Sexta-feira, Abril 30, 2010

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Haverá bichos no céu?

IMG_1140 Será que seremos a única espécie que desfrutará dos novos céus e nova terra profetizados pelas Escrituras?

O que será das inúmeras espécies animais e vegetais, frutos do gênio divino?

Terá Deus criado todas elas apenas como figurantes da trama cujo protagonista é o ser humano? Recuso-me a crer nesta hipótese.

Este foi o assunto debatido na última quarta-feira na Rádio Melodia FM, do Rio de Janeiro. Tenho participado dos debates quase que semanalmente através do Skype. Um ouvinte queria saber se haverá animais na eternidade. Apesar de saber que a opinião da maioria é de que não, acretido piamente nesta possibilidade.

Se Deus não se importasse com os animais, por que os teria poupado no dilúvio?

Não somos melhores do que os bichos!

E não sou eu quem diz isso, mas o sábio Salomão:

“Disse eu no meu coração: Isso é por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que acontece aos filhos dos homens, isso mesmo também acontece aos animais; a mesma coisa lhes acontece. Como morre um, assim morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego, e nenhuma vantagem têm os homens sobre os animais…” (Ec.3:18-19).

Alguém poderá objetar: Os seres humanos temos espírito, os animais não. Será? Então, Salomão errou ao dizer que não temos qualquer vantagem sobre eles. E veja o que ele diz mais:

“Todos vão para o mesmo lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão. Quem sabe se o espírito dos filhos dos homens vai para cima, e se o espírito dos animais desce pra terra?” (vv.20-21).

Então, os animais também têm espírito, certo? Corretíssimo! Pelo menos é o que acabamos de ler.

O amor de Deus não se limita ao ser humano. Deus ama a todas as Suas criaturas, racionais e irracionais. Ele é quem “dá mantimento a toda a criatura, porque o seu amor dura para sempre” (Sl.136:25).

Davi entendia isso perfeitamente, e declara de maneira poética em seu salmo de número 104. Como que em êxtase, o rei salmista declara: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas. Há o mar, vasto e espaçoso, onde se movem seres inumeráveis, animais pequenos e grandes (…) Todos esperam de ti que lhe dê o seu sustento em tempo oportuno” (v.24-25,27). Até os leõezinhos “de Deus buscam o seu sustento” (v.21).

Era como se Davi mergulhasse no fundo do oceano e se maravilhasse com o que visse ali. Hermes e Tania no aquario

Tive uma sensação de deslumbramento semelhante recentemente ao visitar o maior aquário do mundo no SeaWorld em Orlando. É de cair o queixo! Foi deveras emocionante poder tocar nos golfinhos, assistir aos espetáculos com as baleias, adentrar o ambiente artificial reproduzindo o ártico e ver onde descansa o urso polar, assistir ao balé dos pingüins como no filme Happy Feet. Minha mulher e eu fomos literalmente às lágrimas. Disse aos meus filhos que aquele entrosamento entre o homem e os animais era uma amostra grátis do que será na Terra restaurada.

Seria um desperdício enorme de espaço se somente nós, humanos, habitássemos a Nova Criação.

Engana-se quem pensa que nosso destino final será vivermos num céu etéreo, como fantasminhas angelicais tocando suas harpas. Não! Seremos seres humanos completos, dotados de todas as nossas faculdades originais.

IMG_1325A hostilidade que o reino animal nutre contra o homem se deve ao pecado. Deixamos de ser os guardiões do jardim de Deus para sermos sua maior ameaça. Toda a natureza geme na expectativa de ser libertada do cativeiro imposto pela vaidade humana. Quando os filhos de Deus se manifestarem, a natureza será finalmente livre (Rom.8). A Terra não caminha para uma catástrofe final, mas para a libertação. Quando isso ocorrer, a hostilidade terminará, e o homem voltará a integrar-se à criação.

Enquanto não chega o grande dia, devemos zelar pela vida de todos os seres com os quais compartilhamos a Terra. Deus no-los confiou. Tanto os selvagens quanto os domésticos.

Hoje, depois de minha caminhada diária, parei à margem de um lago para fotografar alguns animais (tartarugas, pássaros e patos). Recentemente descobri este novo hobby: fotografar a natureza. Um rapaz americano chamado John me abordou. Ele estava acompanhado de um cão branco a quem chamava carinhosamente de pig (porco). Conversa vai, conversa vem… ele me contou de um acidente automobilístico que sofreu há dois anos, me disse que perdera seus amigos, e que estava perdendo sua casa (por sinal, uma linda casa à beira do lago). A única coisa que lhe restara era seu cão. Mas pra completar seu sofrimento, seu cão, agora com doze anos, estava prestes a morrer. Teria que gastar 8 mil dólares para tentar salvar-lhe a vida numa cirurgia. Por estar financeiramente quebrado, não lhe restou alternativa senão deixá-lo partir. Embora não fosse cristão, e de ter-me confideciado sua ojeriza a religião, John demonstrava um grande amor por seu bicho. O que me remete ao que diz Salomão: “O justo olha pela vida dos seus animais” (Pv.12:10a). Desejei do fundo d’alma que Deus restaurasse a saúde daquele animal. Lembrei-me de Franscisco de Assis que tinha o hábito de orar pelos animais.

Recentemente o SeaWorld foi cenário de uma tragédia envolvendo uma Orca e sua treinadora. Apesar do entrosamento entre eles, a treinadora veio a falecer afogada, depois de ter sido arremessada pelos cabelos num ato aparentemente de fúria do animal.

A AFA (American Family Association), criada pelo reverendo Donald Wildmon defendeu o apedrejamento até a morte da orca. A influente entidade cristã cita passagens da Bíblia para justificar a morte do animal, cuja carne, diz, não deve ser consumida por ninguém. Organizações de defesa de animais de todo mundo reagiram à proposta do apedrejamento. Se depender da AFA, até o proprietário do parque aquático deve ser morto a pedradas, também de acordo com o que manda a Bíblia, argumenta a entidade.

Este é um tipo de fundamentalismo que deve ser rechaçado por cristãos conscientes, que entendem que vivemos sob a égide da Graça e não da Lei.

Uma das mais impressionantes imagens pintadas no livro de Apocalipse está registrada no capítulo 5, do verso 11 ao 14:

“Então olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos seres viventes, e dos anciãos; e o número deles era milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando com grande voz: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Então ouvi a TODA CRIATURA QUE ESTÁ NO CÉU, E NA TERRA, E DEBAIXO DA TERRA, E NO MAR, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o poder para todo sempre. E os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram.”

Repare a forma como o céu e a terra são apresentados unindo-se para formar um enorme coral em adoração ao Cordeiro. Gradativamente, todas as coisas vão sujeitando-se a Cristo. Não só as invisíveis, mas também as visíveis, não só as pertencentes ao mundo espiritual (anjos, querubins e cia), mas também as do mundo animal.

Aos poucos o caos vai se tornando em harmonia; o barulho se transforma numa fenomenal orquestra! Cada evento vai encontrando o seu lugar na majestosa sinfonia composta pelo Cordeiro. Nada fica de fora de escopo desta restauração! O reino animal, o reino vegetal, e o reino mineral se unem para saudar o Rei dos Reis.

No capítulo anterior, João diz que viu um trono, e Alguém assentado sobre ele, e “ao redor do trono havia um arco-íris” (4:3). Este arco-íris nos remete ao episódio em que Deus fez uma aliança com Noé, e estabeleceu o arco-íris como símbolo dessa aliança. O que poucos observam é que aquela aliança de preservação não se limita ao ser humano, mas abrange toda a criação. Assim afirmou o Senhor: “Agora estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós, e com TODOS OS SERES VIVENTES que convosco estão; assim as aves, os animais domésticos e os animais selvagens que saíram da arca, como todos os animais da terra (...) Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, POR GERAÇÕES PERPÉTUAS; O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver uma aliança entre mim e a terra (...) O arco estará nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar da ALIANÇA ETERNA entre Deus e todos os seres viventes de todas as espécies, que estão sobre a terra” (Gn.9:9-10,12-13,16).

Esta aliança jamais vai caducar. Não tem prazo de validade a ser vencido. Por ser eterna, ela não perdeu a validade com o lançamento da Nova Aliança, antes foi confirmada. Oséias, profetizando acerca da Nova Aliança, disse: “Naquele dia farei por eles aliança com os animais do campo, com as aves do céu e com os répteis da terra” (2:18). A Nova Aliança diz respeito à salvação do homem, e, por conseguinte, à restauração da ordem criada. O coral só estará completo quando as vozes angelicais, e as vozes humanas unirem-se às vozes de toda criatura, incluindo os pássaros, os répteis, os mamíferos e os peixes."Tudo o que tem fôlego louve ao Senhor!" (Sl.150:6).

Quinta-feira, Abril 29, 2010

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Time elege Lula como o líder mais influente do Mundo

Presidente do Brasil lidera a lista das cem pessoas mais influentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela revista norte-americana Time o líder mais influente do mundo, figurando no topo da lista anual da publicação, divulgada nesta quinta-feira (29), que traz os nomes das cem pessoas que mais se destacaram globalmente.

No artigo de abertura da lista, o cineasta Michael Moore – convidado para escrever o perfil do presidente – lembrou a eleição de 2002, na qual Lula foi eleito pela primeira vez, e o “nervosismo” com que o Brasil aguardava a gestão do primeiro operário e sindicalista a assumir o governo.

A revista, que classificou o presidente brasileiro como um “genuíno filho da América Latina”, destacou ainda o passado de Lula como sindicalista que, enfatiza a Time, chegou a ser preso por liderar um protesto.

Ao relatar projetos sociais idealizados pela gestão de Lula, como o programa Fome Zero, o cineasta afirma que os americanos têm uma “lição” para aprender com os brasileiros: segundo a publicação, enquanto o Brasil tenta chegar à condição de país de Primeiro Mundo, cada vez mais os Estados Unidos se parecem com um país de Terceiro.

