Quarta-feira, Março 31, 2010

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Shekiná? Tô fora!

É normal ouvirmos em nossos cultos, congressos, seminários, a palavra “Shekiná”. Desde adolescente ouço esta palavra na igreja. Pregadores a usam com freqüência. Os “ministros do louvor” têm o hábito de usá-la. Temos até um cântico muito conhecido: “Derrama a tua “shekiná” sobre nós.

Agora pergunto: De onde tiramos a palavra “shekiná”? O que significa esta palavra? Será “shekiná” uma expressão encontrada nas Escrituras?

Começando pela última pergunta, a palavra “shekiná” não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras! Penso que você neste momento está perplexo. Esses dias atrás, pregando em uma grande igreja aqui em São Paulo, falei sobre isto no púlpito e imagine a reação do plenário, bem como dos obreiros. Após o término do culto, várias pessoas me pararam e diziam: “Pr Marcelo, já ouvi “pregadores de renome” falar isso! Faz tantos anos que ouço todos falarem desta palavra “shekiná”, será mesmo que o sr não está enganado?

Exatamente aqui reside nosso problema. Nós ouvimos os “grandes pregadores” falarem, e aceitamos tudo. Não procuramos pesquisar, averiguar, perscrutar. Tudo o que é novidade, e é falada por alguém de “peso”, nós aceitamos e logo começamos a falar. Falta em nosso meio, cristão bereanos, que analisam a cada dia as Escrituras, para verem se está correto ( At 17.11).Notemos que era Paulo que estava pregando! Homem de cultura invulgar, conhecedor de toda lei judaica, e acima de tudo, um dos maiores pregadores que o mundo conheceu. Ora, se Paulo teve que passar no crivo dos bereanos, o que dizer de nossos pregadores? Serão estes maiores que Paulo?

Mas voltando ao assunto da palavra “shekiná”, este vocábulo não aparece na Bíblia Judaica [ Tanakh] nem no N.T, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica -נ -כ- ש (sh-k-n), cujo significado é "habitar", "fazer morada". Se perguntarmos a qualquer irmão, o que significa esta palavra, todos dirão: "a glória de Deus, presença de Deus". Acontece que, “shekiná” não significa nada disso! O vocábulo “glória” no hebraico é “kavod” – o peso da glória de Deus.

A Shekiná, como uma idéia concreta, aparece só na literatura literatura rabínica, havendo somente "alusões" a esta presença divina, no meio do povo de Israel, na Torá, quando Deus disse ao seu povo :

וְעָשׂוּ לִי מִקְדָּשׁ וְשָׁכַנְתִּי בְּתֹוכָֽם׃: Ve Asu Li Mikdash Ve ShakhantiBetocham

- "e fareis um santuário para Mim, e
habitarei no meio deles (dos israelitas)"[1];"וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹךְבְּנֵי יִשְׂרָאֵל, וְהָיִיתִי לָהֶם לֵאלֹהִים" - "e habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei-lhes por Deus"[2]; e יְהוָה צְבָאֹות הַשֹּׁכֵן בְּהַר צִיֹּֽון׃ "o Eterno dos exércitos, aquele quehabita em Sião"[3].


Conclusão

Vimos por meio deste singelo estudo que a palavra “shekiná”não está nas Sagradas Escrituras. Aprendemos também que“shekiná” não significa : glória, presença de Deus. Ela vem da raiz “shakhan” que significa – habitar, fazer morada. Esta idéia de “skekiná” aparece somente na literatura rabínica, onde os judeus cabalistas [4] começaram a usá-la a partir do séc XIII. Devemos estar sempre prontos a aprender e não ir além da Escritura. Foi o que Lutero disse para Erasmo: “ A única diferença entre eu [ Lutero] e você [Erasmo] é que eu me coloco debaixo da autoridade das Escrituras, e você se coloca acima dela.

No amor de Jesus, Pr Marcello de Oliveira

Notas:

[1] Exodo 25.8
[2] Exodo 29.45
[3] Isaías 8.18
[4] Cabala é um sistema religioso-filosófico que investiga a natureza divina. Kabbalah (הלבק QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção. É a vertente mística do judaísmo.

Texto de Marcello de Oliveira, Teólogo, escritor e Hebraísta (Via A Supremacia das Escrituras)

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Apesar de você...

Dentre todas as composições do Chico (permito-me esta intimidade, afinal, cresci ouvindo suas canções), creio que a que mais me emociona, e não raras as vezes me leva as lágrimas, é “Apesar de Você”. Esta música fala (de forma velada, obviamente) de um dos períodos mais dolorosos e vergonhosos da história recente de nosso pais, a Ditadura Militar.


E o que esta época em que vivemos, de “liberdade” e “democracia”, tem a ver com aqueles 20 anos (1964-1984) de privação, vigilância e repressão? Mais ainda, o que tem a ver com o momento atual da Igreja?

Voltemos nossa atenção para os primeiros versos da música:

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.

O que vemos hoje? Quem são os líderes “evangélicos” com maior visibilidade no Brasil? Quem são os mais influentes, os que são vistos como “porta-vozes” dos “crentes” de nosso país (alguns de fato, abraçaram este papel)? Estes que arrastam multidões em suas marchas e shows de fé(zes), não são os mesmos que espalham heresias? Não são estes que promovem doutrinas espúrias? Não são os que andam ensinando um outro evangelho?

Tais líderes não se dão ao trabalho de pegar em armas, pois tem a disposição seus próprios órgãos de repressão! Uma policia hipnotizada, soldados sem propósito, que mantém seus fuzis engatilhados, prontos para disparar rajadas de “não toquem nos ungidos”, “o julgamento cabe somente a ‘deus’ (sic)” ou bombas de efeito moral de “os críticos nada constroem”, etc…

É a lei da mordaça! Não podemos criticar, não podemos denunciar! Temos que falar a boca miúda, sob pena de sermos tachados como hereges, agentes demoníacos, etc…

A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?

O que o DOI-CODI gospel esquece é que o ministério dos profetas consistia em anunciar (a vontade de Deus) e denunciar (os absurdos dos homens)!

Assim como nos ditos “Anos de Chumbo”, hoje muitos são aprisionados , não mais nos porões da ditadura, mas na escuridão da ignorância, da alienação, da religiosidade, do legalismo, do egoismo, do distanciamento, etc…

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8)

Este também foi o período do chamado Milagre Econômico (unção financeira??). Mas a que custo? Tivemos nesta mesma época alguns dos piores indicadores sociais da história do nosso pais!!

A despeito do aparente derrotismo dos primeiros versos, o refrão da música é uma expressão de esperança, uma declaração de fé no amanhã…

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar


Assim como o cantar do galo serviu como um anúncio do juízo de Deus, demonstrando a irrealidade da promessa de Pedro (Mateus 26:34), na musica este serve para exprimir uma justiça vindoura e inevitável…

Creio que o próprio Pedro faria coro com Chico:

“E por avareza farão comércio de vós com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.”
(II Pedro 2:3)

Não desejo a danação daqueles que pervertem a mensagem do Evangelho de Cristo, oro para que os que hoje se alegram com os bens granjeados através da propagação destas doutrinas malditas, sigam as recomendações encontradas na carta de Tiago…

“Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.”
(Tiago 4:6-10)

Voltem a simplicidade do Evangelho!! Voltem-se para a doutrina inclusiva do amor de Jesus, que diz “vinde a mim”, e afastem-se das ideias exclusivas do “só recebe quem dá”!

Sinto-me como aquela juventude subversiva de outrora, que bradavam contra um regime que oprimia e matava! Estou ciente que existem outros que levantam suas vozes mais alto e melhor do que eu, mesmo assim, devo admitir, somos uma minoria…

Persisto porem, e insisto, pois minha esperança nunca morre (Salmo 71:5)!

Mesmo desafinado, junto minha voz a do Chico…

amanhã vai ser outro dia

amanhã vai ser outro dia

amanhã vai ser outro dia…

Fonte: Por Ele

Terça-feira, Março 30, 2010

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Muita calma nesta hora!



