Segunda-feira, Agosto 31, 2009

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Tempos Modernos



Como Lulu Santos, também acredito num futuro melhor.

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O Choro e o Amor próprio

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mateus 5:4).

Deste versículo extraí duas verdades que passarei a dissertar:

1- Felizes os que se entristecem
2- Infelizes os que não choram



Choro pela constatação

O choro causado pelo confronto com a realidade é fator fundamental no tratamento da alma. Só quem é capaz de confrontar-se, constatar e lamentar (chorar) sua condição, é capaz de mudar a realidade por mais desfavorável que seja. É bem por isso que são Felizes os que se entristecem por suas mazelas.

Triste é aquele que não se enxerga: ninguém mais agüenta suas repetidas piadas sem graça, mesmo assim ele acha que está abafando; seu casamento está indo à ruína, mas toda culpa é da mulher, pois ele não vê defeito algum em si mesmo. O problema é que o amor próprio o impede de ver quem é, conseqüentemente, acaba com qualquer chance de mudança e evolução. Por fim, quando a pessoa percebe a insignificância que seu amor próprio a levou, resta-lhe apenas o escapismo. Então, quanto mais vazia e infeliz ela estiver, mais procurará os dez-prazeres da vida que possam lhe fazer sorrir em meio à vida infeliz e desgraçada. Infelizes os que não choram.


Choro de arrependimento

“Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha. Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram” (Isaias 57:17,18).

O amor próprio é a antítese do arrependimento e nos faz permanecer no caminho infeliz de nossa escolha. Afinal, o que dirão se eu reconhecer meu erro? O que pensarão se me vir ferido, infeliz, acabado, chorando, arruinado? Ora essa! Mas o que importa não pensarem isso, se isso já é realidade? De fato o choro é incompatível com o amor próprio! Bem aventurados os que choram do caminho da sua escolha, pois Ele lhes dará consolação.


Choro de compaixão

“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Romanos 12:15,16).

O orgulho é prole do amor próprio. Condescender é mais do que simplesmente chorar com o humilde, é sim fazer-se de mesma descendência, é irmanar-se na sua aflição, é comungar do choro e sua causa. Uma verdadeira solidariedade.

Por falar nisso, o orgulho é antítese da solidariedade. Afinal, condescender com o humilde fere o orgulho de qualquer sábio aos próprios olhos.

É bem verdade que a Bíblia não relata a palavra solidariedade. Mas, o conceito da palavra está exaustivamente impresso em suas páginas. Ser solidário é, segundo os dicionários da língua portuguesa, aquele que partilha o sofrimento alheio, ou se propõe mitigá-lo. Cristo foi além disso, e não só compartilhou o sofrimento que não era seu como entregou sua vida por sofrê-los.

Ainda segundo os dicionários, solidariedade é a responsabilidade de cada um de muitos devedores pelo pagamento total de uma dívida. Aqui aprendo que o problema do montante de nossa dívida para com nossa terra e nossa gente não se resolve se cada um pagar o valor referente à dívida que causou. O problema só se resolverá se cada um se responsabilizar por toda dívida, não apenas por sua cota na dívida. Assim seremos solidários não só com quem também está pagando, como estaremos nos solidarizando aos que não podem pagar sua cota, ou mesmo nem sabem que a deve. Jesus se solidarizou pagando o total da dívida que ao homem era impossível pagar.


“Jesus chorou. Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava” (João 11:35-36).

Os judeus se enganaram. Jesus não chorou por Lázaro. Jesus chorou por quem e com quem estava chorando a perda de Lázaro. Jesus chorou por nós que choramos nossos Lázaros. Ele, como Deus, sabia que ressuscitaria Lázaro. Mas como homem, sentia a dor da perda que sentimos na morte de um parente ou amigo. Bem aventurados os que choram com os que choram. Parecem-se com Cristo.

Domingo, Agosto 30, 2009

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O Fracasso do Sucesso

O economista Jeremy Rifkin, escritor do livro "O Fim dos Empregos" afirmou, há quase uma década, que o futuro do mercado de trabalho convencional, como até então se conhecia, estava com os dias contados. O fato devia-se a busca frenética, por parte das empresas, da expressiva redução dos custos de produção com vistas a tornar bens e serviços cada vez mais competitivos e lucrativos, o que só seria possível, com uma significativa eliminação de postos de trabalho. Infelizmente, ele tinha razão. O desemprego é hoje uma realidade global, sobretudo, em grande parte do continente europeu e nos países subdesenvolvidos do resto do mundo.

Foi dentro deste cenário, respaldado por autores consagrados como Philip Kotler e Jerome McCarthy, que surgiu o marketing pessoal. De forma simplista, trata-se da geração de ações promocionais de valorização pessoal que colocam o profissional no lugar certo, na hora certa, com vistas a proporcionar as organizações, ou pessoas para quem trabalhe satisfação plena e, para si mesmo, novas e constantes oportunidades.

Rapidamente ações de marketing pessoal tornaram-se uma “febre” no mercado. A tônica era a seguinte: você é um produto! Por isso, venda-se bem se quiser ser “consumido”. Para tornar o slogan marketeiro realidade, um sem número de ações passou a fazer parte da vida de profissionais e executivos, indo desde investimentos no network relacional, até aos cuidados com a higiene e a aparência.

Como sabemos, muito do que acontece no âmbito empresarial acaba sendo copiado, logo em seguida, pela igreja institucional. Com o marketing pessoal não foi diferente. O que tenho visto, no circuito da música, por exemplo, são “cantores gospel” gastando muito dinheiro na contratação de empresas especializadas para realizar, através de shows, a divulgação de “seus trabalhos”. Pastores estão, cada vez mais, atrás de fórmulas profissionais para promover “seus” próprios “ministérios”. Talvez estejam em busca de uma comunidade maior, melhor, e que lhes pague mais dinheiro. Observo “igrejas” atraindo pessoas, com eventos de prateleira feitos sob medida, como se elas fossem apenas “consumidoras” de produtos eclesiásticos, sempre com o objetivo de manter aquecido o rentável e maravilhoso “mercado da fé”.

Sobre este assunto, Karina Bellotti, professora, doutora em história cultural, que lançou um livro sobre o fenômeno do movimento evangélico brasileiro, fala em recente entrevista a uma revista secular, que “Desde os anos 1990, ser evangélico virou um evento midiático, que trouxe visibilidade a esse grupo social, e que atualmente vem passando também pela construção de um mercado consumidor de produtos...: música gospel, personagens infantis como Smilingüido, artistas que se converteram, etc.”.

Não desejo mais prosseguir com isso... Permita-me, apenas, ir as Escrituras. “Passadas estas coisas, Jesus andava pela Galiléia, porque não desejava percorrer a Judéia, visto que os judeus procuravam matá-lo. Ora, a festa dos judeus, chamada de Festa dos Tabernáculos, estava próxima. Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo”. Jo. 7:1-4.

O contexto da passagem não requer grande exegese. Está claro que a própria família do Senhor não acreditava no Seu ministério, pelo menos, não do jeito que ele estava sendo conduzido. De fato, eles podiam ver as obras que Jesus realizava, mas isto, por si só, não era suficiente para “catapultá-lo” no “mercado da fé”. O problema, na minha ótica, residia em duas questões principais: (1) Ele não estava agradando boa parte do Seu público – “...visto que os judeus procuravam matá-lo”; e (2) Seus feitos não tinham grande visibilidade – “...se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo”. Fico pensando: será que a família de Jesus estava lendo Kotler?

Para mim, não é difícil entender porque eles estavam tão descontentes! A questão é que Jesus realizava o anti-marketing pessoal: trabalhava em silêncio e comportava-se com discrição. Não raras vezes exortou àqueles que foram curados para não declarar nada a ninguém. Sim, Ele tinha um propósito, e este não era agradar as pessoas e nem, muito menos, divulgar-se a Si mesmo – “...a minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”, Jo 4:34. A razão de Sua existência, como Deus-Homem, era executar uma missão que, aos olhos naturais, estava encoberta, mas, ao ser manifesta, revelaria com que grande amor Deus amou os humanos caídos.

Quero denunciar algo de forma profética: há um “espírito” enganoso pairando sobre todos nós! Ele intenta nos levar a cometer dois terríveis erros: pregar um “evangelho” que agrade as pessoas, e não o Evangelho que as leve ao arrependimento, mediante a ação soberana do Espírito Santo, e buscar a promoção de nossos próprios ministérios, como se de nós mesmos pudéssemos realizar algo, ao invés de promover o Reino de Deus e a Sua justiça.

Eu imagino que todos nós já lemos a carta de Tiago. Nela nos deparamos com a dura realidade de que somos tentados pelas nossas próprias cobiças. Esse desejo de auto-promoção não é coisa nova, mas, pelo contrário, sempre esteve presente na história humana e, não raras vezes, está exposto e patente na própria Escritura, para advertência nossa, imagino eu.

Permita-me lhe fazer uma pergunta e, se possível, responda-me com a máxima honestidade: você já foi tentando a utilizar o marketing pessoal no seu ministério? Não? Pois eu já fui! Aliás, ainda sou e, provavelmente, amanhã o serei. É minha fraqueza. Talvez, até, a de outros também. Mas a bíblia afirma: “o que confessa, se arrepende e deixa, alcançará misericórdia”. Eis, então, a minha pública confissão...

Já estou com mais de 40 anos; 42 para ser exato. O sentimento é o de quem chegou a metade da existência de mãos vazias. Como já disse em outros textos, aos 40 a gente se sente meio que no meio do nada. Instala-se dentro de nós, sem qualquer permissão, a famosa crise da meia idade, onde sofre-se pelo o que não se foi, e anseia-se pelo que não se pode ser.

