Quarta-feira, Junho 30, 2010

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A secularização e o novo ateísmo

Alguns incidentes ocorridos na Inglaterra são demonstrações da crescente secularização que varre a Europa. Há um processo de eliminação das raízes religiosas desse continente, em especial as raízes cristãs.

No Reino Unido, uma funcionária de uma companhia aérea foi punida por insistir em usar uma jóia em forma de cruz, embora, estranhamente, o turbante do seu colega sikh e o véu de sua colega islâmica fossem tolerados. No fim de 2009, empresas inglesas receberem um guia, elaborado por organismos governamentais e empresariais, com recomendações para não deixarem de funcionar durante o Natal, não promoverem confraternizações e não usarem decoração com motivos religiosos. O politicamente correto seria desejar “Boas Festas” e não “Feliz Natal”, a fim de não se fazer qualquer referência a Jesus.

Já aqui neste lado do Atlântico, o Ministério Público de São Paulo propôs uma ação civil pública pedindo uma liminar que eliminasse símbolos religiosos, como os crucifixos, de edifícios públicos, em nome da laicicidade do Estado. Contudo, essa ação já foi indeferida pela Justiça Federal.

O que desperta a minha atenção não é a simples eliminação de objetos religiosos. Procuro observar o que está por trás de decisões como essas.

Sugiro o vídeo abaixo, onde Tim Keller faz algumas observações sobre o Novo Ateísmo. Vale a pena conferir.



Artigo de Anderson Paz

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Estou profundamente envergonhado...



Obrigado Pr. Márcio, por haver postado este vídeo em seu blog. Meus filhos e eu ficamos profundamente impactado com o testemunho desta linda menina.

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Você já sentiu saudade do futuro?

“Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante” (Carlos Drummond de Andrade).

“Saudade”. Sem dúvida uma das mais belas palavras de nossa língua. Uma das únicas que não podem ser traduzidas pra nenhum outro idioma.

Embora só exista o vocábulo “saudade” em português, este sentimento é comum a todos os povos e culturas. Temos saudade do que passou, de pessoas que se foram, de experiências que vivemos, e até daquilo que fomos um dia.

Mas a pior das saudades é a saudade do futuro.
Como é possível sentir saudade do que ainda não vivemos? Que sentimento é esse?

Imaginemos uma mulher grávida, que subitamente aborta o filho. Mesmo sem nunca tê-lo embalado em seu colo, nem tê-lo visto, o que ela sente é saudade. Não é saudade da barriga preponderante, mas de um futuro que jamais se concretizará. Saudade de toda expectativa investida. Saudade de um choro de criança que ela jamais ouvirá.

É uma sensação estranha, porém, real. Cada momento que vivemos está grávido do futuro.
O futuro é fruto do casamento entre a eternidade e o agora.

Às vezes temos a sensação de que o futuro foi abortado. É esta sensação que produz em nós um tipo de saudade do futuro.

O sábio Salomão diz que Deus “pôs a eternidade no coração dos homens” (Ec.3:11). Em outras palavras, Deus fecundou nossa alma com a semente da eternidade.

Nosso corpo está sujeito ao tempo, mas nossa alma nos conecta diretamente à eternidade. E é por isso que Paulo declarou: “Por isso não desfalecemos. Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co.4:16).

Se a fé nos conecta à eternidade, a esperança nos conecta ao futuro.

Há situações que enfrentamos em nosso dia a dia que parecem destruir nossa esperança. Aos poucos, a esperança vai cedendo lugar ao desespero. E quando isso acontece, não é apenas o corpo que se consome, mas também o homem interior.

Jó experimentou isso na pele e na alma:

“O meu espírito vai-se consumindo, os meus dias vão-se apagando, e só tenho perante mim a sepultura”. Jó 17:1

Isso me lembra uma cena do filme “De volta para o futuro”, em que o protagonista volta ao passado, e percebe que uma foto que ele trouxera do futuro está se apagando, pelo fato de seu passado estar sendo alterado, e seu futuro comprometido.

Não há como retornar ao passado para alterar o presente ou o futuro. Mas podemos viver o presente comprometidos com o futuro.

Quando vivemos sem qualquer perspectiva, nosso espírito vai se consumindo, quando a vontade de Deus é que ele se renove dia após dia. É nosso homem exterior que se corrompe com o tempo. Nosso espírito tem que ser constantemente renovado. A esperança é a fonte da juventude, onde nosso espírito deve mergulhar para manter-se sempre jovem e disposto.

Se nosso espírito for consumido pela falta de perspectiva, nossos dias desbotarão, e a vida perderá sua cor. Então, só nos restará uma possibilidade: a sepultura.

Nossos dias se apagam, quando nosso futuro se desvanece. Quando já não temos expectativas, nem esperança.

Era assim que Jó se sentia.

“Os meus dias passaram, malograram-se os meus propósitos, e as aspirações do meu coração (...). Se a única casa pela qual espero for a sepultura, se nas trevas estender a minha cama, se à corrupção clamar: Tu és meu pai; e aos vermes: Vós sois minha mãe e minha irmã, onde estará então a minha esperança? Sim, a minha esperança, quem a poderá ver?” Jó 17:11,13-15

Lembremo-nos que a fé que nos conecta à eternidade. Mas é a esperança que nos impulsiona para o futuro. Quando a esperança se esvai, temos que recorrer à fé.

Paulo diz que não devemos atentar “nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. Pois as que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas (...). Andamos por fé, e não por vista” (2 Co. 4:18; 5:7).

O futuro não pode ser abortado, mas a esperança sim. E se ela tem sido sabotada pelas circunstâncias adversas, somente a fé poderá restaurá-la.

Foi o que aconteceu a Abraão, que “em esperança, creu contra a esperança, que seria feito pai de muitas nações (...). E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo amortecido” (Rm.4:18a,19a).

Soa estranho para nós alguém crer contra a esperança. Mas o fato é que a fé deve ter primazia sobre a esperança. Ela nos faz acessar a eternidade, onde o futuro já é presente, um presente que ainda não foi desembrulhado.

Na definição do autor sagrado, “a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (Hb.11:1).

Nossa fé deve estar voltada para Aquele que “chama a existência as coisas que não são, como se já fossem” (Rm.4:17).

O que ainda será na perspectiva do tempo, já o é na eternidade.

Crer contra a esperança, é, ao mesmo tempo, crer aliado à esperança. É transcender o tempo e o espaço, e vislumbrar a eternidade.

Segunda-feira, Junho 28, 2010

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O Deus dos Miseráveis

Domingo, Junho 27, 2010

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A Maior Zebra de todos os tempos!

zebra lionEles precisavam apenas de um empate contra a modesta Eslováquia para passar para as oitavas de final. Mas mesmo assim, os italianos conseguiram a proeza de perder. A Azzurra chegou a sofrer 2 a 0, reagiu, teve gol anulado que a deixaria nas oitavas, mas foi eliminada da Copa do Mundo no maior vexame de sua história.

Nunca se assistiu a um desfile de zebras como o que tem acontecido nesta edição da Copa do Mundo. Certamente vai entrar pra história como a mais surpreendente de todos os tempos. Quando poderíamos supor que seleções do porte da Itália e França, ambas campeães do mundo, deixariam o campeonato ainda na primeira fase? Em contrapartida, seleções antes inexpressivas já garantiram sua participação nas oitavas de final. As únicas exceções foram Brasil, Argentina e Holanda.

