
Segunda-feira, Novembro 30, 2009
Exmos e Revmos Corruptos

O Último Discurso
"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unâmo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"
Charles Chaplin
Domingo, Novembro 29, 2009
Fazendo do mundo um lugar melhor
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Sábado, Novembro 28, 2009
Consumo, logo existo
Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. “Quem trouxe a fome foi a geladeira”, disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc.A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.
É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.
A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.
O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.
Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígine cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia?
Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela…
Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de “com mercê”, com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.
Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. “Nada poderia ser maior que a sedução” – diz Jean Baudrillard – “nem mesmo a ordem que a destrói.” E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. “Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático”, respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”
Frei Betto
Via Saúde Alternativa
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Thanksgiving e Black Friday

Espiritualidade Alienante
Milhões de pessoas vivem uma espiritualidade alienante, ocupando-se exclusivamente com questões espirituais e sobrenaturais, enquanto fazem vista grossa às questões ordinárias da vida. Vivem à beira de uma espiritualidade esquizofrênica, ignorando que a vontade do Pai deve ser feita “assim na terra, como no céu”, conforme a oração ensinada por Jesus.Perdemos o contacto com a realidade que nos circunda. Há irmãos sinceros que demonstram tamanha sensibilidade para as coisas espirituais, que freqüentemente dão testemunho de visões angelicais. Alguns testemunham acerca de supostos arrebatamentos, e relatam entusiasticamente suas excursões ao paraíso. A impressão que se dá é que tais pessoas buscam uma espécie de fuga da realidade. Geralmente, são pessoas muito simples, que vivem em comunidades carentes, desprovidas de qualquer infra-estrutura.
Suas experiências espirituais são a maneira de responderem à mensagem escapista que ouvem nos púlpitos de suas igrejas.
Se não há nada que se possa fazer para mudar as coisas neste mundo, o que fazer? Imaginar que haja outro mundo, oposto a tudo o que vemos aqui, parece uma saída plausível.
Em vez de incentivar os crentes a descruzarem os braços e trabalharem pela transformação do mundo, tal posicionamento estimula a indiferença, e a desesperança quanto ao futuro da humanidade.
Há pregadores que afirmam categoricamente que as coisas precisam piorar, para que Jesus Se apresse em retornar à Terra.
Ora, se o mundo está prestes a pegar fogo, por que nos preocupar com o seu futuro? Por que nos preocupar com questões como distribuição de renda, preservação do meio-ambiente, educação, ética nas pesquisas científicas, e etc.?
A igreja entrou de sola no negócio de ganhar almas, e assim, “povoar o céu”. Porém, a igreja primitiva estava envolvida em outro empreendimento: transformar o mundo.
Qualquer espiritualidade que não esteja comprometida com a realidade, está a serviço dos poderosos deste mundo, e é completamente dispensável para Deus.
Celebrações dominicais, vigílias, congressos, campanhas evangelísticas, se tornam apenas em passatempo, incapazes de estreitar nossa comunhão com o Criador. Ele mesmo é quem protesta:
“De que me serve a multidão dos vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados (...) Quando virdes à minha presença, quem requereu isto das vossas mãos, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs! O incenso é para mim abominação, e também as luas novas, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade, nem o ajuntamento solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece. Já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço. As vossas mãos estão cheias de sangue; lavai-vos, e purificai-vos. Tirai a maldade dos vossos atos de diante dos meus olhos! Cessai de fazer o mal, e aprendei a fazer o bem! Praticai o que é reto, ajudai o oprimido. Fazei justiça ao órfão, tratai da causa das viúvas”. ISAÍAS 1:11a,12-17
Estamos craques em oferecer cultos que são verdadeiros shows, com direito a efeitos especiais e tudo mais. Mas será que Deus tem recebido nosso culto? Será que Ele Se deixa impressionar com nossas parafernálias tecnológicas?
De um lado encontramos igrejas extremamente litúrgicas, onde a forma se sobrepõe ao conteúdo. Do outro lado, temos as igrejas modernas, desprovidas de ritos, mas preocupadas em apresentar um show que vá de encontro aos anseios do homem moderno.
As pessoas não são incentivadas a oferecer culto a Deus, mas a serem tão-somente expectadoras. Elas vão à busca de bênçãos, e não para oferecerem a Deus suas vidas, seus dons, seu serviço.