Olho para o “meu” ministério achando que ele é meu. Sinto o tempo passando... Dá uma certa angústia... Muitos dos que caminhavam comigo, alguns dos quais eu mesmo discipulei, foram ordenados bem antes de mim e, portanto, já realizaram mais obras do que eu. O tempo não para... Indago-me: o que vou dizer ao Senhor? O que vou apresentar a Ele naquele último dia? Eu sei que a obra de Deus é no ser, não no fazer, pois fazer é sempre conseqüência do ser. Mas sinto uma agonia... Vem de dentro para fora. E o tempo devorando tudo... Minhas certezas viraram dúvidas; o que um dia foi chão, agora é só poeira; aquilo que me parecia alcançável, distanciou-se tanto, que já nem posso ver.

Na minha arrogância, fico pensando: tanto potencial, com tão pouca utilização. Que grande desperdício! Inquieto-me. Preciso fazer algo, mostrar ao mundo que eu estou aqui, pronto, e à disposição. Eu poderia estar escrevendo livros, artigos para revistas, poderia estar pregando em congressos ou gravando CD’s. Queria viajar, abrir Igrejas, ir para a TV, fazer isso, aquilo e aquilo outro... Aí vêm os questionamentos: "a quem estou querendo promover? Com que propósito eu fui ordenado? Que ministério é este que Deus me deu?" Em seguida, reflito comigo mesmo: "isto está me fazendo mais mal do que bem". E é no meio desta contradição que ouço a voz suave do Espírito: “eu te atraí com cordas humanas, com laços de amor; sou para ti como quem alivia o jugo...”.

Num mundo feito para os campeões, como disse o Gondim, eu sei que sou apenas um “perdedor”. Queria chegar ao lugar mais alto do pódio, mas sinto-me como quem está afundado num tremedal de lama. Ó, Senhor, livra a minha alma! Não me permita sucumbir em meus próprios devaneios. Livra-me, Senhor, de mim mesmo! Salva-me dos meus próprios planos! Ajuda-me a ser como João Batista, que desejava te ver crescer, ainda que, para tal, ele tivesse que diminuir. Contudo, eu Ti confesso: como é difícil fazer a Tua vontade...

Quero compartilhar o que, a duras penas, tenho aprendido: há um tipo de sucesso que nada mais é do que fracasso, pois é na humilhação do ser que Deus é exaltado. Vivo dias em que o Senhor está arrazoando comigo. Sim, Ele me chamou, exatamente como fez com Jó, para uma conversa franca e aberta sobre os segredos do coração e os propósitos da existência. É inevitável não lembrar de Jeremias: “esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o Senhor”. Sim, Pai, deixe-me retornar. Quero voltar ao primeiro amor. Permita-me, apenas, promover o Teu Reino, pregar a Tua mensagem e engrandecer o Teu nome. Não seria isso bastante para mim?

Lembrei-me, também, de Filipe... Sim, Filipe, o diácono que deixou o avivamento de Samaria para pregar a um eunuco solitário, no meio do deserto. Já pensou que coisa mais maluca? Sair do meio da multidão para ir para o nada! Gente se convertendo, milagres acontecendo e, cadê o Filipe? Sumiu! Logo agora? No meio deste evangelismo de impacto? Trio elétrico tocando, ministério de dança, teatro, pregação de cura, libertação e, cadê o homem? Foi pregar para o eunuco! Que eunuco? Onde? Por quê? Que loucura é esta mensagem da cruz! Quão insondáveis são os caminhos desse Deus que ama os perdidos.

“A minha graça te basta, pois o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Eis onde está a minha esperança! Sucesso, sem Deus, é fracasso; vitória, sem Deus, é derrota; alegria, sem Deus, é tristeza; riqueza, sem Deus, é miséria. Obrigado, Senhor, porque um dia Tu me chamaste das trevas para a luz. Sim, Pai, muito obrigado porque me destes um motivo para viver, um propósito para existir e uma mensagem para pregar. Tudo é Teu! Tudo veio de Ti, e para Ti voltará. Por isso, Sole Deo Gloria!

Meus amigos de jornada, para mim chegou o momento de abandonar a teoria, pois está mais do que na hora de caminhar no caminho, e não apenas falar dele. No final, eu sei, permanecerá apenas a fé, a esperança e o amor. Tudo o mais passará, até mesmo a vida.

Portanto, Senhor, minha oração é que Tu me dês força para os braços e pernas, para que eu possa Ti servir com alegria, reverência para que o coração seja sempre agradecido, pacificado na graça, e um espírito manso, humilde e quebrantado, para fazer hoje, amanhã, e enquanto em mim houver fôlego de vida, a Tua vontade. E que, para tal, Tu me concedas a nobreza de aceitar ser aquilo que desejas, e não aquilo que eu quero ser...

Sola Gratia!

Carlos Moreira [ via A Nova Cristandade ]

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Luz, câmera, ação! Uma vida sem clichês

Devo confessar: Sou um cinéfilo. A sétima arte me fascina. Enquanto assisto a um bom filme, sinto-me como se deixasse o cronos, e adentrasse numa outra esfera temporal. Aprendi a admirar um bom filme pela fotografia, pela direção, pela atuação dos atores, pelos efeitos especiais, pela trilha sonora, mas principalmente, pelo roteiro. Sou bem eclético. Não importa qual seja o gênero do filme, desde que não seja cheio de clichês.

Gosto de filmes de comédia, drama, épicos, mas os que mais me fascinam são os filmes de suspense. Gosto de sentir a adrenalina que acompanha a expectativa pelo inusitado.

Quando adentro a sala de projeção, quero ser surpreendido por um roteiro inovador. Aquela velha fórmula do mocinho que aparece pra salvar a mocinha não funciona pra mim. Nada é mais entediante do que um roteiro previsível. O filme pode ter uma direção impecável, com atores extraordinários, mas se for recheado de clichês, eu acabo dormindo. Nem a pipoca com coca-cola me mantêm acordado!

Quando assisti ao novo filme do Batman, saí da sala comentando com meu filho: Isso é que é filme! Quase cada tomada vinha com uma surpresa. Nada acontecia como previsto. De perder o fôlego!

O ser humano tem uma fixação por surpresas. Parece que fomos feitos já com esta expectativa vinda de fábrica. Estávamos bem aconchegantes e protegidos no ventre de nossa mãe, e de repente... surpresa! Nascemos, ou melhor, estrelamos. A partir daí, nossos olhos ficam sempre atentos em busca de novas surpresas.

Uma vida desprovida de surpresas é um tédio insuportável. Se as surpresas não vêm naturalmente, procuramos por elas, e até as provocamos. Queremos aventura. Queremos ser surpreendidos.

Recuso-me a acreditar que o roteiro escrito por Deus para a minha vida seja cheio de clichês, de lugar-comum. Quero ter o que contar aos meus netos. Quero dar trabalho ao meu biógrafo. Quero fazer valer à pena. Então, que venham as surpresas!

E se minha vida um dia virar filme (quanta pretensão!), não quero ninguém dormindo no cinema.

Sábado, Agosto 29, 2009

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Stairway to Heaven - Uma Escada para o Céu



Estou convencido de que compete à igreja de Cristo agenciar a aproximação entre as gerações. Assim como o ministério de João Batista deveria converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais, preparando assim o caminho para o Senhor, a igreja de Cristo deve preparar o caminho para Seu segundo advento. E isso não se dará de outra maneira que não seja convertendo o coração de uma geração à outra reciprocamente.

O problema é que a igreja cristã se desconectou da realidade à sua volta. E quanto mais se distancia do mundo, mas é invadida pelos mesmos problemas que o assolam.

Cá entre nós, parece que a igreja contemporânea tem feito o inverso de Jacó: em vez de transformar seu travesseiro em altar, tem transformado o altar em travesseiro. O que tem sido pregado em muitos púlpitos parece servir como uma canção de ninar cujo objetivo é manter a igreja alienada das questões importantes enfrentadas pela sociedade na qual está inserida.

Na visão de Jacó havia uma escada que ligava o céu à terra, e por onde desciam e subiam seres angelicais. Interessante que meses depois do festival, Led Zeppelin, banda celebrada pela juventude da época e que se negou a participar de Woodstock, gravou Stairway to Heaven (Escada para o Céu), um dos seus maiores sucessos.

Leia com atenção a letra desta canção e veja se Deus não usou esta banda secular para dar um puxão de orelhas em Sua igreja:

Há uma senhora que acredita
Que tudo o que brilha é ouro
E ela está comprando uma escada para o céu
Quando ela chega lá ela descobre
Que se as lojas estiverem todas fechadas
Com apenas uma palavra ela consegue o que veio buscar
E ela está comprando uma escada para o céu

Há um cartaz na parede
Mas ela quer ter certeza
Porque você sabe que às vezes as palavras
têm duplo sentido
Em uma árvore a beira do riacho
Há um rouxinol que canta
Às vezes todos os nossos pensamentos estão errados.

