Segunda-feira, Maio 31, 2010

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Deus ou Gênio da Lâmpada?

Domingo, Maio 30, 2010

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Camisa de força nesses crentes!


O texto a seguir, de Weber Chagas, pastor e autor do blog Pastoreando com o Coração, mostra que há pastores preocupados com a onda de Igrejas Evangélicas que se baseiam mais em supostas "ações" do Espírito Santo, do que em viver a essência de um Evangelho de amor e aceitação, o que faz até mesmo com que alguns crentes desenvolvam ou manifestem problemas psicológicos, devido a tanta exposição às teorias absurdas dos "moveres do Espírito":

"Esta semana tomei conhecimento de um dado estatístico assustador: 70% dos pacientes internados em manicômios do Brasil são de origem evangélica.

Sinceramente, perdi o chão. Que a religião pode ser um fator que contribui para o desequilíbrio psíquico, ao mesmo tempo que pode constituir um espaço confortável para desequilibrados mentais, eu já sabia, o que não sabia era que a contribuição evangélica para este desastre fosse tão acentuada.

A razão para esse trágico dado passa pela teologia, pela liturgia, e principalmente pelo compromisso do resgate de um Cristianismo mais bíblico, emoldurado pela Verdade escrita e não pela “verdade” sensitiva.

Já não é de agora que denominações inteiras cultivam e estimulam um emocionalismo barato, sem o menor temor de rotular suas práticas ao “mover do Espírito Santo”. Com isso, transformam suas reuniões e grandes encontros num autêntico espetáculo do circo dos horrores, com gente caindo pra todo lado, tremendo, correndo, saltando e expressando sua insanidade em gargalhadas descontroladas, tudo isso sob a bandeira de um suposto “avivamento espiritual”.

O mais preocupante em todo esse processo é a falta de alguém lúcido e psicologicamente são, que seja capaz de sugerir um exame criterioso das Escrituras.

A espiritualidade cristã jamais será moldada por qualquer geração doente. A chancela do que é saudável e do que é doentio é dada pelo próprio Cristo, por Seu ensino e exemplo. A tentativa de desenvolver uma espiritualidade vinculada à cultura ou às tendência de qualquer desequilibrado que aparece, contando uma visão ou uma revelação, só contribui para aumentar o número dos que dão entrada em clínicas psiquiátricas em meio a verdadeiros surtos psicóticos. O pior de tudo isto é que ninguém fala absolutamente nada.

É bem provável que a causa deste silêncio seja o despreparo teológico da maioria e a construção de certos paradigmas podres. Um deles é relacionar o estudo teológico à falta de unção. Com todo respeito, não há estupidez maior do que esta. Na verdade, é a resistência ao texto que colocou o movimento evangélico no Brasil e no mundo sob suspeita.

Uma rápida leitura dos Evangelhos, deixará em qualquer leitor minimamente atento, a real impressão de que o ministério de Jesus foi reflexivo. Ele nunca tencionou provocar transes e catarses. Suas mensagens e ensinamentos tinham o objetivo de fazer sua audiência pensar. Logo, embarcando na boléia de Jesus, Sua espiritualidade tinha um caráter mais cognitivo do que sensitivo, por isso Ele foi chamado de Mestre.

Já estou antevendo os comentários que chegarão: “O intelectualismo é morte”; “a letra mata”; “a teologia não presta pra nada”… Mas, vou correr o risco e fazer uma colocação final.

Todo cristão precisa estar comprometido com Cristo e o seu ensino. Nenhuma manifestação que escape ao escrutínio bíblico e não faça parte das práticas pessoais de Cristo e dos apóstolos, merece ser considerada, sequer analisada como possivelmente legítima, sob o risco de se abraçar a loucura ao invés da fé. Pense nisto!

Sola Escriptura!"

Weber Chagas (Via Heresia Loira)
Título original: Fábrica de loucos

Sexta-feira, Maio 28, 2010

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Faxineira leva astro de Hollywood a Cristo

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Cá entre nós #5 - A Moeda corrente do Reino

Quinta-feira, Maio 27, 2010

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O final de Lost e o livro de Apocalipse


Lost The Last Supper image 3 O final de Lost e o livro de Apocalipse
Espiritualidade é um dos aspectos fortes de Lost, vide a “Santa Ceia” que serviu como divulgação da última temporada.


A série norte-americana Lost durou 6 anos e teve seus últimos episódios transmitidos domingo passado (23/05). De várias maneiras Lost entrará para a história da televisão mundial. Milhares de blogs fizeram análises dos mistérios apresentados pelo programa, gerando um envolvimento que vai muito além do simples ato de assistir algo na TV. Surgiram inclusive vários livros abordando diferentes nuances do seriado, como filosofia e história. O pastor Chris Seay chegou a publicar em 2009 um livro intitulado “ O evangelho segundo Lost”. Sem dúvida já surgiu uma “cultura Lost” que talvez possa ser comparada ao que os filmes de Guerra nas Estrelas gerou no entretenimento mundial. Críticos de TV chegaram a afirmar que ela mudou a maneira das pessoas assistirem televisão. Por isso, é provável que ainda se ouça falar dela por muitos anos.

O último capítulo traz consigo vários elementos espirituais, que não são exatamente uma novidade na série. Ao longo de seus mais de 100 capítulos, Lost apresentou várias idéias que podem ser claramente identificadas como espirituais, juntando aspectos de diferentes religiões. Somos uma geração visual e é senso comum que o que vemos na televisão influencia nossa maneira de ver a realidade. Não há espaço aqui para tentar explicar nada, mas apenas promover uma reflexão.

Na tentativa de “ler”nossa cultura com as “lentes” do evangelho, é possível afirmar que muito da proposta da série pode ser vista num paralelo com o livro de Apocalipse. Para começar, as duas histórias começam numa ilha. A de Apocalipse é Patmos, ilha-prisão em que se encontrava o apóstolo João. A de Lost é uma ilha-prisão que não tem nome e fica em algum lugar entre a Austrália e o sul da Ásia. De maneira similar, as revelações apresentadas nas ilhas mostram o verdadeiro sentido da existência, além do conflito entre o bem e o mal (Lost) e Deus e o diabo (Apocalipse). As duas narrativas também não vêem o tempo como algo linear, misturando presente, passado e futuro. O importante é o todo, a narrativa, não a cronologia de acontecimentos.

Enquanto João apenas registra tudo o que ele viu e ouviu, os personagens de Lost acabam escrevendo sua própria história. As duas histórias também falam sobre um julgamento e a que todos devem ser submetidos. Em ambos há dois cenários: este mundo em que vivemos (conhecido) e uma outra dimensão, outro mundo (desconhecido). Nas duas narrativas a morte física não é a final, existe algo a mais, além deste corpo. Ambas as narrativas contemplam que a vida anda na linha fina entre as escolhas de cada um (livre arbítrio) e caminhos pré-estabelecidos (predestinação na Bíblia, destino na série). O final de ambos é uma “outra vida” e a necessidade de “redenção”. Mas enquanto na história da TV cada um precisa buscar a sua, na história bíblica essa redenção é oferecida pela fé em Jesus.

O cristianismo tem uma presença forte na trama, talvez começando pelo personagem principal da trama, o dr Jack Shepard. Seu sobrenome, em inglês, quer dizer “pastor”. Um dos lugares de acesso, ou “porta de entrada” entre os dois “mundos” em Lost é uma igreja. Na cena final da série a “explicação” sobre muito do que acontece é apresentada nessa igreja, que traz indicações de ser ecumênica, contemplando símbolos de várias tradições religiosas. É nessa igreja que o pai de Jack, Christian Shepard (que traduzindo seria “cristão pastor”) abre o entendimento do filho e dos expectadores. Depois de mostrar o interior da igreja com todos felizes por entenderem o que foi sua vida, ele abre as portas para que a luz entre.

João, o autor de Apocalipse, de certa forma faz o mesmo com seus leitores. No começo do livro ele se direciona a igrejas, trazendo uma mensagem para todos que estão nelas. Depois, vai narrando em grande parte o sentido da vida e fala de um lugar em que mesmo mortos, todos vivem e estão felizes, pois não há mais dor nem lágrimas. Todos passaram por algum tipo de provação, dificuldades, mas persistiram na sua fé e agora podem desfrutar da luz eterna que emana do próprio Deus.