Ao despedir-se dos crentes, o ministro pronuncia a bênção apostólica, mas não lhes comissiona a mudar a realidade.
Miquéias expressa a preocupação que todos deveríamos ter com relação ao culto que prestamos a Deus:
“Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de miríades de ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão? O fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom. E o que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?” MIQUÉIAS 6:6-8
O sacrifício que Deus espera de nós é “fazer o bem e repartir com os outros” (Hb.13:16). Tal é a Justiça do Reino de Deus.
Que todos os crentes que lotam os mega-templos de hoje em dia, ouçam o clamor do Criador: “Pois eu quero misericórdia, e não o sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os.6:6). Não é Deus quem precisa de nossa misericórdia, e sim os necessitados deste mundo. Servi-los é servir a Deus.
E o critério pelo qual seremos julgados um dia é a misericórdia que houvermos demonstrado ao nosso semelhante. Por isso, bem-aventurados são os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Se quisermos agradar a Deus, temos que praticar a justiça, e amar a misericórdia, em vez de Lhe oferecer cultos desprovidos de sinceridade.
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Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Razões de sobra para agradecer
Um dos indicadores de maturidade espiritual se encontra na oração. À medida que amadurecemos, o número de pedidos diminui, na proporção em que aumenta o número de ações de graça.Terça-feira, Novembro 24, 2009
Antes que as pedras clamem!
Precisa-se de profetas mostrando a impotência dos rituais religiosos para mudar realidades. Mas eles devem ter a coragem de Isaías para proclamar: “Parem de trazer ofertas inúteis!... Não consigo suportar suas assembléias cheias de iniqüidade... Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei !” (Is 1.13) Requerem-se profetas com o dedo em riste , avisando que o jejum que Deus quer não é abstinência de comida, mas o esforço para se restabelecer a justiça : “Será esse jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinza ? É isso que vocês chamam de jejum, um dia aceitável ao Senhor ? o jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça , desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo ? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado , vestir o nu que você encontrou , e não recusar ajuda ao próximo?" (Is. 58.5-7).
Precisa-se de profetas que fujam da picada da mosca azul. O Brasil carece de homens que não tenham preço. É necessário surgirem profetas que, a exemplo de Micaías, não permitam que seus nomes constem na folha de pagamento dos poderosos. Josafá, rei de Judá, desejou firmar uma aliança com o rei de Israel, mas antes procurou consultar a Deus. Acabe tinha cerca de 400 profetas assalariados. Josafá se intrigou com a unanimidade e pediu para se aconselhar com alguém independente. Havia Micaías, que estava preso. Ao buscá-lo, o mensageiro advertiu: “Veja, todos os outros profetas estão predizendo que o rei terá sucesso. Sua palavra também deve ser favorável”. Micaías, porém, respondeu: “Juro pelo nome do Senhor que direi o que o SENHOR me mandar” (1 Rs 22).
Precisa-se de profetas que não alicercem seus ministérios em manifestações sobrenaturais de sinais, mas que estejam contentes de poderem transmitir a verdade de Jesus. Que sejam como João Batista, pois nenhum milagre se fez por intermédio dele, mas tudo que ensinou a respeito de Jesus era verdade (Jo 10.14) . Quem dera se mais homens falasse como Paulo : “Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria, nós, porém , pregamos a Cristo crucificado, o qual , de fato , é escândalo para os judeus e loucura para os gentios , mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e a sabedoria de Deus" (1 Co 1.22).
Precisa-se de profetas que saibam lamentar como Jeremias e chorem porque o processo de evangelização brasileiro priorizou salvar almas e não pessoas; prometeu o céu, mas descuidou em gerar ações trasnformadoras da história, gastou recuros financeiros em proveito da própria instituição e desperdiçou oportunidades de ser referência ética. O Brasil precisa de mais profetas chorões. Só eles saberiam fazer a espiritualidade ser mais solidária com os miseráveis da terra.
Os dias são difíceis. Oremos para que se levantem pregoeiros da justiça antes que as pedras comecem a clamar.
Pão & Circo ou Justiça, Paz e ALEGRIA?