Vitória da Suíça sobre a favorita Espanha, empate da desconhecida seleção argelina com a Inglaterra, 1 a 1 entre Nova Zelândia e a atual campeã Itália. E a França? Onde foi parar nossa maior rival? É… as zebras continuam aprontando das suas… Afinal de contas, a Copa está acontecendo na África, terra delas.

Zebra é uma gíria comum em esportes, sobretudo no futebol, para justificar um resultado tido como impossível de ocorrrer. Uma equipe forte ser batida por uma fraca é a marca registrada, popularizada nos tempos áureos da loteria esportiva, quando no Programa Globo Esporte, surgia a informação dos resultados. Quando eventualmente, o placar era inesperado, a Zebra aparecia e dizia: Zebra!!!!!!!!

A origem do nome vem do jogo do bicho, que não tem a zebra entre os vinte e cinco animais a serem sorteados. Ou seja, era impossível sortear a zebra.

Por isso, tornou como dizer “deu zebra”, quando uma equipe favorita perde.

Deixando o patriotismo um pouco de lado, alguém se arriscaria a apostar em qual seleção sairá vitoriosa desta Copa?

A História está repleta de eventos que poderiam ser considerados verdadeiras zebras. Quem diria que o exército de Napoleão seria vencido pelo rigoroso inverno em sua batalha contra a Rússia? A máquina de guerra napoleônica rendeu-se à fúria da natureza.

Quem diria que aquele garotinho fantasiado de pastor de ovelhas, derrubaria o brutamontes Golias com uma funda de caçar passarinho?

Pelo jeito, nosso Deus gosta muito de zebras!

No dizer de Paulo, “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante ele” (1 Co.1:27-29).

O próprio Paulo foi uma grande zebra! Sozinho fez mais do que os outros apóstolos juntos. Ele testifica: “Pois eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou, e a sua graça para comigo não foi vã. Antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Co.15:9-10).

Mais a maior zebra da história ainda está pra acontecer. Porém, já foi prenunciada por Cristo, Seus apóstolos e profetas.

Aquele Galileu que entrou em Jerusalém montado em um jumentinho (parente próximo da zebra), continua cavalgando pela trilha da história, deixando no mundo um rastro de sucessivas vitórias. Não se enganem, meus amigos. O cavaleiro fiel que desfila nas páginas do Apocalipse, “saiu vencendo e pra vencer!” Ele é a zebra de todos os séculos.

Não disperdicem suas fichas apostando nos poderosos deste mundo, que estão em franco declínio (por favor leia 1 Co.2:6). Apostem n’Aquele que deve reinar “até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés”(1 Co.15:25). Todas as estruturas de poder virão ao chão. As ideologias sobre as quais estão fundadas entrarão em colapso. Porém a Verdade de Deus prevalecerá na História.

Aquela pedra vista em sonho pelo rei Nabudonosor, arremessada do céu contra os impérios deste mundo, está em franca expansão, e aos poucos, discretamente, está se tornando numa grandiosamente montanha, destina a tomar toda a Terra (Leia e compare Daniel 2:34-45, Mateus 16:17-18 e 21:44). A semente de mostarda vai se transformando numa frondosa árvore. A pitada de fermento vai levedando toda a massa (Mt.13:31-33).

E finalmente, será Dia Perfeito (Pv.4:18)! Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai.

A aposta está feita! Minhas últimas fichas estão lançadas na vitória de Cristo, não apenas na partida final da História, mas também nas eliminatórias, nas quartas e oitavas de final. E creia no que digo: Não haverá prorrogação! Nem vitória por pênalti. Será no tempo regulamentar.

Sexta-feira, Junho 25, 2010

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Juca Kfouri: o ateu à toa!




“O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações”
Salmo10.4

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Blaise Pascal

"Um pouco de ciência aliena os homens de Deus, mas muita ciência os leva de volta a Ele"
Louis Pasteur


Após ouvir as últimas pérolas do comentarista esportivo Juca Kfouri alfinetando, pela milionésima vez, sua fé em Jesus Cristo, Kaká resolveu se pronunciar.

A indignação de Kaká tem razão de ser. Não é a primeira vez que o jornalista perde tempo precioso na mídia para atacar a fé que jogadores de futebol depositam em Jesus. Em um dos programas do Jô Soares, inclusive, ambos se divertem às custas da fé dos atletas e do seu agradecimento a Jesus Cristo.

São várias as acusações. “Os jogadores colocam Jesus Cristo onde ele não tem que estar”. “Existem lugares apropriados e definidos para se manifestar a crença em Jesus”. “Tá ficando chato toda hora ver jogador levantando a mão pro céu agradecendo a Jesus pelo belo gol ou pela brilhante defesa”. “Essa manifestação dos jogadores é uma forma de tenta enfiar a fé cristã pela minha goela abaixo”. “Agradecer a Jesus durante a partida de futebol é merchandising religioso”.

O que é mais paradoxal no discurso de Juca Kfouri é a energia que ele despende para criticar e censurar algo que ele mesmo acredita não existir. É intrigante como a fé de Kaká incomoda tanto a razão de Juca Kfouri.

Há tanta mazela no mundo em que vivemos para ser denunciada, existe tanta atitude repugnante e suja nos bastidores e nas emissoras de TV para ser delatada, há tantos vícios, orgias e outras promiscuidades no mundo do futebol para serem criticadas, que a escolha da fé em Jesus Cristo para ser alvo de ataque na mídia chega a ser grotesca. É por essas e outras que gosto de dizer que Juca Kfouri, antes de ser um ateu, é um à toa.

Sim, Juca Kfouri é um ateu à toa. À toa não apenas no sentido de alguém que não tem ocupação ou não tem o que fazer, mas principalmente no sentido de alguém que não tem razão. Juca Kfouri condena a fé de Kaká à toa – sem qualquer razão ou justificativa – e à toa – porque sua postura demonstra que não deve ter nada mais importante para fazer ou pensar.

Isso mesmo: Juca usa sua razão para embasar seu ateísmo, e usa seu ateísmo para acusar sem razão. É um arrogante intelectual que confunde laicidade do Estado com intolerância à fé, desconhecendo até mesmo que o direito que hoje ele possui de não acreditar ou professar fé alguma tem lastro na própria liberdade de convicção religiosa, conquistada pelo sanque de mártires do passado. Assim, se ele condena a liberdade de manifestação de crença, ele está condenando a livre manifestação do seu próprio ateísmo.

E não é só. Vejam que contrassenso: Juca critica e debocha de Kaká por manifestar sua fé através do seu trabalho (futebol), enquanto o próprio Juca faz uso do seu trabalho (jornalismo) para manifestar sua falta de fé e criticar a manifestação das demais. Juca acusa Kaká de colocar Jesus Cristo em lugares inapropriados, onde Ele não está. Ora, fico me perguntando se Kaká também não poderia acusar Juca de manifestar sua falta de fé em lugares inadequados?

O ateu à toa faz uso da liberdade de imprensa para censurar a manifestação da liberdade de religião. Agora, eu te pergunto: o que é mais racional? O que deve prevalecer? A permissão ao agradecimento de um religioso a Deus de acordo com sua crença ou a proibição às manifestações de fé com base na intolerância e no desconforto de um descrente?

Imagino que grande parte do desconforto de Juca Kfouri se deve à revolta interna que ele sente ao perceber que a razão que motiva sua descrença não tem resposta para a maioria de suas inquietações. E, muito menos, para explicar a fé e a confiança que as pessoas – sejam elas alfabetizadas e bem informadas como Kaká ou não – têm em Jesus Cristo.