Ao longo desses seis anos o personagem central deixou de ser o “homem da ciência” e termina seus dias como um “homem de fé”. Ele acaba fazendo um sacrifício final, morrendo para salvar seus amigos e enfrentando a encarnação do mal (monstro de fumaça) que quer destruir a ilha. Jack vence (a luta), mas ao mesmo tempo perde (a vida). Em Apocalipse, o personagem central também perde (a vida), mas vence (a luta) contra a encarnação do mal que quer destruir o mundo (o diabo).

Não, a série não é o que poderia chamar de cristã, nem tem uma mensagem evangelística. Apenas ressalto os aspectos acima por entender que há sinais da mensagem central de Apocalipse e da mensagem bíblica em vários aspectos da cultura pop. E Lost, assim como Apocalipse, dá margem a muitas teorias, interpretações apaixonadas e busca de respostas. Mas Lost, assim como Apocalipse não oferece todas as respostas. Talvez porque elas não sejam tão importantes assim. Os autores disseram o tempo todo que a série era sobre pessoas, relacionamentos. O autor de Apocalipse também oferece uma história sobre as pessoas que Deus criou e seu relacionamento com ele. Seria muito interessantes se entendermos a mensagem final de Lost, que como a mensagem final de Apocalipse é de esperança. O último livro da Bíblia começa mostrando como as igrejas deveriam ser e o que deveriam fazer. A série termina mostrando como as igrejas deveriam ser: cheias de pessoas que mesmo mortas (para o mundo), puderam nascer de novo (em Cristo) e são felizes por isso. O que elas deveriam fazer? Mesmo sendo um lugar sem todas as respostas, vê-se o cristão (Christian) estender a mão, dar uma explicação sobre o sentido da vida e deixar a luz de Deus entrar.

Jarbas Aragão, no Blog dos 30 (Via Pavablog)

Quarta-feira, Maio 26, 2010

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Devo, não nego...

Hoje completo 23 anos de ministério pastoral. No dia 26 de Maio de 1987, assumi interinamente a direção da Igreja no Bairro do Engenho Novo, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Fazendo uma retrospectiva, vejo o quanto valeu a pena. Apesar do desgaste, tanto físico, quanto emocional, sinto-me renovado, de maneira que faço minhas as palavras de Calebe a Josué: Qual era a minha força então, tal é minha força hoje.

Sou devedor tanto dos que me incentivaram, quanto dos que me criticaram. Sou devedor tanto dos genuínos amigos, que até hoje caminham comigo, quanto daqueles que se aproximaram apenas com a intenção de se beneficiarem, e que hoje, optaram por me deixar.

Reconheço minha dívida! Sem meus aliados e opositores, jamais teria sobrevivido.

Sou devedor dos que me antecederam, preparando-me o caminho. Daqueles sobre cujos ombros posso enxergar melhor o que está por vir.

Sou devedor dos meus contemporâneos, pois são testemunhas do meu caminhar.

Sou devedor dos que me sucederão, das próximas gerações, dos que hão de dar continuidade ao meu legado. É para eles que existo.

E sobretudo, sou devedor d'Aquele que me tem sustentado com Sua graça e sabedoria. Daquele que sanou minha dívida de pecado, e me fez contrair uma dívida eterna de gratidão.

Segunda-feira, Maio 24, 2010

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Cá entre nós #4 - Pode até tardar...

Domingo, Maio 23, 2010

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Duas maneiras de negar a Cristo

“Qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem...” Lucas 9:26a

“Não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus...” Romanos 1:16a

Há duas maneiras de negar a Jesus.

A primeira é envergonhando-se d’Ele, como fez Pedro no pátio do Templo, enquanto se aquecia ao redor de uma fogueira à espera do veredicto que condenaria Jesus (Lc.22).

Preocupado em salvar a própria pele, por três vezes Pedro negou conhecer seu Mestre. O canto do galo foi o despertador usado por Deus para chamar a sua atenção. Não foi por falta de aviso. Mas a pressão psicológica a que Pedro estava sendo submetido era tamanha, que ele sequer se lembrou da advertência de Jesus.

Quantas vezes temos nos envergonhado de Jesus? Infelizmente, nem sempre temos um galo por perto para despertar nossa consciência. Porém, há situações que nos servem como despertadores. Circunstâncias adversas, decepções, e até tragédias, chegam em hora oportuna. Mas nem sempre conseguem chamar nossa atenção.

O que mais incomodou Pedro não foi o canto do galo, mas o olhar penetrante de Jesus. Foi aquele olhar desapontado que fez com que Pedro chorasse amargamente por toda a noite.

Ah se tivéssemos consciência de que o olhar do Senhor está constantemente sobre nós!

Aquele que não Se envergonha de nos chamar de irmãos, não merece que nos envergonhemos d’Ele (Hb.2:11).

A segunda maneira de negá-Lo é envergonhando-O diante dos homens.

Paulo denuncia aqueles que “professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra” (Tt.1:16).

É difícil dizer o que é pior, envergonhar-se d’Ele ou envergonhar a Ele.

Não adianta confessá-Lo perante os homens, e negá-Lo com nossas obras. Talvez fosse melhor que não O confessássemos, do que nos declararmos cristãos e vivermos como ímpios.

Judas não negou que O conhecia. Entretanto, usou tal conhecimento para entregá-lo aos seus inimigos. Judas não O negou com suas palavras, mas O negou com suas obras.

Todos, em algum momento, somos tentados a negar Jesus. Quer seja por vergonha de nos identificarmos como Seus seguidores, quer seja por atitudes que denigrem a nossa fé.

Como evitar que neguemos a Cristo?

Só há uma maneira de evitar: negando a nós mesmos.

Jesus disse: “…Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mc.8:34).

Se não negarmos a nós mesmos, eventualmente negaremos Aquele que nos resgatou (2 Pe.2:1). Negar a si mesmo é dizer não à sua própria vontade, é abrir mão de direitos, é não pleitear a própria causa. Quem nega a si mesmo já não faz questão de coisa alguma. Parafraseando Paulo, estamos crucificados com Cristo. Desistimos de nossa própria vida, para que Cristo viva Sua vida através de nós.

Nos envergonhamos de nossa justiça própria, pra nos gloriar na Justiça que vem do alto.

Negar a si mesmo é renunciar a tudo em nome da única coisa de que não podemos abrir mão: Cristo. O que antes reputávamos como lucro, agora consideramos perda.

De tudo de que devemos abrir mão, o mais difícil é a justiça própria.

Podemos desistir de um projeto pessoal em nome de algo mais nobre. Podemos renunciar títulos, conforto material, fama, mas dificilmente nos dispomos a renunciar nossa justiça própria.

Queremos sempre ter a razão em tudo. Basta que sejamos injustiçados, e logo recorremos a esse senso de justiça própria. Somos eternas vítimas.

Vítimas do sistema, vítimas de perseguição, vítimas dos falsos amigos, etc.

Se não renunciarmos nossa justiça, não desfrutaremos da justiça de Cristo.

Se não nos negarmos a nós mesmos, negaremos a Cristo.

Se pleitearmos nossas causas, estaremos dispensando a atuação de nosso advogado, Jesus.
Paulo entendeu isso perfeitamente, e por isso, escreveu:

“Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo justiça própria...” (Fp.3:7-9a).

Em vez de nos preocuparmos com nossa reputação, nos preocupamos com nosso testemunho. Em vez de nos preocuparmos com a aquisição e manutenção de bens materiais, nos preocupamos em repartir o que temos com os que nada têm.

Simplesmente, morremos. Sim, morremos para nossas pretensões. Já não há causas a defender, senão a causa do Reino de Deus e da Sua justiça.

Sábado, Maio 22, 2010

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Cá entre nós #3 - Pão & Circo, não!

Sexta-feira, Maio 21, 2010

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Cá entre nós #2 - Uma Chance à Paz

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Ananias, Safira e o Pseudodiscipulado

Em Atos 5 encontramos a narrativa do que aconteceu com Ananias e Safira:

Um homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, também vendeu uma propriedade.
Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: “Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, ao ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E, depois de vendida, o di.nheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus”. Ouvindo isso, Ananias caiu morto. Grande temor apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido. Então os moços vieram, envolveram seu corpo, levaram-no para fora e o sepultaram. Cerca de três horas mais tarde, entrou sua mulher, sem saber o que havia acontecido. Pedro lhe perguntou: “Diga-me, foi esse o preço que vocês conseguiram pela propriedade?” Respondeu ela: “Sim, foi esse mesmo”. Pedro lhe disse: “Por que vocês entraram em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Veja! Estão à porta os pés dos que sepultaram seu marido, e eles a levarão também”. Naquele mesmo instante, ela caiu morta aos pés dele. Então os moços entraram e, encontrando-a morta, levaram-na e a sepultaram ao lado de seu marido. E grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos.