Segundo a Time, Lula busca para o país o que os Estados Unidos chamavam de “O Sonho Americano”- uma das razões pela qual ele é tão popular.

Moore, que não esconde a admiração pelo presidente do Brasil, conclui o artigo destacando outra “lição” que, segundo ele, o resto do mundo deve aprender com Lula: “deixe as pessoas ter bom tratamento de saúde, e eles vão causar muito menos trabalho para vocês”.

A publicação, que apresenta personalidades de diversas áreas de atuação, apresenta outros 24 políticos mundiais, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama – em quarto lugar na lista de líderes -; a ex-candidata à vice-Presidência Sarah Palim; entre outros. Além dos cem mais influentes, a Time apresenta ainda as pessoas com mais destaque nas redes sociais, como o ator Ashton Kutcher e o estilista Marc Jacobs.

Fonte: R7 (Via Eitivi)

Quarta-feira, Abril 28, 2010

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Pra quem não tem medo de pensar

Eu só queria saber...

Por favor, alguém pode me explicar por que palavras como "paixão", "fogo", "glória", "poder" e "unção" vendem muito mais CDs do que "graça", "misericórdia" e "perdão"?

Por que aqueles que mais falam sobre "prosperidade" evitam sistematicamente textos como Tiago 2:5, I Timóteo 6:8 e Habacuque 3:17-18?

Por que se fala tanto em dízimo, defendendo-o com unhas e dentes, mas quase nada se fala sobre ter tudo em comum e outras coisas como "ajudar os domésticos na fé" e "não amar somente de palavra e de língua mas de fato e de verdade"? Em qual proporção a Bíblia fala de uma coisa e de outra?

Por que em Atos 4, quando os apóstolos foram presos, a igreja orou de forma tão diferente do que se ora hoje? Por que não aproveitaram a ocasião pra "amarrar o espírito de perseguição", pra "repreender a potestade de Roma", ou coisa semelhante?

Por que Atos 2:4 é muito mais citado como modelo do que era a igreja primitiva do que Atos 2:42?

Por que todo mundo sabe João 3:16 de cor, mas tão pouca gente sabe I João 3:16?

Por que 90% ou mais dos cânticos congregacionais modernos são na primeira pessoa do singular (EU), quando a proporção nos salmos é muito menor?

Por que todo mundo aceita que Jesus curou e colheu espigas no sábado, aceita também que Deus ordenou que seu povo matasse vários povos rivais, mas se escandaliza absurdamente quando alguém diz que Raabe fez certo ao mentir para preservar duas vidas? O que vale mais, em situação de conflito, que um soldado pagão saiba a verdade ou a vida de dois homens? Será que se Raabe tivesse dito a verdade, teria sido elogiada em Hebreus 11?

Por que quase tudo que se vende numa livraria cristã foi produzido nos últimos 50 anos, se nosso legado é de 2.000 anos de História do Cristianismo? O que aconteceu com os outros 19 séculos e meio?

Por que os cristãos creem que o homem foi nomeado por Deus como o responsável pela criação, e que tudo que Deus criou é bom, mas são os esotéricos os que mais lutam pela defesa do meio-ambiente?

Por que todos os ritmos de origem na raça negra até hoje são considerados por alguns como diabólicos?

Por que se canta tanto sobre coisas tão etéreas como "rios de unção" e "chuvas de avivamento", ao passo que Jesus usava sempre figuras do cotidiano para ensinar, como sementes, pássaros e lírios?

Por que se amarra, todos os anos, tudo quanto é "espírito ruim" das cidades, fazendo marcha e tudo, mas as cidades continuam do mesmo jeito? Aliás, se os "espíritos ruins" já foram "amarrados" uma vez, por que todo ano eles precisam ser "amarrados" de novo?

Por que se canta todos os dias "Hoje o meu milagre vai chegar"? Afinal, ele não chega nunca? Que dia está sendo chamado de "hoje"?

Por que Jó não cantou "restitui, eu quero de volta o que é meu", nem declarou ou amarrou nada, muito menos participou de "campanha de libertação" quando perdeu tudo?

Por que nós nunca vamos ao médico e pedimos, "doutor, dá pra queimar essa enfermidade pra mim por favor"? Por que então se ora pedindo isso pra Deus? Seria correto orar assim pra Deus curar alguém enfermo por causa de queimadura?

Por que não se faz um mega-evento evangélico, desses que reúnem um milhão de pessoas ou mais, pra fazer um mutirão para distribuir alimentos aos pobres ou ainda para recolher o lixo da cidade? Aliás, por que se emporcalha tanto as cidades com óleo e outras coisas nos tais "atos proféticos"? Não seria um melhor testemunho limpá-la ao invés de sujá-la?

Por que as rádios evangélicas tocam tanta coisa produzida por gravadoras ricas e nada produzido por artistas independentes?

Por que se faz apelo ao fim de uma "pregação" que não fez qualquer menção ao sangue, à cruz, ao arrependimento, ou sequer ao pecado?

Por que Deuteronômio 28:13 ("o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda") é tão citado, ao passo que I Coríntios 4:11-13 ("somos considerados como o lixo do mundo") ninguém gosta de citar?

Será que ninguém percebe que algo anda muito errado com o evangelicalismo brasileiro?

Eu só queria saber...

Terça-feira, Abril 27, 2010

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Duelo de Titãs no circo gospel

Vocês já ouviram falar em titanomaquia? Não, não é aquele álbum clássico dos titãs, é o episódio áureo em que Zeus derrota seu pai Cronos e os demais titãs. Foi uma épica batalha de "deuses". Urano foi derrotado por Cronos que foi derrotado por Zeus. Uma geração flagelando a geração anterior.

Será que hoje não vivemos uma "titanomaquia gospel"? É o cara da nova geração destruindo o legado da geração anterior, apregoando o triunfo do novo sobre o velho, do vivo sobre o morto, quem tem ouvidos ouça!

O discípulo aniquilando o mestre. Acabou o tempo da reverência, do respeito, da preservação da memória mesmo em meio a um tempo de contextualização. O que vale hoje são as regras da nova geração, é atropelar os marcos antigos, não para expandir, mas para se estabelecer um novo "reinado". Os pastores, bispos, apóstolos, estão se posicionando como deuses do panteão grego que matavam seus pais com pretexto de libertar os irmãos, mas com a motivação errada de assumir o poder temporal. É, parece que precisamos de uma boa lição do tema "ETERNIDADE".

Pr. Márcio de Souza

Comentário de Hermes Fernandes: Meu amigo Pr. Márcio, mais uma vez você foi fundo no problema, e com precisão cirúrgica. Há um paralelo interessante na história do Antigo Egito, onde um Faraó fez tudo para apagar da memória do seu povo os feitos daquele que o havia antecedido. Que haja uma conversão entre as gerações! Que aprendamos a honrar nossos pais e preparar caminho para nossos filhos.

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Pedofilia e religiosidade: Reflexões sobre o abuso sexual de menores

Os escândalos provocados pelas denúncias de abuso sexual por parte de membros do clero é algo que choca a humanidade. Isso nos lembra que há muita gente indefesa, que vive oprimida por uma mentalidade que desconhece a dignidade do ser humano e que, ainda que a afirme, a vulgariza. Mas ela é apenas uma face – cruel, sem dúvida alguma – da dura face como são tratados os oprimidos e desvalidos da humanidade. O trabalho infantil, o tráfico de menores, a prostituição infantil, a falta de acesso à escolaridade, a desnutrição são as outras faces de uma mesma realidade.

O problema é que a pedofilia praticada por membros do clero é encoberta por uma moralidade que está baseada num equívoco: o engano da afirmação de uma moral que valoriza a submissão e constrói a ideia um sujeito dócil e servil. No fundo, esse é o ingrediente, por um lado, para a exploração e manipulação do outro por parte das estruturas de poder. Por outro, gera o sentimento de angústia e desespero por parte de quem sofre tal ação, indefesos que nos tornamos diante da banalização das relações.

A pedofilia, na verdade, não é um mal contemporâneo. Os antigos mestres gregos escolhiam seus discípulos pela sua formosura. Os exploradores colonialistas usavam suas mulatas e mucamas. Acredito até que eu não existiria, já que minha avó materna, descendente de indígenas do sul, foi seduzida na sua pré-adolescência por um imigrante italiano e se tornou mãe aos 13 anos de idade. Isso não quer dizer que antes não fosse um mal. Apenas não se avaliava as consequências de tal atitude na vida de uma criança que teve a sua infância roubada.

Elevada à categoria de crime, nos atinge a todos. Coloca em suspeição quem tem o dever de servir como guias para uma humanidade que anda errante, como ovelhas sem pastor. Expõe a nossa fragilidade, revela a facilidade com que podemos sofrer o engano e nos torna indefesos diante das estruturas de poder. Por isso que os casos de pedofilia praticados por religiosos devem ser tratados como crimes pela sociedade e não devem passar impunes. Não importa quem os pratique: sejam eles padres, bispos, monsenhores, monges, religiosos ou não.

O que precisa ficar claro é que a pedofilia não é uma questão relacionada com o fenômeno religioso. Não é o celibato que provoca isso (embora eu não seja um celibatário). Não é o homossexualismo que provoca isso (embora alguns casos de abuso envolvam pessoas do mesmo sexo). Ela tem a ver com a maneira como a sociedade entende a relação com o outro, fundada num sentimento hedonista extremado e individualista. Ela nos agride porque mexe com a maneira como estamos tratando a geração futura. Ela nos choca porque nos sentimos indefesos, incapazes de encontrar sentido para as nossas próprias fragilidades. Ou a gente muda a maneira como entendemos a nossa condição humana e nossas relações ou não há quem nos possa defender.