A razão acusadora do ateu à toa não lhe fornece subsídios para entender o que faz com que um homem que diz ter ressuscitado há mais de dois mil anos atrás rompa as barreiras da história, do tempo, do espaço e da evolução científica para influenciar e transformar vidas de pessoas sedentas em pleno século XXI.

O mesmo Jesus que Juca faz questão de negar disse certa vez que a boca fala do que o coração está cheio. Assim fica mais fácil entender o porquê de tantos ataques à fé cristã. É simples: o coração do Juca está cheio de ódio às pessoas que atribuem seus méritos e conquistas a Jesus Cristo.

Ver um jogador de futebol levantando as mãos pro céu após o gol causa náuseas ao ateu à toa, talvez porque ele próprio não tenha pra onde levantar as próprias mãos quando algo de bom lhe acontece. Ouvir um goleiro agradecendo a Jesus Cristo pela defesa realizada deixa o ateu à toa com ânsia de vômito, muito provavelmente porque ele não sabe – e não tem – a quem agradecer por uma conquista. Testemunhar o clamor e a gratidão de uma mãe desesperada pelo consolo que Deus lhe proporcionou quando perdeu seu filho num acidente soa como ignorância para o ateu à toa, porque ele simplesmente não tem a quem recorrer quando a razão não apresenta explicação para as perguntas sem resposta que a vida lhe impõe.

Enquanto isso, Juca Kfouri continua desprezando a alegria infinita que Deus pode e quer oferecer aos homens, como um prisioneiro dentro de uma caverna que, acorrentado à escuridão de sua própria razão, só consegue enxergar através de uma única fresta de luz exterior, julgando ser real aquilo que é apenas uma sombra da verdadeira realidade.

O Deus vivo não é um fenômeno que pode ser explicado ou comprovado por experimentos de laboratório. Deus deve ser sentido pelo coração, e não provado pela razão. Até porque a ciência jamais poderá explicar um Deus que, mesmo sendo todo-Amor, consola com a dor, cura com a ferida, apaga o passado com fogo, fala nos momentos de silêncio e dá a paz com o conflito interior.

Aliás, muitas das presunções dos que se dizem racionalistas e ateus devem ser repensadas sob a lógica das hipóteses que eles mesmos aceitam como verdadeiras. Como diz C. S. Lewis, “se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. [...] Mas se os pensamentos deles são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu”.

Por isso, entre ser escravo de uma razão que nunca vai me libertar e ser amigo e servo de um Deus que me faz livre, fico com a liberdade. Entre ser dependente de uma intelectualidade que me torna cada vez mais arrogante e ser dependente de um Deus que me faz humilde, prefiro a humildade. Entre as presepadas passageiras faladas por Juca Kfouri e as palavras de vida eterna e paz deixadas por Jesus, fico com as de Jesus. Em vez de dar crédito a um ateu que não acredita em Deus, prefiro dar crédito a um Deus que não acredita em ateus. Prefiro ter fé em um Deus que não acredita em “Jucas Kfouris”.

A diferença entre o ateu à toa e Kaká? Para o primeiro, nada na vida é um milagre. Para Kaká, tudo na vida é um milagre. Parafraseando Benjamin Franklin, Kaká acredita no cristianismo da mesma forma que acredita que o sol nasce todo dia. Não apenas porque o vê, mas porque através dele Kaká vê tudo ao seu redor.

E, da minha parte, faço como Kaká: agradeço este texto a Jesus Cristo, porque, sem Ele, eu não posso fazer nada!


Por Fernando Khoury (Via Atelier das Ideias)

Quinta-feira, Junho 24, 2010

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Tartarugas suicidas e o cristão imprudente

IMG_1733 Nunca vi um lugar pra ter tanta tartaruga quanto aqui na Florida central. Provavelmente devido ao enorme número de lagos na região. Hoje quase atropelei uma tartaruginha minúscula que resolveu atravessar a rua movimentada. O carro que vinha atrás também conseguiu se desviar, mas o seguinte, não. Adeus tartaruguinha. Será que tartarugas suicidas vão pro céu?

Num domingo de manhã, enquanto dirigíamos para a igreja, uma tartaruga de tamanho considerável estava atravessando a rua, e minha esposa pediu que parássemos para socorrê-la. Aquela era valente; não escondeu a cabeça no casco. Pelo contrário, encarou Tânia. Mesmo assim, minha esposa a socorreu, levando-a para o outro lado da pista. É comum assistirmos a esta cena aqui. As pessoas sempre param para socorrer as tartarugas imprudentes.

Mas esta semana fomos surpreendidos em um outro episódio envolvendo tartaruga. Três meninos tocaram nossa campainha. Achei que eram escoteiros pedindo dinheiro. Mas o que eles queriam era nos avisar que havia uma enorme tartaruga debaixo do meu carro. Estava muito calor, e pelo jeito ela quis refugiar-se à sombra do meu automóvel, que parecia um grande casco protetor. Meu receio era atropelá-la ao sair.

Como conhecemos o temperamento desse réptil, preferimos deixá-la em paz. Horas depois, ela se foi.

O que faz com que elas se exponham tanto? Seria excesso de confiança na resistência do seu casco? Será que desconhecem que não resistem ao peso de um carro?

Ou será pensam que são tartarugas ninjas, com habilidade suficiente para desviar-se rapidamente?

Quantas vezes temos agido como elas? Achamos que a armadura de Deus é uma espécie de casco protetor que nos capacita a resistir a qualquer tentação. Se isso fosse verdade, não seríamos orientados a “fugir” da aparência do mal.

É verdade que as tentações sempre vêem. Porém isso não significa que devamos nos expor desnecessariamente a elas. O nome disso é tentar a Deus, como respondeu Jesus a ser tentado por Satanás no deserto.

Ele não apenas nos ensinou a orar para não CAIRMOS em tentação, mas também a vigiar para não ENTRARMOS nela. Se pudermos evitar, evitemos.

Confio piamente em Deus que não me deixará tentar além de minha capacidade de resistir. Porém, não confio nem um pouquinho em minha natureza. Meu casco não é tão resistente quanto parece.

Se o sol estiver de rachar, é melhor fazer como aquela tartaruga, e refugiar-me debaixo de um casco maior, a saber, o esconderijo do Altíssimo.

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Jabulani - A "UNGIDA" DA VEZ

Jabulani é a bola que foi produzida pela Adidas e está sendo utilizada na Copa do Mundo da FIFA de 2010, na África do Sul.

Particularmente, não me recordo de qualquer outra bola utilizada em copa do mundo que tenha ficado tão famosa, porém, o pior de tudo é que a fama da tal Jabulani é procedente dos seus discutíveis efeitos.

Alguns craques a reprovaram, outros tentaram defendê-la sob os protestos de que são patrocinados pela sua fabricante e outros ainda a vêem com desconfiança, e já houve até quem a classificasse como sobrenatural.

O certo é que, se a Jabulani fosse como todas as demais bolas do mercado e mesmo as utilizadas em copas anteriores, não estaria no centro das atenções, muito menos sendo citada neste singelo artigo.

Em que pese ter sido “ungida” a bola da vez na Copa 2010, seu midiático sucesso tem data marcada para entrar em declínio: 11.07.2010, a partida final do torneio mundial de futebol. A partir dessa data, a cada dia menos se falará na Jabulani, até que surja a celebridade redonda oficial da próxima copa.

Enfim, a bem da verdade, o que realmente me interessou em toda essa história da Jabulani, é a relação com alguns também midiáticos ministérios de obreiros, os quais de maneira subliminar se autodenominam como os “ungidos da vez”.