Vivemos na Era do Entretenimento, e não poucas vezes confundimos a sensação de sermos entretidos com a genuína alegria.
Foram os romanos que concluíram que a melhor maneira de manter a ordem social do império era distraindo seus cidadãos com todo tipo de entretenimento. O império gastou fortunas na construção de estádios, teatros, banhos públicos, etc. Tudo para garantir a boa ordem. Surgia, então, o lema “Pão & Circo”, tão vastamente adotado por outros modelos de domínio político ao longo da História.
Você sabia que muitas leis importantes, contrárias ao bem comum, são votadas discretamente durante o período de comemorações populares, como os eventos esportivos de grande magnitude? Aproveita-se enquanto o povo está distraído, celebrando, entretido, para engendrar todo tipo de projetos danosos à população.
Portanto, podemos afirmar que o entretenimento serve à manutenção do Status Quo. Porém, o reino de Deus levanta outra bandeira, a da alegria. Contrariando o espírito do império romano, Paulo escreve aos seus cidadãos: “Pois o reino de Deus não é comida nem bebida, mas JUSTIÇA, PAZ e ALEGRIA no Espírito Santo” (Rm.14:17). Era como se Paulo dissesse: O Reino de Deus não é Pão nem Circo! Em vez disso, a proposta do reino de Deus se resume na tríade: Justiça, paz e alegria.
Poderíamos falar muito mais sobre a justiça e a paz. Porém neste ensaio, quero ater-me à alegria, revelando-a como antítese do entretenimento.
Enquanto o entretenimento serve ao Status Quo, fazendo nuvem de fumaça para que ninguém perceba todo tipo de injustiça cometida, a alegria no Espírito é resultado da implementação da justiça, que por sua vez, produz também a paz. Veja o que diz o profeta Isaías: “E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre” (Is.32:17). O sábio Salomão dá o arremate: “A execução da justiça é alegria para o justo” (Pv.21:15). Assim como a Trindade Divina é indissolúvel, esta tríade também o é. Sem justiça não há paz, e sem paz, não há alegria.
As pessoas se entretêm para esquecer os problemas. A alegria do Espírito é a celebração consciente da paz e da justiça.
Esta alegria pode ser celebrada mesmo antes que se veja manifestada a justiça do reino, pois é alimentada pela certeza de que em breve ela se manifestará plenamente. Como cristãos, nossos olhos se voltam para o futuro, nos fazendo vislumbrar uma Era em que a justiça e a paz se beijarão (Sl.85:10). Nossa celebração, portanto, é movida pela fé, pela certeza de que Deus tem as rédeas da História bem seguras em Suas mãos, e que, por fim, a justiça prevalecerá contra a iniqüidade, e o amor sobre o ódio. No dizer de Salomão, “a esperança dos justos é alegria” (Pv.10:28). Portanto, ela é a celebração antecipada que se justifica na certeza da esperança e da fé. Assim como Mirian fez ressoar seus tamborins tão logo os hebreus atravessaram o Mar Vermelho, quarenta anos antes de adentrarem a Terra Prometida, os cristãos celebram a justiça do Reino de Deus, antes mesmo que se manifeste plenamente entre os homens.
Não há nada de mais entreter-se. O que não se deve é eleger o entretenimento como o objetivo de nossa existência.
Quem não sonha com uma casa na praia, deitado numa rede estendida na varanda, tomando água de côco? Se acharmos que isso é que é felicidade, estamos conformados aos valores sobre os quais nossa civilização foi edificada. Estamos na contramão do Reino de Deus.
O alvo de nossa existência deve ser atingir o propósito estabelecido por Deus para as nossas vidas. A felicidade tão sonhada deve ser encarada como um bônus, e não como um alvo supremo a ser perseguido. Já foi dito que felicidade não é o destino, mas a jornada. Encontramos a felicidade à medida que percebemos que nossa existência cumpre a um propósito maior e mais abrangente que ela.
Deveríamos nos envergonhar de ter elegido coisas banais como aquilo que nos traz alegria. Posses materiais, formação intelectual, e tantas outras coisas deveriam ser vistos como instrumentos pelos quais podemos servir aos outros, e não como bens supremos.
Nossa relação com Deus não deve ser pautada na expectativa de resultados benéficos para nós mesmos. Nem sempre nossos anseios serão alcançados.