Texto de Irenio Silveira Chaves (Via Filosofia e Espiritualidade)

Segunda-feira, Abril 26, 2010

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A Ascensão de Cristo e o lançamento secreto da NASA

Na última quinta-feira, dia 22 de Abril, eu e minha família fomos surpreendidos ao flagrarmos o lançamento de uma nave espacial secreta do governo americano. Estávamos saindo de casa às 19:50h. quando vimos no horizonte aquela explosão de luz. Outro vizinhos saíram pra rua para assistir ao espetáculo. Por se tratar de uma missão secreta, só foi divulgada pela mídia depois do lançamento. Sem saber do que se tratava, fiquei boquiaberto. Só deu pra perceber que era um foguete depois que o brilho ofuscante diminuiu, deixando um enorme rastro de fumaça no céu. Consegui acompanhar com os olhos até que o foguete soltou-se da nave, divindindo-se em várias partes.

Um espetáculo ímpar, confesso, e que muito me impressionou. Sempre quis assistir ao lançamento de um foguete. Mas nas duas vezes que fui ao Cabo Canaveral, a primeira em 1991 e a segunda no final do ano passado, não era dia de lançamento. Mas nesta quinta, aconteceu acidentalmente. Assisti praticamente do quintal da minha casa.

Passei o resto do final de semana meditando sobre como deve ter sido para os discípulos assistirem à ascensão de Jesus. Imagine: Jesus estava conversando naturalmente com eles, e sem qualquer aviso prévio, uma nuvem desce do céu (pelo menos é assim que eles descreveram o fenômeno), encobre Jesus e O eleva ao céu. Sem adeus, sem nem ao menos um aceno. Os discípulos só souberam o que estava ocorrendo quando dois seres misteriosos, trajando roupas brancas, apareceram entre eles afirmando que da maneira como Jesus subia, Ele um dia retornaria, só que dessa vez, não mais à vista de um grupo, mas à vista de toda a humanidade.

Há muitas especulações sobre a tal missão americana no espaço. O que aquele protótipo estaria fazendo lá em cima?

O X-37B, que parece um ônibus espacial em tamanho reduzido, e sem tripulação, foi lançado do Cabo Canaveral, no Estado americano da Flórida. Com 9 metros de comprimento, 4,5 metros de envergadura, a nave reutilizável tem cerca de um quarto do tamanho dos ônibus espaciais. O veículo militar não tem piloto e realizará a primeira volta à Terra e aterrissagem autônomas da história do programa espacial norte-americano. Especulações sobre os objetivos da nave levaram a acusações de que o projeto seria mais um passo para a militarização do espaço.

E quanto a Jesus? Sabemos qual foi Sua missão ao descer à Terra. Mas qual seria Sua missão ao subir aos céus? Seria ao TOP SECRET como a missão deste foguete lançado pela NASA na última semana?

Deixemos que Paulo nos responda:

“Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas”
(Ef.4:10).

Pra onde Jesus teria ido? Para algum outro planeta? Não! Para algum lugar distante do espaço sideral? Não! Nas palavras do apóstolo, Jesus “subiu acima de todos os céus”. Primeiro, temos que entender que Paulo usa uma referência espacial (acima), porque do ponto de vista humano, qualquer lugar que esteja fora do nosso campo de visão, é como se estivesse “acima”. Mas quando se sai da órbe terrestre, não há mais “acima” nem “abaixo”. Pergunte a um astronauta em órbita o que é sentir-se no meio do nada. Dependendo da posição da nave, pode-se dizer que a terra está abaixo deles, ou ao lado, ou mesmo acima. Tudo depende da posição de que se vê.

Jesus subir acima de todos os céus significa ser transferido à um lugar que transcende a existência do cosmos. Onde quer que o Universo termine, Jesus extrapolou seus limites, transpôs suas fronteiras. E ao atravessar as chancelas do tempo e do espaço, Jesus simplesmente abarcou em Si mesmo toda a realidade.

Paulo diz que Cristo tinha que subir acima de todos os céus para “cumprir todas as coisas”. Ora, se Ele terminou Sua obra na cruz dizendo que estava tudo “consumado” (cumprido), que outra obra Ele teria que cumprir “do outro lado”?

O verbo grego traduzido aqui como “cumprir” é plēroō, que poderia ser melhor traduzido como “encher”, ou ainda “plenificar”.

Jesus foi elevado a um nível de existência em que cada molécula do Seu Corpo físico assimilou em si mesma todas as estrelas do cosmos. Tudo o que é cósmico tornou-se agora crístico. O Universo foi absorvido n’Ele. Por isso, não há um centímetro quadrado sequer neste imenso universo que não esteja tomado pela glória de Deus. Talvez Paulo tivesse isso em mente ao declarar aos atenienses que “nele vivemos, e nos movemos e existimos” (At.17:28). Mas certamente era o que ele tinha em mente quando declarou que "foi do agrado do Pai que toda a plenitude (da existência) nele habitasse" (Col.1:19).

O Universo tornou-se nas vestes do Senhor, transfiguradas pela glória n'Ele revelada, como aconteceu no Monte da Transfiguração. Tal evento foi o avant premier do que acontecerá a todo o cosmos. O escritor sagrado sugere esta mesma figura de linguagem ao afirmar: "Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como roupa, envelhecerão. Qual um manto os enrolarás; como roupa se mudarão..." (Hb.1:10-12a). Ao ser tomado pela glória do Criador, a velha criação se transmuta, tornando-se "novos céus e nova terra". Davi previu isso ao declarar: "Estás vestido de glória e de majestade. Ele se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina" (Sl.104:1b-2). A Criação deixou de ser o lugar onde Ele Se esconde, para ser a plataforma de onde Ele Se revela. O Universo é o palco, a consciência é a platéia. O Espírito Santo é o Holofote. Em Cristo as cortinas se abrem, e Deus Se desnuda ante os nossos olhos.

A questão agora não é “onde encontrá-lO?”, e sim “onde não encontrá-lO?” Ele encheu todas as coisas! Foi por isso que Ele teve que ser elevado acima de todos os céus.

Ao contemplarmos o esplendor de uma noite estrelada, estamos, por assim dizer, contemplando o tecido que envolve o Corpo de Cristo, o genuíno manto sagrado. Ora, se Paulo compara nosso corpo físico às vestes, podemos dizer que o Universo seria o Corpo cósmico de Cristo, conquanto seja também Suas vestes (2 Co.5:3).

Se na Encarnação Ele assumiu um corpo gerado no ventre de uma mulher, na Ascensão Ele assumiu toda a Criação, elevando-a juntamente com Ele.

“E sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche tudo em todos (…) estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nas regiões celestiais, em Cristo Jesus” (Ef.1:22-23, 2:5-6).

Esta é uma verdade surpreendente. Se o Universo é o Corpo Cósmico de Cristo, suprindo-O de moléculas (matéria inanimada), a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, sumprindo-O de células vivas e conscientes. Somos o Organismo Vivo de Cristo, e é através de nós que Ele Se expressa no Mundo. Somos Seus ouvidos, olhos, boca, mãos e pés. E é através de nós que Ele almeja afetar todas as consciências, para que assim cada membro da humanidade torne-se também membro do Seu Corpo Místico. A igreja nada mais é do que o embrião da nova humanidade, formada por homens e mulheres escolhidos por Deus cujas consciências foram absorvidas pelo mistério da fé. Atenção: nossa eleição não é um fim em si mesmo. De fato, os “poucos escolhidos” o foram para o bem de todos.

Se Cristo não houvesse ascendido aos céus, jamais poderia fixar residência em nós pelo Seu Espírito. Ele mesmo declarou que se não fosse tirado do mundo, o Consolador não poderia vir. Se antes era Emanuel, Deus conosco, agora é CRISTO EM NÓS. Por intermédio da igreja, Sua missão é compartilhar a consciência do Seu reino à cada ser humano na face da terra, “para que Deus seja tudo em todos” (1 Co. 15:28).

Abaixo o vídeo do lançamento com as imagens exatas que eu e minha família assistimos.

Domingo, Abril 25, 2010

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Resposta aos incomodados com o avanço dos blogs apologéticos/subversivos

blogando 2 Muito tem sido falado acerca do labor dos chamados blogs apologéticos. Alguns os criticam usando passagens bíblicas fora de seu contexto para minar sua reputação e despretigiar seu trabalho. Outros vão para seus programas de TV para chamar os seus editores de bandidos, invejos, prequiçosos e por aí vai…

O que não se percebe é o valor extraordinário do trabalho que tem sido desenvolvido por um verdadeiro exército de apologetas. Eu diria que os blogs apologéticos cumprem um papel análogo ao das epístolas de Paulo, Pedro, João e Judas. O que têm em comum? O árduo combate às heresias destruidoras que adentram sorrateiramente os arraiais cristãos.

Graças às heresias, Paulo e os demais escritores neotestamentários empreenderam um trabalho hercúleo para que os cristãos primitivos se mantivessem firmes da verdade.

Ora combatendo o legalismo judaizante, ora combatendo o gnosticismo, os apóstolos não deram um minuto de trégua aos inimigos da fé, muitos dos quais já haviam se infiltrado na igreja, ocupando lugar de promeminência em seus quadros ministeriais.

Quem se escandaliza quando vê nomes serem citados sem o menor recato, talvez não saiba que Paulo nos oferece o precedente para isso. Nem Pedro foi poupado quando andou arrastando asas para os judaizantes.

Quem promove escândalo não são os blogueiros apologetas e sim os vendilhões do templo, os espertalhões que usam do nome de Deus para fazer comércio e angariar a confiança dos crédulos incautos. Eles que deveriam ser censurados, e não so que defender a fé com unhas e dentes.

Honra-me fazer parte deste exército, cujas fileiras têm aumentado significativamente. Cada novo visitante de nossos blogs se torna um ‘subversivo’ em potencial, como aquelas rapozinhas incendiárias que Sansão soltou no meio da plantação dos Filisteus. Aviso aos incomodados que se mudem, ou melhor, que sejam transformados pela verdade do Evangelho, pois este é um caminho sem volta.