Assim como o futebol sobreviveu até hoje sem a tal Jabulani, também a igreja do Senhor sem os tais “ungidos da vez”.

A semelhança entre tais fatos só subsiste pelos controvertidos efeitos desses ministérios, pela reprovação de alguns, pela suspeita aprovação de amigos, beneficiários e simpatizantes e até mesmo pela desconfiança de outros acerca dos efeitos sobrenaturais por eles produzidos. Assim como a Jabulani vai desaparecer, da mesma forma os tais controvertidos ministérios.

A propósito, me lembro agora de Matias, aquele escolhido pelos apóstolos através de um sorteio, para preencher o lugar de Judas, o qual foi cognominado por um experiente pregador como “obreiro cometa”, ou seja, aquele desaparece com a mesma velocidade que apareceu. A Bíblia só se refere a Matias no dia da sua controvertida escolha. A partir daí nada mais se soube acerca desse apóstolo que teve apenas um minuto de fama.

Na verdade, a obra evangelizadora da Igreja é realizada pelos incontáveis obreiros anônimos, lotados nas grandes e pequenas cidades, bairros nobres ou favelas e até mesmo nos rincões mais longínquos do mundo. Gente normal que prega o evangelho de maneira simples, do jeito que está na Bíblia, sem controvérsia, sem fama, e isso por anos a fio.

Alguns deles, a grandeza da sua obra só é descoberta após a sua partida para a eternidade, quando então surgem as tardias homenagens, digo tardia do ponto de vista humano, pois na realidade à esses está garantida a certeza do galardão celestial, no entanto, quanto aos obreiros Jabulani’s, já receberam aqui mesmo os louros da sua controvertida fama.

"Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério." 2 Timóteo 4:5

Pr. Carlos Roberto (Via POINT RHEMA)

Quarta-feira, Junho 23, 2010

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Satisfação garantida ou sua vida de volta!

Terça-feira, Junho 22, 2010

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Desigrejados sim, desviados não!

papagaio diferente Acredito ter sido o primeiro a usar a expressão “desigrejados”. Estava em busca de uma palavra que expressasse a condição de muitos cristãos de nossos dias, daí surgiu esse neologismo. Aqui nos Estados Unidos, cunhou-se a expressão “churchless” para designar esta enorme massa de crentes que deixaram os currais denominacionais para servirem a Deus em seu próprio ambiente doméstico.

Ser “desigrejado” não é o mesmo que ser “desviado”. O desviado seria aquele que não apenas deixou a igreja, mas afastou-se do próprio Cristo, voltando às práticas pecaminosas que antes dominavam sua vida.

Já o desigrejado não pretende afastar-se de Cristo, nem de Seus ensinamentos, mas tão-somente da máquina eclesiástica.

Solidarizo-me com os milhões de desigrejados espalhados em nosso País, ainda que eu mesmo não me considere propriamente um.

Embora seja bispo de uma igreja sediada no Brasil, tenho experimentado um pouco da sensação de ser desigrejado durante meu exílio aqui nos Estados Unidos. Não deixei de pregar para nossa igreja, ainda que via Skype com freqüência semanal. Até a Ceia tenho celebrado com minha família, com transmissão ao vivo para o Brasil. Nosso povo lá, e nós aqui, todos ao redor da Mesa do Senhor. Embora unidos no espírito, temos estado separados fisicamente por mais de um ano. Temos saudade do calor humano, do cheiro de gente, das atividades da igreja, etc.

Creio que esta sensação de exílio tem sido sentida por muitos desigrejados. No meu caso, devido à distância geográfica. Mas para muitos, deve-se a outros fatores, tais como, discordância doutrinária, não conformismo com a maneira em que a igreja tem sido conduzida, etc.

Os blogs apololéticos têm servido de púlpito para muitos desses cristãos autênticos, que decidiram não se dobrar ao espírito de Mamom. Eles se alimentam do que neles têm sido postados diariamente.

Infelizmente, não dá para dizer o mesmo da maioria dos programas evangélicos veiculados nos canais de TV ou em emissoras de rádio, onde a marca registrada é o proselitismo descarado.

Fenômeno semelhante ocorreu durante os dias da igreja primitiva. Houve um êxodo de cristãos que abandonaram o templo em Jerusalém e as sinagogas espalhadas pelo império, para servir a Deus em suas próprias casas. Santuários cristãos só surgiriam séculos depois com a paganização do cristianismo.

Os desigrejados não estão abandonando a Igreja, como geralmente se alega, e sim as estruturas denominacionais que se arrogam o direito de se intitular “igreja”. A Igreja de Cristo não é e nunca foi presbiteriana, batista, metodista, pentecostal, episcopal ou coisa parecida. Tais termos designam estruturas eclesiásticas. Isso inclui a denominação que presido. Muitíssimas vezes tenho declarado em nossos cultos: O Reino é muito maior que a REINA (nome de nossa denominação). O problema é que estamos mais preocupados em preservar os odres do que o vinho.

As estruturas denominacionais servem como andaimes usados na construção da genuína Igreja. Depois que esta estiver pronta, de nada servirão aquelas. Foram feitas pra acabar.

Meu conselho aos desigrejados é que busquem unir-se para cultuar a Deus e dar testemunho do Seu amor. Seu desânimo para com as instituições é justo. Mas não permitam que isso lhes afaste da prática do primeiro amor.

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A Revolução de Jesus chega à Hungria



Show de bola este vídeo gravado por 1.300 jovens nas ruas de Budapeste. Criatividade de sobra...

Segunda-feira, Junho 21, 2010

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Desigrejados, uni-vos!

Jesus peitou o sistema religioso de Sua época, mesmo sabendo o alto preço que teria que pagar por Seu atrevimento.

Ele disse que faríamos obras ainda maiores. E por quê maiores? Quem somos nós para superarmos o nosso Mestre?

O fato é que, quando Jesus caminhou entre nós, o sistema religioso, por mais refinado que parecesse, ainda era rudimentar em comparação aos nossos dias.

Hoje, se quisermos seguir os passos de Cristo, teremos que peitar uma verdadeira indústria religiosa, onde as pessoas são vistas, ora como produtos, ora como clientes, e ora como engrenagens.

O que muitas vezes é chamado "discipulado", nada mais é do que a produção de seguidores em série, soldadinhos de chumbo, réplicas perfeitas de seus mentores.

Não foi isso que Jesus planejou quando recrutou Seus primeiros discípulos na Galiléia. Jamais foi Sua pretensão que a igreja se tornasse numa fábrica de lunáticos.

O discipulado autêntico é aquele que nos desafia a encarnar a mensagem de Cristo, tornando-nos agentes transformadores do Reino, inseridos numa sociedade corrompida. O verdadeiro discipulado é o que envia ovelhas para o meio dos lobos.

O mais importante não é encher a igreja, mas encher o Mundo com o conhecimento de Deus.

Enquanto quebramos maldições hereditárias, o abismo entre gerações se acentua, e assim, 'maldições existenciais' se perpetuam.

Buscamos cura interior, enquanto lá fora, há chagas sociais que precisam cicatrizar, hemorragias que ainda não foram estancadas.

Discutimos o sexo do anjos, enquanto pequenos anjos, abandonados nas ruas, são molestados diariamente por quem deveria protegê-los.

Reagimos violentamente contra leis que poderiam prejudicar a igreja, mas não nos importamos com leis que prejudicam os mais necessitados.

Mania de coar mosquitos e engolir camelos!

- Limpem bem seus pés quando entrarem no templo para não estragar o carpete novo.
Amém ou não amém? E não se esqueçam de se escrever em mais um congresso a ser realizado no hotel tal, por uma bagatela de 400 reais.