Isto me faz pensar
Isto me faz pensar

Há algo que sinto
Quando olho para o Ocidente
E meu espírito chora ao partir
Em meus pensamentos tenho visto
Anéis de fumaça atravessando as árvores
E as vozes daqueles que ficam parados olhando

Isto me faz pensar
Isto realmente me faz pensar

E um sussurro avisa que em breve
Se todos entoarmos a canção
O flautista nos levará à razão
E um novo dia irá nascer
Para aqueles que suportarem
E a floresta irá ecoar gargalhadas

Se há um alvoroço em sua horta
Não fique assustada
É apenas limpeza primaveril da rainha de maio
Sim, há dois caminhos que você pode seguir
Mas na longa estrada
Há sempre tempo de mudar o caminho que você segue
E isso me faz pensar

Sua cabeça lateja e não vai parar
Caso você não saiba
O flautista te chama para você se juntar a ele
Querida senhora, pode ouvir o vento soprar?
E você sabia?
Sua escada repousa no vento sussurrante

E enquanto corremos soltos pela estrada
Com nossas sombras mais altas que nossas almas
Lá caminha uma senhora que todos conhecemos
Que brilha luz branca e quer mostrar
Como tudo ainda vira ouro
E se você ouvir com atenção
A canção irá finalmente chegar a você
Quando todos são um e um é o todo
Ser uma rocha e não rolar
E ela está comprando uma escada para o céu...


Que senhora seria esta da canção? Não seria a mesma para quem João dedicou a sua segunda epístola? Sim, esta senhora eleita é a igreja.

A igreja de Cristo esteve presente na luta pelos direitos civis, representada, sobretudo, por Martin Luther King, Jr. Esteve presente nas campanhas anti-escravagistas e muitas outras lutas pelo bem comum. Mas em Woodstock ela se ausentou por completo. Nessa época ela se divorciou da realidade. Foi quando Hal Lindsay lançou “A agonia do grande Planeta Terra”, tornando a escatologia dispensacionalista numa febre entre os cristãos. O mundo estava com os dias contados. Não havia razão para que os crentes se envolvessem com mais nada. Então, por que se preocupariam com o que acontecia àquela geração. À época, muitos pais tiraram seus filhos da escola, por acharem que todo esforço seria inútil. Ainda hoje presenciamos os efeitos colaterais desta teologia.

Woodstock depôs contra nós diante do Trono de Deus. Ficamos tão embasbacados com o céu, que perdemos de vista a base da escada: a terra.

Ela não prestou atenção no cântico do rouxinol. Não percebeu que as canções entoadas pela aquela multidão de jovens expressavam os gemidos e anseios de uma geração sedenta de Deus.

Como ficamos tão ensimesmados que não conseguimos ouvir este clamor? Onde estávamos enquanto aquela geração suplicava: Trabalhe em mim, Senhor!? (Música cantada por Janis Joplin em Woodstock).

Você já parou pra prestar atenção nos que seus filhos andam ouvindo ultimamente? O que nossa juventude tem cantado? O que isso nos indica?

Assim como os pais precisam estar atentos aos filhos, a igreja precisa atentar-se para o mundo.
Perdemos aquela geração. Criticamos, julgamos, sentenciamos, mas não a acolhemos.

O flautista não parou de tocar. Mas será que temos ouvido Sua melodia?

Nossa geração é bem semelhante à contemporânea de Jesus, que segundo Ele era “semelhante a meninos que se assentam nas praças e gritam aos seus companheiros: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes”.

Temos que mudar nosso olhar para o mundo. Temos que mudar nosso olhar para os nossos filhos.

Se eles dançam, dancemos com eles. Se lamentam, choremos com eles.

Mas em vez disso, criamos nossa subcultura, afastamo-nos de tudo o que não recebe o selo “evangélico”, ou “cristão”. E por causa disso, não conseguimos ouvir o Flautista e nem o canto do rouxinol.

Desprezamos as lamentações que nos vêem em forma de canção, e julgamos os que ainda encontram alguma razão para dançar.

Estamos mais preocupados com o alvoroço que acontece em nossa horta, e com isso, perdendo a habilidade de ouvir o ecoar das gargalhadas da floresta.

Somos uma geração imediatista. Por isso, preferimos plantar hortas a bosques. Queremos tudo pra aqui e agora. Não temos paciência de esperar até que as árvores cresçam e frutifiquem. Esquecemos que serão nossos filhos que colherão delas.

Espero que este artigo lhe deixe pelo menos com a cabeça latejando.

* Este artigo é a continuação do artigo "Deus esteve em Woodstock".

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Aprendendo com as Estações 2 - O Inverno

O Inverno é a estação menos colorida, quando o azul do céu dá lugar ao cinza, o canto dos pássaros é substituído pelo ruído do vento gélido que sopra por entre os galhos nus das árvores, cujas folhagens caíram no Outono.

Inverno é tempo de frio, muito frio. Tempo que aproxima as pessoas, para que se aqueçam mutuamente. Tempo de aprendermos a depender mais uns dos outros. Afinal de contas, “um só como se aquentará?” (Ecl.4:11).

Durante essa estação, as pessoas são mais propensas a andar abraçadas, dormir juntinhas; tudo para se proteger do frio.

O frio também pede que nos agasalhemos. E dependendo de sua intensidade, quanto mais roupa, melhor.

Ninguém, por mais durão que seja, está disposto a enfrentar as baixas temperaturas de peito aberto, e corpo exposto.

O frio dissipa as energias vitais, e nos torna mais vulneráveis ao ataque de vírus, razão pela qual tanta gente fica resfriada durante essa estação.

Para manter a energia em nosso corpo, precisamos nos proteger do frio. E uma das maneiras de fazê-lo é nos agasalhando. E não basta um simples casaco. Às vezes precisamos de toca, luvas, roupas íntimas de material mais denso, e etc.

O apóstolo Paulo recomenda que, como eleitos de Deus, santos e amados, nos revistamos de “compaixão, de benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade”. E que, além disso, devemos suportar uns aos outros, perdoando-nos mutuamente. E sobre tudo, devemos nos revestir de amor (Col.3:12-14).

Sem todo esse “cobertor”, torna-se impossível mantermos uma vida de comunhão com nossos semelhantes, de maneira que nos aqueçamos mutuamente durante os dias de inverno espiritual. Esta cobertura que Paulo nos propõe em Colossenses encontra paralelo com a Armadura de Deus, da qual devemos nos revestir para resistirmos no dia mal (Ef.6). Precisamos estar protegidos de cima a baixo. Nenhuma parte de nossa vida pode ficar exposta ao frio. E depois de todas as providências (meias grossas, tocas, luvas, camisetas por baixo da camisa, etc), devemos tomar nosso sobretudo: o amor.

Durante a estação do Inverno, várias espécies de animais, principalmente de pássaros, migram para regiões mais quentes.

Eles não possuem bússola, nem mapas, mas sabem exatamente que caminho tomar, tanto na ida, quanto na volta.

Tal fenômeno nos remete ao fato de que, como cidadãos do Reino, somos peregrinos na Terra. Estamos em constante Êxodo. Somos verdadeiramente hebreus (caminhantes, cruzadores de fronteiras).

Não é debalde que somos chamados de filhos de Abraão, o primeiro Hebreu. A Escritura afirma que ele, “pela fé peregrinou na terra da promessa, como em terra alheia” (Hb.11:9). Observe: embora a terra fosse dele por herança, ele não se apegava a ela. Era dele, mas como se fosse alheia. Tal deve ser nossa relação com tudo desse mundo. Paulo diz que tudo é nosso (1 Co.3:21-23), porém, recomenda na mesma epístola, que os que têm, devem agir como se nada possuíssem (7:30).


Não há qualquer problema em desfrutarmos das coisas deste mundo. O problema é quando estabelecemos uma relação de posse com elas. Toda relação de posse é recíproca. Isto é, aquilo que dizemos possuir, na verdade nos possui. Por isso, temos que estar livres, leves e soltos, como os pássaros que migram durante o Inverno, sem levar nada em suas patas. Ou alguém já viu um pássaro voando com bagagem?

A migração em massa de animais (principalmente pássaros) durante essa estação também pode representar nosso retorno à Fonte Primeva, Deus. É tempo de nos arrependermos, e alçarmos vôo na direção do sol, do Sol da Justiça.

Outros animais, como ursos, hibernam nesse período, reduzindo grandemente sua atividade metabólica. Hibernar é entregar-se a um sono profundo, enquanto o corpo se alimenta das reservas de energia contidas na gordura acumulada.

Hibernar pode representar nosso descanso em Deus, quando nos colocamos inteiramente à mercê de Sua vontade, sem nos preocupar com mais nada.

Geralmente, esses animais procuram tocas ou cavernas, onde possam manter-se aquecidos.
Além de estarmos revestidos de amor, buscando proximidade com nossos semelhantes, de que outra maneira poderemos nos proteger da frieza espiritual deste mundo?

Paulo afirma que há um esconderijo disponível para todos nós. Que não apenas nos provê calor, mas também nos provê lugar de descanso: “Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Col.3:3-4).

Cristo é o Esconderijo do Altíssimo, do qual fala Davi em seu famoso Salmo 91. É o único lugar seguro em todo o Universo. Somente n’ Ele encontramos descanso para a nossa alma, independente da estação em que estivermos.

N’Ele, tornamo-nos inacessíveis. Nenhum dardo maligno pode nos atingir. À semelhança do urso enquanto hiberna, podemos descansar sem receio de sermos pegos por seus predadores.

Se o Outono é tempo de queda, o Inverno representa o tempo de morte e sepultamento. As folhas caídas já se decompõem, e preparam o solo para receber e agasalhar as sementes que nele serão depositadas.

Só pode experimentar o poder da ressurreição, quem houver passado pela cruz. Assim como o Inverno é o curso necessário para que se alcance a Primavera, e posteriormente, o Verão.

Em 2 Coríntios 4:10-11 lemos: “Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos; e assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.”

A vida de Cristo está oculta em nós, assim como nós estamos ocultos n’Ele. Para que esta vida se manifeste (o equivalente ao desabrochar das flores na Primavera), é imprescindível que levemos sempre, por toda a parte, o morrer de Cristo. Trata-se do equivalente ao que Jesus disse: temos que tomar nossa Cruz dia após dia, e segui-lo. Não há alternativa. Sem que nosso ego seja crucificado diariamente, jamais manifestaremos a vida de Cristo em nosso corpo mortal.