A revolução já está em andamento! E é isso que preocupa quem vive da ignorância das pessoas. Enquanto eles gastam milhões em seus programas de TV, nós apenas usamos nosso espaço virtual, sem qualquer gasto (apenas de tempo, a ponta de nossos dedos e neurônios, rs). O alcance dos blogs é tamanho que até o Bispo Macedo já tem o seu e o Papa insiste em que cada padre publique o seu próprio blog.

Criticar os blogueiros apologéticos na TV só fará aumentar cada vez mais sua influência subversiva. Onde isso vai dar? Quem viver, verá!

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Não quero envelhecer!









Nos últimos tempos, tenho aprendido a escrever e a gostar de escrever, muitas vezes até escrevendo sem saber o que escrever, só Freud explica....risos...

São pensamentos que vem e vão, frases soltas na mente, idéias que me surgem, e de vez em quando um texto mais ou menos completo, e é nessa hora, como agora, escrevo para eternizar, o que passa em minha cabeça.

Diz um ditado chinês: O homem só envelhece quando os lamentos substituem seus sonhos.

Então: Não quero envelhecer!

Outro dia até me peguei olhando para minhas mãos, e ver minhas mãos se enrugando, pode até ser um pouco de neura, mas de qualquer maneira me peguei, olhando. E olha que sou um garotão de quarenta anos.

Mas na verdade o que me preocupa, não é minha idade, ou as rugas em minhas mãos ou rosto, porque isso é natural, o que me preocupa é o sentido que a vida tem na minha vida.

Por muitos anos de minha vida, troquei meus sonhos, por causas sem sentidos, pseudas visões de Deus, que homens diziam ter tido, e isso me fez lamentar, e isso me fez trilhar por caminhos que não eram meus, e isso me fez envelhecer.

Minha vida durante o tempo da religiosidade humana, não tinha sentido, tinha sim alguns propósitos para aqueles, que eu considerava meus lideres, que me dirigia, me manipulava, me tornei massa de manobra nas mãos deles, e o pior é que tudo isso com o meu consentimento, com o meu aval, e eu dizia: Eu sou o enganado, mais feliz da terra..., e isso me fez envelhecer.

Minha vida, durante o tempo da cegueira espiritual, me fazia enxergar um “deus”, que me era carrasco dos meus erros, que me fazia enxergar um “deus”, que tinha prazer em me ver errar e torcia pra que isso acontecesse, porque era o “deus” da culpa e não da graça, e isso me fez envelhecer.

Minha vida, durante o tempo do serviço sacerdotal, mais conhecida como “obra de Deus”, me fazia distanciar da minha família, distanciar dos meus mais queridos amigos, me fazia odiar aqueles que não pertenciam ao “clube de santos” que eu pertencia, me fazia acreditar que só aqueles que pertenciam a este “clube de santos” eram os bons, os melhores, afinal o cântico era: Ô,Ô,Ô,Ô..., e isso me fez envelhecer.

Minha vida, durante o tempo do evangelho em que se compra a benção, me fazia a qualquer custo, entregar o que eu tinha e o que eu não tinha, porque até cheques pré-datados, na esperança de ter fundos na data do deposito, eram dados em nome de uma prosperidade divina, em nome da cura divina, em nome da solução dos problemas, e isso me fez envelhecer.

Meu Deus...tudo isso me fez envelhecer...Adicionar imagem

Mas agora, tenho vivido o rejuvenescimento do sentido de minha vida, tenho tomado da água viva, tenho comido do pão vivo que desceu dos céus, tenho vivido a Graça, aliás infinita Graça de Jesus, e tudo isso tem me dado viço, tem me dado vida e vida com abundância, tem me dado alegria, tem me dado paz, tem me dado grandes amigos, tem me dado uma família bendita, tem me dado novos sonhos, e esses sonhos não substituirei por lamentos, até porque não vou trilhar outro caminho, que não seja o verdadeiro caminho que é Jesus.

Sempre no caminho...


Olavo (Via Pensador Compulsivo)

Sábado, Abril 24, 2010

2

Casting Crowns - Glorious Day

8

Hoje é um dia muito especial...

Nossa primeira 'briga' aconteceu logo no início de nosso namoro, quando ela me perguntou sobre o que eu pensava do dia 24 de Abril. Cometi um erro que jamais me atreveria a cometer novamente: Esquecera-me do seu aniversário. Eu merecia um desconto: Só nos conhecíamos há um mês e meio. De lá pra cá, nunca deixei passar em branco seus aniversários. Porém, há dois anos, ao completar seus 40 aninhos, deixei de fazer a festa que ela merecia. Estava tão focado na organização de um evento da igreja que aconteceria pouco antes, que acabei relaxando. Ainda assim, conseguimos reunir uns amigos para celebrar num restaurante mineiro na zona norte do Rio. Ano passado seu aniversário caiu no segundo dia de nossa chegada aqui nos EUA. Também não tivemos tempo para organizar nada. Dessa vez, longe das pessoas que mais amamos, decidimos celebrar com os filhos visitando um parque aquático aqui de Orlando (Sea World). É claro que não será a mesma coisa do que estar com os irmãos da igreja no Brasil e com o restante da família.

Querida, ver o sorriso estampado em seu rosto e o brilho no seu olhar é o melhor presente que eu poderia receber. Mas como o aniversário é seu, quem tem que ganhar presente é você. E o melhor que posso lhe dar são razões para sorrir e motivos para ser feliz. Te amo hoje tanto quanto te amei quando te conheci aos 16 anos. Feliz Aniversário!

Sexta-feira, Abril 23, 2010

5

Em Nome da Justiça - João Alexandre



Em Nome da Justiça - Compositor: João Alexandre

Enquanto a violência acabar com o povão da baixada
E quem sabe tudo disser que não sabe de nada
Enquanto os salários morrerem de velho nas filas
E os homens banirem as leis ao invés de cumpri-las
Enquanto a doença tomar o lugar da saúde
E quem prometeu ser do povo mudar de atitude
Enquanto os bilhetes correrem debaixo da mesa
E a honra dos nobres ceder seu lugar à esperteza.

Não tem jeito não.

Só com muito amor a gente muda esse país
Só o amor de Deus pra nossa gente ser feliz
Nós os filhos Seus temos que unir as nossas mãos
Em nome da justiça, por obras de justiça
Quem conhece a Deus não pode ouvir e se calar
Tem que ser profeta e sua bandeira levantar
Transformar o mundo é uma questão de compromisso
É muito mais e tudo isso.

Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado
E em Nome de Deus se deixar os feridos de lado
Enquanto o pecado ainda for tão somente um pecado
Vivido, sentido, embutido, espremido e pensado
Enquanto se canta e se dança de olhos fechados
Tem gente morrendo de fome por todos os lados
O Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive, não
Pois Deus se revela, se envolve, resolve e revive
Não tem jeito não, não tem jeito não. ( Bis )


Quinta-feira, Abril 22, 2010

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Comendo sardinha, arrotando caviar

Por que os cristãos não admitem o sofrimento?

arrotoVocê sabe o que é ser traído por alguém em quem confiava cegamente? Eu sei.

Sabe o que é ser exposto publicamente, sendo acusado injustamente por pessoas que você amava profundamente? Eu sei. Sabe o que é preferir calar-se diante das acusações, não por consentir com elas, mas simplesmente para viver exatamente o que você pregava? Eu sei.

Você sabe o que é ser ameaçado de morte à porta da igreja que você pastoreou com tanto amor? Eu sei. Sabe o que é ter que entregá-la ao grupo dissidente por causa de ameaças à sua família? Eu sei.

Você sabe o que é ouvir dos lábios do médico que sua filha que acaba de nascer terá problemas físicos e mentais pro resto da vida? Eu sei.

Você sabe o que é perder tudo da noite pro dia por causa de uma convicção e passar a depender de bolsas de compras de sua sogra? Eu sei. Sabe o que é ter que tirar seus filhos da escola por não poder arcar com os custos? Eu sei.

Sabe o que é ter uma arma apontada no momento em que subia o púlpito pra pregar? Eu sei.

Sabe o que é ter sua casa apedrejada por causa do Evangelho? Eu sei.

Sabe o que é ver sua esposa sofrer terrivelmente a perda de sua mãe e não poder levá-la pra sepultá-la por estar legalmente impossibilitado de voltar ao seu país? Eu sei.

Sabe o que é ser suspenso de comunhão de sua igreja por algo que não fez? Eu sei.

Sabe o que é ver sua casa se encher de água até a altura do peito, perdendo muito daquilo que lhe custou anos de trabalho? Eu sei.

Por que estou colocando tudo isso aqui? Você vai entender.

Certamente há experiências que você tem tido em sua vida que eu sequer sonhei passar por elas.

Por que Deus nos permite viver tudo isso?

Porque o sofrimento visa nos qualificar.

Se não, confira comigo o que dizem as Escrituras.

Isaías profetiza acerca de Cristo, chamando-O de “homem de dores, e experimentado no sofrimento” (Is.53:3). É claro que Seu sofrimento tinha valor expiatório, o que significa que visava em primeiro lugar o bem alheio. Entretanto, Seu sofrimento também tinha como objetivo qualificá-lO para ser tanto nosso Redentor quanto nosso Intercessor. O escritor de Hebreus diz que Jesus, “embora sendo Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu e, tendo ele sido aperfeiçoado, veio a ser o autor da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb.5:8-9). Mesmo as tentações pelas quais teve de passar conferiu-Lhe a experiência necessária para que pudesse “compadecer-se das nossas fraquezas” (Hb.4:15). Foi por meio de tudo que passou como ser humano, que Cristo habilitou-Se a “salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb.7:25). Interessante isso… Cristo não vive para Si!