Ao ler esta história fico pensando como ela nos revela a possibilidade de que, mesmo em meio a um tremendo avivamento espiritual, possa haver o que George Verwer chamou de pseudodiscipulado – pessoas que fingem ser discípulos de Cristo e não o são.

O pseudodiscípulo é alguém que aparenta ser um discípulo (aprendiz) de Cristo, mas não é. Canta, ora, fala o cristianês fluentemente, mas é tudo uma fachada. Sua vida está cheia de engano e mentira, seus motivos são a glória própria e o reconhecimento dos homens, seu Deus é o ego. Apesar de alguns pseudodiscípulos viverem sob a sombra do auto-engano, muitos estão conscientes de sua falsidade e mentira. Em O Povo da Mentira, o psicólogo Scott Peck fala sobre essa doença da alma – a mentira e auto-engano.

O pecado de Ananias e Safira não foi a falta de generosidade, foi o fingimento. Eles não tinham sido obrigados a dar tudo. Não havia nenhuma pressão sobre eles para que assim o fizessem. Mas movidos pelo desejo de aparentar ser quem não eram, eles tentaram enganar a comunidade cristã em busca de reconhecimento e louvor dos homens. O fim deles foi trágico e serve como um alerta para todos aqueles que seguem pelo mesmo caminho. Evidentemente Deus não está operando o juízo da mesma maneira hoje – se Deus estivesse agindo assim, como disse o George Verwer, nossas igrejas estariam cheias de cadáveres! No entanto, as consequências do pseudodiscipulado são sempre trágicas.

Que Deus nos ajude a submeter nossas vidas à sondagem do Espírito Santo movidos por um santo temor de Deus – algo um tanto esquecido hoje em dia - e orar como fez o salmista: Sonda-me, ó Deus,e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende,e dirige-me pelo caminho eterno.


Quinta-feira, Maio 20, 2010

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A maior proeza científica da História: Laboratório cria vida artificial

WASHINGTON (Reuters) - Pesquisadores que tentam desenvolver uma vida sintética conseguiram "reiniciar" uma bactéria oca usando um genoma produzido em laboratório, e esperam que isso eventualmente leve à produção de micróbios "sob medida".

"Esta é a primeira célula sintética que já fizemos, e chamamos de sintética porque a célula é totalmente derivada de um cromossomo sintético, feito com quadro frascos de substâncias químicas num sintetizador químico, a partir de informações em um computador", disse Craig Venter, pioneiro da pesquisa com genoma, que dirigiu a pesquisa.

"Esta é a primeira espécie autorreplicante que já tivemos no planeta cujo pai é um computador." Venter disse que seria possível desenvolver bactérias que gerem combustível, algas que "suguem" o dióxido de carbono da atmosfera, ou organismos que contribuam na produção de vacinas.

"Isso se torna uma poderosíssima ferramenta para tentarmos desenhar o que quisermos que a biologia faça", afirmou o cientista em entrevista coletiva.

Em artigo na revista Science, a equipe de Venter disse ter trabalhado com uma versão sintética do DNA de uma bactéria chamada "Mycoplasma mycoides", transplantada para a "casca" da "Mycoplasma capricolum".

Após muitos inícios falsos, o novo micróbio ganhou vida e começou a se replicar em laboratório. "Achamos que este é um passo importante, tanto científica quanto filosoficamente. Certamente mudou minhas opiniões sobre as definições da vida e como a vida funciona", disse Venter na nota. Foram anos até descobrir como fazer um cromossomo artificial, com sequências genéticas criadas pelo homem. Em seguida, foi preciso implantar isso para outra bactéria.

De início, nada aconteceu, porque havia um erro entre os mais de 1 milhão de pares da sequência genética. Isso adiou a conclusão do trabalho em várias semanas.

Os cientistas não afirmam ter criado uma forma completamente sintética de vida, e Venter disse ter consultado muitos especialistas em ética antes de começar. Além disso, a Casa Branca foi informada, por causa das implicações de segurança - a técnica poderia ser usada para sintetizar armas biológicas.

Vários outros cientistas disseram que o estudo será um marco. "Venter está entreabrindo a porta mais profunda na história da humanidade, potencialmente levando ao auge do seu destino", afirmou Julian Savulescu, da Universidade de Oxford, em nota.

"Ele vai em direção ao papel de um deus: criar a vida artificial, que jamais poderia existir naturalmente, criar a vida da terra, usando blocos básicos de construção."

Por Maggie Fox
Via G1

Comentário de Hermes Fernandes: Estaria o homem brincando de deus? Avanços como este deveriam ser creditados tão somente ao gênio humano ou também a um tipo de inspiração divina? Como deveríamos nos posicionar, como cristãos, diante de fatos como estes? Sinais dos tempos? Ou indício de que ainda temos uma longa estrada pela frente?

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Abandonando ilusões e encorajando-se para a vida!

Muitas pessoas buscam segurança na religião. Mas segurança, como uma forma de blindagem contra todos os percalços da vida é uma ilusão. E há muita gente iludida. Vendedores de ilusões não faltam, prometendo uma vida sem nenhum incidente, livramentos no último momento, uma vida realmente blindada. Como se Deus fosse um Super-Homem, sempre a aparecer no último momento para nos livrar a cara. Mas isso é uma ilusão.

Por isso é que é preciso se desiludir. Nesse caso, desiludir-se é uma coisa boa. Não é algo confortável, mas necessário e bom. Mas por não ser confortável, muitos preferem continuar na ilusão. Como aqueles que tiveram a opção de tomar a pílula vermelha e sair da Matrix (no célebre filme de mesmo nome), ou seja, sair do domínio de um mundo irreal, virtual e ilusório. Quem viu o filme, se lembra que alguns decidiram continuar num mundo de mentira. A pílula azul era para continuar na ilusão. A pílula vermelha significava a dolorosa caminhada do conhecimento e da maturidade.

Jesus não vende uma ilusão. Não doura a pílula, não escamoteia sua mensagem com meias palavras. As palavras de Jesus não têm absolutamente nada a ver com a ilusão que muitos procuram, de uma vida sem sobressaltos, rodeada de livramentos, sem enfermidade, sem acidentes, previsível. Ele não parece oferecer segurança para seus discípulos. Segurança existencial sim, mas não aquela segurança como garantia de uma vida absolutamente sem percalços. Ele disse: “No mundo tereis aflições”.

Basta olhar. Basta ser um tantinho realista para perceber que a vida é cheia de sobressaltos. O chamado de Jesus é para uma caminhada em que se enfrenta corajosamente a vida em todas as suas dimensões. Eu sei, reconhecer isso dói. É como aquela pessoa que reluta em assumir-se adulta, porque a maturidade tem seus desafios, a criancice exige menos responsabilidades, mas é necessário encarar os fatos.

Para isso é preciso se desiludir. Abandonar a ilusão e encarar a realidade. Não é desencanto, que é o mesmo que desesperança. Mas desilusão, abandono de uma ilusão pueril, infantil, de negação da própria humanidade e da realidade da vida. Mas nunca desencanto, pelo contrário, só quando houver desilusão, ou seja, o abandono das ilusões, poderá haver um verdadeiro encantamento pela vida e uma verdadeira, madura, esperança em Cristo Jesus.

Por isso que há tanta gente desiludida, no mau sentido, com Deus. Na verdade sem nenhuma esperança mais em Deus. Porque lhe prometeram algo que nem Deus prometeu: uma vida blindada.

O convite de Jesus é para uma jornada de fé, em que enfrentamos a vida com coragem. O exemplo dele mesmo é retumbante, sendo Deus feito homem, enfrentou com coragem o calvário, a cruz. Ficamos, pois, num mundo sem garantia alguma? Não, há uma garantia maravilhosa para aqueles que decidem enfrentar corajosamente a vida, sem ilusões: a de que Ele estará conosco todos os dias, até o fim dos dias. E isso não é uma ilusão.

Quarta-feira, Maio 19, 2010

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As Eleições dos sonhos...

Robinson Cavalcanti

O Brasil já está politicamente enquadrado no modelo de “democracia governada”, onde os “Donos do Poder” estão a serviço dos Donos do Capital. A Lei regulamenta o sistema, o judiciário o enquadra, o poder armado o sustenta, e a mídia o propaga.