"Acalme os meus passos"
Composição: Samuel Lóia

Acalme meus passos senhor
Acalme minha mente
Desacelere as batidas do meu coração
Diminua o meu ritmo forte
Com sua visão que vai além
Da eternidade do tempo
Em meio as confusões do dia a dia
Dá me tua paz e a tranquilidade das montanhas
Ensina me a arte de te amar
Me ajuda a compreender o teu poder
Pra que eu possa perceber
Tua grandeza em meu viver
Eu quero me calar pra escutar
A tua doce voz a me inspirar
Pra que eu possa ser instrumento em tuas mãos
Acalme meus passos, acalme meus passos
Elevo os meus olhos senhor
Ao alto dos montes
Para buscar a grandeza do teu resplendor
Considera o meu pensamento e faz-me fiel
E assim serei forte e vitorioso
Palavras de amor sentir a prece ergo aos ceus
E agradeço o teu cuidado
Ensina me a arte de te amar
Me ajuda a compreender o teu poder
Pra que eu possa perceber
Tua grandeza em meu viver
Eu quero me calar pra escutar
A tua doce voz a me inspirar
Pra que eu possa ser instrumento em tuas mãos
Acalme meus passos, acalme meus passos


Comentário de Hermes Fernandes: Esta canção me encheu de esperança... nem tudo está perdido na música cristã brasileira. Simplesmente de tirar o fôlego... ou seria "de repor o fôlego"?


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Cientistas reproduzem BIG BANG em laboratório


Cientistas anunciaram ter conseguido nesta terça-feira (30) às 8h06 (hora de Brasília), pela primeira vez, a colisão de feixes de prótons no acelerador gigante de partículas LHC. “Muitas pessoas esperaram muito tempo por este momento, mas sua paciência e dedicação está começando a render dividendos", comemorou Rolf Heuer, diretor-geral da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês, a instituição responsável pelo LHC).

O maior experimento científico do mundo consiste em colidir partículas no nível mais alto de energia já tentado, recriando as condições presentes no momento do Big Bang, que teria marcado o nascimento do universo, 13,7 bilhões de anos atrás.

O Grande Colisor de Hádrons (LHC), situado em um túnel subterrâneo circular de 27 quilômetros de extensão sob a fronteiro franco-suíça, começou a circular partículas em novembro passado, depois de ser fechado em setembro de 2008 por causa de superaquecimento.

A experiência teve sucesso depois de duas tentativas frustradas durante a madrugada. De acordo com os pesquisadores, ela abre portas para uma nova fase da física moderna, ajudando a responder muitas perguntas sobre a origem do universo e da matéria.

As colisões múltiplas a uma energia recorde (7 TeV, ou 7 trilhões de eletronvolts) criam "Big Bangs em miniatura", produzindo dados que milhares de cientistas passarão anos futuros analisando.

Acelerar prótons a 7 trilhões de eletronvolts significa que eles correm a 99,99% a velocidade da luz (cerca de 300 mil km por segundo), ou 11 mil voltas por segundo no megatúnel de 27 km.

Fonte: G1

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Pornografia a céu aberto!

Há um esgoto aberto em nossa sociedade, um terrível esgoto esta corroendo e poluindo os corações e as mentes de jovens e idosos. Esse esgoto se chama pornografia! Suas vias fluem para o coração e a mente dos homens que se encontram em um caminho escuro e depravado, esse esgoto faz com que essas pessoas não apenas consumam o líquido como também o promovam para o mundo.

A importância do problema pode ser visto quando pegamos o significado de sua palavra. Não é um termo inventado nos dias de atuais. Ela vem da palavra grega pornéia e juntamente com mais outras três palavras (pornos, pornê e pornéuo). Porne “uma prostituta” e graphien “escrita”. Pornografia significa literalmente a “escrita de uma prostituta”, seja na escrita, desenhos, fotografias, pinturas, filmes ou televisão. E com todo o avanço global no mundo tecnológico, a pornografia tem sido rápida ligando os canais desse esgoto aos corações de muitas pessoas.

O mundo pré-cristão também foi muito pornográfico. Alguns pensam que pornografia nasceu quando a internet invadiu nossas casas. Isso não é verdade. O mundo em que Cristo veio era um mundo pornográfico. Embora não houvessem telas de lcd, rede de relacionamentos ou fotografias, a pornografia estava ali.



A bíblia deixa claro que Jesus nasceu de forma pura, longe de impureza ou imoralidade. Quando lemos Romanos 1 vemos que existe referência a todas as questões de ordem sexual, pecados, imundícia, concupiscência e perversão. Cristo nasceu em um mundo pornográfico, isso é fato, os apóstolos saíram com uma mensagem de transformação em um mundo pornográfico. Eles foram declarar que Deus era santo, imaginem isso na mente de pessoas que se acostumaram com um mundo pornográfico, certamente para aquelas pessoas que adoravam os deuses pagãos esse Deus não era santo.

Imaginem a situação, as pessoas teriam que proibir ou restringir a pornografia que realmente era incentivada na época. Considere o templo de Afrodite em Corinto ou o templo de Diana em Éfeso, aqueles templos tinham muitas prostitutas que incentivavam tudo, menos a santidade. Agora imaginem quando Paulo chega falando com os gentios sobre a mensagem de que Deus é santo, que Ele nos chamou para ser santos como Ele é santo. Isso é uma idéia completamente revolucionária.

Hoje, vivemos numa abertura democrática que torna possível viver uma livre captação de conteúdo impressionante.

Quais são os resultados dessa imundícia pornográfica em nossa cultura hoje? Os resultados dos abusos nessa área, mesmo no mundo cristão, são enormes. Um detalhe importante é que muitos deles são invisíveis. A pornografia conduz a uma terrível escravidão da alma. Conversamos com pessoas cujas vidas foram arruinadas por ter esse esgoto em suas vidas. Não apenas o adultério ou fornicação, mas também os pecados de pensamento, atos sexuais secretos, segredinhos que podem levar as pessoas a essa servidão, que muitas vezes não conseguem escapar desse problema.

Embora muitas pessoas neguem quaisquer efeitos negativos existente na pornografia, os efeitos são como um buraco negro na sua vida espiritual. Não é no momento que você esta consumindo a pornografia que você vai ser tragado por esse abismo. É no futuro, e tenha certeza que você pagará com juros. Quantas pessoas perderam o fôlego de vida cristã porque foram derrotadas pelos pecados sexuais? É muito ruim quando você vê que existem paredes quebradas em seu corpo escorrendo esse esgoto. Infelizmente muitos estão assim.

Qual é a resposta para as pessoas que estão envolvidas com pornografia? Em primeiro lugar, Deus nos chamou para sermos santos, lutar contra a impureza, sexo fora do casamento, perversão, pensamentos sexuais, ou olhar para uma foto enquanto ninguém está vendo, isso trará conseqüências para seu cativeiro no pecado. A Bíblia diz que temos que fugir da imoralidade e levar cada pensamento cativo à obediência em Cristo.

Jesus disse: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará". (Lc 9.23,24)

Vencer hábitos de pecado sexual exige mais do que simplesmente exercitar o autocontrole, de outra forma não seria chamado de vício. A pessoa que luta nessa batalha deve aprender a dizer “não” as tentações quando elas surgem. Contudo, ainda existe mais. A pessoa que caminha em vitória é aquela que aprendeu a “negar a si mesmo”. Esse deve tornar-se um estilo de vida. Na verdade, Jesus exige isso de todos que confessam ser Seus seguidores. Negar-se a si mesmo significa deixar de lado o que nós desejamos fazer em cada área da vida e escolher, em vez disso, fazer a vontade de Deus. Essa obediência é gradualmente trabalhada no homem que prontamente se submete à disciplina de Deus, permitindo-O governar e controlar sua vida.

Título original: Esgoto Pornográfico Fonte: Sexxx Church (Via Blog do Pr. Artur Eduardo)

Segunda-feira, Março 29, 2010

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A importância da Internet na propagação do Evangelho

O Evangelho da Igreja Primitiva não teria se expandido aos gentios tão rapidamente sem as vias de comunicação do Império Romano: AS ESTRADAS. As estradas romanas eram uma legítima rede de comunicação que ligava Roma a toda extensão do seu Império. Obviamente tal tecnologia romana não surgiu com a prioridade de melhorias da comunicação, mas como corredores estratégicos de guerra. Uma das mais poderosas máquinas de guerra da história da humanidade necessitava movimentar-se rapidamente por rotas estratégicas para assegurar a defesa e a extensão. Um segundo uso natural das estradas se deu para rotas comerciais terrestres. E ainda outra utilidade era facilitar a fiscalização e arrecadação de impostos de todas as províncias do Império. Pela Providência de Deus, que controla soberanamente todas as coisas, a sua preciosa Palavra teve grande fluxo de mobilidade em pouco tempo. As cartas e os Evangelhos circulavam como em banda larga pelas igrejas.