O mais bem-sucedido dos apóstolos declarou com veemência: “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2:20). Portanto, qualquer de suas realizações deveria ser creditada a Cristo, e não ao seu desempenho pessoal.

A vida em Cristo não é uma vida de tentativas, mas de desistência. Enquanto não desistirmos de alcançar um nível de retidão por conta própria, estaremos fadados ao fracasso e à frustração. Somente quando nos rendemos, depomos nossas armas carnais, e nos consideramos mortos com Cristo, é que Cristo passa a viver através de nós a vida que jamais poderíamos viver por nós mesmos.

Não se trata de tentar perdoar a quem nos ofende, mas de deixar que Cristo flua Seu perdão através de nós.

O Inverno também é a estação do armazenamento. Todos conhecem a fábula da cigarra e da formiga. Enquanto uma se divertia, cantarolando e tocando sua guitarra, a outra tratava de armazenar comida para o Inverno.

Todos estão preocupados em aproveitar o máximo que a vida tem pra dar. A maioria age como a cigarra da estória infantil. Porém, se quisermos desfrutar de vida eterna, temos que aprender a abrir mão da vida hoje. Deixar de viver para nós mesmos, para viver para Deus e para o nosso semelhante.

Isso também é morrer.

Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo que se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só. Mas se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, mas quem odeia a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna” (Jo.12:24-25).

Gastar nossa vida hoje em função de um bem maior, é o mesmo que armazená-la para a vida eterna. Mas tentar poupá-la hoje, vivendo-a em função de nosso aprazimento, é o mesmo que desperdiçá-la por completo.

Negar-se a morrer para o seu "eu", é o mesmo que preferir uma vida de ostracismo e esterilidade espiritual. O preço de manter intacto o nosso ego é a solidão. E nada pior que solidão para se enfrentar as noites longas e frias do Inverno.

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

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Aprendendo com as Estações

Gênesis 8:22
“Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.”

O Dilúvio havia chegado ao fim. Um arco-íris anunciava que Deus não desistira da criação. O caos vivenciado durante o tempo em que a Terra se viu coberta d’água, agora cedia lugar à ordem.

Há quem acredite que as estações só apareceram a partir do Dilúvio. Cientistas crêem que uma grande catástrofe, talvez a queda de um grande asteróide, provocou uma pequena inclinação no globo terrestre, e isso ocasionou o surgimento das estações. Há quem tente combinar as duas teorias, afirmando que foi a queda de tal astro que provocou tanto o Dilúvio quanto a inclinação do eixo da Terra.

Seja como for, as Estações foram estabelecidas por Deus. Originalmente, o homem identificava apenas duas estações: o Verão e o Inverno. Porém, aos poucos verificou-se que entre uma e outra estação, havia estações intermediárias. As temperaturas não se alteravam drasticamente, mas paulatinamente. Entre o Verão e o Inverno, encontramos o Outono. E entre o Inverno e o Verão, a Primavera.

De acordo com o discurso de Paulo em Listra, as estações são parte do testemunho de Deus manifesto através da criação. Deus “não deixou de dar testemunho de si mesmo. Ele mostrou misericórdia, dando-vos chuvas do céu, e colheita em sua própria estação, enchendo de mantimento e de alegria os corações” (At.14:17).

À luz disso, podemos inferir que há mensagens implícitas em cada estação do ano. Vamos, portanto, investigá-las em busca de tais mensagens, e saber como Deus requer que nos posicionemos.

Cada estação do ano requer de nós uma postura diferente. Ninguém sai agasalhado em pleno Verão! Da mesma forma, ninguém sai com poucas roupas durante o Inverno. Se o fizer, correrá o risco de pegar um resfriado, e até uma pneumonia.

Nossa vida com Deus também tem características sazonais. Cada fase requer que tomemos certas medidas, e nos posicionemos corretamente.

Outono

Do latim autumnu que significa “declínio”, “queda”. O Outono é a estação intermediária entre o Verão e o Inverno. Aos poucos a temperatura começa a cair. As árvores, antes exuberantes em sua folhagem, começam a ficar amareladas, até que suas folhas sucumbem ao soprar dos ventos cada vez mais frios.

Que mensagem de Deus encontramos implícita nessa estação?

A queda das folhas representa a vaidade e fugacidade da nossa vida. Nossa glória se esvai, nosso orgulho se sucumbe, e nada nos resta senão depender da misericórdia divina.

Em que poderia gloriar-se o homem? Em que poderia se estribar?

“Toda carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pe. 1:24-25a).

Cabe aqui a advertência de Deus: “Parai de confiar no homem, cujo fôlego está no seu nariz. Em que se deve ele estimar?” (Is.2:22).

O Evangelho
da auto-estima é uma anomalia doutrinária, completamente estranho ao espírito das Escrituras. O genuíno Evangelho da Graça é um golpe fatal na soberba humana, pois declara que o homem é incapaz de salvar-se a si mesmo. A salvação é pela Graça para que “ninguém se glorie” (Ef.2:8-9).

As árvores nuas
do Outono deveriam ser como um lembrete para nós. Toda sua robustez, vigor, exuberância, exibidas durante o Verão, perdem-se durante a estação da Queda.

Paulo compreendia perfeitamente tal verdade, a ponto de abrir mão de tudo o que poderia envaidecê-lo. Em sua epístola aos Filipenses, o apóstolo dos gentios faz uma breve apresentação de seu currículo:

“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, considerei-o perda por causa de Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” (Fp. 3:5-8).

Paulo se viu como uma árvore que se desnuda ao sabor dos ventos. Nenhuma folha se lhe apegaria. Tudo de que ele poderia se orgulhar agora era considerado “perda total”. Já não importava sua origem étnica, seu pedigree religioso, sua reputação entre os patrícios, nem mesmo seu senso de justiça própria. Era como se ele rasgasse seu currículo em pedacinhos.

Há muitos que se vangloriam em um diploma universitário, em sua posição social, em suas aptidões profissionais, em seu sobrenome, e em tantas outras coisas. Pode-se até impressionar pessoas com isso, mas Deus não Se deixa impressionar com nossas vaidades. Se quisermos agradá-Lo em tudo, temos que nos humilhar debaixo de Suas potentes mãos, e reconhecer nossa bancarrota espiritual.

Há um episódio muito interessante e mal compreendido narrado no Evangelho, em que Jesus amaldiçoa uma figueira ao verificar que não tinha frutos para saciar Sua fome.

"Vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. Então ele disse à figueira: Nunca jamais coma alguém fruto de ti” (Marcos 11:13-14a).

Ora, se não era tempo de frutos, por que Jesus foi tão exigente com aquela árvore? Se observarmos bem, verificaremos que a ênfase principal não é a ausência de frutos, mas a presença de folhas. Por duas vezes é dito que aquela árvore estava repleta de folhas, e apenas uma vez é dito que ela não tinha frutos.

Era necessário que a figueira perdesse todas as suas folhas, a fim de frutificar. Provavelmente ainda não era tempo de fruto, mas já era tempo de haver perdido a folhagem. A presença das folhas indicava que quando o tempo de frutificar chegasse, aquela árvore não daria frutos. Por isso, Jesus a amaldiçoou.

Jesus queria nos deixar uma lição. Se quisermos frutificar, temos que deixar nossa folhagem cair. Só haverá Primavera (tempo de florescer) e Verão (tempo de plantar),e se houver Outono (tempo de perder as folhas e frutificar).

As folhas não se soltam e caem por si mesmas. É o vento que as derruba. O frio as faz perder o viçosidade, o vigor. Mas é a força do vento que as derruba. De igual maneira, é o Espírito Santo, que uma vez soprado sobre nós, faz esvanecer nossa vaidade, e cair nossa arrogância. Em vez de depender de nosso preparo, de nossas obras, passamos a nos valer inteiramente da Graça, e a depender totalmente da provisão de Deus em Cristo.

A esta altura, alguém pode estar perguntando: Ora, se não devo me valer de meu preparo intelectual, então, qual a necessidade de gastar cinco anos em uma faculdade? Pra quê boas obras, se não devo me fiar nelas? Pra quê tanto esforço em vão?

Precisamos enxergar as coisas na perspectiva certa. Mesmo não sendo salvos pelas as obras, somos salvos “para as boas obras” (Ef.2:10). Só não podemos colocar os carros na frente dos bois. Na perspectiva de Paulo, aquilo no qual ele poderia se gloria, tornara-se “refugo”. No texto original, podemos traduzir a palavra grega skybalon por adubo.

A queda das folhas provê o adubo que vai preparar a terra para frutificar. Antes que a agricultura fosse desenvolvida pelo homem, a natureza desenvolveu uma maneira de se auto-perpetuar. Não havia ninguém para adubar a terra, e assim, provê nutrientes para o crescimento saudável da vegetação. Então, através da decomposição das folhas que caíam, o solo recebia o adubo necessário.

Paulo está dizendo que aquilo em que poderia se gloriar, deveria ser colocado no chão, para que se tornasse adubo, e assim, lhe ajudasse a frutificar.

O lugar de nossa glória é o chão! O livro de Jó fala sobre deitar nosso ouro no chão (Jó 22:24-27). O Apocalipse nos apresenta vinte quatro anciãos que depositavam suas coroas no chão, aos pés do Cordeiro (Ap.4:10). O chão representa nossa dependência de Deus, nosso auto-aviltamento, nossa humildade. Seria por isso, que os crentes primitivos colocavam suas ofertas aos pés dos apóstolos?

Tudo o que temos e somos pode ser bênção, como também pode ser um empecilho em nossa comunhão com Deus; vai depender da perspectiva com que nos relacionarmos com isso.