Pelo “soft Power” (educação, mídia, propaganda, arte), ou o “hard Power” (justiça, polícia) são apenas aparelhos ideológicos e braços do modelo vigente. Os ricos ficam cada vez mais ricos, a classe média curte alienada o consumo, parte dos pobres são cooptados como consumidores e não como cidadãos, “promovidos” por decreto e publicidade a um status de classe média que não tem, os miseráveis continuam miseráveis, e os pobres, movidos a futebol, cachaça, sexo e/ou igrejas neopentecostais vivem a esperança vã de um dia serem “sorteados” para subir na escala social.

Os movimentos sociais estão domesticados, as ruas estão esvaziadas de mobilizações, e aquelas que porventura aparecerem serão reprimidas como delinquência. As elites se realizam em serem caricaturas do império mundial hegemônico, inclusive no aspecto cultural.

Quando um sistema está consolidado assim, é que se dão as “eleições dos sonhos” das elites: a promoção de pseudo-alternativas, que serão vendidas como produtos aos consumidores, com uma campanha que é um grande teatro, focado no estilo da pessoa do(a)s candidato(a)s ou em aspecto meramente secundários, e de escassa relevância. Estimula-se uma rivalidade, para dar a impressão de que a disputa é para valer. As eleições se dão como ritos de passagem e catarse coletiva, mas, no dia seguinte, tudo “estará como dantes no Quartel de Abrantes”.

A disputa Dilma vs. Serra vai por aí: o hoje com cara de ontem, e o ontem com cara de antes-de-ontem, A elite está em paz, pois, “ganhe quem ganhar, nós ganhamos”. Marina é tratada como mera atriz coadjuvante (embora possa surpreender), e os demais candidatos ignorados ou ridicularizados. Quem apoia quem é apenas quem vai ter benefício mais direto com quem.

Essa é a “democracia governada” que temos, muito longe de uma “democracia governante”, onde o povo seja realmente ator e sujeito político e não objeto. Quando se fala que temos um Estado de Direito e liberdades públicas, isso é parcialmente verdadeiro, mas não tem relação direta com uma democracia real.

Se, ao fim e ao cabo, cumpriremos o nosso “dever cívico” optando pelo mal menor, algum tipo de reivindicação e pressão pode ser possível, fazendo avançar algumas polegadas.

Quase não temos candidatos “de esquerda”, mas que tiveram passado de esquerda, hoje devidamente “domesticados”. A “esquerda” no poder federal (ou nos poderes estaduais e municipais), de vários partidos, trocou a utopia da busca de superação do capitalismo pela defesa da sodomia. Pobre geração!

Mas, enquanto há fé, há esperança. Como disse um cínico: “se a esperança é a última que morre, ela é a última a morrer, mas morre”.

Vigiemos, oremos e nos inquietemos!

Que o Senhor da História, em sua Providência, pregue mais uma peça: abatendo os exaltados e exaltando os abatidos.

Vamos em frente!

Robinson Cavalcanti (Via Pavablog) com o título original de "Eleições: O sistema está consolidado".

Terça-feira, Maio 18, 2010

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Adoradores do Miojo Profético


Renato Russo dizia pertencer à geração Coca-Cola. O tempo passou e hoje a nossa geração se identifica com outro produto. O miojo.

Somos a geração do instantâneo.

Um toque no IPhone nos coloca em contato com o mundo inteiro. São tantas redes “sociais”. Não precisamos nos preocupar com endereços já que o GPS conhece todos os caminhos do planeta inteiro.

Este novo mundo instantâneo é tão atraente e eficiente que várias vezes chegamos a nos perguntar como era possível até bem pouco tempo viver sem essas facilidades.

Nos esquecemos que a Bíblia foi escrita em outra época. No ritmo das ferramentas dos agricultores, na cadencia dos pastores nos campos onde a vida corre sem pressa e onde a urgência é falta de sabedoria.

Na esfera da fé também mais do que nunca queremos resultados imediatos. Tudo está tão organizado, sistematizado e catalogado que para conseguir alguma coisa de Deus basta seguir 12 passos para isso, 8 semanas para aquilo e BUM!! Resultado alcançado. Daqui a algum tempo vamos pedir que o Senhor responda nossas orações de preferência em até 140 caracteres.

Nos esquecemos que o convite de Jesus aos apóstolos não foi para seguirem-no e viver três anos de aventura. Foi, sobretudo um gracioso desafio a seguirem-no por toda vida e para além dela.

Conhecer Jesus é muito mais que 7 semanas de campanha. É mais profundo do que algumas pregações e músicas nos sugerem. Às vezes parece que alguns estão adorando um deus miojo. Um deus para hoje, para já. E só.

A maior prova disso é a multidão de crentes com medo da morte lotando as igrejas. Perdemos o foco do eterno. Não desejamos mais cumprir a carreira e receber o maior prêmio de todos. Ver Jesus face a face. Desejamos ardentemente esse mundinho de pequenas facilidades e bênçãos instantâneas.

Como você tem tratado Jesus em seu coração?

Como um deus miojo?

Ou como um Deus tão infinito e maravilhoso que nem a eternidade inteira vai ser suficiente para descobrir toda largura e profundidade de Seu amor?

Texto: Clayton Olee

Imagem by Ruben Mukama

Segunda-feira, Maio 17, 2010

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Cá entre nós #1 - Clamando por justiça

Domingo, Maio 16, 2010

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CÁ ENTRE NÓS - ESTREIA



Nesta Segunda às 19h. (horário de Brasília) entrará no ar o primeiro vídeo da série "Justiça, Paz & Alegria" em nosso videocast. Não perca!

Sábado, Maio 15, 2010

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Entre desencontros e reencontros

Um dos maiores desafios que enfrentamos na manutenção de nossa saúde física, emocional e espiritual reside na forma como lidamos com os ressentimentos gerados pelos desencontros em nossas relações interpessoais. Em algum momento de nossa trajetória, todos nós nos deparamos com a difícil tarefa de lidar com as amarguras em relação às atitudes e palavras de pessoas que, consciente ou inconscientemente, nos feriram ou decepcionaram.

No evangelho de Mateus, Jesus inicia uma sessão de ensinamentos com a seguinte frase: "Se o seu irmão pecar contra você (…)". Diante do que é colocado, Pedro levanta uma palpitante questão: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim?" Jesus responde de forma enigmática, dizendo que não deveria fazê-lo somente sete vezes, mas sim, "setenta vezes sete", conforme Mateus 18.21-22. Dando continuidade ao raciocínio, o Mestre conta a história do rei que, diante da oportunidade de acertar contas com seus servos, optou por cancelar suas dívidas e deixá-los ir.

É interessante que a primeira preocupação que nos ocorre ao lermos este trecho é qual seria o significado da frase "setenta vezes sete". Isso muitas vezes desvia a nossa atenção de alguns outros elementos bem mais importantes no texto. Um deles é o fato de que este conjunto de ensinamentos trata dos desencontros entre "irmãos" e "conservos". Logo, nosso questionamento deveria ser identificar quem é esse irmão, a quem devemos perdoar, ou quem é o conservo cuja dívida devemos cancelar. Eles certamente não serão pessoas desconhecidas, aquela gente que simplesmente encontramos na fila do banco ou no ponto de ônibus. Tais termos referem-se a pessoas que têm compartilhado conosco de uma jornada mais constante, andando lado a lado numa caminhada de fé e na construção de uma relação de amizade.

Justamente por isso, somos levados à constatação de três grandes problemas em nosso relacionamento com aqueles que nos são como irmãos ou conservos. O primeiro deles é que nossa maior dificuldade não é lidar com desencontros ocorridos com estranhos. O sofrimento e a crise se instalam de forma dolorosa e complexa quando o relacionamento com gente que compartilha de nossas vidas é abalado. O segundo problema diz respeito ao idealismo que criamos em torno dessas pessoas que nos são próximas. É uma expectativa irreal pensarmos que gente que compreende o Evangelho e se rende a Jesus como Salvador e Senhor não está sujeita a sentimentos de inveja, ciúmes, rancor ou inimizade. Daí nossa decepção quando o relacionamento com alguém assim é abalado.