Veja a conclusão a que chega o profeta Habacuque:
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, ainda que o produto da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimento, ainda que as ovelhas sejam exterminadas, e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” (Hab. 3:17-18).
Um dos efeitos colaterais da chamada teologia da prosperidade é a profunda frustração experimentada pelos crentes quando suas expectativas não são alcançadas. Para eles, Deus é como um gênio da lâmpada, que existe para atender aos seus pedidos.
Habacuque nos convida a experimentar uma relação com Deus, onde nossa alegria é preservada independente dos resultados. Qualquer um poderia parafrasear esta oração, contextualizando-a à sua realidade. “Ainda que eu fosse demitido do meu emprego... que meu casamento resultasse num divórcio... que meu corpo se fragilizasse a ponto de adoecer... todavia eu me alegrarei no Senhor! Nada mais subversivo que isso! Isso explica como os cristãos primitivos eram capazes de entregar seus corpos ao martírio, sem com isso se deprimirem, ou mesmo, acusarem a Deus de ser injusto.
Deus é a fonte de nossa alegria. Todas as demais coisas são passageiras, e quando muito, meros canais pelos quais Deus manifesta Seus cuidados. Às vezes esses canais ficam obstruídos, porém a fonte jamais deixa de jorrar.
Quando Davi se viu ameaçado de perder tudo, inclusive seu reino, por causa do seu pecado, ele orou:
“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a ALEGRIA DA TUA SALVAÇÃO, e sustém-me com um espírito voluntário. Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão” (Salmos 51:10-13).
Ele não fez questão de preservar seu trono, suas posses, sua posição. Em vez disso, Davi suplicou para que o Espírito de Deus não Se lhe ausentasse. Rogou para que lhe fosse restituída a alegria da salvação.
Hoje em dia, fala-se muito em restituição. As pessoas oram como se cobrassem de Deus: Senhor, eu quero de volta o que é meu! Quanto atrevimento! Sabe o que elas estão declarando com isso? Que seus corações estão nas coisas que possuíam, e que eventualmente vieram a perder.
Já ouviu alguém rogando por este tipo de restituição? Senhor, restitui-me a alegria da tua salvação!
Não se trata da salvação em si, uma vez que esta é um dom irrevogável. Ninguém é salvo segunda vez (no sentido soteriológico da palavra). Mas trata-se da alegria desta salvação.
Quando perdemos a alegria da salvação, começamos a buscar compensação. É como uma mesa em que uma das pernas está mais curta que as outras, precisando de um calço.
O que tem empurrado muita gente para o pecado é a ausência desta alegria. Então, compensam na pornografia, no caso extraconjugal, na jogatina, etc.
Sabe por que muitas igrejas só enchem quando oferecem algum tipo de entretenimento aos seus membros? Simplesmente porque esses perderam a alegria de Sua salvação. Os pastores são obrigados a recorrer a todo tipo de estratégia, quer campanhas mirabolantes, bailes gospel, e outros. A palavra por si só já não exerce qualquer atração sobre tais cristãos. Bem diferente de Jeremias, que declarou: “Achadas as tuas palavras, logo as comi; elas me foram gozo e alegria no coração, pois pelo teu nome me chamo, ó Senhor, Deus dos Exércitos.” (Jeremias 15:16).
O completo desinteresse dos cristãos pela Palavra revela o quanto perderam da alegria da salvação. Alguns cultos têm uma hora e meia de música e apenas dez minutos dedicados à Palavra. E quando o pastor começa a pregar, as pessoas começam a bocejar de sono, se levantam para ir ao banheiro, conversam entre si. É uma calamidade!
Outros só se alegram com o espetáculo. Tem que haver exorcismo, com demônios sendo subjugados, com manifestações extraordinárias. Sem isso, as pessoas não se dão por satisfeitas. O pastor parece encarnar o personagem principal do filme "O Gladiador". O púlpito se torna a arena, onde os poderes das trevas são desbancados pelo poder da unção na vida do homem de Deus.
Quando os discípulos voltaram de sua primeira empreitada missionárias, contavam com alegria sobre os sinais que haviam protagonizado. Como que jogando um balde de água fria em seu entusiasmo, Jesus disse:
“Mas não vos alegreis porque os espíritos se vos submetem, alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus. Naquela mesma hora ALEGROU-SE Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas. Assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes. Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vedes, e não o viram, e ouvir o que ouvis, e não o ouviram” (Lc. 10:20-24).