Soltemos nossas folhas, e as deixemos ao sabor do vento.

Algumas delas cairão junto às nossas raízes, e ali ficarão até se decomporem. Outras, porém, serão espalhadas pelo vento, e se tornarão adubo para outras árvores. E assim, aprenderemos a depender uns dos outros, e principalmente, de Deus. Muitos são os canais pelos quais nos vem a provisão, mas a fonte é uma só: DEUS.


* Esta mensagem é parte da Série "As Estações da Vida", ministrada na REINA
* Enquanto no Brasil chega a Primavera, aqui nos Estados Unidos chega o Outono. Lá nascem as flores, aqui caem as folhas.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

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Maria e o Dilema Ecológico

“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5). Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte. Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

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Por acaso Deus deixou alguma coisa escrita?

Dia desses, meu filho me perguntou se Deus havia escrito alguma coisa. Enquanto tentava lhe explicar, me veio um insight: só encontramos três escritas feitas diretamente pela mão de Deus: nas tábuas da Lei, na parede do palácio da Babilônia e na areia.

A primeira, escrita no Monte Sinai em tábuas de pedra, aponta para a inflexibilidade da Lei. Nelas Deus escreveu os dez mandamentos para nortear os homens na construção de uma sociedade justa.

A segunda, feita na parede do palácio real da Babilônia, à vista de todos os convidados do rei que se banqueteavam com os utensílios saqueados do Templo de Jerusalém, representa o Juízo de Deus sobre aqueles que são avaliados pela Lei. A segunda escrita pode representar o ministério dos profetas, cujo objetivo era o de denunciar a condição humana frente ao santo caráter de Deus, revelado na Lei. Perante ela, todos foram pesados e achados em falta. Portanto, estavam todos sob a condenação da Lei.

Mas a terceira escrita fora feita por Cristo na areia, enquanto uma mulher pega em flagrante adultério estava prestes a ser sumariamente executada por aqueles que a acusavam, estribados na Lei.

O que antes fora escrito em tábuas de pedra, agora foi escrito em nossos corações. Através da Cruz, a parede na qual estava escrita nossa condenação foi derrubada. E nossos pecados, escritos na areia, foram inteiramente apagados.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

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Em quê consiste a nossa Herança - Parte 2

Paulo diz que além de herdeiros de Deus, somos co-herdeiros com Cristo.

Como vimos anteriormente, Cristo é a nossa herança incorruptível. Mas qual é a herança que o próprio Cristo recebeu do Pai? Se somos co-herdeiros com Ele, é importante saber em que consiste a Sua herança.

Em Efésios 1:18, Paulo diz: “Oro também para que sejam iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos”.

Repare que neste texto, Paulo está falando da herança de Cristo. Somente com os olhos iluminados pelo Espírito Santo poderemos compreender a vastidão desta herança, da qual somos co-herdeiros.

Paulo compreendeu isso desde o início de seu chamado. Quando Jesus lhe apareceu no caminho de Damasco, disse-lhe: “Eu te livrarei deste povo, e dos gentios, a quem agora te envio, para lhes abrir os olhos, e das trevas os converter à luz, e do império de Satanás a Deus, a fim de quem recebam remissão dos pecados e HERANÇA entre aqueles que são santificados pela fé em mim” (At.26:17-18).

Cada ser humano alcançado pela graça divina é chamado a participar desta herança, independente de sua condição social, sexo ou raça. Por isso Pedro admoesta aos maridos a viver com suas esposas com entendimento, honrado-as como vasos mais frágeis, “como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida” (1 Pe.3:7). Este foi um conceito revolucionário dentro do Cristianismo, uma vez que as mulheres jamais eram vistas como herdeiras.

Ter os olhos espirituais abertos é o mesmo que alcançar maturidade espiritual, sem a qual jamais entenderíamos, muito menos desfrutaríamos de nossa herança em Cristo. Esta idoneidade nos é computada ao sermos santificados n’Ele:

“Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz, e que nos tirou do império das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Col. 1:12-13).

Em outra passagem, o apóstolo nos revela que enquanto o herdeiro não alcança a maturidade, ele vive como um escravo.

“Digo que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do escravo, ainda que seja senhor de tudo. Ele está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão, debaixo dos rudimentos do mundo. Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. Porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também feito herdeiro de Deus (...) Meus filhinhos, por quem de novo sinto dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl.4:1-7,19).

A história do povo de Deus não começa em Pentecostes, como acreditam alguns. A formação do povo escolhido começa em Abraão. A história da Igreja nada mais é do que a continuidade da saga do povo de Deus. De Abraão até os dias de Jesus, ninguém dentre esse povo havia alcançado a maturidade espiritual para desfrutar da herança de Deus. Somente a partir da descida do Espírito Santo é que nos foi conferida tal maturidade. Por isso, já não estamos debaixo da Lei, como meninos, ou como escravos.

E a propósito, em que consiste esta herança, afinal? O que Cristo herdou do Pai?

Lembre-se que Cristo é a nossa herança incorruptível. Porém com Cristo, recebemos também a Sua herança. Paulo declara: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas(Rm.8:32)?

Que todas as coisas são essas? A herança que recebemos por sermos co-herdeiros com Cristo. Em 1 Coríntios 3:21-23 lemos: “Portanto, ninguém se glorie nos homens! Tudo é vosso, seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus.”

Esta herança tem sua dimensão espiritual e material.

Abordemos primeiro sua dimensão espiritual:

1 – Os Dons e Ministérios – “...seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas.”

Veja o que diz Efésios 4:10-14:

“Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não sejamos mais meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia induzem ao erro.”

Como gostaria
que os pastores entendessem que eles foram dados a igreja, e não a igreja a eles. Esta é a nossa glória! Cristo herdou do Pai todos os dons, distribuiu-os como Lhe aprouve, de maneira que aqueles que os receberam, tornaram-se eles mesmos dons para o resto do Corpo. Em outras palavras, nós ministros, fomos dados à igreja.

E com que objetivo fomos dados? Para o aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do ministério e para a edificação do corpo. Em outras palavras, como ministros somos andaimes na construção de Sua Igreja. Tão logo a Igreja tenha alcançado a estatura de Cristo, já não seremos necessários. Pelo menos, não como pastores, mestres, evangelistas, etc.

Nossa condição como membros do Corpo de Cristo é eterna. Mas nosso ofício ministerial tem prazo de validade. Ninguém será pastor ou mesmo profeta para sempre.

Os dons são irrevogáveis, portanto, eternos. Mas os ofícios, não.

E os dons que d’Ele recebemos não nos conferem o direito de dominar sobre os outros. Pelo contrário, nos foram conferidos para que sejamos servos dos demais.

“Servi uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”
(1 Pe.4:10). E mais adiante o apóstolo arremata: “Apascentei o rebanho de Deus que está entre vós (não disse sob vós!), tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente, não por torpe ganância, mas de boa vontade; não como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1 Pe. 5:2-3).

Agora vamos examinar a dimensão material de nossa herança em Cristo.


2 – “Seja o Mundo...”

O que Cristo recebeu do Pai como herança além dos dons distribuídos à igreja? A primeira pista encontra-se no Salmo 2:8, onde o próprio Pai é quem Lhe diz:

“Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão.”

Durante séculos, Israel foi chamado de “a herança do Senhor” (Confira em Dt.32:9; Sl.78:71; Jr.10:16; 51:19). Mas agora Deus promete entregar todas as nações como herança ao Seu Filho Unigênito.

No Salmo 82:8, Asafe exclama: “Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois todas as nações são a tua herança.”

Ao entregar a Cristo as nações da Terra, Deus também estava confiando-as a nós, Seu povo.
Por isso, Davi exclamou: “Mostrou ao seu povo o poder das suas obras, dando-lhe a herança das nações" (Sl.111:6).

Recebemos a Cristo, e com Ele recebemos tudo o que o Pai Lhe confiou por herança. Esta havia sido a promessa feita a Abraão, de quem Cristo é o Descendente prometido:

“A promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Pois se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada, porque a lei opera a ira. E onde não há lei não há transgressão. Portanto é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência...”
(Rm.4:13-16a).

Por meio de Cristo, Deus honrou a promessa feita ao Patriarca hebreu.

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a SEU DESCENDENTE. A Escritura não diz: E a seus descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: E a teu descendente, que é Cristo”
(Gl.3:16).

Embora a promessa de herança tenha sido feita à Cristo, ela se estende “a toda a descendência”. Não a descendência segundo a carne (os judeus), mas segundo a fé (os que crêem em Cristo). Afinal, “os que são da fé é que são filhos de Abraão” (Gl.3:7).

Portanto, o Mundo nos foi entregue por herança.

Infelizmente, a maioria dos cristãos desconhece isso. Acham que o mundo está prestes a ser destruído. Acham que sua herança é o céu. Ledo engano. Nossa herança incorruptível está no céu, mas não é o céu. Nossa herança em Cristo é o mundo.

Quem disse que Deus pretende nos remover daqui? Quem será removido da Terra é o ímpio, não o justo.

“Ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olharás para o seu lugar, e não aparecerá. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz” (...) Aparta-te do mal e faze o bem; então terás morada para sempre. Pois o Senhor ama os justos, e não desampara os seus santos. Eles serão preservados para sempre, mas a descendência dos ímpios será exterminada
(Sl.37:10-11, 27-28).

Se esta promessa só tivesse validade sob a Antiga Aliança, como defendem alguns, por que Jesus a repetiria no Sermão da Montanha (Mt.5:5)?