O terceiro problema aponta para a forma como trabalhamos esses nossos relacionamentos. Sempre atribuímos maior valor à última atitude ou palavra, sem levarmos em conta todas as atitudes e palavras que construíram a história daquela relação. Em outras palavras, não importam todos os depósitos que foram feitos ao longo das experiências vividas; diante do desencontro, agimos como se nosso irmão ou conservo não tivesse qualquer saldo em nossas vidas. Em qualquer destas situações, a solução é sempre abrir mão do orgulho, reconhecendo o valor dessas pessoas para nossas vidas e histórias, redimensionando nossas expectativas em relação a elas e levando em conta tudo de bom que construiu nossa história mútua, e que não pode ser desprezado em função de um erro fortuito.

Mas o que Jesus quis nos ensinar com essa história? Primeiramente, que nós somos como o servo que não tinha como quitar a dívida com seu senhor. Deus é o rei que optou por cancelar nossas contas e deixar-nos ir, salvos e justificados. Logo, existem momentos que somente a consciência de quem somos diante de Deus pode nos dar a humildade suficiente para lidarmos com graça com nosso irmão ou conservo ofensor.

Em segundo lugar, a história nos ensina que perdoar não é um sentimento que brota espontaneamente dentro de nós. O perdão é uma decisão que tomamos de assumir os prejuízos gerados pelo ofensor, abrindo mão de toda e qualquer cobrança. Ao perdoar o devedor, aquele rei não estava dizendo que não existia de fato uma dívida, mas sim, que ele resolvera abrir mão do que lhe era devido. Ou seja, ele assumiu o prejuízo e liberou o outro de qualquer cobrança. E, muitas vezes, o perdão não consiste em um mero ato, mas em um processo – mesmo depois de tomarmos a decisão de cancelar as contas, somos surpreendidos por sentimentos que voltam a nos assaltar e nos impulsionar à demanda por justiça. Diante deles, precisamos renovar nossa decisão pelo perdão.

Agindo dessa forma, nossos desencontros serão movidos na direção de reencontros. Debaixo dos olhos do Pai Celeste, que tanto nos tem perdoado, somos motivados a fazer o mesmo com o irmão que pecou contra nós ou com o conservo que nos deve. Movidos pela graça que nos alcançou, somos capazes de derramá-la sobre aqueles que nos feriram ou decepcionaram.

Ricardo Agreste (Via Sepal)

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Cá entre Nós...



Na próxima segunda, dia 17 de Maio, estaremos estreando nosso videocast no Youtube. Todas as segundas, quartas e sextas teremos uma mensagem nova em vídeo com curta duração (por volta de dez minutos cada). Assuntos polêmicos, cultura, teologia, escatologia, comportamento, serão tratados com franqueza e objetividade.

Ajude-nos a divulgar e aproveite para inscrever-se em nosso canal, que já recebeu mais de 213 mil visitas. Nosso alvo é alcançar 1 milhão até o fim deste ano.

Conto com você!


Sexta-feira, Maio 14, 2010

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Rompendo com a espiritualidade de hora marcada

hora marcada O homem moderno tem hora marcada pra quase tudo na vida. Depois que os gregos aprenderam a dividir o tempo, as ações humanas no ocidente foram compartimentadas de acordo com o instante em que deveriam acontecer. Ou seja, temos hora marcada para estudar, trabalhar, cultuar, etc. Todavia, algumas ações não devem seguir essa norma. A prática da compaixão é um exemplo de como não podemos exercê-la apenas em ocasiões devidas.

Contudo, com a ajuda dos gregos, foi isso que a religião fez. Das muitas coisas bizarras que inventou, a religião criou o tempo sagrado. Havia então o tempo oportuno pra cultuar e falar com a divindade. Fora do tempo sagrado o mistério não se comunicava. As pessoas ficavam à mercê da instituição sagrada do tempo. Os deuses tinham hora marcada pra falar com o povo e ninguém possuía autoridade pra romper com essa coisa instituída. A religião então é a responsável e legitimadora da sacralidade do tempo.

Dessa forma, as ações sagradas, como o ato de compadecer-se de alguém, deveria acontecer em um tempo sagrado, aquele instituído pela religião, assim como também, o ato de adorar à divindade seguia o seu momento oportuno. Na modernidade, o domingo é sagrado para várias religiões. Entretanto, Jesus não dependeu de uma ocasião oportuna para atender a mulher hemorrágica que surgiu no meio do caminho enquanto ele estava indo atender a Jairo. Jesus não se esquivou da necessidade daquela mulher apesar de não ter hora marcada pra ela.

A questão é que se não estamos em nosso tempo sagrado, dificilmente nos compadecemos. Se não for na sexta à noite, quando entregamos alimentos para os famintos e sedentos das noites frias, se não for no culto do assistencialismo social, se não for no domingo de ceia, se não for no momento sagrado da religião, não tenho porque me compadecer, porque é ela, a religião, que marca a hora para exercemos a compaixão. Só resta lembrar que quem marca a hora devida é a terrível necessidade, e a necessidade surge em momentos diversos, e por incrível que pareça, normalmente não são nos momentos sagrados.

Ivan Cordeiro (Título original: Sem hora marcada para a compaixão)

Quinta-feira, Maio 13, 2010

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Médico chora ao descrever o sofrimento de Jesus na Cruz



Sem palavras...

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Homem de Ferro: Herói sem frescuras

iron-man3 Na última terça-feira fui ao cinema com meus filhos para assistir ao segundo filme do Homem de Ferro (IronMan 2). Sem dúvida o melhor filme de super-herói que tenho visto em anos. Fotografia, impecável. Efeitos mais que especiais. E a trilha sonora… sem comentários. A sala estava lotada, mesmo sendo um dia não muito disputado. A maioria da platéia formada por marmanjões como eu. Gente que em sua adolescência devorava os gibis deste extraordinário herói da Marvel. Por que extraordinário? Deixe-me explicar.

Stan Lee é um gênio. Criador de heróis como o Capitão América, o Incrível Hulk, o Homem-Aranha, Thor, os X-Men, o Demolidor, a meu ver, ele se superou ao criar o Homem de Ferro. Diferente dos demais heróis, o Homem de Ferro não esconde uma identidade secreta, e tão-pouco possui superpoderes.

Diferente do Homem Aranha, ele não tem crise de identidade, típica de adolescentes. Tony Stark é um quarentão bem-sucedido que herdou do pai não apenas uma próspera empresa, mas também a obsessão pelo futuro.

Engana-se quem pensa que ele use máscara ou fantasia. O que ele usa é uma armadura. Todos os seus poderes estão nela. E faz questão de que todos saibam quem está por trás dela (pelo menos na versão cinematográfica).

Portanto, não há aquela neurose própria de super-heróis para preservar seu segredo a qualquer preço. Confesso que nunca entendi muito bem as razões pelas quais a maioria deles precisava se esconder. E mais incrível ainda para mim era a maneira como se disfarçavam. O Super-Homem, por exemplo, mantinha sua identidade secreta atrás dos óculos (se bem que os óculos daquela época eram bem grandes!). Não sei como cabia aquela enorma capa vermelha dentro de sua roupa civil. De repente, Clark Kent sumia, entrava numa cabine telefônica, rasgava a camisa e saía voando.

– É um pássaro!

- Não! É um avião!

- Também não! É o superman!

E a Mulher Maravilha? Era só dá uma rodada, tirar os óculos, soltar os cabelos, e pronto. Lá vai ela com seu laço mágico em seu avião invisível.

Será que ninguém era capaz de reconhecê-los simplesmente olhando em seus olhos?

Os olhos revelam muita coisa. Uma olhada é capaz de desvendar o que subjaz no recôndito da alma humana.

E o Hulk? Haja dinheiro pra comprar tanta roupa. Quando se via ameaçado de ter sua identidade revelada, saía de fininho em busca de outro lugar pra ficar, sempre ao som daquela musiquinha triste. Alguém aí se lembra disso?

Com o Homem de Ferro é diferente. Não há cabines telefônicas, nem alguma criptonita que o torne vulnerável. Jamais se sente ameaçado de ser descoberto, simplesmente porque não tem o que esconder. Ele é o que é.

Por isso me identifico tanto com este herói.

Semelhantemente, somos chamados por Deus a viver com o rosto descoberto, na liberdade do Espírito. A igreja deve provê aos seus membros um ambiente onde impere a graça, e não o preconceito. Ela não pode ser uma espécie de armário onde as pessoas escondam seu verdadeiro eu, tampouco os cultos devem ser um baile de máscaras.

Geralmente, quem mais julga os outros é quem mais tem o que esconder. Julgar e condenar terceiros é uma maneira de preservar sua própria identidade secreta. Porém, sempre fica um rastro… Basta as pessoas serem um pouco mais observadoras, e verão com quem estão lidando. O problema é que nem sempre se quer ver. Há sempre uma Lois Lane predisposta a se render à fantasia do outro, fazendo vista grossa aos indícios. Um dia alguém descobre a batcaverna, e aí, meu camarada… a casa cai.