É claro que há um elemento espetacular no anúncio das boas novas do Reino. Jesus disse que se os espíritos se Lhe submetiam, era porque era chegado o Reino dos Céus. Até aí, tudo bem. O problema é quando o espetáculo se torna um fim em si mesmo. Ficamos viciados nisso. Torna-se mais um entretenimento. Em vez disso, devemos nos alegrar por ter nossos nomes arrolados no céu. O que significa isso? Alegrar-se na salvação que nos alcançou em Cristo Jesus. Alegrar-nos por havermos sido escolhidos a dedo por Deus, a fim de que por nós Sua justiça e paz alcancem a todos.
Algo me chama a atenção nesse texto de Lucas. Preste bem atenção: “Naquela mesma hora alegrou-se Jesus no Espírito Santo”. Isso te diz alguma coisa? O que provocou em Jesus tamanha alegria? Basta ler a continuação do texto para obtermos a resposta. Jesus agradece ao Pai por haver escondido tais coisas aos sábios e revelado aos pequeninos. E voltando para discípulos, parabenizou-os porque muitos reis e profetas gostariam de ver o que eles viam, e ouvir o que ouviam. A alegria sentida e expressada por Jesus se devia à revelação que o Pai Lhe confiara, e agora havia sido partilhada com os Seus.
Pastores, não se deixem seduzir pelos aplausos! Não façam da pregação uma performance em busca de auto-afirmação.
A mesma alegria que sentimos ao devorarmos a Palavra, alimentando-nos dela, deveríamos sentir quando a compartilhamos com os demais. Quão gratificante é ver o brilho nos olhos, o semblante de satisfação naqueles que a recebem. Não tem dinheiro que pague. Este é o meu salário como pregador. Nossa alegria aumenta cada vez que a partilhamos com os demais.
Continua...
Um Striptease da Igreja
Espero que ninguém se escandalize com meu striptease! rs
Não deixem de assistir à primeira e as demais partes desta mensagem.
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
Se o Mundo tivesse somente 100 pessoas
Louvor: Mantendo acesa a chama!
Eis um tema muito badalado em nossos dias, principalmente entre evangélicos e católicos carismáticos. Apesar de se explorar o assunto quase à exaustão, pouco do que tem sido dito possui fundamento teológico sólido ou mesmo uma argumentação racional.| Reações: |
Domingo, Novembro 22, 2009
Geração que dança, e daí?
“E seremos a geração que dança. E seremos a geração que canta.” E daí? Grande coisa. Vamos ser honestos, quem sonhava com isso? Eu não. Sei lá, mas eu sonhava com algo tipo missões, ganhar almas, marcar minha geração, morrer pelo evangelho. Pode me chamar de José se quiser, o sonhador, não me importo, pois não coloco muito valor na palavra, ou melhor, na crítica de alguém que depois de muitos anos ainda está tentando pular como um coelho nas conferências realizando seu sonho de ser a geração que canta e dança. Deus me livre!Eu acho que a coisa que mais me irrita hoje, além do lixo sendo pregado nos púlpitos, é que foi isso que nós vendemos para uma geração; uma geração que está agora casada, barriguda, e que nem dança mais, pois tem medo de enfartar. Caraca, o que aconteceu? Onde nós erramos? Era tanto potencial e disposição e agora é “comunhão na casa de Fulano”.
Quando era para enviarmos eles, nós seguramos, pois queríamos o grupo maior da cidade.
Eles queriam ser missionários, então ensinávamos umas peças, pintávamos seus rostos e os levavámos para a praça mais perto para que pudessem ser completamente humilhados e nunca falar de missões de novo. Só pra saber, “Aquilo era missões?”.
E agora tem entrado uma nova geração e nós estamos cometendo os mesmos erros e pecados. Quando olhamos para os jovens da igreja, é obvio que temos falhado em capturar seus corações e imaginações. Nós temos falhado em dar a eles uma razão de viver, uma causa pelo que dar as suas vidas. Nós temos falhado em mostrar algo a eles tão importante que vale a pena morrer por ele.