Não há dor humana que Ele desconheça. Quando recorremos à Sua compaixão, Ele sabe exatamente do que estamos falando. Ele já sentiu na pele o que é ser traído, abandonado, escarnecido, ameaçado, espancado, tentado, negado, etc. Por isso é capaz de compadecer-Se de nós. Uma coisa é compreender nosso estado de miséria. A isso chamamos de misericórdia. Outra coisa é ter experimentado nossas dores. A isso chamamos de compaixão. Como Deus, Ele poderia ter misericórida de nós sem ter que descer ao nosso nível. Mas somente como homem Ele poderia compadecer-Se.

E quanto a nós? Por que temos que passar por tanta coisa?

Paulo nos oferece três respostas. Em sua epístola aos Filipenses, o apóstolo dos gentios confessa: “Sei passar necessidade, e também sei ter abundância. Em toda maneira, e em todas as coisas aprendi tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Todavia, fizestes bem em tomar parte na minha aflição” (Fp.4:12-14).

Esta passagem nos oferece a primeira resposta. Nosso sofrimento oferece aos irmãos a oportunidade de “tomar parte” em nossa aflição. Infelizmente nosso orgulho nos faz sentir incomodados quando nossa situação desperta compaixão de outros. Queremos ser sempre pessoas bem-sucedidas que despertem admiração, não compaixão. É por isso que há tanta gente nas igrejas comendo sardinha e arrotando caviar. Mesmo comendo o pão que o diabo amassou, umas preferem ficar caladas, como se tudo estivesse bem, enquanto outras preferem gabar-se do que não têm.

A igreja cristã deveria ser um lugar onde se pudesse compartilhar não apenas nossas boas experiências, mas também nossas necessidades e frustrações. Parece que estamos mais preocupados em vender uma imagem do que em transmitir a verdade. Se não expusermos nossas necessidades, como daremos a outros a oportunidade de exercer o amor?

A segunda resposta que Paulo nos dá está em sua segunda carta aos Coríntios:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos fomos consolados por Deus. Pois as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo. Se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos. A nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação” (2 Co.1:3-7).

Pode me fazer um favor? Não pule esta parte! Leia e releia atentamente. Aliás, é um favor que você faz a si mesmo.

Pena que os movimentos de prosperidade e fé pareçam ignorar o que Paulo diz aqui. Para muitos, sofrimento é sinal de incredulidade, enquanto para outros é castigo de Deus. Precisamos de uma teologia que leve em conta o fato de que “o que acontece ao ímpio, também acontece ao justo”. A diferença está na maneira como cada um se porta diante do sofrimento. Quem vive uma espiritualidade umbigocêntrica fica a se questionar: O que foi que eu fiz pra merecer isso? Onde está Deus que não intervém? Mas o que vive uma espiritualidade sadia, voltada para o próximo, se pergunta: Em que esta situação pode beneficiar a outros?

Como podemos consolar os que sofrem se nunca passamos pelo que eles estão passando? Se nos portarmos como supercrentes, imunes a todo sofrimento humano, estaremos agravando ainda mais a dor e a culpa de quem sofre. Quando revelamos nossa vulnerabilidade perante nossos irmãos, estamos mostrando que Deus não tem filhos prediletos, e que ninguém está isento de sofrimento neste mundo, independente de nossa posição ministerial ou da “graduação” da nossa fé.

Quando escreveu para os cristãos dispersos por causa da primeira grande perseguição, Pedro declarou: “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo…” (1 Pe. 4:12-13a). “Coisa estranha” é um cristão genuíno que não sofra neste mundo. Afinal de contas, todos os que desejam viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tm.3:12). A intenção de Paulo e de Pedro é a mesma: consolar os que sofrem. Se está acontecendo com vocês, saibam que já aconteceu ou está acontecendo conosco também.

Deus não nos chamou para o sucesso, mas para a fidelidade à toda prova. Ser bem-sucedido aos olhos de Deus é o mesmo que ser fiel até a morte.

A terceira resposta está em 2 Co.12:9-10:

“Mas ele me disse: A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Portanto, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Pois quando estou fraco, então é que sou forte.”

É o sofrimento que nos ensina a depender inteiramente da graça. Aprendemos o quanto somos fracos, vulneráveis, como “vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (2 Co.4:7). E é aqui que se dá o encaixe perfeito entre nossa insuficiência e a suficiência de Cristo. Chegamos ao ponto de sentir prazer no que deveria nos causar repulsa. Não que o sofrimento em si tenha algum valor, e sim o sofrimento “por amor de Cristo”. Então, que nos persigam! Que nos afrontem! Que nos caluniem! Ou até que nos tirem a vida! Que se cumpra em nós esta palavra:

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Co.4:8-9).

E que assim sejamos impulsionados a depender mais da graça de Deus do que de nossas próprias forças.

Sente-se injustiçado, perseguido, atribulado? Bem-vindo ao clube!

Quarta-feira, Abril 21, 2010

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A igreja e a crise de identidade

Passamos por muitas crises, porém quando temos uma crise de identidade, experimentamos um dos mais delicados momentos da nossa vida. Qualquer pessoa saudável emocional e existencialmente, passa por uma crise de identidade. Um momento no qual a maneira como nos percebemos e somos percebidos sofre profundas alterações. As forças comuns propiciadoras do equilíbrio são abaladas, o chão nos foge dos pés, uma certa angústia vinda de um sentimento de vazio se instala, as respostas, as certezas, são engolidas pelas dúvidas, um flerte com a frustração, a tristeza e a depressão se mistura a um namoro com a esperança, o odor de novos ares, a silhueta de novos horizontes.

Os chineses têm razão quando no seu complicado alfabeto escrevem a palavra crise com dois ideogramas, um representando perigo e outro oportunidade. São exatamente estas as duas sementes contidas numa crise de identidade, o perigo de nos perdermos e cristalizarmos quem somos repetindo automaticamente erros, ou a oportunidade de nos reinventar, superar limitações, corrigir rumos, sair da periferia e vir para o centro capaz de equilibrar tudo em nós e nos religar a nossa vocação mais original.

Não só as pessoas, mas também os grupos humanos sofrem crises de identidade. Quando olhamos para trás vemos na história da igreja momentos quando ela entrou em crise de identidade. Homens e mulheres se levantaram para questionar o status quo, rebelaram-se contra a maioria acomodada, desafiaram autoridades, apontaram erros e etc. Somente para citar alguns exemplos, foi assim com o nascimento do monasticismo no séc IV, com a reforma protestante no Séc XVI com a eclosão do pentecostalismo no séc XX. Todos esses e outros movimentos provocadores destes momentos grávidos de perigo e oportunidade, tinham algo em comum: clamaram por um retorno a identidade essencial da igreja! Buscavam responder as perguntas que se recusam a calar todo tempo: qual a razão de ser da igreja? O que essencialmente é sua identidade? Para que existe?

Em busca dessas respostas, confesso, um dia já cheguei a me perguntar se Jesus realmente quis a igreja! Qualquer leitura rasa dos evangelhos vai nos mostrar que o centro da pregação, da vida, da morte e da ressurreição de Jesus foi o Reino de Deus. Ele nos ensinou a orar dizendo venha o teu Reino e não a tua igreja. Me perguntei: será que Jesus sonhou o Reino e o que veio foi a igreja?

Então, percebi que Jesus também quis a igreja. É neste sonho original dele que está ancorada a identidade primordial de sua igreja. Me permitam a licença de imaginar: quando Jesus um dia na colinas da Galiléia fechou os olhos e sonhou sua igreja, me custa crer que a primeira coisa que veio a mente dele foi prédios maravilhosos, lideres com enorme habilidade gerenciais, pastores acomodados uma vidinha de meros capelães das necessidades emocionais e físicas de sua congregação, pregadores brilhantes atraindo pessoas mais interessadas na beleza de um discurso do que em verdades produtoras de quebrantamento e transformação, doutrinadores de plantão prontos para corrigir qualquer "erro", estruturas complexas consumidoras de tempo e energia na manutenção de programas que acontecem sem a necessidade da Presença dele, líderes movidos pela raiz de todos os males, o amor ao dinheiro, transformando, como previu Paulo, a piedade em fonte de lucro... acho que a imagem mental da sua igreja era uma comunidade de discípulos que se reunia para adorá-lo e renovar as forças para viverem sua missão transformadora deste mundo. Esta é a conspiração divina iniciada por Jesus: discípulos cheios do Espírito Santo imersos nas dores deste mundo sendo instrumentos da concretização do Reino de Deus. Esta é a identidade original da igreja, é para isso que ela existe.

Mas o que aconteceu com este sonho? Uma autêntica busca de resposta a esta pergunta vai nos levar como igreja a uma saudável crise de identidade. Muitas vezes a resposta do que somos está no passado, daí a necessidade de fazer os retornos necessários. Porém, existimos no presente caminhando para o futuro, daí a necessidade de fazer as atualizações necessárias. Tendo isto em mente compartilho com você algumas intuições do caminho de retorno ao ideal perdido e dos vislumbres para continuarmos indo em frente:

* Uma redefinição da igreja: uma comunidade relacional geradora de autênticos discípulos. Um centro de formação espiritual que irradia a vida do Reino para o mundo;

* Uma redefinição de discipulado: um processo de formação espiritual que nos convida a ser uma encarnação histórica do Reino de Deus. Falar de formação espiritual é falar de impactar e mudar o mundo e não de fazer mais um programa eclesiástico para o crescimento da igreja.

* Uma redefinição do papel pastoral: pessoas comprometidas com Deus em se tornar pais, mães, mentores, espirituais, agentes de formação espiritual. Buscar superar esta dinâmica pedagógica passiva na qual vai-se para a igreja para ouvir e não para ser desafiado a viver. Recusar ser meros animadores de auditório, líderes gerenciais de grandes projetos Amar mais indivíduos do que multidões, ainda que elas sejam uma conseqüência abençoada do investimento pessoal nas pessoas.