Se a igreja fosse uma comunidade terapêutica onde todos se percebessem como pecadores carentes da graça, não haveria lugar para juízo, muito menos para hipocrisia.

Não temos superpoderes. Como o Homem de Ferro, nosso poder está na armadura. Por isso somos instados a nos revestirmos de toda a armadura de Deus, cujas peças estão listadas em Efésios 6.

Assim como Tony Stark, que recebeu uma espécie da marca-passo que o mantém vivo depois de ter sobrevivido à explosão de uma bomba em um teste mal sucedido de uma de suas armas, também recebemos um novo coração que nos possibilita nutrir os mesmos sentimentos que houve em Cristo Jesus.

É por essas e outras, que o Homem de Ferro segue sendo um dos meus heróis favoritos.

Terça-feira, Maio 11, 2010

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I Still Haven't Found What I'm Looking For - U2

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Ninguém mais fala do amor

Domingo, Maio 09, 2010

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Para Sempre - Drummond de Andrade

Sexta-feira, Maio 07, 2010

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Recuso-me a ser camaleão

Quando eu olho para o meu, até então, mundo religioso, lembro-me de uma canção do Arnaldo Antunes muito bem interpretada por Nando Reis, que dentre outras coisas, fala sobre a não adaptação ao sistema social. Depois de muitos anos vivendo no meio evangélico, tenho que admitir que não caibo mais neste sistema religioso, não que eu seja mais santo do que aqueles que ali vivem, até porque, para muitos, estou longe de ser uma referência em santidade, mas, de certa forma, essa minha admissão é pelo simples fato de não comungar mais da mesma fé.

Há algum tempo deixei de ter uma fé oportunista. Não comungo mais da crença em um Deus que está pronto pra resolver os meus problemas. Não creio na idéia de um Deus necessário, como se Ele existisse para satisfazer as minhas necessidades, muito menos acredito em um Deus que me abençoa ou me amaldiçoa a partir da intensidade dos meus dízimos e ofertas. Deus é e se faz ser independente do que eu seja e do que eu faça. Tenho os meus anseios, problemas e medos, e conto com Deus para me relacionar com sabedoria e discernimento em meio a estas questões, entretanto, isso não quer dizer que eu tenha o direito de determinar a ação de Deus, de requerer Dele a minha benção, que seria a resolução dos meus conflitos. Tento me aproximar de Deus sem essa motivação.

Há algum tempo deixei de ter uma fé legalista. Não comungo mais da crença em um Deus que me aprova ou me reprova a partir do meu nível de santidade. Não creio na idéia de um Deus que me reprime por não cumprir as normas que a religião prega, muito menos acredito que alguma ação minha consiga aumentar o meu prestígio diante de Deus. Acredito sim, na necessidade de uma vida moral e ética íntegra, mas isso independe do meu referencial religioso. Minha relação com Deus me ajuda a vivenciar esses conceitos de forma melhor, todavia, vai muito além disso, até porque, não dependo necessariamente de Deus para ser justo ou íntegro, posso ser exemplo de dignidade sem ter ligação alguma com a Verdade.

Há algum tempo deixei de ter uma fé medíocre. Não sirvo a Deus com medo de ir para o inferno, aliás, o único inferno que faz parte da minha existência é a estranha realidade das vontades que me dominam sem a minha aprovação. Ademais, fora de mim, existem outros infernos, mas em Cristo quero fazer parte da Igreja que irá se levantar contra cada um deles, pois, foi o próprio Jesus que sentenciou que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Cabe então, à Igreja, identificar quais as portas do inferno que precisam ser vencidas. É preciso perceber que a violência, o analfabetismo, o preconceito, o aborto, o infanticídio, e tantas outras questões, precisam da iniciativa da Igreja para serem banidas do contexto da vida humana.

Enfim, tinha muitas outras inquietações para colocar aqui, mas não quero mais remoer o passado, estou de olho no futuro, comungo com aqueles que ainda crêem em um mundo melhor, que têm esperança que novos céus e nova terra nos esperam, mas, todavia, crêem que isso é possível hoje. Por isso, estou decidido a vivenciar Jesus fora do ambiente religioso. Já ofereci muito tempo da minha vida para a religião, para seus dogmas e preceitos. Já perdi muito tempo da minha vida querendo agradar a gregos e troianos. Mas, agora, quero vida, sem frescuras, e quero experimentá-la no palco de uma existência real, não fantasiosa, e só pra lembrar, não vou me adaptar.

Ivan Cordeiro (Título Original: Não vou me adaptar)

Quarta-feira, Maio 05, 2010

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O autêntico é livre de si mesmo


Há um poder de libertação muito grande na autenticidade do ser.

Uma das coisas que a religiosidade produz é a hipocrisia omissa. Diria que o religioso torna-se vítima da sua própria devoção. Na busca por mudança interior há a tentativa de transformar o exterior, e isso costumeiramente resulta na dissimulação e até simulação de caráter.

O engajamento em trocar velhos hábitos tidos impuros por atitudes condizentes com as regras de fé adotadas é igualado ao arrependimento e entrega dos quais conclamam as boas notícias de Jesus Cristo, para os mais vis e repugnantes.

Quando me esforço para mudar o jeito como falo, o tipo de roupa que visto, o tipo de amigos que tenho, a natureza dos lugares que frequento e como lido com as pessoas sem antes ter tido a essencial renovação do ser, estou apenas limpando o exterior do copo.

Provavelmente, e muito provavelmente, sua religião empurra-lhe por esse infrutífero caminho: adotar novos preceitos de vida, nova indumentária, novos jargões e formulações prontas e a incapacidade de sustentar pensamento livre. Tudo isso sob a retórica de estar nascendo de novo.

Ao passo que, com Jesus Cristo, a ordem das coisas é bastante diferente. Aliás, se há alguém que quebrou paradigmas sem conta foi esse cara; Mas isso fica para outra explanação. Não me recordo de ler nos Evangelhos nenhuma narrativa que mostre Jesus aceitando pessoas sob a condição de mudança exterior. A mesma pode até vir a ocorrer, mas sempre em consequência de uma total reviravolta interior. O que carregamos no coração é que será refletido na aparência. E não há falsidade que esconderá isso por muito tempo, seja luz ou trevas o que existir lá dentro.

Jesus não dizia, “venha para minha igreja, mude de vida e receba meu perdão e aceitação”. O contrário, “receba meu perdão e minha aceitação, e isso mudará sua vida”. Um dos atributos dessa ordem é ser livre do status quo. Tornar-se autêntico mesmo que não signifique ainda pronto, totalmente santo e irrepreensível, é uma virtude pouco encontrada nos crentes. Como posso receber o perdão salvífico de Cristo sem exercer a disciplina da autenticidade? O autêntico vê pouca dificuldade na humildade. Assim, vê grande alegria no perdão reconciliável do Pai, em seu Filho. Sua honestidade para consigo mesmo o conduz a uma saudável transformação de dentro para fora.

Eis, então o problema do religioso que aprendeu a mudar como vive sem antes receber a Vida dentro de si. Acometido da pressão de parecer santo e ungido para os outros, apodreceu seu interior pelo preço de ostentar parecer o que ainda não conseguiu ser.

Portanto, vive preso a si mesmo.

Terça-feira, Maio 04, 2010

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Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!


“Que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e despedaces todo jugo...” ISAÍAS 58:6

“Liberdade não é meramente tirar as correntes de alguém, mas sim viver de uma forma que respeita e aumenta a liberdade dos outros”.
NELSON MANDELA


Não temos o direito de restringir a liberdade de quem quer que seja. O mandamento de Deus é claro: “Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás” (Lv. 19:13). Toda opressão é roubo, pois é privação da liberdade, um dos mais importantes direitos humanos.

A presença do Espírito Santo visa disseminar a genuína liberdade no Mundo, pois “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co.3:17). Não apenas liberdade no sentido de “ir e vir”, mas liberdade no sentido de não viver debaixo de jugo algum, nem espiritual, nem emocional, nem social.

Toda opressão é contrária à justiça do Reino de Deus. Ninguém tem o direito de oprimir seu próximo, ou explorá-lo, servindo-se de seu trabalho, sem lhe dar paga alguma.