Talvez alguém objete, dizendo: Por que Deus nos daria por herança um mundo como este, cheio de injustiça, de corrupção, de pecado? Boa pergunta! A resposta está em Isaías 49:8, onde Deus, o Pai, Se dirige ao Seu Unigênito:

“Assim diz o Senhor: No tempo favorável te ouvirei, e no dia da salvação te ajudarei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra, e lhe dares em herança as herdades assoladas”.

Percebe? Cristo recebeu do Pai uma herança assolada, para que Ele, através de Seu povo, a restaure.

E para que cumpramos esta missão/desafio, foi-nos dado o Espírito Santo, com seus dons capacitadores. Isaías diz que aqueles sobre os quais está o Espírito do Senhor, não apenas pregarão boas-novas aos pobres, ou proclamarão liberdade aos cativos, mas também “restaurarão os lugares há muito devastados; renovarão as cidades arruinadas, devastadas de geração em geração” (Is.61:4).

Continua...

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E por falar em U2...

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Igreja usa músicas do U2 em cerimônia

Batizada de U2charist, celebração religiosa nos EUA entoa “One”, “With or Without You”, “Beautiful Day” e outras composições da banda irlandesa

Músicas do U2 serão tocadas durante cerimônias dominicais de uma igreja na Flórida, Estados Unidos. A celebração religiosa, batizada de U2charist - uma mistura do nome da banda com a palavra Eucaristia -, estreou no último dia 23, na First United Methodist Church da cidade de Pensacola.

O site Pensacola News Journal informa que "One", "With or Without You" e "Beautiful Day" (esta na abertura) fazem parte da cerimônia. "É algo definitivamente diferente", afirmou ao veículo o reverendo Geoffrey Lentz, um dos responsáveis pelo templo. "Mas a música do U2 é tão profundamente espiritual que acredito que a hora da adoração é o lugar perfeito para ela."

A iniciativa não é exclusividade de Pensacola. A primeira U2charist, informa a publicação, foi formulada em 2003 pela Igreja Episcopal e mudou de nome em outras entidades. Na estreia deste final de semana, cerca de 200 pessoas participaram do culto, que teve também "Where the Streets Have No Name" e "I Still Haven't Found What I'm Looking For".

O diretor de comunicação da First United Methodist de Pensacola, Jeb Hunt, acrescentou que o mais difícil para incorporar o U2 na celebração foi a escolha das músicas. "Sentamos e vimos as canções do U2 - haviam toneladas delas - para tentar escolher aquelas que seriam melhor usadas na adoração", explicou. "Não é apenas um show do U2. Nós queríamos músicas com a narrativa da história que estamos tentando contar, sobre a redenção e ressurreição cristã."

Segundo a reportagem, a banda não cobra direitos autorais das igrejas, desde que as doações acumuladas na U2charist sejam direcionadas ao combate da pobreza global, em especial a entidade beneficente Millennium Development Goals, da qual Bono é embaixador.

Atualmente, a banda irlandesa dá continuidade à megaturnê mundial 360º>, iniciada em Barcelona no dia 30 de junho.

Fonte: Revista Rolling Stone

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Em quê consiste a nossa herança?

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Se somos filhos, logo somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo”. ROMANOS 8:16-17a.

Nada mais lógico que isto: Se somos filhos de Deus, logo, também somos Seus herdeiros. Esta é a conclusão a que chegara Paulo, no desenvolvimento de sua epístola aos Romanos.

Muito se tem pregado acerca de nossa filiação divina, porém, raramente ouvimos alguma mensagem que fale a respeito da herança dos filhos de Deus. Afinal, o que a Bíblia quer dizer quando nos chama de herdeiros de Deus? Ser herdeiro implica ter uma herança. Quê herança é esta?

Vejamos o que diz Pedro:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia nos gerou de novo para um viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, guardada nos céus para vós” (1 Pe.1:3-4).

Baseados nesta passagem, muitos concluem que a herança dos filhos de Deus é sua morada celeste. Mas seria isso o que Pedro intentava dizer? Que herança incorruptível é esta que está guardada nos céus para nós? Seria a Nova Jerusalém? Estou convencido que a resposta é ‘não’. A Nova Jerusalém apresentada em Apocalipse nada mais é do que uma figura da Igreja de Cristo, o protótipo de uma sociedade construída ao redor do Trono de Deus. Portanto, trata-se de uma realidade presente, não futura.

Ora, se não é a Nova Jerusalém, o que seria, então?

Outras duas passagens usadas em conexão com esta são Filipenses 3:20 e Gálatas 4:26, onde lemos:

“Mas a nossa pátria está nos céus, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.”

“Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós.”


Ora, tanto uma como a outra falam, não de nosso destino, mas de nossa origem. Somos a Nova Jerusalém, e nossa origem é celestial. Por isso, João relata que em sua visão, Jerusalém “descia do céu, da parte de Deus” (Ap.21:10). Tal fato encontra eco nas palavras de Jesus acerca de Seus discípulos: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou (...) Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”(Jo.17:15-16,18). Fica claro que nosso destino não é ser tirados do mundo, ainda que nossa origem espiritual seja o céu.

Então, a pergunta persiste: em quê consiste nossa herança? O que devemos esperar, quer nesta vida, ou na eternidade?

Um dos versos considerados acima nos dá uma pista. Nossa pátria/origem está nos céus, de onde esperamos o Salvador. Portanto, a questão não é “o quê”, mas “quem”.

Pedro diz que nossa herança está guardada nos céus. E “o quê” esperamos dos céus?

Trata-se de uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível. Vejamos o significado de cada uma destas qualidades:

IncorruptívelQue não se corrompe, isto é, não se decompõe com o tempo.
IncontaminávelQue não se contamina.
ImarcescívelQue não murcha, isto é, não perde o vigor.

O que, ou melhor, quem será que se encaixa perfeitamente nesta descrição? A resposta é: JESUS CRISTO.

Cristo é a nossa herança incorruptível, guardada nos céus para nós. Por isso, Pedro não hesitou em advertir seus contemporâneos:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor. E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. Convém que o céu o contenha até os tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”
(Atos 3:19-21).

Algumas linhas antes, Pedro declara que através de Sua ressurreição, a alma de Cristo não foi deixada na morte, “nem a sua carne viu a corrupção” (At.2:31).

Agora, em Seu Corpo glorificado, Jesus está guardado nos céus, esperando a hora em que há de manifestar-Se ao Mundo.

Então, não haveria nada a mais que esperar do céu, senão a Jesus?

O Salmista já dizia: “A quem tenho eu no céu senão a ti?” (Sl.73:25). E mais: "A minha alma disse ao Senhor: Tu és o meu Senhor; não tenho outro bem além de ti (...) O Senhor é a porção da minha herança" (Sl.16:2,5a).

Surpresa? Não deveria ser. Não foi por falta de aviso. O próprio Deus afirma pela boca do profeta: “Eles terão uma herança; eu serei a sua herança” (Ez.44:28a ).

A Bíblia não diz que somos herdeiros dos céus, e sim, herdeiros de Deus.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

1

Um hino à Esperança

Domingo, Agosto 23, 2009

0

Quero só o que você não pode dar



O Jovem rico (Tradução)

A pobreza é tão fácil de se ver
quando é só pela TV
Há vinte milhas da cidade
onde todos vivemos tão bem...
É como se tivéssemos mudado para longe da vizinhança de Jesus
Onde ele tem fome e não está se sentindo tão bem
De caminhar através do nosso lixo
Ele diz: Mais do que apenas o seu dinheiro e moedas
Eu quero o seu tempo, eu quero a sua voz
Quero apenas aquilo que você não pode dar

Então, o que devemos fazer?
aqui no Ocidente queremos segui-lo
falamos a linguagem e cumprimos todas as regras
Até as que nós mesmos fizemos
Vamos lá, siga-me!
mas vender a sua casa, vender seu carro
vender suas ações, vender a sua segurança
e dar aos pobres?
o que é isto? Hey, que negócio é este?
Eu não vou dormir por aí e não sei roubar
Quero justamente as coisas que você não pode dar-me

Porque o que você fizer ao menor destes
meus irmãos, você terá feito a mim
Quero justamente as coisas que você não pode dar-me


Estou cada vez mais impressionado com o trabalho deste profeta da pós-modernidade.
Prova de que há vida inteligente entre os compositores cristãos, e que a mediocridade está com seus dias contados.

Sábado, Agosto 22, 2009

7

Desmacarando a maior mentira que se infiltrou no Cristianismo atual

Segundo o diagnóstico dos reformadores do século XVI, o problema central do ser humano era a justiça própria. Foi a partir dessa conclusão, que eles estabeleceram a “Justificação pela fé” como a bandeira principal do cristianismo protestante.

Se fosse possível ao homem salvar-se mediante boas obras, isso retroalimentaria seu orgulho, cativando-o para sempre em um ciclo do pecado. Somente a graça seria capaz de romper com este ciclo, pois a mesma seria um golpe desferido por Deus no orgulho humano, salvando-o de si mesmo.

Embora concorde com as doutrinas defendidas pelo protestantismo histórico, acredito que houve um erro de diagnóstico. O problema humano não repousa sobre a justiça própria. Na verdade, a justiça própria equivale a um remédio errado que foi ministrado em cima de um sintoma.

Sabemos, pelas Escrituras, que o problema humano se chama “pecado”. Ainda que o conceito seja exclusivo das religiões originárias em Abraão (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), todas as outras religiões concordam que alguma coisa esteja errada com o ser humano. E todas elas, exceto o cristianismo bíblico, acreditam que o remédio para isso é a justiça própria. Para superar sua alienação espiritual, o homem teria que praticar boas obras, que expressassem seu senso de justiça e retidão.