Tornamo-nos uma caricatura da igreja de Jesus.

Enquanto a sociedade se debruça sobre questões de primeira grandeza, voltamo-nos para nós mesmos, preocupados com questiúnculas.

- Não podemos perder para os gays, não é verdade? Se eles reuniram três milhões em sua infame parada, vamos reunir o dobro em nossa marcha pra Jesus.

Grande coisa!

Ah se os crentes soubessem que muitos desses manifestos são apenas demonstrações de poder político!

É por essas e outras que, a cada dia, cresce assustadoramente o número de desigrejados. Uma massa descontente com os rumos tomados pelas igrejas.

Quando sairemos às ruas em favor do oprimido? Quando deixaremos de lado nossa postura arrogante e estenderemos as mãos aos necessitados?

Enquanto mantivermos o dedo em riste, em espírito inquisitório, o mundo nos dará outro dedo.

Quando as igrejas deixarem de ser currais eleitorais, e se tornarem centros de cidadania; quando deixarem de se preocupar com o próprio umbigo, e voltar-se para fora, então a esperança triunfará. O dedo que antes apontava os erros, passará a indicar o caminho.

Domingo, Junho 20, 2010

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Paz ou Espada? O que Jesus veio trazer, afinal?

Quinta-feira, Junho 17, 2010

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Jesus se contradiz nesta passagem?

Quarta-feira, Junho 16, 2010

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Assista ao nosso debate com o Missionário R.R.Soares


Na última terça-feira, dia 15 de Junho, estivemos participando de um debate radiofônico com o Missionário R. R. Soares da Igreja da Graça. O debate na Rádio Melodia FM também contou com a presença dos pastores Augusto Miranda e Joedir de Carvalho. O assunto em pauta era a legitimidade das estratégias usadas pelas igrejas para alcançar maior número de pessoas. Vale a pena dar uma conferida, clicando aqui.

Alguns se surpreenderão ao saber dos lábios do próprio Missionário Soares que meu pai foi seu "pai ministerial". Embora discordando em alguns aspectos, o debate manteve o tom cordial e respeitoso.

Terça-feira, Junho 15, 2010

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O Fenômeno “Cala boca Galvão” e os exploradores da fé

cala_boca_galvao Para o embaraço da Rede Globo de Televisão, e principalmente do Galvão Bueno, o hit “Cala a boca Galvão” tornou-se num fenômeno sem precedentes na história das copas, demonstrando o poder que tem o Twitter, o Youtube e outros sites de relacionamento da internet.

A Globo até tentou abafar, anunciando o lançamento de um vídeo no Youtube onde o Galvão aparece dançando. Explicaram que o “Cala boca…” era devido ao fato dele não ter parado de falar durante a cerimônia de abertura da Copa. Tolice! Agora, já era! Caiu na rede e na boca do povão!

Diante da curiosidade dos estrangeiros, foram postados vídeos no Youtube em tom jocoso, dando explicações completamente estapafúrdias sobre a frase. Um deles diz que o Galvão é uma ave em extinção no Brasil, e que o “Cala boca Galvão” seria um protesto pela preservação do animal. Com isso, a campanha está ganhando a adesão de torcedores de outras nacionalidades na África do Sul.

O que pouca gente sabe é que o tal “cala boca…” tem base bíblica… Duvida? Quem lançou a campanha original foi Paulo, em sua carta a Tito. Confira:

“É preciso tapar-lhes a boca, porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” (Tt.1:11).

Quem precisa calar a boca não é apenas o Galvão, que pelo que parece, entende pouco do esporte de que é narrador oficial do plim-plim. Quem precisa calar a boca são os exploradores da fé, que ocupam espaço na grade de várias emissoras de TV e rádio, espalhando seu pseudo-evangelho pelos lares brasileiros. Alguns desses pregadores são quase onipresentes na TV. E não estão satisfeitos… querem mais, sempre mais. Não basta ter horários, eles também querem seu próprio canal, e se deixar, sua própria rede.

Que tal parafrasearmos o “Cala boca Galvão”?

A quem você dedicaria um “Cala boca…”?

Segunda-feira, Junho 14, 2010

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Raul Seixas, Dogmas e a Cristandade


“Eu prefiro ser…
Esta metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…”

Raul Seixas

Parece que tem sabedoria nas palavras do Raul, apesar de tudo. Provavelmente quando cantava ele pensava estar criticando o status quo, a estrutura vigente. E nada mais representativo desta estrutura do que o cristianismo. Ele com certeza achava que estava batendo de frente com o pensamento cristão…

Mas será que estava? Somos criticados, nós os cristãos, por mantermos padrões, seguirmos doutrinas e dogmas. Mas o cristianismo vivo e dinâmico nos leva para muito além dos dogmas, aliás chega a chamar os dogmas de idolatria. Este cristianismo nos incentiva a “conhecer e prosseguir conhecendo”, numa busca incessante e sincera: “buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo coração”. Este conhecimento também é o tipo conhecimento que deve gerar em nós algum tipo de transformação pessoal. Não é meramente intelectual, mas é dinâmico e humano, entra fundo em nós gerando mudanças constantes.


Só é capaz de buscar aquele que não tem. Para que possamos ser a motivados a continuar conhecendo, temos que reconhecer que não sabemos. Este é o estado de alma da metamorfose ambulante. Estou sempre disposto a mudar através do conhecimento que adquiro. Me metamorfoseio constantemente numa nova pessoa, através de mais revelação da pessoa de Deus. A isto se referiu Carlos Finney, grande avivalista do século XIX, quando dizia que devemos nos converter todos os dias. O que conheço de Deus hoje não é o suficiente, preciso mais, ainda que este conhecimento novo venha questionar idéias anteriores, desafiar meus conceitos, ou gerar novos paradigmas de comportamento na minha vida.

O cristão não dogmático (soa como uma contradição de termos para você? Pois não é…) não é um cristão sem convicções profundas. Mas ao invés de valorizar em primeiro lugar a doutrina à respeito de seu Deus ele valoriza seu relacionamento com o próprio Deus. O Deus vivo, dinâmico, que muda, não em caráter e valores morais, mas que muda na sua estratégia de confronto com o ser humano, na dispensação da sua presença, na quantidade de revelação que derrama, Deus que encobre coisas (Deuteronômio29:29) mas que as revela aos justos (Daniel 2:47). E que vai “brilhando mais e mais.” na nossa vida, “até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18).

O preço desta vida de metamorfose é muitas vezes uma certa insegurança. Para onde estou indo? Será que isto é certo? É tão fácil se segurar em dogmas, que todos o fazem, principalmente os não cristãos… O próprio Raul tinha dogmas. Alguns dos quais provavelmente inquestionáveis. Eram com certeza, os não-não. – Não há Deus, não há caráter humano que preste – não há nada bom no velho, no “establishment”, e com certeza não há nada de bom que se possa esperar no novo também…

A diferença de um cristão sem dogmas e de um pseudo livre-pensador é que o cristão sabe que é limitado, que não sabe tudo nem jamais saberá e de que necessita de uma âncora além de si mesmo para se segurar. Esta âncora não é um dogma doutrinário, mas o relacionamento com uma Pessoa, amorosa, sensível e divina. O cristão deve a esta Pessoa submissão e humildade. Ele tem que trazer sua mente escravizada a esta pessoa: “trazendo cativo todo pensamento à pessoa de Cristo“. Mas o intelectual-liberal no entanto não “deve” nada a ninguém. Ele é seu próprio Deus. Sua âncora é sua razão e nela está seu orgulho. “firmado com os pés no estribo de sua própria razão” ele nunca vai além de si mesmo, anda em círculos ao redor de seus dogmas pessoais, e vive cego pela idolatria da razão. Este não é capaz de se metamorfosear nunca, porque não há mudança possível para alguém cuja única referência são suas próprias idéias…

Ah Raul, quão enganado você estava…

Braulia Ribeiro (Via Jocumeiros)

Domingo, Junho 13, 2010

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Tristeza que faz bem

Sábado, Junho 12, 2010

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O que você faria com um bilhão de reais?