Quando você olha nos seus olhos não há fogo, não há vida. Vida para eles é quatro horas na frente do computador batendo papo com seus amigos virtuais. Mas eles não têm nada que queima no coração deles, que lhes façam sair da cama de manhã, que lhes possua. Eles não têm nada pelo que viver e bem menos nada pelo que morrer.
Nós falávamos para eles que Deus queria usá-los e depois os fechamos em prédios com bandas, pizza e luzes coloridas para gastar a noite dançando e cantando enquanto o mundo lá fora está passando fome, morrendo e indo para o inferno. Será que era a isso que estávamos referindo quando falávamos que “Deus queria usá-los”? Será que não tem mais? E se eles mostram uma preocupação com aqueles fora da “terra protegida”, nós falamos que não são preparados, que sua hora vai chegar. Por enquanto, é festa e alegria. Pegue mais um pedaço de pizza.
Nós falávamos para eles que podiam mudar o mundo enquanto eles nem sabem como mudar as suas próprias vidas. E em vez de confrontá-los pela maneira que vivem e seus valores, nós mudamos a estrutura da igreja para acomodá-los. Nós criamos “namoro santo” e colocamos “play stations” na sala de oração. Mas, não muito tempo depois, a nossa estrutura não os satisfazia mais. Em vez de treiná-los, nós os temos entretido. Em vez de desafiá-los, nós os acomodávamos e acabávamos frustrando-os e perdendo-os, pois a verdade é que não era isso que eles queriam.
Cada geração precisa de uma bandeira pra levantar, uma causa pra abraçar, algo para dar as suas vidas, mas em algum lugar no caminho somente Jesus e a salvação deixaram de ser suficientes. Somente alcançar os perdidos parecia ser algo comum demais. Então, nós começamos falar em milagres e mortos ressuscitando. Nós tentamos criar coisas melhores, mais barulhentas, mais animadas, projetos que íam no fim fazer nada mais do que ocupar seu tempo e os fazer pensar que estavam fazendo algo enquanto não estavam realizando nada. Nós críamos uma geração que canta e dança, mas não faz nada mais do que isso, e eles sabem disso. Ninguém foi enganado e eles ainda estão tentando se descobrir e achar seu propósito, sua razão de viver, e morrer.
Preguiçoso, desinteressado, não produtivo: termos que muito bem podem ser usados para descrever essa geração que uma vez tinha esperança em ser usada e marcar o mundo. Mas, por quê? Por que nós não demos nada pra eles fazerem de verdade. E vamos ser honestos, esperar é ruim. É agora ou nunca. Nós os desafiamos agora, nós os treinamos agora, nós investimos neles agora, ou nós os perdemos para sempre.
• 75% dessa geração estão deixando a igreja para não voltar mais.
Considere isso uma carta de um velho que chora para a juventude, que lamenta tanto potencial perdido, que quer pedir seu perdão.
Pr. Jeff (Via Geração Benjamim)
Sábado, Novembro 21, 2009
Não quero ter que voltar ao primeiro amor

Não quero ter que voltar ao primeiro amor
Pois não pretendo deixá-lo passar
Me recuso a chamar-Te "Senhor, Senhor!"
Sem de fato atender Teu chamar
Eu prefiro não ter que pedir perdão
Nem ter razão pra me arrepender
Mas se eu ferir o Teu coração
À Tua Graça vou recorrer
Que meu amor por Ti aumente mais e mais
Pois só em Ti encontro tudo que me satisfaz
Que jamais me atreva a olhar atrás
O que minh'alma almeja é ser aquele que Te apraz
Não me importo com o que digam
pra mim tanto faz
Que os que me persigam
um dia acolham Tua paz
Senhor, Senhor, Senhor
Batiza-me no Teu Amor!
Senhor, Senhor, Senhor
Autor: Hermes C. Fernandes em 21/11/2009
Cuidado com a cabeça! O bumerangue sempre volta!
Recentemente tive a oportunidade de comprar um bumerangue por uma pechincha, numa garage sale*. Pra quem não conhece, o bumerangue é uma espécie de arma usada pelos aborígenes da Austrália para caçar cangurus. Sua característica principal é que ele sempre volta contra quem o arremessou. Se o caçador não tiver habilidade para pegá-lo de volta, poderá sair machucado com um golpe na cabeça.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Que mundo maravilhoso do lado de fora!