O apóstolo Paulo, o maior evangelista aos gentios possuía a cidadania romana, o que permitia transitar livremente pelas estradas romanas, outra Providência maravilhosa de Deus. As famosas viagens de Paulo percorriam grandes centros urbanos. Alcançando as cidades de maior porte naturalmente surgiriam discípulos para propagar o Evangelho do centro para a periferia, essa era uma das suas formas estratégicas para o evangelismo.

Até o século 15 a replicação do conhecimento estava restrita à rede dos monges copistas, os mosteiros e universidades formavam a rede de conhecimento. Com a invenção da tipografia de Gutenberg ainda no século 15 tornou-se possível amplificar o conhecimento com incríveis tiragens de milhares de cópias de livros e Bíblias. A Imprensa revolucionou o mundo com a democratização do conhecimento. Livros e jornais circulavam aos milhares no século 16. Imaginemos o que a Internet pode fazer!

Hoje, podemos dizer que as fronteiras entre centro e periferia estão ruindo com o advento da Internet. As novas estradas de comunicação agora são em conexão rápida, passa muito mais do que “duas carruagens” ao mesmo tempo. Uma pessoa conectada à Rede no mais longínquo interior do Norte ou Nordeste do Brasil ou da Índia, África ou China, tecnicamente tem a mesma acessibilidade de informação de uma pessoa conectada em Nova Iorque ou Paris. O acesso cada vez mais rápido, popular e mundial da Internet fará o maior trabalho de evangelismo da história da Igreja. E já está acontecendo neste exato momento. O monopólio de conhecimento cai a cada instante em todas as áreas.

O audiovisual entre as pessoas está cada vez mais fácil e eficaz. É possível comunicar-se em segundos com qualquer ponto do planeta. É possível disponibilizar sermões, palestras, vídeos, artigos, estudos, entrevistas, livros, cursos e apostilas, informações de campos missionários e bíblias para qualquer um em qualquer lugar. A comunicação ampliou-se de modo exponencial e continua crescendo em ritmo acelerado.

Há uma premissa básica no evangelismo: CRISTO DEVE SER COMUNICADO. Temos a nossa disposição os Websites, blogs e microblogs, comunidades, e-mails, e tantos outros meios de informação digital. TV, rádio, jornal e revista estão sendo aos poucos engolidos pela Internet, e todos esses meios foram usados amplamente no evangelismo. Atualmente, muitas igrejas possuem suas páginas na Rede Mundial de Computadores o que facilita ainda mais as informações locais. Hoje temos informações rápidas sobre igrejas perseguidas, podemos interceder por elas e de algum modo ajudá-las em tempo hábil.

Não esqueçamos que a obra missionária no Brasil começou com os colportores! Antes da chegada dos primeiros missionários e plantadores de igrejas protestantes no Brasil no século 19 as sociedades bíblicas já enviavam Bíblias para cá. As Bíblias eram impressas na Inglaterra (versão do padre Antonio Pereira de Figueiredo) e trazidas em navios. Um dos modos de difusão da Bíblia era realizado pelos colportores, os vendedores itinerantes de livros. Tais pessoas percorriam as mais distantes cidades para oferecer literatura religiosa, livros e Bíblias. Muitos colportores foram perseguidos, sofreram vários tipos de violência, tinham seus livros apreendidos por disputas religiosas. E apesar dessas coisas, nasceram igrejas onde antes não existiam, frutos da COMUNICAÇÃO realizada por esses heróis missionários.

Nos anos de 1950, período no qual o mundo estava vivendo entre fronteiras de capitalismo e comunismo, entrar com uma Bíblia num país comunista era um ato de grande coragem. Contrabandear Bíblias foi uma das formas eficientes para propagar o Evangelho em regiões fechadas. Surgiram, então, os contrabandistas de livros e Bíblias em regiões proibidas, e até hoje isso acontece em países muçulmanos e comunistas.

As ferramentas digitais de tradução para várias línguas aos poucos vão se transformando em poderosos meios de ampliação do conhecimento disponível na Internet. As perseguições à liberdade religiosa não conseguirão filtrar 100% o acesso a Rede. A prisão de cristãos e confisco de livros podem continuar acontecendo, mas não há como desconectar a Internet. O islamismo está fadado ao fracasso, seus adeptos podem fazer a pressão e a propaganda que quiserem, o CONHECIMENTO DE DEUS se espalhará entre as nações anticristãs. Não há governo que impeça a transmissão de conhecimento via satélite. A Palavra alcançará TODOS os escolhidos por Cristo.

O conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados permite o acesso a informações e todo tipo de transferências de dados. A comunicação antes vinda por estradas e navios, hoje é instantânea. Tudo bem que hoje apenas 25%/30% da população mundial tem acesso à Internet, mas e daqui há 10 ou 20 anos? Haverá meio de comunicação mais eficaz para propagar o Evangelho?

O que aconteceu no Irã em 2009 serve de exemplo para demonstrar que através de redes sociais na Internet é possível trocar informações e organizar protestos em vários pontos do mundo, mesmo debaixo de forte opressão e censuras governamentais iranianas. A campanha presidencial de Barak Obama em 2008 captou doações por meio da Rede e revolucionou as eleições americanas. O ativismo das ONGs funciona com grande eficiência através da Internet. O mesmo será com a propagação do Evangelho, você tem dúvidas ainda?

Os países opressores que aplicam políticas antirreligiosas para que seus cidadãos não possam acessar conteúdos bíblicos conseguem em parte bloquear, mas os sistemas de filtros não são infalíveis. A escalabilidade da Rede (ver figura) em seus bilhares de caminhos assemelha-se às conexões de bilhões de neurônios do nosso cérebro ou os corpos celestes de uma galáxia. Quem vai controlar a Internet?

Segundo as Sociedades Bíblicas Unidas, a Bíblia já foi traduzida, até 31 de dezembro de 2007, para pelo menos 2.454 línguas e dialetos, sendo o livro mais traduzido do mundo.

Isaías 11:9: "...porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar."


Texto: Raniere Menezes (Via Frases Protestantes)

Domingo, Março 28, 2010

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O que Deus nos fala através do OUTONO

Do latim autumnu que significa “declínio”, “queda”. O Outono é a estação intermediária entre o Verão e o Inverno. Aos poucos a temperatura começa a cair. As árvores, antes exuberantes em sua folhagem, começam a ficar amareladas, até que suas folhas sucumbem ao soprar dos ventos cada vez mais frios.

Que mensagem de Deus encontramos implícita nessa estação?

A queda das folhas representa a vaidade e fugacidade da nossa vida. Nossa glória se esvai, nosso orgulho se sucumbe, e nada nos resta senão depender da misericórdia divina.

Em que poderia gloriar-se o homem? Em que poderia se estribar?

“Toda carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pe. 1:24-25a).

Cabe aqui a advertência de Deus: “Parai de confiar no homem, cujo fôlego está no seu nariz. Em que se deve ele estimar?” (Is.2:22).

O Evangelho
da auto-estima é uma anomalia doutrinária, completamente estranho ao espírito das Escrituras. O genuíno Evangelho da Graça é um golpe fatal na soberba humana, pois declara que o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo. A salvação é pela Graça para que “ninguém se glorie” (Ef.2:8-9).

As árvores nuas
do Outono deveriam ser como um lembrete para nós. Toda sua robustez, vigor, exuberância, exibidas durante o Verão, perdem-se durante a estação da Queda.

Paulo compreendia perfeitamente tal verdade, a ponto de abrir mão de tudo o que poderia envaidecê-lo. Em sua epístola aos Filipenses, o apóstolo dos gentios faz uma breve apresentação de seu currículo:

“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” (Fp. 3:5-8).

Paulo se viu como uma árvore que se desnuda ao sabor dos ventos. Nenhuma folha se lhe apegaria. Tudo de que ele poderia se orgulhar agora era considerado “perda total”. Já não importava sua origem étnica, seu pedigree religioso, sua reputação entre os patrícios, nem mesmo seu senso de justiça própria. Era como se ele rasgasse seu currículo em pedacinhos.

Há muitos que se vangloriam em um diploma universitário, em sua posição social, em suas aptidões profissionais, em seu sobrenome, e em tantas outras coisas. Pode-se até impressionar pessoas com isso, mas Deus não Se deixa impressionar com nossas vaidades. Se quisermos agradá-Lo em tudo, temos que nos humilhar debaixo de Suas potentes mãos, e reconhecer nossa bancarrota espiritual.