Que uma santa crise de identidade vem sobre todos nós e sejamos protagonistas de um retorno ao sonho original (Reino de Deus) que avança para a concretização de um ideal (igreja como um centro de formação espiritual)!

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Ressurreição - Rob Bell

Terça-feira, Abril 20, 2010

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A águia e a cobra

Hoje assisti in loco a um duelo entre uma águia e uma serpente. Fui levar minha esposa ao trabalho, e na volta, enquanto aguardava o sinal abrir, eu, minha filha Revelyn e meu sobrinho Pedrinho assistimos à cena inusitada. A águia veio descendo velozmente com as garras projetadas para frente, e quando pousou sobre a serpente, foi recebida com um bote. A luta continuou depois que o sinal abriu e não sabemos o resultado. Presumo que a águia tenha vencido, como geralmente acontece. É muito difícil para uma cobra, mesmo peçonhenta, resistir ao poder das garras daquela ave.

Águias e serpentes são abundantes aqui na Flórida. Recentemente, nosso quintal recebeu a visita de uma cobra. Mas desde que flagrei uma águia pousada no mesmo lado onde avistamos o tal réptil, nunca mais a cobra deu o ar de sua graça. Provavelmente, virou comida de águia.

Assistir àquele embate me fez passar o dia refletindo.

A cobra é um réptil rasteiro de sangue frio, enquanto a águia é uma ave de sangue quente que voa em alturas inatingíveis para qualquer outro animal. Enquanto a cobra troca de pele, a águia troca sua penagem. O poder da águia está na envergadura de suas asas e na força de seu bico e suas garras. Já o poder da serpente está em seu veneno.

Enquanto o povo de Deus é desafiado a ser como uma águia, renovando constantemente sua força em Deus, os ímpios são comparados à prole da serpente. As Escrituras cristãs estão repletas de imagens que sugerem esta comparação.

A águia é símbolo de renovação, de confiança, de destreza, de majestade. Mas a serpente é símbolo de traição, de astúcia, de malignidade.

A serpente é traiçoeira e mantém-se sempre escondida. Seu bote sempre acontece sem aviso prévio, com exceção da cascavel com seu chocalhe. Já a águia avisa que está chegando desde que avista a presa, dando-lhe chance de escapar. O som que emite, juntamente com a envergadura de suas asas, não a deixam passar despercebida.

Os hipócritas e traidores são verdadeiras serpentes que trocam sua pele de acordo com a conveniência. Esperam a hora certa de dar o bote. São calculistas e frios. Ainda que pareçam agir pela emoção do momento, suas atitudes são planejadas e têm como objetivo derrubar quem está em seu caminho. Trocam seu discurso como a serpente troca de pele.

Os visionários são como águia, capazes de vislumbrar o futuro. Mesmo quando pegos de surpresa pelo bote da serpente, não recoam, mas mantém os olhos fitos no alvo. Renovar as penas não é como trocar de pele. O discurso continua o mesmo. Antes de ser leal aos que o cercam, é fiel à visão que Deus lhe deu. E justamente daí vem sua lealdade para com aqueles que nele confiam. Ser fiel a Deus e leal aos amigos acaba resultando numa consciência tranqüila e forças renovadas.

Segunda-feira, Abril 19, 2010

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Terremotos? A culpa é das mulheres!

Um importante líder religioso do Irã foi responsável por uma declaração no mínimo curiosa. Hojatoleslam Kazem Sedighi afirmou que mulheres que usam roupas reveladoras e agem de forma promíscua são culpadas por terremotos!

"Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta levam os homens jovens ao mau caminho, corrompem a sua castidade e espalham o adultério pela sociedade. Isso, consequentemente, faz aumentar o número de terremotos", afirmou Sedighi.

Por causa de sua posição geográfica, o Irã é um dos países mais sensíveis a abalos sísmicos.

Para Sedighi, a única forma de evitar mais tremores no país é:

"O que podemos fazer para evitar que fiquemos enterrados sob escombros? Não há outra solução senão tomar refúgio na religião e adaptar nossas vidas ao código de moralidade do Islã."


De acordo com sismologistas, Teerã, a capital do país, deve ser atingida em um futuro próximo por um forte terremoto. Recentemente o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, previu que Teerã será arrasada por um grande abalo e pediu que as 12 milhões de pessoas que vivem na cidade considerassem partir para um lugar mais seguro.

Foto: Agência Irna

Fonte: O Globo

Não sei quem foi mais infeliz, se este líder islâmico, ou o Pr. Pat Robertson, que atribuiu o terremoto do Haiti ao pacto feito pela nação com o diabo. O que eles têm em comum? Fundamentalismo. O único terremoto que uma mulher pode causar é no coração de um homem. rs

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Confissões de uma (ex) esposa de pastor

Ele disse um dia: em primeiro lugar está meu ministério.

Senti-me traída, a mais traída das mulheres. Posso até “competir” com outra mulher, outros lábios, outro corpo, outros abraços, outros beijos e ganhar (ou perder) a batalha. Mas com o “ministério” é demais pra mim. Foi pior que vê-lo na cama com outra.

Claro que se ele dissesse "Deus está em primeiro lugar na minha vida" eu aplaudiria e ficaria feliz, mas ministério não é Deus, e esse é o problema de muitos líderes, que confundem trabalho, atividade, serviço, com relacionamento com Deus. Lastimável!

Aos poucos, ele foi demonstrando essa preferência. Eu não estava mais na sua listinha de prioridades, nem eu, nem os filhos. Somente o ministério importava, por ele daria a vida, era algo quase insano, doentio. “Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua família?”

De forma progressiva, suas atitudes foram se tornando agressivas e incoerentes, pois como alguém que viajava pelo mundo falando do amor de Deus não conseguia de fato amar sua própria família? Primeiramente, vieram agressões verbais, depois as físicas, a mim e aos filhos. Nada que questionasse ou desvalidasse seu ministério poderia ser refutado ou contrariado. Ele reagiria com unhas e dentes. A família não importava mais, somente seu belo e frutífero ministério.

E assim segui... fingindo por 18 anos para todos e pra mim mesma que tudo isso era normal, e que para não envergonhar o ministério (dele), eu deveria aceitar calada a situação.

Ah! Mas como Deus me ama... Me ama tanto que foi ele mesmo que disse: “Filha: chega disso!”

Foi então que liberei o tão dedicado pastor e missionário de seu jugo de ter uma família. Agora ele deve estar feliz sozinho “servindo ao Senhor”.

Seguimos eu e meus filhos rumo ao centro da vontade de Deus, que é perfeita e agradável. Um Deus que ama e que não deixa seus filhos sofrerem além do que podem suportar.

Sim, eu fui traída. Sim, ele cometeu adultério. Adulterou com o próprio ministério, em nome de Deus, destruindo a própria família. Eu já o perdoei, mas acho que nunca vou entender...

por motivos óbvios, a identidade da autora do texto será mantida em sigilo.

Domingo, Abril 18, 2010

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Saudade do bigode do Silas Malafaia

Que Silas Malafaia sempre foi temperamental, todo mundo sabe. Não é de hoje que ele solta o verbo em seu programa de TV. E foi justamente isso que lhe rendeu tanta fama, tanto dentro, quanto fora do arraial evangélico. A outra marca registrada dele era o bigode. Enquanto o manteve, Silas foi fiel aos princípios doutrinários que nortearam sua jornada ministerial deste os primórdios. Mas assim como aconteceu com Sansão que perdeu a força ao ter seu cabelo cortado, Silas parece ter mudado da água para o vinho depois que raspou seu bigode.

Conheci-o pessoalmente em 1989, quando alugou-nos seu estúdio de TV para a gravação do programa que nossa igreja manteve por um tempo na antiga TV Corcovado. Pareceu-me um cara boa praça, bom de conversa. Tive a oportunidade de debater com ele algumas vezes na Rádio 93 FM e na Melodia FM, ambas do Rio de Janeiro. Na maioria das vezes discordamos. Com o microfone ligado ele parecia um leão. Mas em off mantinha o tom cordial e respeitoso.

Depois o encontrei na Universidade Gama Filho, onde éramos colegas de curso de Psicologia. Chegamos a assistir a uma aula juntos. Éramos de turnos diferentes. Admirei vê-lo sentado ao lado da esposa na sala de aula.

Apesar de algumas divergências teológicas, confesso que sempre o admirei como expositor das Escrituras. Ainda que não apreciasse muito a maneira como alterava a voz enquanto pregava.

A impressão que se tem que seus olhos também foram vazados. E agora, o grande Silas aparece trabalhando no moinho de Dagon (ou seria de Mamon?). Como Sansão, ele agora é chamado a entreter os filisteus em programas televisivos de terceira categoria. Deixou de ser o orgulho de boa parte dos evangélicos, para tornar-se numa figura folclórica.

Gostaria de saber quem foi a Dalila que lhe deu colo, que raspou seu bigode e alterou dramaticamente seu discurso. Teria sido a política? Ou teria sido a tal teologia da prosperidade?

Pr. Silas, meu caro colega, se você tem sido duramente criticado na blogosfera, é sinal de que algo precisa ser ponderado. Não é razão para fazer ameaças, ou mesmo amaldiçoar quem quer que seja, mas tão-somente reconhecer que algo está manchando a sua trajetória ministerial. Lembre-se do que diz o sábio Salomão: “Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto. Fiéis são as feridas pelo que ama, mas os beijos de quem odeia são enganosos” (Pv.27:5-6). Não queira mal a quem só lhe quer bem. Não falo apenas por mim, mas por muitos que lhe criticam sentindo profundo pesar por vê-lo descambar para algo que você sempre criticou. É só dá uma conferida em vídeos antigos que circulam no Youtube.