Uma vez eu ouvi o pastor-professor Eugene Peterson fazendo reminiscências sobre uma excêntrica mulher chamada irmã Lychen. Quase toda semana, na igreja da infância de Peterson – que encorajava palavras proféticas – , essa frágil mulher se levantava e dizia algo desse tipo: “O Senhor me revelou que eu não verei a morte até que ele retorne em glória para me levar ao seu encontro no ar”.Um dia, para o desespero de Eugene, sua mãe o chamou para fazer um lanche de biscoitos caseiros na casa da irmã Lychen. Trêmulo, Eugene bateu à porta. A própria irmã Lychen, com a pele pálida, cheia de veias, e um rosto esquelético, o convidou para experimentar os biscoitos. Ela lhe serviu um copo de leite, e o garoto comeu nervosamente os biscoitos em quase total escuridão – a irmã Lychen mantinha suas cortinas fechadas o dia inteiro.
Depois, Peterson disse, ele teve uma fantasia. Ele se viu correndo para dentro da casa da irmã Lychen e arrancando todas as cortinas. “Olha lá para fora!”, ele chorava. “Veja, tem um álamo ali, e uma águia no topo dele”.
Foi esse mundo completamente bom do lado de fora, mais do qualquer outra coisa, que me trouxe de volta à fé cristã. Eu vim de uma infância com uma imagem distorcida de Deus: um superpolicial carrancudo que parecia esmagar quem estivesse vivendo bons momentos. Desde então, eu passei a conhecer Deus como um caprichoso artista que preenche o mundo com criaturas como porcos-espinhos, jaritatacas, e javalis, e que presenteia o mundo com flores silvestres e peixes tropicais mais belos que qualquer invenção artística exposto em qualquer museu de arte.
Francis Collins, fundador e diretor do Projeto Genoma Humano, vê a mão de Deus na imensa dupla hélice do código de DNA. A autora vencedora do prêmio Pulitzer, Annie Dillard, vê isso nas criaturas que nadam e mergulham no rio Tinker Ceek, nas montanhas de cume azul da Virgínia. De escritores naturalistas como John Muir, Henri Fabre, Loren Eiseley, e Lewis Thomas, eu adquiri a apreciação por um Artista Mestre em quem eles podem até não acreditar; suas observações precisas e reverentes me ajudaram a abrir as cortinas para mim.
Eu conheci um pastor no Barein que pode identificar pela visão 2.000 espécies de conchas, e um missionário na costa rica que reuniu uma coleção de espécies de todo o mundo de borboletas e mariposas. O historiador da igreja Mark Noll observa que a canção “Turn Your Eyes upon Jesus” falha plenamente ao dizer, “E as coisas da terra crescerão, estranhamente ofuscarão / Na luz da Sua glória e graça”. Não, ele diz, o resto do mundo cresce claramente, e não de forma obscura, na luz de Cristo. Deus criou a matéria; em Jesus, Deus se uniu a ela.
O japonês-americano Mako Fujimura se deparou com uma oportunidade incomum no rastro do desastre do World Trade Center. artista de nível mundial e pensador cristão, Mako mora alguns quarteirões depois do Grau Zero, num bairro povoado por artistas. Depois do 11/09, com muitos artistas fechando suas casas e estúdios, Mako abriu um estúdio público e o dedicou como um oásis de colaboração dos artistas do Grau Zero.
Nessa época, muitos artistas estavam produzindo trabalhos que pretendiam chocar, a maioria cheia de obscenidades e violência. De repente, a realidade superou a criatividade: o que aconteceu no próprio bairro deles era muito mais obsceno e violento do que tudo que eles já imaginaram. Na segurança do estúdio de Mako, esses artistas redescobriram outros valores – beleza, humanidade, bondade – e seus trabalhos começaram a refletir isso. Gretchen Bender, um artista vanguardista que trabalhou para “decodificar o gênero e a sexualidade” começou fazendo um tipo diferente de criação. Ela dobrou centenas de origamis brancos em formato de borboleta e os arrumou em um belo formato, inspirado em um vôo real de borboleta depois de ela ter enfrentado dias como o 11/09. Gretchen chamou isso de o “momento da ressurreição”.