1BILHO É de corar o rosto! Enquanto a repercussão da campanha da semente de mil reais do Silas Malafaia ultrapassa os termos da igreja evangélica, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) anuncia uma campanha para distribuir gratuitamente um milhão de bíblias.

De acordo com Silas, seu alvo é alcançar um milhão de almas. E para isso, ele precisaria de um bilhão de reais para montar seu próprio canal de TV e abrir mil igrejas. Pelo menos foi o que noticiou o portal da UOL recentemente. Pouco mais de quatro mil pessoas já teriam aceitado o desafio de ofertarem mil reais. Vale até parcelar a oferta.

Com a faca e o queijo na mão, não duvido que o tal canal de TV sonhado por Silias se torne realidade em pouquíssimo tempo. Além de programas de TV em rede nacional, Silas agora conta com sua própria denominação.

O que você faria com um bilhão de reais para que o Evangelho alcançasse o maior número possível de pessoas?

Será que abrir mil novas igrejas resolveria? Um canal de TV que fosse 100% dedicado à evangelização resolveria?

Ora, o que não falta no Brasil são igrejas em cada esquina e canais de TV ditos evangélicos.

Sinceramente, acho que a iniciativa da CNBB é mais louvável. Quem diria que um órgão católico incentivaria a leitura da Bíblia! Será que eles lá também lançaram algum campanha de mil reais entre os fiéis?

É óbvio que qualquer iniciativa evangelística necessita de recursos. Só acho que esses recursos poderiam ser levantados entre os fiéis internamente, sem que se promovesse alarde nos meios de comunicação. Já está ficando constrangedor para quem ainda se identifica como evangélico tanto pedido de ofertas que se faz pelos programas televisivos. Sacrifícios pra cá, semente pra lá; carnês aqui, faturas bancárias acolá. Já tem até quem peça descaradamente o trízimo.

A igreja primitiva levou dois anos para evangelizar toda a Ásia Menor, e não precisou desta dinheirama toda. Bastou que cada discípulo fosse também uma fiel testemunha do amor de Deus.

Sexta-feira, Junho 11, 2010

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A Suprema Distância

Há uma distância terrível que régua alguma consegue mensurar: a de um coração fechado a outro.

Essa distância existe entre amigos sem agenda - que nunca têm tempo um para o outro - ou que permitem-se um isolamento por um ou outro motivo.

Existe também entre um casal quando partilham tudo: uma cama, um teto,... mas já não o que lhes vai dentro deles, quando não há um ouvido aberto para ouvir o batido do peito do companheiro.

Essa coisa ganha uma dimensão terrível, quando instalado (ou progressivamente ganha seu espaço) e se solidifica até que não haja mais volta e a existência do outro, na história simplesmente desaparece. Em referências, em lembranças...

Começa-se geralmente com um ressentimento sobre algo não resolvido, que dita uma rotina de desavenças, que vira amargura, que vira ódio, que vira indiferença, que vira morte relacional.

Nas escrituras há algo como isso, quando curiosamente, o Deus onisciente, recusa-se a registrar a existência ou a coexistência com alguém que para Ele se fecha. Lá lemos que o Todo Poderoso, afirma desconhecer os que não partilharam a sua vida, abrindo a sua intimidade ao escrutínio do Senhor. Percebi assim, porque devia eu orar de contínuo a Ele. Não para informá-Lo do que não sabe, nem para conquistá-Lo para as minhas lutas, nem para fazê-Lo se converter às minhas causas, mas para simplesmente com Ele partilhar o meu coração.

Muitos, diz a Palavra, virão no fim dos tempos, apresentando-se tardiamente a Deus e o pior - através das suas obras e ouvirão a declaração dessa suprema distância estabelecida - "Apartai-vos de mim. Nunca vos conheci".

Apesar de o Criador saber de todas as coisas, Ele recusa-Se por um ato soberano a vasculhar a intimidade dos que a Ele não se apresentam em contabilidade de amor como manifestação de amor diária, e não por obrigação. E deixam de o fazer por motivos que vão da displicência cimentada em rotina de isolamento, à rebeldia.

Talvez dai venha a pena das penas, impostas aos que se fecham para Deus: o abandonar das nossas vidas à mercê de nós mesmos. Como aliás afirma Paulo, no capítulo 1 de Romanos de 21 a 32. Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como tal,... Ele os entrega às suas paixões para acabarem consigo mesmos cometendo todo tipo de desvario, buscando o que nunca se pode fartar - os seus apetites animais.

Que Deus nos livre dessa distância...

"Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho." Sl 32:8

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Não te destrói, mas te distrai

Quinta-feira, Junho 10, 2010

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Escreva o Futuro! Comercial genial da Nike



Na minha opinião, um dos mais inteligentes e bem produzidos comerciais de todos os tempos. Simplesmente, genial!

Quarta-feira, Junho 09, 2010

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Dando a cara a tapa

Segunda-feira, Junho 07, 2010

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Quem ri por último...

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O maior patrimônio cristão

Ganhei uma viagem para Egito, Grécia e Israel. Foram dias inesquecíveis. Já se passaram quase dez anos e ainda guardo no bolso da saudade aquelas imagens e emoções. Andei pelas ruas de Atenas, visitei o Parthenon e vi de longe o local do Areópago. Era estranho pisar o mesmo chão de Sócrates, Platão e Aristóteles. Tentei ouvir suas vozes: "conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus", "a vida que não passamos em revista não vale a pena viver", "o corpo humano é a carruagem, eu, o homem que a conduz, os pensamentos as rédeas, os sentimentos os cavalos", "o homem solitário ou é uma besta ou é um deus". Mas suas vozes se perderam "no mundo das idéias".

Fiquei pasmado diante das extraordinárias pirâmides de Miquerinos, de Quéops e de Quéfren. Erigida depois de 2780 a.C., a pirâmide de Quéops, possui 138 metros de altura e mais de 6 milhões de toneladas de pedra. Fiquei encantado com a grande Esfinge de Gizé: corpo de leão e cabeça de homem, esculpida em rocha lá pelos idos de 2465 a.C. No Museu do Cairo, fiquei intrigado com um paninho de linho com mais de 3000 anos. Até hoje, ninguém sabe explicar como os egípcios fizeram todas aquelas coisas. Das monstruosas pirâmides aos delicados papiros, tudo preservado como se tivessem sido feitos por esses dias.

Jerusalém me desapontou. O Catolicismo Romano colocou um Templo em cada "lugar sagrado" e uma lojinha em cada ponto da chamada "via crucis", o caminho que Jesus teria percorrido rumo ao Gólgota. Mas fiquei maravilhado com o monte das Beatitudes e a cidadezinha de Cafarnaum. Meu encontro com Deus foi no Mar da Galilea, ou Lago de Genesaré. Não foi possível erguer uma catedral de 12 km de largura e 21 de comprimento. Então a coisa está preservada. Fiquei horas imaginando Jesus chamando encostado em uma das árvores da margem, observando os pescadores e analisando cautelosamente, no anonimato, quem seriam seus primeiros discípulos.