Há um episódio muito interessante e mal compreendido narrado no Evangelho, em que Jesus amaldiçoa uma figueira ao verificar que não tinha frutos para saciar Sua fome.

"Vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. Então ele disse à figueira: Nunca jamais coma alguém fruto de ti” (Marcos 11:13-14a).

Ora, se não era tempo de frutos, por que Jesus foi tão exigente com aquela árvore? Se observarmos bem, verificaremos que a ênfase principal não é a ausência de frutos, mas a presença de folhas. Por duas vezes é dito que aquela árvore estava repleta de folhas, e apenas uma vez é dito que ela não tinha frutos.

Era necessário que a figueira perdesse todas as suas folhas, a fim de frutificar. Provavelmente ainda não era tempo de fruto, mas já era tempo de haver perdido a folhagem. A presença das folhas indicava que quando o tempo de frutificar chegasse, aquela árvore não daria frutos. Por isso, Jesus a amaldiçoou.

Jesus queria nos deixar uma lição. Se quisermos frutificar, temos que deixar nossa folhagem cair. Só haverá Primavera (tempo de florescer) e Verão (tempo de plantar),e se houver Outono (tempo de perder as folhas e frutificar).

As folhas não se soltam e caem por si mesmas. É o vento que as derruba. O frio as faz perder o viçosidade, o vigor. Mas é a força do vento que as derruba. De igual maneira, é o Espírito Santo, que uma vez soprado sobre nós, faz esvanecer nossa vaidade, e cair nossa arrogância. Em vez de depender de nosso preparo, de nossas obras, passamos a nos valer inteiramente da Graça, e a depender totalmente da provisão de Deus em Cristo.

A esta altura, alguém pode estar perguntando: Ora, se não devo me valer de meu preparo intelectual, então, qual a necessidade de gastar cinco anos em uma faculdade? Pra quê boas obras, se não devo me fiar nelas? Pra quê tanto esforço em vão?

Precisamos enxergar as coisas na perspectiva certa. Mesmo não sendo salvos pelas as obras, somos salvos “para as boas obras” (Ef.2:10). Só não podemos colocar os carros na frente dos bois. Na perspectiva de Paulo, aquilo no qual ele poderia se gloria, tornara-se “refugo”. No texto original, podemos traduzir a palavra grega skybalon por adubo.

A queda das folhas provê o adubo que vai preparar a terra para frutificar. Antes que a agricultura fosse desenvolvida pelo homem, a natureza desenvolveu uma maneira de se auto-perpetuar. Não havia ninguém para adubar a terra, e assim, provê nutrientes para o crescimento saudável da vegetação. Então, através da decomposição das folhas que caíam, o solo recebia o adubo necessário.

Paulo está dizendo que aquilo em que poderia se gloriar, deveria ser colocado no chão, para que se tornasse adubo, e assim, lhe ajudasse a frutificar.

O lugar de nossa glória é o chão! O livro de Jó fala sobre deitar nosso ouro no chão (Jó 22:24-27). O Apocalipse nos apresenta vinte quatro anciãos que depositavam suas coroas no chão, aos pés do Cordeiro (Ap.4:10). O chão representa nossa dependência de Deus, nosso auto-aviltamento, nossa humildade. Seria por isso, que os crentes primitivos colocavam suas ofertas aos pés dos apóstolos?

Tudo o que temos e somos pode ser bênção, como também pode ser um empecilho em nossa comunhão com Deus; vai depender da perspectiva com que nos relacionarmos com isso.

Soltemos nossas folhas, e as deixemos ao sabor do vento.

Algumas delas cairão junto às nossas raízes, e ali ficarão até se decomporem. Outras, porém, serão espalhadas pelo vento, e se tornarão adubo para outras árvores. E assim, aprenderemos a depender uns dos outros, e principalmente, de Deus. Muitos são os canais pelos quais nos vem a provisão, mas a fonte é uma só: DEUS.

Sexta-feira, Março 26, 2010

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Cerimônia de Casamento super divertida!

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Jesus, Transgressor de Fronteiras

Como hebreu e legítimo descendente de Abraão, Jesus não se deixava intimidar por fronteiras criadas pelos homens. Ele as transgredia.

O texto sagrado diz que “indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia” (Lc.17:11).

Aquela era uma região conflitosa. A Galiléia era habitada por judeus, e estes, por razões históricas, não aceitavam relacionar-se com samaritanos. Essa raça mista era o triste lembrete de uma época em que seus ancestrais haviam sido levados cativos para a Babilônia.

O clima era sempre tenso naquela região. Havia animosidade em ambos os lados da divisa.

A caminho de Jerusalém, Seu destino final antes de ser crucificado, Jesus atravessa a região conflitosa.

Sua missão estava acima de qualquer zona fronteiriça. Fronteiras raciais, culturais, lingüísticas, religiosas, não se constituem qualquer empecilho aos Seus propósitos.

O texto prossegue:

“Entrando em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, os quais pararam de longe, e clamaram: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós” (vv.12-13).

A origem de muitos preconceitos é a desinformação. Naquela época, os leprosos eram discriminados e tinham que viver excluídos da sociedade. A lei determinava que se um leproso ousasse aproximar-se menos de dez metros de uma pessoa sã, deveria ser apedrejado até a morte.

Vilas eram construídas fora dos limites dos centros urbanos para abrigar os leprosos. Por perderem o convívio familiar, só lhes restava a companhia de outros leprosos. Por isso, andavam em grupo.

Somos informados pelo texto sagrado, que desses dez leprosos, um era samaritano.

Embora fosse de etnia diferente dos outros nove, algo os tornava semelhantes: a lepra. Todos haviam sido igualmente rejeitados por seus familiares e patrícios. Não fazia sentido nutrir qualquer tipo de preconceito. Só lhes restava a solidariedade.

Talvez isso explique a razão pela qual Deus permite tragédias. Elas nos unem.

Quando, por exemplo, acontece uma enchente como a que abateu o Estado de Santa Catarina recentemente, as águas não escolhem em que casas vão entrar. Elas não respeitam qualquer distinção social. As mesmas águas barrentas que entram no barraco do pobre, também invadem a mansão do rico. E assim, aqueles que antes estavam separados pela fronteira social, agora se unem pelos laços promovidos pela tragédia.

Há um ditado que diz que “pau que dá em Chico, também dá em Francisco”. E vale aqui lembrar o que diz o sábio Salomão: “Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro” (Ec.9:2a).

Que direito temos de nos achar melhores do que os outros? Quem nos constituiu juízes dos homens?

A despeito de nossa posição social ou do nosso credo religioso, há algo que nos une a todos. Trata-se de algo muito pior do que a lepra. O mal de todos os séculos. A lepra é apenas uma pálida analogia de nossa condição espiritual. Todos somos igualmente pecadores. É a lepra do pecado que nos une.

Não há, portanto, lugar pra segregação entre os homens. Cristãos, judeus, hinduístas, muçulmanos, espíritas, ateus, estão todos em um mesmo barco.

A distinção entre passageiros de primeira classe, da classe executiva e da classe econômica, perde completamente o sentido quando o piloto anuncia que o avião está caindo.

Aqueles homens tomaram uma atitude corajosa. Venceram seus medos, entraram na aldeia correndo o risco de serem apedrejados, e clamaram a Jesus.

“Jesus, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. Indo eles, ficaram limpos” (v.14).

Embora Jesus não desse a mínima para certas convenções sociais, Ele Se submetia à Lei. E de acordo com ela, somente os sacerdotes podiam atestar e ratificar a cura de um leproso. Sem o aval sacerdotal, o leproso curado não poderia voltar a viver na sociedade e retornar à sua família.

Interessante notar que em outro episódio, Jesus tocou em um leproso e o curou. Mas neste, Jesus sequer Se aproxima deles. Por quê? Não foi por medo, isso posso garantir. Mas provavelmente por precaução. Um único leproso podia passar despercebido. Mas dez leprosos chamavam muita atenção. Ser visto entre eles poderia trazer sérios problemas, principalmente agora que estava indo pra Jerusalém. Qualquer contacto com um leproso seria suficiente para que Jesus fosse impedido de entrar no Templo. E como sabemos, havia uma missão a cumprir lá, antes de Sua morte.

O que mais chama a atenção aqui é a ordem dada por Jesus: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. Eles foram curados enquanto caminhavam.

Deus age no movimento. Deus opera no caminhar.