O que mantém as pessoas sob opressão ou escravidão é a falta de conhecimento. Somente o conhecimento da verdade é capaz de produzir plena liberdade. Foi Cristo quem anunciou: "Conhecereis a verdade, a verdade vos libertará". E Ele mesmo Se identifica como "a verdade". É por Ele que conhecemos nossa condição espiritual e somos desafiados a transcendê-la. Devemos, portanto, conhecer, não apenas à Sua pessoa, ou à Sua doutrina, mas também à Sua obra, e ao Seu modus vivendi.

Sua morte vicária na Cruz foi a carta de alforria assinada com o Seu próprio sangue. Estamos finalmente livres! Ninguém mais tem o direito de dominar-nos a seu bel-prazer. Infelizmente, nem todos têm acesso a esta poderosa verdade, e por isso, aceitam passivamente a exploração e a servidão.

Imagine que depois de tanto tempo que a Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel, ainda haja gente trabalhando em regime de escravidão em nosso País. Esta é uma triste realidade. Pessoas trabalham por comida e estadia. São exploradas, privadas de sua dignidade, e se não produzirem o exigido por seus senhores, são submetidas aos mais severos castigos. O fato é que tais “senhores” se aproveitam da ignorância de seus “criados”, para mantê-los sob seu ferrenho domínio.

A morte de Cristo atribui dignidade a todo ser humano independente de raça, cor, religião ou sexo. “Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres” (Gl.5:1a). Não podemos nos colocar “debaixo de jugo de escravidão”.

Essa liberdade deve ser partilhada com nosso semelhante. E isso fazemos quando proclamamos “liberdade aos cativos” (Is.61:1b), e trabalhamos para que toda estrutura injusta de domínio seja denunciada e desbaratada.

Paulo nos informa que o fim desta Era virá quando Cristo “tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver destruído todo domínio, e toda autoridade e todo poder. Pois convém que ele reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1 Co. 15:24-25). E será através da ação profética/social da igreja, que tais estruturas serão destruídas.

Isso nos coloca numa posição marginal/subversiva neste mundo. Estamos no ramo de demolição de estruturas de poder. Não as demolimos com armas carnais, e sim espirituais e poderosas em Deus (Confira 2 Co.10:4). Não precisamos nos engajar numa luta arma, numa revolução militar, política ou ideológica. As estruturas de poder ruirão depois que forem fragilizadas pela infiltração da verdade. Resistência, denúncia, profetismo, ação social e discipulado são algumas das munições usadas por nossas armas espirituais.

Não podemos nos aliar aos poderes deste mundo, ainda que estejamos, por ordem divina, submetidos às autoridades constituídas. Devemos lealdade unicamente a Cristo e ao Seu Reino. Quando nos aliamos aos poderes deste mundo, estamos traindo nosso chamado. Vale aqui a exortação do salmista:

“Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; TIRAI-OS DAS MÃOS DOS ÍMPIOS. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas”. SALMOS 82:2-5a

Paulo faz coro com esta verdade, ao declarar que “os poderosos deste mundo” estão destinados a serem aniquilados, pois nenhum deles conheceu a verdadeira sabedoria, “pois se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória” (1 Co.2:6,8). Por isso, o salmista diz que “eles nada sabem, e nada entendem”. Aliar-se a tais poderes, é o mesmo que aliar-se a algo destinado a ser completamente aniquilado. Devemos, como povo de Deus, optar pelos oprimidos, pelos fracos, pelos explorados, pelos excluídos, pelos pobres, pelas minorias.

Até quando as igrejas cristãs se manterão aliadas aos poderosos? Até quando aqueles que alegam representar Cristo na Terra vão continuar se promiscuindo com os opressores? Não há meio termo. Quem deseja viver e propagar a justiça do Reino, tem que fazer uma opção pelos oprimidos, e não pelos opressores. Tal qual Cristo, devemos optar pelos excluídos, os menos favorecidos, e trabalhar para tirá-los das mãos dos seus algozes.

O sábio rei declarou: “Informa-se o justo da causa dos pobres; mas o ímpio não quer saber disso” (Pv. 29:7). O ímpio está sempre “lavando as mãos”, como fez Pilatos. Ele prefere omitir-se, em vez de tomar posição em favor dos menos favorecidos.

Tanto os profetas, quanto os apóstolos, aliaram-se às camadas mais necessitadas, em vez de se aliaram aos poderosos. Por isso, eram considerados subversivos, e foram duramente perseguidos.

Contrário a qualquer tipo de discriminação social, Tiago escreve: “Se na vossa reunião entrar algum homem com anel de ouro no dedo, e com trajes de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e atentardes para o que tem os trajes de luxo, e lhe disserdes: Assenta-te aqui em lugar de honra, e disserdes ao pobre: Fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do estrado dos meus pés, não fazeis distinção entre vós mesmos, e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos? Ouvi, meus amados irmãos: Não escolheu Deus aos que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Não são os ricos os que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais?” (Tg.2:2-6). Fica claro nessa passagem que o próprio Deus prioriza o pobre, o oprimido, o necessitado.

Temos a obrigação de livrar o fraco e o necessitado. Alguém precisa falar-lhe da verdade libertadora do Evangelho. Alguém tem que contar-lhe da dignidade que Cristo lhe conferiu. “Glorie-se o irmão de condição humilde na sua alta posição. O rico, porém, glorie-se na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva” (Tg.1:9-10).

Uma revolução está a caminho, mas que não demandará derramamento de sangue, nem violência. Será a revolução do amor, da paz e da justiça.

“Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o oprimido das mãos do opressor. Não oprimais mais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva, e não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar.” JEREMIAS 22:2

Violência gera violência. Não se apaga fogo com fogo. Devemos transformar nossas armas em arados, e qualquer desejo de vingança em perdão. A profecia messiânica diz que Cristo “exercerá o seu juízo entre as nações, e repreenderá a muitos povos. Estes converterão as suas espadas em arados e as suas lanças em podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra”(Is.2:4). Eis nossa esperança!

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Executai justiça verdadeira; mostrai bondade e misericórdia cada um a seu irmão. Não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente o mal cada um contra o seu irmão em seu coração”.
ZACARIAS 7:9-10

As viúvas e os órfãos representam para nossa sociedade as classes desassistidas, aqueles para os quais a corda rompe primeiro. Nossa sociedade está cheia de órfãos de pais vivos. Nossas crianças e adolescentes estão crescendo sem qualquer assistência. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente represente um avanço considerável, precisamos de políticas mais eficazes, que promovam uma educação de qualidade para nossos filhos. O que será de uma geração inteira que cresceu aos cuidados da babá eletrônica?

E quanto aos nossos velhos? Até quando morrerão nas filas do INSS? São viúvos do Estado. Estão entregues à própria sorte.

O estrangeiro representa o diferente, o pertencente a outra realidade, outra crença, outra ideologia. É triste constatar como os imigrantes brasileiros são explorados no Exterior. Geralmente, trabalham por menos que o salário mínimo do país.

Uma etnia não tem o direito de dominar pessoas de outra etnia. Não há raças superiores, nem fisica, intelectual, ou espiritualmente.

Também é triste assistir ao crescimento dos bolsões de miséria, das favelas e guetos, habitados por aqueles que deixaram seus rincões, no afã de obterem melhores oportunidades na cidade grande.

“O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás, pois estrangeiros fostes na terra do Egito.” ÊXODO 22:21

“Como o natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco. Amá-lo-eis como a vós mesmos, pois fostes estrangeiros na terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus.”
LEVÍTICO 19:34

“Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno. Ele faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e vestes. Amai o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito.” DEUTERONÔMIO 10:17-19

Deus apela à compaixão. Só podemos nos compadecer daquele que passa por algo pelo qual um dia passamos. Somos um país de imigrantes. Quem não é imigrante, é, no mínimo, filho, neto ou bisneto de imigrante. Os únicos que têm suas raízes fincadas nesta terra há mais tempo são os indígenas. Os demais descendem de europeus, africanos e orientais. Portanto, antes de agirmos com preconceito, ou explorarmos mão-de-obra estrangeira, lembremo-nos de nossos ancestrais.
O trato que Deus ordenou que Seu povo dispensasse ao estrangeiro era de tal ordem, que é usado como referência para o trato que devemos dispensar a nossos irmãos, quando estes atravessarem alguma dificuldade econômica:

“Quando teu irmão empobrecer e as suas forças decaírem, sustentá-lo-ás como a um estrangeiro ou peregrino, para que viva contigo.” LEVÍTICO 25:35


Quem diria... Em vez de o estrangeiro ser tratado como irmão, o irmão que deveria ser tratado como estrangeiro. Porém, hoje, tratar um irmão como se fosse um estrangeiro, seria considerado um total descaso, dado o desprezo com que tratamos àqueles que consideramos diferentes de nós.