De todas as minhas lembranças, a que mais me emocionou e impactou foi o encontro com um cristão, professor de inglês em Tiberíades, que soube da presença de um grupo de pastores e se ofereceu para ir ao hotel nos falar a respeito da igreja de Jesus Cristo em Israel. Depois da reunião que se estendeu até bem tarde, acompanhei aquele irmão até a calçada do hotel e fiquei observando enquanto ele desaparecia lentamente na noite escura, a passos lentos, violão pendurado e um enorme coração. Ali estava, depois de 2000 anos, um discípulo de Jesus.

Naquele dia percebi que os Egípcios deixaram templos, monumentos e relíquias para exposição. Os gregos deixaram suas idéias, que formataram a cultura ocidental. Mas Jesus deixou pessoas. Homens e mulheres simples que fazem e são a igreja: a comunidade ao redor do Cristo ressurreto.

O rabino Jonathan Sacks disse que durante quase dois mil anos os judeus mantiveram seu status de nação, mesmo sem território, estrutura política, ou cultura comum - espalhados por toda a terra, em minorias sempre perseguidas, foram capazes de preservar sua identidade como nenhum outro povo, por tanto tempo nas mesmas circunstâncias. Mas agora, disse o rabino, a identidade judaica está ameaçada e o futuro do povo está mais uma vez em risco: um em cada dois jovens judeus está decidido a não dar continuidade à história do povo hebreu.

Precisamos aprender com a história. Sabe o que é o melhor que os cristãos têm a dar ao mundo: os cristãos. O futuro do cristianismo e a esperança da humanidade não estão resguardados por monumentos, templos e relíquias; não depende do valor de suas idéias, doutrinas ou padrões morais; prescinde de vínculos hereditários e tradição cultural. O futuro do cristianismo é o cristão, o cristão em comunidade, isto é, a igreja. Morrendo a igreja, morre o cristianismo. E a igreja, cristão, é você quem faz. Por isso, veja cada um como constrói, pois quem destruir o santuário de Deus, que são os cristãos, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é sagrado, disse Paulo, apóstolo.

Ed Rene Kivitz (Via Emeurgência) com o título original de "Igreja você quem faz".

Sábado, Junho 05, 2010

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Custe o que custar!

Quinta-feira, Junho 03, 2010

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Igreja boa não é a que ajunta, mas a que espalha.

Nós temos uma vontade muito grande de que as pessoas nos sigam, de que possamos ser influentes. O Twitter é um exemplo claro disso. Tem prestígio quem tem muitos followers (seguidores). Assim também no Orkut, Facebook e outras redes sociais na internet, quem tem muitos amigos adicionados no seu perfil tem prestígio.

Da mesma forma, uma grande organização comercial sempre vai alardear quantas filiais possui, quantos empregados trabalham nela, quantos clientes tem, qual o faturamento da empresa, etc. Isso traz prestígio, se os números foram grandes, claro.

No mundo religioso, em especial no Ocidente, não parece ser diferente. Já virou motivo de piada os números “evangelásticos” de alguns movimentos. O evento reuniu 200 mil pessoas, mas a organização diz que foram um milhão de pessoas. E assim sempre.

Já se perdeu a conta de quantos livros já foram escritos para ensinar como fazer a igreja crescer. São livros que vendem como água, porque pretensamente “ensinam”, em poucos passos, como fazer a igreja local crescer e como tornar os membros da igreja fiéis. Em outras palavras, como fidelizá-los para que eles não saiam daquela igreja e ainda estejam sempre dispostos a fazer o que líder mandar.

Depois se diz que tal movimento realmente é de Deus porque cresce muito e as pessoas aderem a ele fervorosamente. É preciso ter cuidado ao dizer que o fato de muitas pessoas aderirem a um movimento o torna legítimo. O Nazismo contava com a adesão fervorosa de milhões e pessoas. E era o Nazismo.

O tamanho não legitima nada. Apenas dá poder ao movimento, à organização, seja lá o que for. Igreja, partido político, organizações comerciais, ou mesmo organizações criminosas, o que for, sempre que houver muita gente, esse grupo será poderoso, mas isso não quer dizer que as ações dessa organização sejam legítimas.

É evidente que eu sou um fervoroso defensor de que a igreja tem mesmo que crescer e ser frequentada. Ela é a comunidade dos seguidores de Jesus, e nas suas reuniões há, ou deveria haver, estímulo, oração comunitária, louvor comunitário, ajuda mútua e isso é muito bom. Aprendemos juntos sobre a palavra de Deus e aprendemos uns com os outros a viver essa palavra. Isso é muito desejável.

Mas ter uma igreja com muitas pessoas não é um fim em si mesmo. É uma oportunidade para dizer às pessoas que, ao saírem das reuniões da igreja, elas devem ser verdadeiros discípulos de Jesus indo pelo mundo, não apenas ficando na igreja, mas saindo dela e sendo realmente sal e luz num mundo que carece de um reflexo de Jesus.

Por diversas vezes, Jesus disse vem. Assim foi com seus discípulos, que depois formaram o grupo de apóstolos e para tantos outros. Mas, mais do que dizer “vem”, Jesus disse “vai”. Sim, há mais ordens de Jesus dizendo “vai”, do que dizendo “vem”. Ele não estava tão interessado em ter muitos seguidores, mas sim em que as pessoas que tivessem se encontrado com ele fossem embora, agora vivendo suas vidas de modo diferente, amando a Deus e às pessoas.

Penso que, em vez de querermos que a igreja seja composta de uma multidão que apenas se reúne, temos que desejar que a igreja seja uma multidão que se espalha e, por onde passa, reflete a pessoa de Jesus Cristo.

Márcio Rosa da Silva (Via Emeurgência)

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Marcha soldado, cabeça de papel

marchaHoje acontece mais uma edição do megaevento conhecido como “Marcha pra Jesus”. Milhões de pessoas saem às ruas e avenidas da maior cidade da América Latina para… para o quê mesmo? Ah sim… para dar uma demonstração da força do povo evangélico.

Entre trios elétricos e gritos de guerra, lá vai o rebanho, já devidamente tosqueado, como aqueles soldadinhos da propaganda das baterias duracell.

Eu estava aqui nos EUA em 1991, quando li pela primeira vez uma matéria sobre a “March For Jesus” realizada nas ruas de Londres. Não havia trio elétrico, nem palanque com políticos ávidos por votos. Eram apenas cristãos com violões e outros instrumentos acústicos, dando testemunho de sua fé. Confesso que me identifiquei imediatamente. Parecia coisa de hippie. rs

Mas quem diria que quando o movimento fosse exportado para o Brasil, alcançaria o status de mega? Para rivalizar com ele, somente o Dia da Decisão da IURD e a Parada Gay.

Estou curioso pra saber quem vai subir ao palanque. Será Dilma ou Serra? E quanto ao candidato ao governo do Estado de SP? Quem será o “ungido do Senhor” da vez? Quem será o novo “José do Egito”?

Enquanto políticos desfilam nos palanques e trios, os soldadinhos de Gezuis balançam a cabeça, consentindo com esta vergonha.

Alguns cristãos conscientes e subversivos resolveram promover manifestos silenciosos durante a marcha. Preocupo-me com sua integridade física. No mínimo, serão desmoralizados por quem estiver em posse do microfone. Serão chamados de endemoninhados, hereges, filhos do capeta, e afins. Espero que logrem despertar a consciência de alguns.