Muitos desses que lhe criticam, são os primeiros a lhe elogiar quando você emite alguma opinião sobre questões sobre as quais a maioria dos evangélicos concorda. Veja, portanto, a sinceridade dessa gente que você chama de “bandidos”, “invejosos”, "caluniadores", etc. Desrespeito seria se subissem em seu púlpito e usassem seu microfone para falar mentiras contra seu ministério diante da sua família e das ovelhas que o Senhor lhe confiou. Em vez disso, cada um tem usado seu próprio espaço para denunciar os erros (alguns dos quais você denunciou por tantos anos...), desejando que você volte ao primeiro amor.

Quando o cabelo de Sansão voltou a crescer, Deus ouviu seu clamor e lhe devolveu a força perdida. Quer uma sugestão, Pr. Silas? Deixa o bigode crescer e peça que Deus lhe conceda aquela força com que você vociferava contra a teologia que agora você defende. Se cansou do antigo modelo de bigode, que tal o sugerido na foto?


Sábado, Abril 17, 2010

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Lebres, coelhinhos e outros farsantes

Hoje eu olhei na sua cara e não gostei do que vi. Sim, dona lebre, hoje vi seus olhinhos cor-de-rosa-marijuana-da-boa e entendi tudo. Na verdade, desentendi tudo porque tinha entendido tudo errado. Contaram a fábula errada pra esse Mané aqui e eu fiquei torcendo pro bandido esse tempo todo.

Ah, lebre cretina, eu sempre torcia por você e ficava com dó porque a pentelha da tartaruguinha ganhava a corrida da forma mais sem graça do mundo. Foi você quem me ensinou a dizer “só não cheguei em primeiro porque não quis”. Foi você quem me ensinou que bastava saber que era o melhor, bastava ouvir os elogios sobre o potencial. Cumprir a meta, cruzar a linha, terminar a carreira era pros fracos, pros medíocres, pros que tinham algo a provar.

Ah, lebre desgraçada, ainda hoje você faz tanto sucesso nos megatemplos do país afora. Há tantas coelhinhas e coelhões dizendo sempre “você é o melhor”, “você foi escolhido”, “você merece”, “você já é um vencedor”, “a vitória já é sua”. Mas isso você já sabe, né, sua lebre desalmada? Sua teologia do sucesso imediato rendeu aos salões uma multidão de narizinhos empinados e olhinhos vidrados, hipnotizados pela inalcançável cenoura dourada.

Tenho até remorsos por conta dos pobres dos gatos que não quis comprar em seu lugar. Teria tido mais sorte com os felinos. Eles não bajulam, não elogiam demasiadamente, não iludem pulando de cartolas de fundo falso. Eles cantavam “Nós, gatos, já nascemos pobres / Porém, já nascemos livres / Senhor, senhora ou senhorio / Felino, não reconhecerás”. Mas você me bajulava com o conforto da desistência premiada: “De olhos vermelhos / De pêlos branquinhos / De pulo bem leve / Eu sou o coelhinho/ … / Por uma cenoura / Já fico manhoso”.

Agora, com licença, preciso ir me retratar com a tartaruguinha e ver se ainda sou aceito na turma de repetentes do curso “Devagar e sempre. Como diferenciar sucesso verdadeiro de elogios vazios”.

p.s.: Ah, coelhinho, na boa, se eu fosse como tu…

Sexta-feira, Abril 16, 2010

5

Mente que nem sente

lingua do inferno Assim como a Verdade é o Filho de Deus, a Mentira é a filha do Diabo (Jo.8:44), e como tal, é a cara do pai.

É mais fácil conviver com pessoas que tenham qualquer outra deficiência de caráter do que conviver com o mentiroso. Ninguém é mais perigoso que ele. E o pior que aos poucos ele vai se aprimorando na arte de mentir, até tornar-se num mentiroso compulsivo e contumaz, capaz de enganar a si mesmo e a todos ao seu redor.

Quando exposto à luz, fica logo nervoso, perde a linha, porque não suporta a verdade. Quer tirá-lo da linha, chame-o de mentiroso. Está mais preocupado com a sua imagem, a fim de manter a credibilidade e continuar enganando.

Nem todos os mentirosos mentem descaradamente. Alguns são mais sofisticados, e preferem usar meias-verdades, ou dissimulações. Sempre que usam tais artifícios, é para salvaguardar sua imagem ou levar alguma vantagem.

Todo mentiroso tem seus cúmplices. E o que ele não percebe é que eles são os primeiros a questionarem sua integridade quando suas mentiras lhes atingirem de alguma maneira. Por exemplo: o pai que mente a idade do filho para pagar meia-entrada no cinema. O dia que resolver menti para o filho, este será o primeiro a contestá-lo. Se sua esposa lhe ajuda a mentir, ela será a primeira não acreditar em você.

Mas há os que mentem juntos até a morte. Vivem um casamento de mentira, um ministério de mentirinha, um embuste. O livro de Atos dos Apóstolos nos revela a história de um casal de mentirosos, Ananias e Safira. Um dava cobertura ao outro. Infelizmente, não se arrependeram de seu engodo e acabaram fulminados.

A vida do mentiroso não é fácil, pois cada mentira equivale a um remendo numa roupa velha. Quando o rasgo é exposto, tem que fazer um remendo maior para cobrir o anterior. E assim, ele vai vivendo, de mentira em mentira, até o dia do grande rombo, quando tudo vem à tona.

Deus detesta tais expedientes. Entre as coisas abomináveis aos Seus olhos está a “língua mentirosa”, juntamente com “o que semeia contendas entre irmãos” (Pv.6:17-19). Por isso se diz que o que usa de engano não ficará em Sua casa (Sl.101:7).

O mentiroso não consegue manter amizades por muito tempo. Seus amigos são sempre substituídos por novos, porque os relacionamentos sofrem desgastes por causa de suas mentiras. Mesmo familiares preferem manter certa distância. Não suportam vê-lo se gabar daquilo que não possui.

Sem dúvida, o maior mentiroso é aquele que consegue enganar a si mesmo. Paulo nos garante que “os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Tm.3:13). Suas mentiras lhe soam como verdades. É o mentiroso sincero, mas não inocente aos olhos de Deus. Paulo admoesta: “Ninguém se engane a si mesmo” (1 Co.3:18). Tal exortação é um eco das encontradas ao longo das Escrituras, como a que denuncia àqueles que “se deixaram enganar por suas próprias mentiras” (Amós 2:4). Para chegar a este ponto, a pessoa teve que passar por treinamento intenso, enganando a outros. Enganar a si mesmo é a última fronteira atravessada pelo mentiroso. Uma espécie de pós-graduação em mentirologia.

Mas como tudo o que semeamos, um dia colhemos, chega a um ponto é que o mentiroso é vítima de sua própria astúcia. Um dia ele acaba se entregando sem querer. É só prestar bastante atenção em seu discurso, para perceber sua incoerência.

Não se deixe conduzir por quem usa de engano. Você cairá no mesmo abismo que ele. “Oh! povo meu! os que te guiam te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas” (Is.3:12b).

Se você ama a um mentiroso, trate de confrontá-lo para que se arrependa e não minta mais. Não tape o sol com a peneira. Não tente fingir que acredita em suas dissoluções. Enfrente-o! Seja ele seu cônjuge, seu filho, seu pastor, seu amigo, seu chefe.

Cuidado! Um dia você poderá ser vítima de sua peçonha. Se ele não poupou alguém que dizia amar, não poupará você quando se vir ameaçado.

Cuidado com o que você diz perto dele. Tudo poderá ser usado contra você de maneira distorcida. Afinal de contas, ele sabe jogar com as palavras, sabe dissimular, transformar verdades em mentiras e vice-versa. O que foi dito em forma de brincadeira, será contado como se fosse dito de maneira séria. Comentários em off, serão lançados contra o ventilador para tentar sujar sua reputação. O que ele quer é que você fique mal na fita, enquanto sua própria imagem seja realçado, como se fosse um herói. Até palavras que ele mesmo disse, serão atribuídas a você… Portanto, cuidado! Peça que Deus ponha um guarda à porta de sua boca (Sl.141:3). Lembre-se que “o hipócrita com a boca danifica o seu próximo” (Pv.11:9).

Alguns perderam totalmente o temor de Deus, sendo capazes até de jurar por Ele, para dar peso às suas mentiras (Sl.24:4). Sua consciência está cauterizada. Por isso se diz que tais pessoas “mentem que nem sentem”. Em vez de mentiras localizadas, suas vidas foram tomadas de mentiras generalizadas, como um câncer que se nega a retroceder.

E antes de difundir algo, procure ouvir as partes envolvidas para que você não corra o risco de ser injusto e cúmplice de uma mentira. Adotar a mentira dos outros é como adotar um filho do diabo, pois afinal, ele é o pai da mentira.

Quinta-feira, Abril 15, 2010

7

Perdoa-me por me enganares

nelson-rodrigues-capa-veja “Perdoa-me por me traíres” é um filme brasileiro de 1983, dirigido por Braz Chediak e com roteiro adaptado de um texto de Nelson Rodrigues. No drama, o marido começa a sentir ciúme doentio da esposa, que, para fazer jus à sua desconfiança, passa a agir de acordo com suas acusações. Chega a um ponto em que o marido tem que reconhecer que é o principal culpado pelas traições da esposa. Este título cairia muito bem dentro da relação vivida em muitas igrejas entre os que enganam e os que se deixam enganar.

Até que ponto temos responsabilidade pelo sucesso adquirido por certos ministérios que se apostataram da verdade?