De acordo com as Escrituras, nossas boas obras são como trapos de imundícia (Is.64:4). Era assim que se chamava o pano usado pelas mulheres para conter o fluxo menstrual. Em outras palavras, nossas boas obras são uma tentativa inútil de conter nossa hemorragia espiritual. E por melhores que sejam, estão sempre manchadas pelo nosso pecado. Por isso, a salvação não poderia ser pelas obras, pois elas estariam manchadas pelo nosso orgulho e vaidade.

Quando os reformadores se aperceberam disso, resolveram combater a justiça própria, mostrando aos homens que a única maneira de serem salvos é confiar na justiça divina, demonstrada na Cruz, onde Cristo recebeu nossos pecados e suas conseqüências, e nos imputou Sua justiça e santidade. Aos olhos de Deus, tornamo-nos justos, a despeito de nossas obras, quando reconhecemos nossa bancarrota, e nos fiamos na justiça de Seu Filho Jesus. É pela fé, e tão somente por ela, que Sua justiça é computada em nossa conta.

Até aí, tudo bem. Não há o que rebater. Basta ler Romanos, Gálatas, e toda a Bíblia, para dar-se conta de que a justificação pela fé é uma doutrina imprescindível e inegociável.

A Justificação pela Fé estanca a hemorragia provocada pelo pecado, mas não nos cura de nossa anemia.

É importante combater a justiça própria, pois ela nada mais é do que um placebo, um “me-engana-que-eu-gosto”. É importante estancar a hemorragia, em vez de tentar contê-la com boas obras. Mas acima de tudo, é importante restaurar a saúde espiritual do ser humano. E pra isso, tem-se que combater o pecado. E o que seria o “pecado”?

Ora, o termo “pecado” significa “errar o alvo”. Mas acerca de quê alvo estamos falando? Qual o alvo original estabelecido por Deus à criatura humana?

Essa resposta pode ser encontrada nos dois principais mandamentos de Deus. Eles se constituem no alvo de nossa existência.

“...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mt.22:37-40).

Eis o alvo! Fomos feitos para o amor. E o alvo deste amor é Deus, e, por conseguinte, nossos semelhantes. Porém, ao cair, o homem desvirtuou o alvo, e introduziu um novo alvo: seu próprio eu.

Quem disse que Deus ordenou que o homem amasse a si mesmo? O amor próprio é a essência do pecado. É o próprio pecado. Deus jamais nos ordenaria que pecássemos. Ao dizer que deveríamos amar a nosso próximo como a nós mesmos, ele não está endossando o amor próprio, mas condenando-o. Com efeito, Ele disse: O amor que vocês nutrem por si mesmos, devem dedicar aos outros em vez de a si. O “amor próprio” aqui entra apenas como um referencial, e não como algo louvável e que deva ser estimulado.

As religiões aparam os ramos, e eles continuam a frutificar. O golpe desferido pelos reformadores atingiu o tronco da árvore, e não a sua raiz. Urge desferirmos um golpe na raiz da árvore, o amor próprio.

Todos os pecados têm no amor próprio seu ponto de partida.

Por exemplo: a mentira. Geralmente, a mentira visa a auto-promoção ou a auto-preservação. O indivíduo mente para promover-se, exagerando em seus dotes, enfatizando suas proezas. Ou mente para proteger-se. Portanto, a mentira é filha do amor próprio.

E o adultério? Quem se entrega a uma relação adúltera busca por auto-satisfação, sem importar com a dor que causará ao seu cônjuge e filhos.

Auto-promoção, auto-preservação e auto-satisfação são os principais alvos estabelecidos pelo amor próprio.

Há ainda a filha caçula do amor próprio, a auto-estima, um nome mais sofisticado para o velho orgulho. E há ainda o sobrinho do amor próprio, a auto-ajuda, tão em voga em nossos dias. Em vez de buscar ajuda do auto, o homem pós-moderno prefere acreditar em seu próprio potencial para resolver todos os seus problemas.

O antídoto para a justiça própria é a graça. Através dela a justiça humana é desbancada, e em seu lugar é entronizada a justiça de Deus. E qual seria o antídoto para a o amor próprio?
O antídoto para o amor próprio é a cruz.

Os reformadores protestantes enfatizaram a morte de Jesus em nosso lugar, mas se esqueceram de dar igual ênfase à nossa co-crucificação. Dizer que Jesus morreu por nós é a mais pura verdade, mas não expressa toda a verdade. Ele morreu por nós, mas nós também fomos crucificados com Ele.

O apóstolo Paulo conjuga com maestria essas duas verdades:

“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu” (2 Coríntios 5:14-15).

O amor revelado na Cruz deve constranger-nos a ponto de não mais vivermos para nós. A Cruz é um golpe fatal no amor próprio.

Paulo compreendeu isso perfeitamente: “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2:20).

Onde foi parar a auto-estima de Jesus? Como Ele pôde entregar-Se de tal maneira por gente que sequer merecia?

Jesus estabeleceu um novo referencial de amor. Antes da Cruz, a referência mais eloqüente que o homem tinha era o amor próprio. Mas agora, Jesus o desbancou, entregando-Se por nós sem reservas.

E é este o tipo de amor que devemos dispensar aos nossos semelhantes.

Pela Cruz, somos salvos não apenas da condenação do inferno, ou da ira divina, mas somos salvos de nós mesmos.

Pelas pisaduras de Cristo, fomos curados de nossa hemorragia e de nossa anemia espiritual.
Agora somos instados a amar a Deus sobre todas as coisas e aos nossos semelhantes da maneira como Ele nos amou, e não como a nós mesmos.

Tudo isso sugere que o que a igreja cristã necessita não é de mais uma reforma, nos moldes do século XVI, mas de uma revolução de amor, onde o amor próprio seja deposto, e em seu lugar seja entronizado o Novo Mandamento de Jesus.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

4

Chega de charlatões se fazendo de profetas!

“Mostrou-me o Senhor dois cestos de figos, postos diante do templo do Senhor (...) Um cesto tinha figos muito bons, como os figos temporãos, mas o outro, figos muito ruins, que não se podiam comer, de ruins que eram” (Jer. 24:1a,2).

É interessante que quando Deus dá uma visão a Jeremias, Ele pergunta “Que vês, Jeremias?” Foi a mesma pergunta que Deus fez ao profeta ao comissioná-lo (Jer.1:11). A maneira como Deus Se comunicava com Jeremias era peculiar. Aquilo que vemos precisa ser expresso, verbalizado, reportado. Não basta ver, tem que saber contar o que viu.

Neste episódio, o profeta chorão, como ficou conhecido Jeremias, vê dois cestos de figos. Ele observa que cada cesto apresenta qualidade diferente de figos . Numa havia figos muito bons, e na outra, figos muito ruins. Não havia meio-termo. Os figos ruins sequer podiam ser ingeridos, de tão ruins que eram. Ambos os cestos estavam diante do Templo, indicando que sua qualidade dependia de sua relação com o Eterno.

Quem estava sendo representado pelos dois cestos?

O cesto de figos bons representava aqueles que haviam sido levados em exílio para a Babilônia. Esses foram enviados de Judá para a terra dos caldeus. O próprio Deus assume a responsabilidade por tal acontecimento. Fora Ele quem levantaram Nabucodonosor como instrumento de Seu juízo sobre as nações. Nem mesmo Judá seria poupada. E por isso, os filhos de Judá deveriam se render, sem qualquer resistência. Não se trata de fatalismo, mas da vontade expressa de Deus para aquela situação.

Deus assume o compromisso de cuidar pessoalmente daqueles que fossem levados para a terra dos caldeus: “Porei os meus olhos sobre eles, para o seu bem, e os farei voltar a esta terra. Edificá-los-ei, e não os destruirei; plantá-los-ei, e não os arrancarei. Dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou o Senhor. Ser-me-ão por povo, e eu lhes serei por Deus, pois se converterão a mim de todo o seu coração” (Jer. 24:4-7).

Basta ler o livro de Daniel, pra conferir que Deus cumprira o que prometera. Os exilados foram recebidos como príncipes, como gente de valor, e não como escravos ou cativos. Deus os honrou em terra alheia.

É importante aqui uma breve explicação. Por que Deus permitiu que os filhos de Judá fossem levados de Jerusalém para a Babilônia? Quando Yahweh introduziu Seu povo na Terra prometida, fora feita uma aliança entre Deus, Seu povo e a terra. Eles poderiam plantar por seis anos consecutivos, mas no sétimo ano a terra deveria descansar. Por 490 anos, eles semearam, colheram, mas não observaram o ano sabático em que a terra deveria descansar. Hoje, está comprovado cientificamente que se a terra não descansa, ela fica improdutiva, pois perde os sais minerais.

Chegou a hora da cobrança. Os judeus deviam 70 anos sabáticos à terra. Antes que a terra ficasse estéril, Deus transportou Seu povo para a terra dos caldeus, para que lá passassem 70 anos.

Nem todos aceitaram o veredicto divino. Muitos questionaram e se revoltaram contra Deus e a Sua Palavra. E é nesse contexto que Deus levanta Jeremias.

Os que contestaram o veredicto de Deus foram comparados aos figos ruins, tão ruins que não se podia comer (Jer.24:2).

Assim como se lança fora aquilo que não se pode ingerir, “do mesmo modo”, diz o Senhor, “entregarei Zedequias, rei de Judá, os seus príncipes, e o resto de Jerusalém, quer fiquem nesta terra, quer habitem na terra do Egito. Farei que sejam espetáculo horrendo, ofensa para todos os reinos da terra, opróbrio e provérbio, escárnio, e maldição em todos os lugares para onde os lancei. Enviarei entre eles a espada, a fome, e a peste, até que sejam consumidos de sobre a terra que dei a eles e a seus pais” (Jer.24:8-10).

