao indivíduo que caracteriza toda a evangelização contemporânea, e encontra sua manifestação mais comum na fórmula “Jesus te ama”.

Os colonizadores bíblicos do reino encontraram muitas maneiras de propor a boa nova, mas parece que nenhuma delas passa por enfatizar o amor individual e incondicional de Jesus (ou de Deus) pelo ouvinte. A Bíblia está muito mais inclinada a dizer que Jesus é Deus, e que Deus é amor, do que a fornecer ao seu leitor o conforto (que oferecemos a qualquer um) de que Jesus o ama. Isso porque articular a boa nova como “Jesus te ama” requer como pré-condição uma sociedade inteiramente obcecada com a ideia do indivíduo: a nossa sociedade.

Há um oceano de diferença entre dizer, como a o Novo Testamento, “Deus é amor”, e dizer, como dizemos, “Jesus ama você”; entre dizer como a Bíblia “andem em amor, como Cristo também os amou”, e dizer como dizemos “Jesus te ama”. A articulação bíblica, de que Deus é amor, requer uma resposta ativa de amor ao outro, e sugere um trajeto que resgate o ouvinte do abismo sem fundo do individualismo. A conclusão necessária de ouvir “Deus é amor” é um incômodo devo amar. Nossa própria articulação, “Jesus te ama”, requer uma resposta meramente passiva e ignora por completo a questão da minha relação com o outro. A conclusão necessária de ouvir “Jesus te ama” é um confortável sou amado. Para a Bíblia, o amor é um desafio que me resgata de mim mesmo; para o evangelismo contemporâneo, é um conforto que me faz afundar ainda mais dentro de mim.

Porque o Novo Testamento, que não cessa de atestar o amor de Deus, não se rebaixa como nós a usar esse amor como fonte de conforto e acomodação. Ao contrário, o amor divino requer a mais urgente e intransigente das respostas, a imitação:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.

Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros.

Dizer “Jesus te ama” é sugerir que o sentido do movimento do reino é para dentro do indivíduo; a Bíblia, em contrapartida, insiste que o movimento do reino é no sentido oposto, do indivíduo para fora. Essa, do indivíduo para fora, é na verdade a única definição concebível de amor. Aqui está o padre francês François Varillon, lembrando que amar (isto é, ser salvo; isto é, ser como Deus) requer um movimento, uma transferência de centro, de nós mesmos para o outro:

Descentro-me para que meu próprio centro não mais me pertença; de agora em diante seja você o meu núcleo. [...] Amar é renunciar a viver em si, por si e para si. Eis o mistério da Trindade: se o amor é acolhida, é necessário que haja diversas pessoas em Deus. Ninguém se dá a si mesmo, nem a si mesmo acolhe. A vida de Deus é essa vida de acolhida e dom. O Pai é movimento para o Filho. O Filho é Filho para o Pai e pelo Pai. E o Espírito Santo é o beijo entre eles.

Dizer “Jesus te ama” é dirigir-se circularmente ao indivíduo, e para salvar o indivíduo é preciso resgatá-lo de si mesmo. Na narrativa de Atos a boa nova é que a obra de Jesus libertou seus ouvintes não para descansarem no privilégio inescapável de serem amados – mas para capacitá-los a fazer a coisa certa. E, se pecar é omitir-se, fazer a coisa certa é colocar o amor em prática. É por isso que, para os autores do Novo Testamento, amar (e nisso imitar a divindade) é privilégio e responsabilidade tão grande que diante dele ser amado representa a mais acessória das faculdades.

Nossa tendência é acreditar na pregação que afirma que viver o amor requer a negação do eu e equivale à completa renúncia da individualidade. A verdade é muito mais desafiadora e interessante, porque o amor é a única afirmação possível do eu. Jesus tornou-se grande no que amou; encontrou a mais completa e contagiante humanidade no ato de atribuir valor aos mais desprezíveis dos seus interlocutores. O inferno é o conforto da paralisia do ego, e a inteireza do eu está no trajeto para os outros.