Por seis meses, os artistas fizeram exibições, performances teatrais, recitação de poemas e orações conjuntas nesse seguro local. Como Mako comentou mais tarde, “Nossa capacidade imaginativa acarreta a responsabilidade de trazer cura, tanto quanto ela acarreta a responsabilidade de representar a angústia”. A igreja certa vez se candidatou a administrador da cultura, seu patrono e também como seu guia. Se nós ignorarmos o mundo fora das nossas paredes, nós sofreremos mais do que seus habitantes.
Texto de Philip Yancey (via Cristianismo Hoje)
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Por dentro temos todos a mesma cor!

Nosso Deus é carente ou narcisista?
Um dos nomes pelos quais Deus Se apresenta nas Escrituras é El Shadday, que significa "O Auto-suficiente", isto é, "Aquele que de nada carece", ou ainda "Pleno em Si mesmo". Ora, se Ele não tem qualquer carência, por que exige que O amemos? E ainda, por que ordena que O adoremos? Seria isso um tipo de narcisismo divino? Absolutamente, não!Creio que nosso amor e nossa adoração não Lhe acrescentem nada. Ele é perfeito. Também não estamos servindo a um Deus que busque auto-afirmação, ou que Se contente em ser bajulado. Ele sabe exatamente quem Ele é. Então, por que Ele não ordenou apenas que amássemos aos nossos semelhantes? E por que o amor a Ele deve vir em primeiro lugar? Isso não demonstraria algum tipo de narcisismo divino? Algum capricho injustificável? Não! Não posso aceitar tal hipótese. Deve haver alguma razão plausível para isso.
Quando me apaixonei por minha esposa (já vai fazer 24 anos!), comecei a apreciar o que ela apreciava. Aos poucos, até meu gosto musical mudou. Quando amamos alguém de todo o nosso coração, passamos amar o que ele ama.
As Escrituras dizem que Deus ama a justiça e aborrece a iniqüidade (Is.61:8). E somente amando-O de todo o nosso coração, amaremos o que Ele ama, e detestaremos o que Ele detesta (Sl.97:10). Nosso coração passa a bater no compasso do coração de Deus. Não seria por isso mesmo que Davi era chamado de "Homem segundo o coração de Deus"?
E quanto à adoração? Por que devemos adorá-lO?
As mesmas Escrituras dizem que o adorador se torna semelhante ao seu ídolo (Sl.115:8). Basta verificar a tendência que nossos jovens têm de copiar seus ídolos pop.
Toda adoração começa pela contemplação e admiração. Quanto mais contemplamos a beleza de Seu caráter santo e justo, mais O admiramos. E quanto mais O admiramos, mais O adoramos, e buscamos, ainda que inconscientemente, nos assemelhar a Ele.
E quanto ao louvor? Há um distinção entre louvor e adoração. Nós O adoramos pelo que Ele é, e O louvamos pelo que Ele faz. Ora, Deus não carece de elogios. O próprio Jesus afirmou que não buscava glória dos homens. Então, por que devemos louvá-lO? Para que jamais nos esqueçamos de Suas obras, e assim, permaneçamos fiéis a Ele. O que Ele fez no passado não pode cair no esquecimento, mas deve ser constantemente relembrado através de louvores e ações de graça. Ao recordarmos Sua obra, despertamos em nós a esperança de um futuro promissor. Afinal, Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Há uma continuidade em Suas obras, pois visam a execução de um propósito muito mais abrangente, que culminará na restauração de todas as coisas.
Portanto, Ele não carece de ser amado. Porém, nós que precisamos amá-lO, a fim de aprendermos a amar a justiça, e tudo quanto Ele ama: nosso semelhante, nossos inimigos, e a criação como um todo. Ele não necessita ser adorado. Porém nós necessitamos adorá-lO, a fim de nos tornarmos semelhantes a Ele. Ele não necessita ser louvado, mas nós precisamos louvá-lO, a fim de não perdermos de vista Seus maravilhosos feitos, e Suas extraordinárias promessas.
Por isso, amemos, adoremos e louvemos ao nosso Deus, de todo o nosso coração, de todo nosso entendimento, e com todas as nossas forças.
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Por que os enganadores prosperam?