Zedequias, que fora constituído às pressas como rei de Judá, liderou a resistência. “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”, dizia o rei postiço. Havia quem preferisse retornar ao Egito, a ter que se render ao Império Caldeu.

Enquanto os “figos bons” haviam sido “enviados” por Deus, os “figos ruins” seriam “lançados”. O contraste seria claramente visível.

Todo movimento tem um líder e um mentor. Nem sempre aquele que lidera é o mesmo que mentoriza. Geralmente, aquele que está no poder necessita ser legitimado aos olhos do povo. Todo anticristo precisa de um falso profeta. Esta é a dobradinha. O falso profeta é aquele que serve aos poderes constituídos em sua rebelião contra Deus. Em vez de denunciar, prefere bajular. Em vez de contestar, prefere corroborar.

Quem respaldava as decisões de Zedequias era um falso profeta chamado Hananias. Este dizia o que o rei queria ouvir. Provavelmente, vivia às custas do palácio real. Veja o que diz a Escritura:

“No mesmo ano, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, no quarto ano, no quinto mês, Hananias, filho de Azur, o profeta de Gibeom, me disse na casa do Senhor, perante os olhos dos sacerdotes e de todo o povo: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eu quebrarei o jugo do rei da Babilônia” (Jer. 28:1-2).

Isso era tudo que Zedequias, e os supostos “heróis da resistência” queriam ouvir: O jugo do rei da Babilônia será quebrado. Aleluia! Quem não se rejubilaria com uma notícia dessas!

Uma coisa ninguém pode negar: Hananias era um homem convincente, e que parecia acreditar naquilo que dizia. Senão, ele jamais se atreveria afirmar que o cativeiro babilônico duraria apenas dois anos (Jer.28:3-4). Em apenas dois anos tudo voltaria ao normal. Até os utensílios do Templo seriam devolvidos para que os judeus pudessem cultuar a Deus como antes.
Esta é a marca registrada dos falsos profetas: eles sempre dizem o que as pessoas almejam ouvir. Promessas e mais promessas. E tudo isso, a serviço de quem está no poder. Falsos profetas adoram fixar prazos, marcar datas. Eles sabem que as pessoas ficam impressionadas com isso.

E quanto a Jeremias, qual foi sua reação àquela profetada?

“Disse Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o Senhor! O Senhor confirme as tuas palavras, com que profetizaste, e torne a trazer os utensílios da casa do Senhor, e todos os do exílio de Babilônia a este lugar” (Jer. 28:5-6).

Será que Jeremais estava sendo irônico, ou ele realmente desejava que se cumprisse a profecia de Hananias? Dizer “amém” a uma palavra requer concordância. Será que Jeremias se deixou iludir? Vejamos:

“Entretanto, ouve esta palavra, que eu digo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo: Os profetas que existiram antes de mim e antes de ti, desde a antigüidade, profetizaram guerra, mal e peste contra muitas terras e grandes reinos. O profeta que profetizar paz, quando se cumprir a palavra desse profeta, será conhecido como profeta na verdade enviado pelo Senhor” (Jer. 28:7-9).

Simples assim. Se a profecia se cumpre, o profeta é reconhecido como verdadeiro. Se não se cumpre, deve ser considerado mais um falso profeta. Anos atrás, uma conceituada pregadora profetizou que Jesus voltaria em 2007. O tempo expirou. A profecia não se cumpriu. Logo, ela acaba de engrossar a infame galeria dos falsos profetas.

Qualquer um que se atreva anunciar uma data para a volta de Jesus não merece qualquer crédito. Pregadores anunciar de seus púlpitos: Somos a última geração! Aqueles que presenciarão o arrebatamento! Será que tais previsões merecem crédito? Serão eles do time de Jeremias, ou de Hananias?

Jeremias 1 x Hananias 0

Na mente de Hananias, era hora de virar o jogo. Sua reputação estava sendo questionada. Sua estratégia para reverter o placar foi, no mínimo, inusitada.

“Então Hananias, o profeta, tomou o canzil do pescoço do profeta Jeremias, e o quebrou. Disse Hananias aos olhos de todo o povo: Assim diz o Senhor: Assim quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei de Babilônia, depois de passados dois anos completos, de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, foi-se embora” (Jer.24:10-11).

Todo mundo ficou impressionado.

Desde que o Senhor revelara a Jeremias o exílio do Seu povo, Deus o orientou a colocar uma espécie de jugo em volta de seu pescoço. Era uma maneira de dramatizar aquilo que estava prestes a acontecer. Haninas, no afã de virar o jogo, arranca o canzil do pescoço de Jeremias, e sem pedir licença, o quebra à vista de todos. Da mesma maneira, Deus quebraria o jugo de Nabucodonosor. Aaaaaahhhhhh! Que coisa impressionante!

Aos olhos do povo, Hananias se tornou também o bem-feitor de Jeremias, pois tirou-lhe o jugo que lhe pesava o pescoço. Porém, por trás daquele gesto aparentemente solidário, estava a intenção de desmoralizar o porta-voz de Yahweh.

Sabe qual foi a reação imediata de Jeremias? Foi-se embora. Era hora de retirar seu time de campo. Não adiantava bater boca com aquele falso profeta. O povo estava do seu lado. Os que haviam sido convencidos por Jeremias já estavam longe a essa hora. Quem permanecia ali era porque dava maior crédito a Hananias. Era hora de intervalo do jogo. O placar está empatado. Mas o segundo tempo viria, quando Jeremias teria recobrado seu ânimo.

Era hora de reunião com o Técnico.

“Veio a palavra do Senhor a Jeremias, depois que Hananias, o profeta, quebrou o canzil de sobre o pescoço do profeta Jeremias: Vai, e dize a Hananias: Assim diz o Senhor: Canzil de madeira quebraste, mas em vez dele terás canzil de ferro. Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Jugo de ferro pus sobre o pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonosor, rei de Babilônia, e servi-lo-ão. Até os animais do campo lhe darei” (Jer. 28:12-14).

Chega de dramatização! É a hora da verdade! Deus não Se deixa impressionar com as artimanhas humanas. Seu propósito sempre prevalece.

O enviado do Senhor fala as Suas Palavras. Mas aquele que vai sem ser enviado terá que arcar com o custo de sua iniciativa rebelde. Quem vai sem ser enviado, acaba sendo lançado. Assim como os figos ruins, que se deixaram ludibriar por suas falsas promessas, e por isso, seriam lançados por Deus, aquele que fora sem ter sido enviado, também seria lançado.

“Então disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve, Hananias! O Senhor não te enviou, mas fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eu te lançarei de sobre a face da terra. Este ano morrerás, porque pregaste rebeldia contra o Senhor. Morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês” (Jer. 28:15-17).

Provavelmente, as profecias de Hananias devem ter repercutido para além dos muros de Jerusalém, chegando aos ouvidos dos exilados na Babilônia. Muita gente se recusava a desfazer as malas. Estavam ali de passagem. Dois anos passariam rapidamente. Para desfazer as falsas esperanças que foram incutidas em seus corações, Jeremias lhes enviou uma carta:

“São estas as palavras da carta que Jeremias, o profeta enviou de Jerusalém, ao resto dos anciãos do exílio, como também aos sacerdotes, aos profetas e a todo o povo que Nabucodonosor havia transportado de Jerusalém para Babilônia (...) Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os que foram transportados, que eu fiz transportar de Jerusalém para Babilônia: Edificai casas, e habitai nelas; plantai pomares, e comei do seu fruto. Tomai mulheres, e gerai filhos e filhas; tomai mulheres para vossos filhos, e dai as vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas. Multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. Procurai a paz e a prosperidade da cidade, para onde vos fiz transportar. Orai por ela ao Senhor, porque se ela prosperar vós também prosperareis (...) Pois eu sei os planos que tenho para vós, diz o Senhor, planos de paz, e não de mal, para vos dar uma esperança e um futuro” (Jer.29:1,4-7,11).

Esta carta era o antídoto contra a alienação que as falsas profecias estavam promovendo no meio do povo.

Entre 70 anos e apenas 2 anos há uma diferença gritante. Passar setenta anos num lugar é gastar pelo menos duas gerações ali. É tempo suficiente para fazer planos, pra pensar no futuro, para plantar pomares, construir casas, e viver o suficiente para conhecer os netos e bisnetos.

A mensagem do falso profeta parece de esperança, mas na verdade produz alienação. Ora, se vamos passar apenas dois anos na Babilônia, não há porque fazer planos, nos integrar à sociedade, e nem mesmo trabalhar para que ela prospere. A mensagem de Deus foi clara: Orem pela paz, e trabalhem pela prosperidade da sociedade, pois se ela prosperar, vocês também prosperarão.

Parece que boa parte dos pregadores e profetas de hoje em dia, está escalado no time de Hananias, e não no de Jeremias. Fala-se da volta de Jesus de maneira tal, que não sobra perspectiva pra mais nada neste mundo. Pra quê estudar? Pra quê gastar cinco anos numa faculdade, se o mundo está prestes a acabar? A exemplo da profecia de Hananias, o que parece uma mensagem de esperança, na verdade, é uma mensagem de desesperança.

Não sabemos quanto tempo temos até a volta de Jesus. Mas enquanto Ele não vem, temos que trabalhar pela prosperidade de nossa sociedade. Não podemos nos alienar da realidade que nos circunda.

Estamos aqui porque fomos enviados, e não, lançados. Pertencemos ao cesto dos bons figos. Ao time de Jeremias.

PS.: Não precisamos de quem nos arranque o canzil, mas de quem nos diga a verdade.