Recentemente assistimos à confissão de um conferencista que admitiu ter mentido em suas palestras e testemunhos. Que bom que ele pediu perdão. Porém, persistiu na mentira por dez anos. Por quê? Por que não se arrependeu antes? Como pode deitar a cabeça no travesseiro à noite todo esse tempo sabendo que iludia pessoas? Entre outras mentiras, ele contava ter sido curado de síndrome de down. Quantos pais de filhos portadores desta mesma síndrome se encheram de esperança, que logo fora substituída por uma imensa frustração por não terem alcançado o mesmo resultado? Isso me enoja. Tenho uma filha especial e sei o quanto dói. Embora Deus a tenha feito andar, quando os médicos lhe haviam desenganado, ela continua sendo uma criança especial. Não tenho o direito de acrescentar nada ao seu testemunho.

Os aplausos que recebia, os convites para pregar dentro e fora do Brasil, as ofertas, a vendagem dos CDs e DVDs, enfim, era muita coisa em jogo. Romper com tudo isso requereria muita coragem e disposição para sofrer o prejuízo.

Assim como ele veio a público demonstrando arrependimento, sugiro que seus fãs, seguidores e apoiadores também venham a público se arrependendo de sua ingenuidade e do incentivo que deram para que continuasse a mentir. Seu líder, em vez de simplesmente se desculpar, deveria igualmente se arrepender de tê-lo apoiado sem averiguar a veracidade de seus testemunhos.

Enquanto houver quem apóie este circo gospel que se armou em nossa nação, dificilmente alguém terá a coragem que teve Davi Silva.

Tão culpados quanto os falsos mestres são aqueles que sentem comichão nos ouvidos, atraídos por novidades, novas revelações e ventos de doutrina. Paulo os denuncia dizendo que os tais “cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças; se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando às fábulas” (2 Tm. 4:3-4).

Tenho a nítida impressão de que essa gente gosta mesmo de ser enganada. Minha conclusão, baseada nas Escrituras, é que tais ministérios de iniqüidade são juízo de Deus sobre os que não buscam nem amam a verdade, e sim a conveniência. “Por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira, e para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade” (2 Ts. 2:9-12).

Poucos são os que de fato podem ser considerados inocentes. A maioria não é ingênua, mas tão-somente busca ouvir o que lhe apraz. Por isso os mentirosos se dão bem.

Não basta que os enganadores se arrependam. Os enganados também precisam se arrrepender e voltar-se para a Verdade.

Há uma indústria de testemunhos que precisa falir. Mas enquanto houver pastores dispostos a pagar os cachês exigidos por esses “testemunheiros profissionais”, esta indústria prosseguirá a todo vapor.

Cantores que cobram cachês de igrejas para louvar têm que vir a público e pedir perdão. Mas pastores que se prontificam a pagar também têm que confessar seu pecado.

Espero sinceramente que a confissão de Davi Silva seja aquela nuvenzinha do tamanho de uma mão, que anuncie a chegada de uma abundante chuva. Que muitos outros o tomem como exemplo e se arrependem de suas mentiras, não só as ditas no púlpito, mas também as espalhadas pelos corredores, proferidas nos gabinetes, estampadas nos outdoors, postadas nos blogs, etc. 

Não adianta dizer que mentiu com a melhor das intenções, no afã de estimular a fé das pessoas, ou mesmo para a glória de Deus. Ora, Deus não precisa de embustes para ser glorificado. Sejamos, pois, verdadeiros em tudo para que mais tarde não tenhamos do que nos envergonhar, nem do que nos arrepender, e assim, poupemos o Evangelho de mais um escândalo.

Quarta-feira, Abril 14, 2010

5

Ele escolheu mentir, enganar e decepcionar

Desde agosto de 1999 tenho ministrado junto com Mike pela nação brasileira e em outras nações também. Durante esses anos tenho compartilhado vários testemunhos, a começar com minha cura da Síndrome de Down, passando por sonhos, visões e arrebatamentos, e diversas experiências sobrenaturais.

Pois bem, em quase todos esses testemunhos eu acrescentei mentiras. Alguns deles são totalmente mentirosos. Inclusive um deles, eu roubei de um irmão em Cristo que teve a experiência que conto como sendo minha. Outros testemunhos são meus e em parte verdadeiros.

Menti para minha família, meu ministério, a igreja do Senhor e outros na sociedade que ainda não conhecem a Jesus. Estou escrevendo este texto e também fazendo um vídeo, porque eu contava esses testemunhos desde 1999, tanto em solo brasileiro, como em viagens para os Estado Unidos, Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Paraguay e Uruguay. Eu contava em nossos seminários, em clínicas pastorais, conferências proféticas e apostólicas que reuniam pessoas do mundo inteiro. Esses testemunhos foram gravados em CDs e DVDs, comprados e espalhados para lugares onde só Deus sabe. Pessoas ouviram os meus testemunhos e não sabendo que continham mentiras, escreveram em blogs, revistas, e livros. Deram entrevistas, como eu também tenho dado, em rádio e televisão, repassando verdades e, infelizmente, as mentiras contidas em meus testemunhos.

Estou profundamente arrependido. Tremendamente envergonhado. Triste ao extremo pelos meus atos. Eu escolhi mentir, enganar. Eu escolhi decepcionar.

Como disse o Mike, eu também tenho pregado essa mensagem de arrependimento pelas nações.
Estou fazendo esta confissão dessa forma porque é coerente com o que tenho pregado, e estou procurando agir com verdade, arrependimento e confissão na medida do meu pecado.

Se alguém mentir para uma pessoa, é necessário pedir perdão a Deus e à pessoa para qual se mentiu, e além disso, desmentir a mentira. Pois eu menti para centenas de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, e por isso torno pública minha confissão.

Nesses 10 anos, eu tive momentos para me arrepender quando as consequências não teriam sido tão graves. Na verdade, eu lido com esse pecado de mentira desde minha infância. Por isso eu sei que, o passo que dou hoje é necessário para que haja a verdadeira conversão e transformação na minha vida. Tanto agora, como na infância, fui flagrado nesse pecado, mas até hoje não havia produzido frutos de um arrependimento digno.

Eu continuo no ministério Casa de Davi. Vou permanecer em Londrina, sem ministrar, durante o restante deste ano de 2010.

Preciso passar por um processo de restauração. Preciso reconstruir o que destruí com as mentiras e preciso de transformação nessa área da minha vida antes de voltar a ministrar.

Peço perdão a você, para quem menti e envolvi na minha mentira. Peço que o Senhor Jesus purifique a Igreja da minha injustiça.

Me preocupo com o “escândalo” que eu tenho trazido para o corpo de Cristo. Entendo que mais cedo ou mais tarde tudo isso viria à luz, pois a palavra de Deus afirma que todo oculto e escondido será revelado.

Peço que façam distinção entre a minha pessoa, meu pecado, e os princípios que o ministério Casa de Davi tem pregado e ensinado. Todas as mensagens que o ministério Casa de Davi tem ministrado nos seminários pelo Brasil e outros países permanecem intactas. A minha mentira não abala a integridade das palavras e mensagens proféticas do ministério.

Peço que não percam as experiências sobrenaturais, pois minhas mentiras não anulam a realidade do sobrenatural de Deus.

Peço sua orações, enquanto eu oro para que o Senhor cure a igreja das feridas causadas por mim e pelas minhas mentiras.

Estou no início do processo de minha restauração. O primeiro passo é pedir perdão para você, pois menti para ti.

Ainda estou apurando todos os testemunhos que contei. Peço sua paciência enquanto eu apuro toda a verdade durante esse período.

Nos próximos meses escreverei um documento onde serão relatadas as verdades e mentiras dos testemunhos que tenho contado.

Conto com o amor, a graça e misericórdia do Senhor, de minha família, de meus irmãos em Cristo e amigos. Conto também com suas orações. Sei que minha confissão é muito decepcionante para todos. Como me arrependo!

Sinto gratidão em meu coração por poder contar com o amor e perdão da minha mãe, meus irmãos, minha esposa e meus filhos e de todos meus irmãos no ministério Casa de Davi, para os quais eu já me confessei.

Quero expressar aqui que sinto gratidão e alegria de ter a liderança do Mike, que de forma graciosa, com muito amor e cheio de sabedoria tem me acompanhado e ajudado nesse difícil processo de confissão, cura e restauração.

Mais uma vez, perdoe-me pelas mentiras e as decepções que causei na tua vida e no Corpo de Cristo.

Eu os amo.

Espero poder voltar e ministrar novamente, totalmente restaurado e transformado pelo mesmo poder que ressuscitou Jesus dentre os mortos.


Confissão de Davi Silva no site da Casa de Davi (Via Pavablog)


Assista abaixo três videos de Davi Silva. No primeiro, ele ministra uma palestra na igreja de Lagoinha, onde conta alguns dos seus testemunhos, no segundo ele é interrompido por supostas intervenções espirituais, e no outro terceiro ele confessa seu pecado.








Algo parecido aconteceu envolvendo um ministério da Austrália chamado Planet Shakers. O filho do pastor, líder do ministério de música, mentiu sobre um suposto câncer, mas a verdade é que seu problema era moral. Após arrepender-se da mentira, confessou que era viciado em pornografia desde os 14 anos. Tal caso teve grande repercussão pelo fato dele ter participado de um DVD com o Hillsong em 2007. O nome da canção é Healer. Após a confissão pública, esta canção foi retirada das prensagens seguintes dos CDs e DVDs.

Imagine se todos fizessem o mesmo? Quantas coisas viriam a tona? Quanta mentira tem sido dita nos púlpitos?

O fato é que mais cedo ou mais tarde, a verdade sempre prevalece. Como disse Jesus, nada há oculto que não seja revelado.

Que bom que aquele que antes escolhera mentir, enganar e decepcionar, agora decidir confessar e abandonar a mentira. Segundo as Escrituras, somente assim se alcança misericórdia.

Difícil deve ser para aqueles que acreditaram em tais mentiras, sem qualquer discernimento, e que agora são obrigados a admitir sua ingenuidade. Não sei qual é pior, admitir que enganou ou admitir que se deixou enganar.

Que este episódio sirva de alerta para a igreja de Cristo no Brasil.