Nossa igreja preferiu tomar outro caminho. Em vez de comparecer à marcha, seja em apoio ou em protesto, decidimos promover uma marcha particular. Sem estardalhaço, discretamente, nosso povo foi convidado a comparecer na Hemorio para participar de nossa campanha de doação de sangue (Dia dos Braços Estendidos). Não são muitas as pessoas que comparecem. Em uma das edições, chegamos a levar cerca de 100 pessoas. Já imaginou se aquelas ‘milhões’ de pessoas que marcham pelas ruas das metrópoles brasileiras, resolvessem estender os braços para doar sangue? A Hemorio teria estoque para muitos anos. E se fossem mobilizadas para socorrer as vítimas da injustiça social? Que estrago não fariam! Se o tema dessa “marcha” fosse a ética, contra a corrupção na política, ou mesmo em favor da justiça? Quantos compareceriam?

Pelo jeito, o que atrai realmente as pessoas é o oba-oba. Elas vão para assistir os astros da música gospel, ou simplesmente para estravasar.

Não vejo qualquer problema com a marcha em si. O que me incomoda é a motivação dos organizadores, e a motivação de quem participa. Se em vez de terem “cabeça de papel”, os soldados que lá marchassem demonstrassem ter cabeça pensante, tudo seria diferente.

P.S.:

O site da igreja que promove o evento publicou a seguinte reportagem acerca do início da marcha de hoje:

O trio elétrico com o Apóstolo Estevam Hernandes e Bispa Sônia parou sobre o Rio Tietê para mais um momento de oração. “Vamos orar sobre estas águas para que Deus acabe com a miséria desta cidade e mude a história desta nação. Vamos profetizar e denunciar todo o vício e a miséria”, declarou o apóstolo. Durante a oração, ele lembrou que Jesus foi levantado para destruir as obras do diabo. Ele orou: “Tú és o Senhor de toda a bênção e dos milagres. Declaramos que depois dessa marcha, este país não será mais o mesmo. Que este poder e unção entre em cada casa e que esta terra, o Brasil, seja bendito! A Ti, Jesus, seja a glória, o poder, o domínio e a majestade. Amém!”

Finalmente! Agora tudo vai mudar! O rio Tietê ficou limpo de um minuto para o outro, representando a transformação que o Brasil vai experimentar de hoje para amanhã. Só mesmo tendo cabeça de papel para acreditar nisso. O que vai mudar o Brasil não são palavras proféticas como essa, mas o trabalho honesto e perseverante de gente disposta a fazer a diferença em sua própria esfera de atuação.

Entre tietes e tietês, parece que a igreja brasileira se perdeu no meio de sua marcha histórica.

Terça-feira, Junho 01, 2010

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Com a palavra... Meu Advogado!

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A Onda... Evangélica!


“Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas ruins farão coisas ruins. Mas para pessoas boas fazerem coisas ruins é preciso religião.” Steven Weinberg

Estes dias assisti a um filme que se chama “A Onda”, é um filme de produção alemã, que trata da história de um professor de uma escola pública que bola uma estratégia mirabolante como forma de provar suas teorias não ortodoxas. Ele convoca os seus alunos há viver uma semana com algumas regras, a fim de formarem um grupo distinto, sem diferenças, onde todos vestiriam naquela semana a mesma cor, falariam dos mesmos assuntos, e andariam juntos a se ajudar. Logo como grupo se cognominou como “A onda”, só que o interessante é que com o decorrer da semana o que era um exercício de sala de aula se tornou uma bola de neve descontrolada, ao ponto de no final da semana um grupo gigante de pessoas estarem formando um grupo paramilitar, que só veio a acabar com o suicídio de um aluno integrante do grupo, devido a tentativa do professor em parar aquele movimento.

Para mim pessoalmente foi chocante a experiência, pois pouco a pouco comecei a me identificar com as experiências vividas pelos adolescentes, e vou citá-las para vocês. A convivência daquele grupo como uma proposta de vida onde as diferenças sociais seriam extintas, onde não haveria mais classes sociais e desigualdades, tomou uma proporção na mente daqueles jovens, que logo eles sentiram um sentimento de superioridade de propósito, e passaram a um segundo estagio de descriminação dos diferentes. Em sala de aula havia uma proposta de ordem, que era passada como uma idéia de harmonia, onde a partir de uma obediência cega entendia-se que estes, eram padrões eram significado de fidelidade a um propósito maior. Logo sob um pretexto de harmonia e singularidade, como que entorpecidos por uma droga o grupo começou a exercer atos de barbárie contra os diferentes, e estipular os limites de liberdade para os outros colegas da escola.

Por mais que pareça cômico e até meio trágico, as semelhanças não são mera coincidência, mas impressões do que uma filosofia de conquista que pretexte melhoras em base da exclusão é verdadeiramente destrutiva, não só para os meios onde são exercidas, mas acima de tudo para as pessoas que participam. Por minha experiência pessoal, posso dizer sem medo de que os evangélicos são campeões em vender estes perfis de ideologia. Conquistam adeptos sobre pretextos de uma vida melhor, afirmando que a partir da agregação ao grupo, passa-se a ser uma “raça superior”, ou na linguagem evangélica; “nação santa”, “sacerdotes”, “reis”, “Príncipes”, e sobre esta idéia constroem uma realidade que oprime o diferente. Nestes meios assim como nestes sistemas ditatoriais, não existe espaço para questionamentos e discordâncias, a fidelidade é exigida acima de tudo, fidelidade esta que também é sinônimo de comungar com atos de barbárie que são tidos como justiça, endossadas pelos líderes como vontade divina.

Dentro destes ambientes ilusórios, multidões que caíram no enredo deste mundo fictício criado por religiosos fanatizados, vivem uma inverdade que mais é uma cadeia, pois nele se negam a questionar a imperfeição e desconexão com a realidade do sistema ao qual estão inseridos. Os lideres por sua vez, não aceitam serem questionados, e impõem-se de forma massiva sobre seus opositores, e quando sofrem resistência perdem o rumo de suas convicções, partindo para atos de ignorância ou para perda de suas referencias. Este sistema “evangélico” é uma verdadeira ditadura religiosa, que a meu ver às vezes passa a ser pior que uma filosofia “talibã” ou aristocracia radical. Pois sobre uma mensagem de bondade e amor ao próximo, subjetivamente distorcem a mesma, tornando-se instrumentos de segregação e ganância.

Talvez para uma mente mais evangélica o meu texto vai soar como heresia ou blasfêmia, mas para quem foi vitima do mesmo, trará uma compreensão e capacidade maior de lidar com esta realidade. Sim por mais triste que seja grande parte de nós cai no “conto do vigário”, e sobre um falso pretexto de bondade, uma ânsia de encontro com Deus, acaba por cometer atrocidades até o dia em que somos vítimas das mesmas. Creio que nosso maior desafio “e falo por experiência pessoal”, é encontrar Deus em meio a toda esta bagagem e informações as quais fomos por anos condicionados. De todas as minhas experiências, em toda minha caminhada, posso afirmar com garantia que Deus não é propriedade exclusiva dos evangélicos.

Quero desafiar a você a um requestionar de valores, a parar e perceber se você não é apenas mais um integrante da “Onda”, que esta tão cego ao ponto de não ter mais empatia e tato para sentir que existe um mundo a sua volta. Deus não criou você para ser um covarde que foge da vida, mas alguém que vive o seu “mundo” com caráter, sem precisar da proteção da “onda” ou da indicação de cegos guiando cegos, para ser apenas humano.

Bem e Paz

Leandro Barbosa (Via Emeurgência)