Somos todos hebreus. Somos todos caminhantes. Não podemos encruzar os braços à espera de uma intervenção divina. Temos que atravessar as cancelas humanas, transgredir as fronteiras ideológicas, e caminhar livremente, enquanto Deus age.

“Indo eles, ficaram limpos.” Bendito seja o gerúndio que nos serve de cenário para o agir de Deus.

“Um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz, e caiu aos pés de Jesus, com o rosto em terra, dando-lhes graças e este era samaritano” (vv.15-16).

Imagino que enquanto este samaritano caminhava em direção ao templo para apresentar-se ao sacerdote, ele se lembrou de que samaritanos não são bem-vindos em Jerusalém.

Provavelmente, nenhum sacerdote vai querer recebê-lo. Mesmo livre da lepra física, ele não estava livre da lepra do preconceito.

A que sacerdote ele recorreria? A quem ele deveria demonstrar sua gratidão por haver sido curado? A resposta era óbvia: a Jesus.

“Jesus perguntou: Não foram dez os que foram limpos? Onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?” (vv.17-18).

Com esta palavra, Jesus estabelece uma nova fronteira entre os homens. Aos olhos de Deus, eles não estão separados pela raça, pela classe social, ou mesmo pela religião. A Cruz de Cristo derrubou todas as paredes. Seu sangue nos purifica de toda lepra do pecado. Mas agora, os homens se dividem em dois grupos: os gratos e os ingratos.

Os outros nove preferiram recuperar o tempo perdido. Foram correndo para suas famílias. Ou quem sabe, saíram em busca de uma nova oportunidade de constituir família. Mas aquele samaritano reconheceu sua dívida de gratidão para com Aquele que o limpou.

Quinta-feira, Março 25, 2010

2

Sintonizados com os anseios de uma sociedade pós-moderna

Creio que a Igreja do Futuro deve aprender a ouvir o coração do Mundo, isto é, se compadecer e discernir os anseios da alma humana, buscando correspondê-los.

Mas para discerni-los, temos que estar atentos, não apenas àquilo que seus lábios e atitudes dizem, mas também à sua produção cultural. Muito daquilo que o ser humano não consegue exprimir através de palavras, é comunicado através da arte e da cultura de um modo geral.

A igreja contemporânea se afastou da realidade. Parece que a forte ênfase nos carismas fez com que nos especializássemos na língua dos anjos, e desaprendêssemos a língua dos homens. Precisamos de uma espécie de tecla SAP, para discernirmos o que se passa na alma humana.

Mesmo conhecendo a fundo o vernáculo celestial, Jesus discerniu o anseio do coração de um ancião chamado Nicodemos, e falou-lhe usando sua própria linguagem. O tal “novo nascimento” foi a metáfora escolhida por Jesus para falar-lhe de uma realidade tão profunda que não encontra palavras em nenhum idioma terreno. Surpreso pela incapacidade do mestre fariseu em entender a metáfora, Jesus questionou: “Se vos falei de coisas terrestres e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” (Jo.3:12).

Jamais foi intenção de Jesus impressionar a quem quer que fosse com Seus discursos. Suas parábolas visavam facilitar a compreensão, trazer a realidade celestial para dentro da linguagem humana. Embora nossas Bíblias usem linguagem rebuscada, os textos mais próximos dos originais foram escritos no grego koiné, isto é, na linguagem das ruas.

Hoje, a igreja cristã peca por querer impressionar o mundo com uma linguagem pra lá de espiritual. Tornamo-nos um gueto com nossos próprios jargões e clichês. Achamos que nos aproximamos do coração de Deus, mas ao mesmo tempo nos distanciamos do coração do Mundo.

Para sermos, de fato, igreja do futuro, temos que ter um coração no compasso do coração de Deus, ao mesmo tempo sensível aos anseios do coração dos homens. Como profetas, trazemos a Palavra de Deus na linguagem dos homens. Como sacerdotes, apresentamos a Deus os anseios humanos na linguagem do céu.

Comunicação é isso: uma via de mão-dupla. Se quisermos ser ouvidos, temos que aprender a ouvir.

Quero tomar dois exemplos bíblicos, um do Antigo e outro do Novo Testamento.

Em Daniel 2, lemos que Nabucodonosor, rei da Babilônia, teve um sonho e ninguém conseguiu interpretá-lo. Depois de recorrer inutilmente aos magos e sábios do seu reino, chegou a vez de Daniel. O rei sequer se lembrava do sonho que tivera. Sem dúvida, interpretar aquele sonho foi um dos maiores desafios enfrentados pelo profeta. Sua vida estava em jogo, juntamente com a de todos os sábios e magos da Babilônia.

Veja aonde Daniel foi buscar orientação e discernimento:

“Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; é quem muda os tempos e as horas, remove reis e estabelece reis; ela dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz. Ó Deus de meus pais, eu te louvo e celebro, porque me deste sabedoria e força; agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei” (Dn. 2:20-23).

Estaríamos buscando em Deus o discernimento para compreendermos os anseios dos corações?Estaríamos nos interessando o suficiente por assuntos que aparentemente não nos dizem respeito?

Não há assunto ou matéria que não interesse à igreja do futuro. Tudo o que diz respeito à humanidade e seus anseios, também diz respeito a nós.

Do Novo Testamento tiramos o exemplo de Filipe e o Eunuco Etíope.

Filipe estava desfrutando daquilo que hoje seria considerado o maior sucesso que um ministério poderia alcançar. Uma cidade inteira, antes contrário a qualquer coisa que viesse dos judeus, rendera-se ao amor de Cristo através da pregação de Filipe. De repente, o Espírito Santo o envia a um lugar deserto. “No caminho viu um etíope, eunuco e alto funcionário de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adorar. Regressava, e assentado no seu carro, lia o profeta Isaías. Disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. Correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e perguntou: Entendes tu o que lês?” (At.8:27-30).

Filipe teve que deixar seu gueto, e ir para um lugar inóspito, deserto, para encontrar-se com um estrangeiro, negro e efeminado. Seus preconceitos foram postos à prova. Ao avistar o carro do Eunuco, o Espírito ordenou que se aparelhasse a ele. Pelo que tudo indica, o carro estava em movimento, e Filipe teve que correr para alcançá-lo.

Estaríamos dispostos a deixar nosso gueto religioso, nosso mundinho gospel, para ir ao encontro de gente totalmente diferente de nós?

Ao se aproximar
, a primeira coisa que Filipe notou é que aquele homem estava lendo. O que nossa sociedade tem lido ultimamente? Que filmes tem assistido? Que música tem ouvido? Ora, se não prestarmos atenção, jamais saberemos.

O Eunuco lia as Escrituras. E isso certamente facilitou o processo de evangelização. Porém, hoje o Mundo à nossa volta está repleto de todo tipo de literatura. O que é que nossos jovens estão consumindo em termos de cultura em nossos dias? A resposta a esta pergunta nos ajudará a compreender os anseios de seu coração.

Por isso, os componentes da igreja do futuro precisam se interar e se inserir na cultura popular. Em vez de ouvir música secular apenas para criticar ou mesmo , para se entreter, devemos ouvi-la em busca desses anseios.

Precisamos ser leitores vorazes. Ler de tudo, e não apenas literatura cristã. Ainda que não sejamos cinéfilos, devemos acompanhar o lançamento de filmes, bem como os programas televisivos, as peças teatrais, etc.

A cultura é uma das principais maneiras do homem expressar o que há em seu coração. E não temos que temer nos expor a ela. Lembre-se da admoestação de Paulo: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Ts.5:21). Você vai se impressionar quando se der conta de que a graça comum tem habilitado homens comuns a produzirem coisas maravilhosas. Particularmente, tenho encontrado verdadeiras pérolas em músicas seculares, que expressam não apenas o que está no coração dos homens, mas também o que está no coração de Deus.

Quando Filipe viu que o Eunuco lia Isaías, perguntou: “Entendes tu o que lês? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse, e com ele se assentasse” (vv.30-31).

Não basta correr para alcançar o carro, é necessário entrar nele. Não adianta brincar de apostar corrida com a cultura, temos que nos inserir nela. O mundo necessita de tutores dispostos a assentar-se e explicar. E este é um dos papéis atribuídos à igreja de Cristo. De que adianta distribuirmos Bíblias e literatura cristã, se não houver quem explique? E para lograrmos êxito nessa empreitada, temos que reaprender a língua dos homens.

Veja o que diz Paulo:

“Assim também vós. Se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tantas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei estrangeiro para aquele a quem falo, e o que fala será estrangeiro para mim” (1 Co.14:9-11).