Se amamos a liberdade, devemos promovê-la, ainda que isso nos custe a privação momentânea desta mesma liberdade.

Segunda-feira, Maio 03, 2010

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Chega de problema!



Este vídeo produzido pelo Projeto Playing for Change contou com a participação de pessoas ao redor do Globo, incluindo flashes com Bob Marley, autor da canção, e Bono Vox do U2. O projeto é louvável e já tem gravado várias canções. Vale a pena conferir. Bom pra começar a semana.

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Bancando o Super-Herói

Quando criança, uma de minhas primeiras lembranças é a de minha avó Olga, pacientemente sentada ao lado de sua máquina de costura mágica, tentando transformar os vários pedaços de retalho numa capa colorida, com a qual eu seria revestido logo depois, para sair "voando" espaço afora, igualzinho aos heróis que acabara de ver na televisão. Ainda que, ao contrário deles, minhas aterrissagens fossem, na maioria das vezes, de boca, no chão de terra da frondosa mangueira no fundo do quintal amplo de casa.

Na adolescência, meus super heróis, por conta da rebeldia natural desse tempo, passaram a ser os anti-heróis, os autênticos representantes da revolta ao sistema e aos padrões estabelecidos.

Eles agora não demonstram mais superpoderes, não voam, têm mais perguntas do que respostas, o que ironicamente os torna mais poderosos do que os valentes de meu passado ainda recente de criança.

Mais heróis e mitológicos que nunca.

No contato com o evangelho, surgem novos referenciais de conduta, desta vez os denominados heróis da fé. Homens e mulheres como você e eu, mas cujos encontros e caminhadas de vida com Deus os tornam especiais. (Aqui, tenho que fazer um parêntese, para expressar minha angústia quando tento comparar minha vida com a deles... acho que é a angústia básica de todos os que por eles nutrem respeito e admiração. Poderíamos eu e você sermos colocados na mesma categoria que a desses grandes personagens? Duvido. Até mesmo porque, creio que a grande causadora dessa inquietação é nossa tentativa de categorizá-los, superestimando seus poderes e subestimando sua humanidade!)

Afinal, o que significa ser um herói?

Uma definição acurada seria: ser alguém que se distingue por coragem extraordinária na guerra ou diante de outro qualquer perigo; que suporta exemplarmente um destino incomum, como, por exemplo, um extremo infortúnio ou sofrimento, ou que arrisca sua vida abnegadamente pelo seu dever ou pelo próximo; personagem preeminente ou central que, por sua parte admirável em uma ação ou evento notável, é considerada um modelo de nobreza.

Invariavelmente, diante destas definições técnico-literárias de quem seria um verdadeiro herói, é impossível deixar de pensar em pessoas comuns com as quais convivemos ou temos convivido em nossas comunidades, cuja paixão por Deus e por gente nos constrange; às vezes, até incomoda. Pessoas que se candidatam a um campo missionário que não significa necessariamente uma terra distante, podendo ser, por exemplo, o campo dos descamisados urbanos, dos párias, ou até mesmo dos marginalizados no seio da própria igreja!

Esses homens e mulheres que - por tantas vezes - sentam-se ao nosso lado nas celebrações dominicais são nossos heróis contemporâneos, muito embora ignoremos essa possível menção honrosa e pública ou até mesmo suas presenças.

Mas lá estão eles, pra nos dizer - na maioria das vezes sem palavras - que a vocação para atos heróicos não é privilégio de alguns. É chamado de todos. Afinal, viver o amor até as últimas conseqüências, praticar a compaixão e a misericórdia não deixa de ser uma postura heróica. Talvez anônima, talvez quase imperceptível por nossa sociedade globalizada e tão insensível. Mas com certeza cativante, sedutora, encantadora.

Que o nosso grande Super-Herói possa inspirar-nos todos a atitudes que expressem a coragem e a ousadia de seus autênticos discípulos heróicos...

Tenho saudades da minha capa colorida.

Texto de Jorge Camargo, com o título original de "Heróis" (via Cristianismo Criativo)

Domingo, Maio 02, 2010

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Imagine se uma cafeteria usasse o mesmo marketing da igreja



Embora o vídeo esteja em Inglês, vale a pena dar uma conferida. As imagens expressam bem a mensagem que o vídeo quer passar. É hilário e ao mesmo tempo verdadeiro.

Comentário do Pavarini: Marketing na igreja é uma questão controversa. O vídeo acima compara a abordagem comum nas igrejas comparando-a com a rede americana Starbucks. Nesta "parábola moderna" todos os chavões e situações comuns nas igrejas a cada domingo são usados como um alerta. Muitas pessoas vão ao Starbucks para satisfazer sua vontade de tomar café. Do mesmo modo, muita gente vai à igreja apenas para conhecer mais sobre Deus. Os visitantes "não iniciados" tem dificuldade de obter o que procuram e um deles nem sequer consegue.
Os autores do vídeo colocaram personagens que ao invés de facilitar o acesso ao produto, apenas dificultam. A linguagem é codificada, o comportamento esperado é quase constrangedor. E o mais interessante, nas "entrevistas", o barista, o gerente e o caixa acreditam que estão arrasando e o crescimento do número de fregueses prova a eficácia de seu modus operandis. Mal sabem eles que não chegaram nem perto com o casal de visitantes. O nome do vídeo é "E se o Starbucks usasse o mesmo marketing das igrejas?" Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Comentário: Pavablog


Sábado, Maio 01, 2010

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A Arca do Passado e a Arca do Futuro

Duas notícias me chamaram a atenção na semana passada. A primeira é sobre a localização do que seria parte da Arca de Noé feita por um grupo de investigadores turcos e chineses. O achado foi localizado no Monte Ararat, no Leste da Turquia, perto da fronteira com o Irã.

As análises realizadas pelos exploradores, pertencentes a uma organização evangélica, demonstraram que o pedaço de madeira com 38 milímetros encontrado teria 4800 anos, idade que coincide com a data de construção da Arca de Noé apontada pela Bíblia. Foi usado o método do carbono 14, um dos mais rigorosos que se conhece. O investigador alemão Gerrit Aalten, que também integrou a expedição ao Monte Ararat, considera que “há uma grande quantidade de evidências sólidas de que a estrutura encontrada é da lendária Arca de Noé”. Ponto para os criacionistas! Agora poderão esfregar na cara dos incrédulos a veracidade dos textos bíblicos! Será que isso realmente é motivo para celebrar?


A segunda notícia fala de outra Arca.

    Um projeto patrocinado pelo governo da Noruega recebeu o apelido de “Arca de Noé”. Trata-se de cofres feitos especialmente para armazenar sementes, caso algum dia a Terra sofra algo parecido com uma catástrofe natural ou nuclear, e já possuem mais de 500 mil tipos de sementes.

    Localizado sob uma montanha, na ilha de Svalbard, na Noruega, o Global Seed Vault (ou o Cofre de Sementes Global) foi aberto em fevereiro de 2008 e armazena sementes – para que as espécies não estejam perdidas se algum desastre acontecer.

    De acordo com cientistas responsáveis pela manutenção do Global Seed Vault, se não encontrarmos um jeito de manter as plantações durante o aquecimento global, os humanos terão sua sobrevivência ameaçada.cofre-sementes-global

    Enquanto arqueólogos evangélicos e criacionistas se preocupam em preservar a credibilidade dos textos sagrados, investindo milhões em excursões em busca de relíquias bíblicas, cientistas, em sua maioria ateus e evolucionistas, se esmeram no afã de garantir o futuro das próximas gerações. É o que Jesus disse: “Os filhos deste mundo são mais prudentes em sua geração do que os filhos da luz” (Lc.16:8b). Palavras do Mestre, não minhas.

    Não temos que nos preocupar em comprovar a veracidade histórica dos episódios narrados nas Escrituras. Se o Espírito Santo não infundir a fé no coração dos incrédulos, nem a mais precisa comprovação científica o fará. Deveríamos, antes, nos preocupar com o futuro, somando esforços com aqueles que já se empenham por ele. Urge repensarmos nossa escatologia dentro de uma perspectiva de esperança, afetando assim a maneira como tratamos assuntos práticos como política, economia, preservação ambiental, avanço científico, cultura, etc.