Ninguém falava mais em línguas angelicais do que os cristãos coríntios. Paulo teve que tratar com isso, pois transformaram o dom de línguas numa espécie de aferidor de espiritualidade. Apesar de ser tão abundante nos dons, a igreja de Corinto era também considerada a mais carnal. O que nos torna espirituais não é a abundância de dons, e sim a abundância de amor.

Tristemente, a igreja contemporânea está muito parecida com a de Corinto. O dom de línguas tornou-se coqueluche. E quem não fala em línguas é logo taxado de carnal, ou de crente de segunda classe. Usam as línguas para impressionarem e passarem uma imagem de espiritualidade.

Paulo arremata:

“Dou graças ao meu Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. Todavia, eu antes quero falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em línguas” (1 Co.14:18-19).

Paulo parece recomendar uma economia de línguas espirituais em público, substituindo-a pelo uso de idiomas inteligíveis. Cabe aqui esclarecer que o dom de línguas recebido no dia de Pentecostes visava promover o entendimento, e não dificultá-lo.

A língua falada pelos cristãos no cenáculo não era de anjos, mas de homens. Repare no relato de Lucas:

“Todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. Correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua” (At.2:4-6).

Portanto, falar a língua dos homens é mais importante do que falar a língua dos anjos. Paulo diz ainda que quando profetizamos, isto é, falamos das coisas de cima mas na linguagem aqui de baixo, os segredos do coração dos homens “ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto”, adorarão a Deus, “declarando que Deus está verdadeiramente entre vós” (1 Co. 14: 25).

É disso que precisamos: profetas! Gente que profira a palavra de Deus de maneira inteligível, e que vá de encontro aos anseios mais profundos da alma humana. Gente como Daniel, que embora transite pelos corredores dos palácios da Babilônia, não come dos seus manjares, não negocie seus princípios, mas é capaz de discernir segredos do coração do rei, que nem mesmo ele discerne.

Nas palavras
de Paulo, o espiritual não é aquele que se isola da cultura, que vive a falar em línguas angelicais, mas sim aquele que “discerne bem a tudo” (1 Co.2:15). O espiritual de Paulo equivale ao cristão maduro de Hebreus, “que pela prática, têm as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal” (Hb. 5:14). O instrumento que ele usa para tal alcançar tal discernimento é a Palavra de Deus, “viva e eficaz (...) apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb.4:12).

Que tenhamos um coração reinista, que consiga, ao mesmo tempo, bater no compasso do coração de Deus, e estar atento e sensível aos anseios do coração dos homens.

Quarta-feira, Março 24, 2010

4

Que tal um Talibã Evangélico no Brasil?

"Religião é um excelente meio de manter as pessoas comuns calmas".
Napoleão Bonaparte


Karl Marx
tinha suas razões para classificar a religião como o ópio do povo. Quando a religião serve a agendas políticas, a interesses ideológicos de subjugação econômica, com o fim de domesticar e dominar as massas, então, de fato, ela se torna numa poderosa droga.

As duas bestas do Apocalipse nos revelam a dinâmica existente entre os poderes secular e religioso. A Besta que emerge do mar representa o poder do Império Romano, que busca consolidar-se perante as camadas populares através do respaldo da Besta que vem da Terra, o poder religioso. Esta Besta tinha a aparência de um cordeiro, “mas falava como dragão” (Ap.13:11b). As duas bestas se acasalam, provendo a união entre Religião e Estado, entre o que se convencionou chamar de poder temporal e poder atemporal.

A experiência vivida pelo Império Romano tem sido repetida ao longo dos séculos. Os poderosos buscam legitimar seu domínio através da Religião, e a Religião busca consolidar-se através do apoio dos poderes constituídos.

O Cristianismo ía bem, expandindo-se por todos os rincões, até que o Imperador Constantino resolveu anunciar sua conversão. A partir daí, o Cristianismo deixou as camadas populares, para habitar nos palácios. O que parecia um avanço foi, na verdade, um irreparável retrocesso. Por mais de mil anos, a Igreja, antes subversiva, marginal, andou de mãos dadas com o Estado, desviando-se tanto da doutrina, quanto da práxis apostólica.

A Reforma Protestante resgatou, pelo menos parcialmente, a autonomia da igreja. Digo parcialmente, pelo fato de hoje, algumas igrejas consideradas reformadas serem igrejas oficiais em seus respectivos países, como no caso da Igreja Presbiteriana na Escócia, a Luterana, mantida pelo Estado Alemão, e a Igreja Anglicana, que mantém sua subserviência à Coroa Inglesa.

E por aqui, do lado de cá do Equador, as coisas não estão muito diferentes. A cada dia assistimos à aproximação das igrejas evangélicas do Poder Público. Pastores e Bispos trocam seus púlpitos por uma cadeira no Parlamento.

Quem tem um pouco de conhecimento de História tem a sensação de já ter visto este filme antes. E sabe muito bem aonde isso vai parar.

Lutero dizia que Deus usa dois braços no Governo do Mundo: o braço esquerdo é a Lei, e representa o Estado; o braço direito é a Graça, e representa a Igreja. Ora, se esses dois braços se cruzarem, não poderão trabalhar livremente. Governo e Religião precisam manter a distância entre si. Diálogo, tudo bem. Comprometimento, jamais. A Igreja deve comprometer-e com a Justiça, com o bem-estar do ser humano, mas não com uma agenda política em particular.

Se o Brasil continuar neste caminho, corremos o risco de em breve termos que conviver com uma espécie de Talibã Evangélico.

A Igreja pode
e deve ajudar ao Estado em seus projetos sociais. Mas não deve comprometer-se partidária ou ideologicamente. Isso seria um suicídio.

Mantendo certa
distância, a Igreja preserva sua autonomia para desempenhar seu ministério profético, denunciando os erros e abusos do Estado, e trabalhando livremente nas áreas em que lhe falte competência ou eficiência.

Se cristãos sinceros e íntegros demonstrarem alguma vocação política, não vejo qualquer razão pra que eles não devam envolver-se no processo político. Mas eles devem responder por si, e não falar em nome de uma denominação religiosa.

De fato, precisamos de políticos cristãos, comprometidos com os valores do Reino de Deus. O que não precisamos é de quem represente a igreja na política. O advogado da igreja é Cristo.
Um político cristão deve lutar pela causa dos menos favorecidos, dos excluídos, da Justiça Social, da Educação, e não pelos interesses de um grupo, ou de uma denominação.

Geralmente, a chamada bancada evangélica parece muito mais preocupada com questões de cunho moral, como aborto, casamento homossexual e liberação de drogas. Infelizmente, tais pautas são usadas apenas com fins marketeiros, e para justificar perante os eleitores a sua atuação. São, de fato, bois de piranha, para desviar a atenção da opinião pública das falcatruas cometidas em suas legislaturas.

Dificilmente encontramos um político evangélico que demonstre preocupação sincera com questões sociais, como uma distribuição de renda mais justa e a reforma agrária.

Vergonhosamente, a maioria deles está lá para lutar por concessões de TV e de Rádio, por verbas de programas sociais, e principalmente, por cargos.

É por essas e outras que, na classe política, ninguém leva a sério a igreja evangélica. Ela é vista apenas como um vigoroso curral eleitoral.

Recentemente assisti a uma entrevista de um bispo-senador evangélico, que defendia que uma determinada verba destinada à Cultura, deveria ser usada na reforma de igrejas. A igreja de Cristo jamais precisou de verba do Estado. Ela é dignamente mantida pelas contribuições de seus fiéis. Tirar verba da Cultura para investir na igreja é, no mínimo, um motivo de chacota para os incrédulos.

Não são poucos
os casos de políticos, discípulos de Constantino, que ensaiam uma conversão fajuta ao Evangelho às vésperas das eleições. O povo cristão precisa deixar de ser ingênuo, e parar de acreditar nesses políticos hipócritas, que nada mais querem, senão aproveitar do seu potencial eleitoral.

Escândalos envolvendo políticos evangélicos só servem para afetar a credibilidade da mensagem do Evangelho. “Ai de onde vêm os escândalos”, advertiu Jesus.

A Igreja de Jesus não deve ser usada para se alcançar objetivos políticos. Ninguém está apto a exibir procuração pra falar em nome da igreja nos ambientes político-partidários.

Cada membro do Corpo místico de Cristo deve exercer sua cidadania com consciência, e jamais votar em alguém simplesmente por ter sido indicado por seu líder religioso.

Faz-se muito
terrorismo psicológico para forçar os cristãos a votarem no candidato apoiado pela denominação. Fala-se em casamento homossexual, como se a igreja fosse obrigada a realizá-lo, caso tal lei tramitasse e fosse aprovada pelo Congresso Nacional. Se o pastor se negasse a celebrar tal boda, seria preso, enquanto a igreja teria suas portas cerradas. Quanta imaginação! Tudo para convencer os crentes a darem seu voto ao candidato comprometido com a “visão” da igreja. Que visão é essa? Expansão do Reino de Deus e de sua justiça? Não! Expansão dos negócios da denominação. Infelizmente, esta tem sido a verdade, quase que sem exceção
Poucos políticos evangélicos têm demonstrado compromisso com a agenda do Reino de Deus. Alguns estão mais comprometidos com a ideologia partidária, do que com o Reino e a sua justiça.
Em vez de fazerem da Bíblia o seu livro de cabeceira, preferem “O Príncipe” de Maquiavel, de onde aprendem que os fins justificam os meios.

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Proibida para Menores de 18 anos

"Pensai por conta própria e deixai que os demais desfrutem do direito de fazer o mesmo". Voltaire

Um dos pilares da democracia é a liberdade de expressão. Qualquer tipo de censura é contrário ao espírito democrático. Parafraseando Voltaire, ainda que eu não concorde com as idéias de alguém, devo defender o seu sagrado direito de expressá-las.

Se impedirmos que as pessoas se expressem livremente, jamais saberemos o que há em seu coração. Estaremos forçando-as a viver hipocritamente.

Sobre isso, Jesus disse:

"Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má e o seu fruto mau, pois pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que de toda palavra frívola que os homens proferirem hão de dar conta no dia do juízo". Mateus 12:33-36.

Liberdade de expressar suas idéias, opiniões, dúvidas, anseios e temores, é condição sine qua non para que o ser humano desfrute de saúde emocional.

Entretanto, deve-se tomar cuidado para que tal liberdade não esbarre no bom senso, possibilitando denegrir pessoas e instituições, e insuflando a sociedade a cometer injustiças. Como disse o escritor e médico americano Oliver Wendell Holmes, "liberdade de expressão não dá direito a alguém de gritar 'Fogo' em um teatro lotado".

A liberdade de expressão, como todo poder, demanda responsabilidade. Não se trata de censura, ou de algum tipo de mordaça, mas de responsabilidade. Quem quer desfrutar de plena liberdade de expressão, tem que estar disposto a arcar com a responsabilidade sobre aquilo que diz e faz.

Todo ser humano tem o direito de discordar, questionar, argumentar e defender suas idéias. Ninguém deve ser privado desse direito, nem mesmo no ambiente eclesiástico.

Uma das coisas que mais me atraem nas Escrituras é a franqueza e honestidade com que são expostos seus personagens e suas respectivas histórias. Encontramos de tudo nas páginas do texto sagrado: homicídios, genocídios, estupro, incesto, adultério, corrupção. Jamais foi propósito de Deus jogar a poeira pra debaixo do tapete. A mesma Bíblia que fala dos feitos heróicos de Davi, também revela suas ambigüidades, seu adultério, sua péssima atuação como pai, etc. Deus não poupou nem aquele que fora chamado de “o homem segundo o coração de Deus”.

Recentemente, houve uma campanha em Hong Kong, para que a Bíblia fosse proibida para menores de 18 anos, por causa de seu conteúdo explícito e impróprio para mentes imaturas.

Qual deveria ser nossa postura como cristãos diante da censura? É certo censurar obras de arte? É ético conceder ao Estado o direito de dizer o que deve ou não ser acessível ao público?

Ora, se os cristãos resolvermos pressionar o governo a promover algum tipo de censura nos meios de comunicação, devemos estar preparados para sermos vítimas do próprio feitiço. Deveríamos ser gratos a Deus pela liberdade de expressão que a democracia nos garante.

Todavia, convém lembrar que essa estrada tem mão dupla. Assim como queremos opinar sobre assuntos controversos como o homossexualismo, o aborto, e outros, devemos estar prontos para ouvir e receber com humildade as eventuais críticas e opiniões contrárias a nosso respeito.

Não podemos,
simplesmente, querer calar a boca de quem pensa diferente de nós. Somos uma sociedade pluralista, e devemos ser agradecidos por isso. Pergunte a quem vive em um país islâmico fundamentalista o que acha da liberdade de que usufruímos em nosso país.

Prensa na Imprensa

A imprensa deve ter completa isenção para publicar a verdade sem parcialidade. Nenhum órgão de imprensa deveria estar ideologicamente comprometido. Infelizmente não é isso que constatamos. Já que esse ideal parece não ser alcançável, somente os articulistas dos jornais deveriam expressar suas opiniões particulares, e a direção deveria restringir-se a expressar suas opiniões em seus editoriais. Porém, os repórteres deveriam limitar-se a publicar as notícias com isenção e sem parcialidade.

Deve-se dar a notícia, e deixar que o leitor faça sua própria interpretação.

Quando João, o Batista, enviou dois de seus discípulos para conferir se Jesus realmente era o Messias, ou se deveriam continuar esperando, Ele respondeu: "Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho" (Mt.11:4-5). Jesus não disse que sim, nem disse que não. Apenas pediu que eles reportassem a João tudo o que haviam visto Jesus fazer. O Mestre sabia que João encontraria a resposta tão logo recebesse a reportagem dos seus discípulos.

Não se pode subestimar a capacidade de compreensão que as pessoas têm, nem tampouco achar que devamos pensar por elas. Deixemos que tirem suas próprias conclusões. Não as manipulemos, nem as façamos aderir às nossas opiniões.

Idéias devem ser concebidas, e não adotadas

Foi Sócrates, o grande filósofo grego, que criou um método de ensino chamado maiêutica, que significa "o parto de idéias", em homenagem à sua mãe, que era parteira. Na maiêutica, Sócrates estimulava seus alunos a dar à luz novas idéias. Em vez de lhes dar respostas fáceis, pré-fabricadas, mastigadas, Sócrates lhes respondia sempre com uma nova pergunta. Seu objetivo era que o discípulo encontrasse a resposta por si mesmo, e assim, se sentisse pai daquela idéia.
Uma idéia adotada é facilmente abandonada. Mas uma idéia parida, concebida pela própria pessoa, dificilmente é descartada.

Jesus usava método semelhante em Seu ministério. Muitas das perguntas que lhes eram feitas, eram respondidas com outras perguntas.

Quem defende a liberdade de expressão, deve igualmente defender a liberdade de pensamento.

Concordo com o Prof. Dr. José Luiz Furtado, que em seu texto “O que significa pensar’, conclui: “Se é verdade que o pensamento constitui a essência do homem, então nossa época é paradoxal. As informações circulam em quantidade surpreendente, através de meios de comunicação cada vez mais sofisticados e eficazes. Entretanto, a liberdade de expressão, quando reduzida à liberdade de imprensa, parece caminhar em sentido contrário à liberdade de pensamento. No momento em que tudo pode ser dito e comunicado, quase nada do que se veicula pela mídia é verdadeiramente pensado.”

O papel da imprensa é dar a notícia, mas jamais manipular a opinião de seus leitores.

Internet e livre acesso à informação

Foi em 1844 que Samuel Morse ajudou a anunciar o início da era da comunicação, ao telegrafar de Washington para Baltimore a frase que foi imortalizada: “Que obra fez Deus!”

Era o início de uma revolução, um caminho sem volta. A estrada da comunicação tem mão dupla: liberdade de expressão deve vir acompanhada de livre acesso à informação.

Com o advento da internet em anos recentes, muitas barreiras tiveram que ceder à liberdade expressão e ao livre acesso à informação. Mesmo países onde a censura ainda prevalece, internautas têm acesso quase ilimitado às informações contidas na grande rede mundial de computadores.

Acredita-se que, até 2020, a Internet vá dar acesso à soma total da experiência humana neste planeta, o conhecimento coletivo e a sabedoria dos últimos cinco mil anos de história registrada.

A revolução que estamos presenciando vai afetar a sociedade humana de maneira mais profunda e abrangente do que a revolução industrial.

Espero que a igreja de Cristo saiba usar esta poderosa ferramenta, não para impor a verdade a ninguém, mas simplesmente para dar a boa notícia de que Cristo está reinando soberanamente, conclamando aos homens a que se reconciliem com Ele. Deixemos ao Espírito Santo o papel de convencer e converter os corações.

Terça-feira, Março 23, 2010

6

Afinal, de que lado você está?

Você já se viu no meio de uma disputa entre pessoas que deveriam se amar? Você já se sentiu pressionado a tomar partido por alguém, tendo que posicionar-se contra o outro que também é seu amigo?

Como administrar este tipo de conflito, onde ambos parecem ter razão?

Paulo se viu numa situação semelhante com os cristãos em Roma. De um lado da arena estavam os cristãos judeus, que traziam consigo toda uma bagagem cultural, tradições milenares, e uma boa dose de legalismo. Do outro lado estava os recém-chegados gentios, que abraçaram a fé em Jesus sem o ranço judaizante, porém tranzendo sua própria cosmovisão.

Era como se dois universos paralelos se colidissem. No meio dessa colisão estava Paulo, um judeu convertido a Cristo, que também usufria de cidadania romana. Quanto tato Paulo teve que ter para lidar com a situação! Quanto jogo de cintura! Ele não podia simplesmente tomar partido pelos judeus, ou pelos gentios. Seu trabalho seria promover a reconciliação pelo exercício da diplomacia. Poderia parecer até que estivesse em cima do muro, ou que fosse um homem de fronteiras, mas na verdade, era um reconciliador, um diplomata do reino.

Em vez de tomar partido, Paulo aponta as qualidades e vicissitudes de ambas as partes, convidando-as ao convívio amistoso patrocinado pelo amor.

A discussão ali girava em torno da dieta alimentar e da guarda de um dia santo (sábado), além da circuncisão. Para os crentes judeus, os gentios deveriam submeter-se a esses regulamentos para pertencer à comunidade cristã. Durante os primeiros capítulos da epístola endereçada aos romanos, Paulo deixa claro que para Deus não há diferença entre judeus e gentios. Ambos são carentes da mesma graça (Rm.3:22-29). Foram vários capítulos dedicados a demonstrar a inutilidade da justiça própria, e a caducidade de regras impostas pela lei, como por exemplo, a circuncisão.

Podia parecer que Paulo se colocara em favor dos gentios, e contra seu próprio povo. Mas como “pau que dá em Chico, também dá em Francisco”, chegara a hora de mirar o outro lado.

Referindo-se àqueles que já haviam compreendido a abrangência da graça, e que já não estavam sob o jugo da lei, Paulo diz:

“Ora, quanto ao que é fraco na fé, recebei-o, mas não para condená-lo em questões discutíveis" (Rm.14:1).

É claro que Paulo tinha uma posição firme acerca dessas coisas, porém, tais questões ainda eram “discutíveis” para aqueles que não as tinham compreendido plenamente.

“Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come, e o que não come não julgue o que come, pois Deus o recebeu por seu"(vv.2-3).

Se da parte dos judeus, havia quem julgasse os gentios que não se submetiam às ordenanças da Lei, da parte dos gentios havia que desprezasse quem o fizesse. Ambos estavam igualmente errados. Ninguém tem o direito de julgar, tampouco de desprezar. O fato de havermos recebido uma compreensão mais acurada acerca da graça de Deus não nos faz melhores ou superiores àqueles que ainda não a receberam.

“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para o seu próprio Senhor ele está em pé ou cai. E estará firme, pois poderoso é Deus para o firmar" (v.4).

O que nos firma os pés não é o nível de conhecimento adquirido, e sim o fato de Deus nos ter recebido como Seus. Ele é que é poderoso para nos firmar. Por isso, não temos o direito de nos estribar em nosso próprio conhecimento. Muito mais do que conhecer a Deus, o que realmente importa é ser conhecido por Ele.

Paulo prossegue em seu argumento:

“Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, pois dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus" (vv.5-6).

Muito mais peso do que a ação em si tem a motivação por trás dela. Vejo pessoas que se abstém de certas coisas que a meu ver não têm qualquer valor. Posso discordar delas, mas não posso julgá-las. Só Deus conhece suas motivações. Não acho, por exemplo, que uma mulher que sirva a Deus necessite abrir mão de cuidar de sua aparência, freqüentando salão de beleza, academia, etc. Também não acredito que seja errado para um homem cuidar de sua aparência, e, principalmente de sua saúde. Mas não tenho direito de me sentir superior à quem prefere abster-se disso. Pois quem assim faz, para o Senhor o faz.

Posso discordar de certas práticas, mas não posso julgar a intenção de quem as adota. Posso até argumentar no afã de fazê-lo compreender um pouco mais dos desígnios de Deus, mas não me atrevo a sentir-me superior, mirando-o de cima pra baixo. Da mesma forma, tal pessoa não tem o direito de julgar-me por não adotar suas práticas.

Afinal, “nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor (...) De modo que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (vv.7-8, 12).

Tal postura, porém, não tem a pretensão de endossar ensinos legalistas que mantém as pessoas sob um jugo insuportável de regras e ordenanças. Em muitos textos Paulo simplesmente detona tais ensinos (Confira Fp.2:8-23). Mas aqui, Paulo não está falando com líderes, e sim com pessoas que precisam aprender a conviver com quem pensa de maneira diferente. Ele está tratando com uma comunidade heterogênea, onde seus membros teriam que aprender a co-existir pacificamente.

Para mantermos os elos que nos unem intactos, temos que aprender a lidar com as diferentes opiniões de maneira sóbria e modesta, sem jamais impor nossos pontos de vista. Veja o que ele diz mais sobre isso:

“Portanto, não nos julguemos mais uns aos outros. Antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda. Mas se alguém a tem por imunda, então para esse é imunda"(vv.13-14).

Não é fácil lidar com subjetividade. Minhas certezas não devem servir de tropeço ou escândalo pra ninguém. Então, às vezes, é melhor abrir mão do direito de opinar, até que as pessoas tenham alcançado maturidade para entender o que agora não compreendem.

A liberdade que a graça me confere deve ser delimitada pelo amor que tenho a meus irmãos. Devo viver uma espiritualidade ex-cêntrica, isso é, em que o centro gravitacional não seja meu “eu”. Devo aprender a viver em função daqueles por quem Cristo morreu.

Se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu (…) Não destruas por causa da comida a obra de Deus" (v.15,20a).

Este princípio tem múltiplos aplicativos. Por exemplo: gosto de ir à praia com minha família. Não vejo qualquer mal nisso. Porém, se estou em meio a irmãos que se escandalizariam com isso, prefiro abster-me de algo que aprecio, só para não ser tropeço para os mais fracos de consciência. Não se trata de hipocrisia, mas de amor.

É claro que há assuntos que são centrais, e que não devem ser alvo de qualquer transigência. Porém, há outros que são, no dizer de Paulo, discutíveis. Deixemos, portanto, que o amor nos restrinja a liberdade, haja vista que o bem comum é mais importante do que o nosso bem-estar particular.

Se todos pensassem e agissem assim, de quantas divisões o Corpo de Cristo seria poupado? Quantas igrejas se dividiram por causa de assuntos periféricos? A quantidade de água ideal para o batismo, se o jejum deve ser total ou parcial, se o pão da Ceia deve ser ázimo ou não, se as mulheres podem ou não exercer cargos eclesiásticos, etc. E assim, destruímos a obra de Deus por causa de preferências pessoais.

É mais fácil renunciar a um vício do que renunciar ao direito de ter razão. Ninguém quer dar o braço a torcer! Porém, no reino de Deus, quem vence não é quem tem razão, mas quem tem amor, não é quem dá a última palavra, mas quem se silencia para não causar escândalo.

Paulo prossegue:

"Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Pois também Cristo não agradou a si mesmo" (Rm. 15:1-3a).

Muitas das discussões e desavenças na igreja não se dão por amor à verdade, mas por amor próprio. Todos querem provar que estavam certos, e em contrapartida, o outro lado estava errado. Só o amor nos faz enxergar o outro dentro de sua própria ótica, levando em consideração seu background, seu histórico, e as circunstâncias em que vive. É relativamente fácil julgar a árvore pelos frutos, mas quem se dá ao trabalho de avaliar primeiro suas raízes? Em que terreno ela foi plantada? Como foi cultivada?

Só poderemos abrir mão de termos sempre a razão quando formos batizados no amor. E será este amor que nos concederá uma boa dose de paciência para que suportemos a fraqueza uns dos outros. Paulo arremata:

“Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, concordes e a uma voz, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, recebei-vos uns aos outros, como também Cristo vos recebeu para a glória de Deus" (vv.5-7).